31 de dez de 2010

A música em 2010: o ano em fotos!

sexta-feira, dezembro 31, 2010

Por Ricardo Seelig

No último dia do ano, uma retrospectiva visual dos fatos mais marcantes que aconteceram na música em 2010.

Gente que partiu, gente que ficou. Gente que se mostrou, gente que se exibiu. E até gente que fez música que valeu a pena no ano que está acabando.

Delicie-se, e comente!


30 de dez de 2010

United States of Cabo: documentário sobre os fãs de Sammy Hagar!

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Por Ricardo Seelig

Foi divulgado o primeiro trailer do documentário United States of Cabo, produção independente sobre os fãs do vocalista e guitarrista Sammy Haggar (Chickenfoot, ex-Van Halen e Montrose). O filme será lançado em 2011, mas ainda não há uma data prevista.

Os diretores seguiram um grupo de "redheads" - alcunha pela qual os fãs de Sammy se identificam -, e mostram como os apreciadores do músico celebram seu estilo de vida, regado sempre a muito rock, tequila e belas garotas seminuas.

Além disso, o filme conta com performances inéditas do Chickenfoot gravadas em setembro de 2009 e maio de 2010.

Abaixo você pode assistir o trailer do filme:


Discos Fundamentais: Miles Davis - Miles in Berlin (1969)

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Por Ricardo Seelig

Gravado no dia 25 de setembro de 1964 durante o festival Berliner Jazztage, Miles in Berlin é um dos melhores registros ao vivo de Miles Davis, incluindo aí todas as fases de sua carreira.

Uma das primeiras gravações do chamado Segundo Grande Quinteto de Miles, o disco traz o trompetista acompanhado por Wayne Shorter, Herbie Hancock, Ron Carter e Tony Williams, e suas seis faixas (o álbum original continha apenas cinco, mas a reedição de 2005 incluiu "Stella by Starlight") apresentam alguns dos momentos mais sublimes da carreira de Miles Davis.

Outro fator importantísimo é que o disco foi gravado no palco usado historicamente pela Orquestra Filarmônica de Berlin por cinco negros norte-americanos que viraram o jazz de cabeça para baixo.

Miles exerce seu papel de band leader com o brilhantismo habitual, solando maravilhosamente e chamando os outros instrumentistas com seu trompete, fazendo com que cada um tenha o seu momento próprio.

Entre as faixas, só clássicos do repertório de Miles. O disco abre com a swingada "Milestones", cheia de quebras de andamento e malabarismos instrumentais, e segue com aquela que muitos dos estudiosos da obra de Miles classificam como a melhor versão ao vivo de "Autumn Leaves", de arrepiar realmente.

O mítico álbum Kind of Blue de 1959 é revisitado com a sua faixa de abertura, "So What", devidamente desconstruída pelo quinteto. "Stella by Starlight" traz Miles olhando para o seu início de carreira, e "Walkin´" é um exercício policromático repleto de paisagens que se constróem a cada novo movimento.

Enfim, Miles in Berlin é uma obra-prima da música, um registro antológico de um músico pra lá de genial.

We want Miles!!!


Faixas:
1 Milestones 9:01
2 Autumn Leaves 12:53
3 So What 10:43
4 Stelle by Starlight 12:54
5 Walkin' 10:41
6 Theme 1:47

Existem canções que possuem braços!

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Por Ricardo Seelig

(texto escrito em 2005 mas surpreendentemente atual, já que ando redescobrindo a maioria desses sons)

Algumas canções simplesmente possuem braços. Algumas dão a mão pra gente. Outras, nos abraçam. Tem aquelas que nos seguram quando estamos caindo. E tem também aquelas que nos agarram e nos fazem girar no céu, voando alto, flutuando com o coração na boca.

Algumas você ouve e vai tão longe que precisa amarrar sua perna na mesa da sala pra ter certeza que vai voltar. Algumas você não precisa nem fechar os olhos pra se sentir em outro lugar.

Tem algumas que você se sente olhando no olho de quem ama. Tem outras que você gosta de primeira e nem ao certo sabe porque. E tem também aquelas que a gente demora um tempo pra entender, mas, quando isso finalmente acontece, definitivamente não somos mais os mesmos.

Existem canções que parecem feitas pra gente. A música certa, na hora certa e no lugar certo. Essas são mais difíceis de sentir. Geralmente leva um pouco de tempo pra você perceber isso. Mas quando a coisa bate você nem ao menos sente seus pés no chão, o coração bate na garganta, frio e calor tomam conta do seu corpo, arrepios descem da alma e esse monte todo de clichês. Essas fazem você saber que a queda será dolorosa, mas vai valer a pena.

Eu ando nas nuvens com algumas coisas, e quero dar algumas dicas. Vá atrás de The Thrills. Ouça "Big Sur", "Your Love is Like Las Vegas", "´Til The Tide Creeps In", "Don´t Steal Our Sun", "Old Friends New Lovers", "One Horse Town" e "Say It Ain´t So".

Ouça Belle and Sebastian e fique surpreso em como o pop pode ser perfeito quando é feito com o coração. Mergulhe em "The State I Am I", "Get Me Away From Here I´m Dying", "I Could Be Dreaming", "She´s Losing It" e "You´re Just a Baby".

Ouça Ben Kweller e veja como um cara com cara estranha pode fazer você sentir um monte de coisas estranhas. Vá de "Cally", "Lizzy" e "I Don´t Know Why".

Ouça "The Scientist", "Yellow" e "Beautiful World" do Coldplay, pare de pensar um pouco, viva mais e tenha a certeza de que você tem tudo pra ser feliz.

Coloque Jack Johnson no volume máximo, abra os braços e o coração. Sinta o que "Flake", "Middle Man", "Bubble Toes" e "Sexi Plexi" podem fazer por você.

Permita que um carinha como John Mayer mexa com os seus sentimentos. Tire a prova com "Your Body is a Wonderland".

Saiba que, por mais que você já tenha vivido, por mais que você já tenha sentido, por mais que você já tenha amado, gargalhado, chorado, não vai estar preparado para o que "Off He Goes" do Pearl Jam" vai fazer com você.

Admita que, mesmo depois de anos e anos banhando-se com música pop, poucas vezes você sentiu um arrepio tão profundo quanto da primeira vez que ouviu o refrão de "Dosed", do Red Hot Chili Peppets.

Coloque Beta Band no som, ouça "Dry the Rain", "2 Chord Song", "Broken Up a Ding Dong" e "Dogs Got a Bone" e não entenda absolutamente nada.

Junte as mãos, feche os olhos, sinta todo o seu corpo e entenda, de uma vez por todas, o que Ryan Adams fez com você. "La Cienega Just Smiled", "Firecracker", "Somehow Someday", "Nobody Girl", "Hallelujah", "Desire", "Cry On Demand" e "A Song For You" tem que ser apenas o começo.

Ouça Travis e admita que os ingleses, e todos aqueles que nasceram naquela ilha, são diferentes. Não sei se são as doses maciças de Beatles no café da manhã, mas alguma coisa evoluiu de maneira diferente naquele povo. "The Fear", "Side", "Luv", "Mother", "Sing", "The Humpty Dumpty Love Song", "Ring Out the Bell" e "Pipe Dreams" são provas suficientes disso.

E, se você ainda estiver vivo depois de tudo, entre sem bater no meu mundo favorito. Digite W-I-L-C-O. Procure "How to Fight Loneliness" e "Jesus etc". Ouça as duas em sequência. De olhos fechados. Bem alto. Tente não cair no chão. Tente não sentir os braços ao seu redor, as mãos te tocando. Tente não sentir a música te abraçando. Tente não girar no céu, não voar alto, não flutuar com o coração na boca. Tente não olhar no olho de quem você ama. Tente não sentir que elas foram feitas pra você.

Existem muitas outras canções. O número é mais ou menos do tamanho das emoções que você pode sentir. Mas tenha sempre a certeza de que qualquer coisa que faça o seu coração bater mais forte vai sempre valer a pena.

Afinal, é cada vez mais raro encontrar pessoas que tenham um coração.

29 de dez de 2010

Mosh Potatoes: livro traz 147 receitas de pratos criados por músicos de heavy metal!

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Por Ricardo Seelig

Scott Ian, David Ellefson, Joey Belladonna, Zakk Wylde, Lemmy e inúmeros outros ícones do heavy metal reunidos em um livro. Não, não é uma obra que conta a história do metal, mas sim um livro de culinária com nada mais nada menos que 147 receitas criadas por esses caras e mais um monte de outros músicos.

Idealizado pelo jornalista Steve Seabury, Mosh Potatoes: Recipes, Anecdotes and Mayhem from the Heavyweights of Heavy Metal é um verdadeiro guia da culinária rocker! Em suas 272 páginas há desde pratos picantes à bebidas calientes, em receitas devidamente explicadas de maneira didática e com fotos dos pratos finalizados.


Não sabe o que oferecer naqueles encontros com os amigos, regados a bebida gelada e muito heavy metal? Os seus problemas acabaram!

Assista abaixo um vídeo sobre o livro, e fique com água na boca!


Cinco discos para conhecer Glenn Hughes!

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Por Igor Miranda

Direto de nosso parceiro Van do Halen, Igor Miranda estreia na Collector´s Room apontando para os nossos leitores os cinco discos que servem de porta entrada para a carreira do baixista e vocalista Glenn Hughes, um dos maiores músicos da história do rock.

Acomode-se na cadeira, aumente o volume e delicie-se!

Trapeze - Medusa (1970)

Lançado ao fim de 1970, Medusa é o segundo álbum do Trapeze, primeira banda em que Glenn Hughes tocou profissionalmente. O debut, lançado no mesmo ano, é bem confuso e diferente do que se é encontrado nos trabalhos posteriores. Por sorte, os responsáveis por isso (o vocalista John Jones e o guitarrista e tecladista Terry Rowley) logo caíram fora para sua banda de origem e o Trapeze se tornou um power trio, constituído por Hughes nos vocais e baixo, Mel Galley (Whitesnake, Phenomena) na guitarra e Dave Holland (Judas Priest) na bateria.

Medusa traz um blues rock com fortes influências de funk e soul, sempre carregadas por Glenn. Bateria precisa, guitarras que destilam excelentes riffs, baixo pulsante e vocais extraordinários. Algo que, em 1970, deveria ter chamado a atenção, mas por não estarem no cast de uma grande gravadora no momento do lançamento trata-se de um álbum subestimado e que nunca atingiu o merecido sucesso.

Os três integrantes conseguiram seus lugares ao sol posteriormente, mas Medusa, além de ser o verdadeiro início desses três, é um baita disco de rock!

Deep Purple - Burn (1974)

No auge de sua formação clássica, o vocalista Ian Gillan decidiu abandonar o Deep Purple, e com ele foi o baixista Roger Glover. Para substituí-los, foram escalados David Coverdale (vocal) e Glenn Hughes (baixo e vocal). Inicialmente, apenas Hughes seria convocado, permanecendo como vocalista principal e baixista, como fazia na sua antiga banda, o Trapeze. Mas os caras optaram por ter alguém só para os microfones, daí a entrada de Coverdale, que dividia as vozes constantemente com o baixista.

Mesmo com tantas feras em uma só banda, ninguém se ofuscou. Glenn exerceu forte influência na nova sonoridade adotada, principalmente pelas doses de funk, boogie e soul music, enquanto David intensificou a veia blueseira das composições, e os três remanescentes, competentes como sempre, deram o peso e a precisão necessária para que Burn se tornasse um clássico do rock, sem fronteiras ou rótulos.

Black Sabbath - Seventh Star (1986)

Seventh Star foi todo concebido e gravado com a intenção de ser o primeiro disco solo do guitarrista do Black Sabbath, o lendário Tony Iommi. No entanto, por pressão dos magnatas da gravadora, levou o nome da banda - por isso contém o "featuring Tony Iommi".

Para a empreitada, nenhum ex-integrante do conjunto. A cozinha foi emprestada por Lita Ford, noiva de Iommi na época, com Dan Spitz no baixo e Eric Singer na bateria, enquanto Geoff Nicholls assumiu os teclados e Glenn Hughes, os vocais.

Por conta disso, há o estranhamento no que diz respeito a sonoridade aqui empregada, muito diferente do que se é conhecido do Sabbath. A influência de blues é muito forte - cortesia de Tony Iommi, um blueseiro de primeira -, e há a enorme presença de elementos do hard rock oitentista nas canções, sendo o single de divulgação do play, "No Stranger to Love", a maior prova disso.

Mas toda a formação arregaça, o peso é mantido como deve em todo o álbum, e Hughes, mais uma vez, faz a diferença, provando a razão do humilde apelido The Voice of Rock.

Um dos melhores da discografia da trupe de Iommi.

Glenn Hughes - From Now On ... (1994)

Depois de ter sua vida ferrada pelo uso contínuo de drogas, Glenn Hughes tomou vergonha na cara e largou seus vícios. Devidamente limpo lançou L.A. Blues Authority Volume II, álbum repleto de participações especiais, em 1992. Dois anos depois, The Voice of Rock coloca um excelentíssimo trabalho nas prateleiras: From Now On... . A intenção desse disco era sair apenas na Suécia, mas acabou sendo lançado no Japão e nos Estados Unidos também.

O direcionamento do registro é curioso, pois é bem orientado para o AOR e o hard rock melódico. A banda de apoio colaborou para tal direção, já que conta com dois ex-integrantes do Europe: o baixista John Levén e o tecladista Mic Michaeli. Há uma participação de Ian Haugland, mas apenas nas faixas bônus, tendo as baquetas assumidas por Hempo Hildén. Todos, inquestionavelmente, fazem muito bem, assim como os guitarristas suecos Thomas Larsson e Eric Bojfeldt, e o próprio Glenn, que nunca decepciona - até fazendo AOR, o cara brilha muito!

Um dos melhores álbuns de sua (extensa) carreira solo.

Black Country Communion - Black Country (2010)

Após um jam entre Glenn Hughes e o guitarrista Joe Bonamassa (conhecido principalmente por sua carreira solo altamente influenciada pelo blues) no Guitar Center's King of the Blues, evento ocorrido em Los Angeles, os dois decidiram que precisavam tocar juntos em um novo projeto. O Black Country Communion estaria formado pouco depois, quando o produtor Kevin Shirley sugeriu a adesão de dois caras que dispensam comentários: Jason Bonham e Derek Sherinian, respectivamente para a bateria e os teclados. Shirley acabou ficando para produzir o primeiro registro.

Black Country saiu na segunda metade de 2010 e impressionou. Pode-se esperar tudo de um supergrupo, mas o resultado não poderia ser melhor: um trabalho versátil e fora de qualquer rótulo. Ora funk rock, ora hard rock, ora rock clássico, ora blues rock, ora moderno. O quarteto simplesmente detona em mais de 70 minutos de boa música, com destaques a todos os instrumentos, mas principalmente a Hughes, que com quase 60 anos canta com a mesma disposição que tinha há mais de trinta anos.

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