21/07/2012

Discoteca Básica Bizz #003: Elvis Presley - The Sun Sessions (1976)

Como quase tudo no rock, é uma história cercada de lenda. Sam Phillips, dono de uma gravadora em Memphis, queria "encontrar um branco com o som e o sentimento de um negro, para ganhar um milhão de dólares". Elvis Presley, um jovem aspirante a cantor, queria ter o melhor carro da cidade. O encontro dos dois assumiria uma dimensão mitológica, mas não aconteceu facilmente. 


Tudo começou numa tarde do verão de 1953. Elvis, 18 anos, chofer de uma firma de artigos elétricos, estacionou a caminhonete da companhia na sua hora de almoço em frente à Memphis Recording Service, uma subsidiária da gravadora Sun, de Sam Phillips. Ali, pagando quatro dólares, qualquer um podia gravar qualquer coisa num disco de acetato de dez polegadas. Quem cuidava do serviço para Sam era Marian Keisker, ex-Miss Rádio de Memphis, que ficou impressionada com a voz de Elvis. Marian pegou o endereço e o telefone do rapaz e o recomendou vivamente ao patrão, que acabou ouvindo Elvis. 


Os sentimentos de Phillips em relação a Elvis eram ambivalentes. Acreditava no seu potencial, mas não conseguia acertar com ele. Apresentou-o ao guitarrista Scotty Moore e ao baixista Bill Black e fez que iniciassem um verdadeiro laboratório Presley. Finalmente, foi marcada uma sessão para 5 de julho de 1954. Corria tudo morno, como de costume, até que, num dos intervalos, Elvis começou a brincar com uma versão envenenada de um blues de Arthur "Big Boy" Crudup, "That's All Right (Mama)". Sam sentiu aquele estalo e gritou da cabine: "Que é que vocês estão fazendo?". Um dos músicos respondeu: "Sei lá ...". Sam ordenou: "Então descubram. Vamos rodar de novo!". O resultado foi o que um crítico definiu como "a Pedra de Roseta do rock'n'roll".


A associação de Elvis com Sam Phillips durou 16 meses, até novembro de 1955, quando a Sun Records vendeu o cantor para a RCA por 40 mil dólares. Sam não conseguiu o seu milhão de dólares, mas teve a glória de figurar no centro de uma verdadeira revolução cultural. Já Elvis, com as luvas do contrato, comprou o primeiro de uma frota de Cadillacs. 




Desta breve e insólita colaboração nasceu este punhado de canções que a RCA, muito tempo depois, reuniria num LP com o título de The Sun Sessions. Está tudo ali. A fusão ideal das duas grandes correntes sonoras - a branca e a negra, o country & western e o rhythm & blues - num estilo único, o rock and roll. 


Estão ali o Elvis roqueiro, o Elvis caipira e o Elvis pop. O cantor romântico, às vezes até meloso, que arrebatava os corações carentes de todas as latitudes, de todas as idades. É curioso ouvir numa canção como "I'm Left, You're Right, She's Gone" os Beatles dos primeiros tempos; é intrigante captar, em "I'll Never Let You Go", a sensibilidade vocal lancinante do Lennon da fase pós-Beatles.


Como escreveu Albert Goldman: "20 anos antes, os músicos de jazz estavam fazendo o mesmo truque, tocando canções da maneira convencional e depois improvisando sobre elas. Vinte ou trinta anos antes do swing, o truque era o ragtime. O que Elvis fez nas sessões da Sun foi repetir instintivamente aquele processo de inovar a música recarregando o seu ritmo de um modo que tem caracterizado cada revolução estilística na história da música popular do século vinte. É isso que dá às sessões da Sun sua qualidade arquetípica".


Uma faixa resume, particularmente, a vitalidade deste som que marcaria a nossa época. É "Good Rockin' Tonight", com o baixo na marcação do boogie e a guitarra já saindo de suas funções meramente rítmicas para se alçar aos solos que aliciariam toda uma geração, enquanto Elvis faz o anúncio: "Well, I heard the news, there's good rockin' tonight."


Faixas:
A1. That's All Right - 1:54
A2. Blue Moon of Kentucky - 1:59
A3. I Don't Care If the Sun Don't Shine - 2:23
A4. Good Rockin' Tonight - 2:10
A5. Milk Cow Blues - 2:32
A6. You're a Heartbreaker - 2:08
A7. I'm Left, You're Right, She's Gone - 2:34
A8. Baby Let's Play House - 2:13


B1. Mystery Train - 2:24
B2. I Forgot to Remember to Forget - 2:24
B3. I'll Never Let You Go - 2:18
B4. I Love You Because (1st version) - 2:38
B5. Trying to Get to You - 2:28
B6. Blue Moon - 2:39
B7. Just Because - 2:29
B8. I Love You Because (2nd version) - 3:21

(Texto escrito por Roberto Muggiati, Bizz#003, outubro de 1985)


“Mil Faces de Um Homem Leal”, o novo clipe dos Racionais MC’s

Os Racionais MC’s mandam notícias com seu novo clipe, “Mil Faces de Um Homem Leal”. 


Com participação especial do rapper Dexter, o vídeo usa cenas com uma estética da década de 1960 para contar a história de Carlos Marighella, político e poeta brasileiro, um dos principais organizadores da luta armada que lutou contra a ditadura militar que tomou o poder do Brasil em 1964.


As cenas foram gravadas na Ocupação Mauá, conjunto habitacional considerado o Novo Pinheirinho por abrigar mais de 200 famílias no centro de São Paulo. A direção é de Daniel Grinspum. 


Vale a pena assistir no player abaixo:


Roger Waters e The Wall na capa da nova edição da Billboard

Roger Waters está na capa da nova edição da Billboard norte-americana, que chegará às lojas no próximo dia 28 de julho. 


O motivo para o destaque é que a turnê The Wall, do ex-baixista do Pink Floyd, foi a mais lucrativa em todo o mundo em 2012, arrecadando mais de 131 milhões de dólares no período entre 1 de novembro de 2011 e 31 de maio de 2012. Mais números impressionantes: 1,2 milhões de pessoas compraram ingressos em todo o planeta para verem o clássico The Wall nos palcos. Os números da turnês de Waters são quase o dobro do segundo colocado, o espetáculo Michael Jackson: The Immortal Tour, do Cirque du Soleil.


Confira abaixo a lista com as 10 turnês mais lucrativas do ano, e quanto cada uma delas arrecadou:

  1. Roger Waters’ The Wall (131,4 milhões de dólares)
  2. Michael Jackson: The Immortal Tour by Cirque du Soleil (68,4 milhões de dólares)
  3. Bruce Springsteen (52,4 milhões de dólares)
  4. Jay-Z/Kanye West’s The Throne (46 milhões de dólares)
  5. Lady Gaga (44 milhões de dólares)
  6. Van Halen (38,6 milhões de dólares)
  7. Trans-Siberian Orchestra (33,4 milhões de dólares)
  8. Taylor Swift (26,3 milhões de dólares)
  9. Pearl Jam (25,4 milhões de dólares)
  10. Andre Rieu (25,3 milhões de dólares)


Jupiter Maçã cai de prédio em Porto Alegre, mas passa bem

O músico gaúcho Flávio Basso, conhecido também como Júpiter Maçã e Júpiter Apple, sofreu uma queda do segundo andar do prédio onde mora, em Porto Alegre.


Felizmente, nada de mais grave aconteceu. Basso fraturou o pulso e uma vértebra e está internado em um hospital na capital gaúcha, mas passa bem e deve ter alta em vértebra. A polícia está investigando o caso para entender o que causou a queda.


Com 44 anos, Flávio Basso começou a sua carreira em duas das bandas mais importantes do rock produzido no Rio Grande do Sul na década de 1980, TNT e Cascavelletes. Durante a década de noventa se reinventou totalmente e surgiu como Júpiter Maçã, gravando discos repletos de referências psicodélicas, incluindo aí o clássico cult A Sétima Efervescência, de 1997.


Conheça os indicados ao VMB 2012

A MTV divulgou os indicados para a edição 2012 do Video Music Brasil, que premia os melhores do ano na opinião dos espectadores do canal. Além das categorias já conhecidas, três novas foram incluídas: Melhor Música, Melhor Artista Masculino e Melhor Artista Feminino.


O artista com mais indicações foi a banda mato-grossense Vanguart, que está concorrendo em seis categorias. Agridoce, Emicida, Gaby Amarantos, Mallu Magalhães e Marisa Monte vem em seguida, com cinco indicações cada.


A votação é aberta ao público neste link. Em uma tentativa de não repetir os resultados bastante questionados das edições anteriores, a emissora criou uma comissão que irá avaliar os mais votados pelo público para só então divulgar os vencedores em cada catagoria.


A cerimônia de entrega dos prêmios acontecerá no dia 20 de setembro, em São Paulo, com transmissão ao vivo pelo canal.


Confira abaixo os indicados em todas as categorias do VMB 2012 - em negrito, os meus palpites em cada uma delas:


Hit do Ano
“Dançando” – Agridoce
“Chama os Mulekes” – ConeCrew Diretoria
“Tudo Que Eu Sinto” – CW7
“Zica, Vai Lá” – Emicida
“Largo dos Leões” – Forfun
“Nosso Pequeno Castelo” – O Teatro Mágico
“Desci a Ladeira / Pode se Envolver” – Projota
“Quero Ver Segurar” – Rashid
“Menina Estranha” – Restart
“Fluxo Perfeito” – Strike


Melhor Música
“Kilo” – Bonde do Rolê
“Dedo na Ferida” – Emicida
“Cara Palavra” – Karina Buhr
“Memória” – Lirinha
“Velha e Louca” – Mallu Magalhães
“Reza” – Rita Lee
“É” – Tulipa Ruiz
“Mi Vida Eres Tu” – Vanguart
“Nostalgia” – Vivendo do Ócio
“Com a Ponta dos Dedos” – Wado


Melhor Artista Masculino
Arnaldo Antunes
Criolo
Dinho Ouro Preto
Emicida
Lenine
Lirinha
Lucas Santtana
Ogi
Projota
Seu Jorge


Melhor Artista Feminino
Céu
Gaby Amarantos
Gal Costa
Karina Buhr
Lurdez da Luz
Mallu Magalhães
Maria Gadú
Marisa Monte
Rita Lee
Tulipa Ruiz


Melhor Banda
Agridoce
Bonde do Rolê
Brothers of Brazil
Cachorro Grande
Cone Crew Diretoria
Forfun
Gloria
Rancore
Restart
Vanguart


Artista Internacional
Demi Lovato
Jay-Z & Kanye West
Justin Bieber
Katy Perry
Lana Del Rey
Maroon 5
Nicki Minaj
One Direction
Rihanna
Taylor Swift


Revelação
ConeCrew Diretoria
Gaby Amarantos
Projota
Rancore
Rashid


Melhor Clipe
“Kilo” – Bonde do Rolê
“Chama os Mukele” – ConeCrew Diretoria
“Mariô” – Criolo
“That’s My Way” – Ed Rock e Seu Jorge
“Zica, Vai Lá” – Emicida
“Infinito” – Fresno
“Xirley” – Gaby Amarantos
“Não Se Perca Por Aí” – Garotas Suecas
“Passione” – Junio Barreto
“Levante” – Lurdez da Luz
“Velha e Louca” – Mallu Magalhães
“Eu Já Sabia” – Marcelo D2
“Ainda Bem” – Marisa Monte
“Mil Faces de Um Homem Leal (Marighella)” – Racionais MC’s
“Mi Vida Eres Tu” – Vanguart


Aposta MTV
Rapadura Xique Chico
Soulstripper
O Terno
(obs: as duas vagas restantes ainda não foram definidas, estando na disputa Clarice Falcão, Lemoskine, Rael da Rima, Selvagens à Procura de Lei e Cícero)


Melhor Disco
Agridoce – Agridoce
Sintoniza Lá – BNegão e Os Seletores de Frequência
Aleluia – Cascadura
Caravana Sereia Bloom – Céu
Recanto – Gal Costa
Longe de Onde – Karina Buhr
Pitanga – Mallu Magalhães
O que Você Quer Saber de Verdade – Marisa Monte
Boa Parte de Mim Vai Embora – Vanguart
O Pensamento É Um Imã – Vivendo do Ócio


Melhor Capa
Agridoce – Agridoce
Autoramas – Música Crocante
Bixiga70 – Bixiga70
BNegão & Seletores de Frequência – Sintoniza Lá
Curumin – Arrocha
Gaby Amarantos – Treme
Lucas Santtana – O Deus que Devasta mas Também Cura
Marisa Monte – O Que Você Quer Saber de Verdade
Vanguart – Boa Parte de Mim vai Embora
Zeca Baleiro – O Disco do Ano


Artista do Ano
Agridoce
Arnaldo Antunes
Céu
Emicida
Gaby Amarantos
Gal Costa
Mallu Magalhães
Marisa Monte
Rita Lee
Vanguart


Assista “Summertime Sadness, o novo clipe de Lana Del Rey

Lana Del Rey divulgou mais um clipe de seu disco de estreia, Born to Die. A faixa a ganhar um vídeo desta vez foi “Summertime Sadness”.


A trama traz Lana ao lado da atriz Jamie King, e insinua, através de suas cenas, o final de um hipotético relacionamento entre as duas. Apesar do excesso de tons e filtros que dão uma estética exageradamente Instagram à coisa toda, vale a pena dar uma conferida.


Assista abaixo:


20/07/2012

Aventuras lisérgicas no outro lado do mundo

A cena hard / psicodélica japonesa do final dos anos 60 até meados dos 70 produziu inúmeros artistas interessantes, repletos de histórias curiosas e mitos ao seu redor. Nomes como Apryl Fool, Blues Creation, Flied Egg, Flower Travellin´ Band, Food Brain, Murasaki, Powerhouse, Ranmadou, Strawberry Path, The Flowers e outros conquistaram admiradores em todo o mundo através de sua música, transformando a terra do sol nascente em uma verdadeira mina de ouro para nós, colecionadores, e nossa sede eterna por conhecimento e informações a respeito de novos artistas.


O guitarrista Shinki Shen foi um dos principais e mais importantes nomes de toda essa cena. Com passagens pelo Powerhouse, Food Brain, Flied Egg e pelo power trio Speed, Glue & Shinki, Shen é considerado o Jimi Hendrix japonês.

Nascido em 30 de maio de 1949, Shinki começou a tocar guitarra aos 14 anos, revelando-se logo um prodígio em seu instrumento. Após montar um grupo folk com amigos, Shen tocou com seu camarada Keibun Hayashi em uma banda no estilo dos Beatles, e mais tarde aventurou-se em um conjunto na linha dos Ventures. Mas Shinki, um aficcionado pelos Kinks e Yardbirds, queria fazer um som na cola do que estava sendo produzido na Inglaterra na segunda metade dos anos sessenta, ou seja, rock influenciadíssimo pelo blues norte-americano.

A paixão era tanta que em 1966 aceitou largar a guitarra e assumir a bateria na Midnight Express Blues Band, onde conheceu e logo se aproximou do guitarrista Masayoshi Kabe, que mais tarde seria seu companheiro no Food Brain e no Speed, Glue & Shinki. Kabe deixou o grupo em dezembro de 66, e Shen assumiu o seu lugar na guitarra. 

Após algumas mudanças de formação e também de nome, a Midnight Express Blues Band agora se chamava The Bebes. A banda fez várias apresentações em clubes e discotecas, e o visual de Shinki e do vocalista Eiji “Chibo” Takamura, com longos cabelos inspirados em seus ídolos ingleses, começou a causar alguns problemas para o grupo, ao mesmo tempo em que chamava a atenção do público. A Toshiba Records não perdeu tempo e ofereceu um contrato para os Bebes, que lançaram um raríssimo single com uma versão mais lenta de “Back in the URSS”, dos Beatles.

A influência dos artistas ingleses continuava a fazer a cabeça de Shen e sua turma, e após a entrada de George Yanagi no baixo a banda mudou novamente de nome e passou a se chamar Powerhouse. O repertório era baseado em covers de sucessos que estavam virando a terra da rainha de cabeça para baixo, como “Good Morning School Girl”, dos Yardbirds, e “Spoonful”, eternizada pelo Cream. O Powerhouse gravou um álbum em 1969, A New Kind of Blues, só com releituras de composições de outros artistas, e se dissolveu por problemas internos.

Shinki passou a atuar como músico de estúdio e conseguiu entrar na banda montada para a versão japonesa do musical Hair, onde conheceu o vocalista Joe Yamanaka (que mais tarde faria parte da Flower Travellin´ Band) e o tecladista Hiro Yanagida (Apryl Fool). Ao lado de Hiro, Shinki montou o Food Brain, que logo chamou a atenção pela grande quantidade de improvisações em seus shows.



Essa liberdade criativa inspirou Shinki Shen, que decidiu reunir alguns chapas das antigas e gravar um álbum com a sua leitura de toda aquela cena, tendo, é claro, sua guitarra como elemento principal. Assim surgiu Shinki Shen & His Friends, lançado em 15 de janeiro de 1971 pela Polydor japonesa. Ao lado de Shinki estavam o vocalista e baixista George Yanagi (Strawberry Path, Flied Egg), o amigo de fé e irmão camarada Hiro Yanagida nos teclados e o baterista Shinichi Nogi. As sete faixas do disco carregam um som psicodélico extremo, banhado em doses cavalares de LSD.

“The Dark Sea Dream” introduz o trabalho com um emaranhado de sons, abrindo as portas para “Requiem of Confusion”. Totalmente hendrixiana, a faixa traz os vocais de Yanagi cheios de efeitos, embalados por uma estrutura que é filha direta dos clássicos hard blues setentistas. “Freedom of a Mad Paper Lantern” tem um andamento psicótico que se assemelha a uma jam banhada em ácido. A melancólica balada “Gloomy Reflections” é a faixa mais convencional do disco, enquanto que “It Was Only Yesterday” nos transporta para dentro de uma trip lisérgica, onde o grande destaque é o teclado de Yanagida. O álbum fecha com “Farewell to Hypocrites”, a minha preferida, uma odisseia sensorial com quase treze minutos e um grande solo de Chen.

Shinki Chen & His Friends não é um disco fácil de ouvir. As loucuras do maluco quarteto nipônico capitaneado por Shinki tem uma mixagem com agudos excessivos e poucos graves, resultando em um som com pouco peso e momentos que exigem uma atenção quase que exclusiva do ouvinte para perceber detalhes e aspectos escondidos nos arranjos. Ouvidos não tão acostumados com o estilo certamente serão incomodados, afinal não é o tipo de música para ser colocada na sala animando um alegre papo entre amigos, mas sim um som que pega o corpo de quem por ele se aventura e o leva por caminhos inexplorados.

Raríssima, a edição original, lançada pela Polydor japonesa, frequentemente atinge valores acima dos mil dólares em sites de colecionadores, o que só atesta a procura e o fascínio pela obra desse mítico músico japonês.


Assista “Mariô”, o novo clipe de Criolo

Maior nome do atual rap brasileiro, Criolo acaba de lançar o seu novo clipe. 


A faixa “Mariô”, do celebrado álbum Nó na Orelha (2011), ganhou um vídeo cheio de efeitos especiais e cenas em preto e branco. A direção é de Del Reginato. 


Sinceramente, gostei bastante. Tem uns lances na parte instrumental que me lembraram o excelente Afrociberdelia, disco lançado pelo saudoso Chico Science ao lado da Nação Zumbi em 1996. Groove bom, balanço garantido e letra esperta!


Vale o play!


Chris Robinson Brotherhood: crítica de Big Moon Ritual (2012)

Em um mundo cada vez mais frenético, nervoso e individualista, o ato de ouvir música passou por uma transformação profunda. Há poucos anos atrás, escutar um disco era uma atividade tangível. Você comprava o LP, levava pra casa, abria o plástico da embalagem, tirava o disco com todo cuidado, colocava o vinil na vitrola e curtia sem pressa aquilo que o artista havia criado. Hoje não é mais assim. Atualmente, você ouve um amigo falar de uma banda, ou escuta uma canção na TV, e vai já correndo para o computador atrás do arquivo para baixar, colocar no seu MP3 player e ouvir entre as centenas de faixas que estão ali. A música não tem mais cara e ficou resumida a um arquivo sem identidade perdido entre tantos outros.


Na contramão dessa correria toda, em um 2012 cercado de suposições motivadas por supostas profecias maias e textos de Nostradamus, eis que desabrocha um antídoto para o borrão que virou o cotidiano da maioria das pessoas. Como um Messias hippie deslocado no tempo e extremamente orgulhoso de sua condição, surge no horizonte a figura de Chris Robinson, vocalista do Black Crowes. 


Sem o irmão quase siamês Rich ao seu lado devido ao hiato no qual os corvos se encontram, Chris chamou o guitarrista Neal Casal (que tocou com Ryan Adams por muito tempo), o tecladista Adam MacDougall (parceiro nos Crowes), o baixista Mark Dutton (Burning Tree) e o baterista George Sluppick (que tocou com um sem número de grupos). O quinteto excursionou por um ano pelos Estados Unidos azeitando a química entre os integrantes, e, felizmente, conseguiu transportar para o estúdio toda a alquimia sonora construída entre os músicos.


Batizado como Chris Robinson Brotherhood, o grupo lançou em 5 de junho passado o seu primeiro disco, Big Moon Ritual. O play tem apenas sete faixas - mas que 7 faixas! O astral aqui é contemplativo, tirando o ouvinte da correria, desacelerando o seu organismo e colocando-o em outro estado de espírito. Quatro das faixas tem mais de sete minutos. Duas delas ultrapassam os nove. E “Tulsa Yesterday”, que abre a bolacha, quase supera a barreira dos doze minutos.



Big Moon Ritual proporciona uma espécie de comunhão hippie entre a banda e os felizardos que ouvem o álbum. A sonoridade é calma, baseada no blues embebido com onipresentes características de soul e do country. Isso dá uma cara bem rural e interiorana para a coisa toda. Chris Robinson chama você para um papo, acende um cigarro, serve um whisky e conta histórias sem pressa. Ao final da garrafa ambos os lados, banda e fãs, são como velhos amigos, integrantes de uma mesma irmandade, despreocupados com o mundo e ligados realmente no que importa: a vida, e apenas ela.


Não há destaques individuais, assim como nenhuma música se sobressai às outras. O que temos aqui é um trabalho conjunto de uma banda formada em torno de uma mesma visão de mundo, um disco que é muito maior que a soma de suas faixas. 


Big Moon Ritual é o contraste necessário, o carro que vem na direção contrária, o cara que contesta o senso comum. É o pensar diferente da maioria, acreditando que é possível ter uma vida muito mais completa que a que temos, cercados por computadores, cumprindo prazos cada vez mais apertados buscando alcançar expectativas sempre mais elevadas. Big Moon Ritual é o inverso disso tudo. Ele faz a gente colocar os pés no chão e repensar se a correria e o stress do dia-a-dia realmente valem a pena. E, ao final de sua deliciosa audição, a resposta está na ponta da língua: é claro que não.


Você um dia acordou e percebeu que o verdadeiro prazer está nas pequenas coisas, em estar perto de quem você ama, junto de quem te conhece quase mais do que você mesmo. Big Moon Ritual é a trilha para esse sentimento. 


Ouça, e descubra um eficiente atalho para a felicidade!


Nota: 9


Faixa:
  1. Tulsa Yesterday
  2. Rosalee
  3. Star or Stone
  4. Tomorrow Blues
  5. Reflections on a Broken Mirror
  6. Beware, Oh Take Care
  7. One Hundred Days of Rain


Discoteca Básica Bizz #002: David Bowie - Low (1977)

O ano do levante punk, 1977, foi fundamental para a história do rock. Mas David Bowie já pressentia, quatro anos antes dessa subversão explosiva, os sintomas da estagnação. Foi quando trocou a Inglaterra - onde reinava absoluto - pela América.


Bowie chegou à América dando entrevistas nas quais chamou o rock de "música de gente burra". Anunciou sua adesão à carreira de ator e à soul music "plastificada" do sul dos Estados Unidos. Acabou sendo, portanto, um precursor da discotheque.


Depois de dois anos do lado de cá do Atlântico, ele faz as malas e parte para Berlim, fechando o período Bowie in America. No ciclo, fatura o famigerado prêmio Grammy (concedido ao melhor da indústria fonográfica americana) com "Fame", faz o papel principal do filme O Homem que Caiu na Terra e grava Station to Station, LP descrito por Allan Jones, do Melody Maker, como "o mais revolucionário da década". Só que, como escreveu uma vez Ezequiel Neves, cada década tem pelo menos quarenta anos para os críticos ingleses. Ele tinha razão.


Revolucionário mesmo foi Low, cuja capa - uma foto de O Homem que Caiu na Terra - já insinua o tema central das poucas e curtas letras do disco. É só somar “low” ao perfil de Bowie e temos “low profile” (baixo perfil), uma expressão inglesa para pessoas que procuram aparecer o menos possível.


O tema é, claro, o exílio voluntário em Berlim. O universo, quase sempre o espaço entre quatro paredes: "Azul, elétrico azul / é a cor do quarto onde vou viver / venezianas fechadas o dia todo / nada para ler, nada para dizer / vou me sentar e esperar pelo dom do som e da visão" (em "Sound and Vision").




Outro chamariz a atrair Bowie é o rock alemão, que atravessa a década de 70 como a única trincheira da inventividade. É lá que as experiências com a eletrônica na música são desenvolvidas em graus obsessivos. Nesse sentido, outra medida que contribui consideravelmente para a genialidade de Low: a convocação do tecladista e produtor Brian Eno.


Seu domínio criativo da parafernália dos estúdios de gravação - em função da qual a música é composta - deixa Bowie fascinado. Falando sobre o famoso lado 2 de Low, povoado exclusivamente por faixas instrumentais, ele diria: "Essas músicas são mais uma observação, em termos musicais, de como eu via o Bloco Oriental. Era algo que não podia expressar em palavras. O que precisava era de texturas, e de todas as pessoas que eu já ouvi compor texturas, as de Brian Eno eram as que mais me agradavam."


Dito e feito. Descritas como "um deserto futurista congelado por sintetizadores", estas texturas foram tão imitadas que viraram o gênero batizado de cold wave (espécie de tecnopop mais cerebral ou meditativo e desacelerado). São também a semente para outro disco básico: Closer (1980), do Joy Division. Uma banda que, no berço, levava o nome de Warsaw - extraído de "Warzawa", que abre o lado B de Low.


"Minha ideia era tentar fazer um retrato musical do interior da Polônia, mas eu não disse isso ao Brian. Foi bem simples até. Eu disse: 'Olha Brian, quero compor uma peça bem lenta, com um toque emotivo bem forte, quase religioso. É só isso que quero dizer agora. O que você sugere para começar?' Ele respondeu: 'Vamos gravar uma fita só com estalos dos dedos'. E, aí, botou acho que 430 estalos numa fita virgem, que nós anotamos como pontos em uma folha de papel e demos um número para cada um, antes de destacar seções deles de um modo totalmente arbitrário. Quando voltamos para o estúdio para tocar, mudávamos de acorde ao alcançar o número combinado. Eu fiz o mesmo na minha parte. E, quando apagamos os estalos, pudemos ouvir como tinha ficado e compor o resto de acordo com o número de compassos que tínhamos dado um ao outro."


Faixas:
A1. Speed of Life - 2:47
A2. Breaking Glass - 1:52
A3. What in the World - 2:23
A4. Sound and Vision - 3:03
A5. Always Crashing in the Same Car - 3:33
A6. Be My Wife - 2:56
A7. A New Career in a New Town - 2:53


B1. Warszawa - 6:23
B2. Art Decade - 3:47
B3. Weeping Wall - 3:28
B4. Subterraneans - 5:41


(Texto escrito por José Auguslo Lemos, Bizz #002, setembro de 1985)


Discos Fundamentais: Eric Clapton - Eric Clapton (1970)

Como nasce um ídolo? Existe uma fórmula para criar um pop star? Vivemos em tempos estranhos, em que o termo pop vem carregado muito mais de aspectos negativos do que positivos.


A música pop, em sua essência, é aquela que faz você feliz, coloca um sorriso no seu rosto e faz você cantar sem parar um refrão que não sai tão cedo da cabeça. Mas, para a maioria das pessoas que gostam de música hoje em dia, pop é aquilo que artistas fabricados em série fazem, um som totalmente descartável e apenas com propósito comercial. O negócio é vender discos! É a música tratada como produto e nada além disso. Ou seja, algo que não combina, em hipótese alguma, com o nosso bom e velho rock and roll.


Mas esse assunto fica para outro dia. A pergunta aqui é: como nasce um Deus? Eric Patrick Clapton foi o primeiro dos guitar heroes. Antes mesmo do advento de Hendrix, Clapton já hipnotizava os ingleses. Todo mundo conhece a história do muro pichado com a frase "Clapton is God". Considerado o maior guitarrista do planeta durante sua passagem pelos Bluesbreakers de John Mayall e elevado à santidade durante o período em que esteve à frente do Cream, Clapton passava, no início dos anos setenta, por uma fase de transição em sua carreira.


Ainda vivendo a ressaca do Blind Faith, que, apesar de ter gravado um primeiro e único disco fantástico não emplacou comercialmente, Clapton não se sentia pronto para cair na estrada novamente. Com disposição de sobra para mostrar ao mundo que ainda estava vivo (o que viria a fazer inúmeras vezes durante as décadas seguintes), reuniu os amigos e gravou o seu primeiro disco como artista solo, uma das jóias perdidas do rock and roll.




Lançado em agosto de 1970, o clima de reunião entre amigos já estava estampado na contracapa, com todos os envolvidos na gravação e produção lado a lado, formando uma grande família. Esse clima está presente também na primeira faixa, a instrumental "Slunky", uma jam fenomenal que abre o álbum com o astral lá em cima.


O disco segue com o blues "Bad Boy" e com "Lonesome and a Long Way from Home", que servem de introdução para uma sequência absolutamente matadora. Começando com "After Midnight", a primeira versão de Clapton para uma canção de J.J. Cale (o mesmo autor de "Cocaine", um dos maiores sucessos de sua carreira solo), o LP segue com a bela acústica "Easy Now" e a clássica "Blues Power", uma das mais famosas canções do guitarrista e que contém também um de seus solos mais memoráveis. "Bottle of Red Wine" fecha o quarteto fantástico, com um boogie contagiante.


O álbum segue mantendo o ótimo nível com "Lovin´ You Lovin´ Me", "Told You for the Last Time" e "Don´t Know Why", e fecha com a maravilhosa "Let It Rain", prima distante de "Layla" e "Bad Love".




A banda que gravou com Eric Clapton daria origem ao grupo que ele montaria na sequência, o Derek and The Dominos, e esteve ao seu lado por boa parte dos anos setenta, quando o deus da guitarra afundou de vez em seus problemas com drogas e bebidas.


O primeiro disco solo de Eric Clapton é obrigatório para quem gosta de música e mostra que o rock e o pop podem andar lado a lado, sim. E, junto do álbum ao lado dos Bluesbrakers de John Mayall, de Disraeli Gears do Cream, do único registro do Blind Faith e de Layla and Other Assorted Love Songs do Derek and The Dominos, mostra como um simples jovem londrino transformou-se em um dos maiores músicos da história.


Faixas:
A1. Slunky - 3:34
A2. Bad Boy - 3:33
A3. Lonesome and a Long Way From Home - 3:30
A4. After Midnight - 2:51
A5. Easy Now - 2:55
A6. Blues Power - 3:06


B1. Bottle of Red Wine - 3:05
B2. Lovin' You Lovin' Me - 3:19
B3. Told You for the Last Time - 2:30
B4. Don't Know Why - 3:10
B5. Let It Rain - 5:01


Queen lança DVD duplo com videoclipes de toda a carreira

Chegará nas lojas no próximo dia 28 de agosto o DVD duplo Greatest Video Hits, trazendo nada mais nada menos que 33 clipes gravados pelo Queen durante toda a sua carreira.


Será a primeira vez que a maioria dos vídeos mais importantes e conhecidos da banda serão reunidos em um único lançamento. Todos os clipes foram restaurados visualmente e remixados em DTS Surround. Além disso, todas as faixas presentes no DVD contam com comentários adicionais de Brian May e Roger Taylor.


O primeiro DVD é dedicado totalmente à década de 1970 e inicia com o clássico vídeo de “Bohemian Rhapsody”. Já o segundo disco cobre o período entre os álbuns Hot Space (1982) e The Miracle (1989), com destaque para o icônico clipe de “I Want to Break Free”.

Não há ainda a informação se esse DVD será lançado também no Brasil. Por enquanto, foi divulgado que ele estará disponível apenas na América do Norte.

Confira abaixo o tracklist completo de Greatest Video Hits:

DVD 1
  1. Bohemian Rhapsody
  2. Another One Bites to Dust
  3. Killer Queen
  4. Fat Bottomed Girls
  5. Bicycle Race
  6. You’re My Best Friend
  7. Don’t Stop Me Now
  8. Save Me
  9. Crazy Little Thing Called Love
  10. Somebody to Love
  11. Spread Your Wings
  12. Play the Game
  13. Flash
  14. Tie Your Mother Down
  15. We Will Rock You
  16. We Are the Champions
DVD 2
  1. A Kind of Magic
  2. I Want It All
  3. Radio Ga Ga
  4. I Want to Break Free
  5. Breakthru
  6. Under Pressure
  7. Scandal
  8. Who Wants to Live Forever
  9. The Miracle
  10. It’s a Hard Life
  11. The Invisible Man
  12. Las Palabras de Amor
  13. Friends Will Be Friends
  14. Body Language
  15. Hammer to Fall
  16. Princes of the Universe
  17. One Vision


Ricardo Seelig conta como conheceu o som pesado para o pessoal do Wikimetal

O Wikimetal é não apenas o principal podcast brasileiro dedicado ao heavy metal, mas também um grande ponto de encontro e troca de ideias entre quem surte som pesado em nosso país.


Por essa razão, fiquei muito contente quando o Nando Machado, um dos caras por trás do Wikimetal, me convidou para participar da seção Tribuna de Honra contanto como eu conheci o metal.


Procurei ser bem sincero, buscando na memória quando conheci o estilo e em como ele mudou a minha vida. Espero que vocês curtam não só o texto, mas também o Wikimetal, pois o trabalho dos caras é demais e vale a pena ser acompanhado de perto!


Você pode ler a matéria diretamente neste link ou abaixo: 


O Heavy Metal entrou na minha vida em 1985, através do Rock in Rio. Havia recém feito 12 anos quando, do nada, me vi sendo bombardeado por dezenas de bandas que eu nunca havia ouvido falar. Sempre gostei de música, mas o rock ainda não havia me fisgado nessa época – e, vale dizer, época essa bem diferente dos dias de hoje, onde a informação chega de maneira muito mais fácil às pessoas.

As bandas que mais me chamaram a atenção foram Iron Maiden, AC/DC, Ozzy Osbourne e Scorpions. Lembro de assistir os shows pela TV e acompanhar a cobertura da Rede Globo sobre o festival. Fiquei fascinado, enfeitiçado e absolutamente apaixonado por tudo o que vi – e ouvi. 

O Iron Maiden foi a banda que mudou a minha vida. Lembro de, logo depois, ouvir a faixa “The Number of the Beast” em uma fita k7 de um primo mais velho e ficar boquiaberto. Porém, meus primeiros discos de rock não foram da Donzela, mas sim do AC/DC. Lembro de o meu padrinho me levar em uma loja de departamentos no interior do Rio Grande do Sul e me mandar escolher um presente. Saí com o ’74 Jailbreak e o For Those About to Rock, ambos do AC/DC, embaixo do braço. Em relação ao Maiden, o meu primeiro disco foi o Live After Death, que ouvi tanto, mas tanto, que cheguei a decorar as falas de Bruce Dickinson entre as músicas.

Tudo isso foi há quase 30 anos. Nesse tempo todo, descobri diversos outros gêneros e bandas que marcaram profundamente a minha vida. Se fosse listar um top 5, diria que Iron Maiden (a banda que me mostrou o heavy metal e até hoje a minha preferida de todos os tempos), Led Zeppelin (que me mostrou que tudo era possível), Beatles (eles mudaram tudo), Metallica (eles tocavam o heavy metal do jeito que eu imaginava que deveria ser tocado) e Wilco (companheira de todas as horas e das mais variadas emoções) são os grupos mais importantes e que mais ouvi na vida.

Tudo isso me fez entender que a música é muito mais do que apenas um estilo. O heavy metal é espetacular, mas outros gêneros também são. Miles Davis é genial. O jazz é inquietante. O blues é a base de tudo, e o funk setentista sempre me surpreende. Porém, por mais longe que eu já tenha ido em minhas investigações sonoras – e acreditem, vivo pesquisando novos sons e isso nunca irá parar -, o meu porto seguro sempre é o heavy metal, o estilo musical que é a base do que eu sou como ouvinte. 

Como diz Troy Sanders, baixista do Mastodon: “Porque resumir 300 anos de música em apenas um estilo, se podemos ter todos?”. É assim que eu penso. Viva o heavy metal, mas viva também o rock, o pop, o jazz, o blues e o que mais der na telha. Afinal, existem apenas dois tipos de música: a boa e a ruim.


Slipknot divulga trailer da coletânea Antennas to Hell

O Slipknot divugou agora a pouco o trailer da coletânea Antennas to Hell, primeira compilação da carreira da banda. O CD, duplo, aterrisa nas lojas norte-americanas hoje, dia 20 de julho.


Para conferir o tracklist, clique aqui.


E assista o trailer de Antennas to Hell no player abaixo:


Judas Priest lança edição especial de 30 anos do clássico Screaming for Vengeance

Boas novas para os fãs do Judas Priest! Comemorando as três décadas de lançamento do seu oitavo álbum, o clássico Screaming for Vengeance, que chegou às lojas em 17 de junho de 1982, a lendária banda britânica anunciou o lançamento de uma edição especial do disco.


Intitulada Screaming for Vengeance Special 30th Anniversary Edition, a versão é tripla e vem com 2 CDs e 1 DVD. O primeiro disco tem o álbum original remasterizado, enquanto o segundo traz cinco faixas ao vivo gravadas em San Antonio, Estados Unidos, em 10 de setembro de 1982, mais a versão de estúdio de “Prisoner of Your Eyes”, música registrada durante as sessões de Turbo, de 1985.


Mas o principal atrativo é o DVD, que contém o show do Judas Priest na famosa edição de 1983 do US Festival, que aconteceu em 29 de maio daquele ano. São doze músicas no vídeo, registrando uma das apresentações mais emblemáticas da banda. 


Acompanham o pacote um encarte com fotos de Mark Weiss e notas escritas pelo jornalista norte-americano Eddie Trunk, apresentador That Metal Show e amigo próximo do grupo.


Screaming for Vengeance é um dos álbuns de maior sucesso da carreira do Judas Priest. Foi com este disco que a banda estourou definitivamente nos Estados Unidos através de faixas como “The Hellion”, “Electric Eye”, “You’ve Got Another Thing Comin’”e “Devil’s Child”. O álbum alcançou a posição número 11 nas paradas inglesas e a décima-sétima nos charts da Billboard.


Para maiores informações, incluindo links de pré-venda, clique aqui.


Rolling Stones ganham whisky especial pelos seus 50 anos

Celebrando os 50 anos da mais emblemática banda de rock de todos os tempos, a indústria de bebidas japonesa Suntory lançou uma edição especial comemorativa dedicada aos Rolling Stones.


Extremamente limitado - apenas 150 garrafas foram colocadas à venda, cada uma ao custo de 6.300 dólares -, o whisky é desde já objeto de desejo dos fãs do grupo.


Um brinde ao rock and roll!




Metallica e Gojira na capa da nova RockHard

A revista alemã RockHard traz na capa de sua nova edição James Hetfield, do Metallica, e Joe Duplantier, do Gojira. Os dois vocalistas entrevistaram um ao outro, em uma ideia muito legal que poderia ser repetida por outras publicações.


O novo número da RockHard tem também matérias com Testament, Ian Gillan, Accept, Tankard, Prong, Savatage e outros grupos, e o tradicional (lá fora, é claro) CD de brinde.


Para saber mais e comprar a edição, acesse o site oficial da RockHard.


19/07/2012

Discoteca Básica Bizz #001: Beatles - Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967)

"Cada década produz um ou dois momentos autenticamente memoráveis. Em regra, apenas uma guerra ou uma tragédia apavorante conseguem penetrar as preocupações de milhões de pessoas ao mesmo tempo e ocasionar uma única e bem orquestrada emoção. Mesmo assim, em junho de 1967 tal emoção brotou sem ter sido causada por nenhuma morte, mas pela simples audição de um disco." (Trecho do livro Shout!, de Philip Norman)

O tal disco era Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band. Ainda hoje existem centenas de milhares de pessoas que lembram-se com clareza cristalina do primeiro dia em que ouviram um trecho ou uma faixa de Sgt Pepper's. Na maioria dos casos, ficou na memória a lembrança de um imenso pasmo - feita pelo grupo pop mais famoso do mundo, ali estava uma coleção de sons musicais absolutamente inédita, revolucionária. 


Nunca se ouvira (ou se imaginara) coisa parecida: rock and roll misturado com vaudeville, ragas indianas entremeadas a cravos renascentistas, atmosferas psicodélicas combinadas com climas circenses. E também havia as letras, que para o suplemento literário do jornal inglês The Times eram "um barômetro dos nossos tempos" - fragmentos de imagens colados num ritmo vertiginoso, lado a lado com os comentários sócio-políticos mais agudos. Sgt Pepper's expandiu o vocabulário e o alcance do rock como jamais se sonhara, elevando o gênero à inédita condição de arte. 

A ideia do disco surgiu de uma música de Paul McCartney, "Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band", que ele compusera inspirado na onda de nostalgia vitoriana que na época varria a indústria da moda londrina. A música falava de uma banda imaginária liderada, vinte anos atrás, por um tal Billy Shears. Nada de mais. Até que Paul sugeriu a George Martin, produtor dos Beatles: "Por que não fazer um álbum inteiro como se a Sgt Pepper's Band existisse mesmo? Como se fosse a banda do Sargento Pimenta que estivesse tocando?".



Martin tremeu na base. As máquinas de quatro canais usadas nos estúdios da época não comportariam a quantidade de ideias que os Beatles faziam jorrar. A solução foi um intrincado sistema de interligação de gravadores que gerou uma enormidade de superposições de fitas. E as fitas nunca pareciam suficientes para a criatividade dos Beatles - encharcados de LSD, eles escancararam as portas de sua percepção.

A obra-prima de Sgt Pepper's foi uma das últimas verdadeiras parcerias de Lennon e McCartney. John havia começado a escrevê-la sozinho, baseado em dedicada leitura dos jornais e na morte da milionária Tara Browne, amiga dele e dos Stones, vítima de um acidente automobilístico. Paul ofereceu para John algumas frases curtas - "acordei, caí da cama, arrastei o pente pela minha cabeça". "A Day in the Life", a música escolhida para encerrar o álbum, foi, provavelmente, a faixa mais difícil - todas as demais davam uma sensação de picadeiro de circo, até mesmo a indianista e intimista "Within You, Without You", de George Harrison, que terminava em gargalhadas. 


Em "A Day in the Life" os Beatles queriam ser sérios. Como nunca. Para o grand finale da música John pediu, literalmente, "um som que crescesse do nada e chegasse até o fim do mundo". Martin encomendou uma orquestra de 41 músicos. Deu a eles apenas uma instrução: disse quais eram as notas mais altas e mais baixas que teriam que tocar. No miolo, era cada um por si. O resultado estonteante foi comparado por um crítico ao "som de um sarcófago sendo fechado", mas para os Beatles ainda não era um encerramento definitivo. Adicionaram, nos últimos sulcos do disco duas coisas a mais: primeiro, um palavreado incompreensível gravado de trás para frente. Depois, uma nota na frequência de 20.000 hertz, audível apenas para cães.

Faixas:
A1. Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band
A2. With a Little Help From My Friends
A3. Lucy in the Sky With Diamonds
A4. Getting Better
A5. Fixing a Hole
A6. She's Leaving Home
A7. Being for the Benefit of Mr. Kite!


B1. Within You Without You
B2. When I'm Sixty-Four
B3. Lovely Rita
B4. Good Morning, Good Morning
B5. Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (Reprise)
B6. A Day in the Life 


(Texto de José Emílio Rondeau, Bizz #001, agosto de 1985)


The Darkness: conheça a capa e assista o trailer do novo álbum

O quarteto britânico The Darkness divulgou a capa e um pequeno trailer de seu novo disco. 


Hot Cakes, terceiro álbum do grupo, chegará às lojas inglesas dia 20 de agosto e nas norte-americanas um dia depois. O trabalho é o sucessor de One Way Ticket to Hell ... and Back, de 2005, e marca o retorno da formação original do quarteto, com o baixista Frankie Poullain, repetindo assim o line-up esse que gravou o disco de estreia, Permission to Land (2003).


Hot Cakes foi produzido pelos irmãos Justin e Dan Hawkins, os chefões do grupo, ao lado de Nick Brine. A mixagem ficou a cargo do lendário Bob Ezrin (Kiss, Aerosmith, Alice Cooper). O álbum terá 11 faixas, sendo que uma delas, “Street Spirit (Fade Out)”, é uma versão para uma canção do Radiohead presente no segundo disco da banda de Thom Yorke, The Bends, de 1995.


Assista abaixo o breve trailer de Hot Cakes:


The Gaslight Anthem: crítica de Handwritten (2012)

Vem de Nova Jersey um dos melhores discos de rock de 2012: Handwritten, quarto álbum do The Gaslight Anthem. Inspirado pelo conterrâneo Bruce Springsteen, o grupo formado por Brian Fallon (vocal e guitarra), Alex Rosamilia (guitarra), Alex Levine (baixo) e Benny Horowitz (bateria) gravou um CD repleto de grandes canções.


As onze faixas de Handwritten são fortes e soam como pequenos e despretenciosos hinos. Com ótimas melodias, ganchos bem construídos e refrões certeiros, a banda conquista o ouvinte. A energia e o suor, o tesão que os caras transmitem nas canções, contagiam e fazem nós que estamos aqui do outro lado embarcarmos juntos. 

O título - “handwritten”, “escrito à mão” - dá a pegada de todo o trabalho. O som é orgânico, vivo, com os instrumentos esculpindo composições redondas e inspiradas. Na contramão da anemia sonora que torna grande parte do pop e do rock atuais insípidos e sem personalidade, o Gaslight Anthem surge com um álbum quente e pulsante, mostrando a importância do testosterona e do sentimento para toda uma geração de jovens que parecem preferir muito mais a companhia de seus gadgets eletrônicos a indivíduos de carne e osso. 

A sombra de Springsteen paira sobre Handwritten, e não apenas na semelhança entre o timbre de Fallon e o seu. As faixas soam, em diversos momentos, como se o Boss voltasse no tempo e não tivesse mais 63, mas sim vinte e poucos anos outra vez. E essa semelhança não tem nada a ver com uma suposta falta de originalidade do quarteto, muito pelo contrário. A obra de Springsteen está incrustada no inconsciente coletivo dos Estados Unidos, e é reconfortante perceber o quanto ele influenciou e abriu o caminho que bandas como o The Gaslight Anthem seguem atualmente.



Destaques existem aos montes. A abertura com “45” já chama a atenção. A faixa-título tem cara de hit certo, assim como “Here Comes My Man”. “Keepsake” tem um que de Tom Petty em sua estrutura, enquanto “Howl” e “Desire” pulam dos alto-falantes e tomam conta do ambiente. Sente-se em certas passagens a influência de bandas norte-americanas não tão faladas, mas cultuadas ao extremo, como The Replacements e The Smithereens - essa última, não por acaso, também natural de Nova Jersey. Ou seja, o negócio aqui é rock grudento, que não medo de flertar com o pop e sabe usar essa aproximação para soar ainda mais forte.

Bom do início ao fim, Handwritten é um daqueles discos que contradizem quem adora afirmar que não há nada de bom sendo feito no rock atual. Há sim, e uma das melhores provas está aqui.

Altamente recomendado!

Nota: 8,5

Faixas:

  1. 45
  2. Handwritten
  3. Here Comes My Man
  4. Mulholland Drive
  5. Keepsake
  6. Too Much Blood
  7. Howl
  8. Biloxi Parish
  9. Desire
  10. Mae
  11. National Anthem