24 de mai de 2013

A semana na Collectors Room

sexta-feira, maio 24, 2013
Um resumo de tudo o que publicamos nessa semana, pra você ficar por dentro de tudo e ter assunto no seu final de semana:

Novas músicas: “Halo of Blood” do Children of Bodom, “Kingdom of the Lost” do Black Star Riders, “Kingmaker” do Megadeth, “Let the Truce Be Known” do Orphaned Land, “The Sinister Supremacy” do Darkane, “Mystic Highway” de John Fogerty, “Out of Time” com Chester Bennington (do Linkin Park) estreando no Stone Temple Pilots, “Pocket Change” do Alabama Shakes, “Not Hopeless” do The Winery Dogs e “Through Our Darkest Days” do Mercenary.

Novos clipes: “Honor Never Dies” do Hatebreed, “Second Bite of the Apple” do Beady Eye, a nova versão ao vivo de “Turbo Lover” do Judas Priest e “Crisântemo” do Emicida.

Novos reviews: analisamos os novos discos do Queensrÿche de Geoff Tate, Frequency Unknown, e o primeiro álbum do Black Star Riders, All Hell Breaks Loose.

Novos lançamentos: o The Clash anunciou um novo box e uma nova coletânea e o Red Fang confirmou que lançará o seu terceiro álbum no segundo semestre.

Notícias: o Black Sabbath divulgou um vídeo animal mostrando como foi feita a capa do seu aguardado novo disco, Shavo Odadjian (baixista do System of a Down) falou demais e revelou sua insatisfação com a situação atual da banda, Rob Halford está com um problema de saúde e foi obrigado a usar cadeira de rodas temporariamente, fábrica de gaitas de boca lança instrumento em homenagem a John Lennon, o Metallica lançou o primeiro trailer do seu filme 3D, streaming do primeiro disco da banda canadense Monster Truck, e, pra fechar, Bob Dylan completou 72 anos.

R.I.P.: nesta semana perdemos Ray Manzarek, do The Doors, e Trevor Bolder, do Uriah Heep.

Shows: foi definida a data de início das vendas para o show do Iron Maiden em Curitiba e o The Winery Dogs anunciou quatro shows no Brasil em julho.

Colunas e Especiais: publicamos a terceira parte da série As Velhas Caras do Hard e uma nova edição da coluna Tímpano, falando sobre os primeiros anos do Barão Vermelho.

Por Ricardo Seelig

Black Star Riders: crítica de All Hell Breaks Loose (2013)

sexta-feira, maio 24, 2013
Adoro Thin Lizzy. O grupo do falecido vocalista e baixista Phil Lynott é uma das trilhas da minha vida. Ouvi muito, e ainda ouço. Considero as guitarras gêmeas da banda o ápice no assunto. Ninguém jamais chegou perto dos caras nesse quesito, o que, aliado à forma de cantar única de Lynott, que parecia conversar com o ouvinte enquanto narrava as letras, transformou o Thin Lizzy em uma banda única. Pra fechar, julgo o grupo injustiçado e pouco reconhecido. Na minha opinião, o Thin Lizzy deveria ser uma banda gigante, reconhecida como um dos mais importantes nomes da história do hard rock, com a sua influência sendo sentida de maneira profunda em todo o gênero. Potencial comercial para isso nunca faltou, porém, o problema crônico dos músicos com drogas - motivo da morte de Phil - foi decisivo para que o Lizzy não alçasse vôos maiores.

Parceiro de Lynott desde os primeiros anos de banda, e companheiro do vocalista no mergulho profundo em heroína e outros entorpecentes, Scott Gorham é um sobrevivente. Exímio guitarrista, dono de grande bom gosto e uma capacidade impressionante para criar belas melodias, Gorham é também o único remanescente e a ponte que liga o Thin Lizzy de Lynott ao Black Star Riders, nome que a atual formação da banda adotou quando decidiu gravar um novo álbum com canções inéditas. Decisão acertada, diga-se de passagem, já que Lynott era o centro do grupo, e ele não faria sentido sem ele.

Ao lado de Scott Gorham no Black Star Riders estão Ricky Warwick (vocal e guitarra), Damon Johnson (guitarra), Marco Mendonza (baixo) e Jimmy DeGrasso (bateria) - um time que impõe inegável respeito. Na produção de All Hell Breaks Loose, primeiro disco do quinteto, o mais do que rodado Kevin Shirley, com trabalhos para nomes como Iron Maiden, Dream Theater, Joe Bonamassa e Black Country Communion. E por trás de tudo, a gigante Nuclear Blast, hoje a principal gravadora de heavy metal do planeta.

All Hell Breaks Loose foi gravado em janeiro em Los Angeles e traz onze músicas. A sensação ao colocar a bolacha para tocar é a de se estar ouvindo um novo álbum do Thin Lizzy, principalmente pela semelhança incrível entre os vocais de Warwick e de Lynott. Longe de ser um trabalho oportunista, All Hell Breaks Loose soa honesto aos ouvidos, é um álbum gostoso de escutar e, como cereja do bolo, entrega algumas canções muito acima da média.

Os grandes momentos do trabalho são a ótima “Bound for Glory”, primeiro single, que resgata com precisão a tradição do Thin Lizzy e reapresenta a sonoridade da banda irlandesa para a nova geração. Grande faixa! O nível segue bom com “Kingdom of Lost”, cheia de influências celtas (outra característica do Lizzy), que empolga principalmente pela interpretação de Ricky Warwick, apesar de perder pontos pelo refrão meio bobo. “Hoodoo Voodoo” tem cara de futuro single, e é daquelas faixas que, ao começar a rodar, você aumenta o volume instantaneamente e de maneira instintiva.

O restante do tracklist apresenta força, alternando acertos (“Valley of the Stones”, “Before the War”, “Someday Salvation”, "Blues Ain't So Bad")) com outros onde a inspiração deixou a desejar (caso da fraca faixa-título). Porém, em todos os momentos, o que se percebe é uma leveza, um bom astral saindo das caixas de som, fruto do prazer que levou os músicos a se arriscarem largando os shows puramente saudosistas compostos por canções escritas há mais de trinta anos e entrarem no estúdio para escrever novas composições que, a princípio, não teriam nada a agregar às suas carreiras.

All Hell Breaks Loose está longe de ser uma obra de arte, porém é um disco muito agradável e simpático, divertido e perfeito para escutar com os amigos, batendo um papo e tomando algumas cervejas geladas. E ainda, de quebra, traz de volta uma das mais cativantes sonoridades que o rock já viu nascer.

Phil Lynott aprovaria.

Nota 7,5






Faixas:
1 All Hell Breaks Loose
2 Bound for Glory
3 Kingdom of the Lost
4 Bloodshot
5 Kissin’ the Ground
6 Hey Judas
7 Hoodoo Voodoo
8 Valley of the Stones
9 Someday Salvation
10 Before the War
11 Blues Ain’t So Bad


Por Ricardo Seelig

Queensrÿche: crítica de Frequency Unknown (2013)

sexta-feira, maio 24, 2013
O Queensrÿche protagonizou no ano passado uma novela de separação das mais vergonhosas dos últimos anos, superando inclusive toda a exposição que o Dream Theater se submeteu quando da saída de Mike Portnoy (afinal de contas, o baterista não tentou cuspir em ninguém), resultando na dissolução da banda e, por decisões legais, a existência de dois Queensrÿche: um liderado pelo vocalista Geoff Tate e o outro com os membros remanescentes, mais o recém contratado vocalista Todd La Torre.


Pois bem, o Geoff Tate’s Queensrÿche não demorou para recrutar um lineup respeitável e anunciar o lançamento do primeiro álbum, batizado de Frequency Unknown, uma obra que levantou controvérsias desde a sua capa, até a produção final, e vem sendo considerado um dos piores discos já feitos pela banda.


"Cold", a primeira faixa liberada para audição, apesar de todas as reclamações geradas por causa da mixagem desleixada, apresentava certo apelo musical e cumpria bem o seu papel de divulgação do álbum, com riffs e melodias simples, uma progressão natural se analisarmos o que o Queensrÿche havia feito em Dedicated to Chaos (totalmente direcionado por Tate, aliás). Uma faixa mediana, mas que mantinha a esperança de que o disco trouxesse ideias melhores, certo? Ledo engano.


Desencontrada e definitivamente sem nada a acrescentar sob nenhum aspecto, a excessivamente distorcida "Dare" é um hard rock mal gravado e sem a inspiração necessária, assim como a vexatória semi-balada "Give It to You", aonde você passa a duvidar severamente da qualidade vocal de Geoff Tate atualmente, tamanha a quantidade de efeitos utilizada para maquiar a sua voz no processo de mixagem. A fraquíssima "Slave" remete aos primórdios do Queensrÿche, quando os elementos de heavy rock e metal tradicional eram bem mais presentes, com um instrumental bem construído, mas sem o acompanhamento melódico necessário.


"In the Hands of God" segue o mesmo caminho e tem interessantes ideias, com um grande potencial, mas novamente os problemas de produção fazem com que soe como uma gravação amadora, e atrapalham um pouco a identificação de todos os seus elementos. A cadenciada "Running Backwards", que remete vagamente ao Savatage em seu período transacional, é um dos raros realmente bons momentos em Frequency Unknown, bem diferente da enfadonha "Life Without You", que parece ter saído de algum lugar do início dos anos noventa, com esquisitas passagens de guitarra e melodias vocais recicladas que parecem sequer encaixar com o que o resto da banda está tocando.


Apesar do grande potencial e com um bonito instrumental, o resultado final de "Everything" se assemelha a uma sucessão de coitos interrompidos, com diversas passagens que poderiam ter sido realmente memoráveis se tivessem recebido maior atenção e desenvolvidas com maior cuidado. Sensação semelhante pode ser encontrada em "Fall", música que parece crescer ao longo de seus poucos minutos, mas no final, sem qualquer destino considerável. Apenas o encerramento do álbum com "The Weight of The World" é mais um dos poucos momentos que chamam a atenção, com um interessante desenvolvimento musical, digno dos músicos que participam desse projeto.


Porém, o saldo final de Frequency Unknown chega quase a ser incompreensível, tamanho é o desencontro musical que pode ser ouvido ao longo das dez faixas nessa nova fase de um dos Queensrÿche (e não estamos sequer considerando as regravações de quatro clássicos que acompanham o tracklist original – e a medida soa como uma péssima jogada para tentar vender mais discos, depois de toda a confusão da separação da banda). As composições soam incompletas, feitas às pressas, deixando uma impressão que as primeiras demos foram simplesmente gravadas da forma mais básica possível, deixando de lado importantes detalhes que poderiam engrandecer e amadurecer as ideias do álbum.


Além disso, com uma produção digna de pena e uma mixagem que virou motivo de piada pela própria banda, também é perceptível como Geoff Tate parece estar com as suas habilidades vocais ainda mais prejudicadas, muito, mas muito aquém em relação ao que foi ouvido no último do Queensrÿche como uma banda só, o excessivamente apelativo Dedicated to Chaos (que mesmo com todas as suas falhas, ainda é muito superior a esse novo disco).


Frequency Unknown falha miseravelmente em praticamente todos os aspectos, com raros momentos aproveitáveis, e, mesmo que as alcunhas de “pior disco já gravado” sejam um tanto quanto exageradas, eles quase chegaram lá. Que os próximos passos sejam melhores.

Nota 1


Faixas:
01. Cold
02. Dare
03. Give It To You
04. Slave
05. In The Hands of God
06. Running Backwards
07. Life Without You
08. Everything
09. Fall
10. The Weight of the World
11. I Don’t Believe In Love
12. Empire
13. Jet City Woman
14. Silent Lucidity


Por Rodrigo Carvalho, do Progcast

Bob Dylan, 72 anos

sexta-feira, maio 24, 2013
Certas vezes me pergunto: por que gosto tanto da música de Bob Dylan? As respostas devem estar soprando na droga do vento que assoviou cruelmente na minha janela às seis e meia da matina. Vento idiota (e frio) que me acordou nessa sexta-feira nebulosa e tingida de cinza aqui desse lado do planeta, em Santa Maria, Rio Grande do Sul, Brasil. 13° marca o termômetro. Um cara como eu poderia ser fã de Caetano Veloso, por exemplo, mas não. Me entendam: qualquer frase ou fragmento de uma letra do bardo norte-americano me dizem muito mais do que qualquer “gosto de te ver, leãozinho” de Caetano. Com Bob Dylan aprendi que a música não tem bandeira, e nesse terreno, sinto muito, cada dia que passa sou mais Dylanesco.

Dylan foi um dos inventores da música pop no formato que conhecemos hoje. Se os Beatles criaram o corpo elétrico do rock and roll, Dylan foi o homem que lhe deu um cérebro decente. O bardo foi pioneiro em muitas coisas. Em primeiro lugar inventou a si mesmo, para ao longo das décadas se reinventar dezenas de vezes. Ele foi primeiro a colocar uma música nas paradas com mais de três minutos (“Like a Rolling Stone”). O primeiro a lançar um álbum duplo, a mostrar uma foto desfocada na capa e a compor uma canção que tomasse conta de todo um lado do LP (tudo isso está em Blonde on Blonde, de 1966). Foi o primeiro a inventar o lado acústico de um álbum. Foi o primeiro a bolar um vídeoclipe e criou o rap antes de Gil Scott-Heron trocar os livros pela música (ouça “Subterranean Homesick Blues”, lançada em 1965).

Foi o primeiro ser pirateado e o primeiro a oficializar seus bootlegs. Foi o primeiro músico pop que se sujeitou a ser documentado num filme (Don’t Look Back). Foi o primeiro artista vinculado ao rock a desengessar a música country (Johnny Cash apostou suas fichas no amigo). Com a ajuda de David Geffen, foi o primeiro a esgotar os ingressos de uma turnê pelo correio, antes mesmo da internet sonhar em existir (em 1974, ao lado da The Band). Foi o primeiro a virar um box set (Biograph, lançado em 1985). Foi o primeiro músico a ser indicado ao Nobel de Literatura.

Não foi o primeiro em vender a alma, nem foi o último a encontrar Jesus num quarto de hotel, mas Dylan sempre foi uma espécie de profeta da música que passou por todos os tipos de provações, e apesar de crucificado várias vezes, sobreviveu para narrar suas histórias. Dylan não autorizou ninguém a contá-las - isso nunca! -, nada de apóstolos ou novos Messias, afinal, não existe um novo Dylan! O velho Robert Allen Zimmerman ainda está vivo e prestes a iniciar a segunda perna de sua turnê de 2013. Domingo ele toca na Flórida.


Longe de muitos dos seus colegas de profissão, nosso herói não vive à sombra do passado. Bob ainda consegue lançar álbuns de relevância e figurar nas listas dos melhores do ano - Tempest, seu último disco, lançado em setembro de 2012, ficou na quarta posição na lista da Rolling Stone.

Escritor, cineasta, poeta, radialista, artista plástico ... Sua vida ainda é um enigma, suas músicas ainda inspiram, seu mau humor é engraçada, sua obra continua pulsando, mesmo passados mais de 50 anos do pontapé inicial de uma carreira brilhante.

Salve Bob Dylan, 72 anos nesta sexta-feira, 24 de maio de 2013.

Vou colocar Nashville Skyline pra girar no toca-discos.

Por Márcio Grings

Na íntegra: ouça Furiosity, o novo álbum do Monster Truck

sexta-feira, maio 24, 2013
Hard rock dos bons na íntegra pra vocês. A banda canadense Monster Truck liberou o streaming completo do seu primeiro disco, Furiosity, que será lançado no próximo dia 28 de maio pela Dine Alone. O debut sucede os EPs Monster Truck (2010) e The Brown EP (2011). Mais sobre o grupo nessa edição do Collectors Room Apresenta.

Aumenta que é rock pesado de verdade, sem frescuras :-)

Por Ricardo Seelig

23 de mai de 2013

“Crisântemo”, o novo clipe de Emicida

quinta-feira, maio 23, 2013
Emicida lançou hoje o seu novo clipe, para a faixa “Crisântemo”. Denso, o clipe conta uma história muito pessoal da vida do rapper: a morte de seu pai quando ele ainda era apenas uma criança. Destaque para a arrepiante participação de Dona Jacira, mãe do artista.

A bela direção é de Fred Ouro Preto.

Assista abaixo:



Por Ricardo Seelig

Mercenary divulga a inédita “Through Our Darkest Days”, faixa-título de seu novo disco

quinta-feira, maio 23, 2013
A banda dinamarquesa Mercenary divulgou nesta quinta-feira a inédita “Through Our Darkest Days”, faixa-título do seu novo disco. O álbum, sucessor de Metamorphosis (2011), será lançado no dia 26 de julho pela NoiseArt Records.

Prato cheio pra quem curte metal atual, agressivo e com boas melodias.

Ouça “Through Our Darkest Days” abaixo:

Por Ricardo Seelig

As Velhas Caras do Hard - Parte 3

quinta-feira, maio 23, 2013
Dando sequência à série dedicada aos nomes esquecidos e pouco reconhecidos do hard rock setentista, listei mais dez bandas muito interessantes surgidas naquela época e que valem muito a pena. Talvez vocês já conheçam algumas, talvez não, mas o que vale é mergulhar mais uma vez no poeirento universo do rock pesado produzido durante a década de 1970.

Para ler as duas primeiras edições da série, clique aqui.

Prepare a sua air guitar e venha comigo!


Cactus

Um dos primeiros supergrupos de que se tem notícia, o Cactus inicialmente contaria com a cozinha do Vanilla Fudge, Tim Bogert e Carmine Appice, devidamente turbinada pela guitarra de Jeff Beck e pelos vocais de Rod Stewart. Infelizmente essa formação não vingou devido a um acidente de carro sofrido por Beck, o que influenciou na decisão de Stewart em se juntar com Ron Wood e formar os Faces. Como curiosidade, vale dizer que após a recuperação do guitarrista o trio remanescente efetivou o desejo de tocar junto no Beck, Bogert & Appice, mas isso é um papo para outro dia.

Com o declínio da dupla, Tim e Carmine foram atrás de novos membros, e encontraram os parceiros ideais no guitarrista Jim McCarty (ex-Mitch Ryder´s Detroit Wheels) e no vocalista Rusty Day, ex-Amboy Dukes. Esse clássico line-up gravou três ótimos discos no biênio 1970/1971 (Cactus, One Way ... or Another e Restrictions), até a saída de McCarty no final de 1971.

O som do Cactus é um hard cru, com muita influência de blues. A cozinha de Tim Bogert e Carmine Appice, pra lá de entrosada pelos anos no Vanilla Fudge e aliada a técnica ímpar dos dois músicos, é um dos principais destaques, mas o fato é que todo o line-up é animal, com grandes riffs faiscando na guitarra de Jim McCarty e os vocais rasgados de Rusty Day.

Clique e ouça uma música da banda.


May Blitz

Hard rock clássico, com longas passagens instrumentais, onde destacam-se muito bem colocadas intervenções acústicas. Gosto muito do modo de tocar do guitarrista Jamie Black, entregando notas que soam puras e limpas aos meus ouvidos. Por outro lado, os vocais, também a cargo de Black, na minha opinião poderiam ser melhores, mas nada que prejudique o disco.

As melodias caminham por caminhos muito interessantes, com as músicas tendo várias partes independentes que formam um todo muito vigoroso e cativante. No primeiro disco, batizando com o nome do grupo e lançado em 1970, destaque para "Somoking The Day Away" (com uma passagem acústica no meio que é de arrepiar), "I Don´t Know?", "Squeet", "Fire Queen" e a viajandona "Virgin Waters".

Já o segundo e último álbum do grupo, The 2nd Of May, traz algumas diferenças em relação ao primeiro disco dos caras. O som está mais evoluído, transitando não apenas no hard rock calcado no blues, mas arriscando até mesmo algumas passagens por estilos como jazz e folk. Essa evolução fica ainda mais evidente pela ótima produção, muito melhor que a do primeiro registro do May Blitz.

O álbum abre com "For Mad Men Only", hardão com batida reta, muita energia e um grande solo de Black. As coisas começam a mudar de figura com a deliciosa "Snakes And Ladders", construída sobre um groove psicodélico e hipnótico. Já "The 25th Of December 1969" é uma balada saudosista e bastante emocional, com um trecho central influenciadíssimo pelos grupos de jazz rock que estavam bombando naquela época. O jazz marca presença também em "In Part", que conta com uma flauta doce e um longo solo de bateria de Tony Newman.

Mostrando mais uma vez o quanto estavam consumindo o que estava rolando no então nascente jazz rock, o trio compôs "Mad Grim Nits", única faixa instrumental de sua carreira, e que traz solos que remetem ao que Miles Davis fez no álbum "Jack Johnson". "High Beech" acalma os ânimos, e seus violões nos transportam para mundos mais coloridos. Uma das melhores músicas da curta carreira do grupo, uma pequena pérola perdida, doce e repleta de lirismo.

Fechando o play, um par de grandes faixas. "Honey Coloured Time" tem um riff que é irmão de "Smoking the Day Away", composição que abre o álbum de estréia dos ingleses. O legal em "Honey Coloured Time" é que a canção evolui sobre caminhos insólitos, em um arranjo muito interessante que traz, novamente, passagens que são puro jazz. A viajante "Just Thinking" encerra o disco, e paga tributo aos melhores momentos do rock psicodélico produzido na ilha da rainha durante os anos 60.

Clique e ouça uma música da banda.


Jericho

A banda israelense Jaricho lançou apenas um disco, e esse álbum é um dos grandes tesouros perdidos da década de setenta.

O grupo, na verdade, surgiu como Churchill´s em 1965 em Tel Aviv, e lançou um álbum em 1968 intitulado apenas com o nome da banda. Após algumas mudanças de formação, passou a se chamar Jericho Jones, e, sob essa alcunha, soltou a bela bolacha Junkies Monkeys & Donkeys em 1971.

Já na Inglaterra, para onde haviam mudando um tempo antes, o grupo passou a se chamar apenas Jericho, e gravou essa pedrada lançada em 1972. O play é um desbunde pra quem curte hard rock setentista. Jericho, o disco, traz cinco faixas de um hard rock complexo, com longas passagens instrumentais e alguns toques de progressivo. A faixa de abertura, "Ethiopia", é um proto-metal competente, mas os melhores momentos do trabalho estão em "Don´t You Let Me Down", na ótima "Featherbed", na sensacional "Justin and Nova" - que conta inclusive com um arranjo de cordas - e no encerramento, com "Kill Me With Your Love".

Sem dúvida alguma, um dos melhores álbuns de hard rock lançados durante a década de setenta. Uma pena que o grupo não conseguiu uma projeção maior, mas o talento dos caras ficou eternizado em seus discos.

Clique e ouça uma música da banda.


Twenty Sixty Six and Then

Um dos discos mais cultuados pelos arqueólogos apreciadores de bandas obscuras setentistas, Reflections on the Future, primeiro e único álbum da banda alemã Twenty Sixty Six and Then, é uma verdadeira pérola perdida que aos poucos vem sendo redescoberta por uma geração de novos ouvintes.

O curioso nome do grupo é uma alusão à histórica Batalha de Hastings, ocorrida em 14 de outubro de 1066. Neste combate, as tropas inglesas comandadas pelo Rei Haroldo II foram derrotadas pelo exército de Guilherme II, Duque de Normandia, marcando o fim da dinastia de reis anglo-saxões na Inglaterra.

A banda era formada pelo vocalista inglês Geff Harrison, pelo guitarrista Gagey Mrozeck, pelo baixista Dieter Bauer, pelo batera Konstantin Bommarius e pela dupla de tecladistas Steve Robinson e Veit Marvos, também responsáveis por instrumentos como vibrafone, sintetizadores e mellotron. Infelizmente, a qualidade de sua música é inversamente proporcional ao seu tempo de vida: o grupo durou apenas da primavera de 1971 ao verão de 1972, tempo suficiente para lançar uma verdadeira obra-prima.

Reflections on the Future, lançado em 1972 pela United Artists, é uma preciosidade sônica clamando para ser descoberta. Gravado no outono de 1971 no Dierks Studio, do lendário produtor Dieter Dierks, localizado na pequena cidade de Stommeln, próxima à Colônia, o álbum contém apenas cinco faixas. O estilo dos caras é um hard progressivo calcado em hipnotizantes passagens de Hammond e guitarras pesadas, tudo costurado pelo vocal carregado de influências soul de Harrison. Um som de personalidade forte, e que cai como uma luva nos apreciadores do Deep Purple devido ao guitarrista Gagey Mrozeck ter um estilo similar ao de Ritchie Blackmore e, é claro, aos teclados inspirados, na melhor escola Jon Lord.

O play abre com “At My Home”, um hard rock com ótimas passagens de teclado temperado por uma bem-vinda flauta, a cargo de Wolfang Schonbrot, amigo da banda. O disco segue com “Autumn”, uma faixa densa com letra melancólica sobre a morte.

A seguir temos um dos melhores momentos do disco. “Butterking” é uma peça com pouco mais de sete minutos, onde os trechos característicos do Hammond e os riffs de guitarra são entrecortados por inusitados interlúdios de piano carregados com toda a tradição do ragtime. Uma jornada sonora de andamento nada previsível, que mostra toda a criatividade da banda.

A faixa-título é uma epopéia de mais de quinze minutos com extensas passagens instrumentais de muito bom gosto, culminando em um final com tempero psicodélico.

Fechando o trabalho, “How Do You Feel”, a mais curta de todas, com pouco mais de três minutos editados a partir da versão original, que se estendia inicialmente por mais de treze minutos de duração. O plano inicial do grupo era lançar um single para promover o álbum, mas a prematura dissolução da banda inviabilizou o projeto.

Em 1989 a excelente gravadora alemã Second Battle – que originalmente operava como uma loja de discos em Berlim – relançou Reflections on the Future em uma edição limitada e numerada de 1.000 cópias em vinil, mantendo a belíssima arte da capa original, criada por Gunter Karl. A reedição da Second Battle apresentou a banda para uma nova geração de ouvintes, atiçando o culto pelo grupo.

Em 1991, a mesma Second Battle lançou Reflections on the Past, um vinil de três lados que logo se transformou em item de colecionador por trazer material inédito e outtakes, além de três faixas retiradas de um ensaio realizado pelos caras em maio de 1971: os onze minutos de “The Way I Feel Today”, um versão de “At My Home” beirando os dez minutos, e a inédita “Spring”. Reflections on the Past traz também os duas faixas que iriam estar no nunca lançado primeiro e único single do grupo, “Winter” e “I  Saw the World”.

A Second Battle ainda brindou os fãs com o lançamento de mais um item dos caras, desta vez intitulado apenas como Reflections!, em 1993. Disponibilizado apenas em CD, Reflections! é uma espécie de “best of” dos dois lançamentos anteriores.

O Twenty Sixty Six & Then encerrou as suas atividades no verão de 1972. Geff Harrison e Gagey Mrozeck juntaram-se ao Kin Ping Meh e participaram do terceiro disco do grupo, Kin Ping Meh 3, lançado em 1973. Steve Robinson tocou com o Nine Days Wonder e com o Aera. Já o tecladista Veit Marvos tocou e gravou ao lado de nomes como Emergency, Tiger B. Smith e Midnight Circus. E o baterista Konstantin Bommarius tocou com o Abacus e gravou o álbum Rock´n´Roll Testament, lançado pelo grupo alemão Karthago em 1975.

Uma grande banda, com grandes sons, que registrou a sua obra para a eternidade em um ótimo disco. Os anos sessenta e setenta estão repletos de histórias como a do Twenty Sisty Six & Then. Artistas de talento inegável, injustamente relegados à obscuridade, mas que vem sendo redescobertos gradativamente pelos colecionadores e garimpeiros de preciosidades. Um terreno fértil, que rende contatos imediatos com sons arrepiantes.

Clique e ouça uma música da banda.


Días de Blues

O Días de Blues foi uma banda uruguaia formada em Montevidéu em 1972. O grupo surgiu após a separação do Opus Alfa, de onde vieram o baterista Jorge Graf e o vocalista e baixista Jorge Barral. A eles juntou-se o guitarrista e também vocalista Daniel Bertolone, e juntos gravaram esse único e raríssimo disco, que chegou ao mercado naquele mesmo ano.

O som do Días de Blues é um blues pesado e repleto de riffs típicos do hard rock, com influências de nomes como Cream e Led Zeppelin. A mixagem, que deixou o som bem cru, coloca mais charme ainda no disco, deixando tudo bem na cara e com ar de "ao vivo" no estúdio. Entre as faixas, destacaria a abertura com "Amasijando los Blues", a deliciosa e acústica "Dame Tu Sonrisa Loco", o hard rock de "No Podram Conmigo", "Estan Desubicados", "Esto Es Nuestro" e a longa "Toda Tu Vida", que encerra o álbum.

Este debut e único disco do Días de Blues foi lançado com duas capas diferentes, sendo uma para a versão original uruguaia e outra para a versão argentina (posso estar enganado, mas tenho quase certeza de que o disco também saiu no Brasil naquela época - caso contrário, me corrijam). Ambas são muito raras e desejadas, principalmente a uruguaia, alcançando valores consideráveis entre os colecionadores. Existe uma versão em CD do álbum, lançada pela ótima gravadora italiana Akarma em 2000, e que é consideravelmente mais fácil de ser encontrada.

Clique e ouça uma música da banda.


Incredible Hog

Nascido em Londres em 1972 pelas mãos do vocalista, guitarrista e compositor Ken Gordon e do baixista Jim Holmes, o Incredible Hog é uma típica pérola perdida setentista. Gordon e Holmes, colegas de escola, já haviam tocado juntos no Speed Auction, mas sem conseguir maiores repercussões. Cansados e insatisfeitos com os rumos do grupo, decidiram criar eles mesmos uma nova banda em meados de 1972. Fãs de histórias em quadrinhos, batizaram o conjunto como Incredible Hog, uma homenagem à revista Incredible Hulk, publicada pela Marvel Comics.

Após testarem inúmeros bateristas, encontraram no sul-africano Tony Awin o line-up perfeito. Com essa formação fizeram alguns shows pelo circuitos de bares ingleses, mas a dificuldade e a enorme concorrência tornavam o agendamento de novas apresentações uma verdadeira luta. O Incredible Hog encontrou a solução para esse problema de uma forma inusitada: abriu o seu próprio clube, batizado como The Pig Sty, em Forest Gate, na capital inglesa. Lá realizaram inúmeros shows, ganhando confiança, experiência e força coletiva.

As vibrantes performances do trio chamaram a atenção de publicações como a Melody Maker, tornando o Incredible Hog cada vez mais conhecido e comentado entre a galera rocker londrina. Infelizmente esse prestígio não bateu na porta das gravadoras, já que nenhuma companhia foi atrás do grupo. Inconformado, o líder Ken Gordon foi até o escritório da Dart Records com a demo tape da banda embaixo do braço e se recusou a sair enquanto alguém não ouvisse a sua música. O resultado? Gordon ficou um dia dentro da gravadora e foi retirado pela polícia, mas a sua persistência teve resultado, já que um dos cabeças da Dart ficou curioso com a história, ouviu a fita e, passadas duas semanas, ofereceu um contrato para o Incredible Hog.

Roger Watson, profissional com experiência em grupos de comedy rock, foi indicado pela gravadora para produzir o álbum, o que gerou alguns atritos com a banda, que frequentemente ia em uma direção enquanto Watson indicava outro caminho. Felizmente, essa tensão entre os dois lados acabou sendo benéfica, resultando em um disco excelente. Volume 1 traz dez faixas com um hard rock coeso, ácido em alguns momentos, com uma soridade crua embalada em arranjos contagiantes. O grande destaque do play é Ken Gordon, tanto por suas interpretações únicas quanto por sua guitarra, a força motriz do grupo. Entre as faixas destacaria "Lame", "Wreck My Soul", a linda balada "Execution", a furiosa "Another Time", "Warning", "Walk The Road" e "There´s a Man". O fato é que "Volume 1" tem muito daquilo que hoje em dia se convencionou chamar de "classic rock", com riffs empolgantes de guitarra, linhas vocais cativantes e uma cozinha pesada, o que faz com que o disco reserve momentos de enorme prazer para qualquer apreciador de hard, blues e rock setentista.

Paradoxalmente, apesar de ter sido aclamado pela crítica da época, o álbum não bateu junto ao público, que praticamente o ignorou. Isso, somado a um praticamente inexistente trabalho de divulgação por parte da gravadora, fez com que Gordon, Holmes e Awin desanimassem e encerrassem as atividades do Incredible Hog no final de 1973. Ken Gordon virou um músico de estúdio, tocando em trabalhos de nomes como The Rubettes, The Tremeloes e Heavy Metal Kids. Jim Holmes transformou-se em produtor do lendário Scarf Studios, e atualmente é dono de uma companhia de teatro. Já Tony Awin trabalhou com o Crazy World Of Arthur Brown e com o James Last, e atualmente é um renomado músico de estúdio.

O álbum saiu com três capas diferentes. A original inglesa da gravadora Dart trazia um irreverente porco mostrando a língua e apenas o nome da banda. A versão alemã, lançada pela Telefunken (Cat# SLE 14 738-P), tinha uma ilustração de uma porca toda produzida, enquanto que a espanhola, publicada pela Carnaby (Cat# CPS 9476), mostrava uma foto da banda em um cenário soturno, que parece ser um cemitério. As três são extremamente raras, e, quando encontradas em suas edições originais, alcançam valores estratosféricos entre os colecionadores. A excelente gravadora alemã Repertoire lançou em 1994 o álbum em CD (Cat# REP 4511-WP), saciando a fome dos aficcionados, enquanto a espanhola Wah Wah colocou no mercado uma edição em vinil de 180 gramas em 1999 (Cat# LPS002). Se você encontrar qualquer uma delas compre na hora, porque irá estar adquirindo uma jóia rara para a sua coleção.

Clique e ouça uma música da banda.


Armageddon

O Armageddon (não confundir com o homônimo alemão) foi um grupo formado e liderado por Keith Relf, ex-vocalista dos Yardbirds e do Renaissance. Relf estava interessado em tocar um som mais pesado, na linha dos nomes que estavam surgindo na Europa e nos Estados Unidos naqueles primeiros anos da década de 1970.

Para isso, chamou o guitarrista Martin Pugh (Steamhammer) e o baixista Louis Cennamo (Steamhammer, Renaissance). Após testar vários bateristas sem sucesso, deixou a Inglaterra pra trás e se mandou para Los Angeles com Pugh e Cennamo e dois objetivos: conferir a cena hard rock que rolava na Califórnia e encontrar um baterista para completar o seu novo grupo. Em LA Relf conheceu Bobby Caldwell (Captain Beyond) em um clube, convidou-o para uma jam e pronto: nascia o Armageddon.

O quarteto começou a ensaiar algumas músicas que Relf já tinha prontas, viu nascer novas idéias em ensaios e foi para o estúdio, onde gravou um dos melhores discos de hard rock dos anos setenta. Com apenas cinco faixas, Armageddon, o disco, em nada lembra os trabalhos anteriores de Keith Relf. O que sai dos alto falantes é um vigoroso hard, com um estupendo trabalho da guitarra de Martin Pugh e com a classe e o talento habituais de Bobby Caldwell. Entre as músicas, destaque imenso para a abertura com "Buzzard", com um excelente riff de Pugh e ótimos vocais de Relf, mas todas as faixas (eu disse TODAS) são excepcionais, e cativam imensamente até hoje. Grande álbum, clássico indiscutível.

Infelizmente o Armageddon não seguiu adiante em virtude da morte prematura de Keith Relf, eletrocutado em um acidente doméstico no dia 14 de maio de 1976, aos 33 anos.

Clique e ouça uma música da banda.


Marcus

Esse único registro do grupo norte-americano Marcus é um dos mais raros e obscuros álbuns do hard rock setentista. Natural de Detroit, a banda era formada pelo vocalista Marcus Malone, pelo trio de guitarristas-solo Gene Bloch, Randall David e Jack Weber, pelo baterista Dandy "Star" Holmes e pelo lendário baixista Tim Bogert, ex-Cactus, Vanilla Fudge e Beck Bogert & Appice.

O álbum é uma pedrada, um verdadeiro clássico perdido. A qualidade de suas oito composições espanta e nos faz pensar como uma banda tão fantástica como essa não alcançou uma repercussão maior. O fato é que a gravadora do grupo, a United Artists, investiu muito pouco, praticamente nada, na promoção do álbum, o que, somado ao fato de o disco ter sido lançado em pleno auge da disco music e com uma capa que mais remete a um trabalho de funk do que de hard rock, fez com que as lojas norte-americanas colocassem o play na seção de funk e r&b, "escondendo-o" dos ouvintes de música pesada, que certamente iriam pirar com o trabalho.


Marcus, o álbum, abre com "Black Magic", um soco no estômago que conta com um riff semelhante ao de "Space Truckin´" do Deep Purple, com um timbre de guitarras pesadíssimo, bem na linha de "Miss Misery", do Nazareth. De cara já fica escancarado o poder do paredão de guitarras formado por Bloch, David e Weber, e o talento de Marcus Malone, dono de um timbre muito agradável.

O disco prossegue com "Salmon Ball", que coloca um certo tempero funk no heavy rock dos caras. "Kelly" é uma bonita balada, onde o destaque são os ótimos vocais de Malone. O clima volta a ferver com "Gypsy Fever", outra que explora, com grande talento, o resultado da união do funk com o hard.

Uma das melhores vem a seguir. "Pillow Stars" já abre com um peso gigantesco, parecendo aqueles sons tão habituais em álbuns de grupos da New Wave of British Heavy Metal. Mas, quando pensamos que um riff irá entrar e detonar tudo, somos supreendidos por um andamento meio jazzy, que evolui para grandes melodias de guitarra, com Malone cantando em tons bem altos, acompanhado por ótimos backing vocals. Um heavy metal sensacional!

Um ótimo riff introduz "Highschool Ladies Streetcorner Babies", com um andamento que nos leva de volta aos discos lançados pelo Aerosmith nos anos setenta. "Dream Wheel" tem elementos do que viria a ser conhecido como AOR, com ótimos coros. E, fechando o disco, "Rise Unto Falcon" chega a lembrar algo de Judas Priest.

Extremamente difícil de ser encontrado, o álbum recebeu uma reedição em CD em 2000, lançada pela gravadora inglesa Zoom Club, e mesmo essa versão é rara de se conseguir. O fato é que, indiscutivelmente, Marcus é um disco obrigatório e que agradará em cheio quem curte um inspirado e competente heavy metal com sabor setentista.

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Murasaki

Considerado uma espécie de Deep Purple japonês, o Murasaki foi formado na cidade de Okinawa em 1970. Liderado pelo tecladista George Murasaki, o grupo lançou poucos álbuns em sua carreira, sendo que os principais são a estreia auto-intitulada de 1975, Impact de 1976 e Doin´ Our Thing at the Live House de 1977.

O som dos caras é influenciadíssimo não só pelo Purple mas também por outros nomes como o Uriah Heep, ou seja, é um hard rock orientado para o teclado, com grandes melodias e longas passagens instrumentais.

Particularmente, considero o segundo disco, Impact, o melhor trabalho dos caras, com ótimas faixas como "Fly Me Away", "Let Me Go", "Mother Nature´s Plight" e "Just a Rock´n´Roll Band".

As versões originais dos álbuns do Murasaki são raríssimas e muito disputadas entre os colecionadores, alcançando valores muitas vezes obcenos quando em ótimo estado.

Clique e ouça uma música da banda.


Winterhawk

Esse grupo norte-americano tem uma história muito interessante. Formado por quatro descendentes de índios, o Winterhawk lançou apenas dois discos (Electric Warriors em 1979 e Dog Soldier em 1980), ambos explorando, tanto liricamente quanto em termos musicais, sua rica herança cultural.

O grupo foi formado em San Francisco, e durante a sua carreira abriu shows para nomes como Tina Turner, Santana, Country Joe and the Fish, Steve Miller, Van Halen e Motley Crue. Liderado pelo vocalista e guitarrista Nik Alexander, o Winterhawk executa um hard rock selvagem, com bons riffs de guitarra e uma agressividade que, em alguns momentos, os aproxima do heavy metal.
 

Electric Warriors abre com a arrepiante "Prayer", que, como o nome diz, é uma prece que dá início à celebração. A segunda faixa, "Got to Save It", é um hardão sangrento, enquanto a balada "Black Whiskey" acalma um poucos os ânimos. Destaque para as melodias de guitarra de "Dark Skin Lady", com uma grande interpretação vocal de Alexander. O grupo sabe explorar as suas características culturais próprias, colocando elementos da cultura indígena em faixas como "Selfish Man", que tem passagens que parecem sair de uma cerimônia pele-vermelha.

Fechando o play, "Custer´s Dyin´" narra a saga do general George Armstrong Custer, famoso militar norte-americano que massacrou milhares de índios cheyennes e sioux, mas sobre a ótica dos índios e não dos brancos. A composição soa como um acerto de contas entre os nativos do novo continente e seus algozes, e fecha o trabalho em alto nível, inclusive com a inserção de alguns cantos típicos de tribos indígenas.

Um disco curioso e único, que vale a pena ser conhecido.

Clique e ouça uma música da banda.


Por Ricardo Seelig

Assista ao trailer de Through the Never, o filme 3D do Metallica

quinta-feira, maio 23, 2013
O Metallica divulgou o primeiro trailer de Through the Never, o filme 3D em que a banda está trabalhando nos últimos anos. Vale lembrar que a trama mostra um show do grupo enquanto uma história paralela se desenvolve, ao estilo de The Song Remains the Same, do Led Zeppelin, como os próprios músicos já anteciparam.

Analisando apenas esse trailer, confesso que fiquei curioso para ver o resultado final.

Through the Never estreia nos cinemas no dia 27 de setembro.



 
Por Ricardo Seelig

22 de mai de 2013

The Winery Dogs confirma quatro shows no Brasil

quarta-feira, maio 22, 2013
A informação vem direto da fonte: Mike Portnoy acaba de postar em seu Twitter que o The Winery Dogs fará quatro shows no Brasil em julho.

As cidades, locais e datas estão abaixo:

24/07 - Rio de Janeiro - Teatro Rival
26/07 - São Paulo - Carioca Club
27/07 - Belo Horizonte - Music Hall
28/07 - Porto Alegre - Opinião


Para quem não sabe, o Winery Dogs é um trio formado por Portnoy, pelo baixista Billy Sheehan e pelo vocalista e guitarrista Richie Kotzen. O primeiro disco da banda sairá nas próximas semanas, mas clicando aqui você pode ler tudo o que publicamos sobre a banda e também ouvir diversos sons do grupo.

Nos vemos nos shows.

 

Por Ricardo Seelig

Fábrica de gaitas de boca homenageia John Lennon

quarta-feira, maio 22, 2013
Depois de lançar modelos que homenagearam Bob Dylan e Steven Tyler, a linha Signature Series da tradicional fábrica de gaitas de boca Hohner anunciou o lançamento do modelo Imagine - John Lennon no final de 2012 (Nota do editor: só ficamos sabendo do lançamento agora, por isso a demora no post).

Lennon começou a tocar harmônica quando ainda era um garoto em Liverpool, e durante os anos 1960 foi fortemente influenciado pelo blues norte-americano. Seu modo de usar a gaita de boca em canções dos Beatles como “Love Me Do”, “From Me to You”, “Please Please Me” e “I Should Have Known Better” inspirou toda uma geração que se interessou pelo instrumento.

No Brasil, o modelo pode ser adquirido por cerca de R$ 260.

Scott Emmerman, diretor de marketing e vendas da Hohner, declarou o seguinte sobre o modelo: “A nossa empresa tem o orgulho de celebrar o espírito da criatividade de John Lennon, que continua a inspirar a cultura musical e popular”.

Por Márcio Grings

Rob Halford apresenta problema de saúde e é obrigado a usar cadeira de rodas

quarta-feira, maio 22, 2013
Rob Halford, vocalista do Judas Priest, está enfrentando um problema nas costas que o obrigou a passar um tempo em uma cadeira de rodas. Segundo o músico, em conversa com o apresentador Eddie Trunk, “não é tão mal - bem, é mal. Dá uma agonia. Mas é apenas uma lesão nas costas, e que irá ser corrigida. Uma pequena pausa para voltar com tudo”.

O Judas Priest lança dia 28 de maio o DVD e Blu-ray Epitaph, registro da última turnê. A banda também anunciou que já está trabalhando em um novo álbum de estúdio, que marcará a estreia do guitarrista Richie Faulkner, substituto de K.K. Downing.

Melhores ao Metal God!

Por Ricardo Seelig

Red Fang lançará novo álbum no segundo semestre

quarta-feira, maio 22, 2013
O quarteto norte-americano Red Fang anunciou que está trabalhando em seu novo disco e que ele será lançado no outono do hemisfério norte - a nossa primavera aqui no sul. O sucessor do aclamado Murder the Mountains ainda não tem título e está sendo produzido pela mesma dupla do segundo disco - Chris Funk, que já trabalhou com o The Decemberists, e mixado por Vance Powell, que possui álbuns do White Stripes, Racounteurs e Kings of Leon no currículo.

Na estrada desde 2005, o Red Fang é formado por Bryan Giles (vocal e guitarra), Aaron Beam (vocal e baixo), David Sullivan (guitarra) e John Sherman (bateria). A discografia do grupo se completa com o debut auto-intitulado, lançado em 2009. 


A banda caiu nas graças dos fãs pelo hard rock bem feito e também por uma série de clipes hilários, que mostram os músicos em situações do cotidiano repletas de bom humor.

Aguardamos com ansiedade.

Por Ricardo Seelig

21 de mai de 2013

Ouça “Not Hopeless”, mais uma inédita do The Winery Dogs

terça-feira, maio 21, 2013
Falei antes, e repito agora: está pintado um grande disco por aí. Hoje surgiu online mais uma música do trio The Winery Dogs, formado por Mike Portnoy, Richie Kotzen e Blilly Sheehan, e o nível segue lá em cima.

“Not Hopeless” é um hard pesado e repleto de melodia, com ótima performance de todos os envolvidos, um solo animal de Sheehan e Kotzen soando mais Coverdale que o próprio David Coverdale.

Anote na agenda: o disco de estreia do Winery Dogs sairá nas próximas semanas.



Por Ricardo Seelig

Ouça “Pocket Change”, faixa inédita do Alabama Shakes presente na trilha da série True Blood

terça-feira, maio 21, 2013
A série True Blood, produzida pela HBO, tem tradição em possuir boas trilhas sonoras - escrevemos sobre o tema aqui. O novo volume com as faixas que tocam no seriado não foge à regra, e traz canções de nomes como Eric Burdon, Howlin’ Wolf, Flaming Lips, Iggy Pop, My Morning Jacket, Koko Taylor e outros.

Um dos destaques de True Boood: Music from the HBO Original Series Volume 4 é “Pocket Change”, canção inédita do Alabama Shakes. Diferente das músicas do disco de estreia do quarteto, o que temos aqui é um clima rural do início ao fim, em uma composição que se aproxima do country e do clima do interior dos Estados Unidos - apropriado para a série, diga-se de passagem, que se passa em uma cidade do interior do estado da Lousiana.

Por Ricardo Seelig

+ R.I.P. Trevor Bolder (09/06/1050 - 21/05/2013) +

terça-feira, maio 21, 2013
Acaba de falecer o baixista Trevor Bolder. O músico, que também era compositor e produtor, trabalhou com grandes nomes como David Bowie, Mick Ronson, Wishbone Ash e Uriah Heep.

Ao lado de Bowie, Bolder gravou álbuns antológicos como Hunky Dory (1971), The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars (1972) e Alladin Sane (1973). Com o Wishbone Ash, tocou em Twin Barrels Burning (1982). E com o Uriah Heep fez parte de grande parte da história do grupo inglês, entrando para a banda em 1976 e permanecendo até os dias de hoje.

Em janeiro, o músico revelou que estava com um câncer no pâncreas.

Trevor Bolder tinha 62 anos.

Por Ricardo Seelig

The Clash anuncia novo box e coletânea

terça-feira, maio 21, 2013
Atenção fãs de uma das melhores bandas já surgidas no Reino Unido: o The Clash anunciou o lançamento de duas novas compilações no segundo semestre.

A primeira é um box chamado Sound System reunindo os cinco primeiros álbuns do quarteto - The Clash (1977), Give ‘Em Enough Rope (1978), London Calling (1979), Sandinista! (1980) e Combat Rock (1982). A caixa teve o design criado pelo baixista Paul Simonon e remete aos tradicionais boombox usados na década de 1980, aqueles rádios toca-fitas gigantescos que as pessoas levavam de um lado para o outro para ouvir música, antes do advento dos dispositivos portáteis como o walkman. O pacote inclui também três CDs com singles, raridades e faixas demos, mais um DVD com cenas inéditas e a reimpressão de uma edição do Armagideon Time, o fanzine oficial da banda. Tudo, claro, remasterizado a partir das gravações originais.

E há também a compilação The Clash Hits Back, com 33 faixas em 2 CDs com o que de melhor o grupo produziu em sua curta carreira. Porém, a diferença deste best of em relação aos demais já existentes é que todas as faixas foram gravadas ao vivo durante um show realizado no Brixton Fair Deal - conhecido atualmente como Brixton Academy - no dia 19 de julho de 1982.

Tanto Sound System quanto The Clash Hits Back chegarão às lojas dia 9 de setembro.

Abaixo, o tracklist de The Clash Hits Back e o vídeo oficial de Sound System:

Disc 1 

1. London Calling 

2. Safe European Home 

3. Know Your Rights 

4. (White Man) In Hammersmith Palais 

5. Janie Jones 

6. The Guns of Brixton 

7. Train in Vain 

8. Bankrobber 

9. Wrong 'Em Boyo 

10. The Magnificent Seven 

11. Police on my Back 

12. Rock the Casbah 

13. Career Opportunities 

14. Police & Thieves 

15. Somebody Got Murdered 

16. Brand New Cadillac 

17. Working for the Clampdown

Disc 2 

1. Ghetto Defendant 

2. Armagideon Time 

3. Stay Free

4. I Fought the Law 

5. Straight To Hell 

6. Should I Stay or Should I Go? 

7. Garageland 

8. White Riot 

9. Complete Control 

10. Clash City Rockers 

11. Tommy Gun 

12. English Civil War

13. The Call Up 

14. Hitsville UK 

15. This Is Radio Clash

 

Por Ricardo Seelig

Venda de ingressos para o Iron Maiden em Curitiba começa em 30 de junho

terça-feira, maio 21, 2013
Os ingressos para o show do Iron Maiden em Curitiba estarão à venda a partir de 30 de junho, segundo o site oficial da banda. A apresentação, que faz parte da Maiden England Tour, acontecerá em 24 de setembro na capital paranaense.

No site oficial ainda não foram divulgados os preços dos ingressos nem o local do show, mas segundo o
Blog Flight 666, rumores dão conta de que a apresentação poderá marcar a reabertura da Pedreira Paulo Leminski, tradicional espaço de shows de Curitiba onde o Iron Maiden se apresentou no início de 2008 com a turnê Somewhere Back in Time. O jornal paranaense Gazeta do Povo noticiou como certa a apresentação da banda na Pedreira.


O espaço foi fechado em agosto de 2008, quando a justiça acolheu um pedido de liminar feito pelo Ministério Público em nome de 137 pessoas. A vizinhança alegou se sentir incomodada com o alvoroço e o barulho em dias de grandes shows.


Maiden in Brazil


A turnê
Maiden England também passará pelo Jockey Club de São Paulo, em 20/09, e pelo Rio de Janeiro, onde a banda se apresenta no Palco Mundo do Rock in Rio no dia 22/09.


Em São Paulo e Curitiba o Iron Maiden terá Slayer e Ghost como atrações de abertura. Os ingressos para o show na capital paulista já estão à venda.

Por
Nelson Junior

Ouça “Out of Time”, primeiro single do Stone Temple Pilots com o seu novo vocalista: Chester Bennington, do Linkin Park

terça-feira, maio 21, 2013
A história é surpreendente: o Stone Temple Pilots, cansado do vai-e-vem de seu cantor, Scott Weiland, notório junkie e (velho) garoto problema, resolveu dar um ponto final na relação e começar novamente com outro vocalista. E o cara que assumiu o posto é ninguém menos que Chester Bennington, do Linkin Park.

Achei que a parceria entre ambos seria uma bomba. Mas, ao ouvir “Out of Time”, single de estreia de Chester no STP, percebi que a coisa pode dar certo, e muito. Bennington está cantando e não dando aqueles gritos irritantes característicos do Linkin Park. Seria um caso clássico do ditado “de onde menos se espera, é que pode sair coisa boa”? Ao que parece, sim.

Aumenta que vale a pena!

Por Ricardo Seelig

Assista “Mystic Highway”, o novo lyric video de John Fogerty

terça-feira, maio 21, 2013
A alma do Creedence, John Fogerty, lançará disco novo em 28 de maio. O novo álbum se chama Wrote a Song for Everyone e é o primeiro trabalho do vocalista e guitarrista em quatro anos, desde The Blue Ridge Rangers Rides Again, de 2009.

O disco, como o título dá a pista, conta com a participação de diversos artistas, incluindo Foo Fighters, Tom Morello, Miranda Lambert, Bob Seger e outros. O primeiro single do CD, “Mystic Highway”, foi divulgado hoje, e mostra que o veterano John ainda manja das coisas.

Ouça abaixo:



Por Ricardo Seelig

20 de mai de 2013

+ R.I.P. Raymond Daniel Manzarek Jr. (12/02/1939 - 20/05/2013) +

segunda-feira, maio 20, 2013
O tecladista do The Doors, Ray Manzarek, faleceu hoje. O músico estava internado em uma clínica na cidade de Rosenheim para tratamento de um câncer. O instrumentista deixa a sua esposa, Dorothy, além dos irmãos Rick e James.

Robby Krieger, guitarrista do Doors, fez um breve comentário sobre a morte do companheiro de banda, afirmando estar “profundamente triste. O tecladista tinha 74 anos.

Nossas condolências à família de Ray e aos seus milhões de fãs em todo o mundo.

Por Ricardo Seelig

Darkane divulga lyric video da faixa-título de seu novo disco

segunda-feira, maio 20, 2013
A banda sueca de death metal Darkane quebrou o silêncio que já durava longos cinco anos e divulgou o lyric video da faixa-título do seu novo disco, The Sinister Supremacy. A julgar apenas por essa prévia, o som atual do grupo parece mais direto e menos intrincado do que as experimentações com outros gêneros, como o prog, presentes nos trabalhos anteriores. Pode-se até afirmar que “The Sinister Supremacy” é praticamente um thrash metal.

O sexto álbum do Darkane será lançado dia 28 de junho pela Massacre Records e é o sucessor de Demonic Art, de 2008.



Por Ricardo Seelig

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