16 de nov de 2013

M:pire of Evil (Rio Rock & Blues Club, Rio de Janeiro, 14/11/2013)

sábado, novembro 16, 2013

Na última quinta-feira, 14 de novembro, o Centro do Rio de Janeiro foi tomado de assalto pelos headbangers locais, que puderam optar entre assistir Andre Matos e banda executarem o clássico Angels Cry na íntegra ou testemunhar algo ainda mais histórico: a passagem do legítimo império do mal por solo carioca. Estou falando do M:pire of Evil, que conta com ninguém menos que Mantas, guitarrista e fundador do Venom — logo, pai do black metal —, e Tony Dolan, o Demolition Man, que foi vocalista e baixista do grupo de 1989 a 1992. O palco escolhido foi o do Rio Rock & Blues Club, que é, em todos os aspectos, a melhor opção para shows de pequeno a médio porte na cidade. 

Com 15 anos de estrada e três álbuns na bagagem, os cariocas do Farscape foram encarregados de iniciar os trabalhos com seu thrash metal de categoria alemã. Depois de aproximadamente uma hora de show, o quarteto deixa o palco e todos os cerca de 100 presentes — numa faixa etária que variava de "estive na grade quando o Venom abriu para o Exciter no Maracanãzinho em 1986" a "só estou aqui por causa do meu pai metaleiro" — devidamente aquecidos. 

Mantas, Dolan e o batera JXN deram as caras pouco antes da meia-noite e o que se viu e ouviu foi um verdadeiro duelo entre o som ensurdecedor que vinha dos amplificadores e os gritos desesperados de uma turma sedenta por brutalidade. Dolan parece trazer seu vociferar das profundezas de um abismo enquanto Mantas mostra que é rock n' roll até o talo bangueando de óculos. Baixo e bateria eram o próprio trem desgovernado em rota de colisão. A guitarra, por sua vez, soava como uma desova de corpos em cova rasa, mas ao final de cada canção, os únicos cadáveres no ambiente éramos nós, o público, gado de corte voluntário dos nossos ídolos imortais e açougueiros inigualáveis. 


No repertório, esperadas inclusões de sons de Hell to the Holy (2012) e Crucified (2013) e, é claro, uma avalanche de clássicos do Venom, saca só: "Die Hard", "Don't Burn the Witch", "Welcome to Hell" e, é claro, "Black Metal. Sem contar sons da fase Dolan como "Carnivorous" e "Temples of Ice", curiosamente anunciada com o Demolition Man suando em bicas. E por falar em anúncio, imagine um juiz lendo uma sentença: era assim que Dolan anunciava cada música. E ia de juiz a carrasco em questão de segundos, induzido pela marcação da bateria como se estivesse sendo possuído por alguma entidade maligna incorpora, então, o personagem ideal para letras e músicas tão aterrorizantes. 


Mas a grande estrela da noite era mesmo Mantas. Seu nome era entoado a cada intervalo e sua expressão indicava tanto surpresa quanto emoção. "Eu não estive aqui em 1986, mas espero compensar de alguma forma", disse, com a humildade que anda em falta no meio artístico não limitado ao rock. "Nós não existiríamos se não fosse por vocês. Obrigado por tudo!". Reconhecimento retribuído com palmas e mais gritos de "Mantas! Mantas! Mantas!". Para o bis, uma trinca digna do pote: "Countess Bathory", "Leave Me in Hell" e "In League with Satan", que vinha sendo pedida desde o início. Depois do show, Dolan e Mantas atenderam cada um, em quase uma hora de fotos e autógrafos, mostrando que, de fato, são gratos pelo suporte dos fãs no decorrer dos anos. 

E foi aí que eu consegui, com exclusividade, bater um papo com a dupla. Os caras são tão gente boa que eu poderia ter ficado lá por horas e horas, mas devido ao cansaço de ambos depois de duas horas de show e aos compromissos da turnê — o voo do grupo para São Paulo estava marcado para sábado de manhã —, tivemos apenas alguns minutos. Acompanhe: 

CR: Esta é a sua primeira vez no Rio de Janeiro. O que vocês acharam da cidade? 
TD: É uma cidade incrível. Passeamos o dia inteiro. Fomos ao Corcovado e almoçamos em uma ótima churrascaria. É, definitivamente, um lugar que todos deveriam conhecer. Não existem palavras suficientes para descrever o Rio. E onde quer que você olhe, há uma mulher bonita. As cariocas estão de parabéns. 

CR: E sobre o público carioca? Esperavam algo como o que tiveram? 
TD: Houve momentos em que eu mal conseguia me ouvir. Era tanta gritaria, o pessoal todo cantando junto. Rock n' roll para mim é essa troca de energia entre o artista e o público. 

(Tony levanta para ir beber algo) 

CR: Mantas, você é o autor de "Black Metal", canção que acabou emprestando seu nome para uma vertente do metal. Como se sente diante disso? 
JM: "Black Metal" é uma canção muito simples e direta. Eu não fazia ideia da dimensão que a coisa toda tomaria. Mas no rock é assim: certas músicas acabam virando hinos sem mais nem porquê. 

CR: O que você acha da cena Black Metal atual? 
JM: Eu vejo que o Black Metal de hoje em dia ultrapassou as barreiras da música e tornou-se algo quase que cultural. Existem pessoas que realmente vivem de acordo com as letras e todo o resto, mas o que me deixa mais contente é o fato de o Black Metal ter sobrevivido após tantos incidentes e permanecer forte no âmbito musical. 

CR: No palco você falou sobre a importância de valorizar a figura do fã. O que você tem a dizer para artistas e bandas que não tratam seus seguidores com o devido respeito? 
JM: Me recuso a dividir o palco com músicos que não partilhem do meu pensamento. Tudo que eu consegui na vida foi graças aos fãs, que compram meus discos e vão aos meus shows. A indústria musical só existe graças ao fã. Um artista de verdade tem consciência de quem sem os fãs não haveria nada. 

CR: Como está a relação com Cronos? 
JM: Não falo com ele desde 2005, quando dei a ele o direito de usar o nome Venom. Acredito que não tenhamos mais o que falar um com o outro. 

Com a casa fechando as portas, só tive tempo de agradecer Tony e Mantas e, é claro, tirar fotos com os caras, afinal, eu também me enquadro na categoria de fã, hehe 


Setlist:
01. Demone
02. Die Hard
03. Wake Up Dead
04. Don't Burn the Witch
05. Blackened Are the Priests
06. Carnivorous
07. Temples of Ice
08. Hell to the Holy
09. Welcome to Hell
10. Metal Messiah
11. Hellspawn
12. Creatures of Black
13. Black Metal
14. Witching Hour

Bis:
15. Countess Bathory
16. Leave Me in Hell
17. In League with Satan

Texto: Marcelo Vieira 
Fotos: Luan Sanchez e Filipe Barcelos

14 de nov de 2013

Entrevista com o colecionador e jornalista Daniel Silva, do blog Rifferama

quinta-feira, novembro 14, 2013
Quem é apaixonado por música, como eu e você, acaba encontrando pelo caminho outras pessoas tão loucas pelos sons quanto a gente. É o caso do Daniel Silva, que conheci através do Rate Your Music há alguns anos atrás. Colecionador de discos e pesquisador musical, o Daniel criou em 2013 o blog Rifferama, onde fala sobre rock, heavy metal e a cena roqueira de Santa Catarina.

Batemos um longo papo sobre música, jornalismo musical e, claro, a sua coleção de discos. Boa leitura!

Fale um pouco de você, Daniel. Qual é a sua formação e porque decidiu escolher essa profissão?

Meu nome é Daniel Silva, sou jornalista, tenho 27 anos e moro na minha amada Biguaçu/SC. Trabalho desde 2009 (com idas e vindas) no jornal Notícias do Dia, do Grupo RIC (Record SC), em Florianópolis. Faço a cobertura do esporte em Santa Catarina, com ênfase no futebol e, às vezes, escrevo críticas e faço matérias de música para o caderno Plural, que é voltado para a cultura. Recentemente, em agosto, ganhei um espaço no portal RIC Mais, que hospeda o meu blog, o Rifferama. Cursei jornalismo por causa da minha paixão pela música. Não tinha decidido ainda o que fazer da vida, lá por 2005, e um amigo meu, o Estevão, me revelou o caminho. Lembro como se fosse hoje. "Cara, escreves bem e gostas de música. Já pensou em ser um crítico musical?". E foi assim que aconteceu. Motivado por aquele sonho de receber discos, entrevistar as bandas, me formei em 2008, com um TCC sobre os 50 anos da bossa nova, que traz entrevistas com Milton Nascimento, Carlos Lyra, Roberto Menescal, Marcos Valle, etc. Ele pode ser ouvido aqui. Acho que foi um bom começo, né?

Com que idade você começou a se interessar pela música e pelo rock?

A primeira banda que eu fui fã mesmo foi o Green Day, quando tinha entre 13 e 14 anos. Meu irmão ouvia muito reggae e sempre alugava discos na saudosa Muzak. Um dia ele chegou em casa com o Dookie e colocou pra rodar. Fiquei impressionado com "Longview". Com a influência de alguns amigos passei a ouvir Metallica e outras bandas, até chegar ao Megadeth, minha banda preferida. Depois de ouvir aqueles riffs do Dave Mustaine em "Holy Wars", tive certeza que dedicaria a minha vida à música. Lá se vão quase 15 anos.

Quando você começou a se interessar pelo jornalismo musical? Onde os seus primeiros textos foram publicados?

A minha primeira resenha foi publicada no jornal Biguaçu em Foco, aqui da minha cidade, em 2005. Eufórico com a volta do Rob Halford e o lançamento do Angel of Retribution, fiz um faixa a faixa apaixonado. Tenho o arquivo salvo no computador e às vezes leio para saber o que devo ou não fazer (risos). Nesse mesmo ano participei de um site chamado Intermission com dois colegas do fórum da Roadie Crew. Não demorou muito para eu criar o meu próprio blog, o Estética Musical. Em princípio um trabalho de faculdade, escrevi mais de 150 posts entre 2009 e 2010, mas aos poucos fui desanimando e parei de escrever naquele espaço.

Este ano você criou o Rifferama, blog que fala de rock e dá grande destaque para a cena catarinense. Como surgiu a ideia?

Recebi o convite do Alexandre Gonçalves, gestor do RIC Mais, que também é blogueiro, para escrever no site. Após muitas conversas, discussões sobre o nome e a proposta, ficou decidido que eu teria um blog próprio. A motivação do Rifferama, além de falar sobre o que eu gosto, é ser o portal dos artistas catarinenses. Temos muitas bandas talentosas que precisam divulgar o seu trabalho e não recebem a devida atenção. Tenho feito o possível para preencher essa lacuna e acredito que estou desempenhando um papel importante na nossa cena.

Que bandas catarinenses você recomenda para os leitores que não conhecem a cena do estado? E existe algum grupo de SC que você percebe potencial para se tornar conhecido em todo o Brasil?

Vou citar algumas, uma de cada estilo, pras pessoas terem a noção da diversidade que temos em Santa Catarina: Stormental (metal progressivo), Hope of Fools (metalcore), Red Razor (thrash metal), Cobalt Blue (rock progressivo), ForsiK (stoner metal), Khrophus (death metal), Red In White (hard rock), entre outras. A banda mais preparada para o sucesso daqui, acredito, é a Symbolica, de Urussanga. Eles gravaram o primeiro disco no ano passado, com o Gus Monsanto nos vocais e o Marcelo Moreira (do Almah) na bateria. O som tem bastante influência de Nevermore, com vocais guturais e a dupla de guitarristas é fenomenal.

O que existe de melhor e de pior na cena musical catarinense, no seu modo de vista?

Acho que o melhor é a garra das bandas. Tem muita gente produzindo aqui, se lançando de forma independente, lutando para mostrar o seu trabalho. O pior é a falta de espaço para tocar. São poucas casas de show que abrem espaço pras bandas de rock e o pior de tudo é que a maioria delas só contrata quem faz cover. Como jornalista, vejo que a mídia também não dá o apoio necessário. A valorização da música autoral é uma eterna busca aqui. Já foi pior, mas ainda está distante, infelizmente.

O Rifferama é hospedado dentro do RIC Mais, portal da Record em Santa Catarina. Você tem liberdade para publicar o que quiser no site, ou alguns assuntos devem ser evitados devido à política e visão da Rede Record?


Escrevo somente sobre o que eu quero e gosto. Tem banda que entra em contato e manda material, mas se acho que não agrega ao blog não posto. Até o momento não tive nenhum problema. A única coisa que pode acontecer é, talvez, omitir algum evento organizado pela emissora concorrente. Como a RIC não fala sobre o Planeta Atlântida, a RBS também não dá espaço para o It's My Way. Acho que é isso.

Como tem sido a aceitação do Rifferama?

Tem sido melhor do que eu esperava. Não pelos números de acessos, mas pelo feedback que tenho recebido dos amigos, de pessoas que não me conhecem e são fãs de música e até mesmo das bandas/artistas. Principalmente deles. Só tenho lido comentários positivos. São quase 500 comentários em três meses de blog e alguns posts passaram das 200 curtidas. 

Você produz o site sozinho ou conta com colaboradores?

Apenas três pessoas já escreveram para o Rifferama, além de mim. O Gabriel Rocha, jornalista do RIC Mais, o Fábio Bispo, repórter do Notícias do Dia, e o Vinícius Augusto de Lima, um grande amigo de Caxias do Sul. Ele tem uma puta banda chamada Grandfúria, escreve muito bem e quase toda semana colabora com alguma resenha. Apesar do blog ser meu, vejo com bons olhos a participação de outras pessoas, desde que escrevam bem e tenham algo a acrescentar à proposta do Rifferama.

Quais são as suas referências no jornalismo e na crítica musical?

Li muitas edições da Roadie Crew, Rock Brigade e Rolling Stone Brasil, mais por entretenimento mesmo do que como "fonte". A única revista que assino hoje é a Poeira Zine, do Bento Araújo. Esse cara, sim, é uma grande referência, ao lado do Gastão Moreira, que trabalham juntos agora no Heavy Lero. Gosto bastante do Sérgio Martins, da Veja, mas o cara mesmo é o Fabio Massari.

Quais sites e blogs sobre música você costuma ler em busca de informação?

Apesar de todos os problemas e queda na qualidade dos textos, o Whiplash ainda é a grande fonte de informação para a maioria dos fãs de rock. Não costumo ler muitos sites de música, mas os que acesso são ótimos: Collectors Room, Progshine, Scream & Yell e Progcast.

Seus textos mostram um conhecimento musical diferenciado da maioria. Sei que você adora pesquisar bandas novas, tanto atuais quanto antigas. Na sua visão, o quanto o contato com diferentes maneiras de fazer música influencia o seu entendimento e percepção na hora de analisar a obra de um artista?

Obrigado, Cadão. Acho fundamental para um cara que se intitula crítico musical conhecer tudo o que for possível em termos de estilos, não ter preconceitos (é difícil, eu sei) e pesquisar muito. Até para contextualizar, fazer conexões, identificar referências, indicar bandas semelhantes e situar o leitor do que ele encontrará quando for ouvir um disco. 

Quando você ouve um disco, que elementos usa para analisar o álbum? O que pesa mais na sua análise: a qualidade das músicas, os arranjos, as inovações?


Depende de uma série de fatores. Ainda não fiz, mas tenho certeza que vou escrever sobre o Aftershock, do Motörhead. É quase impossível encontrar alguma inovação nesse disco, então tenho que me ater a outros pontos como a performance do trio, se a voz do Lemmy está soando bem, comparar com os últimos álbuns, etc. Música pra mim é sentimento. Quando escrevo tento passar o que senti ouvindo aquela banda, se as composições empolgam, se é "mais do mesmo", e por aí vai.

Que dicas e conselhos que você dá para quem quer criar um site sobre música?

Tem que ter paixão. O Rifferama hoje é um hobby pra mim, não paga as minhas contas, mas com certeza é o que mais alimenta o meu ego. Escrever sobre música é um sonho de adolescente que hoje estou realizando. Além de gostar do que você faz, é preciso paciência. Criar um público cativo não é fácil e ainda estou aprendendo como fidelizar a audiência, tentando identificar qual tipo de post dá mais resultado em termos de visualizações, curtidas, comentários e compartilhamentos. O blog tem que ter um diferencial também, que no caso do Rifferama é o espaço para as bandas catarinenses.




Quais são as suas bandas preferidas, Daniel?

Meus amigos brincavam comigo que a cada semana eu tinha uma "melhor banda do mundo". Mas, desde sempre, as bandas que eu mais ouvi foram Green Day, por conta daquele apego emocional da adolescência, Megadeth, Metallica, In Flames e, nos últimos anos, Opeth. Gosto muito também do rock dos anos 70. Sou fã de Rush, Yes, Rainbow, Thin Lizzy, Deep Purple, etc. Se o Megadeth é a minha banda preferida em todos os tempos, o Opeth é a melhor de todas. O Mikael Åkerfeldt é um gênio.

Sei que você gosta muito de heavy metal. Como você definiria não apenas o gênero, mas o impacto que ele tem sobre a sua vida?

É clichê, mas só quem é fã de rock e heavy metal sabe como é. Aquele sentimento indescritível de ficar arrepiado com um solo ou fazer careta quando toca um riff muito foda. A minha mulher é fã de samba e talvez nunca entenda, apesar das minhas tentativas de apresentar o estilo pra ela. É até difícil de responder isso. Só sei que não vivo sem música e sem heavy metal.

Você já teve banda, e há anos escreve sobre música. Todo crítico é um músico frustrado ou isso é só papo furado?

Acho que sim, cara. Eu não me considero músico de jeito nenhum. Se eu tocasse algum instrumento não sei se teria essa mesma vontade de escrever sobre música. Mas acho que qualquer pessoa pode escrever sobre música, tendo banda ou não.

Na sua opinião como jornalista e músico, é essencial que um crítico musical saiba tocar um instrumento e possua conhecimento teórico e prático sobre música para poder analisar um disco? Ou apenas o feeling e a bagagem de ouvinte, de pesquisador e colecionador musical, é suficiente para isso?

Acho importante, mas não essencial. Não estudei, mas sei quando um guitarrista toca bem ou quando a música é bem feita. Não gosto de resenhas com foco nos aspectos técnicos, se em tal faixa o cara faz um arpejo, se a digitação é assim ou assado. A boa resenha, pra mim, além de ter muita informação sobre o disco, tem que transmitir o que ele passa. Acho que um dia vou acabar aprendendo teoria musical e tirar os meus acordes preferidos numa guitarra. Enquanto esse dia não chega, sigo o que a minha cabeça de fã de música passa.

Como todo fã de rock, você tem uma coleção de discos. Qual o tamanho do ser acervo e quais as características das sua coleção?

Segundo o Rate Your Music, tenho 598 discos em CD, 22 DVDs e um cassete, mas como tenho bastante material de bandas independentes, esse número acaba sendo um pouco maior. Acredito que sejam uns 650 discos. A maior parte, evidentemente, é composta por disco de rock/metal, cerca de 90%. Tenho alguma coisa ou outra de jazz, música brasileira, reggae e pop. Também tenho 23 livros sobre música, na maior parte biografias.

Qual foi o primeiro disco que você comprou?

Que eu me lembre, assim, de ir até a loja e comprar um disco foi o Never, Neverland, do Annihilator. Deve fazer mais de dez anos. Além do conteúdo ser maravilhoso, o CD é dourado, muito bonito.

E o último, qual foi?

Foram três, em promoção de cesto de shopping: 
Offspring - Americana
Justin Timberlake - Justified
John Mayer Trio - TRY!

De quais bandas/artistas você tem mais itens?

Megadeth, com 28 (21 discos e 7 DVDs). Logo atrás vem o Iron Maiden, com 19 (17 discos e 2 DVDs). O terceiro colocado é o AC/DC, com 15. (14 discos e 1 DVD).



Como você organiza a sua coleção?

Organizo por ordem alfabética e cronológica. Por exemplo: Megadeth/Killing Is My Business.../Peace Sells... Tenho uma estante com capacidade para uns 450 discos abarrotada e não tenho mais onde colocar CDs, para falar a verdade. Quando me mudar para o meu apartamento vou utilizar um quarto como escritório para guardar melhor os meus discos, filmes, livros, desenhos, bonecos e outras bugigangas.

Sei que você possui um grande arquivo digital com centenas de artistas. Isso não é muito comum em colecionadores, que preferem sempre o formato físico. O que você pensa sobre isso?

Milhares (risos). Tenho aproximadamente 100 mil mp3, quase 9 mil discos. Eu prefiro o formato físico, nada substitui abrir o plástico, cheirar o encarte, ler as letras, etc. Se eu tivesse mais dinheiro e pudesse gastar com isso, certamente teria todos esses álbuns em CD. Aos poucos vou deletando as músicas quando encontro e compro o original. Será que um dia eu chego lá?

Quais os discos mais raros que você possui em sua coleção?

Não diria raro, mas um dos discos que mais gosto na minha coleção é edição inglesa do Jailbreak, do Thin Lizzy, da Mercury Records. Ganhei esse disco de um amigo, que trouxe de Paris e me mandou.

Qual álbum você procura há anos e até hoje não conseguiu comprar para a sua coleção?

São dois. Çcada Luge, uma banda alternativa da Austrália. Tentei até contato com o guitarrista da banda por e-mail, mas ele me respondeu que nem ele possui o disco físico. Saiu em 1995. Tenho um amigo que teve a sorte de achar em um sebo. Já vi à venda por R$ 100 nesses sites de leilão. O outro é do Straw, uma banda de britpop que lançou apenas um disco em 1999 chamado Shoplifting. Pra mim é uma das pérolas escondidas dos anos 90, um grande álbum.

Quais são os seus dez discos favoritos de todos os tempos?

É um pecado escolher só dez. Essa lista sempre muda, mas a ideal seria parecida com essa:

Megadeth - Rust in Peace
Metallica - Master of Puppets
Black Sabbath - Heaven and Hell
Opeth - Blackwater Park
Thin Lizzy - Jailbreak
Yes - Fragile
Mastodon - Crack the Skye
Pantera - Cowboys From Hell
Jethro Tull - Aqualung
Rush - Hemispheres

Onde você compra os seus discos?

Compro mais pela Internet em sites especializados como o CD Point ou CD Universe. Sou garimpeiro também e sempre acabo achando coisa boa nessas lojas de discos de shopping e supermercados. Não posso passar na frente de uma que acabo entrando e comprando pelo menos um.

Na Grande Florianópolis, onde você reside, qual é o melhor lugar para comprar discos?

Gosto muito da Roots Records, apesar de não ter frequentado mais a loja nos últimos anos. Além dos lançamentos, camisetas, importados e etc., é sempre legal bater um papo com o Gota e a Lilian. A Multisom tem sempre boas promoções. Já comprei muita coisa legal lá também.

O que a sua coleção de discos diz sobre você, Daniel?

Que sou um cara organizado, pelo menos no que diz respeito às minhas coisas (risos). Sou apaixonado por música e isso fica evidente pra todos que frequentam a minha casa. Tenho orgulho (e ciúme) dos meus discos e adoro mostrar para as pessoas as bandas que eu gosto. Como o Rob Gordon disse no Alta Fidelidade: "nunca confie em ninguém com menos de 500 discos". É isso, então. Acho que sou um cara confiável (risos).

Como a paixão pela música afeta os outros aspectos da sua vida?

Afeta em tudo, cara. Ouço música da hora em que acordo até a hora em que vou dormir. Já cansei de ser chamado a atenção no trabalho pelo meu chefe, mas não tem jeito. Vou continuar usando fones de ouvido. Só consigo me concentrar com música, seja hip hop instrumental ou com um Coroner nervoso rolando. Já deixei de ir a muitas festas e estar com os amigos por causa da música, mas hoje não ligo mais pra isso. Tenho consciência de que se é para ouvir algo que eu gosto, melhor ficar em casa.

Qual disco e qual música definem a sua vida?

Sou fanático por thrash metal, então o disco mais importante pra mim é o Rust in Peace. A música não pode deixar de ser "Holy Wars". Enquanto as pessoas escolhiam hinos de times de futebol e outras músicas bobas, fui buscar o meu canudo na formatura ao som desses riffs incríveis. Mas tenho inúmeras músicas importantes, cada uma para um determinado momento.

O que você gostaria de ver com mais frequência aqui na Collectors Room?

Gosto muito das resenhas, mas acho que a Collectors poderia investir mais em entrevistas, não só com colecionadores, mas com músicos também. Tenho certeza que seria um sucesso.

Quais são os planos do Rifferama para o futuro, Daniel? Até onde você acha que o site pode chegar?

Acho que o blog pode crescer bastante. Como o portal RIC Mais ainda é novo (um ano), acredito que vamos crescer juntos em audiência. Tenho o suporte da empresa e também escrevo em parceria com o jornal Notícias do Dia, então acho que aos poucos vou criando o meu público. Quero que o Rifferama seja referência quando alguém falar ou pensar em bandas catarinenses. Algo automático mesmo. É isso o que quero, ser o propagador da música autoral de Santa Catarina. Viver do blog e ser pago pra escrever sobre música é um sonho também, seja no blog ou em outro veículo no futuro. Quero ser reconhecido pelo que faço. Obrigado pela oportunidade, Cadão.

Acompanhe o trabalho do Daniel nos links abaixo:


www.ricmais.com.br/sc/rifferama 

www.twitter.com/blogrifferama
https://www.facebook.com/BlogRifferama




Por Ricardo Seelig

Paul McCartney: crítica de New (2013)

quinta-feira, novembro 14, 2013
Há quem acredite que, depois de quatro décadas de carreira, o britânico Paul McCartney não tenha mais nada de novo para dizer em um disco de inéditas. Mas, do alto de seus 71 anos de idade, parece que o velho Macca discorda. Depois de lançar, ano passado, o álbum Kisses on the Bottom, no qual revisita canções dos anos 1920, 1930 e 1940 que tiveram algum tipo de influência em sua trajetória, ele resolveu se focar no novo. Não à toa, batizou seu primeiro registro inédito em seis anos de New. No álbum, 16º de sua carreira, uma surpresa mais do que grata, uma verdadeira aula de boa música pop, Paul não deixa o seu passado para trás. Ao contrário: New traz faixas que têm um gostinho dos Beatles, sua ex-banda, e também de outros momentos de sua carreira-solo e mesmo de seus anos ao lado dos Wings. Só que isso não faz a obra chegar a soar como nostalgia pura e simples, essencialmente girando em volta do próprio umbigo, porque o músico se cercou inteligentemente de um quarteto de jovens e badalados produtores, que deram a camada de juventude e novidade que surpreenderá os ouvidos desatentos.

O mais estrelado destes nomes é, de fato, Mark Ronson, o homem por trás de Back to Black, o premiado álbum da meteórica Amy Winehouse. Com a mão de Ronson, Paul inspira os ares do quarteto de Liverpool e entrega a faixa-título, divertida, ensolorada e mais Beatles impossível (mais alguém lembrou de "Penny Lane"?), além da viajandona "Alligator", com um sabor da fase mais alucinada e psicodélica dos quatro, mas com um DNA que remonta ao britpop.
Já ao lado de Paul Epworth, um dos nomes mais destacados da atual cena inglesa (de Bloc Party a Florence and The Machine, passando pelo igualmente premiado 21, da cantora Adele), McCartney prova que pode ser tão ou mais roqueiro do que a molecada que atualmente ocupa as páginas de recomendações da revista NME, bíblia dos indies. A faixa de abertura, "Save Us", tem mesmo um gostinho de indie britânico, flertando com o eletrônico em uma vibração que resulta em pura energia, iniciando os trabalhos na medida certa. Já a sutileza de "Queenie Eye", com um refrão gostoso e que dá vontade de sair dançando descontroladamente, não esconde o fato de que estamos diante de um piano absolutamente rock 'n roll, que comanda a festa com mais precisão do que uma guitarra conseguiria neste momento.

A experiência folk de Ethan Johns (Kings of Leon, Joe Cocker) transparece em "Early Days", que nos transporta imediatamente a uma cidadezinha do interior enquanto Macca, aqui quase Bob Dylan, relembra seu passado enquanto garoto, ao lado de John Lennon, escrevendo música dentro de casa enquanto procuram alguém disposto a ouvi-la. É a história dos Beatles cantada em versão acústica. Também é ao lado de Johns que McCartney costura a fragilidade de "Hosanna", com uma vibração oriental, meio indiana, que remete a um certo parceiro das antigas que atendia pelo nome de George Harrison.

Mais da metade de New, contudo, é produzida por Giles Martin – que é ninguém menos do que o filho de George Martin, lendário produtor dos Beatles, considerado uma espécie de quinto integrante da banda. E é justamente sob a batuta de Martin que McCartney se permite ousar um pouco mais. Os críticos foram unânimes na comparação e eu, infelizmente, não consigo fugir dela: "Everybody Out There" é uma faixa mais David Bowie do que Paul McCartney, deixando a gente simplesmente a imaginar como seria uma parceria do velho Macca com seu igualmente talentoso conterrâneo. O irresistível refrão de "I Can Bet" tem um quê de "o que aconteceria se os Beatles surgissem na Londres da virada dos anos 2000?". "Scared", a canção oculta depois de "Road", é uma balada bela e dolorosa ao piano. E eis que "Appreciate", a melhor canção de New, é também aquela que mais conversa com a música eletrônica, daquele tipo mais experimental, gerando uma mistura soturna que tem R&B no meio e chega a remeter ao duo francês Daft Punk. Dá pra imaginar? Pois imagine.
 

New pode até dialogar com o passado de Paul McCartney. Mas o músico não se colocou em uma posição confortável e foi tirar a modernidade para dançar. Aprendeu novos passos. Chacoalhou o esqueleto. E provou que, neste festival de pretensos dançarinos, ainda é um dos maiores craques do sapateado.  

Nota 9

Faixas:
1. Save Us
2. Alligator
3. On My Way to Work
4. Queenie Eye
5. Early Days
6. New
7. Appreciate
8. Everybody Out There
9. Hosanna
10. I Can Bet
11. Looking at Her
12. Road


Por Thiago Cardim

13 de nov de 2013

Oasis tem o disco de vinil mais vendido no Reino Unido nos últimos 20 anos

quarta-feira, novembro 13, 2013
A NME e a Official Charts Company divulgaram a lista com os vinte discos de vinil mais vendidos no Reino Unido nos últimas duas décadas. O Oasis domina a lista, com três títulos, incluindo os dois primeiros lugares. Outros destaques são os Beatles e o fato de 17 dos 20 discos terem sido lançados durante a década de 1990. Há apenas dois títulos da década de 2000 e um dos anos 1970.

Abaixo, a lista completa:

1. Oasis – What’s the Story Morning Glory? (1995)
2. Oasis – Definitely Maybe (1994)
3. Portishead – Dummy (1994)
4. Travis – The Invisible Band (2001)
5. Radiohead – The King Of Limbs (2011)
6. Leftfield – Leftism (1995)
7. The Beatles – Live At The BBC (1994)
8. Massive Atack vs. Mad Professor – Protection/No Protection (1995)
9. Queen – Made In Heaven (1995)
10. The Prodigy – Fat Of The Land (1997)
11. Paul Weller – Stanley Road (1995)
12. The Stone Roses – Second Coming (1994)
13. Blur – Parklife (1994)
14. Nirvana – MTV Unplugged In New York (1994)
15. The Prodigy – Music For The Jilted Generation (1994)
16. Neil Young – Harvest (1972)
17. Pulp – Different Class (1995)
18. Oasis – Be Here Now (1997)
19. DJ Shadow – Endtroducing (1999)
20. The Beatles – Anthology 1 (1995)


Por Ricardo Seelig

Ghost: crítica de If You Have Ghost (2013)

quarta-feira, novembro 13, 2013
Sete meses após lançar o seu segundo álbum, Infestissumam, a banda sueca Ghost retorna com material (quase) inédito para os seus fãs. E, apesar do curto espaço de tempo entre um lançamento e outro, o novo EP do grupo não tem nada de prematuro.

Produzido por Dave Grohl - que, segundo os próprios músicos do Ghost, andou fazendo alguns shows com a banda escondido atrás das máscaras do grupo -, If You Have Ghost é um EP de cinco faixas. Quatro delas são versões para canções de outros artistas: a que também batiza o disco é um canção de Roky Ericsson, “I’m a Marionette” é do ABBA, “Crucified” é do Army of Lovers e “Waiting for the Night” é do Depeche Mode. Completando o tracklist, uma versão ao vivo da valsa satânica “Secular Haze”, primeiro single de Infestissumam. “I’m a Marionette” e “Waiting for the Night” já haviam sido lançadas em uma versão especial do último disco, e a versão para a canção do ABBA foi também o lado B do single “Secular Haze”.

Há de se elogiar a escolha nada óbvia dos covers. E também dos artistas originais que os gravaram, que nada tem a ver com o heavy metal, gênero onde o Ghost está inserido. Com extrema personalidade, a banda desconstrói os arranjos originais e imprime uma nova cara para as composições, colocando a sua personalidade nas versões. Isso faz com que os quatro covers soem como canções do próprio Ghost, algo que é difícil de ser alcançado quando se trabalha com a obra criada por outros artistas.

Chama a atenção também neste EP o distanciamento que as quatro canções de estúdio apresentam do heavy metal, indo ainda mais além do que a banda já havia ido em Infestissumam. O Ghost não soa como um grupo de metal em If You Have Ghost, mas sim como uma banda de rock embebida em doses generosas de psicodelismo e melancolia, características intensificadas, respectivamente, pela parte instrumental e pelas belíssimas linhas vocais de faixas como “If You Have Ghost” e “Crucified”. Se esse é o caminho que o Ghost pretende seguir nos próximos trabalhos, a prévia que eles apresentam neste EP é pra lá de promissora, deixando, desde já, uma expectativa elevada para o seu terceiro disco.

Vale mencionar que Grohl, além de assinar a produção, também toca bateria em “I’m a Marionette”, deixando claro que a sua associação com o Ghost é muito mais profunda do que se supunha no início. E essa relação entre os dois artistas é muito vantajosa para o Ghost, fazendo com que um novo público passe a olhar para a banda.

Eu sei, e você também sabe, que o hype em torno de Papa Emeritus e sua turma é gigantesco. Porém, Tobias Forge - o nome verdadeiro do vocalista que está atrás da máscara do Papa - e seus companheiros dão provas, a cada lançamento, que por maior que sejam os elogios e a atenção recebidas pela banda, eles são justificados. Opus Eponymous, estreia do Ghost lançada em 2010, é um ótimo álbum de metal com grande influência de Blue Öyster Cult e Mercyful Fate. Infestissumam, o segundo disco, mostrou os músicos indo além e inserindo outros elementos na construção de uma sonoridade que deu um passo adiante em relação ao primeiro álbum. E em If You Have Ghost essa característica se acentua, revelando, de uma forma que parece definitiva, o caminho que a música do Ghost seguirá.

O hype é grande, mas toda a falação em torno do Ghost é justificada: essa é a conclusão ao final da audição deste novo EP.

Nota 8

Faixas:
1 If You Have Ghost
2 I’m a Marionette
3 Crucified
4 Waiting for the Night
5 Secular Haze (live)

Por Ricardo Seelig

12 de nov de 2013

Entrevista com João Renato Alves, fundador e editor da Van do Halen

terça-feira, novembro 12, 2013
Quando se fala em hard rock e heavy metal aqui no Brasil, o principal site de notícias de ambos os gêneros é a Van do Halen. Criado e mantido por João Renato Alves, a Van é referência, e não para de crescer a cada dia.

Batemos um papo com o João, onde ele fala sobre o site e, claro, sobre a sua coleção de discos.

Vamos começar falando um pouco de você, João. Qual é a sua formação e porque escolheu essa profissão?

Em primeiro lugar, obrigado pelo espaço em um dos meus sites preferidos. Bom, meu nome é João Renato Alves, tenho 29 anos (até o próximo dia 20 de novembro, quando fecho três décadas por esses lados), moro em Cruz Alta, Rio Grande do Sul. Sou formado em comunicação social, habilitação jornalismo, pela Unicruz e pós-graduado em comunicação e mídia pela mesma. Escolhi essa profissão por influência indireta familiar. Meu avô, que não é formado na área, era comentarista de futebol em uma rádio da cidade e me levava para as cabines nos jogos do glorioso Guarany de Cruz Alta. A última coisa que me interessava era a partida, gostava de ver os equipamentos, como funcionavam as transmissões, esse tipo de coisa. Desde então, tomei gosto pela coisa, sempre tive um gravador ao meu lado, gostava de registrar as coisas que aconteciam em agendas e afins. Muita gente começa dessa forma.

Quando você começou a se interessar pelo jornalismo musical? Onde os seus primeiros textos foram publicados?

Meu gosto pela música se aflorou na primeira metade dos anos 1990. Como sempre gostei de ler jornais, revistas dos mais variados assuntos, o passo para o segmentado foi natural. Comecei pela Bizz/Showbizz, depois conheci as do meio metálico e não parei mais. Ainda gosto muito do formato impresso, apesar de trabalhar com o digital. Sou colaborador do Whiplash desde 2002, 2003 e devo muito ao site. Muitos criticam, mas sempre compreendi a maneira como atuaram e não chegaram onde estão à toa. Tenho orgulho de fazer parte dessa história. Foi onde comecei com os textos especificamente sobre música. Fora isso, já contribui com jornais e revistas da região em assuntos generalistas.

Hoje, o site que você edita, a Van do Halen, é reconhecida como uma das principais e mais ágeis fontes de notícias relacionadas do hard rock e ao heavy metal aqui no Brasil. Como surgiu a ideia de criar o site, e como ele tomou forma?

O site surgiu em 4 de agosto de 2009. Ele era uma extensão do Combe do Iommi, um blog de downloads que existiu por muitos anos e contava com uma grande audiência. A ideia inicial era mais voltada para o humor, tiração de sarro. Depois passamos a fazer um trabalho de cobertura das notícias. Foi um passo natural, a minha formação era essa, o Igor Miranda, meu sócio (embora não esteja mais, mas ainda o considero, pois ele segura as barras quando preciso), estava entrando no meio acadêmico, a maioria dos nossos colaboradores idem, então juntamos uma necessidade com a utilidade da ferramenta que já tínhamos em mãos.

Não dá pra conversar sobre a Van sem fazer essa pergunta: de onde veio o nome para o site? Quem teve a ideia?

A ideia foi do Igor. Como a proposta inicial era fazer algo bem humorado e havia a ligação com a Combe, uma coisa levou à outra. Se tivéssemos seguido o caminho das notícias desde o início, acredito que o nome seria diferente. Mas agora marcou, mudar isso seria um suicídio.




Você produz a Van praticamente sozinho. Ela é a sua atividade principal?

Sim, especialmente após 2011, quando adquirimos domínio próprio e passamos a levar a página totalmente a sério.

Conte pra gente como é o seu dia-a-dia produzindo um dos sites sobre música mais lidos do Brasil.

Normalmente, acordo as oito, nove da manhã e já busco conteúdo nos sites estrangeiros, nos releases que recebemos das gravadoras e assessorias, procurando estar ligado a todo momento. Também procuro me conceder alguns intervalos, até porque não é uma rotina fácil de administrar e, se você deixar, ela te consome.

Qual a audiência média mensal da Van do Halen?

Normalmente, ela fica na casa dos 350, 400 mil. Mas à época de grandes eventos, como Rock in Rio, costuma bater na casa dos 500. É meio montanha-russa, mas fica nessa média.

A Van do Halen sempre teve muito bom humor e chamadas provocativas para as matérias. Essa linha foi inspirada em algum outro veículo? E essa postura já gerou, em algum momento, problemas para o site?

A inspiração primordial foi o saudoso Notícias Populares, com suas manchetes como “Pelé matou a empregada (sobre um funcionário público que tinha esse apelido e deu cabo da serviçal)”, “Piquet dá a bunda para salvar o pé (depois do acidente em Indianápolis, médicos tiraram pedaços de pele dos glúteos para reconstituir a estrutura dos membros inferiores)” e afins. Hoje isso é muito usado por outras publicações popularescas, além de sites. Problemas reais nunca tivemos, apenas alguns fãs mais enfezados reclamam de vez em quando. Mas estamos acostumados, até porque essa é a intenção mesmo.

Em todos esses anos, quais matérias mais marcaram a história da Van e quais deram mais orgulho para você?

Não tem como não citar o que fizemos em conjunto. Afinal de contas, foi a partir das denúncias que a Van e o Collectors fizeram do que estava acontecendo no MOA que adquirimos grande credibilidade e obtivemos repercussão gigantesca. Enquanto muita gente se calou, fizemos o que se espera de pessoas da área da comunicação. Não apenas pela grande audiência, mas por toda a postura que tivemos diante da situação, aquele é um momento especial.

Dá para viver, exclusivamente, da Van do Halen? Qual é o segredo para isso?

Ainda não, mas a situação está melhorando e acredito que em breve será possível. De qualquer modo, já é minha fonte de renda principal. O segredo é a dedicação, mesmo que seja sacrificante em alguns momentos. E paciência, pois as coisas não mudam da noite para o dia. Além do mais, ainda não somos vistos da mesma maneira em relação aos veículos tradicionais, o que muitas vezes complica.

Nós dois temos alguns pontos em comum: além de termos nascido em cidades próximas, produzimos nossos sites em locais distantes do principal mercado roqueiro e metálico do Brasil, que é São Paulo. Em que aspecto esse distanciamento ajuda e atrapalha, na sua visão, um site como a Van do Halen?

Acho que ajuda na hora de fazer alguma crítica, pois não fazemos parte de panelinhas. Mesmo assim, muito ainda ficam com medo de expor opinião, quando na verdade, trata-se de algo absolutamente natural. O lado negativo fica por conta das coberturas de eventos. Temos dois correspondentes em São Paulo, a Tatiane Cristina Correia e o Lukas Barros, que sempre dão uma força – além da Lidiane Gonçalves, mulher da minha vida e que me ajuda a manter as finanças e publicidades em ordem. Mas todo mundo tem suas ocupações paralelas, então não podem se dedicar apenas a isso.

Quais são as suas referências no jornalismo e na crítica musical?

Somos da geração que ainda está desbravando esse caminho do jornalismo online, então a maior parte das referências acaba vindo dos outros formatos. Gosto da Bizz nos anos 1990, da Rock Brigade antiga e procurei ler algumas revistas gringas também, embora não com a mesma frequência. Tenho apreço por um texto bem escrito, mesmo quando não concordo com a opinião. Acho salutar observar opiniões divergentes, algo que, infelizmente, é encarado como algo demoníaco no nosso meio.

Quando você ouve um disco, que elementos usa para analisar o álbum? O que pesa mais na sua análise: a qualidade das músicas, os arranjos, as inovações?

Procuro observar a qualidade acima de tudo. Mas acho importante que o artista traga algo novo. Não precisa ser realmente revolucionário, mas que ao menos não copie na cara dura.

Você já está inserido e convive de perto com a cena rock e metal do Brasil há tempos. Como você vê o cenário da música pesada no Brasil, em todos os níveis: fãs, bandas, gravadoras e veículos? O que há de pior e o que há de melhor nessa realidade?

O mais legal é ver a fidelidade dos fãs, algo cada vez mais raro. Os caras gostam hoje e continuarão gostando amanhã. Tem um aspecto ruim, que é o fanatismo, que acaba cegando a pessoa. Mas, quando bem administrado, considero algo até mesmo emocionante de se ver. Só acho que o pessoal tem que parar de ver banda como time de futebol, senão daqui uns dias vamos ver gente puxando arma em discussão sobre Metallica e Megadeth, o que seria ridículo.

Sobre as bandas, acho que temos algumas realmente boas, mas outras que são apenas a cópia da cópia do que tem lá fora. O Sepultura é a maior banda da história desse país, mas as pessoas entenderam errado a mensagem deles e passaram a achar que cantar em inglês era garantia de sucesso. O grande problema é que aquilo que o Jack Endino falou é a mais pura verdade. As pessoas que fazem as letras das bandas nacionais EM 100% DOS CASOS não sabem escrever em inglês. Aí acabam gerando monstrengos constrangedores. Por isso, nos últimos tempos, tenho valorizado mais os grupos que cantam em português. Não por questões culturais, mas simplesmente porque ninguém sabe compor em inglês de maneira decente por aqui.

As gravadoras estão cada vez mais nadando contra a maré. Algumas fazem bons trabalhos, mas outras ficam lançando produtos piratas para sobreviver no mercado. E isso é crime. Sorte deles que somos um país pirata, de modo geral, então não vão se dar mal. Mas tem gente boa no mercado também, pena que atualmente é preciso ser heroico para sobreviver nessa área.

A internet trouxe a possibilidade de todo mundo fazer seu site, o que acho bacana. Os veículos de comunicação estão precisando se adaptar a essa realidade. No interior, ainda vejo as mídias convencionais sobrevivendo, mas chegará o momento em que elas serão descartadas também – embora ainda vá demorar um pouco. Em relação à música, acho que estamos em um bom momento. Gostaria que tivéssemos mais revistas especializadas, mas não é fácil fazer isso em uma nação onde a maioria esmagadora da população não tem o hábito de ler. É uma questão de aceitarmos a realidade, infelizmente.

Que dicas e conselhos que você dá para quem quer criar um site sobre música?

Paciência e dedicação acima de tudo. Se planeja viver disso, tenha uma carta na manga, um freelancer que seja, pois demora. E procure escrever bem, pelo mesmo motivo que citei as bandas que compõem em inglês.

Quais são as suas bandas preferidas, João?

As primeiras bandas de rock que escutei foram Queen e Van Halen. Quando veio o KISS, foi a conquista completa. É até hoje minha banda favorita, embora discorde de algumas coisas que aconteceram na tumultuada carreira do grupo. Meu top 5 é completado pelo Black Sabbath e os Rolling Stones. Dos grupos mais recentes, gosto do Soilwork, o H.E.A.T., Winery Dogs e algumas outras. Acho que estamos em um ótimo momento, bem melhor que em décadas recentes.

Com que idade você começou a se interessar pela música e pelo rock?

A primeira vez que me liguei em rock foi quando o Freddie Mercury morreu. Tinha 8 anos e lembro das notícias, do Pedro Bial fazendo a cobertura para a Globo direto de Londres. Aí um primo tinha o Greatest Hits II do Queen e me emprestou. Fiquei dias ouvindo. Depois veio a MTV. Para muitos pode soar estranho, mas foi uma fonte de descobertas para mim, onde passei a valorizar não apenas a música, mas toda a história de um grupo. Caras como Gastão, Massari, pessoas que realmente entendiam do que estavam falando e foram professores informais espetaculares.



Nós que trabalhamos com música recebemos muitos itens de gravadoras e bandas. Eu, pessoalmente, fico com os que me interessam e acabo dando para amigos ou trocando os demais em sebos e lojas do tipo. O que você faz com os materiais que recebe?

A maioria eu fico mesmo. Os que não fazem o meu estilo e sei que algum dos colaboradores da Van gostam, repasso. Poucas vezes troquei, mas já fiz isso nos tempos que tinha um programa de rádio, entre 2001 e 2003 e recebia material.

Como todo fã de rock, você tem uma coleção de discos. Qual o tamanho do seu acervo e quais as características da sua coleção?

Por ter começado a me interessar já na era do CD, ele predomina, com algo em torno de 500 e poucas unidades. Vinil tenho cento e alguma coisa. DVDs tenho comprado bastante e ainda mantenho um arquivo de VHS, com algumas coisas que talvez nunca venham a ser lançadas novamente em formato digital. E sim, eu comprei um dos últimos videocassetes (risos).

Qual foi o primeiro disco que você comprou?

Vou dividir em três partes a resposta. Quando criança, ganhei um LP dos Smurfs, que não sei que fim levou. O primeiro que comprei com dinheiro alheio foi o War, do U2. E o primeiro eu pagando foi o Balance, do Van Halen, com a grana que ganhei após fazer um trabalho escolar para os colegas na sexta série.

De qual banda você tem mais itens?

O KISS. Tenho em todos os formatos e é uma das poucas bandas que cheguei a comprar bootlegs.



Quais os discos mais raros que você possui em sua coleção?

Tenho um vinil do Pink Floyd ao vivo na BBC, no início dos anos 1970, que recebeu pouquíssimas prensagens em sua edição original. Hoje ele já foi pirateado a torto e direito, mas antigamente era complicado de encontrar. Tenho um compacto do Wings com a música “Goodnight Tonight” no lado A e “Daytime Nighttime Suffering” no B, que só foi distribuído em rádios. No mais, não tenho muita coisa realmente rara.

Qual álbum você procura há anos e até hoje não conseguiu comprar para a sua coleção?

Um dos meus músicos favoritos é o Richie Kotzen. E a discografia solo dele nunca foi lançada completa no Brasil. Como ainda não enriqueci com a Van, tenho que me contentar em comprar com conta-gotas.

Quais são os seus dez discos favoritos de todos os tempos?

Essa lista muda diariamente, mas no momento seriam (sem ordem definida):

KISS – KISS
Van Halen – Van Halen I
Queen – A Night at the Opera
Black Sabbath – Vol. 4
Rolling Stones – Sticky Fingers
The Beatles – The Beatles (White Album)
Queensrÿche – Operation: Mindcrime
Iron Maiden – The Number of the Beast
Judas Priest – Screaming for Vengeance
Led Zeppelin – Led Zeppelin II

Você mora em uma cidade média do interior do Rio Grande do Sul. Ainda existem lojas de discos em Cruz Alta? Onde você compra os seus discos?

Com a quase falência do meio, as que existiam se viram obrigadas a fechar as portas. Ainda tem a Multisom, que por ser uma grande empresa, consegue sustentar suas filiais. Mas eles dificilmente oferecem algo de interessante para o meu gosto. Acabo comprando pela internet, o que lamento, pois gosto de ir na loja e sair com o produto, poder manusear os discos, encontrar alguma surpresa. Mas não faz mais parte da realidade daqui.

Qual disco e qual música definem a sua vida?

Disco: KISS – Alive!
Música: Whitesnake – Here I Go Again

Pra fechar, quais são os planos da Van do Halen para o futuro? Até onde você acha que o site pode chegar nos próximos anos?

É difícil estabelecer um plano a longo prazo nesse meio, pois as coisas mudam depressa. O segredo é pensar no próximo passo. E agora, estamos entrando em um momento de buscar estabilidade. Estamos cada vez mais profissionalizando o trabalho e torcendo por dias melhores.


Por Ricardo Seelig

Na íntegra: ouça If You Have Ghost, novo EP do Ghost

terça-feira, novembro 12, 2013
A gravadora Spinefarm disponibilizou, na íntegra, o novo EP do Ghost. If You Have Ghost será lançado no próximo dia 19/11 em LP, CD e em formato digital. O título contém quatro covers - “If You Have Ghost” (Roky Ericsson), “I’m a Marionette” (ABBA), “Crucified” (Army of Lovers) e “Waiting for the Night” (Depeche Mode) - e a versão ao vivo de “Secular Haze”, faixa do último disco do grupo, Infestissumam.

If You Have Ghost foi produzido por Dave Grohl, líder do Foo Fighters e baterista do finado Nirvana. Segundo um dos integrantes do Ghost, Grohl inclusive já se apresentou ao vivo com a banda, escondido atrás das roupas e máscaras do grupo.

Aumente o volume e curta If You Have Ghost na íntegra no player abaixo:

Por Ricardo Seelig

Novos vídeos: Hell, 3 Inches of Blood, Kamelot, Avenged Sevenfold, Converge, Satyricon e muito mais

terça-feira, novembro 12, 2013
Começando a terça-feira com novos vídeos bastante interessantes. Tem o Hell causando no Bloodstock Festival, 3 Inches of Blood em estúdio, Converge e Avenged Sevenfold ao vivo, a nova fase do Satyricon e outras pérolas sonoras.

Aumenta que é bom!

 

Por Ricardo Seelig

11 de nov de 2013

Ouça “Crucified”, versão do Ghost para a música do Army of Lovers

segunda-feira, novembro 11, 2013
If You Have Ghost, novo EP da banda sueca Ghost, será lançado dia 19 de novembro pela Loma Vista. O disco traz quatro covers e uma versão ao vivo para “Secular Haze”, faixa do álbum Infestissumam

O grupo regravou “If You Have Ghosts” (Roky Ericsson), “I’m a Marionette” (ABBA), “Crucified” (Army of Lovers) e “Waiting for the Night” (Depeche Mode). Dave Grohl, líder do Foo Fighters, assumiu a produção e, segundo um dos integrantes do Ghost, já tocou em diversos shows da banda escondido atrás da máscara característica dos músicos.

“Crucified” ganhou uma belíssima versão, com muita dramaticidade e cheia de trechos tocantes, onde o destaque, além do arranjo muito bem feito, fica por conta do vocal e do teclado.

Ouça abaixo:

Por Ricardo Seelig

26 Bandas para o Matias: J de Judas Priest

segunda-feira, novembro 11, 2013
Sou um velho. Pelo menos é isso que a minha mente me diz. Fui vasculhar a memória em busca do meu primeiro contato com o Judas Priest, e só encontrei um buraco negro. Não lembro. Não tenho nem ideia. Só sei que foi há muito tempo atrás.

Existem três discos da longa discografia da banda bem claros e em destaque na jornada sonora da minha vida. Unleashed in the East (1979), British Steel (1980) e Defenders of the Faith (1984) fizeram parte da minha adolescência, porém não lembro qual chegou antes. O primeiro encontrei em uma loja de roupas e sapatos que também vendia LPs. O lugar ficava no centro de Passo Fundo, cidade gaúcha onde morei por dez anos e fiz a minha faculdade. Você entrava e via, lá na parede dos fundos, uma estante com diversos discos expostos com as capas em destaque. E lá eu avistei aquela capa emblemática, com um cara com o peito nu vestido de couro dos pés à cabeça. As nove faixas de Unleashed in the East estão marcadas até hoje na minha pele. Com o passar dos anos descobri que de ao vivo o álbum tem quase nada, mas isso não faz a mínima diferença quando estamos lidando com a memória afetiva. O riff de “Running Wild”. A melodia macabra que introduz “The Ripper”. As versões matadoras de “The Green Manalishi (with the Two-Pronged Crown)” e “Diamonds and Rust”. As guitarras cortantes de “Genocide”. E “Victim of Changes”, para mim a melhor canção do Judas. Uma intro com solos dobrados, que evolui em uma arranjo que alterna a parte instrumental com o vocal agudo de Rob Halford. E tudo isso desembocando no imortal trecho atmosférico central, um dos momentos mais fantásticos da história do metal.

Já com o British Steel a história foi outra. Um primo, que hoje é médico e já não ouve tanto rock quanto antes, tinha o LP em sua casa. Peguei emprestado e fiquei enfeitiçado. Havia um novo tipo de heavy metal ali, um som diferente e que, na época, eu não sabia explicar. Era algo mais direto, com canções mais curtas e sem longos trechos instrumentais, substituídos por refrões fortíssimos. Hits grudentos como “Rapid Fire”, “Metal Gods”, “Grinder”, “United” e, sobretudo, a dobradinha formada por “Breaking the Law” e “Living After Midnight”, entravam como adrenalina em meu sangue adolescente. Porém, desde sempre, a minha canção favorita no disco era “The Rage”, com o baixo construindo uma melodia que era levada pela guitarra e bateria, com intervenções certeiras do prato que mais parecia um chicote a massacrar a cabeça, as costas e o corpo todo.

Defenders of the Faith continha uma música distinta. Era um metal grave, potente, avassalador. Era o som pesado inglês puro sangue de hinos como “Freewheel Burning”, “Jawbreaker”, “Rock Hard Ride Free” e “The Sentinel” formando um dos lados A mais inesquecíveis dos anos oitenta. E ainda havia “Eat Me Alive”, a balada sombria “Nights Come Down” e “Some Heads Are Gonna Roll”, apimentadas com o tempero hard rock que pairava sobre o álbum.

Com o tempo, no entanto, fui perdendo o interesse pelo Judas Priest. Devo ser uma das únicas pessoas do mundo que não gosta de Painkiller, disco lançado pela banda em 1990. Quando Halford saiu, então, me distanciei de vez da banda. Com o tempo, tive lapsos de interesse ao redescobrir algum trabalho setentista do grupo, títulos como Sad Wings of Destiny (1976) e Sin After Sin (1977). Fui atrás dos álbuns solo de Rob, mas, tirando o primeiro, achei os demais medianos. E a mesma qualficação dou para os dois discos lançados após o retorno do vocalista.

Por esses motivos, o Matias ainda não ouviu a música do Judas Priest. Eu não a ouço com frequência, e existem tantos artistas e bandas que quero mostrar primeiro para ele que o Judas acabou ficando escondido no fundo da estante. Porém, quando ele finalmente encontrar esses discos, tenho certeza de que ficará tão enfeitiçado quando eu fiquei ao ouvir pela primeira vez, em um tempo que nem eu lembro mais, o trio de clássicos formado por Unleashed in the East, British Steel e Defenders of the Faith.

Até lá, que a música continue iluminando a vida desse velho e de seu filho.

Por Ricardo Seelig

Os cinco melhores discos de heavy metal lançados em outubro segundo o About.com

segunda-feira, novembro 11, 2013
Quando Chad Bowar e a editoria de heavy metal do About.com divulgaram os cinco melhores discos de outubro, foi gratificante ver o Inquisition em primeiro. Uma banda de black metal que, ainda que atualmente esteja radicada nos Estados Unidos, teve origem na Colômbia.

Não há nada de pachequismo nisso. Ninguém quer dar uma de patriota, esse tipo de bobagem. Tampouco há síndrome de Pollyanna, em querer achar que está tudo bem e às mil maravilhas na América do Sul. Ressalto a indicação apenas porque vai ao encontro do que prezamos aqui na Collector's: música além do óbvio. Em qualquer lugar do mundo. E é bom ver que, por lá, também estão fazendo o mesmo.

Obscure Verses for the Multiverse é estupendo e mereceu o topo. Completam a lista os novos lançamentos de Skeletonwitch, Monolithe, Kill Devil Hill e Ihsahn.

E para você, quais os melhores discos do mês? Quais ficaram faltando?

Para ver as listas ao longo de 2013: setembro, agosto, julho, junho e maio (já na Collector's, com os comentários traduzidos); abril, março, fevereiro e janeiro (só no original do site).

1. Inquisition - Obscure Verses for the Multiverse

Dagon, do Inquisition, é, talvez em nível mundial, o melhor compositor de riffs desde James Hetfield e Jeff Hanneman. Seu estilo é distinto e tem a marca não apenas de um bom criador de canções, mas a de um músico único. Há fluxo e refluxo em seus riffs, um estilo que parece deslizar pelas cordas e se mostra, ao mesmo tempo, melódico, cativante e pontuado.

Com Obscure Verses for the Multiverse, o Inquisition mais uma vez criou de forma magistral um álbum que não apenas é um digno sucessor de Ominous Doctrines of the Perpetual Mystical Macrocosm (2011), mas um forte candidato a disco do ano.

2. Skeletonwitch - Serpents Unleashed

Serpents Unleashed é o trabalho mais forte do Skeletonwitch até agora. Os irmãos Garnette e cia percorreram um longo caminho desde suas raízes thrash/black e as ampliaram com a evolução no processo de composição mostrada desde Forever Abomination (2011).

Adicionando um pouco mais de melodia ao seu arsenal, ao mesmo tempo em que mantém a ferocidade do ataque, o Skeletonwitch alcançou o que muitas bandas buscam a cada novo lançamento, mas falham: superar as expectativas dos fãs. Serpents Unleashed é potente e tem o valor de replay que exige ser tocado no volume máximo ao longo dos próximos meses e anos, não apenas em 2013.

3. Monolithe - Monolithe IV

Os franceses do Monolithe exploram um terreno baldio musical bastante ambicioso. Eles focam na origem da humanidade. Monolithe I começou em 2003 esse ciclo conceitual, que continuou através de Monolithe II (2005) e Monolithe III (2012). Um ano depois do último trabalho, chega Monolithe IV. Cada um dos quatro álbuns consiste em uma única música com média de 52 minutos de duração. Toda a Nona Sinfonia de Beethoven dura 72 minutos. Beethoven não é ruim. Monolithe é transcendente.

Nenhuma banda na história jamais fez uma obra-prima tão ativa, contemporânea, natural e verdadeira sobre a morte. Monolithe IV é uma experiência envolvente, uma meditação de metal contada por meio da genialidade de Sylvain Bégot e seus companheiros. Interlúdios interrompem o monólogo de guitarras, cordas, vocais e bateria, mas são apenas engates nesta magnífica marcha fúnebre rumo à eternidade.

4. Kill Devil Hill - Revolution Rise

O que define o Kill Devil Hill para além de muitas bandas menores é que eles sabem como escrever canções que não apenas agitam como um animal, mas também têm a ressonância emocional necessária. Eles mantêm a música com um refino elegante e clássico por sabiamente evitarem uma abordagem de composição universal ao rock.

Ironicamente, as estrelas do show não são Vinnie Appice e Rex Brown, mas o vocalista Jason Bragg (ex-Pissing Razors) e o guitarrista Mark Zavon (ex-W.A.S.P.). Habilmente tocado, produzido de forma imaculada, pegajoso (mas não brega) e com ricas texturas, Revolution Rise é um monstro de álbum.

5. Ihsahn - Das Seelenbrechen

Quinto álbum solo de Ihsahn, Das Seelenbrechen é uma espécie de despedida de seus trabalhos anteriores. E uma despedida consciente. O frontman do Emperor chama isso de "um passo lateral deliberado" e "uma necessidade de redefinir os parâmetros criativos de modo a não cair em uma simples fórmula". Só que certamente há inúmeros elementos de seus outros discos, e o que ele faz é apenas empurrar ainda mais seus próprios limites.

Algumas partes do álbum são improvisadas, o que cria uma sensação de desconhecimento e de não saber exatamente o que está por vir. Sempre há tensão, mesmo nas partes mais suaves das canções. Das Seelenbrechen não é um disco confortável. Ele é desafiador, às vezes confuso e intrigante, mas definitivamente gratificante.

Por Guilherme Gonçalves

Lá fora: as novas edições das revistas sobre música

segunda-feira, novembro 11, 2013
Passando na banca, trazemos abaixo as capas das novas edições das revistas gringas sobre música. Destaque para os 40 anos do AC/DC na Classic Rock, Avenged Sevenfold na Metal Hammer, a nova Prog, edição de 20 anos da Mojo e as homenagens da Rolling Stone e da NME a Lou Reed.

Quais você compraria se algum desses títulos tivesse uma edição nacional?
















Por Ricardo Seelig

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