24 de jan de 2014

Apanhador, Vespas e Selvagens: três letras que fazem pensar

sexta-feira, janeiro 24, 2014
Como ocorre em todo e qualquer gênero musical, a preguiça somada à falta de informação faz com que a maioria dos apreciadores de determinado estilo elogie o passado e olhe com desconfiança para o novo. Isso encontra explicação no saudosismo puro e simples, no medo do que é novidade, na aversão à mudança. Talvez Freud explique, já que nós ficamos apenas no campo das suposições.

O rock brasileiro anda a mil pelo Brasil. Ótimos grupos, talentos surgindo e se consolidando, e vivendo, em sua maioria, em uma realidade distante das rádios, emissoras que se dedicam e refletem em suas programações a mudança de eixo ocorrida na música pop nacional nos últimos anos, saindo do rock e apostando todas as suas fichas no sertanejo universitário (que é, você querendo ou não, o atual pop tupiniquim).

Mas, como dito no primeiro parágrafo, o rock destas terras segue firme e forte. Nossa série Novas Bandas Brasileiras tem mostrado isso, levando até os leitores dezenas de grupos legais que estão fazendo bonito Brasil afora.

Há inteligência. Há inovação. Há destempero. Há paixão. Há talento. Há variedade e qualidade para dar e vender.

Abaixo, selecionamos três das melhores letras surgidas no rock nacional nos últimos tempos. Todas são de canções lançadas em 2013. Este trio têm em comum, além da perspicácia, ironia e inteligência de seus versos, a indignação com o cotidiano, com a realidade que vemos nas ruas, traduzindo essa revolta do ponto de vista do indivíduo - como fazem o Apanhador e os Vespas - ou através da visão coletiva - no caso do Selvagens.

Ouça, pense e divulgue. É bom e faz bem.



Por Ricardo Seelig

Motörhead cancela turnê europeia devido aos problemas de saúde de Lemmy

sexta-feira, janeiro 24, 2014
Quando o Motörhead anunciou a sua próxima turnê europeia, estranhei a quantidade de shows marcados no curto período do giro: 18 em aproximadamente 40 dias. Os recentes problemas de saúde de Lemmy Kilmister, que fizeram a banda cancelar diversas apresentações no final de 2013, ainda estão presentes, e o velho inglês não aguentaria algo tão intenso como o que foi agendado.

Dito e feito. Hoje, o Motörhead fez um anúncio cancelando toda a sua turnê europeia devido aos problemas de saúde de seu líder e ícone. Lemmy não tirou o pé do acelerador e continua bebendo como um cacto sedento e fumando como uma chaminé. Ou seja, está fazendo tudo para que 2014 seja o último ano de sua vida.

Não há nada de charmoso em não conseguir enfrentar os seus vícios, seja você uma lenda do rock com 68 anos de idade como Lemmy ou uma cantora espetacular de apenas 27 como Amy Winehouse. “Ah, mas ele pode fazer o que quer”, dirão alguns. Ao que respondo: e eu, como fã e iniciando a minha quarta década de vida, posso discordar frontalmente dessa atitude.

2014 promete ser complicado para os fãs do Motörhead. Preparem-se, pois se não acontecer uma mudança drástica, as coisas ficarão bastante tristes nos próximos meses.

Por Ricardo Seelig

23 de jan de 2014

Box traz o melhor do Little Feat

quinta-feira, janeiro 23, 2014
A sempre esperta Rhino lançará no próximo dia 25 de fevereiro o box Rad Gumbo: The Complete Warner Bros. Years 1971-1990, reunindo todos os álbuns lançados pelo Little Feat pela gravadora Warner no período. A caixa traz 13 discos, incluindo trabalhos em estúdio e ao vivo.

Liderado pelo ex-guitarrista do Mothers of Invention, Lowell George, o Little Feat tinha uma sonoridade única e eclética, sempre partindo do blues rock para voos altos.

Abaixo, o conteúdo completo do box:

Little Feat (1971)
Snakes on Everything
Strawberry Flats
Truck Stop Girl
Brides of Jesus
Willin’
Hamburger Midnight
Forty-Four Blues/How Many More Years
Crack in Your Door
I’ve Been the One
Takin’ My Time
Crazy Captain Gunboat Willie

Sailin’ Shoes (1972)
Easy to Slip
Cold Cold Cold
Trouble
Tripe Face Boogie
Willin’
A Apolitical Blues
Sailin’ Shoes
Teenage Nervous Breakdown
Got No Shadow
Cat Fever
Texas Rose Café

Dixie Chicken (1973)
Dixie Chicken
Two Trains
Roll Um Easy
On Your Way Down
Kiss It Off
Fool Yourself
Walkin’ All Night
Fat Man in the Bathtub
Juliette
Lafayette Railroad

Feats Don’t Fail Me Now (1974)
Rock & Roll Doctor
Oh, Atlanta
Skin It Back
Down the Road
Spanish Moon
Feats Don’t Fail Me Now
The Fan
Medley: Cold Cold Cold/Tripe Face Boogie

The Last Record Album (1975)
Romance Dance
All That You Dream
Long Distance Love
Day or Night
One Love Stand
Down Below the Borderline
Somebody’s Leavin’
Mercenary Territory

Time Loves a Hero (1977)
Hi Roller
Time Loves a Hero
Rocket in My Pocket
Day At the Dog Races
Old Folks Boogie
Red Streamliner
New Delhi Freight Train
Keepin’ Up with the Joneses
Missin’ You

Waiting for Columbus (Live) (1978)
Join the Band (Live @ Lisner Auditorium, Washington D.C. – 8/10/1977)
Fat Man in the Bathtub (Live @ Lisner Auditorium. Washington D.C. – 8/8/1977)
All That You Dream (Live @ Lisner Auditorium, Washington D.C. – 8/8/1977)
Oh Atlanta (Live @ Lisner Auditorium, Washington D.C. – 8/8/1977)
Old Folks’ Boogie (Live @ The Rainbow Theatre, London – 8/4/1977)
Dixie Chicken (Live @ The Rainbow Theatre, London – 8/3 and 8/4/1977)
Tripe Face Boogie (Live @ The Rainbow Theatre, London – 8/2 and 8/3/1977)
Rocket in My Pocket (Live @ The Rainbow Theatre, London – 8/2/1977)
Time Loves a Hero (Live @ The Rainbow Theatre, London – 8/4/1977)
Day or Night (Live @ The Rainbow Theatre, London – 8/4/1977)
Mercenary Territory (Live @ The Rainbow Theatre, London – 8/2/1977)
Spanish Moon (Live @ Lisner Auditorium Washington D.C. – 8/8/1977)

Waiting for Columbus: Expanded Edition (2002)
Willin’ (Live @ Lisner Auditorium Washington D.C. – 8/8/1977)
Don’t Bogart That Joint (Live @ Lisner Auditorium Washington D.C. – 8/8/1977)
A Apolitical Blues (Live @ The Rainbow Theatre, London – 8/3/1977)
Sailin’ Shoes (Live @ Lisner Auditorium Washington D.C. – 8/10/1977)
Feats Don’t Fail Me Now (Live @ Lisner Auditorium Washington D.C. – 8/9/1977)
One Love Stand (Live @ Lisner Auditorium Washington D.C. – 8/9/1977)
Rock and Roll Doctor (Live @ Lisner Auditorium Washington D.C. – 8/9/1977)
Skin It Back (Live @ The Rainbow Theatre, London – 8/2/1977)
On Your Way Down (Live @ Lisner Auditorium Washington D.C. – 8/10/1977)
Walkin’ All Night (Live @ Lisner Auditorium Washington D.C. – 8/8/1977)
Cold, Cold, Cold (Live @ The Rainbow Theatre, London – 8/4/1977)
Day at the Dog Races (Live @ Lisner Auditorium Washington D.C. – 8/9/1977)
Skin It Back (Live @ Lisner Auditorium Washington D.C. – 8/8/1977)
Red Streamliner (Live @ Lisner Auditorium Washington D.C. – 8/8/1977)
Teenage Nervous Breakdown (Live @ Lisner Auditorium Washington D.C. – 8/8/1977)

Down on the Farm (1979)
Down on the Farm
Six Feet of Snow
Perfect Imperfection
Kokomo
Be One Now
Straight from the Heart
Front Page News
Wake Up Dreaming
Feel the Groove

Hoy-Hoy! (1981)
Rocket in My Pocket (Acoustic Demo)
Rock ‘n’ Roll Doctor (Alternate)
Skin It Back (Live @ Lisner Auditorium Washington D.C. – 8/8/1977)
Easy to Slip (Original Sailin’ Shoes Version)
Red Streamliner (Live @ Lisner Auditorium Washington D.C. – 8/8/1977)
Lonesome Whistle (Lowell George Demo)
Front Page News (Original Melody)
The Fan (Live 1974)
Forty-Four Blues (Original Little Feat Version)
Teenage Nervous Breakdown (Original 1969 Demo)
Teenage Nervous Breakdown (Live @ Lisner Auditorium Washington D.C. – 8/8/1977)
Framed
Strawberry Flats (Original Little Feat version)
Gringo
Over the Edge
Two Trains (Live 1973)
China White
All That You Dream (Live from Lowell George Tribute Concert feat. Linda Ronstadt)
Feats Don’t Fail Me Now (Live 1976)

Let It Roll (1988)
Hate to Lose Your Lovin’
One Clear Moment
Cajun Girl
Hangin’ on to the Good Times
Listen to Your Heart
Let It Roll
Long Time Till I Get Over You
Business As Usual
Changin’ Luck
Voices on the Wind

Representing the Mambo (1990)
Texas Twister
Daily Grind
Representing the Mambo
Woman in Love
Rad Gumbo
Teenage Warrior
That’s Her, She’s Mine
Feelin’s All Gone
Those Feat’ll Steer Ya Wrong Sometimes
The Ingenue
Silver Screen

Selections from Hotcakes and Outtakes (2000)
Faixas ainda não divulgadas

Por Ricardo Seelig

As novas caras do metal - Parte 22

quinta-feira, janeiro 23, 2014


2013 foi um ano que recebeu uma das mais absurdas enxurradas de lançamentos musicais por dia. A quantidade de novos álbuns, de grupos clássicos ou de nomes emergentes, independentemente da vertente, segue a tendência positiva dos últimos anos e soma um tempo muito maior do que o disponível para que conseguíssemos ouvir todos (ou parte deles). E as listas de fim de ano, extremamente dinâmicas e variáveis como pudemos ver nas compilações aqui da Collectors Room, comprovam mais uma vez como muitas bandas têm lançado material de qualidade: afinal de contas, foram centenas de álbuns citados.


Outro fator a ser considerado é como os novos conjuntos têm encontrado cada vez mais “facilidade” para produzir e lançar o seu material, seja de forma independente ou com o apoio de gravadoras menores. Com isso, muitas bandas conseguem colocar no mercado (em seu sentido mais amplo possível) seus álbuns sem depender de inúmeros fatores que possam atravancar o caminho, para o bem ou para o mal (claro, há muita mediocridade por aí).


Isso nos leva a mais uma seleção para As Novas Caras do Metal, desta vez focando em bandas que lançaram seus discos de estreia durante o ano de 2013 (e ok, algumas talvez não sejam exatamente heavy metal):


Beastmilk


A agitação causada pelo disco de estreia do quarteto finlandês Beastmilk em 2013 foi algo semelhante ao ocorrido quando o mundo foi agraciado com o debut do Kvelertak, em um longínquo 2010. O motivo? Talvez o envolvimento de Kurt Ballou como produtor de mais uma banda europeia. Porém, a proposta do novo projeto do inglês Kvohst (que também lidera a finlandesa Hexvessel) segue caminhos completamente diferentes, influenciado por bandas como The Cure, Joy Division e Killing Joke, mas envolvidas por uma névoa muito mais sombria e perturbada. Climax foi lançado pela Svart Records/Magic Bullet em novembro, talvez um pouco tarde demais.



Bosnian Rainbows


A dissolução do The Mars Volta talvez tenha sido uma das piores perdas musicais de 2012. Apesar de terem passado os últimos anos como uma construção prestes a desmoronar, Noctourniquet mostrava que Omar Rodriguez-Lopez e Cedric Bixler-Zavala ainda não haviam esgotado suas inspirações. Mas o que está feito, está feito, e enquanto Cedric montou um novo projeto chamado Zavala, Omar finalmente estabeleceu uma nova banda (depois do surto paranóico de lançar um disco por semana – ou quase isso), batizada de Bosnian Rainbows. A musicalidade mais direta contida aqui, porém, não levantou barreiras para que o quarteto trouxesse a mesma veia experimental, buscando referências na música latina, no progressivo e até no krautrock, sempre devidamente interpretada pela diferenciada voz de Teri Gender Bender. Não é um novo The Mars Volta, mas é tão bom quanto, ao seu modo.




Dangerkids


Algumas pessoas ainda podem pensar no Linkin Park como uma “bandinha nova”. Mas a realidade é que o grupo já está beirando as duas décadas de atividade e, vejam só, influenciando uma nova geração de bandas americanas. E o Dangerkids, quinteto de Ohio, é uma das que mais prestam reverência de forma direta aos californianos, adaptando aquele nu metal cheio de versos do início dos anos 2000 ao post hardcore com profundas tendências eletrônicas, que predomina atualmente nos EUA. Em resumo, imagine uma combinação entre o We Came As Romans com o Linkin Park, e você tem a música apresentada no álbum Collapse (pela Rise Records).



Helium Horse Fly


Experimentos desenfreados são o ponto-chave na música desse grupo belga, o elo de ligação que faz com que cada uma das faixas em seu álbum auto-intitulado seja uma experiência intrigante por si só. De noise rock a hardcore, passando por jazz e metal progressivo, o quarteto formado por Marie Billy, Stéphane Dupont, Dimitri Iannello e Bastien Dupont traz um híbrido que parece saído de algum teatro decadente e de péssima índole no subúrbio do século XVII. Helium Horse Fly é uma banda recomendadíssima àqueles que não se sentem repelidos por uma música que desafia constantemente o ouvinte de forma inesperada (a começar pela capa assustadora).




Lord Dying


Mais uma imundíce apresentada ao mundo pela Relapse Records, o Lord Dying vem da verdejante Portland com uma sonoridade muito próxima daquele stoner sludge das bandas originárias da distante Georgia. Ou seja, pode esperar em Summon the Faithless quase quarenta minutos de algo toscamente produzido, embriagado e chafurdando nos mais enlameados riffs berrados insanamente, que se não são exatamente primores em originalidade, não ficam nem um pouco atrás da qualidade apresentada por nomes já estabelecidos, como Kylesa, Black Tusk e Mastodon.




Lovijatar


O Lovijatar pode facilmente ser considerado mais uma personificação da tradição poética finlandesa com heavy metal. Com letras em seu próprio idioma, o projeto foi iniciado por Jussi Rautio (Battlelore) e Tommi Vaittinen (Elephant Bell) com o objetivo de resgatar mais uma vez as lendas compiladas na Kalevala e combiná-las com as influências de stoner e folk que os músicos carregam. Tanto as faixas apresentadas em seu EP Hämärän Kulkija quanto em Pimeän Tuoja (ambos de 2013) podem ser imaginadas como uma jam descompromissada entre Amorphis e Finntroll ao redor de uma fogueira depois de ambos terem bebido quantidades exorbitantes de sima.




Miserium


Com origem não muito distinta em relação a outras bandas de metal progressivo, o Miserium foi formado por estudantes da Liszt Academy of Music, na Hungria, e, apesar de ter sido concebido como ideia em 2003, foi apenas em janeiro do ano passado que seu primeiro trabalho, Return to Grace, finalmente viu a luz do dia. Prioritariamente, o grupo pode ser classificado como algum tipo de extreme prog metal, mas seria injustiça desconsiderarmos todas as nuances e elementos nas 14 faixas do álbum, que mantém a coerência mesmo ao abranger influências de melodeath, technical death metal e música clássica, unida por uma esquisitíssima atmosfera que traz outra centelha de vida a um estilo em declínio.



Noala


Com trajetória semelhante ao próprio som, o Noala desenvolveu a sua identidade lentamente ao longo de quatro anos de ensaios, apresentações e experimentos sonoros, culminando em sua estreia batizada de Humo. Com base no underground paulistano, o quinteto é comumente comparado ao Godflesh e ao Neurosis, em uma reencarnação que não se limita às suas influências dentro do post-metal e suas variações, e não teme as possibilidades. Com agressivas tendências semi-instrumentais, aonde os vocais agonizantes preenchem apenas esparsas lacunas em meio às camadas de caos, as estrutura das faixas fazem justiça ao nome do trabalho, como um processo vagaroso e desesperador de decomposição da própria música em si.




Seeds of Iblis


Enquanto o Ghost mantém-se anônimo como parte da sua proposta teatral, o grupo iraquiano Seeds of Iblis faz disso algo, no mínimo, necessário. Afinal de contas, em teoria, eles fazem parte de um conjunto de bandas do Oriente Médio (ao lado de Jananza, Mosque of Satan, False Allah e  تدنيس ) que pregam contra o islamismo, denominado Arabic Anti-Islamic Legion. Simplesmente em teoria, pois a real identidade de qualquer um de seus integrantes nunca foi divulgada, assim como qualquer informação relacionada ao Seeds of Iblis pode ser de fato confirmada (justificável se considerarmos as circunstâncias – muito mais sérias atualmente do que alguns nórdicos queimando igrejas). O seu primeiro trabalho, Anti Quran Rituals, foi lançado pela Ummerciful Death Productions, e assim como os EPs anteriores (Jihad Against Islam, de 2011, e The Black Quran, de 2013), apresenta um black metal em suas manifestações mais cruas, combinado com músicas e rituais orientais tradicionais. Intrigante.



Vattnet Viskar


Nos últimos anos, o black metal tem se mostrado um estilo em ascensão nos Estados Unidos (provavelmente seguindo a onda da popularização de músicas cada vez mais extremas por lá), mas de uma forma diferente se considerarmos as propostas das bandas atuais, como o Wolves in the Throne Room, Nachtmystium, Abigail Williams, Leviathan e, agora, o Vattnet Viskar, que estreou de forma respeitosa com Sky Swallower, já pela Century Media. As composições do grupo de New Hampshire seguem aquela linha de pensamento que alterna entre o mais caótico metal extremo que se assemelha a uma colmeia enfurecida com momentos de pura contemplação e tranquilidade. Algo entre o Fen e o Enslaved, que lembra razoavelmente certo disco de capa rosa que muita gente gostou em 2013.



Por Rodrigo Carvalho

22 de jan de 2014

Michael Angelo Batio: crítica de Intermezzo (2013)

quarta-feira, janeiro 22, 2014
Michael Angelo Batio é daqueles que possuem mais detratores do que admiradores. Tal ódio é justificado por uma sequência de álbuns ruins que comprovam que, em se tratando de guitarra, velocidade não é tudo. Ser considerado o guitarrista mais rápido do mundo o elevou ao status de divindade do rock — pelo menos na sua cabeça — e a preocupação com o aspecto musical de seus lançamentos foi relegada ao segundo plano. Parecia ser mais legal — e lucrativo — se manter no esquema clínicas/workshops, servindo de garoto-propaganda de modelos de guitarra sem potencial de vendas e, indiretamente, desencorajando jovens guitarristas a abandonarem o instrumento.

Diante desse background mais desfavorável que qualquer outra coisa, é normal que todo material lançado por MAB seja recebido com um misto de desconfiança e quase certeza de lixo sonoro. Mas em Intermezzo, lançado no finalzinho de 2013, Angelo mostra um senso musical que não se ouvia desde No Boundaries (1995), com foco total nas composições e não apenas no exibicionismo que data dos tempos do Nitro — quem não se lembra da guitarra de quatro braços no clipe de "Freight Train"???! Pela primeira vez em muito tempo as instrumentais não soam como composições de Yuzo Koshiro para games de Mega Drive, por mais que em alguns momentos a bateria programada ninguém possa negar.

Para se manter nos eixos, MAB contou com uma extensa lista de convidados — algo que ele já havia feito anteriormente, mas sem resultado positivo — que inclui Michael Romeo, George Lynch, Craig Goldy e até mesmo o cada vez mais ermitão Chris Poland. A principal faixa do CD, "8 Pillars of Steel", inclui solos de seis outros guitarristas além de Michael. Uma levada jazz pra lá de gostosa dá as caras em "5 Four Ever". Já o encerramento com "Overload" é puro speed metal, com direito a um riff de guitarra monstruoso e uma mistura certeira de efeitos e alavancadas. Essa, se fosse mais curta, certamente disputaria como instrumental do ano. Que Batio se mantenha neste caminho — ou o aprimore ainda mais — nos próximos discos!

Nota 7,5

1. Intermezzo
2. Kaleidoscope Images
3. Oceans of Time
4. I Pray the Lord
5. 8 Pillars of Steel (feat. Elliott Dean Rubinson, Dave Reffett, Jeff Loomis, Rusty Cooley, George Lynch, Andrea Martongelli and Craig Goldy)
6. The Possession – A Tone Poem
7. 5 Four Ever (feat. Alex Stornello and Guthrie Govan)
8. Juggernaut (feat. Chris Poland, Dave Reffett, Annie Grunwald, Guthrie Govan, Mike Lepond and Michael Romeo)
9. Overload Intro (feat. Florent Atem)
10. Overload (feat. Tobias Hurwitz, Ken Burridge, Darren Burridge, Bill Peck, Peter Ema, Joe Rose, Joe Stump, Florent Atem and Maxxxwell Carlisle)

Por Marcelo Vieira

Clássico do Pantera ganha edição comemorativa

quarta-feira, janeiro 22, 2014
O sétimo disco do Pantera, Far Beyond Driven (1994), voltará às lojas dia 25 de março em uma versão comemorativa aos seus vinte anos. A nova edição do álbum, um dos maiores sucessos comerciais da banda e do metal na década de 1990 (estreou em primeiro lugar na Billboard em pleno auge do grunge), será dupla. O primeiro CD trará o disco remasterizado, enquando o segundo será dedicado à performance do quarteto no festival Monsters of Rock de 1994.

Abaixo, o tracklist completo de Far Beyond Driven: 20th Anniversary Edition:

CD 1
1. Strength Beyond Strength

2. Becoming

3. 5 Minutes Alone

4. I'm Broken

5. Good Friends and a Bottle of Pills

6. Hard Lines, Sunken Cheeks

7. Slaughtered

8. 25 Years

9. Shedding Skin

10. Use My Third Arm

11. Throes of Rejection

12. Planet Caravan

CD 2 – Far Beyond Bootleg - Live From Donington '94
1. Use My Third Arm

2. Walk

3. Strength Beyond Strength

4. Domination/Hollow

5. Slaughtered

6. Fucking Hostile

7. This Love

8. Mouth For War

9. Cowboys From Hell

Por Ricardo Seelig

21 de jan de 2014

+ R.I.P. Hélcio Aguirra (03/04/1959 - 21/01/2014) +

terça-feira, janeiro 21, 2014
O guitarrista Hélcio Aguirra, fundador da banda Golpe de Estado e um dos maiores nomes do instrumento no Brasil, foi encontrado morto em seu apartamento em São Paulo na tarde desta terça-feira, 21 de janeiro.

Neste momento o corpo está no Instituto Médico Legal da capital paulista, onde passa por uma autópsia para determinação da causa da morte. A família suspeita que o músico tenha sofrido um infarto.

Hélcio Aguirra tinha 56 anos.

Nossas condolências à família e aos fãs.

Por Ricardo Seelig

Novas Bandas Brasileiras - Parte 3

terça-feira, janeiro 21, 2014
Terceira parte do nosso especial dedicado aos novos nomes do rock produzido aqui no Brasil (você pode conferir as duas primeiras edições aqui e aqui). Mais uma vez temos bandas de todo o país, todas trilhando o seu caminho dentro do rock. A maioria são grupos recentes, mas abrimos espaço também para alguns nomes já veteranos mas que não tem muita divulgação.

Obrigado a todos os leitores que enviaram colaborações, e aguardamos mais dicas nos comentários deste post. E para as bandas, um convite: enviem o seu material para o e-mail falacollectorsroom@gmail.com e ele poderá aparecer aqui.

Abaixo você tem músicas do The 900, Space Truck, Vlad V, Impéria, Eu Acuso!, Blackjaw, Rodrigo Chaise, Marujo Cogumelo, Filtra, Fuzzcas, Visagem, Little Drop Joe, Diablo Motor e Bala N’agulha. Se curtiu a banda, vá atrás de mais material nos sites e redes sociais dos grupos.

Aumenta que é bom!


Disco de estreia do The Winery Dogs ganha edição especial

terça-feira, janeiro 21, 2014
O muito bem recebido disco de estreia do The Winery Dogs, o super trio formado por Richie Kotzen, Billy Sheehan e Mike Portnoy, será relançado com diversos materias extras.

Em abri chegará às lojas The Winery Dogs Special Edition, edição dupla trazendo no primeiro CD o álbum original e no segundo o ao vivo Unleashed in Japan 2013 com dez músicas gravadas ao vivo no Japão, além da inédita “Criminal”. Acompanha o pacote um encarte com 16 páginas.

Para os mais fanáticos será disponibilizada também um box em formato de embalagem de ração para cães chamado Dog Treats: The Winery Dogs Deluxe Special Edition que incluirá, além dos dois discos, um DVD com clipes e entrevistas, faixas demos, um diário de estúdio escrito por Mike Portnoy, além de itens de merchandise.

Por Ricardo Seelig

Bruce Springsteen: crítica de High Hopes (2014)

terça-feira, janeiro 21, 2014
No futebol, quando um jogador está vivendo uma fase onde tudo dá certo, onde basta a bola bater em seu corpo que já entra, há uma gíria que define esse momento: ele está “fedendo” gol. É um termo pitoresco mas totalmente apropriado, que usa a linguagem popular para explicar, de maneira simples e direta, a fase iluminada que o atleta vive.

Na música, Bruce Springsteen atravessa algo semelhante há mais de uma década. Desde The Rising, disco lançado em 2002, Bruce está “fedendo” música. Não que não estivesse antes, mas a solidez e a constância encontradas nos oito álbuns lançados por Springsteen no período fazem com que o seu momento atual possa ser classificado, sem exagero algum, como um dos mais criativos de sua longa trajetória.

A música de Bruce Springsteen começou a fazer sentido para mim em 2006, e não foi através de suas próprias ideias, mas sim por meio das composições de outro artista. É claro que eu conhecia e já havia tido contato com inúmeras faixas do filho mais ilustre de New Jersey, mas foi com o álbum We Shall Overcome: The Seeger Sessions que as coisas mudaram de figura para este escriba. A maneira arrebatadora com que Bruce reinterpretou o catálogo de Seeger, um dos principais nomes da música tradicional norte-americana, fez não apenas com que este disco figurasse fácil entre os meus preferidos mas, principalmente, me levou até a obra de Springsteen de maneira definitiva. Desde então, acompanho com expectativa, alegria e uma inevitável satisfação cada novo lançamento seu. Foi assim com Magic (2007), Working on a Dream (2009) e Wrecking Ball (2012). E, para minha alegria, essa sensação se repetiu com High Hopes (2014).

O novo álbum de Bruce Springsteen, o décimo-oitavo de sua discografia, traz doze faixas. Destas, nove são composições que estavam no arquivo de Springsteen - algumas já haviam sido registradas, outras não -, e três são de outros autores: “High Hopes” (Tim Scott McConnell), “Just Like Fire Would” (Chris Bailey) e “Dream Baby Dream” (Martin Rev e Alan Vega). Como cereja do bolo de todo o projeto, um toque de mestre: Steven Van Zandt, o guitarrista titular da E Street Band (para quem não sabe, a banda que acompanha The Boss há décadas), também é ator (assista a cultuada série The Sopranos e encontre-o por lá) e está trabalhando em uma nova série de TV intitulada Lillyhammer. Para o seu lugar, Bruce chamou um dos instrumentistas mais originais da história da guitarra: Tom Morello, do Rage Against the Machine, que toca em dez das doze faixas. A adição de Morello à azeitadíssima E Street Band é um dos fatores responsáveis por fazer High Hopes elevar-se a um nível superior, mantendo a alta qualidade dos trabalhos lançados por Springsteen nos anos 2000.

Isso fica claro em canções como a excelente faixa-título, que abre o CD com a exuberância musical habitual da E Street Band - fato comprovado nos incríveis shows realizados por Bruce no Brasil em 2013. E, já de saída, percebe-se o quanto a contribuição de Morello é decisiva para High Hopes, com intervenções certeiras nas bases e solos cheio de melodia e personalidade. Levando o ouvinte através de composições de alto quilate como “Harry’s Place”, “American Skin (41 Shots)”, “Heaven’s Wall” e “Frankie Fell in Love”, Springsteen consegue emocionar até quando apela para o sentimentalismo barato de “Dream Baby Dream”, composição mediana que encerra o álbum.

Mas o grande momento de High Hopes, lado a lado com a faixa-título, não poderia ser outro a não ser a releitura de “The Ghost of Tom Joad”, uma das melhores canções que Bruce Springsteen deu ao mundo. Lançada originalmente em 1995 no álbum que a batiza, a faixa foi inspirada na composição homônima de Woody Guthrie e traz uma das letras mais inspiradas do artista. Ela é o elo que liga Springsteen a Morello, pois o Rage Against the Machine a regravou no álbum de covers Renegades (1997). O que Bruce e Tom fazem com “The Ghost of Tom Joad” é admirável, conduzindo a canção ao paraíso alternando-se nos vocais e com solos de guitarra em dueto que soam absolutamente brilhantes e arrepiantes. Sozinha, essa versão de “The Ghost of Tom Joad” já seria capaz de sustentar o álbum completo, mas, para alegria de quem gosta de música, o disco vai além.

High Hopes é mais um capítulo inspirado da discografia de Bruce Springsteen, e um dos documentos da esplêndida e iluminada fase vivida pelo músico norte-americano nos últimos anos, com álbuns excelentes e shows antológicos em todo o planeta. Bruce é hoje uma das mais perfeitas traduções do poder transformador da música, em como a arte pode mudar a vida de milhões de pessoas ao redor do planeta. Como um líder conduzindo seus soldados, Springsteen marcha impávido e colosso mundo afora colocando sorrisos no rosto das pessoas e enchendo de cores os dias cinzentos com uma bagagem carregada por toneladas de criatividade, sentimento e inspiração. Neste sentido, um álbum com o título de grandes esperanças não poderia soar mais apropriado.

Nota 8

Faixas
1 High Hopes
2 Harry’s Place
3 American Skin (41 Shots)
4 Just Like Fire Would
5 Down in the Hole
6 Heaven’s Wall
7 Frankie Fell in Love
8 This is Your Sword
9 Hunter of Invisible Game
10 The Ghost of Tom Joad
11 The Wall
12 Dream Baby Dream

Por Ricardo Seelig

Capa e tracklist do novo álbum do Black Label Society

terça-feira, janeiro 21, 2014
O Black Label Society lançará no dia 7 de abril o seu nono álbum de estúdio, Catacombs of the Black Vatican. O sucessor de Order of the Black (2010) marcará a estreia do guitarrista Dario Lorina, substituto de Nick Catanese, que deixou a banda em 2013.

O disco trará onze faixas inéditas, além de duas músicas bônus nas edições especiais. Abaixo a capa, o tracklist completo e o trailer super true estrelado por Zakk Wylde:


1 Fields of Unforgiveness
2 My Dying Time
3 Believe
4 Angel of Mercy
5 Heart of Darkness
6 Beyond the Down
7 Scars
8 Damn the Flood
9 I’ve Gone Away
10 Empty Promises
11 Shades of Gray
12 Dark Side of the Sun (bônus)
13 The Nomad (bônus)


Por Ricardo Seelig

19 de jan de 2014

Galeria de fotos: os 9 mandamentos do Machine Head

domingo, janeiro 19, 2014
Na estrada desde o início da década de 1990, o Machine Head já experimentou diversas sonoridades em sua carreira. Liderada pelo vocalista e guitarrista Robb Flynn, a banda norte-americana vive uma fase espetacular nos últimos anos, lançando discos excepcionais que a credenciam como o próximo gigante do heavy metal.

Abaixo, uma retrospectiva visual com toda a discografia da banda, repleta de ótimos álbuns e trabalhos desafiadores. 


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