15 de mar de 2014

Rock in Rio dá a entender que show histórico acontecerá na edição 2015do festival

sábado, março 15, 2014
Antes de tudo: não tem nada confirmado. Mas há pistas. 

A revista Blitz, principal publicação musical de Portugal, informou que os Rolling Stones devem ser anunciados nos próximos dias como uma das atrações do Rock in Rio Lisboa. A banda tocaria na abertura do festival, em 23 de maio, data que também seria o início do giro europeu da turnê 14 on Fire, ou no dia 29/05. Até aí nada demais, afinal o show é lá na Europa.

O que interessa é o seguinte: o site do Rock in Rio brasileiro postou a mensagem que ilustra este post. Eu aposto a minha coleção de discos dos Stones no seguinte: a organização da edição brasileira também está próxima de anunciar a banda como o grande nome da edição 2015 do evento. Lembrem-se: é normal as bandas que tocaram nas edições européias do RiR virem para cá em seguida, e vice-versa. E, sendo bem claro, que show teria o aspecto de "histórico" vendido na imagem que não os Stones? AC/DC? Não saíram do retiro ainda. Pink Floyd? A banda ainda existe? The Who? Nunca teve a mesma popularidade desses três nomes aqui no Brasil.

É uma suposição, mas, como já disse, aposto alto nessa hipótese.

As pedras vão rolar. 

Por Ricardo Seelig

10 coisas que os fãs não entendem

sábado, março 15, 2014

- Músicos nem sempre são amigos. Mas não há problema nisso. Uma banda é uma empresa. Há interesses em jogo. Não se surpreenda ao descobrir que os caras nem se falam. Na verdade, eles nem precisam. É como um time. Ninguém precisa se amar, basta um passar a bola pro outro. Sei que isso mata aquela ilusão, mas é a verdade. E fica melhor aceitando. Você sofre menos.

- Salvo raras exceções, aquela banda que você tanto gosta só não se reúne pelo simples fato que não vai ganhar tanto dinheiro nem reunir tanto público quanto alguns imaginam. O ódio e as mágoas do passado não são tão importantes assim diante de um cheque polpudo e uma multidão.
- Tem também aquela banda que você adora e nunca vem para cá. Com exceção do Pink Floyd (que já foi pro saco), isso só aconteceu porque ela não tem tanto público quanto você acha por aqui. Vide o Def Leppard, que tocou para 250 pessoas no Rio e teve data em São Paulo cancelada por baixa venda de ingressos.
- Frases como “os fãs da banda querem isso”, “vocês estão desrespeitando seus fãs ao não fazerem aquilo” sempre são FALSAS! Não use sua opinião pessoal como se estivesse representando milhões de admiradores de um grupo. Cada um pensa de uma maneira.
- Nem sempre uma banda muda de estilo por propósitos comerciais. Às vezes, seria bem mais fácil ficar com o som do passado e manter o sucesso daquela forma. Mas eles preferem arriscar, o que é louvável. Se melhorou ou piorou, aí já é uma questão de avaliação pessoal.
- Os festivais brasileiros não possuem aquele formato dos europeus porque seria muito mais caro fazer algo do tipo aqui. Basta ver o que aconteceu quando tentaram. Lá, há uma rota de países, que facilita o deslocamento por vias terrestres, possibilitando com que cada local tenha o seu evento em um final de semana diferente. Para isso acontecer por aqui, teríamos que organizar algo semelhante – e depender da boa vontade das bandas dos outros continentes em ficar dois meses longe de casa sem intervalos.
- Quando duas bandas brigam ou possuem rivalidade, você não precisa tomar partido de um dos lados. Continue gostando de ambas. Deixe que eles briguem, isso não o impede de apreciar a obra de ambas. E no mais, você não ganha nada ao escolher um lado.
- Não tem problema o seu músico preferido não ser o melhor tecnicamente. Continue o exaltando. Se técnica fosse o mais importante, John Petrucci seria melhor que Johnny Ramone. E você sabe que não é. O culhão é o mais importante. Junto com a criatividade, é claro. Fazer mais com menos sempre é louvável.
- Os fãs podem ficar bravos à vontade quando uma banda atinge grandes públicos e deixa de ser o seu segredinho pessoal. Mas esse é o objetivo de qualquer uma delas. Quanto mais gente, melhor. Se eles não quisessem divulgar para ninguém, ficariam no porão de casa. Seria altamente true.
- As provocações e ironias fazem parte do processo. Como nesta lista. Se você ficou bravo com algo que escrevemos, está fazendo papel de bobo. Exatamente como queríamos.
Por João Renato Alves, da Van do Halen

14 de mar de 2014

Killer Be Killed, projeto reunindo Max Cavalera, Troy Sanders e Greg Puciato, revela suas duas primeiras músicas

sexta-feira, março 14, 2014
O Killer Be Killed, supergrupo formado por Max Cavalera, Troy Sanders (Mastodon), Greg Puciato (The Dillinger Escape Plan) e Dave Elitch (The Mars Volta) revelou ao mundo os dois primeiros frutos desta reunião de gigantes.

No vídeo abaixo, com pouco mais de 8 minutos de duração, é possível ouvir na íntegra as faixas “Wings of Feather and Wax” e “Face Down”. O que chama atenção é a união muito bem casada entre a agressividade nata (e esperada) de um projeto envolvendo o quarteto com poderosas e grudentas linhas vocais - principalmente na primeira música -, resultando em uma espécie de híbrido entre Sepultura/Soulfly e Mastodon. Max, Troy e Greg se alternam nos vocais, e o resultado final é poderoso.

O disco de estreia do Killer Be Killed será lançado dia 13 de maio pela Nuclear Blast. A julgar por essas duas primeiras faixas, vem coisa muito boa por aí.



Por Ricardo Seelig

Ouça “Sabre & Torch”, nova música do Edguy

sexta-feira, março 14, 2014
O Edguy divulgou o lyric video de “Sabre & Torch”, primeiro single de seu novo álbum, Space Police - Defenders of the Crown. O disco, o décimo trabalho da banda alemã, será lançado dia 18 de abril pela Nuclear Blast.

Nossa opinião? Divertido e alto astral como tudo que vem de Tobias Sammet.

Ouça “Sabre & Torch” no player abaixo, e divida as suas impressões sobre a faixa com a gente nos comentários:



Por Ricardo Seelig

13 de mar de 2014

Led Zeppelin anuncia box sets

quinta-feira, março 13, 2014
Já era falado há alguns meses que Jimmy Page estava trabalhando em boxes especiais para todos os álbuns do Led Zeppelin. Agora, finalmente, temos noção do que vem por aí.

A banda anunciou as edições especiais dos seus três primeiros discos, devidamente remasterizados, e o conteúdo adicional que elas conterão. As novas versões chegarão às lojas dia 3 de junho e estarão disponíveis em diversos formatos: CD simples, CDs duplos deluxe edition, vinil simples, LPs triplos e duplos em deluxe edition e um box chamado Super Deluxe Edition.

Abaixo você confere o conteúdo extra das novas edições dos três primeiros álbuns do grupo. Para maiores informações, acesse o site oficial da banda:

Led Zeppelin Deluxe Edition Bonus Disc: Live At The Olympia — Paris, France, October 10, 1969

1. ‘Good Times Bad Times/Communication Breakdown’

2. ‘I Can’t Quit You Baby’

3. ‘Heartbreaker’

4. ‘Dazed And Confused’

5. ‘White Summer/Black Mountain Side’

6. ‘You Shook Me’

7. ‘Moby Dick’

8. ‘How Many More Times’

Led Zeppelin II Deluxe Edition Bonus Disc Track Listing:

1. ‘Whole Lotta Love’ (alternate mix)

2. ‘What Is and What Should Never Be’ (alternate mix)

3. ‘Thank You’ (backing track)

4. ‘Heartbreaker’ (alternate mix)

5. ‘Living Loving Maid (She’s Just A Woman)’ (backing track)

6. ‘Ramble On’ (alternate mix)

7. ‘Moby Dick’ (alternate mix)

8. ‘La La’ (previously unreleased song)

Led Zeppelin III Deluxe Edition Bonus Disc Track Listing:

1. ‘The Immigrant Song’ (unreleased version)

2. ‘Friends’ (unreleased version)

3. ‘Celebration Day’ (unreleased version)

4. ‘Since I’ve Been Loving You’ (unreleased version)

5. ‘Bathroom Sound’ (instrumental version of ‘Out on the Tiles’)

6. ‘Gallows Pole’ (unreleased version)

7. ‘That’s the Way’ (unreleased version)

8. ‘Jennings Farm Blues’ (previously unreleased song)

9. ‘Keys to the Highway/Trouble in Mind’ (previously unreleased song)

Por Ricardo Seelig

12 de mar de 2014

House of Lords: crítica de Precious Metal (2014)

quarta-feira, março 12, 2014
Não é surpresa para mais ninguém um novo álbum do House of Lords a cada dois ou três anos. Apesar das mazelas volta e meia enfrentadas por algum integrante, o grupo vem mantendo a regularidade em relação aos lançamentos. Mas é justamente aí que mora o problema.

Na bola — ou bolacha — da vez, Precious Metal, a exemplo de bandas como Grave Digger, Hammerfall e muitas outras, o HOL se rende novamente à fórmula do auto-plágio, oferecendo canções que não incorporam nada de novo ou marcante na sonoridade ainda funcional, que até empolga na primeira audição, mas não gruda na mente a longo prazo.

Sobre a banda, sejamos francos: James Christian ainda é um vocalista acima da média e Jimi Bell é um guitar hero por excelência. Em se tratando de qualidade técnica, não tem discussão: a dupla é peso pesado. A produção é detalhista e vislumbra os mínimos detalhes, como se cada canção tivesse sido cuidadosa e demoradamente lapidada — aliás, esta parece ser uma prática comum nos discos de AOR e afins chancelados pela italiana Frontiers.

A abertura com "Battle" já denuncia algo que venho observando há tempos: uma aproximação do HOL com o metal de qualidade europeia. A afinação baixa para assegurar aquele pegadão violento, a sobreposição de instrumentos como se fossem andares de um sanduíche a metro e o teclado sempre lá, estourando agudo nos speakers. Tem também as vocalizações harmoniosas e os solos virtuosos com timbre arredondado que a gente ouve desde World Upside Down (2005).

"I'm Breaking Free" aponta diretamente para os velhos tempos, com um refrão que é pura farofa oitentista. Na bateria, BJ Zampa assegura o backbeat com timing que permite girar a baqueta — bem... eu pelo menos consigo visualizar isso! “Live Every Day (Like It’s the Last)” se arrasta carregando uma mensagem positiva na letra, enquanto “Permission to Die” põe o pé direito fora da zona de conforto com um leve quê de versatilidade.

A faixa-título começa como muitas outras já registradas pelo HOL, na base do violão, com vocal crescendo à medida que a emoção floresce na interpretação ainda inabalável de Christian. Já em "Raw", quem brilha é Jimi Bell, voando baixo nas seis cordas. A música, em si, é ruim. "Action" é o que se pode chamar de canção das antigas com abordagem moderna e divide o caneco com "I'm Breaking Free". O restante, como era de se esperar, é da categoria mais do mesmo.

Entusiastas do melodic rock e das bandas do segundo escalão, obviamente, darão a este disco o tratamento de um futuro clássico, mas, definitivamente, falta potencial para tanto. O que de mais clássico Precious Metal tem a oferecer é, de fato, a mesma espadinha de Sahara (1990) — este sim, um clássico — na capa.

Nota 6,5

1. Battle
2. I’m Breaking Free
3. Epic
4. Live Every Day (Like It’s the Last)
5. Permission to Die
6. Precious Metal
7. Swimmin’ with the Sharks
8. Raw
9. Enemy Mine
10. Action
11. Turn Back the Tight
12. You Might Just Save My Life

Por Marcelo Vieira

Matt Sorum’s Fierce Joy: crítica de Stratosphere (2014)

quarta-feira, março 12, 2014
É interessante notar como certos artistas têm a capacidade de se reinventar e entregar algo completamente inusitado a seus fãs em determinado ponto de suas carreiras. Quando você pensa que não há nada mais que o músico em questão possa oferecer além de seu já tradicional e conhecido estilo, ele aparece e solta um punhado de composições fugindo à regra de tudo aquilo que se espera dele, se é que deveria haver uma.

É exatamente essa a impressão que se tem ao ouvir o mais recente projeto do baterista norte-americano Matt Sorum, que ganhou fama após uma carreira de sucesso empunhando as baquetas para bandas do calibre de The Cult, Guns N’ Roses, e mais recentemente, para o Velvet Revolver. Com a indefinição sobre um novo vocalista e a pausa nas atividades de sua última banda, Matt compôs uma série de canções que ganham a luz do dia sob o nome de Stratosphere, o debut do projeto solo Matt Sorum’s Fierce Joy.

A curiosidade sobre o nome da banda vêm por conta de sua origem, surgido quando Sorum substituiu temporariamente o baterista Mickey Dee no Motörhead, em 2009. Em uma conversa com Lemmy Kilmister, o veterano líder do trio disse sentir uma “alegria feroz” em ainda estar gravando e fazendo turnês. Com a autorização do velho lobo, o baterista decidiu utilizar o nome em seu projeto que já vinha tomando forma desde então.

Um aviso de antemão: não espere nada do que você já ouviu antes de Sorum! A fúria do baterista em composições do mais puro hard rock de outrora em suas bandas anteriores deu lugar a um clima intimista, sereno e com uma veia totalmente voltada para o pop rock, em alguns momentos flertando com o folk e o progressivo. Percebe-se em Stratosphere influências de Beatles, Neil Young, Bob Dylan, David Bowie e, em certos momentos, até mesmo de Pink Floyd. O line up é formado por músicos pouco conhecidos na cena como Randy Ray Mitchell (guitarra, lap steel e slide), Paul III (baixo), Scott Breadman (percussão), Damon Fox (teclados, órgão, mellotron e mini-moog), Brian McCloud (bateria), Lili Haydn (violino), Cameron Stone (violoncelo), Sussan Deyhim (vocais de apoio) e arranjos orquestrais de Thomas Morse. Matt Sorum aqui aparece produzindo, gravando os violões e vocais principais. E não é o cara leva jeito para a coisa? Seu timbre de voz grave se encaixou muito bem com o clima de cada canção, aliado à preferência de Sorum por timbres limpos e cristalinos, violões, arranjos de cordas e pianos em uma ou outra canção. Em Stratosphere, riffs ferozes dão lugar a acordes soltos e músicas com despretensão e sutilezas desconcertantes, com um clima ideal para apresentações em casas de show menores, em detrimento das grandes arenas por onde Matt Sorum já tocou com suas bandas anteriores.

Stratosphere é um disco predominantemente acústico, que tem início com a cinematográfica “Intro (Stratospere Part 1)”, para vir na sequência com “The Sea”, primeiro single do projeto, com seu apelo pop e guitarras lap steel de Ray Mitchell ao melhor estilo David Gilmour, típico para se ouvir em um belo amanhecer ensolarado. Aliás, esse clima predomina ao longo das quatorze canções distribuídas nos pouco mais de cinquenta minutos de Stratosphere, o que o torna sua audição muito agradável e prazerosa. Em seguida, como o título sugere, vem a “bowiana” e excelente “What Ziggy Says”, forte candidata a uma das melhores do disco, juntamente com “Lady of the Stone”, que mescla sons limpos de guitarra e dissonâncias com um belo arranjo de cordas e mudanças de andamento, flertando claramente com o progressivo. 

O caráter experimental do projeto fica explícito no clima tranquilo e atmosférico de “The Lonely Teardrop”, onde Sorum soa como um trovador espacial, mesclando vocais sussurrados com sons da natureza, como gotas d’água e canto de pássaros. Outras canções que merecem destaque em Stratosphere são as belas “Goodbye to You” e “Blue”. “Outro (Stratosphere Part 2)”, continuação da primeira parte, encerra o disco da mesma forma como começou,  como se o próprio Sorum sobrevoasse a estratosfera em órbita a bordo de uma nave espacial contando suas impressões à Terra sobre essa viagem em forma de música um tanto inusitada que foi.

Não se sabe se o projeto irá vingar, nem quais os rumos que Matt Sorum dará á sua “alegria feroz”. Mas é certo que o músico recomeçou com um belo trabalho digno de nota, que dá vontade de ficar ouvindo por horas e horas, contemplando e pensando na nossa própria existência terrestre. Só por isso Stratosphere já vale a audição!

Nota 8

Faixas:
1 Intro (Stratosphere Part 1)
2 The Sea
3 What Ziggy Says
4 For The Wild Ones
5 Goodbye to You
6 Gone
7 Lady of the Stone
8 Ode to Nick Drake
9 Blue
10 Josephine
11 Land of the Pure
12 Killers n’ Lovers
13 The Lonely Teardrop
14 Outro (Stratosphere Part 2)

Por Tiago Neves

11 de mar de 2014

Nova biografia do Sepultura será lançada nos próximos meses

terça-feira, março 11, 2014
Em comemoração aos 30 anos de carreira do Sepultura, a editora Benvirá lançará nos próximos meses uma nova biografia da banda. Escrito pelo norte-americano Jason Korolenko, o livro terá o título de Relentless - 30 Years of Sepultura e contará a história do grupo desde o seu início, passando pelo crescimento, auge, separação e renascimento.

Segundo Jason, “o Sepultura é um fenômeno. A banda surgiu em um país que estava passando por uma mudança política e econômica e se tornou o primeiro e único grupo brasileiro a conquistar uma sólida carreira internacional, vendendo mais de 20 milhões de discos em todo o planeta. A história do Sepultura é uma história com temas universais como luta, mudança e evolução, e o livro será lançado primeiramente no Brasil”.

A obra conta com entrevistas exclusivas, em um extensivo trabalho de pesquisa. Além disso, terá mais de 70 fotos em seu recheio, a maioria delas inédita. Como já dito, o livro será lançado primeiro no Brasil e depois no restante do mundo.

Pessoalmente, estou muito curioso para ler Relentless, e o motivo é simples: ele trará a opinião e a visão de um autor estrangeiro sobre a banda, livre dos vícios e ressentimentos que cercam a grande maioria dos textos e obras sobre a banda produzidas por jornalistas brasileiros, divididos eternamente entre os pró-Max e os pró-Andreas. Não há neutralidade sobre o Sepultura aqui no Brasil, e a esperança é que esse livro de Jason Korolenko preencha esse vácuo.

Ainda não há data de lançamento definida, mas segundo Jason o livro chegará às livrarias nos próximos meses.

Por Ricardo Seelig

9 de mar de 2014

Boogarins: entrevista e cobertura do último show antes da turnê Estados Unidos/Europa

domingo, março 09, 2014
Fernando Almeida Filho, o Dinho, é de Apucarana (PR). Pouco moderno, fugiu do Sul. Foi em Goiânia que a vida do vocalista/guitarrista com pinta de Jimi Hendrix pôde se cruzar com a de outro músico das seis cordas: Benke Ferraz. Juntos, montaram o Boogarins, que começou como dupla e sem muita pretensão. Coisa de amigo de escola. Só depois chegaram o baixista Raphael Vaz, de Ceres (GO), e o baterista Hans Castro, de Araguaína (TO).

Assim como a união dos quatro é fruto de uma improvável mistura geográfica que encontrou ponto comum em Goiânia, a somatória de influências de cada um explica em partes o leque de gêneros que culminou na sonoridade peculiar do Boogarins. Rock, música brasileira e estética psicodélica formam apenas a tríade básica que caracteriza a banda. Há mais coisas por trás da musicalidade desses 'goianos'. Amizade e uma certa inocência, por exemplo.

O fato é que, há exato um ano, o Boogarins soltava o EP As Plantas que Curam, que depois foi estendido e virou full lenght lançado pelo selo Other Music Recording. Sem dúvida, uma das grandes estreias de 2013. A banda, constantemente comparada ao Tame Impala, estourou em um curto espaço de tempo e agora está prestes a embarcar para uma turnê de quase 60 datas por Estados Unidos e Europa. O show de despedida do Brasil foi sexta-feira (7/3), no Metropolis, em Goiânia. A Collector's Room marcou presença e bateu um papo com Benke, Dinho, Raphael e Hans. Confira a entrevista e também como foi a apresentação.


O que esperar dessa turnê, que será a primeira do Boogarins fora do Brasil?

Benke: Realmente é uma incógnita... Acredito que será boa, pois o disco tem sido vendido lá fora e gente de vários lugares tem pedido shows e interagido a respeito disso por redes sociais. São muitas datas, então tem também uma expectativa da gente se provar nessa experiência, ver como vamos nos sentir nessa rotina de shows. Nunca vivemos isso na nossa vida. Queremos conhecer o máximo de gente possível, ver o máximo de shows...

O fato de a banda cantar em português gera apreensão? Talvez uma recepção menos calorosa do que tem sido em Goiânia e outros lugares do Brasil?

Raphael: Acho que não. De jeito nenhum. Isso é um diferencial nosso. Muito da procura pelo disco lá fora vem do fato de as letras serem em português. Lá, somos exóticos. Não tem 'nêgo' bonito assim (risos). Isso contribui para o que a gente tem.

Dinho: Lá vai ser mais tranquilo ainda. Aqui é que temos que ter medo, pois o povo entende o que estamos cantando. Lá, ninguém vai entender nada. Então, é outro tipo de interação, de troca de energia, de convencimento do público.

Alguns shows serão em grandes festivais, como South by Southwest (Austin, EUA) e Primavera Sound (Barcelona, Espanha). Esses são realmente os mais esperados ou algum outro tem deixado vocês mais ansiosos?

Dinho: Três shows que abriremos para o Temples, banda que gostamos muito. Estou bem ansioso. Os shows em Londres também acho que serão bacanas. Com Vertical Scratchers...

Essa experiência nova pode influenciar no processo de composição?

Hans: Com certeza. São muitas coisas, bandas, lugares... Acaba influenciando um pouco.


O Boogarins ouve o quê?

Benke: Ouvimos muita coisa diferente. Na época da gravação do EP, estávamos ouvindo muito o primeiro disco do Syd Barret. Eu e o Dinho, principalmente. Na última viagem que fizemos para Brasília, fomos ouvindo Beastie Boys e Miles Davis. No repeat. Ouvimos também bandas que vamos conhecendo na estrada para ver o que está sendo feito. Difícil falar de um estilo só. Tenho procurado muita coisa nova que tem saído. Lançamentos do ano e música brasileira.

Dinho: Coisa demais. Tivemos um tempo viciados em Milton (Nascimento), Clube da Esquina e Lô Borges... Em viagens de carro, ouvimos Ariel Pink. Em casa, Velvet Underground.

Raphael: Música contemporânea e antiga. 

O Boogarins toca o quê?

Benke: Música brasileira de qualidade (risos). Rock. Eu falaria rock. Acho muito brega falar que é psicodélico. É rock de canção.

Dinho: Rock de menino novo. Se dizer psicodélico é fora do próprio psicodélico. Nosso rock é natural. Até entortamos um pouco nosso som, mas muito baseado no primeiro sentido. Psicodélico pra gente é ser natural. Algo que o Mutantes fazia no sentindo de desconstrução.

Benke: É psicodélico mais pelo jeito que o ouvinte apreende as coisas. No disco, nenhuma das músicas passa de quatro minutos. Não tem uma longa sessão instrumental. Concordo muito mais com o termo psych pop. Nosso som é acessível, fácil de assimilar. Ninguém precisa ficar se forçando a gostar. Só ao vivo é que improvisamos mais.

Raphael: Música brasileira de várias camadas (risos).

A música "Erre" tem uma veia até progressiva. É algo que vocês ouvem?

Benke: Ela tem mesmo esse ar, mas acho que mais pelo clima. Ao vivo, é uma das poucas que tocamos igual está no disco. Uma canção fechada. Tem introdução, verso, refrão, um interlúdio, que é a melodia da introdução... Depois repete e tem um solo no final. Nunca tocamos ela de um jeito diferente. Não é uma canção difícil. É pop. Já ouvi muito progressivo. Acho que o Dinho nem tanto. Ele acha chato.


Como pegar o que vocês ouvem e transformar no que tocam?

Hans: Vem de tudo que absorvemos. É como se mastigássemos isso tudo, desde o princípio, desde quando ouvia Metallica, aos dez anos, e tentar encaixar de alguma maneira.

Como é ter uma banda assim, cuja sonoridade é difícil de classificar, em uma cidade onde as bandas, em sua maioria, são stoner ou fazem questão de se dizer stoner?

Dinho: De uns dois anos para cá, isso tem mudado. Já tem menos e a tendência é diminuir. Já rolam outros sons em Goiânia. A cena pede stoner, mas existem várias outras bandas boas com outra sonoridade. Esse destaque que estamos tendo cantando em português também acho que encoraja muita gente a botar mais a cara, buscar outra pegada. Tem a Bruna Mendes, o Carne Doce, o Diego (de Moraes), que desde muito tempo vem rachando tudo aí com um som diferente. Quem viu o show dele em 2008, com certeza já deve estar aí montando uma banda por agora cantando em português e sem ser stoner. É tudo uma questão de formação. Tivemos vários anos de Mechanics, MQN... A molecada que viu isso, foi fazendo. Tipo Black Drawning Chalks, Hellbenders e várias outras. Mas o tempo vai passando, as pessoas vão vendo outros shows e coisas diferentes. A tendência é diminuir.

A banda começou só com Benke e Dinho. Como vocês se conheceram?

Dinho: Conheço o Benke desde 2008, quando ele entrou no CEFET e começamos a estudar juntos. Tocávamos violão e depois começamos a gravar. Sempre tivemos essa ligação por causa de música. Mostrar sons um para o outro.

Além de música, vocês compartilham algum outro interesse?

Dinho: Gravar coisas. Acaba ainda sendo música, mas é uma coisa que fazemos muito juntos. Já gravamos e mixamos outras bandas.

Quem compôs "Lucifernandis"?

Benke: O Dinho, a letra e a música.

Quem é Lucifernandis?

Dinho: É um trocadilho de um amigo meu da Vila Alzira. O trocadilho entre Luci e Fernandes, que vira Lúcifer. Essa é a onda. Dentro da canção, é quem você quiser.

Mas é um garoto ou uma garota?

Dinho: É sem sexo. Anjo não tem sexo.


Mutantes ou Novos Baianos?

Benke: Mutantes. Teve mais discos bons. Essa é consenso na banda.

Psicodélico americano ou psicodélico britânico?

Dinho: Britânico. Apesar de também ser muito fã do som da Costa Oeste dos Estados Unidos, os ingleses têm uma onda de experimentação muito absurda.

Caetano Veloso ou Gilberto Gil?

Raphael: Caetano. Mais original, né meu chapa? (risos) Ele tem pelo menos uns quatro discos que nenhum do Gil consegue ser melhor.

Dinho: Gil. Ele é menos fresco que o Caetano. Mais pau dentro.

Secos e Molhados ou Clube da Esquina?

Dinho: Clube da Esquina. O pessoal de Minas como um todo. O disco solo do Lô Borges, o 'disco do tênis', é frito demais. Beto Guedes também. Eles têm um timbre, uma coisa de canção e de voz que é demais. Minas é fino.

Tame Impala ou Temples?

Benke: Tame Impala

Quatro boas bandas brasileiras recentes?

Benke: Supercordas
Raphael: Luziluzia
Hans: Dona Onete
Dinho: Siba

Para terminar, não tem como não perguntar: ao idealizar o Boogarins, vocês já conheciam o Tame Impala? Qual tamanho da influência deles?

Benke: De início, não sacávamos. Eu, pelo menos, não sacava. A maioria das músicas já estavam prontas quando eles lançaram o último disco e aí tivemos mais contato. Depois disso, algumas, sim, tiveram influência, como "Erre".

Dinho: É isso. No começo, não, mas depois fritei a cabeça com o Tame Impala. Fiquei chocado. Parece muito com o primeiro do Pink Floyd. Virou uma influência.


O show

A apresentação do Boogarins tem evoluído bastante. Por mais que as canções sejam simples, não é tão fácil assim reproduzi-las ao vivo. Justamente pelo fato de serem singelas e pedirem cuidados minuciosos com melodias e arranjos. Além disso, não há teclado ou algo do tipo. Logo, as várias camas do 'rock de camadas' dos garotos dependem exclusivamente da guitarra de Benke e seus quase oito pedais de efeito. No estúdio, com computador, tecnologia e podendo repetir quantas vezes for necessário, é fácil. Barbada. No palco, a história é outra. E ele tem segurado a bronca e se saído muito bem. Robert Fripp certamente aprovaria.

Outro ponto positivo é a mescla entre as músicas. Canções dançantes, jams e as mais aclamadas - "Doce" e "Lucifernandis" - estão bem intercaladas, tornando a apresentação um tanto quanto homogênea e evitando cansaço. Dinho tem a plateia na palma da mão e vem se revelando cada vez mais um grande frontman, que toca, dança e interage. Sempre com sorriso contagiante. Muito carismático. Só não pode descuidar dos vocais, ainda que a proposta da banda seja não deixá-los 100% inteligíveis o tempo todo. Hans é preciso na batera, e Raphael preenche com um som forte de baixo os espaços na hora dos solos de Benke.

Além das já citadas "Doce" e "Lucifernandis", destaque obrigatório para "Infinu", "6 Mil Dias", "Despreocupar" e a genial "Resolvi Ir". Quem estiver de bobeira nos Estados Unidos ou em países como Inglaterra, Espanha, Itália, França, Bélgica, Holanda e Suíça de agora até maio, tem o dever de tentar pegar pelo menos uma das quase 60 datas da turnê. Satisfação garantida. Quem estiver aqui no Brasil mesmo, terá que aguardar até o Bananada, em Goiânia, no dia 17 de maio. E ir matando vontade ouvindo o As Plantas Que Curam.


Texto, fotos e vídeo de "6 Mil Dias" por Guilherme Gonçalves

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