11 de abr de 2014

Espaço do Leitor: O blues, o jazz, e por que não é apenas música que nós compramos

sexta-feira, abril 11, 2014

Olá Ricardo e pessoal da Collectors.

Já faz um bom tempo que o site se tornou meu favorito no assunto música. Descobri muitas bandas bacanas por aqui, li muitas matérias maravilhosas, com senso crítico e a cabeça aberta que tanto prezo musicalmente. Vejo que o foco do site atualmente é mais sobre rock e metal de forma geral, o que é compreensível, pois talvez a equipe esteja ouvindo mais isso atualmente. Mas sinto muita falta de mais matérias sobre blues, soul, jazz, entre outros estilos. Existem discos maravilhosos sendo lançados desses estilos, e seria muito bacana se vocês voltassem a dar mais atenção para esses estilos.
Também falar de discos famosos e indispensáveis de cada estilo, por aí.

Outra sugestão é que façam uma coluna, mensal ou com a freqüência que acharem melhor, mostrando quais as melhores edições de discos e DVDs lançadas naquele mês. Afinal, cada vez mais a mídia física tem que ter bons atrativos para justificar a compra. E pra quem coleciona, isso é importantíssimo. Eu adoro ler encartes, ter os discos bonitinhos originais, mas quando vem em uma embalagem diferenciada, com algum conteúdo extra (pode ser DVD ou livreto) isso agrega valor ao produto, com certeza. Uma dica de Blu Rays e DVDs interessantíssimos são os do Joe Bonamassa, que em praticamente todos os seus últimos lançamentos (e não são poucos), trazem extras muito bacanas e um livreto falando sobre a produção do show em questão, com depoimento do próprio artista. Enriquecedor, não?

Quero agradecer pelo espaço, que achei uma grande idéia dos colaboradores do site. Espero que na medida do possível, possam atender minhas expectativas. Acho que outras pessoas também curtiriam as idéias e se beneficiariam disso também. Vida longa ao Collectors Room!

Grande abraço!
Maurício Silva
Porto Alegre (RS)


Saudações, Maurício! Nós que agradecemos pelo seu e-mail. É realmente gratificante saber que o objetivo de apresentar novas bandas tem sido atingido. De fato, o foco da Collectors Room acaba se voltando um pouco para os lados do rock e heavy metal exatamente por esse fator que você mencionou: basicamente são estes estilos, em suas infinitas e variadas personificações que acabam entrando prioritariamente em nossas audições diárias. Claro, de forma alguma isso quer dizer que não gostamos dos demais, seja blues, jazz, soul ou qualquer outro, que com certeza também merecem espaço por aqui. E mesmo sem intenção sempre acabamos esbarrando neles, afinal de contas são as influências primordiais até mesmo para as bandas mais novas que as carregam em seu próprio código genético, às vezes sem nem saber (e puxando nos arquivos do site, você pode encontrar várias matérias bem legais sobre os estilos!).

Muito boa a ideia sobre as edições especiais! Interessante notar que recentemente, raros são os lançamentos que não vêm acompanhados de algum material ou disponibilizado em versões limitadas, além de formatos diferenciados (seguindo a onda do vinil, várias bandas têm lançado seus álbuns em fita K7 – que já estava enterrado há anos e tornou-se um item legal de memorabilia). Isso não apenas agrega valor percebido ao produto, como você disse, mas também catalisa a experiência de ouvir a música, tornando-a algo sensorialmente mais completa, muito além da audição. Seja com a arte, com itens extras ou informações complementares (como no caso do Bonamassa), o conjunto da obra acaba se tornando decisivo para que mesmo um fã ocasional adquira – e ainda mais no caso de nós, colecionadores. Enriquecedor, no mínimo, mesmo!

Porém, ao mesmo tempo chega a ser triste notar como o próprio mercado brasileiro está à milhas de distância dessa tendência. Aparentemente temos recebido cada vez menos álbuns em edições nacionais, sempre das mesmas bandas (apenas copiando o que está em evidência lá fora – vide os grupos indie, por exemplo), e sempre em versões extremamente simples ou básicas, para não dizermos preguiçosas, com impressões tortas, em péssima resolução e sem nenhum bônus além do preço abusivo. Dois bons exemplos recentes foram os últimos discos do Ghost (lançado em papersleeve relaxadíssimo e sem encarte) e do Stone Sour (que ganhou versão caprichada lá fora e aqui disponibilizada apenas em jewelcase). Licenciar edições completas pode de fato acarretar um custo extra – e possivelmente inviável – para as gravadoras independentes, mas um trabalho desleixado disponibilizado por grandes distribuidores é no mínimo desconsideração com os fãs.

Muita gente prefere comprar em lojas de outros países e ficar sujeita aos possíveis meses de espera e taxações a níveis absurdos, em um cerco que parece estar se apertando cada vez mais. Tudo isso deixa a questão: a situação do mercado brasileiro está assim por acreditarem que as pessoas não consomem mais música desta forma, ou as pessoas que não consomem mais o formato físico por conta da pobreza do que é acessível e acabam desestimulando um trabalho mais cuidadoso por parte das gravadoras? Um ciclo vicioso, aparentemente, com opções cada vez mais limitadas.

Enquanto isso, continuamos a luta por algo que preencha nossas estantes.

Um grande abraço! (Rodrigo Carvalho)

Participe você também do Espaço do Leitor enviando críticas, sugestões, pedidos e o que mais imaginar para o e-mail falacollectorsroom@gmail.com

Livro documenta a magia das coleções de discos

sexta-feira, abril 11, 2014
O Record Store Day 2014, que acontece no próximo sábado, dia 19/04, terá  dezenas de lançamentos em quantidade limitada e muitas outras atrações. Uma das principais é o livro Dust & Grooves: Adventures in Record Collecting, que será lançado na data.

A obra compila o trabalho do colecionador e fotógrafo norte-americano Elion Paz no site Dust & Grooves. Com capa dura e 416 páginas, traz fotos e entrevistas com 130 colecionadores de discos de vinil, que mostram os seus acervos, raridades e itens curiosos. Dividido em duas partes - 250 páginas com fotos e o restante com as entrevistas -, o livro é um documento sobre a magia e a força não só dos LPs, mas do próprio consumo de música em formato físico.

Abaixo, algumas imagens das páginas:









Aos interessados, o livro encontra-se à venda aqui.

Por Ricardo Seelig

10 de abr de 2014

Espaço do Leitor: bandas autorais x bandas cover

quinta-feira, abril 10, 2014
Boa tarde,

Acabo de ver a postagem sobre este novo canal de comunicação com os leitores, muito legal mesmo tal possibilidade.

Gostaria de deixar minha observação referente ao cenário atual do rock n'roll e afins, todo esse modismo de bandas tributos e todo o preconceito com bandas autorais que partem de suas terras natais para os butecos, pubs, etc e 90% acabam devido à falta de apoio, dificuldades pessoais e de fontes de renda, mentalidade da massa/público que em raros casos param pra conhecer tua banda.

Evidente que existem muitas bandas autorais ruins, sem genuinidade e sem o feeling próprio apenas fazendo 'caras e bocas' e tirando fotos extremamente produzidas, e na hora do 'alive n'kicking' nada além de patético.

São dois lados da moeda, seria importante analisá-los certamente. Parece que tentar fazer o melhor e ser o melhor que você puder é algo que está sendo deixado de lado pela mediocridade de ambos os lados da moeda.

Soa como se não houvesse a mínima chance de surgir novos expoentes e referências do metal/rock nacional. Algo como o fim da linha.

Abraço!

Dalton Castro
Passo Fundo (RS)


Olá, Dalton. Legal receber a sua mensagem. Morei dez anos em Passo Fundo, fiz a minha faculdade na UPF - Universidade de Passo Fundo, trabalhei, fiz amigos e tenho parentes na cidade até hoje. Mundo pequeno, não?

Sobre o seu questionamento, sinto algo parecido. Aqui em Florianópolis, se um desavisado andar pelas ruas da cidade terá a impressão (errada, naturalmente) de que está passando por Los Angeles, pela Sunset Strip, por Londres ou outra metrópole mundial, devido à enorme quantidade de cartazes anunciando shows de bandas cover. E todos naquele esquema tradicional: a logo ou o nome da banda homenageada enorme e o "cover" pequenininho, quase escondidinho. Alguns chegam até a utilizar imagens dos integrantes oficiais das bandas, uma picaretagem das grandes.

Isso, no entanto, ao meu ver é reflexo do conservadorismo do público rocker brasileiro. As pessoas ouvem sempre as mesmas bandas: Guns N’ Roses, Metallica, Stones, Creedence, Beatles, Legião, Nirvana e mais algumas. Parece não haver curiosidade, por parte do público, em se atualizar e ouvir bandas atuais, sacar o que está acontecendo agora, nesse momento, na música. Não é preciso deixar de lado os grupos clássicos, que são muito bons e fizeram história, mas ignorar tudo o que é produzido atualmente me parece uma burrice e uma estupidez sem tamanho. Essa mentalidade chegou a tal ponto que tem gente que se contenta em assistir a um show de uma banda cover ao invés de ver uma banda autoral, com material próprio. Ainda sobre a cena de Florianópolis, existem pouquíssimos lugares para uma banda que faz músicas próprias tocar. Já as bandas covers pipocam em praticamente todos os bares da cidade.

Isso faz com que os grupos novos não tenham visibilidade. O conservadorismo auditivo do roqueiro brasileiro prejudica as bandas nacionais e as de fora. No metal, por exemplo, a maioria dos ditos headbangers nunca parou para ouvir com atenção nomes sensacionais como Mastodon, Baroness, Graveyard, Rival Sons, Torche e outros. E até mesmo bandas mais antigas mas que flertaram com sonoridades polêmicas em suas carreiras, como é o caso do Machine Head, são vistas com desconfiança por aqui. Ao mesmo tempo, o Guns N’ Roses lota e causa comoção Brasil afora com um vocalista que é um arremedo do que foi, acompanhado por uma banda competente, mas sem identidade alguma.

Em relação aos grupos nacionais, a coisa é ainda pior. Esses fatores que você levantou fecham as portas para as bandas que estão surgindo, que cada vez mais encontram raros lugares para tocar e mostrar seus trabalhos. O moleque, hoje, quando pega uma guitarra e aprende a tocar, está mais inclinado a montar um cover dos seus ídolos do que investir em material próprio. Todos sabemos que o rock não é mais a música pop do Brasil como foi na década de 1980 e 1990. Hoje, o pop brasileiro, queiramos ou não, é o sertanejo universitário. E uma das razões, entre inúmeras outras, para isso acontecer é a falta de uma cena rock forte e VISÍVEL em todo o país. Existem boas bandas - aqui mesmo na Collectors você pode comprovar isso através da série Novas Bandas Brasileiras -, mas elas são deixadas de lado quando confrontadas com bandas cover, que têm a preferência do público e promotores de hard rock e heavy metal, principalmente.

Solução? Só a longo prazo. Uma geração inteira adquiriu o hábito de consumir bandas cover. É possível mudar esse cenário, mas isso demanda esforço e tempo. Pode ser feito, mas a pergunta que fica é: querem realmente mudar isso? Pelo que se vê, não. (Ricardo Seelig)

Participe você também do Espaço do Leitor enviando críticas, sugestões, pedidos e o que mais imaginar para o e-mail falacollectorsroom@gmail.com

Os cinco melhores discos de heavy metal lançados em março segundo o About.com

quinta-feira, abril 10, 2014
Acaba de sair a lista dos cinco melhores discos de março, segundo a editoria de heavy metal do About.com, e justiça maior não poderia haver: no alto do pódio, Morbus Chron e seu excepcional Sweven. Já haviamos comentado a respeito desse álbum na Collector's. Leia aqui nosso review.

Também aparecem entre os preferidos de Chad Bowar e sua equipe no último mês os novos trabalhos de nomes como Dirge, Hirax, Coffinworm e The Shrine. Aos poucos, as coisas vão esquentando e já podemos afirmar que temos uma lista mais interessante do que as duas anteriores.

E você, ouviu esses álbuns? O que achou? Quais os discos mais legais de março?

Para ver dos meses passados, basta clicar: janeiro e fevereiro.

1. Morbus Chron - Sweven

O que antes era áspero e cru agora é um pouco mais progressivo, mesmo sem abandonar o death metal tradicional de seus primórdios. Ninguém poderia prever isso do Morbus Chron, e é justamente isso que faz de Sweven um álbum tão notável.

Embora a maior parte do disco trabalhe dentro de um panorama rejuvenescedor, o lado primitivo da banda também salta aos olhos. O Morbus Chron fez com Sweven algo não apenas original, mas algo fascinante de se experimentar.

2. Dirge - Hyperion

Se Hyperion fosse um tipo de mar, seria daqueles com ondas escuras, espessas e que te deixam entrincheirado. As camadas que se desdobram ao longo do disco mais recente do Dirge são cognitivamente e emocionalmente esmagadoras, e isso não é nada ruim. Desde o início pesado com "Circumpolaris", faixa de abertura, até os breves momentos de calma que ocorrem em músicas como "Venus Claws", o álbum é realmente dinâmico.

Esse é, de longe, um dos lançamentos mais honestos dos últimos tempos. Dos vocais marcantes até o peso dos instrumentos copulando entre si, trata-se de um registro completamente belo. A condição humana é sentida por meio de suas notas e o disco te leva para lugares obscuros que não são frequentemente visitados. Definitivamente, é o tipo de álbum que estará presente nas listas de melhores do ano. Pode apostar.

3. Hirax - Immortal Legacy

A performance vocal de Katon de Pena em Immortal Legacy é a melhor de sua longa carreira, como fica claro. Cantando com paixão e alcance inacreditáveis, ele prova ter uma das vozes mais dinâmicas de sua geração.

Trinta anos depois de sua formação, o Hirax lança com Immortal Legacy seu melhor disco. Uma declaração, uma mensagem profunda para velhas e novas bandas de thrash metal: a composição e o conteúdo são o que importam. Não há faixas apenas para completar o álbum e, ao fim do 38 minutos, o disco deixa a sensação de quero mais.

4. Coffinworm - IV.I.VIII

Cada música de IV.I.VIII é como tropeçar em um pesadelo vivo, no qual os ruídos cortam seus tímpanos com as próprias mãos. Basta acordar, encharcado em uma poça de suor, para o pesadelo começar novamente, ainda pior do que antes.

Embora tenha demorado para ser lançado, IV.I.VIII evoca o mesmo desconforto que o primeiro álbum do Coffinworm já havia produzido. A banda mostra grande foco em apresentar esse sentimento e não sucumbir diante de qualquer 'síndrome do segundo disco' ao tentar caminhar junto aos sucessos do passado. Com uma formação renovada e tempo suficiente para o processo de composição, o grupo encontrou uma maneira de superar o trabalho de estreia com um sucessor vital.

5. The Shrine - Bless Off

Rebelião é o nome do jogo em Bless Off. A banda começa os trabalhos com a infernal "Destroyers", que abre o disco e é um grito simples de revolta condizente tanto com qualquer clube de motociclistas grisalhos quanto com um grupo de skatistas punk.

Ainda que o The Shrine tenha um som bastante cru, eles apresentam uma fórmula: tocar riffs que sejam tão cativantes quanto pesados, repetir o nome da música algumas vezes no refrão e encerrar de forma contundente, com um solo destruidor. Considero Bless Off um manifesto do The Shrine e o disco mais divertido que já ouvi neste ano.

Por Guilherme Gonçalves

Assista “Love Tyger”, novo clipe do Edguy

quinta-feira, abril 10, 2014
O Edguy lançou o clipe da faixa “Love Tyger”, música que está em seu novo disco, Space Police - Defenders of the Crown. O clipe é todo em animação, alcançando um resultado final divertido e que tem tudo a ver com o clima bem anos oitenta da canção.

Space Police - Defenders of the Crown será lançado no próximo dia 18 de abril pela Nuclear Blast. Sucessor de Age of the Joker (2011), o trabalho foi produzido por Sascha Paeth e traz dez faixas, entre elas uma versão para “Rock Me Amadeus”, sucesso da década de 1980 do grupo alemão Falco.

Assista ao clipe de “Love Tyger” abaixo:



Por Ricardo Seelig

9 de abr de 2014

Veredito Collectors Room: Adrenaline Mob - Men of Honor (2014)

quarta-feira, abril 09, 2014
Esta edição do Veredito Collectors Room é dedicada aos discos lançados durante o mês de março de 2014. Reunimos nossa equipe e analisamos, de forma coletiva, aquele que julgamos ser o principal lançamento do mês. Para nos ajudar, convidamos o editor da Van do Halen, João Renato Alves.

Abaixo, você lê sete opiniões diferentes sobre Men of Honor, segundo álbum do Adrenaline Mob. E já adiantamos: desde que criamos o Veredito CR, essa foi a edição com mais avaliações contrastantes entre si. Divirta-se!


A essa altura, não há o que esperar do Adrenaline Mob. Se em Omertá o então trio formado por Russel Allen, Mike Orlando e Mike Portnoy apresentou aquele hard rock carregado de toques modernos e com dois pés no groove e no nu metal, o (desnecessário) EP Covertá apenas prosseguiu com as mesmas ideias e confirmou de uma vez por todas qual a sua proposta. Sem Portnoy (que definitivamente não faz a menor falta), mas agora contando com o baixista John Moyer (do Disturbed) e o baterista AJ Pero (sim, aquele mesmo que gravou os clássicos do Twisted Sister), o quarteto praticamente tira uma cópia de seu debut em Men of Honor: ou seja, músicas diretas baseadas em riffs cadenciados grooveados e pesadíssimos, acompanhados de letras nada pretensiosas (há quase uma fúria juvenil aqui), unidas pela sempre exemplar competência de Russell Allen. Evidentemente, seria injusto dizer que não funciona. Faixas como “Mob is Back”, “Judgement Day” e “Dearly Departed”, assim como as baladas “Behind These Eyes” e “Fallin’ to Pieces” podem não ser um exemplo de reinvenção da roda, mas apenas reforçam que o Adrenaline Mob nada mais é do que um grupo de amigos tocando hard rock ao seu próprio modo, se divertindo um pouco enquanto suas bandas “sérias” não retomam as atividades. O único cuidado que precisam tomar agora é para que não extrapolem alguns limites e comecem a se repetir exaustivamente, pois Men of Honor já demonstra sinais de embriaguez – e quando a ressaca chegar, ela pode vir com tudo. (Nota 6,5) (Rodrigo Carvalho)

Apresentando melodias mais grudentas e pouca evolução em relação ao seu debut, Omertá (2012), o Adrenaline Mob - agora sem um de seus pilares, o baterista Mike Portnoy - lançou recentemente Men of Honor, seu segundo trabalho de estúdio. Com uma sonoridade baseada no hard rock com doses homeopáticas do prog metal que elevou ao estrelato seus principais líderes, o vocalista Russell Allen e o já citado baterista, substituído aqui por AJ Pero (Twisted Sister), é perceptível que a banda ainda se destaca mais pela individualidade e qualidade técnica de seus integrantes do que pela soma do todo. O disco até que começa empolgando com suas duas primeiras (e boas) músicas, que fazem um ouvinte menos atento como eu esperar por canções à altura daquilo que se imagina de músicos do quilate dos que compõem essa formação e daquilo que a banda nos apresenta a princípio. Porém, o caldo começa a desandar com a inclusão de um número excessivo de baladas açucaradas em seu tracklist e de clichês que, mesmo em canções mais aceleradas como “Feel the Adrenaline” e “House of Lies” parecem ter sido compostas no modo automático. Tudo isso aliado ao timbre de voz de Allen que, a meu ver, ainda soa melhor no estilo que ajudou a propagar com sua banda principal, o Symphony X. Sim, o cara é um dos grandes vocalistas de sua geração e sua qualidade técnica é inquestionável, mas definitivamente sua voz não se encaixa com a proposta e estilo do grupo em grande parte das onze músicas de Men of Honor. Com três lançamentos, sendo um deles um disco de covers - Covertá (2013) - soa até estranho afirmar que este último ainda é o meu favorito em sua pequena discografia. Por isso, Men of Honor ainda fica devendo em qualidade e, se a banda realmente deseja ser considerada como tal e não como um projeto paralelo de seus integrantes nas horas vagas, o Adrenaline Mob precisa rever urgentemente seu direcionamento musical para um eventual terceiro e definitivo disco de inéditas. Ainda é tempo! (Nota 5) (Tiago Neves)

De uns anos para cá, o rock tem vivido um momento de supergrupos. A ideia é simples: três ou quatro músicos fora de série e com nomes já estabelecidos na cena unindo forças em discos vigorosos com sonoridades que, individualmente ou a bordo de suas bandas principais, seriam incapazes de produzir. Em 2011, o metal ganhou o seu supergrupo com uma aliança da pesada entre Russell Allen (Symphony X) e Mike Portnoy (ex-Dream Theater). Após um álbum e um EP de covers, como já era de esperar, o atarefado Portnoy pulou fora, deixando a bateria a cargo de AJ Pero, do imortal Twisted Sister. Tal background me leva a ouvir Men of Honor, o mais recente trabalho do Adrenaline Mob, com atenção redobrada à bateria — tal como fiz quando A Dramatic Turn of Events, primeiro álbum do Dream Theater sem Portnoy, caiu na net pouco antes do seu lançamento. Acostumado com a produção de quinta dos discos do TS — que dá a falsa impressão de que Pero não desce o braço —, me deparo com um som de bateria destruidor, com backbeats que fazem a vibração dos speakers chacoalharem a mesa. Finalmente o seu potencial, o qual eu tive a honra de testemunhar ao vivo, é captado com fidelidade e do jeito que ele sempre mereceu. A forma de tocar eu nem preciso dizer: muito mais direto que Portnoy, Pero acaba atendendo melhor à proposta heavy com passagens que são puro hard rock do grupo. Allen não se cansa de surpreender pela capacidade de adaptação de sua voz, indo do mais "podre" ao mais clean em questão de segundos, e dando o gabarito nas dobras que dão aos refrães a força de um rolo compressor. Das mãos de Mike Orlando ouvem-se coisas como o sabático riff de "Feel the Adrenaline" — aliás, esta aqui tem uma passagem que é basicamente um Alice in Chains acima do peso. "Dearly Departed" conta com um refrão que é leite de burra... e se prepare para um solo absurdo de Orlando, com referências harmônicas que apontam diretamente para os anos 1980, só que com a roupagem atual que todo virtuoso das novas gerações adiciona à mistura. Em Men of Honor, mais do que um bom disco de metal para fãs de metal, o Adrenaline Mob oferece um disco para quem está só começando ou mesmo para aqueles que não possuem ouvidos treinados para o metal. Não prever um futuro pra lá de bacana para o quarteto seria como sair na chuva e não se molhar. Top five de 2014 — pelo menos até agora. (Nota 9) (Marcelo Vieira)

Particularmente, não estou entre os que viram a carreira do Adrenaline Mob afundando com a saída de Mike Portnoy. Embora seja um fenômeno da bateria, sua atribulada agenda acabava se tornando um obstáculo. Mas confesso que fiquei surpreso com a entrada de AJ Pero. Além de ser um músico de características diferentes, o baterista do Twisted Sister não parecia, nem de longe, uma escolha óbvia. Porém, se mostrou um grande acerto em Men of Honor. Uma das críticas que fiz a Omertá era o fato de algumas músicas soarem muito parecidas entre si. Aqui, o problema é resolvido, com salutares experiências e flertes com diferentes segmentos do hard/heavy. Destaco a pegada de “Come On, Get Up”, a belíssima “Behind These Eyes” (candidata a melhor balada do ano) e a excelente faixa-título, misturando o clássico com o moderno de forma brilhante. A maturidade do Adrenaline Mob em Men of Honor é perceptível em todos os momentos. E as mudanças trouxeram o que faltava à banda para se firmar como uma das melhores atualmente. Que o foco não seja perdido, pois muita coisa boa ainda pode sair desta fórmula. (Nota 9) (João Renato Alves)

Groove demais, baladas demais, pretensão demais... Alguns dos motivos que fazem de Men of Honor, álbum novo do Adrenaline Mob, não conseguir dizer muita coisa. Além disso, as 11 músicas - número exagerado - transitam por diversos gêneros, mas não formam uma unidade. Há hard rock, mas não é um disco de hard. Há groove metal, mas não é um disco de groove metal. Há pop, mas não é um disco pop. Há até elementos de new metal e power metal, mas que não configuram um trabalho propriamente desses estilos. Ou seja, um leque de possibilidades, algo bastante salutar, mas que no fim das contas gera só uma salada musical sem muita identidade e sem o poder de cativar. A sorte da banda é contar com Russell Allen (Symphony X, Allen/Lande etc), que toma a dianteira das coisas e, em alguns momentos, ameniza um pouco o marasmo. Em outros, porém, nem o vocalista consegue salvar. Sua atuação é mediana e ainda sofre tendo que interpretar canções de péssimo gosto, bem como pouco inspiradas. Fica nítido que o Adrenaline Mob se propõe a investir pesado na melodia. Em inúmeras ocasiões, contudo, acaba traído e beira algo parecido com um Nickelback ligeiramente mais pesado. Os músicos são técnicos, a gravação é límpida e certeira, mas nada que faça de Men of Honor um grande disco. Indicado apenas para grandes fãs de metal americano moderno que não poupa esforço em soar melodioso, já que isso está no DNA de seus integrantes. (Nota 5,5) (Guilherme Gonçalves)

Men of Honor é um disco divertido. Não vai mudar o mundo, não vai alterar o curso do heavy metal, mas garante uma audição cheia de prazer. O destaque, como sempre, é o fenomenal Russell Allen, que domina a cena do início ao fim. Mike Orlando soa menos fritador que nos dois registros anteriores - Omertá e Covertá -, enquanto o baixo de John Moyer assegura o groove. A substituição de Mike Portnoy por AJ Pero praticamente não é sentida, já que o primeiro tocava de maneira menos rebuscada na banda e Pero segura tudo sem maiores problemas. Com uma das músicas mais grudentas do ano - a chiclete “Come On Get Up” - ao lado de composições sólidas como “Dearly Departed” e “Feel the Adrenaline”, além da boa balada “Behind These Eyes”, o Adrenaline Mob mostra em Men of Honor que tem força para ir além de mera banda paralela de seus integrantes. Bem bom, recomendo! (Nota 8) (Ricardo Seelig)

Em seu primeiro disco sem Mike Portnoy nas baquetas, o Adrenaline Mob parece seguir um caminho bem distante daquele que os transformou em um projeto tão badalado em seu álbum de estreia. Aquele disco era um heavy metal/hard rock clássico que flertava com a modernidade, que sabia usar das raízes de seus integrantes mas sem ser pedante, soando atual, nada datado. Já este segundo álbum vai para um caminho diametralmente oposto - mesmo o experiente vocalista Russell Allen (Symphony X) parece ter uma vontade incontrolável de soar diferente, de ser ainda mais moderno, mais estiloso, de vestir uma nova roupagem. O resultado soa absolutamente equivocado e o Adrenaline Mob sofre, então, de um gravíssimo distúrbio de identidade. A faixa-título, "Men of Honor", por exemplo, tem um espírito power metal, flerta com guitarras duplas em alta velocidade e com bumbos duplos de bateria. Mas, sejamos honestos: o resultado, embora bem executado, não soa nada além de genérico. Em diversos momentos da execução da bolacha, a banda parece querer emular tantas outras: em "Let It Go", o groove da guitarra faz ecos de Rage Against The Machine; "Behind These Eyes" e a balada "Fallin' To Pieces" são nitidamente um Nickelback mais metal; e a boa "Dearly Departed" parece Dave Grohl querendo fazer o Foo Fighters tocar um pouco mais pesado. E "Gets You Through the Night" começa com um assustador jeitão Offspring - nada contra, mas calma, sério que é isso mesmo? O grande problema não é Men of Honor parecer repetitivo, embora, sejamos realistas, ele pareça mesmo. O problema é que ele se pareça realmente genérico. Um perigo que um projeto com o potencial mostrado no álbum inicial não pode correr. Em Men of Honor o Adrenaline Mob força na tentativa de ser moderno, acessível, mainstream. O gosto de novidade fica forçado e amargo demais. (Nota 5) (Thiago Cardim)

Nosso veredito final é 6,8

E você, o que pensa a respeito de Men of Honor? Compartilhe a sua opinião com a gente nos comentários.

Equipe Collectors Room

Espaço do Leitor: quero criar um blog sobre música, como faço?

quarta-feira, abril 09, 2014
Eu tenho a intenção de iniciar um blog com foco em matérias especias, como resenhas, longe de ser um site de informações (como os moldes da Van do Halen). Gostaria de saber algumas dicas sobre o que fazer e não fazer quando se está começando um projeto como este. Creio que muitos leitores da Collector's Room tem esta intenção, pois muitos tem opinião própria e querem iniciar um projeto deste tipo.

Desde já agradeço.

Alissön Caetano Neves
Santo Antônio da Platina (PR)


Oi, Alissön. Legal ver que você tem o nosso trabalho como referência e se inspira na Collectors para criar o seu próprio blog musical. Vou falar com base na experiência que tive e sigo vivendo todos os dias aqui na CR. Em primeiro lugar, defina sobre o que você quer falar e para quem você vai falar. Formate o seu produto e identifique o seu público alvo. Após, trabalhe, e muito.

Para que o seu site ou blog cresça e tenha destaque, chegando a um número cada vez maior de pessoas, você precisa se dedicar a ele. Parece algo óbvio, mas muitas pessoas, após a empolgação inicial, abandonam projetos que poderiam render ótimos resultados. Tenho uma disciplina: acesso diversos sites sobre música todos os dias, leio várias revistas e livros sobre o assunto, estou sempre ouvindo o que está saindo. Em suma, consumo música o dia todo, sete dias por semana. Procuro sempre produzir matérias que julgo interessantes para os leitores. Procuro criar pautas e textos que se diferenciem do que as pessoas já leram ou lerão em sites muito maiores e com mais visibilidade que a CR, como o Whiplash, por exemplo. E, ao escrever estes textos, desde um review de disco até uma simples notícia, procuro acrescentar e agregar informação na matéria, não apenas dizer “banda tal está com música nova, ouça abaixo”.

Escrevo sobre música todos os dias. Mesmo nos momentos mais apertados aqui na agência de publicidade onde trabalho, tento pegar um tempo só para isso. Muitas vezes, atraso o almoço para colocar um texto no ar. Chego mais cedo, separo uma parte do meu dia para produzir material para a Collectors Room. Isso pode ser extenuante, principalmente se você criar um site sobre notícias - o que você já deixou claro que não pretende fazer. Foi por essa razão também que tiramos o pé das hard news, optando por publicar apenas as que achamos mais relevantes. Não temos tempo e nem pessoal para concorrer com sites como a Van do Halen, por exemplo. E, ao abrir mão disso, acabamos tendo mais tempo para produzir matérias mais extensas e abrangentes, como Discografias Comentadas, textos históricos, reviews mais elaborados e coisas assim.

Um ponto importante é a escolha do nome do seu site. Não opte por algo muito complicado. Ele deve ser simples e deixar claro sobre o que o seu site fala. Se criasse a CR hoje, ela não se chamaria Collectors Room, teria outro nome. A aquisição de um domínio próprio e o investimento em um layout atraente também são essenciais para o seu blog se destacar da enorme concorrência e ter uma cara mais profissional. O seu site tem que ter uma cara atraente, tem que fazer bem para os olhos também, o que diversos blogs e sites ainda não perceberam.

Trate bem o seu público e interaja de maneira frequente com ele. Os leitores são os responsáveis pelo crescimento e visibilidade que o seu site pode ter, então nunca se esqueça deles. As redes sociais ajudam na divulgação do seu trabalho e na criação de uma rede de contatos, então dedicar um tempo para alimentar o Twitter, Facebook e afins de seu futuro blog dá bastante frutos.

Em suma, o que eu recomendo é o seguinte: tenha o que dizer e você terá público. Trabalhe, tenha dedicação, entre de corpo e alma nesse novo projeto. Não faça nada pela metade, jamais se acomode, nunca se dê por satisfeito. Só assim, com disciplica e foco, é que você conseguirá fazer o seu projeto decolar vôo. (Ricardo Seelig)

Ouça “Midnight Oil”, nova música do California Breed, banda de Glenn Hughes e Jason Bonham

quarta-feira, abril 09, 2014
O fim do Black Country Communion parece ter feito bem à dupla Glenn Hughes e Jason Bonham. Pelo menos é isso que transparecem as duas faixas já divulgadas do California Breed, trio onde os veteranos músicos dividem os holofotes com o guitarrista Andrew Watt.

Se “Sweet Tea” já tinha dado água na boca, “Midnight Oil” contagia com uma espécie de hard funk com vocais femininos ao lado da voz de Hughes (o nome da cantora não foi revelado). Destaque para a citação de Jason ao final, com uma levada de bateria idêntica à clássica “Rock and Roll” do Led Zeppelin, banda de seu finado pai.

O disco de estreia do California Breed, batizado apenas com o nome da banda, será lançado dia 20 de maio pela Frontiers.

“Midnight Oil” abaixo:


Por Ricardo Seelig

8 de abr de 2014

Opeth revela título de novo álbum

terça-feira, abril 08, 2014
O novo disco do Opeth se chamará Pale Communion e será lançado dia 17 de junho pela Roadrunner. O décimo-primeiro álbum da banda foi produzido pela dupla Mikael Akerfeldt e Steven Wilson (parceiros no Storm Corrosion e respectivamente líderes do Opeth e do Porcupine Tree) e terá oito faixas inéditas.

O sucessor de Heritage (2011) será disponibilizado em diversos formatos (incluindo vinil) e será precedido pelo single “Cusp of Eternity”, que chegará às lojas dia 6 de maio.

Abaixo o tracklist de Pale Communion:

1. Eternal Rains Will Come

2. Cusp of Eternity

3. Moon Above, Sun Below

4. Elysian Woes

5. Goblin

6. River

7. Voice of Treason

8. Faith in Others

Por Ricardo Seelig

Crowbar: novo álbum, nova música

terça-feira, abril 08, 2014
O Crowbar está de volta com o sucessor do ótimo Sever the Wicked Hand (2011). O décimo disco da banda liderada pelo vocalista e guitarrista Kirk Windstein, intitulado Symmetry in Black, será liberado dia 27 de maio pela Entertainment One Music. Um dos pilares do sludge, o Crowbar retorna após três anos de silêncio com um álbum produzido pelo próprio Windstein ao lado de Duane Simoneaux e Josh Wilbur (Lamb of God, Gojira).

Abaixo você confere o tracklist de Symmetry in Black e ouve a faixa de abertura, “Walk with Knowledge Wisely”:

1. Walk with Knowledge Wisely

2. Symmetry in White

3. The Taste of Dying

4. Reflection of Deceit

5. Ageless Decay

6. Amaranthine

7. The Foreboding

8. Shaman of Belief

9. Teach the Blind to See

10. A Wealth of Empathy

11. Symbolic Suicide

12. The Piety of Self-Loathing


Por Ricardo Seelig

Espaço do Leitor: descobrindo novas bandas

terça-feira, abril 08, 2014
Primeiramente, queria agradecer este espaço por apresentar-me uma gama de bandas excelentes que fogem de mainstream do rock/metal de sempre, seja por crítica comentada ou por lista de melhores de magazines do gênero. Cito exemplos: Trenchrot, Gorguts, Ahab, Batillus, Culted, Indian, Pallbearer, Triptykon, Windhand, Ape Machine, Horisont, Iron Tongue, Scorpion Child, The Vintage Caravan, Witchcraft, In Solitude, Alcest, Anciients, Blindead, Beastwars, Doomriders, Hark, A Storm of Light, Egypt, Kadavar, Mothership, The Sword, Uncle Acid and The Deadbeats, Wolfmother e etc….

Conheci o site quando estava à procura de matérias competentes sobre o fatídico Metal Open Air e vi nos textos do Seelig um grande diferencial em meio às baboseiras que lemos por aí. E o que fiz depois disso? Como conheci o “blog” em abril de 2012, comecei a futucar do primeiro ao último dos posts! Foi uma senhora viagem musical. O legal é que vocês, geralmente, interagem nos comentários. Acho isso um diferencial.

Tenho 36 anos e “bato cabeça” desde o início dos anos 90. Meu mundo era só thrash e death metal. Desconhecia outros gêneros, pois também as revistas da época (Top Rock e Rock Brigade) não ajudavam e também a internet era uma merda! Mas os anos 90 foram ótimos para e mim e nem de longe o Cobain acabou com ele ... (rs)

O que quero dizer é que desde então sempre procuro descobrir novas bandas, seja com som “evolutivo” ou que fazem o mesmo, mas com qualidade! E na Collector´s  eu achei “o meu espaço” e de brinde ainda tem os ótimos textos e argumentos sobre o rumo do metal, no Brasil ou  worldwide, neste novo século!

Valeu!

Observação:

- dêem mais espaço para o DOOM METAL. Que tal fazer um apanhado doom (drone, dark, stoner doom, sludge doom)?

perguntei (em post passado) se alguém escutou o último do Wolfmother e fiquei no vácuo! (rs)

- escutem o debut dessa ótima banda sueca (pra variar!) de stoner doom, agora: Monolord - Empress Rising (2014)
- ainda estou lutando com o Heritage!!!

João Marcelo Villanova
Riacho Fundo (DF)


João Marcelo, obrigado pelo e-mail e por estrear esse novo espaço. Ficamos muito felizes com o retorno dos leitores, principalmente ao receber uma mensagem como a sua, dizendo que conheceu diversas bandas que desconhecia através do nosso trabalho. Esse é um dos principais objetivos do site: levar novos sons até os leitores, saindo do óbvio encontrado em outros veículos e apresentando um novo universo sonoro.

Muito legal também ver a viagem musical que você experimentou lendo as matérias que publicamos desde o nascimento da Collectors Room, em outubro de 2008. Muitas vezes nos assustamos com a proporção que o nosso trabalho tomou. Pra você ter uma ideia, já são mais de 7.000 posts publicados em cinco anos de site. É muita coisa!

Trocar ideias com os leitores é uma das maiores recompensas para todos nós que fazemos a Collectors. É através disso que conhecemos opiniões diferentes das nossas, trocamos informações e temos contato com coisas novas. É essa troca que faz tudo valer a pena, acredite!

A sua sugestão sobre doom é interessante. Vamos avaliá-la, talvez a encaixemos em um espaço já existente. Sobre o disco do Wolfmother, sou um grande fã da banda mas ainda não tive tempo de escutar o álbum. Fui pego de surpresa com o trabalho, não esperava que a banda lançasse algo novo devido à enorme confusão que o grupo viveu nos últimos anos, mas vou dar uma conferida. E você, curtiu o disco? Vamos dar uma conferida no Monolord (obrigado pela dica) e, sobre o Heritage, siga lutando, pois vale muito a pena.

Um grande abraço. (Ricardo Seelig)

Espaço do Leitor: um lugar para você trocar ideias com a gente

terça-feira, abril 08, 2014
Novidade na Collectors! Agora você terá um lugar exclusivo para trocar ideias com a equipe que faz o site. É o Espaço do Leitor, inspirado nas saudosas e sempre saudáveis seções de cartas das revistas sobre música.

Como funciona? Você envia a sua mensagem (dúvidas, sugestões, críticas, pedidos, o que desejar), para o e-mail falacollectorsroom@gmail.com . Nossa equipe avaliará as mensagens, e as mais interessantes serão respondidas. Legal, não?

E para ficar ainda mais fácil para você acompanhar tudo, basta clicar no menu laranja no topo do site e ir direto para o Espaço do Leitor.

Será muito bom trocar ideias e receber o seu feedback sobre o nosso trabalho. Essa seção é dedicada a você, que acessa e nos acompanha todos os dias.

Então, mãos à obra!

6 de abr de 2014

Kurt Cobain (e o grunge) mataram o heavy metal?

domingo, abril 06, 2014

Na data em que o mundo inteiro relembra as duas décadas que se passaram desde a trágica morte do vocalista Kurt Cobain, líder do Nirvana, só consigo lembrar do filme O Lutador, de Darren Aronofsky. Mais especificamente de uma determinada cena na qual o decadente wrestler vivido por Mickey Rourke dança ao som de "Round and Round", clássico absoluto do Ratt. Num papo com a personagem de Marisa Tomei, ele relembra algumas boas bandas do hard rock oitentista. E logo depois, ele dispara: “aí veio aquele maricas do Cobain e arruinou tudo”. Para então completar: “cara, eu odeio os anos 90″.

Como o filme todo traz na trilha-sonora uma série de clássicos do chamado hair metal (ou glam metal, ou metal farofa, ou metal laquê, ou poodle metal… escolha a opção que mais lhe agrada), sucesso na década de 80 mas ofuscado pelo grunge na década seguinte, surge a pergunta recorrente: o grunge matou o metal? Kurt Cobain, mais especificamente, matou o heavy metal?

Mas é claro que não, querido colega headbanger. Embora, sejamos honestos, alguns exemplares mais true insistam em defender esta hipótese e tenham no grunge um inimigo e alvo primordial.

Vamos começar partindo de um princípio bem básico. Nunca acreditei nestas afirmações apocalípticas que dão conta da morte deste ou daquele estilo musical. O heavy metal, assim como o punk e, pasmem, como o funk carioca e o rap paulistano, nunca precisou da grande mídia. São estilos que sobrevivem por conta própria. Têm suas próprias rádios (digitais ou analógicas), seus próprios veículos, suas casas especializadas de shows, suas formas particulares de divulgação. Ou alguém aí já deixou de ir a uma apresentação de banda internacional de metal só por que não tinha nada sobre ela no Guia da Folha? Tá bom. Como Sam Dunn diz no documentário A Headbanger’s Journey: obrigado, estamos bem e não precisamos de você.

O que rolou na década de 80 é que o mainstream (rádios, gravadoras, publicações especializadas, boates, a ainda poderosa e absoluta MTV) se interessou pelo metal de grupos como Mötley Crüe, Poison, Skid Row, Cinderella, Twisted Sister e demais maquiados. É absolutamente natural, um processo cíclico, que este ou aquele estilo musical entrem sob os holofotes da imprensa de vez em quando, dando a falsa impressão de que ele só está “bombando” naquele momento em particular. Isso acontece no mundo todo, incluindo o Brasil. Tivemos a era do pagode, do axé, do sertanejo e hoje em dia tem-se uma tendência a prestar atenção em roqueiros como NX Zero, Fresno, Pitty e demais variantes.

Mas muito antes dos veículos de comunicação descobrirem a Banda Calypso, Joelma e Chimbinha já reuniam milhares de pessoas nos palcos do Nordeste, sem precisar aparecer no palco do Faustão. E alguém acha que, se a Rede Globo desencanar do Calypso, eles vão simplesmente sumir e parar de fazer shows? É óbvio que não. Quando a grande imprensa gringa então percebeu que tinha uma molecada de camisa flanelada em Seattle fazendo barulho, esqueceram os cabeludos e suas canções sobre a Sunset Strip e foram ver qual era a daquelas canções melancólicas e raivosas. Natural, ué.

O jovem dos anos 80 se identificava com os excessos do rock farofa de uma forma aspiracional – a molecada queria ser como aqueles estranhos sujeitos de calça de oncinha que entravam no bar montados numa motocicleta, cravavam uma faca na mesa do rival, colocavam uma gostosa na garupa e disparavam cantando uma melodia sobre festejar a noite inteira. Mas conforme avançaram os anos 90, aquilo já não falava mais com eles. Tudo que era lindo, belo e colorido passou a desmoronar em uma crise cinzenta. E então os jovens passaram a se identificar com Cobain e sua galera de uma forma relacional – eles podiam, de fato, ser como aqueles caras. Um bando de moleques de cabelos desarrumados e roupas rasgadas tocando rock com as entranhas em uma garagem qualquer. Come as you are, já dizia a música.

Talvez a sentença mais acertada não seja “Kurt Cobain matou o heavy metal”, mas sim “Kurt Cobain tirou a atenção de um tipo peculiar de heavy metal”. Até porque, sejamos honestos: não creio que nem Cobain e nem nenhum dos músicos costumeiramente associados ao movimento grunge tivesse algo contra o heavy metal de maneira geral. Apesar do grunge ser tratado pelos críticos como uma espécie de herdeiro natural do punk, o caldeirão de influências daqueles moleques era muito maior. Cobain gostava do Kiss – lembram do já lendário desenho que ele fez na lateral da van de turnê da banda Melvins? E já é público e notório que uma de suas maiores influências era justamente o Black Sabbath, considerados os pais do heavy metal.

Se eu gosto do Nirvana? Não. Essa é fácil. Acho que Pearl Jam e Soundgarden, só para citar os dois mais óbvios (nem vou falar no Alice in Chains e no Stone Temple Pilots), faziam um som muito mais competente e representativo do que o executado pelo trupe de Kurt Cobain. Gosto bem mais de Foo Fighters do que de Nirvana. O Mötley Crüe que o Nirvana ajudou a derrubar na década de 90 é uma das minhas favoritas. E completo: acho um saco o fanatismo quase religioso que se formou ao redor de Cobain e cia. Além disso, tenho minhas opiniões pouco populares a respeito dos motivos de sua depressão, sobre como o grunge, movimento tipicamente independente e garageiro, atravessou as fronteiras do mainstream e tornou-se popular entre jovens de todo o planeta – e como a pressão foi demais para a cabeça dele. Mas isso sou eu. Isso é a minha opinião pessoal. No entanto, aqui o papo é outro.

É claro que entendo as críticas que um sujeito linguarudo como Gene Simmons faz à mítica que gira em torno de Kurt Cobain. Mas é preciso admitir que, como um dos grandes expoentes daquela cena de Seattle, ele foi um dos principais responsáveis por fazer com que os jovens não apenas voltassem a se interessar por ouvir rock, mas também por fazer rock. Aquela coisa de “pegue a guitarra e saia tocando”, muito comum no chamado do-it-yourself, o faça você mesmo que os punks popularizaram. Assim como os quatro fantásticos do Sabbath, assim como a maior parte das bandas do movimento conhecido como NWOBHM (New Wave of British Heavy Metal, do qual fazem parte mestres como Iron Maiden e Saxon) e assim como um certo James Hetfield, Cobain e os grunges eram filhos de uma classe operária, moleques de vida complicada e loucos para berrar suas frustrações em canções repletas de críticas ácidas.

Gostemos ou não, Cobain esteve no epicentro de um movimento que acendeu uma chama que reverbera até hoje. Os indies de hoje, sejam eles de quais vertentes forem, devem muito ao músico. Mas não apenas eles. Toda a música dita independente, todos os garotos que acham que não precisa de muito para montar uma banda e tocar sem se preocupar com cifras. É apenas subir ao palco e mandar ver, nem que seja debaixo e goteiras e para meia-dúzia de pés-sujos. É tudo sobre querer fazer e ter prazer fazendo. Se depois você e seus camaradas de banda vão conseguir um contrato milionário para se lançar no mercado, é consequência. E não o objetivo final. Claro que todo músico quer viver de música. E está certíssimo em fazê-lo, em ter ambições. Mas ambicionar a fama pela fama é vazio demais. A fama verdadeiramente duradoura vem com muita ralação. E ralar quer dizer não ter medo de dar as caras. Isso Cobain e os grunges fizeram e muito.

Não é pouco. Já é uma missão e tanto. E esta ele cumpriu com louvor.

Por Thiago Cardim

ONLINE

PAGEVIEWS

PESQUISE