5 de jun de 2014

Os serviços de streaming e a nova forma de consumir música

quinta-feira, junho 05, 2014
Você já deve ter ouvido algo a respeito dos principais serviços de streaming de música disponíveis. Rdio, Spotify e Deezer são citados com frequência não só aqui na Collectors, mas em qualquer veículo sobre música. Os três dominam o mercado de aplicativos que permitem que o usuário ouça a música que quiser em qualquer lugar que estiver. O Spotify, que chegou ao Brasil nas últimas semanas, é o principal e mais popular em todo o mundo. Deezer e Rdio vêm logo atrás. Similares em diversos aspectos e diferentes em outros, os três dividem a preferência dos ouvintes.

Vou falar sobre a minha experiência com o streaming de música. Após testar o Deezer e o Rdio, por recomendação de amigos assinei o segundo em dezembro de 2013. O preço é o mesmo da Netflix: R$ 14,90 mensais, com acesso ilimitado a todo o catálogo disponibilizado pelo aplicativo - e acredite, ele é gigantesco, indo de sucessos atuais até um mergulho profundo no passado e em sons obscuros e pouco conhecidos. Desde então, não comprei mais CDs. Nenhum. Nada. E olha que eu tinha o hábito de adquirir entre 15 e 20 CDs todos os meses. Agora, não faço mais isso. O Rdio mudou a minha forma de consumir música. Ouço no iPhone, através do aplicativo para o celular, em qualquer lugar que estou. Em casa, ele está instalado no iPad. Sincronizo o bluetooth do tablet com o aparelho de som, e tenho na tela milhares e milhares de discos. E tudo com qualidade de som excelente, ótima, de primeira e todos os outros sinônimos que você imaginar. E mais: é possível baixar tanto para o celular quanto para o tablet o que você escolher, ouvindo assim as músicas no modo offline, sem usar a sua conexão 3G ou wi-fi.

Com o Spotify e com o Deezer é a mesma coisa. Eu não uso o Deezer, não curti. Mas, com a chegada do Spotify, assinei também para ver como ele funciona - o valor é similar ao Rdio, US$ 5,90 mensais. Minhas observações: o catálogo do Spotify é ainda mais completo, com diversos discos e artistas que não estão disponíveis no Rdio. O principal é a minha banda do coração: enquanto não é possível encontrar nada do Led Zeppelin no Rdio, no Spotify todos os discos estão disponíveis. E em ambos, Beatles e AC/DC são as ausências mais sentidas, sem nenhum álbum oficial disponibilizado - certamente, por uma negociação que não foi bem sucedida com as bandas.


Eu ouço, consumo e coleciono música e discos há 30 anos. São três décadas de som. Quem me conhece sabe que a música é importantíssima na minha vida. Porém, nunca fui saudosista. Tenho lá os meus discos de vinil que recomecei a comprar aos poucos, apenas alguns títulos que possuem um significado especial para mim. Em relação ao CDs, uma parede com mais de 1.500 títulos decora a sala de estar do meu apartamento. Apesar disso, não tenho mais encostado nestes discos nos últimos seis meses. Atualmente, todo o meu consumo de música é feito através do streaming. Pode parecer radical, mas o sistema casou completamente comigo. Na rua, o celular faz a trilha no fone de ouvido. Em casa, música e descobertas via wi-fi. Não há limites, não há fronteiras, tudo é possível.

Pode ser que para você as coisas não aconteçam assim. Alguns colecionadores de discos - a maioria, na verdade -, têm dificuldade em abrir mão do formato físico, principalmente do vinil. Para mim, isso não acontece. A tão alegada e propagada qualidade sonora superior dos LPs é perceptível aos meus ouvidos - seja escutando CDs, rádios ou através do streaming -, mas não possui um diferencial tão claro e decisivo que me impeça de curtir música em outros formatos.

Talvez, em certos aspectos, eu esteja ficando velho - ou já estou, como bem atesta a minha barba branca. Um suposto ultrapassado, no entanto, não estaria consumindo música quase que exclusivamente através de seu iPhone e de seu iPad. Mas um “velho” como eu não tem mais saco e nem paciência para investir uma grana considerável em música no formato físico, quando a alternativa do streaming não apenas é mais em conta, como no meu caso bastante similar. Eu sei que não tenho a capa na mão, não tenho o encarte para folhear, não existe a textura para tocar e nem o cheiro para sentir. Mas fiz um escolha: tudo isso eu deixo apenas para alguns itens - e bem poucos. O que eu quero é música nos meus dias, e não necessariamente uma montanha de itens enchendo espaço. Essa afirmação pode parecer estranha vinda de alguém que criou um site dedicado a colecionadores de discos, mas devo admitir que esse mundo cheio de regras e mandamentos me cansou e deixou de fazer sentido para mim já há algum tempo.


A música, no entanto, jamais deixará de fazer sentido, de tornar os dias melhores, de ser companhia nos mais diversos momentos. E é justamente essa parceria, essa cumplicidade, esse estar sempre ao lado, que o streaming torna ainda mais efetivo. Na rua caminhando, no supermercado fazendo compras, almoçando, dando um tempo no meio da tarde enquanto bebo um café, fazendo o que for, o streaming me possibilita estar SEMPRE ao lado dos meus discos e música favoritas. Com ele, tudo está ao alcance da mão. E isso, no modo como eu me relaciono com a música, foi um fator decisivo para que eu mergulhasse definitivamente nessa nova forma de consumir música.

Só pra fechar: entre Rdio, Spotify e Deezer, a escolha é subjetiva e puramente pessoal. Experimente os três, veja qual você mais gosta, as facilidades e qualidades de cada um, e faça a sua escolha.

Com o streaming a música tomou uma nova forma, que inclusive conseguiu colocar a pirataria em segundo plano - assim como não comprei mais discos, também parei de fazer downloads nos últimos meses. E, para mim, parece que esse caminho é definitivo e sem volta.

Ainda bem, diga-se de passagem.

Por Ricardo Seelig

4 de jun de 2014

Veredito Collectors Room: The Black Keys - Turn Blue (2014)

quarta-feira, junho 04, 2014
O Veredito Collectors Room do mês de maio é dedicado ao novo e oitavo álbum da dupla norte-americana The Black Keys, um dos nomes mais falados e cultuados do rock nos últimos anos. Turn Blue, sucessor do megaplatinado e excelente El Camino (2011), foi analisado por cada integrante da nossa equipe, que emitiu a sua opinião sobre o trabalho e atribuiu uma nota para ele. No final, fizemos uma média geral com a soma de todas as notas e atribuímos o nosso veredito sobre Turn Blue.

E, é claro, queremos saber o que você achou do novo disco do Black Keys. Conte pra gente a sua opinião nos comentários.


Dentre os críticos, há quem diga que é resultado da influência do produtor Danger Mouse. Há quem suspeite que foi a separação de Dan Auerbach. Mas uma coisa é fato: a sonoridade do duo The Black Keys em Turn Blue, sucessor do bem-sucedido El Camino (2011), simplesmente se transformou. Esqueça o vibrante blues-rock de arena que adicionava modernidade a uma mistura de rock clássico, surf music, soul e por aí vai. Não se deixe enganar pela guitarra ganchuda que abre a faixa inicial, "Weight of Love", talvez a mais longa da dupla e que é, sem dúvida alguma, o melhor momento de Turn Blue. A realidade do disco se revela já a partir da segunda faixa, "In Time". Estamos diante de um álbum mais soturno, introspectivo, slow tempo, que flerta nitidamente com o rock psicodélico dos anos 1970, explorando temas quase sofridos, de coração apertado. E, obviamente, com uma pitadinha eletrônica só pra apimentar. Vejam: eu sou o primeiro a defender que uma banda saia do óbvio, que não se prenda a ser um cover de si mesma emulando seus grandes hits do passado. Entendo perfeitamente que um artista queira experimentar, ampliar os seus limites sonoros, amadurecer. Mas me incomoda que, com isso, ele abandone suas principais forças pelo meio do caminho, que ignore algo que funcionava perfeitamente. Melhor seria somar e não subtrair. Turn Blue não é ruim. Mas, por vezes, soa um tanto distante demais, frio, sem pegada, sem energia. Em mais de 80% da audição, o que se vê (ou ouve) são faixas com poucas variações, que mal se diferenciam entre si. O resultado beira o modorrento. Além de "Weight of Love", vale prestar atenção em "Gotta Gey Away", a gostosa canção que encerra o disco com um sabor mais quente, que remete à herança blueseira que lhes deu tanta força nas produções anteriores. Se Jack White escutar Turn Blue, muito dificilmente vai arriscar dizer que se trata de mais uma cópia de sua carreira. E não, isso não é um elogio. Nota 6 (Thiago Cardim)

El Camino pode ter sido um sucesso absoluto de crítica e vendas com o seu tributo às décadas de 1950, 1960 e 1970, com um rock direto, sem nenhuma firula e deixando bastante do blues pra trás. Continuar nesse caminho de altas velocidades e melodias apelativas não seria apenas a repetição da mesma ideia, mas também o seu desgaste. E ainda bem que não é o que ocorre em Turn Blue. O oitavo disco da dupla é tenso, arrastado, acompanhado por uma melancolia bluesy que praticamente não existia no anterior, em seus melhores momentos extrapolando na psicodelia e indo fundo no folk americano (ao seu modo, claro). Esse sentimento reflexivo se derrama tanto ao longo das onze faixas que consegue carregá-lo mesmo quando o The Black Keys insiste na mesma batidinha monótona acelerada, timbres breguíssimos e a sempre irritante distorção nas vozes – os únicos poréns deste que é um dos mais pessoais álbuns do duo de Ohio. Nota 7 (Rodrigo Carvalho)

Uma das coisas que mais me incomoda em se tratando de rock — qualquer que seja a vertente — dá as caras com força em Turn Blue, oitavo álbum de estúdio do The Black Keys: a sensação de espaços em branco; lacunas sonoras que, teoricamente, compõe o alicerce sonoro de boa parte dos grupos indie, mas que, para os ouvidos às vezes fundamentalistas de motoclube deste que vos fala, mais deixam a impressão de algo inacabado, às vezes feito intencionalmente nas coxas e irrefutavelmente visando a idolatria daquela turma descolada que frequenta a Starbucks e discute Laranja Mecânica. Estereótipos — e alfinetadas — à parte, é preciso reconhecer que, dentro daquilo que se propõe, o The Black Keys ainda é imbatível; é o famoso "para quem gosta, deve ser muito bom." A gravação, realizada no tempo recorde de um mês, é de altíssimo nível, e a produção do DJ Danger Mouse — repetindo a dose que deu origem ao aclamado El Camino (2011) — assegura a identidade musical que a tantos diz tanta coisa e à mim não diz coisa alguma. Nota 6 (Marcelo Vieira)

A parceria do Black Keys com o produtor Danger Mouse mudou a carreira do duo formado por Dan Auerbach e Patrick Carney. De nome comentado por poucos, a banda se transformou em uma das mais celebradas do rock atual - e com justiça, diga-se de passagem. Attack & Release (2008) lapidou a sonoridade crua e áspera dos primeiros discos, formatando-a para as multidões. Brothers, o sensacional disco de 2010, é uma avalanche de singles impressionante e um dos melhores álbuns dos anos 2000. El Camino (2011) é o ápice comercial do grupo, o encerramento de uma trilogia brilhante. E Turn Blue, novo disco do Black Keys, é a repetição sem graça e sem inspiração de tudo isso. Sem nenhum brilho, repetindo-se de maneira exagerada e dando voltas ao redor do próprio umbigo, a banda soa preguiçosa e modorrenta em seu novo trabalho, que não chega nem perto dos sete anteriores. Ao final da audição, duas certezas: a aliança com Danger Mouse parece ter chegado ao fim, enquanto Patrick Carney segue mais interessado em discutir com fãs de Justin Bieber e Dan Auerbach prefere bater boca com Jack White. Voltar a colocar a música como prioridade: é o que faltou em Turn Blue. Nota 4 (Ricardo Seelig)

Era improvável que o Black Keys conseguisse repetir o que alcançou em El Camino (2011). Uma mistura quase perfeita entre rock simples, pop e estilhaços de blues. De fato, não repetiu. Isso, porém, não impede que Turn Blue, novo álbum dessa dupla de Ohio, seja um bom trabalho. Na verdade, a abertura com "Weight of Love" até dá a impressão de que Dan Auerbach e Patrick Carney seguiriam no ápice, pois trata-se de uma música estupenda. Surpreendente e dona de belos solos, mostra que é até ingênuo considerá-los uma simples banda indie. Há mais por trás. "Bullet in the Brain", "Fever", "Waiting on Words" e, sobretudo, a faixa-título, também são bem legais. O problema se dá em faixas como "10 Lovers", "It's Up to You Know", "In Our Prime" e a terrível "Gotta Get Away", quando a queda de qualidade do disco é vertiginosa. Ouça e se divirta. Só não espere um novo clássico absoluto. Nota 7,5 (Guilherme Gonçalves)

O nosso veredito final é 6,1

Equipe Collectors Room

Coldplay: crítica de Ghost Stories (2014)

quarta-feira, junho 04, 2014
Antes de qualquer coisa, preciso fazer uma confissão. Eu tentei. De verdade, eu juro que tentei. Por mais que não acredite nesta tal de "imparcialidade" (ser imparcial, para mim, é exatamente o contrário do que é ser crítico, mas esta discussão fica pra depois), eu tentei despir minha mente e meu coração de quaisquer preconceitos assim que começou a audição de Ghost Stories, o novo disco do Coldplay. Fui totalmente aberto. Mas quando dei o play e a faixa de abertura, "Always in My Head", entregou uma vibração etérea, quase Enya, tudo foi por água abaixo. Falhei miseravelmente. E já passei a odiar o disco logo de cara. Não fui capaz. Mesmo assim, fui persistente. E ouvi o diacho até o final. Passei a ter muito orgulho de mim mesmo. Porque foi uma tarefa árdua.

Juro que não consigo entender o Coldplay, por mais que eu tente. Não que toda a carreira deles seja um fracasso. Sou absolutamente capaz de enxergar alguns bons momentos. Mas o meu ponto é que eles são apenas "alguns". E Ghost Stories não está, definitivamente, entre eles. Estamos diante daquele que deve ser um dos discos mais esquecíveis da trajetória de Chris Martin e seus comandados. Se ele simplesmente não tivesse sido lançado, em nada mudaria a discografia dos caras. Todas as músicas se parecem demais, sem sabor, sem brilho, misturadas. A necessidade de ser sempre meio místico, misterioso, cantando sussurrado, doce e fofo, com estrelinhas brilhando ao redor, chega a ser cansativa. Tudo fica com um sabor de balada açucarada, por mais que a letra aborde qualquer outro assunto mais espinhoso, mais complicado, mais desafiador.

É um disco de uma banda de rock no qual falta, vejam os senhores e as senhoras, rock. Porque, por mais fofa que uma banda queira ser, ela precisa se entregar, precisa mergulhar na canção, na performance. Ou então vira uma coisa blasé, do tipo "não me importo, não estou sentindo nada, mas sou uma gracinha de bom moço". Em uma das edições do finado Top Top, um dos meus programas favoritos nas últimas encarnações da MTV, a simpática irlandesa Enya era definida como “não-música”. Eles diziam que tudo que ela fazia era reunir meia-dúzia de suspiros, uns cantos de passarinhos e 1/3 de sons de água correndo e pronto. Tava resolvido. É exatamente isso que o Coldplay faz em "O", a canção de encerramento da bolacha. Vira trilha-sonora para fazer yoga, podendo facilmente ser encaixada em qualquer um daqueles discos do tipo Sons da Natureza.

O restante das canções, honestamente, ajuda bem pouco. Em "Magic", os minutos finais trazem um violão acústico que dá uma aceleradinha, dando um sabor mais especial. Mas fica nisso – e a música não consegue sair do 0 x 0. O single "A Sky Full of Stars" ainda consegue ganhar um respiro, com um interlúdio tipo balada do David Guetta. Acaba criando uma sensação sonora absolutamente genérica, mas pelo menos consegue injetar um mínimo de animação no disco. Isso porque nem vou mencionar a insuportável "Midnight", talvez uma das composições mais pentelhas do ano, com uma coleção de irritantes e intermináveis efeitinhos eletrônicos.

Num mundo digital e sem fronteiras, no qual é possível descobrir todos os dias dezenas de novas bandas, dispostas a experimentar, a dar a cara para bater, como diabos alguém ainda perde tempo com o Coldplay? E como diabos o Coldplay ainda perde tempo lançando uma bobagem como Ghost Stories em meio a uma indústria fonográfica em constante ebulição?

Juro que não dá pra entender.

Como eu disse, não consegui. Perdão.

Nota 3,5
Faixas:
1. Always in My Head

2. Magic

3. Ink

4. True Love

5. Midnight

6. Another's Arms

7. Oceans

8. A Sky Full of Stars

9. O

Por Thiago Cardim

3 de jun de 2014

Playlist Collectors Room: southern rock

terça-feira, junho 03, 2014
Guitarras faiscantes. Solos lendários. Vocais caipiras e cheios de sotaque. Um apaixonante tempero country. E melodia, muita melodia. Surgido no sul dos Estados Unidos na virada da década de 1960 para 1970, o southern rock foi formatado e ganhou fama mundial através de duas bandas antológicas marcadas por tragédias: Allman Brothers e Lynyrd Skynyrd. Mas, é claro, o gênero não se resume aos clãs Allman e Van Zant. Há muito mais nas estradas e encruzilhadas norte-americanas.

Para contar a história do southern rock, elaboramos um playlist cronológico para você entender como o estilo se desenvolveu ano após ano. Há nomes conhecidos em nossa seleção ao lado de outros nem tanto, em um mergulho profundo em um dos mais apaixonantes gêneros do rock.

A partir deste playlist, uma novidade: as músicas estarão disponíveis tanto no Rdio quanto no Spotify.

Pegue o seu chapéu, calce suas botas, hasteie a bandeira confederada, empunhe a sua air guitar, aumente o volume e boa diversão!

Clique aqui para ouvir no Rdio
Clique aqui para ouvir no Spotify

Por Ricardo Seelig

Dê um presente para os seus ouvidos e ouça as novas músicas do Mastodon e do Opeth

terça-feira, junho 03, 2014
Vai que vai, 2014! Vai que vai nos brindando com música da mais alta qualidade. As coisas seguem lá em cima com os novos sons do Mastodon e do Opeth, duas bandas que não sabem brincar e liberaram a segunda (Mastodon) e primeira (Opeth) prévias de seus novos discos, respectivamente “Chimes At Midnight” e “Cusp of Eternity”.

O quarteto norte-americano segue voando com o seu stoner psicodélico hard rock heavy metal, inserindo doses de melodia responsáveis por tornar a sua sonoridade mais palatável para os ouvidos menos acostumados.

Já o Opeth soa mais pesado que em seu último disco, o ótimo (na minha opinião) e mal compreendido Heritage (segundo o resto do mundo), entregando uma ótima canção que tem em sua estrutura dorsal um riff hipnótico sobre o qual a banda evolui em variadas direções.

Ouça ambas abaixo, com os links do Rdio e do Spotify (e faça outro favor a si mesmo: assine já um serviço de streaming de música e mude a sua vida):

Mastodon - Chimes At Midnight
Rdio
Spotify

Opeth - Cusp of Eternity
Rdio
Spotify

Por Ricardo Seelig

2 de jun de 2014

Apanhado sludge/doom/stoner/post-metal de maio

segunda-feira, junho 02, 2014

Mais uma edição do apanhado de notícias sobre o que aconteceu de interessante nos úmidos porões e becos do metal durante o mês de maio.

Neste último período, novidades sobre os pilares do estilo Down e Novembers Doom, o retorno do Godflesh, o The Atlas Moth com um dos melhores trabalhos de arte dos últimos anos e a banda que pode ser uma das mais brutais já surgidas na Finlândia. Vejam só:

Bongripper



Quem vê apenas a aparência dos músicos do Bongripper pode julgar que se trata de mais uma banda indie ou alternativa, e não os compositores do massacre instrumental de reverência a entorpecentes e ao inferno que pode ser conferido em álbuns como Hippie Killer (2007) e Satan Worshipping Doom (2010).

Três anos após seu último trabalho, o quarteto de Chicago retorna com Miserable, a ser lançado pelo próprio grupo nos próximos meses. Composto por apenas três músicas, o doom de boas doses psicodélicas da faixa "Endless" (e seus quase 18 minutos) pode ser ouvido no player abaixo. Confira:



Castle



Liderado pela vocalista e baixista Liz Blackwell, o trio Castle (de San Francisco, não o homônimo sludge de Minneapolis) soltou para audição completa o seu terceiro disco, Under Siege. Lançado pela Prosthetic Records dois anos depois do mais do que excelente Blacklands, o novo álbum mantém a parceria com o artista Denis Forkas (também responsável pela capa de The Satanist, do Behemoth) e apresenta a amálgama de heavy e doom metal de uma forma um pouco mais limpa do que anteriormente, sem perder nem um pouco de sua densidade. Uma versão mais polida e direta de bandas como Blood Ceremony, Witch Mountain, Demon Lung, Mount Salem e Jess and the Ancient Ones. Não tem como ser menos do que excelente.

Clique aqui para ouvir o disco completo e assista abaixo o vídeo para a música “Be My Ghost”



Down



O Down soltou o vídeo da faixa “We Knew Him Well”, uma das seis presentes em seu novo EP Down IV – Part II, lançado no dia 13 de maio. O trabalho é o primeiro a contar com Bobby Landgraf (do Honky), que substituiu Kirk Windstein e agora faz frente à Pepper Keenan no grupo de Phil Anselmo e Jimmy Bower.

Nada de muitos enfeites no vídeo, apenas a banda despejando seus riffs imundos – aquilo que se espera de um projeto formado pelas grandes mentes da música lamacenta de New Orleans. Assista:



Godflesh



G. C. Green e Justin Broadrick, os corruptores do industrial metal divulgaram a primeira música do Godflesh desde o álbum Hymns, lançado em um distante 2001.

Ringer estará no EP Decline & Fall, que deve ser lançado em junho pela Avalanche Recordings. Não apenas isso, um novo disco chamado A World Lit Only By Fire sairá até o fim do ano. O quão bom é isso?



Hush



Nascido da colheita cultivada por bandas como Cult of Luna e Neurosis, a banda americana Hush não deve soar estranha àqueles já adentrados a superfície do sludge e do post-metal. Claramente trabalhando com tentativa de soar diferenciada (além de trazer um interessante conceito) em seu disco de estreia, o quinteto ainda está em processo de desenvolvimento, mas o que pode ser ouvido em “Solus”, logo abaixo, mostra que o caminho está sendo trilhado mais do que corretamente.

Unexist deve sair no dia 24 de junho, lançado pela própria banda com uma intrigante capa.



Monarch



Túneis velhos, figuras sombrias mascaradas paradas, velas, cruzes invertidas, cortes rápidos, sangue, crânio, iconografia. Tudo em preto e branco e sobre aquele doom de proporções infernais e cataclísmicas, a lentidão funerária com a agonia drone conduzidas por berros ensandecidos? É aproximadamente o que pode ser visto no vídeo para a faixa “Mortes”, da banda francesa Monarch.

Essa cacofonia desesperadora estará em seu novo disco, excelentemente batizado como Sabbracadaver, que será lançado em 22 de julho pela Profound Lore Records. Veja logo abaixo, com certa cautela:




Mortals



O Mortals é um power trio de Nova Iorque, formado por Elizabeth Cline, Lesley Wolf e Caryn Havlik (as duas últimas fazem parte do Slaywhore, banda feminina tributo ao Slayer) que está lançando o seu segundo trabalho em 2014, chamado Cursed to See the Future. A ser lançado no dia 08 de julho pela Relapse Records, o novo álbum sucede o sludge punk apresentado em Encyclopedia of Myths (de 2009) e caminha para um lado mais doom e black metal da desgraceira sonora.

Abaixo, ouçam "The Summoning", nove minutos ruidosos e de várias mudanças de andamento, que será a terceira faixa do disco:



Novembers Doom



Entre as pioneiras (e sobreviventes) bandas do death doom americano, o Novembers Doom é conduzido pelo vocalista Paul Kuhr desde 1989, quando o grupo ainda atendia como Laceration. E em 2014 eles lançarão pela The End Records o seu nono disco de estúdio, Bled White. Produzido por Dan Swanö e Chris Wisco, será o primeiro trabalho desde Aphotic, a progressiva e brutal obra de 2011, e vem com a promessa de trazer uma mudança na sonoridade da banda. Aguardemos.

Confira abaixo o tracklist de Bled White:

1. Bled White
2. Heartfelt
3. Just Breathe
4. Scorpius
5. Unrest
6. The Memory Room
7. The Brave Pawn
8. Clear
9. The Grand Circle
10. Animus
11. The Silent Dark

Owl



O duo alemão Owl disponibilizou o seu novo EP Into the Absolute no último dia 12 de maio, pela Zeitgeister Music, e pode ser ouvido no player abaixo. O curto registro vem menos de um ano depois do conceitual e espetacular You Are the Moon, I Am the Night, clarificando e tornando ainda mais cristalino o doom metal profundo de lapsos death metal e baseado em níveis e mais níveis atmosféricos, ao longo de quatro curtas faixas (cuja duração total é aproximadamente o de apenas uma faixa do trabalho anterior).

Não que tenha se tornado uma banda de fácil assimilação, claro. Os ruídos incompreensíveis e grunhidos saídos do abismo permanecem os mesmos. Into the Absolute apenas soa como um epílogo – ou talvez o prólogo de algo que está por vir.



The Atlas Moth



The Old Believer é um dos álbuns mais aguardados de 2014 nos úmidos porões do heavy metal. E não é a toa, afinal de contas, os americanos do The Atlas Moth anunciaram o sucessor de A Glorified Piece of Blue-Sky (2009) e An Ache for the Distance (2011) para o próximo dia 10 de junho, a ser lançado pela Profound Lore Records. E considerando o que pode ser ouvido em “City of Light” e “Collider” logo abaixo, a espera será mais do que recompensadora.

Ah sim, e o trabalho artístico da capa também é um dos mais geniais dos últimos tempos.





The Swan King



O The Swan King é mais uma banda de Chicago, formada por Jamie Drier, Zafar Musharraf e Dallas Thomas, músicos que já fizeram parte de bandas como Planes Mistaken For Stars, Asschapel e Pelican (ora essa, Thomas substituiu ninguém menos do que Laurent Schroeder-Lebec, um dos fundadores dos pelicanos).

O seu segundo álbum, a ser lançado pela War Crimes Recordings em junho, se chamará Last So Long e traz as oito músicas abaixo, dando continuidade ao post-hardcore que parece saído de algum beco da década de noventa, sonoridade que já lhes rendeu shows ao lado de bandas como Indian, Black Tusk e Red Fang.

1. Explore The Void
2. At Who’s Expense
3. Closer To The Source
4. The Same Result
5. Built To Break
6. Returning To Haunt
7. Last So Long
8. As It Is

Trap Them



O Trap Them tem se mostrado uma banda cada vez menos inclassificável recentemente. Não que o seu som traga incontáveis influências, mas o híbrido entre grindcore, crust, hardcore, punk e sludge apresentado por este quarteto de Seattle parece cada vez menos comparável a de outras bandas. 

E isso ótimo, afinal de contas, aparentemente eles continuam a incorporar novos elementos em sua sonoridade, como podemos conferir em “Organic Infernal”, música com altas concentrações de caos alucinógeno que faz parte de Blissfucker, a ser lançado pela Prosthetic Records no próximo dia 10. Ouça abaixo:



Vainaja



Perigosamente autoproclamados como a banda responsável pelo “disco mais pesado já escrito no idioma finlandês”, o trio Vainaja liberou para audição a íntegra do seu debut Kadotetut, lançado pela Svart Records no dia 23 de maio. Exageros ou não a parte, é inegável a brutalidade arrastada quase claustrofóbica nas nove faixas que compõe o trabalho, personificadas na forma daquele doom death do início da década de noventa, de ritmos lentos, ritualísticos.



Por Rodrigo Carvalho

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