9 de out de 2015

10 opiniões sobre Silence in the Snow, novo álbum do Trivium

sexta-feira, outubro 09, 2015

Se continuarem neste caminho, Silence in the Snow poderá ser lembrando como o momento em que o Trivium garantiu o seu status entre os grandes nomes do metal moderno.
The Guardian

É fácil olhar para as onze faixas e ficar chateado ao ver a banda se afastando dos vocais guturais, mas ainda há muito do som clássico do Trivium aqui. É legal ver a banda evoluindo e seguindo a sua própria escolha. O disco é uma agradável surpresa. Os fãs antigos e novos irão se apaixonar por ele.
New Noise Magazine

Em Silence in the Snow, o Trivium parece ter decidido se tornar uma banda de rock de arena. Cabe a cada um decidir se isso é bom ou ruim. Todos os outros álbuns do grupo mostravam uma evolução dentro do heavy metal. Este disco não traz isso. O Trivium está buscando dentro da sua própria sonoridade os alicerces para a construção de uma música mais ampla. 
All Music

Como acontece em todos os discos do Trivium, Silence in the Snow irá polarizar as opiniões. E isso acontece porque, como sempre, trata-se de um disco diferente dos anteriores. O álbum apresenta algumas das melhores músicas da banda em anos, em uma mistura de diversos estilos, mantendo a sua própria identidade.
Loudwire

Muitas das faixas não soam tão pesadas como se esperaria de algo vindo do Trivium. Há uma vibe de triunfo e esperança em todo o disco - algo quase feliz.
Ultimate Guitar

O álbum varia entre momentos com groove, melodia e até baladas. É uma música para uma raça especial de ouvintes, e a predominância de vocais limpos e despojados pode afastar os fãs mais antigos.
Angry Metal Guy

Silence is the Snow é o Black Album do Trivium, já que reflete a evolução musical da banda de maneira semelhante ao que aconteceu com o Metallica. A mudança de direcionamento pode afastar os fãs mais antigos, mas não é necessariamente algo ruim. Algumas características da banda estão ausentes do trabalho, mas as faixas são atrativas por si só e por seus próprios méritos.
Heavy Blog is Heavy

Alguns sentirão falta dos vocais guturais. Para esses, a indicação é seguir escutando os discos do Deicide. Não há muitas bandas com a coragem de fazer o que o Trivium tem feito, mudando de direção a cada novo disco. Silence is the Snow é um excelente álbum!
StereoBoard

Sempre existirão pessoas que não gostarão da direção que a banda está seguindo. É preciso elogiar o Trivium por apostar em um caminho que não é muito popular entre seus apreciadores. Mas, a longo prazo, o mais importante é a banda fazer o que acha certo, ao invés de seguir apenas a demanda dos fãs.
Metal Obsession

Silence is the Snow é uma evolução em relação a Vengeance Falls, mas no geral fica um ar de decepção, o sentimento de que o Trivium pode fazer melhor, como já fez em Shogun e In Waves.
Sonic Abuse

8 de out de 2015

Os Melhores Discos de Todos os Tempos: 1963

quinta-feira, outubro 08, 2015

Iniciando uma nova série de posts, começamos hoje um projeto ambicioso. É o seguinte: tendo como base a mesma metodologia que utilizamos em nossos ranking de discos, vamos elaborar as listas com os 50 melhores discos lançados ano a ano, começando em 1963 e chegando até a atualidade.

Como funciona: em primeiro lugar, é feita uma pesquisa em diversas listas das mais variadas publicações e sites, com o objetivo de identificar os títulos mais relevantes de cada ano. Então, tendo uma lista base em mãos, aplicamos as notas do RYM, do All Music e de uma terceira fonte, geralmente o The Rolling Stone Album Guide. No final, somamos as notas e elaboramos a lista final.

Como já dito, a ideia é fazer isso ano a ano, a partir de 1963 - data do lançamento do primeiro álbum dos Beatles e do início de uma grande mudança na indústria musical -, publicando as listas aos poucos aqui no site. No final, o objetivo é jogar todos estes dados juntos e chegar a uma hipotética lista de melhores discos de todos os tempos.

Lembrando que as posições não passam necessariamente pelo meu gosto pessoal, já que os dados levados em conta vêm de fontes independentes.

Você irá notar uma grande quantidade de títulos de jazz, e a razão para isso é simples: em 1963 ainda não havia uma indústria musical focada primordialmente no público jovem, fato que foi sendo construído a partir da explosão de popularidade dos Beatles, que mostraram que era possível e altamente rentável investir neste público.

Pra começar, com você os 50 melhores discos lançados em 1963.

50 Kenny Burrell & John Coltrane - Kenny Burrell & John Coltrane
49 Stan Getz & Luiz Bonfá - Jazz Samba Encore!
48 Wes Montgomery - Boss Guitar
47 John Coltrane - Ballads
46 Oscar Peterson - Night Train
45 Horace Silver - Silver’s Serenade
44 Jorge Ben - Samba Esquema Novo
43 The Beach Boys - Surfer Girl
42 The Trashmen - Surfin’ Bird
41 Eric Dolphy - Conversations
40 The Impressions - The Impressions
39 Grant Green - Feelin’ the Spirit
38 The Incredible Jimmy Smith - Back at the Chicken Shack
37 Bo Diddley - Bo Diddley & Company
36 Sonny Rollins and Coleman Hawkins - Sonny Meets Hawk!
35 Thelonious Monk - Criss-Cross
34 Barbra Streisand - The Barbra Streisand Album
33 Paul Demond - Take Ten
32 Solomon Burke - If You Need Me
31 The Dillards - Back Porch Bluegrass
30 Art Blakey & The Jazz Messengers - Buhaina’s Delight
29 Ella Fitzgerald & Count Basie - Ella & Basie!
28 Dave Von Ronk - Folksinger
27 Ike Quebec - Blue & Sentimental
26 Phil Spector - A Christmas Gift For You
25 Duke Ellington - Duke Ellington Meets Coleman Hawkins
24 Frank Sinatra & Count Basie - Sinatra-Basie
23 Bill Evans - Interplay
22 Sheila Jordan - Portrait of Sheila
21 Kenny Burrell - Midnight Blue
20 Joe Henderson - Page One
19 John Lee Hooker - Don’t Turn Me From Your Door: John Lee Hooker Sings His Blues
18 Duke Ellington & John Coltrane - Duke Ellington & John Coltrane
17 John Coltrane - Impressions
16 The Beatles - With The Beatles
15 Thelonious Monk - Monk’s Dream
14 Charles Mingus - Mingus Mingus Mingus Mingus Mingus
13 Bill Evans - Conversations With Myself
12 Miles Davis - Seven Steps to Heaven
11 Freddie Hubbard - Hub-Tones
10 Dexter Gordon - Our Man in Paris
9 Duke Ellington, Charles Mingus & Max Roach - Money Jungle
8 The Beatles - Please Please Me
7 John Coltrane & Johnny Hartman - John Coltrane & Johnny Hartma
6 Jackie McLean - Let Freedom Ring
5 Sam Cooke - Night Beat
4 Walt Dickerson - To My Queen
3 Phineas Newborn Jr. - The Great Jazz Piano of Phineas Newborn Jr.
2 Bob Dylan - The Freewheelin’ Bob Dylan
1 Charles Mingus - The Black Saint and the Sinner Lady

E aí, curtiu? A dica é a de sempre: ir atrás dos títulos que você não conhece, ouvir álbuns que ainda não chegaram aos seus ouvidos, e formar assim a sua própria opinião sobre cada um deles. E, é claro, você pode postar o seu top 10 de 1963 nos comentários, mostrando para os leitores quais são os seus discos preferidos lançados naquele ano.

Vamos nessa?

The Winery Dogs - Hot Streak (2015)

quinta-feira, outubro 08, 2015

Após dois anos de seu bem sucedido disco de estreia, o The Winery Dogs lançou no último dia 2 de outubro o seu segundo álbum, Hot Streak. O retorno do super trio formado por Richie Kotzen, Billy Sheehan e Mike Portnoy mantém a qualidade da estreia, ao mesmo tempo em que dá um passo adiante.

Segundo o baterista, tudo que está em Hot Streak é fruto da colaboração conjunta dos músicos, diferente do primeiro registro, onde algumas canções já chegaram quase finalizadas. Essa característica se reflete de forma ostensiva através de composições mais técnicas, onde cada um dos instrumentistas demonstra os seus poderes. Mas não espere algo na linha do Dream Theater, por exemplo, ex-banda de Portnoy. No Winery Dogs, o virtuosismo é entregue de forma homeopática, sempre agregando detalhes e requinte às faixas. O primeiro single, “Oblivion”, já mostra isso, em uma espécie de fritação pop que desce redonda.

Com treze faixas, Hot Streak mostra o Winery Dogs explorando diversas possibilidades. Há canções mais diretas, outras que flertam com o pop, algumas mais pesadas, as necessárias baladas - enfim, de tudo um pouco, e tudo muito bem feito. É a banda mergulhando na química entre os músicos e brincando com a sua criatividade. A faixa título, por exemplo, é uma espécie de hard rock com instrumental fusion, andamento quebrado e muita melodia. Uma delícia!

Um dos pontos interessantes do Winery Dogs é que, apesar do culto imenso em torno de Portnoy e Sheehan, duas das maiores sumidades em suas áreas, o principal destaque segue sendo Richie Kotzen. Vocalista de mão cheia, com um timbre que dá um bem-vindo tempero soul a tudo, o cara ainda é um guitarrista espetacular, que sabe criar riffs, texturas e solos intrincados, quando eles se fazem necessários. E tudo isso fica ainda mais forte neste segundo registro.

Em relação ao disco de estreia, Hot Streak é um passo à frente, uma evolução. O Winery Dogs soa muito mais entrosado em seu segundo álbum, com músicas fortes que compõe um resultado final bastante positivo.

Pra ouvir durante dias, sem parar.


Quem vale a pena ver no Lollapalooza, o retorno de Tarja Turunen e o fã que construiu uma réplica da Caixa Forte do Tio Patinhas

7 de out de 2015

Ranking de discos: Judas Priest

quarta-feira, outubro 07, 2015

Funciona assim: pegamos as avaliações do Rate Your Music, do All Music e da Rolling Stone, fazemos uma média e chegamos ao resultado final. Como as notas vêm de três fontes diferentes, garantimos uma certa credibilidade pra brincadeira.

Dessa vez, avaliamos todos os discos lançados por um dos maiores e mais influentes nomes do heavy metal: a banda inglesa Judas Priest. Cada um dos 17 álbuns de estúdio do grupo passou por esse processo - álbuns ao vivo e compilações não entram.

Com vocês, o ranking de discos do Judas Priest:

17 Jugulator (1997)
16 Ram It Down (1988)
15 Nostradamus (2008)
14 Rocka Rolla (1974)
13 Demolition (2001)
12 Angel of Retribution (2005)
11 Turbo (1986)
10 Point of Entry (1981)
9 Redeemer of Souls (2014)
8 Defenders of the Faith (1984)
7 Sin After Sin (1977)
6 Sad Wings of Destiny (1976)
5 Screaming for Vengeance (1982)
4 Killing Machine (1978)
3 British Steel (1980)
2 Stained Class (1978)
1 Painkiller (1990)

Minha opinião sobre a discografia do Judas: meu disco preferido da banda é o British Steel. Depois, no meu gosto pessoal vem o Sin After Sin e o Sad Wings of Destiny. Mais abaixo, o Killing Machine - que em alguns mercados saiu com o título de Hell Bent for Leather - e o Screaming for Vengeance. Na sequência, Turbo, Defenders of the Faith, Stained Class e Rocka Rolla. Não gosto de praticamente nada que a banda lançou depois de 1986, incluindo aí Painkiller, que a maioria considera um clássico, mas que nunca fez muito sentido pra mim. A fase com Ripper Owens acho horrível, bem como os álbuns lançados desde o retorno de Rob Halford. 

E vocês, quais são os seus álbuns favoritos do Judas Priest? Coloquem nos comentários os seus tops 5 sobre a discografia da banda.

Graveyard - Innocence & Decadence (2015)

quarta-feira, outubro 07, 2015

A alta demanda pelo classic rock gerou um boom de bandas com sonoridade propositalmente vintage. O que não falta são nomes explorando a estética setentista, com guitarras empoeiradas, riffs inspirados naquela década e todo um trabalho de repaginação dos clichês que transformaram os anos 1970 em um dos períodos mais férteis do rock.

Mas é preciso saber navegar por esse enxame musical, afinal, como todo mundo sabe, quantidade não é e nem nunca foi sinônimo de qualidade. São poucos os nomes que se destacam no nicho. Podemos citar os suecos do Horisont e do Crystal Caravan, e também os islandeses do Vintage Caravan, todos com bons discos no currículo. Mas o gênero - se é que dá pra chamar assim -, é dominado por dois quartetos excepcionais: os californianos do Rival Sons e os suecos - eita país pra ter banda boa, viu? - do Graveyard.

Enquanto os norte-americanos partem do Led Zeppelin para criar o seu hard rock pesado, o Graveyard embala elementos diversos em seu caldeirão sonoro, colocando na mesa uma bem azeitada mistura de influências. Lançado no último dia 25 de setembro, Innocence & Decadence é o quarto álbum da banda e mantém a alta qualidade dos três trabalhos anteriores - Graveyard (2007), Hisingen Blues (2011) e Lights Out (2012). Musicalmente, é um passo adiante em relação ao último disco, agregando de vez os elementos psicodélicos apresentados em Lights Out, afastando a banda ainda mais da influência blues que permeava os dois primeiros registros.

Há uma mudança de formação em Innocence & Decadence. O baixista Rikard Edlund, afastado da turnê anterior devido aos seus problemas com drogas, deu lugar a Truls Mörck, ex-Den Stora Vilan. Com ele, a banda ganhou um reforço bem-vindo, principalmente nos backing vocals. Joakim Nilsson segue sendo o principal destaque, com seu timbre rouco curtido em doses industriais de cigarro e whisky. Isso, aliado à produção, que mantém a timbragem suja e empoeirada de Lights Out, dá um charme todo especial ao disco.

A banda segue alternando canções agitadas com outras mais lentas e viajantes, onde alcança o auge dos seus poderes - ou seja, quem se delicou com pérolas como “Uncomfortably Numb”, “Slow Motion Countdown” e “Hard Times Lovin’" terá novas canções na mesma linha, tão espetaculares quanto. 

Entre as faixas, que montam um tracklist bastante coeso e sólido, alguns destaques como “The Apple & The Tree”, “Too Much is Not Enough” (com backing vocals femininos que dão um certa clima gospel), “Hard-Headed” e a dobradinha final, com as lindas “Far Too Close” e “Stay for a Song”. 

Com o Innocence & Decadence, o Graveyard mantém a alta qualidade de sua discografia. Mais um acerto desta banda sueca, um dos melhores nomes do rock atual, com justiça.

6 de out de 2015

Por que não conseguimos nos desapegar dos clássicos e abraçar o novo?

terça-feira, outubro 06, 2015

A discussão é antiga, e volta e meia retorna à mesa: por que o fã de rock não consegue se desapegar dos nomes clássicos do gênero? Qual o motivo que leva o apreciador do estilo ser tão resistente à novos nomes? Os mais apressados (ou preguiçosos e preconceituosos, você escolhe o termo) afirmarão de imediato que falta qualidade aos artistas atuais. Falta não. E exemplos para isso também não faltam. O que acontece então?

A questão é que, quando falamos sobre música, quando analisamos a música, existe um grande fator subjetivo e emocional na jogada, sempre - mesmo que alguns não admitam ou não consigam enxergar. A questão subjetiva se manifesta através da formação do gosto pessoal de cada um. E isso se dá com base nas referências que cada pessoa possui dentro do universo musical. Se alguém só ouvir um gênero, terá como referência para análise apenas as características daquele estilo específico, seja ele qual for. E, como sabemos, cada gênero musical possui as suas particularidades e bases distintas. 

É absolutamente natural que, ao começarmos a ouvir música, ou ao termos o nosso primeiro contato com o rock, o que atraia de imediato nossos ouvidos virgens sejam as sonoridades menos complexas e mais convencionais. Ninguém irá exigir que um garoto de 10 anos se sinta atraído pelo post-rock do Russian Circles ou pelas experimentações do Radiohead, mas é perfeitamente plausível que ele dê os seus primeiros passos no estilo através das composições clássicas de nomes como Beatles, Rolling Stones, Kiss, Creedence, Black Sabbath e outros grupos que possuem canções, digamos, mais diretas. E então, absorvendo e entendendo o que chega aos seus ouvidos, nosso pequeno ouvinte começará a identificar os elementos que mais o atraem na rock, ao mesmo tempo em que inicia a construção do seu vocabulário musical. Esses elementos podem ser ferramentas como riffs, andamentos, refrãos grudentos, melodias. Ou aspectos mais etéreos e menos plausíveis, como energia, sentimento, paixão. Cada um descobre o seu caminho.

Já a questão emocional possui talvez um peso ainda maior nesta fase em que estamos nos formando como ouvintes. E ela se manifesta através do significado que um artista, um canção, conquista em nossas vidas. Isso se dá através de vários exemplos. Pode ser a música que você ouvia junto com a sua primeira namorada, o disco que sei pai te deu de presente, a trilha que tocou em uma viagem que você guarda com carinho na memória, a canção que traz de volta boas recordações. E aqui, mais do que antes, cada indivíduo possuirá uma experiência distinta. É por isso que “Tiny Dancer” faz tanto sentido para mim, mas pode ser apenas mais uma canção para você. É por essa razão que “Stairway to Heaven” faz o meu mundo parar, enquanto pra você ela talvez seja apenas mais uma música de fundo. É por isso que “Jesus etc” está no top 5 da minha vida, e talvez você nunca a tenha escutado antes.

Tendo como base esses dois pontos, percebemos a importância que os artistas clássicos possuem (através dos primeiros contatos e da identificação da paixão pela música) e como eles são importantes quando estamos descobrindo e desbravando o universo musical (em qualquer ponto de nossas vidas, não importa a idade que possamos ter). Há um motivo para Led Zeppelin, Pink Floyd, Beatles, Queen e outros possuírem o status de lendas e ícones: eles foram fundamentais para o desenvolvimento, crescimento e evolução do rock, inserindo novos conceitos e abordagens. 

E aqui está o ponto em que quero chegar. Foram apenas estes nomes considerados clássicos que viraram o universo do rock de cabeça pra baixo com sua criatividade e capacidade de inovação? Não, claro que não. Na década de 1980, quando comecei a ouvir música, já se falava sobre esse assunto. Que nada fazia mais sentido sem Lennon & McCartney, que o fim do Pink Floyd era o fim de tudo, esses clichês. E, ao mesmo tempo, aqueles foram os anos em que novos gigantes surgiram e revolucionaram tudo. Exemplos não faltam: U2, R.E.M., The Cure, Iron Maiden, Metallica. A mesma situação ocorreu nas décadas seguintes, com a consolidação de novos “dinossauros" e o surgimento de novos talentos, que logo se transformaram em referência. Na década de 1990, vimos isso acontecer com Radiohead, Nirvana, Jeff Buckley, Smashing Pumpkins, Pavement, Tool, Death e mais um monte de gente. Fomos para os anos 2000 e chegou a vez de Arcade Fire, Wilco, Opeth, Flaming Lips, The Mars Volta, Porcupine Tree e outros. Nos 2010, Black Keys, Mastodon, Graveyard, Rival Sons, War on Drugs, Leprous. A lista é longa e auto-renovável. E todos esses nomes entram na fila e caminham lado a lado com os ícones que o rock foi dando ao mundo ao longo de sua história, como Beatles, Stones, Sabbath, Led e muitos outros. Alguns maiores, outros maiores, mas todos importantes.

O fato é que a própria indústria musical mudou, e isso refletiu em tudo. Há anos (e porque não, décadas), o mundo não vê surgir uma banda gigantesca, enorme, maior do que o próprio gênero. As últimas a conseguirem isso, na minha opinião, foram o Guns N’ Roses e o Nirvana. Extrapolaram tudo: o mercado, os limites entre os estilos, o alcance do próprio rock, influenciado de maneira profunda a cultura pop - coloque aí o cinema, os quadrinhos, a moda, o cotidiano. O que veio na sequência já encontrou um mercado em plena transformação, com a migração do consumo de música saindo do formato físico e indo para os arquivos digitais.

E chegamos ao ponto que torna ainda mais interessante toda essa discussão: como que, com a imensa facilidade de se chegar a qualquer artista de qualquer parte do mundo hoje em dia, a grande maioria dos ouvintes acaba sempre variando entre os mesmos nomes? Falta de conhecimento? Não, não pode ser. Basta dois ou três cliques para encontrar dezenas de sites e blogs com o que anda rolando mundo afora. Falta de curiosidade? Com um acervo praticamente infinito a disposição nos Spotifys da vida, é só ir seguindo as próprias sugestões desses serviços pra mergulhar em um mundo totalmente novo. Falta de um espírito desbravador e aventureiro? Pode ser. Vai ver que a liberdade e o mundo sem limites à disposição hoje no universo da música intimidem, mesmo de maneira inconsciente, os ouvintes, que preferem pisar e caminhar apenas pelos trajetos que já conhecem.

O fato é que a discussão é longa, necessária e cheia de possibilidades. Mas uma delas não serve de argumento: a qualidade segue forte no rock. Há dezenas de bandas com muito talento gravando álbuns muito bons nos últimos anos - aliás, como sempre aconteceu. Encontrar um espaço nos seus ouvidos para descobrir esses novos nomes é muito prazeroso, alarga o seu universo de possibilidades e dá um sopro refrescante no seu dia a dia. É só querer, apertar o play e experimentar. 

Vem junto?

Obra fundamental para entender o heavy metal ganha edição nacional

terça-feira, outubro 06, 2015

A editora Conrad acaba de lançar no mercado brasileiro o livro Barulho Infernal, indicação de leitura obrigatória pra quem aprecia e quer saber mais sobre o gênero. Tradução de Louder Than Hell: The Definitive Oral History of Metal, a obra tem 722 páginas e uma edição caprichada em capa dura. Completando, introdução escrita por Scott Ian e epílogo a cargo de Rob Halford.

O livro tem como principal diferencial o fato de contar a história do estilo a partir do ponto de vista dos músicos. Os autores, Jon Wiederhorn e Katherine Turman, entrevistaram mais de 400 músicos, incluindo nomes fundamentais como Tony Iommi, Bruce Dickinson, Ozzy Osbourne, Lars Ulrich, Eddie Van Halen, Ronnie James Dio e outros. As páginas trazem a história contada a partir das falas dos próprios personagens que construíram o gênero, resultando em um documento impressionante e imprescindível. 

Barulho Infernal: A História Definitiva do Heavy Metal, já está disponível em livrarias de todo o Brasil. Se você é um fã de música pesada, aqui está a sua nova bíblia.



5 de out de 2015

A segunda temporada de American Horror Story

segunda-feira, outubro 05, 2015

American Horror Story é uma série de horror produzida pelo canal FX. A ideia é explorar o imaginário do terror norte-americano, e a partir daí desenvolver histórias a respeito de um tema específico: fantasmas, loucura, bruxas, e o que mais for surgindo pelo caminho. 

Mas há algumas diferenças entre ela e as dezenas de títulos disponíveis nos canais pagos. Pra começo de conversa, cada temporada traz uma história com começo, meio e fim. Outro ponto característico de American Horror Story é a manutenção de um elenco base central, com os atores e atrizes desenvolvendo diferentes papéis e personagens em cada uma das temporadas do seriado. Entre os nomes mais conhecidos estão Jessica Lange, Evan Peters, Dylan McDermott, Zachary Quinto, Taissa Farmiga, Sarah Paulson, Lily Rabe e Kathy Bates, entre outros.

A série foi criada em 2011, e desde então alcançou um grande sucesso tanto de crítica quanto de público. Entre os seus vários méritos está o de reerguer a carreira de Jessica Lange, responsável por papéis centrais e marcantes em todas as edições. 

Murder House foi o título da primeira temporada, que conta a história de uma casa que foi palco de diversos assassinatos violentos ao longo dos anos, e em como isso afeta os moradores atuais. A segunda, intitulada Asylum, narra a história do manicômio Briarcliff, instituição administrada pela igreja e que, atrás de suas paredes, esconde maus tratos e tratamentos pouco convencionais com os pacientes. O terceiro arco tem o título de Coven e é centrado em bruxas modernas que vivem em nosso mundo, enquanto o quarto, Freak Show, mostra um circo repleto de atrações esquisitas. A quinta temporada, batizada como Hotel, estreará neste mês de outubro e contará as esquisitices acontecidas em um hotel nada convencional - Lady Gaga está no elenco.


Mas eu quero falar aqui sobre a segunda temporada, Asylum. Assisti a primeira há um tempo, e nestes últimos dias devorei a segunda no Netflix. Asylum é bastante superior a Murder House, com uma concepção de personagens mais profunda e um trabalho muito mais complexo por parte dos atores. Jessica Lange rouba a cena como uma freira sádica que comanda a instituição, cujo paciente mais conhecido é um famoso serial killer conhecido como Bloody Face. Uma repórter investigativa entra no hospício para entender como a coisa toda funciona, enquanto um número cada vez maior de cidadãos relata casos de abdução por alienígenas. Pra completar, o médico responsável pelo lugar possui um passado de horrores, e há algumas possessões demoníacas fechando o pacote.

Pra quem gosta de tramas que exploram o lado mais sombrio do ser humano, Asylum é um prato cheio. São apenas treze episódios de uma hora cada, muito bem escritos e dirigidos. A fotografia é magnífica, retratando as sensações de estar no local. E a trilha, como não poderia deixar de ser, possui um papel essencial, construindo atmosferas e climas que se alternam constantemente.

American Horror Story é uma das ótimas atrações disponíveis no longo catálogo da Netflix. Finalizei a segunda, e já embarquei na terceira temporada. E espero que a quarta logo seja também disponibilizada pelo canal.

Tá sem saber o que assistir? Então deixe American Horror Story pegar você!

Novos sons e vídeos: Rush, Devil You Know, Black Stone Cherry, Winery Dogs e Billy Gibbons

segunda-feira, outubro 05, 2015

O Rush liberou o vídeo com a versão de “Roll the Bones” presente em R40 Live, novo DVD/Blu-Ray da banda. O material foi gravado no Canadá nos dias 17 e 19 de junho deste ano e será lançado dia 20 de novembro.

Já o Devil You Know colocou na roda o primeiro single de seu segundo disco. They Bleed Red será lançado dia 6 de novembro pela Nuclear Blast. A nova banda do vocalista Howard Jones (ex-Killswitch Engage) faz bonito em sua nova música, com refrão forte e muita energia embalados por cenas de mulheres em um clube de strip tease.

Amaciando as coisas, o Black Stone Cherry divulgou duas prévias de seu primeiro material ao vivo. Intitulado Thank You: Livin’ Live, o DVD e Blu-Ray chegará às lojas em 30 de outubro via Eagle Vision. A banda liberou os vídeos de “Me and Mart Jane” e “White Trash Millionaire”. Dando uma olhada no tracklist, chama a atenção a presença de versões para “Sunshine of Your Love” e “Layla”.

Quem também está de vídeo novo é o Winery Dogs, trio formado por Richie Kotzen, Billy Sheehan e Mike Portnoy. O clipe de “Oblivion" traz cenas dos músicos captadas em estúdio. A música está em Hot Streak, segundo álbum do grupo, já disponível nos serviços de streaming.

Fechando em alto nível, Billy Gibbons liberou para o mundo a sua releitura de “Got Love If You Want It”, clássico de Slim Harpo. A versão estará em Perfectamundo, primeiro álbum solo do barbudo, com data de lançamento marcada para 6 de novembro.

O Demonologista - Andrew Pyper (Darkside Books, 2015)

segunda-feira, outubro 05, 2015

Uma mistura de O Código Da Vinci com O Exorcista”. Esta frase está no release de O Demonologista, e faz todo sentido. Escrito pelo canadense Andrew Pyper, o livro é uma espécie de road movie demoníaco e conta uma história cativante, repleta de surpresas e mudanças de curso.

A trama é centrada em David Ullman, professor universitário especialista no modo em como o diabo é retratado na literatura, e que tem como principal objeto de estudo o clássico Paraíso Perdido, de John Milton. Ullman é uma espécie de Robert Langdon, o herói dos livros de Dan Brown, cujo objeto de estudo é a figura do demônio. David recebe a visita de uma mulher misteriosa, que o convida a fazer uma viagem para Veneza com o objetivo de avaliar um fenômeno que está ocorrendo na histórica cidade italiana. Lá chegando, presencia a manifestação de um demônio e quase simultaneamente perde a sua filha adolescente, que o havia acompanhado na jornada.

A partir daí, o que temos é a busca incessante de David Ullman por Tess, sua filha. E ela se dá através de pistas espalhadas pelo demônio e pela própria Tess através de cidades do interior dos Estados Unidos, em uma jornada repleta de surpresas pelo caminho. O texto de Pyper é enxuto e conciso. Com uma narrativa cinematográfica, o autor prende o leitor página à página, em uma história que vai revelando suas tonalidades aos poucos. Não à toa, a obra está sendo adaptada para o cinema e terá a direção de Robert Zemeckis, conhecido por clássicos como De Volta Para o Futuro e Forrest Gump.




A edição nacional de O Demonologista ficou a cargo da Darkside Books, e mais uma vez temos um trabalho gráfico e editorial do mais alto nível. A capa é dura e com aplicação de texturas, enquanto o papel interno possui uma gramatura maior e uma tonalidade diferente, o que dá ainda mais charme ao livro. Além disso, a versão nacional vem com várias ilustrações criadas pelo francês Gustave Doré, artes que estão também em uma das edições mais conhecidas de Paraíso Perdido. E, como complemento, traz uma breve biografia de Milton e analisa o impacto cultura de Paraíso Perdido sobre o mundo em que vivemos.


O Demonologista conta uma história viciante, capaz de prender o leitor de maneira instantânea. Relativamente curto - são apenas 320 páginas -, o livro é uma ótima indicação para quem gosta de tramas que exploram os aspectos mais sombrios da nossa cultura. Garantia de uma ótima leitura!




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