14 de jul de 2018

Discoteca Básica Bizz #100: The Stranglers - Black and White (1978)

sábado, julho 14, 2018

Tenho a mania de fuçar nos sebos de discos usados. E também de revirar ofertas nas chamadas lojas populares. É um hábito antigo, que já me rendeu descobertas inesperadas. A inaugural foi nos idos de 1974, num desses saldões. Entre duplas sertanejas e galãs bregas, encontrei duas coletâneas de Velvet Underground! Eram da série Pop Giants (com medonhas capas-padrão), do selo Polyfar - da atual PolyGram. Um encalhe que valia outro, pois até então nenhum outro trabalho do grupo tinha sido editado no Brasil.

Dei de cara com achado semelhante alguns anos depois, ao me deparar outras duas jóias raras, disfarçadas de artigos em liquidação: No More Heroes e, especialmente, Black and White, do quarteto inglês The Stranglers - que não se sabe porque cargas d´água foram lançados aqui pelo selo Copacabana, logo após as edições originais. O som dos caras já impressionava no primeiro disco, que tinha como mote a iconoclastia da faixa-título (que, citando de Leon Trotsky a Sancho Pança, proclamava não haver mais heróis), mas no álbum posterior era ainda mais poderoso.

Na época, só havia edições nacionais de alguns poucos discos do emergente punk rock (a coletânea bazuca A Revista Pop Apresenta o Punk Rock, Never Mind the Bollocks dos Sex Pistols, The Clash com seu primeiro álbum), mas os estranguladores soavam diferentes. Ao ataque punk eles uniam um som depurado, em que a simplicidade do vocal e da guitarra de Hugh Corwell somava-se às firulas tecladísticas bem dosadas de Dave Greenfield, ao baixo de Jean-Jacques Burnel e à bateria de Jet Black embaçando a moldura sonora.

Os "homens de negro" (como eles se autodefiniam) eram umas figuras um tanto bizarras. Pareciam estar no lugar certo e na hora certa - ou melhor, chegaram antes, pois seu álbum de estréia (Rattus Norvegicus, lançado em abril de 1977) era anterior à explosão do punk britânico. Porém, eles tinham a fachada errada, mesmo naqueles tempos da anarquia.


Para começar, se o perfil dos punks era notoriamente juvenil, eles eram velhões: Cornwell havia desistido de ser professor de química para tornar-se guitarrista e junkie em tempo integral. Burnel (músico de ascendência francesa, apesar de ter nascido em Londres) também tinha largado seu curso de história, enquanto Jet Black era sorveteiro antes de manejar as baquetas. Através de um anúncio na Melody Maker (que requeria um tecladista para um grupo de soft rock), eles entraram em contato com Greenfield. O quarteto tinha uma formação esquisita, mas que acertou na mosca com a combinação musical, tanto que foram incorporados prontamente ao movimento punk, apesar de frequentemente acusados de sexistas e de machistas - por colocarem strippers girls em seus shows, por exemplo.

A música era agressiva nas cordas, nas letras e nos vocais. Mas ao mesmo tempo eles se permitiam fazer digressões psicodélicas à la The Doors ou até mesmo a pequenos toques de música clássica, dados pelo tempero dos teclados. Esta mistura chegou em ponto de bala no terceiro álbum, Black and White. Com algumas das canções mais emblemáticas do grupo ("Nice ´n´ Sleazy", "Threatened", "Toiler on the Sea"), o disco ainda tratava com cinismo e deboche temas militaristas ("Tank", "Curfew"), consumismo ("Outside Tokyo") e até o pretenso chauvinismo deles - "Do You Wanna", "Death and Night and Blood (Yukio)". Tudo disposto em instantâneos de luz e sombra, num contraste que era sugerido pela própria apresentação do álbum. Outros trabalhos musicalmente mais sofisticados do grupo surgiriam depois - como os álbuns The Gospel According to the Meninblack (1981), La Folie (1981) e Feline (1983) -, todos muito bons, é verdade, mas sem a mesma pegada de Black and White.

Depois, o grupo teve êxitos esparsos, até sofrer pesada baixa com a saída de Cornwell, em 1991. Mas não importa: o retrato definitivo dos estranguladores já tinha sido tirado em 1978, em preto e branco.

Texto escrito por Celso Pucci e publicado na Bizz #100, de novembro de 1993

13 de jul de 2018

Alter Bridge lança álbum gravado ao vivo com orquestra

sexta-feira, julho 13, 2018

O Alter Bridge anunciou o lançamento de um novo material ao vivo. Live at The Royal Albert Hall será o quarto álbum ao vivo da banda norte-americana e foi gravado em outubro de 2017 em Londres, durante duas datas em que o quarteto contou com a participação da Parallax Orchestra, conduzida pelo maestro Simon Dobson e com 52 músicos na formação.

O título chegará às lojas dia 7 de setembro em CD, LP, DVD e Blu-ray, e traz 21 faixas. O tracklist está abaixo, bem como o teaser do material e a versão para “Addicted to Pain”:

01. Slip To The Void 
02. Addicted To Pain 
03. Before Tomorrow Comes 
04. The Writing On The Wall 
05. Cry Of Achilles 
06. In Loving Memory 
07. Fortress 
08. Ties That Bind 
09. The Other Side 
10. Brand New Start 
11. Ghost Of Days Gone By 
12. The Last Hero 
13. The End Is Here 
14. Words Darker Than Their Wings 
15. Waters Rising 
16. Lover 
17. Wonderful Life/Watch Over You 
18. This Side Of Fate 
19. Broken Wings 
20. Blackbird 
21. Open Your Eyes

O rock está bem vivo, mas a curiosidade do ouvinte de rock descansa em paz

sexta-feira, julho 13, 2018

Hoje, 13 de julho, comemora-se o Dia Mundial do Rock. Data que, para muitos, não faz sentido, já que é cada vez mais comum ouvirmos a afirmação, sempre com ares de definitiva, de que “o rock morreu”.

Não, ele não morreu. O que morreu foi a capacidade dos ouvintes de rock de irem atrás de bandas além de sua zona de conforto. O que morreu foi a curiosidade que fazia com que, anos atrás, ficássemos loucos atrás de um disco de uma banda nova que havíamos acabado de descobrir. O que morreu foi a inquietude do ouvinte de rock, hoje cada vez mais confortável em sua zona de conforto repleta de Led Zeppelins, Deep Purples, Stones, Black Sabbaths, Pink Floyds, Metallicas e as mesmas coisas de sempre.

Essas bandas foram seminais, ninguém discute isso. Mas o que precisa ser discutido é a preguiça e a acomodação do fã de rock, características essas que geram afirmações preguiçosas e repletas de preconceito como o tal “o rock morreu”.

Deixa eu contar uma coisa pra vocês: ele não só segue vivo, mas como anda muito bem das pernas. De 2000 para cá, inúmeras novas bandas surgiram no estilo, trazendo abordagens e sonoridades bastante interessantes, criativas e cativantes. 

O rock não está estagnado, não respira por aparelhos e não precisa de ajuda. Quem está estagnado, respira por aparelhos e precisa de ajuda é o ouvinte de rock, que ao que tudo indica perdeu a curiosidade e a fome de descobrir novos sons.

Neste Dia Mundial do Rock não vai ter post especial aqui na Collectors Room. Não precisa: a gente fala de rock todos os dias. Mas, pra ajudar a tirar a teia de aranha da orelha e pra limpar o mofo do ouvido, trouxemos um presentinho pra você: uma playlist com 50 bandas, 50 canções e 50 motivos que provam que o rock está vivo, passa bem e manda aquele abraço para todos. 

É isso. No Dia Mundial do Rock, a dica é uma só: tem muita coisa boa sendo produzida hoje em dia. Azar de quem está perdendo tempo em não ouvir.

12 de jul de 2018

Histórico show de Joni Mitchell é lançado pela primeira vez em home video

quinta-feira, julho 12, 2018

A icônica apresentação de Joni Mitchell no Isle of Wight Festival de 1970 finalmente será lançada de maneira oficial. O material chegará às lojas dia 14 de setembro em DVD e Blu-ray pela Eagle Vision.

Joni Mitchell Both Sides Now: Live at the Isle of Wight Festival foi dirigido por Murray Lerner, vencedor do Oscar de Melhor Documentário em 1980 por From Mao to Mozart: Isaac Stern in China, e que faleceu em setembro de 2017. O material traz o show, novas entrevistas com a cantora e cenas de backstage. O título inclui canções marcantes como “Woodstock”, “Both Sides Now”, “A Case of You” e “Big Yellow Taxi”.

A edição de 1970 do Isle of Wight Festival contou com nomes como The Who, Free, Jethro Tull, ELP, Ten Years After, Jimi Hendrix, Sly & The Family Stone, The Doors, Miles Davis e outros. Com um público muito maior que a capacidade do local, os shows ficaram marcados por uma audiência e uma atmosfera tensas. A apresentação de Joni Mitchell, em particular, foi bastante afetada por este ambiente, sendo interrompida várias vezes. A cantora encarou o público, pediu respeito pela sua música e seguiu em frente, arrancando elogios da imprensa musical britânica da época.

Assista ao trailer abaixo:

Paul Simon anuncia novo disco

quinta-feira, julho 12, 2018

In the Blue Light, décimo-quarto álbum de Paul Simon, será lançado dia 7 de setembro em vinil e CD. O disco é o sucessor de Stranger to Stranger, que saiu em 2016.

Produzido pelo próprio Simon e por Roy Halee, o trabalho traz o vocalista revisitando e dando novos arranjos e interpretações para algumas das canções favoritas de seu próprio catálogo. “Esse disco é composto por músicas que estavam quase redondas ou eram estranhas o suficiente para serem ignoradas na primeira vez. Refazer arranjos, estruturas harmônicas e letras que não significavam algo claro me deu tempo para esclarecer em minha própria cabeça o que eu estava querendo dizer, ou então perceber o que eu estava pensando e fazer com que fosse mais facilmente compreendido”, afirmou Paul.

Músicos como Wynton Marsalis, Bill Frisell, Jack DeJohnette e Steve Gadd estão ao lado de Paul Simon em In the Blue Light.

Abaixo você pode assistir a um vídeo onde Paul fala sobre o disco:

Bluesmen de Chicago gravam disco com releituras de clássicos dos Stones

quinta-feira, julho 12, 2018

Músicos de blues de Chicago se reuniram e estão lançando um disco só com releituras de clássicos do Rolling Stones. Nomes como Buddy Guy, Jimmy Burns, John Primer, Omar Coleman e outros estão no álbum Chicago Plays the Stones, que teve a produção assinada por Larry Skoller.

O que me inspirou foi pegar as músicas dos Rolling Stones e transformá-las em autênticas composições de blues de Chicago, enquanto tentava manter, simultaneamente, a tradição tanto do blues quanto da sonoridade dos Stones. O desafio era preservar a integridade da melodia e da harmonia, e fazer com que elas fossem reinventadas em suas origens. A brincadeira era imaginar como Muddy Waters, Howlin’ Wolf, Sonny Boy Williamson e todos esses caras teriam interpretado essas músicas na época. A oportunidade de desenvolver novos arranjos para todas essas canções e trabalhar com os melhores caras de Chicago em uma homenagem aos Stones, trazendo de volta as raízes musicais de suas próprias canções, fez com que eu me sentisse envolvido em algo histórico”, afirmo Skoller.

Mick Jagger e Keith Richards participam do disco em parcerias com Buddy Guy e Jimmy Burns nas faixas “Doo Doo Doo Doo Doo (Heartbreaker)” e “Beast of Burden”, respectivamente.

O álbum será lançado dia 14 de setembro em CD digipak, com direito a um pôster no formato 21x33 cm, e já está em pré-venda no site oficial do projeto.

O tracklist de Chicago Plays the Stones você confere abaixo:

"Let It Bleed" - John Primer
"Play With Fire" - Billy Boy Arnold
"Doo Doo Doo Doo Doo (Heartbreaker)" - Buddy Guy, Mick Jagger
"Satisfaction" - Ronnie Baker Brooks
"Sympathy For The Devil" - Billy Branch
"Angie" - John Primer
"Gimmie Shelter" - Leanne Faine
"Beast Of Burden" - Jimmy Burns, Keith Richards
"Miss You" - Michael Avery
"I Go Wild" - Omar Coleman
"Out Of Control" - Carlos Johnson
"Dead Flowers" - Jimmy Burns

Discoteca Básica Bizz #099: The Modern Lovers - The Modern Lovers (1976)

quinta-feira, julho 12, 2018

Do punhado de pessoas que já ouviram falar em Jonathan Richman, a maior parte delas ficou conhecendo seu nome através da gravação de "Roadrunner", feita pelos Sex Pistols na trilha de The Great Rock ’n' Roll Swindle (1980).

A história do garoto que, com o seu carro em alta velocidade com o rádio ligado se descobriu um "apaixonado pelo mundo moderno", botou os discípulos do levante punk para caçar os discos deste precursor de Boston, Massachussets. Uma missão quase impossível - achar os álbuns de Richman e sua banda, os Modern Lovers - mas que, uma vez cumprida, trazia a recompensa de se encontrar o verdadeiro elo perdido entre o Velvet Underground, os Stooges e a renascença do rock and roll nova-iorquino, que foi puxada pelos New York Dolls no início dos anos 1970.

Nada comprovava melhor o caráter pacifista dos hippies do que o fato de Richman não ter sido linchado no campus da universidade, entre 1970 e 1971, quando - de cabelo bem curtinho - cantava, para todos ouvirem, canções como "I'm Straight" ("Eu Sou Careta"). O garoto era o mais assíduo frequentador de shows do Velvet Underground e dos Stooges e, em pouco tempo, montou os Modern Lovers - pois se "sentia muito sozinho". Junto a Ernie Brooks (baixo) Jerry Harrison (o futuro Talking Heads, nos teclados) e David Robinson (na bateria, depois The Cars), Richman usou como chassis instrumental para as suas peculiaríssimas letras uma propulsão encorpada, simplória mas energética, onde as guitarras e o órgão em uma única camada comandavam a clássica "What Goes On", da banda de Lou Reed e John Cale. A mesma base sonora, não por acaso, dos dois primeiros álbuns dos Talking Heads. Além do que a imagem de rapaz simultaneamente ingênuo e sério retratada nas letras de Jonathan Richman prefigurava a persona "pré-tropicalista" de David Byrne. 

Como letrista, o cabeça dos "amantes modernos" foi insuperável. Em "Pablo Picasso", obtinha a proeza de rimar o nome do pintor com "asshole", no lapidar verso: "Às vezes você tenta ganhar uma garota e ela te chama de cuzão / Isso nunca aconteceu com Pablo Picasso". E existiram poucas baladas românticas tão originais como "Hospital", em que o protagonista amarga a espera da saída da namorada internada. Em 1972 a banda atraiu a Warner, que a levou para Los Angeles, onde gravaram uma demo com John Cale (à esta altura, ex-Velvet e produtor do primeiro álbum dos Stooges) - claro, escolha de Richman.


As gravações arrepiaram os executivos da gravadora e ficaram só acumulando poeira em alguma prateleira até que o selo Beserkley as lançasse, quatro anos depois, em forma de álbum de estreia, capa preta com um coração azul, The Modern Lovers. Apenas duas outras sessões de gravação foram feitas antes de Richman desmontar o grupo original e partir para outra: uma iniciativa auto-produzida num estúdio em Boston, logo após a volta de Los Angeles (da qual algumas faixas engrossam o disco da Beserkley), e outra demo produzida pelo incansável agitador californiano Ken Fowley, em 1973. 

Esta última acabou sendo o segundo único registro dos Modern Lovers, também lançado postumamente, pelo selo inglês Bomp!. Amadorísticas até a medula, estas gravações valem mais como curiosidade e item de colecionador e não chegam perto das produzidas por Cale, estas sim, verdadeiros documentos. Mais até do que os New York Dolls, os Modern Lovers deram um 'too much, too soon' e estavam ao menos quatro anos à frente de seu tempo. Hoje, uma banda como Ween traz uma excentricidade debilóide aparente, embalada em melodias infantis, que é um verdadeiro tributo a Richman, se não for imitação pura e simples.

Richman está à frente de New York Dools, Suicide, Television, Ramones, etc, perdendo em importância só para o Velvet e os Stooges. E ele segue solo cantando a vida no mato, um sorriso e olhos faiscando com uma inteligência que não estamos acostumados a ver no rock and roll e no pop. Uma história antiga: a profecia está cumprida e o visionário vive feliz no casulo quentinho do ostracismo.

Texto escrito por José Augusto Lemos e publicado na Bizz #099, de outubro de 1993

Mais de 7 milhões de discos de vinil foram vendidos nos Estados Unidos no primeiro semestre

quinta-feira, julho 12, 2018

Segundo dados da Nielsen Music, aproximadamente 7,6 milhões de discos de vinil foram vendidos nos Estados Unidos durante o primeiro semestre de 2018. Esse é um aumento de 19,2% em relação ao mesmo período de 2017. Desse total, 800 mil foram comercializados durante o Record Store Day, que aconteceu dia 21 de abril, demonstrando mais uma vez a incrível força da iniciativa.

A Nielsen também fez um ranking com os 10 LPs mais vendidos no primeiro semestre no mercado norte-americano, focando apenas em discos novos e não incluindo o enorme mercado de LPs usados. Confira o top 10 abaixo:

1. Jack White – Boarding House Reach – 37,000 unidades vendidas
2. Kendrick Lamar – Damn. – 30,000 unidades vendidas
3. Guardians Of The Galaxy – Guardians Of The Galaxy: Awesome Mix – 28,000 unidades vendidas
4. Michael Jackson – Thriller – 28,000 unidades vendidas
5. Fleetwood Mac – Rumours – 28,000 unidades vendidas
6. Panic! At The Disco – Pray For The Wicked – 26,000 unidades vendidas
7. Justin Timberlake – Man Of The Woods – 26,000 unidades vendidas
8. Prince – Purple Rain – 25,000 unidades vendidas
9. Amy Winehouse – Back To Black – 25,000 unidades vendidas
10. Beatles – Sgt. Pepper’s Lonely Hearts – 23,000 unidades vendidas

An American Treasure: todos os detalhes sobre o incrível novo box de Tom Petty

quinta-feira, julho 12, 2018

An American Treasure, box que traz material inédito de toda a carreira de Tom Petty, será lançado dia 28 de setembro pela Reprise Records. A caixa traz 60 faixas inéditas entre músicas nunca lançadas, versões alternativas, raridades e gravações ao vivo. O primeiro single do material é “Keep a Little Soul”, canção gravada durante as sessões do álbum Long After Dark (1982) e que permanecia inédita.

A filha e a esposa de Tom, Adria e Dana Perry, estão por trás do lançamento, que é um tributo à obra do vocalista e guitarrista. Mike Campbell e Benmont Tench, guitarrista e tecladista do The Heartbreakers, e Ryan Ulyate, engenheiro de som que trabalhou com Petty por um longo período, fizeram a curadoria do box e são os produtores da caixa. 

"Toda pessoa envolvida nesse projeto escolheu cada música com um tremendo cuidado e um profundo respeito pela obra que Tom Petty criou em mais de quarenta anos de carreira. Ele acumulou bastante material inédito em seus arquivos, e nós pesquisamos e encontramos uma jóia atrás da outra durante o processo de curadoria do material, ouvindo e descobrindo novas facetas do talento de Tom. Não vemos a hora de compartilhar com os fãs esse retrato musical de um artista que influenciou profundamente a cultura e tocou milhões de vidas em todo o mundo”, declararam Adria e Dana. 


An American Treasure será lançado em diversos formatos: caixa com 4 CDs e 60 músicas, incluindo um livro de 52 páginas com textos e fotos inéditas; box com 4 CDs com 60 músicas e um livro de capa dura com 84 páginas incluindo um ensaio do escritor Nicholas Dawidoff sobre a obra de Tom Petty, além de litogravuras e outros materiais adicionais; caixa com 6 LPs com todas as 60 músicas e um livro de 48 páginas (essa versão será lançada somente no dia 23/11); e, por fim, uma edição mais enxuta em CD duplo com 26 canções. O tracklist completo pode ser conferido neste link. A arte da capa foi criada pelo artista Shepard Fairey, sobre uma imagem clicada pelo fotógrafo Mark Seliger. 

Pra entrar no clima, você pode ouvir “Keep a Little Soul” abaixo:

Mudhoney anuncia novo disco e mostra nova música

quinta-feira, julho 12, 2018

Após cinco anos de silêncio, o Mudhoney lançará um novo disco em setembro. Digital Garbage é o sucessor de Vanishing Point (2013) e chegará às lojas dia 28/08 pela Sub Pop. O álbum traz 11 faixas e foi produzido por Johnny Sangster.

De acordo com a banda, grande parte do disco é uma reflexão sobre o momento atual dos Estados Unidos. Segundo o vocalista e guitarrista Mark Arm: “Eu não estou nas redes sociais, então minha experiência é um pouco limitada, mas as pessoas realmente parecem encontrar validação nos gostos – e há o Facebook Live, onde as pessoas transmitem de tudo, desde tortura até assassinato. Ao escrever essas músicas, pensei em como, uma vez que você coloca algo online, você não pode apagá-lo. Sempre vai estar lá – mesmo que ninguém descubra, ainda estará por aí flutuando em algum lugar.

O disco também aborda temas como os protestos de Charlottesville em 2017, onde dezenas de neonazistas norte-americanos marcharam à luz do dia e chocaram o mundo, e os tiroteios em massa comuns nos Estados Unidos.

Ouça “Paranoid Core”, primeira prévia de Digital Garbage, abaixo:

Opeth está trabalhando em novo disco

quinta-feira, julho 12, 2018

Em entrevista do FaceCulture, o guitarrista Fredrik Åkesson confirmou que o Opeth já iniciou o processo de composição de seu novo disco, sucessor do ótimo Sorceress, lançado em 2016. “Estamos bem avançados. Já gravei muitos solos até agora, e Mikael escreveu 12 músicas por enquanto, então temos material mais do que suficiente para um disco. A ideia é terminarmos ao menos 15 canções. A ideia é lançar o álbum no primeiro trimestre de 2019, mas ainda não dá pra ter certeza de que conseguiremos fazer isso. As composições estão indo muto bem e todo o trabalho tem sido bastante produtivo”.

Fredrik falou também sobre o hábito de o Opeth explorar novos caminhos a cada novo disco, e como a reação dos fãs a essa postura não é uma preocupação da banda: “O primeiro filtro para o que fazemos somos nós mesmos. Se nós gostarmos, só podemos esperar que as pessoas que são fãs do Opeth também gostem. Essa é uma postura que vem do Mikael, já que ele é o diretor de criação da banda, então eu sei que ele sempre vai tentar experimentar algo novo. E, sinceramente, acho que as pessoas irão gostar desse novo disco”.

11 de jul de 2018

A história de “Mercedes Benz”, a música mais famosa de Janis Joplin

quarta-feira, julho 11, 2018

Terceira faixa do lado B de Pearl, segundo e último disco solo de Janis Joplin, “Mercedes Benz” é também, provavelmente, a canção mais conhecida da cantora norte-americana que faleceu prematuramente em 4 de outubro de 1970, com apenas 27 anos.

A música traz a cantora pedindo ao Senhor que prove seu amor por ela comprando-lhe uma Mercedes Benz, uma TV em cores e uma “noite na cidade”. A letra também traz uma referência ao programa Dialing for Dollars, atração da TV norte-americana onde as pessoas recebiam uma ligação e ganhavam prêmios enquanto assistiam. Apesar disso, a música é considerada como uma rejeição ao consumismo, postura comum aos rockstars da época em que foi gravada - Pearl chegou às lojas em 11 de janeiro de 1971, após a morte de Janis.

A letra foi escrita por Janis Joplin e pelos poetas Michael McClure e Bob Neuwirth no Vahsen’s, um bar nova-iorquino que o trio frequentava. A ideia surgiu durante uma jam improvisada de poesia entre Joplin e Neuwirth, e tem os primeiros versos inspirados em uma canção de McClure. Janis conheceu a música de Michael através de uma amiga, e quanto foi desafiada por Bob começou a cantar a frase inicial da letra de McClure - “Come on, God, and buy me a Mercedes Benz”. Durante a jam ela começou a cantar canção de Michael McClure e a improvisar novos versos, que foram eternizados por Bob Neuwirth em guardanapos que registraram a nova letra.


“Mercedes Benz” foi gravada em um único take no dia 1 de outubro 1970 e foi um dos últimos registros de Janis, que morreu três dias depois devido a uma overdose de heroína.

Considera a mais icônica canção de Janis Joplin, “Mercedes Benz” foi regravada por diversos artistas das mais variadas línguas ao longo dos anos. Por ser uma música à capella, ela também é uma faixa comumente utilizada por vocalistas para demostrarem seus dotes vocais, seja em discos, ao vivo ou em programas de auditório.

Abaixo está uma playlist com algumas versões de “Mercedes Benz” registradas ao longo dos anos, mostrando todo o poder e perenidade dessa canção imortal que surgiu de uma brincadeira entre amigos em um bar de Nova York. Enjoy!

Caixa com 4 CDs reúne material inédito de Tom Petty

quarta-feira, julho 11, 2018

Falecido em outubro de 2017 aos 66 anos, Tom Petty terá o seu legado homenageado em uma caixa com 4 CDs que será lançada no dia 28/09.

American Treasure traz 60 gravações inéditas, tanto ao vivo quanto em estúdio, registradas durante toda a carreira do vocalista e guitarrista, começando nos anos 1970 e chegando até os seus últimos dias. O material foi montado pela esposa do músico, Dana, e pela filha de Tom, Adria, com a ajuda do engenheiro de som Ryan Ulate e dos companheiros de banda Mike Campbell e Benmont Tench - respectivamente guitarrista e tecladista do The Heartbreakers, grupo que acompanhou Petty durante boa parte de sua carreira.

O tracklist ainda não foi revelado, bem como maiores informações sobre o box.

Nova compilação reúne os singles que Aretha Franklyn gravou para a gravadora Atlantic

quarta-feira, julho 11, 2018

O período em que a Aretha Franklyn passou na gravadora Atlantic, e que é considerado uma das melhores épocas de sua carreira e rendeu inúmeros singles de sucesso, é tema de uma nova compilação que a Rhino lançará em setembro.

The Atlantic Singles Collection 1967-1970 estará disponível a partir de 28/09 em CD duplo e LP duplo, sendo que o CD contará com 34 faixas enquanto o LP trará 25 músicas, todas organizadas de forma cronológica. As canções foram lançadas originalmente nos sete álbuns que Aretha gravou para a Atlantic - I Never Loved a Man the Way I Love You (1967), Aretha Arrives (1967), Lady Soul (1968), Aretha Now (1968), Soul ’69 (1969), This Girl’s in Love With You (1970) e Spirits in the Dark (1970). A única exceção é a versão para “Border Song”, canção de Elton John que ela regravou e foi lançada como single em 1970 mas foi aparecer apenas no disco Young, Gifted and Black, de 1972.


Tracklists abaixo:

The Atlantic Singles Collection 1967-1970 2CD set

Disc One
1.    “I Never Loved A Man (The Way I Love You)”
2.    “Do Right Woman, Do Right Man”
3.    “Respect”
4.    “Dr. Feelgood”
5.    “Baby I Love You”
6.    “Going Down Slow”
7.    “A Natural Woman (You Make Me Feel Like)”
8.    “Baby, Baby, Baby”
9.    “Chain Of Fools”
10.  “Prove It”
11.  “(Sweet Sweet Baby) Since You’ve Been Gone”
12.  “Ain’t No Way”
13.  “Think”
14.  “You Send Me”
15.  “The House That Jack Built”
16.  “I Say A Little Prayer”
17.  “See Saw”
18.  “My Song”

Disc Two
1.    “The Weight”
2.    “Tracks Of My Tears”
3.    “I Can’t See Myself Leaving You”
4.    “Gentle On My Mind”
5.    “Share Your Love With Me”
6.    “Pledging My Love / The Clock”
7.    “Eleanor Rigby”
8.    “It Ain’t Fair”
9.    “Call Me”
10.  “Son Of A Preacher Man”
11.  “Spirit In The Dark” – With The Dixie Flyers
12.  “The Thrill Is Gone” – With The Dixie Flyers
13.  “Don’t Play That Song” – With The Dixie Flyers
14.  “Let It Be” – With The Dixie Flyers
15.  “Border Song (Holy Moses)”
16.  “You And Me” – With The Dixie Flyers

The Atlantic Singles Collection 1967-1970 2LP vinyl

Side One
1.    “I Never Loved A Man (The Way I Love You)”
2.    “Do Right Woman, Do Right Man”
3.    “Respect”
4.    “Baby I Love You”
5.    “A Natural Woman (You Make Me Feel Like)”
6.    “Chain Of Fools”

Side Two
1.    “(Sweet Sweet Baby) Since You’ve Been Gone”
2.    “Ain’t No Way”
3.    “Think”
4.    “You Send Me”
5.    “The House That Jack Built”
6.    “I Say A Little Prayer”

Side Three
1.    “See Saw”
2.    “My Song”
3.    “The Weight”
4.    “Tracks Of My Tears”
5.    “I Can’t See Myself Leaving You”
6.    “Gentle On My Mind”
7.    “Share Your Love With Me”

Side Four
1.    “Eleanor Rigby”
2.    “Call Me”
3.    “Son Of A Preacher Man”
4.    “Spirit In The Dark” – With The Dixie Flyers
5.    “Don’t Play That Song” – With The Dixie Flyers
6.    “Border Song (Holy Moses)”


Super box celebra os 50 anos do Nazareth

quarta-feira, julho 11, 2018

Os 50 anos do Nazareth serão comemorados em grande estilo pela gravadora BMG. O selo anunciou o lançamento do box Loud & Proud!, que traz nada mais nada menos do que 39 discos que repassam o cinquentenário da banda escocesa.

A caixa contém todos os todos os álbuns de estúdio lançados pelo Nazareth, 2 CDs triplos (chamados Singles, EPs, B-Sides & Bonus Tracks e Rare & Unreleased), discos de vinil (um deles sendo picture), 3 compactos de 7 polegadas e mais um livro de 52 páginas em capa dura e inúmeros itens de memorabilia. No total, são 6 LPs, 32 CDs e mais os compactos! O box tem uma edição limitada a 5 mil cópias, sendo que 500 delas são autografadas pela própria banda - mais detalhes aqui.

O título será lançado também em dois formatos mais econômicos: CD triplo e LP duplo. Todos estarão disponíveis a partir do dia 28 de setembro.


10 de jul de 2018

Discoteca Básica Bizz #098: Big Star - #1 Record (1972)

terça-feira, julho 10, 2018

Há momentos em que Deus escreve torto por linhas certas. Num deles, o Big Star surgiu e, em pouco tempo, desapareceu.

Tudo começou na lendária Memphis, berço do blues, rockabilly e soul, onde Alex Chilton, um garoto de 16 anos, iniciou a sua errática carreira à frente dos Box Tops, um grupo de blue eyed soul à maneira dos Righteous Brothers. Lançaram o álbum The Letter / Neon Rainbow em 1967, que ficou quatro semanas no topo da parada americana. Seguiram-se mais seis sucessos, turnês com Beach Boys, The Doors e muitos desentendimentos, até que ele abandonou a banda em pleno palco durante um show, no fim de 1969.

Parecia que não tolerava que produtores lhe dissessem o que fazer. Por isso preferiu seguir solo. Gravou várias demos (depois recolhidas na compilação Lost Decade, lançada em 1986) e partiu com a cara e a coragem para Nova York, como folksinger. Não deu certo. 

Voltando a Memphis, encontrou-se com o antigo colega de escola, Chris Bell - também guitarrista e compositor. Este, por pouco (devido ao atraso no primeiro ensaio) não participou dos Box Tops. Bell, mais o baixista Andy Hummel e o baterista Jody Stephens, tinham o grupo Ice Water. Com a entrada de Chilton mudaram para Big Star, nome de um supermercado perto do estúdio Ardent (do selo Stax), onde ensaiavam e gravavam.


Em abril de 1972 estrearam com uma obra prima, o álbum #1 Record. Com influências dos Beatles, Kinks, Beach Boys e Byrds, trazia algumas das melhores pop songs da dupla Bell/Chilton - "The Ballad of El Goodo", "Thirteen", "Don't Lie to Me" e "When My Baby's Beside Me". Mas a Stax, mais ocupada com os artistas de rhythm & blues, não distribuiu bem o disco, que vendeu pouco.

Para piorar, Bell e Chilton, mergulhados em drogas pesadas, não paravam de brigar, e Bell terminou por deixar a banda. Isso fez de Radio City - segunda obra prima - um álbum mais cru, mais rock, menos polido. Lançado em 1973, foi igualmente aclamado pela crítica e muito mal distribuído. Poucos ouviram "You Get What You Deserve", "Back of a Car", "Dayse Glazer" ou "September Gurls". Andy Hummel saiu, deixando que Chilton e Stephens fizessem o sombrio 3rd (1975) - ou Sister Lovers - com músicos convidados. Bell, essencial na história do Big Star, morreria num acidente de carro em 1979, deixando o maravilhoso disco solo I Am the Cosmos (1992).

E assim a banda acabou. Hoje, o Big Star, que voltou a tocar em 1993 numa universidade do Missouri e no festival de Reading, é comparado em termos de influência (que o digam The Replacements, R.E.M, The DB's, The Posies, etc.) ao Velvet Underground. E aí não há nenhum exagero.

Texto escrito por Daniel Benevides e publicado na Bizz #098, de setembro de 1993

Semana do Rock Catarinense celebra o estilo com shows e eventos em Florianópolis

terça-feira, julho 10, 2018

Já instituída no calendário de eventos da Grande Florianópolis, a Semana do Rock Catarinense chega para sua sexta edição com a responsabilidade de ser muito mais que uma celebração do Dia do Rock, comemorado mundialmente no dia 13 de julho. Com ações entre os dias 12 e 22/07, o evento passa a ser um coletivo de artistas que visam mostrar o que há de melhor na música produzida em Santa Catarina com shows, documentários, bate papo, diversidade de ritmos e homenagens.

Para esta edição, a organização conduzida pelo músico e empresário Geraldo Borges preparou uma programação com 18 eventos com a presença de 44 bandas, exibição de três documentários e três rodas de conversa em dez palcos entre Florianópolis e São José, comprovando que a produção musical do estado é tão pungente que pode abraçar outros ritmos. “A música tem o poder de formar, informar e transformar, e para isso, neste sexto ano de evento, reunimos desde orquestra clássica, rap e música eletrônica com o rock”, destaca Geraldo.

No estilo PQQ (Pague Quanto Quiser), na simplória forma de passar o chapéu é que a programação será realizada. A única atração com preço fixo é o show da Orquestra Manancial da Alvorada com a Orquestra Sinfônica de Santa Catarina, no dia 20, no Teatro Álvaro de Carvalho, com ingressos a R$ 50 (R$ 25 meia-entrada). Nas demais festas, exibição de documentários, bate papo sobre a cena e shows que rolam em teatros, nas ruas, bares, casas noturnas, escadarias, estacionamentos e parques, o público poderá prestigiar gratuitamente ou deixar uma contribuição espontânea.

A 6ª Semana do Rock Catarinense recebe um nome especial: Rodrigo de Souza Mota. A escolha será uma singela homenagem ao autor do livro Crime Perfeitcho - Rock dos Anos 80, que contribuiu, e muito, contando a história da cena musical catarinense na referida década, e que faleceu em março deste ano.

Acompanhe a agenda de shows e as novidades do evento nas redes sociais:

Instagram - https://www.instagram.com/semanadorocksc/

9 de jul de 2018

Chegou a hora de dar uma segunda chance para a parceria entre o Queen e Paul Rodgers

segunda-feira, julho 09, 2018

Como todo fã de rock, ouvi The Cosmos Rock atentamente quando o disco foi lançado, em 15 de setembro de 2008, afinal tanto o Queen quanto o Free e o Bad Company foram importantes em minha vida, proporcionando a trilha para vários momentos interessantes.

A minha conclusão é que existe duas maneiras de ouvir o disco gravado em parceria por uma das maiores bandas da história e uma das grandes vozes da história do rock. Se você apertar o play esperando algo na linha do que Brian May e Roger Taylor faziam ao lado de Freddie Mercury e John Deacon, se decepcionará, e muito. Agora, se você apenas deixar o disco rolar, sem fazer qualquer comparação com o passado do Queen, curtirá bastante o álbum.

O problema de The Cosmos Rock é apenas um: quando o Queen quer fazer uma ligação com o seu passado, com os tempos de A Night At the Opera (1975) e outros clássicos imortalizados por Freddie Mercury, erra, e muito, a mão. Exemplos disso, como a evocação totalmente desnecessária da levada de "We Will Rock You" em "Still Burning", soam um tanto constrangedores. "Small" é uma balada repetitiva e cansativa, enquanto o refrão de "Time to Shine" tenta ser épico e grandioso mas soa apenas burocrático.

Mas esses entraves estão apenas no início do álbum. A partir da quinta faixa, "Warboys", o disco entra nos eixos. A já citada "Warboys" é uma das melhores, com uma levada de violão e bateria que traz as raízes de Brian May, Roger Taylor e Paul Rodgers à canção, fazendo-a soar empolgante e com passagens pesadíssimas do meio para frente. Uma curiosidade: May também assumiu o baixo no disco.

Outro bom momento é a influência gospel de "Call Me", onde a banda explora com brilhantismo a negritude da voz de Rodgers, nos transportando para alguma igreja perdida no interior dos Estados Unidos. A balada climática "Voodoo" acerta a mão, e o single “C-lebrity" (que conta com backing vocals de Taylor Hawkins, baterista do Foo Fighters) traz um riff pesado de May e uma ótima performance de Rogers. "Through the Night", outra boa balada, é uma das minhas preferidas, assim como a belíssima e emocionante "Say It´s Not True", presente anteriormente no ao vivo Return of the Champions (ao vivo lançado em 2005 e que deu origem à parceria entre essas duas lendas do rock), faixa na qual Roger Taylor e Paul Rodgers dividem os vocais.

O disco fecha com a pesadíssima "Surf´s Up ... School´s Out!", que soa moderna e atual, mostrando que os veteranos e experientes músicos estão antenados e sabem traduzir o seu som para a nova geração de ouvintes.


Além da versão normal, The Cosmos Rocks foi lançado no Brasil também em uma versão deluxe, com CD e DVD em uma bela embalagem digibook, sendo que o DVD, intitulado Super Live in Japan - Highlights, traz quinze faixas gravadas na terra do sol nascente, passando por clássicos do Queen como "Tie Your Mother Down", "Fat Bottomed Girls", "Another One Bites the Dust", "We Will Rock You" e "We Are the Champions", além de hinos da carreira de Paul Rodgers como "Fire and Water", "Can't Get Enough" e "All Right Now". Essa é a versão recomendada para comprar, já que, além das canções inéditas, mostra como o repertório do Queen se comporta na voz de Paul Rodgers.

A parceria entre Rodgers, May e Taylor durou cinco anos, entre 2004 e 2009, e rendeu, além de The Cosmos Rocks, mais três discos ao vivo: o já citado Return of the Champions (2005), Super Live in Japan (2006) e Live in Ukraine (2009).

Ainda que o Queen tenha encontrado a sua nova versão de uma maneira mais adequada, digamos assim, com Adam Lambert nos vocais, sem dúvida The Cosmos Rocks é um belo disco e vale o investimento. 

Review: Lynyrd Skynyrd - Free Bird: The Movie (1996)

segunda-feira, julho 09, 2018
Uma das bandas mais cultuadas do rock, o Lynyrd Skynyrd tem uma história trágica. Dia 20 de outubro de 1977, apenas três dias após o lançamento do ótimo álbum Street Survivors, que vinha na esteira do duplo ao vivo One More From the Road (1976) e que consolidou o Skynyrd como um dos maiores nomes do rock norte-americano, o avião da banda caiu a caminho de um show na Universidade da Louisiana, matando o vocalista Ronnie Van Zant, o guitarrista Steve Gaines e a sua irmã, Cassie Gaines, que fazia backing vocals para o grupo, além do manager Dean Kilpatrick e os dois pilotos.

Lançado no dia 8 de agosto de 1996, quase dez anos após o acidente, Free Bird: The Movie é a trilha sonora do documentário homônimo, que conta a carreira do grupo intercalado com imagens de diversos shows (com destaque para a apresentação no Knebworth Festival de 1976, abrindo para os Rolling Stones, onde tocaram em um palco em forma de língua e roubaram o show).

Todo o áudio de Knebworth foi restaurado pelo produtor Tom Dowd, o mesmo do clássico One More From the Road, enquanto as versões de "What's Your Name" e "That Smell", gravadas no Convention Hall de Asbury Park, em New Jersey, precisaram de overdubs de baixo, levando Leon Wilkinson a refazer as suas partes em estúdio.

Contraditoriamente, o vídeo continua inédito no Brasil (na época do seu lançamento, o VHS podia ser encomendado diretamente pelo site oficial da banda), enquanto que o CD ganhou versão nacional logo após o lançamento americano, em 1996.

Falar de um show do Lynyrd Skynyrd, o maior nome do southern rock, com a banda no auge durante a turnê de um dos seus melhores álbuns, é covardia. O disco é um desfile de clássicos e abre com "Workin' For MCA", seguida de "I Ain't the One" e de um dos destaques do play, "Saturday Night Special", onde podemos sentir na pele todo o poder do paredão de guitarras formado por Gary Rossington, Allen Collins e Steve Gaines (só para constar: quando o Iron Maiden anunciou o retorno de Bruce Dickinson e Adrian Smith ao grupo em 1999, Steve Harris declarou não lembrar de nenhuma banda que tivesse feito algo relevante com três guitarras, com exceção do Lynyrd Skynyrd. O velho 'Arry sabe das coisas ...).

Como uma máquina do tempo que nos leva de volta ao passado, "Whiskey Rock-A-Roller" e a matadora "Travelin' Man" (outro destaque em um show repleto de pontos altos) fazem você se sentir no meio da multidão.

"Travelin' Man", aliás, merece um parágrafo a parte. Uma das melhores canções do grupo, tem a sua raiz em uma linha de baixo matadora de Leon Wilkinson, com as guitarras entrando aos poucos e se interligando completamente, como se, ao invés de três guitarristas, o Lynyrd Skynyrd tivesse apenas um, com três braços tocando dezoito cordas. De arrepiar.


As versões de "What's Your Name" e "That Smell" presentes aqui, apesar dos overdubs já citados, estão comprometidas pela qualidade do áudio, o que é uma pena, porque, além de ótimas composições, possuem um valor histórico muito grande, já que são um dos últimos registros ao vivo do grupo. Mas, mesmo assim, é um prazer incrível ouvir o solo inspiradíssimo de "That Smell", onde, mais uma vez, as guitarras de Rossington, Collins e Gaines formam uma parede sonora ao mesmo tempo poderosa e belíssima.

"Gimme Three Steps", a versão para "Call Me The Breeze" de J.J. Cale e "T For Texas (Blue Yodel No. 1)" abrem caminho para um encerramento sensacional, com os dois maiores clássicos do Skynyrd: "Sweet Home Alabama" e "Free Bird".

Marca registrada do grupo, "Sweet Home Alabama" foi gravada como uma resposta a "Southern Man" de Neil Young (do álbum After the Gold Rush, de 1970), crítica feroz do artista canadense ao comportamento racista tradicional encontrado tradicionalmente no sul dos Estados Unidos, pivô de diversos conflitos raciais e local de origem de associações como a Ku Klux Klan. Essa música encerra o registro do show do grupo em Knebworth.

Já "Free Bird" foi gravada em um estádio lotado durante o evento Day on the Green, no dia 3 de julho de 1977, alusivo à independência norte-americana, e traz uma emoção palpável. Quem assistiu ao vídeo lembra do estado do público, que parecia estar em transe coletivo enquanto a banda executava a música. Esse clima também pode ser sentido no registro em CD, onde o grupo toca o seu maior hino de maneira perfeita, com destaque para o pequeno solo improvisado pelo pianista Billy Powell e, é claro, para a guitarra de Allen Collins, que durante mais de seis minutos toca alucinadamente, em um dos maiores solos da história do rock.

Fechando o disco temos uma versão de "Dixie", canção que é considerada quase um hino sulista, executada pelo artista Bruce Brown.

Quem quer entender o rock and roll e suas transformações em mais de cinquenta anos de vida precisa conhecer certas bandas, certos álbuns e certas músicas. Free Bird: The Movie mostra um dos maiores grupos dos anos 1970 no auge, com a sua melhor formação (Ronnie Van Zant no vocal, Gary Rossington, Allen Collins e Steve Gaines nas guitarras, Leon Wilkinson no baixo, Billy Powell no piano e Artymus Pyle na bateria), tocando em um de seus últimos shows. Precisa de mais algum motivo para ter este disco?

Acho que não.

Discoteca Básica Bizz #097: Ike & Tina Turner - Proud Mary: The Best of Ike & Tina Turner (1991)

segunda-feira, julho 09, 2018

Está certo que Ike Turner foi um péssimo maridão e sua ficha incluía várias estadias em prisões do estado da Califórnia por consumo e tráfico de cocaína. Em compensação, ele foi o homem que gravou em 1951 - com apenas 20 anos! - o primeiro rock and roll da história ("Rocket 88") junto à banda Kings of Rhythm. Foi quem descobriu e lançou aquela mulher, quem montou um dos shows mais tórridos dos anos 1960 - em competição direta com James Brown - e gravou os vinte e três singles que compõem essa coletânea indispensável. Assim, ele não pode ser de todo ruim.

Basta uma rápida olhada na biografia de Ike e Tina Turner para sacar como os produtores de Hollywood estavam dormindo no ponto. E até mesmo o recém-lançado filme What's Loves Go to Do With It (que no Brasil foi batizado apenas como Tina) não deve dar conta da história desse casal que começou do nada , que virou lenda e que acabou em ópera bufa.

Nos dezessete anos em que atuaram juntos, Ike e Tina não mostraram talentos excepcionais de compositores. Ele, um pianista e guitarrista autodidata que começou tocando com B.B. King, Howlin' Wolf e Johnny Ace, foi um arranjador de primeira grandeza e um produtor musical irregular. Ela, o vulcão que todos conhecem, até hoje talvez a única cantora negra capaz de rivalizar com Aretha Franklin.


Editada em 1991, esta coletânea é por enquanto o melhor registro disponível da trajetória musical do casal. Começa com os sete primeiros singles (registrados de 1960 a 1962): de "A Fool in Love" a "You Should'a Treated Me Right". Eles flagram em gravações mono a transição do rhythm and blues para o soul.

Ficam entre parênteses os anos de turnês intermináveis de Ike and Tina Turner Revue, um período marcado por trocas frequentes de gravadoras, por singles raros e pelo episódio Phil Spector, quando o famoso produtor "alugou" a voz de Tina a peso de ouro (por 20 mil dólares) em 1966, para gravar "River Deep, Mountain High" - que se tornou um grandioso fracasso de vendas.

A seleção pula direto de 1962 até 1969 e pega fogo instantaneamente na fusão soul/rock, sintetizadas nas fantásticas versões de canções dos Beatles ("Come Together"), dos Rolling Stones ("Honky Tonk Women"), de Sly and The Family Stone ("I Want to Take You Higher"), do Creedence Clearwater Revival ("Proud Mary") e The Who ("Acid Queen" da ópera rock Tommy, que foi levado às telas com a própria Tina no papel da Rainha do Ácido). Não é exagero dizer que todas elas conseguiram superar as versões originais, e nesta compilação foram intercaladas por preciosidades do calibre de "Nutbush City Limits" e outras jóias obscuras.

No fundo a história do caso Ike e Tina Turner levanta a seguinte dúvida: o fato de realizar obras de arte relevantes pode redimir um criminoso drogado que espancava e aprisionava sua mulher?

Você decide. Mas antes de tudo, escute este disco.

Texto escrito por Jean Yves de Neufville e publicado na Bizz #097, de agosto de 1993

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