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8 bandas que mudaram radicalmente após trocar de vocalista


Trocas de vocalista são comuns na história do rock, mas em alguns casos elas provocam mudanças tão profundas que a sensação é de estar diante de duas bandas diferentes. Não se trata apenas de um novo timbre no microfone. Muitas vezes, a chegada de outro cantor coincide com mudanças de direção musical, estética, composição e até de público. O resultado é uma discografia que pode ser dividida em fases bastante distintas, quase como se fossem projetos separados sob o mesmo nome.

Um exemplo clássico é o Van Halen. Na era de David Lee Roth (1978–1984), a banda construiu sua reputação com um hard rock explosivo, marcado pelo carisma teatral do vocalista e pela guitarra revolucionária de Eddie Van Halen. Discos como Van Halen (1978), Women and Children First (1980) e 1984 (1984) definiram o espírito festivo e irreverente do grupo. A partir de 1986, com a entrada de Sammy Hagar, o som ganhou contornos mais melódicos e radiofônicos, com maior presença de teclados e uma abordagem mais voltada para arenas.

No thrash metal, o Anthrax também apresenta duas identidades claras. Com Joey Belladonna, a banda gravou clássicos como Among the Living (1987), marcados por vocais agudos e uma energia veloz típica do thrash dos anos 1980. Já na fase de John Bush, iniciada em Sound of White Noise (1993), o grupo adotou uma abordagem mais pesada e grooveada, alinhada ao metal dominante nos anos 1990.

O Rainbow, liderado por Ritchie Blackmore, também passou por uma transformação marcante. Nos discos com Ronnie James Dio, como Rising (1976) e Long Live Rock ’n’ Roll (1978), a banda ajudou a moldar o hard rock épico e fantasioso que influenciaria o heavy metal. Já nos anos 1980, com Joe Lynn Turner, o som tornou-se mais melódico e acessível, aproximando-se do AOR.


Poucas bandas ilustram mudanças tão radicais quanto o Fleetwood Mac. Fundado por Peter Green no final dos anos 1960, o grupo começou como uma respeitada banda de blues rock britânico. Anos depois, com a entrada de Stevie Nicks e Lindsey Buckingham, e com a presença já consolidada de Christine McVie, o Fleetwood Mac transformou-se em uma potência do pop rock, culminando no sucesso monumental de Rumours (1977).

O Black Sabbath também apresenta duas fases icônicas. Com Ozzy Osbourne, a banda estabeleceu as bases do heavy metal com discos como Paranoid (1970) e Master of Reality (1971). Quando Ronnie James Dio assumiu os vocais em 1980, o som ganhou uma dimensão mais épica e técnica, inaugurada em Heaven and Hell (1980).

No caso do Iron Maiden, a diferença entre fases também é evidente. Os dois primeiros discos, cantados por Paul Di'Anno, têm uma pegada mais crua e urbana, próxima do punk e da primeira geração da NWOBHM. A chegada de Bruce Dickinson elevou a banda a um novo patamar artístico, com vocais poderosos e composições mais ambiciosas em álbuns como The Number of the Beast (1982) e Powerslave (1984).

Outro caso famoso é o AC/DC. Com Bon Scott, o grupo construiu sua identidade com um hard rock irreverente e carregado de humor. Após a morte do cantor em 1980, a entrada de Brian Johnson marcou uma nova era inaugurada por Back in Black (1980), que transformou a banda em um fenômeno global de estádios.

Por fim, o Genesis talvez represente a mudança mais radical de todas. Durante a fase de Peter Gabriel, o grupo se destacou no rock progressivo com álbuns conceituais e apresentações teatrais. Depois que Phil Collins assumiu os vocais, a banda gradualmente migrou para um pop rock sofisticado que dominou as paradas nos anos 1980.

Esses exemplos mostram que a troca de vocalista pode ir muito além de uma simples substituição de um integrante. Em certos momentos da história do rock, ela funciona como um ponto de virada criativo, capaz de redefinir completamente a identidade de uma banda. Para os fãs e colecionadores, isso significa que a discografia dessas bandas pode ser explorada como se fossem capítulos distintos de uma mesma história, ou, em alguns casos, quase como duas bandas diferentes compartilhando o mesmo nome.


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