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Ghost em Prequelle (2018): quando a morte ganha refrões irresistíveis


Poucas bandas conseguiram construir uma identidade tão singular dentro do rock e do metal contemporâneos quanto o Ghost. Desde sua estreia, o grupo liderado por Tobias Forge desenvolveu uma estética baseada em simbolismos religiosos, humor sombrio e melodias irresistíveis. Em Prequelle (2018), essa fórmula alcançou um novo estágio de maturidade. O quarto álbum da banda não apenas ampliou seu alcance comercial, como também consolidou uma transformação sonora que já vinha sendo desenhada nos trabalhos anteriores.

O disco surgiu em um momento delicado da trajetória do Ghost. Após disputas judiciais envolvendo ex-integrantes e a exposição pública do papel central de Forge na criação do projeto, a banda apresentou uma nova figura em sua mitologia: Cardinal Copia. Ao mesmo tempo, Prequelle trouxe um conceito centrado na mortalidade, utilizando epidemias históricas, especialmente a peste negra, como metáfora para refletir sobre a fragilidade da vida e a inevitabilidade da morte.

Mas, se o tema é sombrio, a música segue um caminho diferente. Em vez de aprofundar o peso, o Ghost abraça sem medo as influências do hard rock melódico, do AOR e do pop dos anos 1980. O resultado é um álbum repleto de refrões grandiosos, arranjos sofisticados e uma produção impecável assinada por Tom Dalgety.

Logo na sequência da breve introdução "Ashes", a explosiva "Rats" deixa claro o que o ouvinte encontrará pela frente. Com um riff marcante e um refrão impossível de esquecer, a faixa se tornou um dos maiores sucessos da carreira da banda. "Faith" surge como um dos momentos mais pesados do álbum, equilibrando agressividade e melodia com enorme competência.

A metade central do disco concentra alguns de seus melhores momentos. "Miasma" impressiona pela construção instrumental e pelo inesperado solo de saxofone que se tornou um dos trechos mais celebrados pelos fãs. Já "Dance Macabre" representa a faceta mais acessível do Ghost, misturando rock, pop e elementos dançantes em uma canção que poderia ter saído diretamente das rádios dos anos 1980.

Entre as composições mais subestimadas estão "Witch Image" e "Pro Memoria", que reforçam a excelência melódica de Tobias e demonstram sua habilidade em criar músicas sofisticadas sem abrir mão da comunicação imediata. Encerrando o trabalho, "Life Eternal" entrega uma das interpretações mais emocionantes de toda a discografia do Ghost, funcionando como um contraponto melancólico ao clima festivo que permeia boa parte do álbum.

É justamente essa combinação de escuridão temática e luminosidade musical que faz de Prequelle uma obra tão fascinante. Embora tenha desagradado parte dos fãs mais ligados ao peso dos primeiros discos, o álbum envelheceu muito bem e hoje é amplamente reconhecido como um dos pontos altos da carreira da banda.

Mais do que um simples passo em direção ao mainstream, Prequelle mostra um grupo seguro de sua identidade e disposto a expandir seus horizontes. Um disco sobre morte, decadência e epidemias que, ironicamente, transborda vida em cada uma de suas músicas.


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