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Holy Land (1996): 30 anos de um clássico do metal brasileiro


Existem discos que representam um momento importante na carreira de uma banda. E existem aqueles que definem tudo o que ela poderia ser. Holy Land, segundo álbum do Angra, pertence à segunda categoria.

Lançado em março de 1996, o disco encontrou Andre Matos, Kiko Loureiro, Rafael Bittencourt, Luis Mariutti e Ricardo Confessori dispostos a ir além da fórmula de Angels Cry (1993). Depois de conquistar reconhecimento internacional, o Angra voltou os olhos para o próprio país e decidiu transformar a história do Brasil em matéria-prima para sua música.

Composto após meses de trabalho no interior de São Paulo, Holy Land aborda a chegada dos portugueses e o choque entre diferentes culturas sem funcionar como uma simples narrativa histórica. Natureza, espiritualidade, colonização e identidade aparecem traduzidas em uma música que mistura power metal, elementos progressivos, música clássica e ritmos brasileiros.

E é justamente aí que o álbum encontra sua força. Percussões, flautas, berimbau, coros e outros elementos brasileiros não aparecem como enfeites: estão incorporados às composições. "Nothing to Say", "Silence and Distance", "The Shaman" e a faixa-título mostram essa combinação, enquanto "Carolina IV" resume toda a ambição do projeto. Com mais de dez minutos, a faixa reúne mudanças de andamento, guitarras, vocais, percussão e arranjos progressivos em uma das grandes composições da carreira do Angra.

Se Angels Cry apresentou uma banda extraordinariamente talentosa, Holy Land apresentou uma identidade. Trinta anos depois, essa identidade continua intacta. A edição comemorativa de 2026, lançada pela Voice Music, traz áudio remasterizado e material gráfico renovado, incluindo fotografias inéditas e pôster. Para os colecionadores, a grande novidade é o vinil: Holy Land chega oficialmente ao formato pela primeira vez, em edição dupla, com capa gatefold e versões limitadas em azul e vermelho.

Holy Land não é apenas um disco de power metal com elementos brasileiros. É o momento em que o Angra descobriu que poderia transformar suas referências em identidade. Trinta anos depois, essa descoberta continua soando extraordinariamente bem.

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