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Lindas e Letais (2026): beleza, violência coreografada e falta de profundidade


Lindas e Letais
parte de uma premissa que, à primeira vista, parece saída de um delírio estilizado: transformar o balé em linguagem de combate dentro de um thriller de sobrevivência. A ideia é tão absurda quanto sedutora, e o filme sabe disso. O problema é que, ao tentar sustentar esse conceito por mais de uma hora, revela rapidamente suas limitações.

Dirigido por Vicky Jewson e estrelado por Maddie Ziegler, Lana Condor e Uma Thurman, o longa aposta quase tudo na sua estética: movimentos coreografados que transitam entre a dança e a violência gráfica, compondo sequências que flertam com o chamado “ballet-fu”. Em seus melhores momentos, há uma energia visual interessante, com cenas que realmente conseguem transformar gestos graciosos em algo agressivo e funcional dentro da ação.

O problema é que esse esforço não encontra sustentação no restante da obra. O roteiro é mínimo, e não no sentido elegante da síntese, mas na falta de densidade mesmo. Personagens surgem e desaparecem sem desenvolvimento, motivações são rasas e os conflitos parecem existir apenas como pretexto para ligar uma cena de ação à outra. Não há construção dramática suficiente para que o espectador se importe com o destino de quem está em cena. E, para piorar, temos Uma Thurman em um nível de canastrice nunca visto em sua longa carreira.


Há também uma inconsistência tonal que enfraquece ainda mais o conjunto. O filme oscila entre o absurdo assumido e uma tentativa de ser levado a sério, sem conseguir equilibrar essas duas abordagens. Em alguns momentos parece abraçar o exagero, enquanto em outros tenta construir tensão dramática, e acaba não sendo plenamente eficaz em nenhum dos dois registros.

Ainda assim, não é um desastre completo. A curta duração joga a favor, e existe um certo valor no entretenimento direto, quase descartável, que o filme oferece. Funciona melhor quando encarado como uma experiência leve, despretensiosa, algo para consumir sem grandes expectativas, mais próximo de um exercício estilístico do que de uma narrativa consistente.

Lindas e Letais é um caso clássico de conceito que supera a execução. A ideia é boa, o visual tem seus momentos, mas falta substância para transformar o filme em algo memorável. Resta a sensação de que havia potencial para muito mais e que ele se perde no caminho entre a ambição estética e a fragilidade narrativa.


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