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Crypta em Echoes of the Soul (2021): a estreia que confirmou todas as expectativas


Quando Fernanda Lira e Luana Dametto deixaram a Nervosa em 2020, o anúncio da formação da Crypta gerou enorme expectativa. Afinal, tratava-se de duas musicistas que haviam ajudado a projetar internacionalmente uma das principais bandas brasileiras de metal da década anterior. A resposta veio rapidamente com Echoes of the Soul, álbum de estreia lançado em junho de 2021 pela Napalm Records e que apresentou uma banda determinada a construir sua própria identidade dentro do death metal.

Desde os primeiros segundos de “Awakening”, introdução que desemboca na devastadora “Starvation”, fica claro que a proposta da Crypta era diferente daquela que havia tornado suas integrantes conhecidas. O thrash metal cede espaço para um death metal mais clássico, inspirado principalmente pela escola norte-americana dos anos 1990, mas executado com produção moderna e um senso melódico bastante apurado.

A formação completada pelas guitarristas Tainá Bergamaschi e Sonia Anubis demonstra grande entrosamento ao longo do disco. Os riffs são agressivos e técnicos, enquanto as harmonizações e os solos acrescentam profundidade às composições. Ao mesmo tempo, a bateria de Luana Dametto impressiona pela precisão e pela capacidade de alternar passagens velozes e momentos mais cadenciados sem perder intensidade. No centro de tudo está Fernanda Lira, cuja performance vocal combina brutalidade e clareza, transmitindo personalidade às músicas.

O álbum mantém um nível consistente ao longo de suas dez faixas, mas alguns momentos se destacam com facilidade. “Starvation” é um cartão de visitas perfeito, reunindo peso, melodia e refrão marcante. “Possessed” aposta em uma abordagem mais direta e agressiva, enquanto “Death Arcana” evidencia a qualidade dos arranjos de guitarra. “Kali” surge como um dos pontos altos do disco, equilibrando técnica e atmosfera, e “Dark Night of the Soul” mostra a capacidade da banda de construir climas mais sombrios sem abrir mão da violência sonora. Já “From the Ashes” encerra o trabalho reforçando a maturidade alcançada pela banda logo em sua estreia.

Se existe alguma limitação, ela está no fato de que certas passagens seguem fórmulas bastante familiares para fãs de death metal tradicional. Em alguns momentos, percebe-se uma banda ainda consolidando sua personalidade composicional. No entanto, isso pouco diminui o impacto do resultado final.

Echoes of the Soul cumpriu uma missão difícil: transformar uma expectativa gigantesca em um trabalho à altura. O álbum apresentou uma banda com identidade própria, talento abundante e potencial para ocupar posição de destaque no cenário mundial do metal extremo. Uma estreia poderosa e um dos melhores discos de death metal lançados em 2021.

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