Em seus dez anos de carreira, no período 1968/1978 (reiniciada em 1989 com o álbum Rite Time ), o grupo alemão Can sempre operou no plano da sutileza e do fervor instrumental, fazendo uma música hipnótica, com uma impressionante mistura de ritmos e timbres acústicos alterados, tratados eletronicamente. Editando tapes, fabricando loops (anéis de fita) e incorporando ruídos e interferências espontâneas, o grupo fez a ponte entre a música erudita contemporânea (Stockhausen über alles) e o rock. O Can foi fundo nas colagens, daí sua forte influência detectada nos anos 1980, a década do sampler, em que a habilidade de compor se traduz na de combinar e colar sons. Se, com a tecnologia atual, é possível processar sons a partir de tudo (um bumbo de John Bonham, um riff de Hendrix, um " Uh! " de James Brown), o Can tecia sua intrincada tapeçaria com cativante rusticidade. Ambientavam o som de seus instrumentos sem qualquer efeito, ensaiando horas para casar timbres. E fo...