A história do rock está repleta de músicos que buscaram ampliar os limites do gênero, mas poucos fizeram isso com a consistência de Jon Lord. Enquanto a maioria dos tecladistas explorava sintetizadores e pianos elétricos para tornar o rock mais grandioso, o fundador do Deep Purple perseguia um objetivo diferente: construir uma linguagem em que o universo da música clássica e a energia do rock coexistissem em igualdade de condições. Sarabande (1976) talvez seja a expressão mais refinada dessa ambição. Desde o histórico Concerto for Group and Orchestra , apresentado em 1969, Lord demonstrava que sua formação erudita não era apenas um detalhe de currículo. Ao longo dos anos seguintes, porém, percebeu que simplesmente colocar uma banda de rock diante de uma orquestra não bastava. Era preciso escrever música que pertencesse naturalmente aos dois mundos. É exatamente isso que acontece em Sarabande . Inspirado nas antigas suítes barrocas, o álbum é estruturado em oito movimentos batizados...