30 de mai de 2009

Histórico do Rock Progressivo

sábado, maio 30, 2009

Por Ronaldo Rodrigues
Colecionador
Apresentador do programa Estação Rádio Espacial

Há quem diga que deveria chamar-se rock progressista, por ser tratar de um estilo que trouxe evolução musical à linguagem do rock. Mas independente de um ou mais nomes, o advento dos movimentos contraculturais dos anos sessenta, a influência das drogas alucinógenas e uma congregação de várias formas de arte dentro da temática psicodélica impulsionava novas buscas em todos os sentidos dentro do rock – nos temas, na mistura de estilos, na agregação de influências, na musicalidade, no público.

Esse momento todo de efervescência cultural da juventude no mundo atraiu a atenção de uma nova geração que, ao mesmo tempo, rechaçava a caretice tradicional dos conservatórios mas não queria fazer o jogo barato da futilidade ou ser simplista na sua expressão musical. O rock progressivo nasceu assim – tanto de um amadurecimento musical do rock, nesse cenário de buscas e inovações, como de uma nova geração que apostou que sua moderna erudição conseguiria atingir a juventude. E atingiu.

Muitos músicos que viriam a formar grupos de rock progressivo já estavam na estrada ao longo dos anos sessenta, geralmente em combos de rhytm & blues, pop ou jazz. Grande parte tinha formação musical clássica ou jazzista, mas as necessidades materiais e a vontade de exercer o talento superavam os anseios musicais mais profundos. A revolução sonora causada no biênio 1966-1967 por gente como Beatles, Beach Boys, Moody Blues, The Nice, Jimi Hendrix Experience, Cream, Bob Dylan e tantos outros abriu caminho para novas experiências sonoras. O próprio público anseiava novas coisas, o paradigma geral da época era esse – a imaginação no poder, poder jovem, liberdades individuais, quebra de barreiras, desapego. 

Nesse período da metade da década, surgem experiências embrionárias de fusão do rock com a música clássica, com o chamado pop barroco e com o jazz em alguns grupos de rock psicodélico. A influência da música regional e étnica também crescia nos grupos, principalmente as sonoridades típicas européia e indiana. E tudo isso, de certa forma, era assimilado pelo jovem público, cansado das canções superficiais sobre amor ou músicas feitas simplesmente para chacoalhar o esqueleto. Os tempos eram pesados – guerra do Vietnã, conflitos raciais nos EUA, revoltas estudantis, ditaduras ... e o som urgia representar aquilo tudo, ou pelo menos ser um refúgio às realidades desconsolantes. 

Enfim, a psicodelia representou a nova era da música, a evolução, o amadurecimento do rock e de boa parte de seu público. E de suas entranhas surgiu a nova linguagem, em que o senso de busca pelo novo e pela livre expressão era o mesmo, mas a premissa era diferente – musicalmente, alçava-se algo mais avançado e refinado.

Entre 1967 e 1968, alguns trabalhos de proposta bastante avançada são lançados por bandas de música jovem, aos quais posteriormente foram dados os títulos de “precursores do movimento progressivo”. A verdade é que todo um cenário musical da época deu sua contribuição para o estabelecimento sólido da linguagem nos anos setenta. Mas é impossível negar a contribuição de determinados trabalhos para esse desenvolvimento, como
Days of Future Passed do Moody Blues, Thoughts of Emerlist Jack do Nice, This Was do Jethro Tull, Absolutely Free de Frank Zappa & Mothers, Saucerful of Secrets do Pink Floyd, o debut do Procol Harum e do Traffic. 

O jazz também se aproximava do rock através da mente inquieta do visionário Miles Davis. Em 1969, alguns marcos para o estilo ocorreram na Inglaterra – In the Court of the Crimson King do King Crimson, a estréia do Yes e Aerosol Grey Machine do Van Der Graaf Generator - trabalhos iniciais de bandas que se tornariam alguns dos principais ícones do movimento. 

Na cena de cada país europeu, a consolidação do estilo se deu de forma particular. Na Alemanha, a experimentação com novos instrumentos e combinações inusitadas acabou gerando um movimento que privilegiava os climas, as viagens, a vanguarda sonora. O virtuosismo, a influência clássica ou jazzística acabou sendo agregada um pouco mais tarde, e de maneira bem peculiar também. Na Itália, o movimento cresceu já influenciado pela primeira geração de bandas inglesas, nos idos de 1972-1973, somado à tradição musical italiana. No norte da Europa, os grupos eram mais miscigenados e bastante antenados com tudo o que rolava no cenário – o rock pesado, o som viajante, o virtuosismo clássico, o jazz.

No fim dos anos sessenta e começo dos anos setenta o termo “progressivo” era cunhado para grupos bastante díspares e com propostas bastante diferenciadas entre si. Os grupos, do que hoje se convencionou chamar rock progressivo, ainda estavam definindo suas identidades. Esse ínicio é interessante justamente por isso. Depois de delineado o estilo, alguns grupos se acomodaram em zonas de conforto, o que de certa forma, foi uma maneira de assumir a identidade conquistada.

Unidos por esse posterior senso de categorização, do qual dificilmente os críticos musicais conseguem escapar, os grandes grupos de rock progressivo são bastante particulares em suas sonoridades, temáticas, abordagens e influências. Mas geralmente consegue-se destacar duas grandes vertentes – a vertente influenciada pelo jazz e a vertente influenciada pela música erudita/clássica. Há quem transite nas duas. E também há prodigiosos grupos que não são nem uma coisa nem outra. 

O termo hoje coleciona diversas visões para a proposta artística e experimental do rock – fusion, prog eletrônico (raiz da música eletrônica), space rock, zeuhl, RIO (rock in oposition), krautrock. 

Rock progressivo é um termo que sempre remete à vanguarda, à inovação, à ousadia musical. Som para fazer a cabeça. A interação com outras formas de arte é notável na linguagem progressiva – a arte gráfica das capas dos discos, cenários, iluminação e figurino dos músicos, a teatralidade das performances, a poesia nas letras das canções, a literatura e a filosofia como expressão dos conceitos dos álbuns.

Entre 1972 a 1975 grupos como Yes, Gentle Giant, King Crimson, Pink Floyd, Camel, Genesis, Focus, Mike Oldfield e Emerson Lake & Palmer entre outros, viveram seu ápice criativo e comercial. O movimento, que é majoritariamente europeu, teve repercussão mundial, na América Latina e do Norte, na Eurásia, no Japão, na Austrália. Era a onda do momento – de jingles de TV à programação das rádios, tudo aspirava capturar aquela sonoridade. Estilos como o jazz, o funk, o pop e o soft rock queriam morder um pedaço daquele saboroso filão cheio de possibilidades, sempre se aproximando e captando algo daquele estilo. 

De certa forma, o ápice do rock progressivo foi um momento perigoso. Os trabalhos das grandes bandas passaram a ficar cada vez mais pretensiosos e minimalistas. Músicas longas, discos com uma única canção, longas passagens instrumentais, temáticas extremamente distantes da realidade em álbuns conceituais, som quadrafônico, ruídos, experiências sonoras e outros “exageros” (no dizer dos rechaçadores de plantão) suscitaram movimentos de resposta à estética progressiva. Enquanto o declínio de popularidade parecia despontar no horizonte dos grandes grupos, com o advento do movimento punk e da disco music, nos países periféricos (das regiões citadas) o caldeirão sonoro progressivo estava a todo vapor.

Nos anos oitenta as idéias e ideais dos anos passados pareciam estar desgastadas. O show bussiness também avançou para cima dos grupos e dificultou a abordagem de outrora. O estilo passou a enveredar novos caminhos e se adaptar aos novos tempos e anseios do público, mas a popularidade e relevância de antes nunca mais foi atingida. 

Não se pode contar tudo de maneira generalizada, sempre houve e há até hoje (independente da época em que surgiram) grupos que honestamente buscam novas sonoridades sem se importar muito com o que se foi ou com o que se passou, guiados pelo mesmo espírito ousado do auge do estilo. O tempo, com certeza, trará o devido reconhecimento aos heróis.

29 de mai de 2009

Discos Fundamentais: Fastway - Fastway (1983)

sexta-feira, maio 29, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Recém-saído do Motorhead por causa de tretas com Lemmy, "Fast" Eddie Clarke iniciou um projeto com Pete Way, baixista do UFO, que na época também estava sem banda, mas Way acabou abandonando o guitarrista no meio do caminho, seduzido por uma oferta tentadora para tocar ao lado de Ozzy Osbourne em sua banda solo. Clarke não se deu por vencido, chamou o ex-batera do Humble Pie, Jerry Shirley, garimpou o novato David King em noitadas sem fim e, juntos, entraram em estúdo para registrar um dos maiores clássicos do hard oitentista.

Fastway é um discaço, e uma das principais razões para isso é um fator que parece ter saído de moda hoje em dia: o guitarrista, efetivamente, cria riffs matadores, sobre os quais as músicas se desenvolvem. Esse é, efetivamente, um álbum voltado para a guitarra, mas essa expressão não tem o mesmo sentido daquele empregado atualmente, onde "orientado para a guitarra" serve para definir discos de caras como Joe Satriani e Steve Vai. Aqui, "Fast" Eddie Clarke saca um arsenal de riffs matadores, repletos de melodias, ásperos e pesados, que sustentam as composições ao lado do vocal perfeito de David King, uma espécie de Robert Plant adolescente e com a taxa de testosterona muito acima do normal. Completando o time, Shirley imprime seu estilo clássico na bateria, cheio de viradas e levadas empolgantes.

A produção do lendário Eddie Kramer é mais um fator que soma no resultado final de
Fastway, pois consegue fazer os instrumentos soarem fortes e crus, como se a banda estivesse em um boteco tocando para os amigos. 

Entre as faixas, destaques para "Easy Livin´", "Feel Me Touch Me (Do Anything You Want)", "All I Need is Your Love", a baladaça "Another Day", "Heft!" (que lembra, e muito, aquela canção que a banda do filme Quase Famosos toca em um show - ouça e comprove), "We Become One" e a mais do que clássica "Say What You Will", que para nós, bangers brazucas dos anos oitenta, tem um significado ainda maior, pois era o tema de abertura da série Armação Ilimitada, da Rede Globo.

Uma rifferama animal e inspiradíssima marca o álbum de estréia do Fastway, transformando-o em uma das jóias perdidas do hard rock oitentista. Se você não conhece, ouça que ainda dá tempo.


Faixas:
A1. Easy Livin' - 2:47
A2. Feel Me, Touch Me (Do Anything You Want) - 3:28
A3. All I Need is Your Love - 2:32
A4. Another Day - 4:41
A5. Heft - 5:38

B1. We Become One - 3:59
B2. Give It All You Got - 3:01
B3. Say What You Will - 3:20
B4. You Got Me Runnin' - 3:04
B5. Give It Some Action - 4:12

28 de mai de 2009

Discos Fundamentais: Soundgarden - Louder Than Love (1989)

quinta-feira, maio 28, 2009

Por Alessandro Cubas
Colecionador
Collector´s Room

Formado no ano de 1984 na cidade de Seattle, o Soundgarden é considerado um dos maiores nomes do grunge. 

O primeiro álbum da banda, Ultramega OK, foi lançado em 1988 e este Louder Than Love é o segundo registro oficial do quarteto. Louder Than Love é um bom álbum e bem distante musicalmente do que a banda nos apresentaria futuramente.

Produzido por Terry Date (Ozzy Osbourne, Pantera, Overkill) e pela própria banda,
Louder Than Love é um trabalho que mostra um grupo um tanto quanto obscuro, com guitarras sujas, riffs pesados, muita melancolia e um belo trabalho do vocalista Chris Cornell, hoje considerado um dos melhores vocalistas do rock. A maioria das faixas também nos mostra que a maior influência da banda na hora de compor era, com certeza, o Black Sabbath.

O álbum já começa neste clima com “Ugly Truth”, com um solo
sabbáthico do guitarrista Kim Thayil. A segunda, “Hands All Over”, virou clipe. Adiante nos deparamos com “Gun”, com um riff arrastado que no começo chega a lembrar as bandas doom, passando ainda depois por riffs com palhetadas abafadas e outros mais rápidos, assim como o solo. Também destaco as faixas “Loud Love” e “Big Dumb Sex”.

Este álbum ainda deu origem, no ano seguinte, ao bom ao vivo
Louder Than Live, que também saiu em vídeo, sendo todo o show com imagens em preto e branco.

A formação contava com Chris Cornell (V/G), Kim Thayil (G), Hiro Yamamoto (B) e Matt Cameron (D), sendo que o baixista deixou a banda após o disco ao vivo.

O disco seguinte,
Badmotorfinger, de 1991, ainda nos traz bons momentos, mas também um pouco do que o grupo passaria a ser.

Apesar de serem considerados um dos grandes nomes do grunge, o Soundgarden, principalmente nesta época, tinha um som bem diferente das bandas deste estilo. Acredito que se o Soundgarden não fosse da cidade de Seattle provavelmente não teria este rótulo, mas por outro lado talvez não seria tão reconhecida hoje em dia.


Faixas:
1. Ugly Truth - 4:26
2. Hands All Over - 6:00
3. Gun - 4:42
4. Power Trip - 4:09
5. Get On The Snake - 3:44
6. Full On Kelvin’s Mom - 3:37
7. Loud Love - 4:57
8. I Awake - 4:21
9. No Wrong No Right - 4:47
10. Uncovered - 4:30
11. Big Dumb Sex - 4:11
12. Full On (Reprise) - 2:42

Começando a coleção: Helloween

quinta-feira, maio 28, 2009

Por Alessandro Cubas
Colecionador
Collector´s Room

Fundada no ano de 1987 pelo guitarrista Kai Hansen, o Helloween é considerado hoje o precursor no heavy metal melódico, e desde então se tornou inspiração para as bandas do estilo. 

O grupo passou por muitos altos e baixos, como trocas constantes de formação, períodos de inatividade e até alteração no nome do conjunto, que no início se chamava Gentry, mudando para Second Hell e ainda Iron Fist, só depois sendo batizada definitivamente como Helloween, hoje sinônimo de metal melódico. 

Após participar da famosa coletânea Death Metal (1984) com as faixas “Metal Invaders” e “Oernst of Life”, a banda foi contratada pela gravadora Noise Records, e este foi o primeiro grande passo para os alemães se tornarem um dos nomes mais populares do metal e ficarem lado a lado com seus conterrâneos do Scorpions e Accept, tornando o heavy metal alemão um dos mais conceituados do mundo.

Keeper of the Seven Keys Part I (1987) ****1/2

Após o lançamento do Walls of Jericho em 1985, que contou em sua formação com Kai Hansen (V/G), Michael Weikath (G), Markus Grosskopf (B) e Ingo Schwichtenberg (D), o Helloween recrutou Michael Kiske para os vocais e esse foi um ponto crucial para o resultado de Kepper of the Seven Keys, pois Kiske exerceu sua função de forma magnífica, deixando ainda hoje muitos ditos vocalistas de boca aberta com sua performance. 

No início a idéia da banda era lançar um trabalho duplo, porém a gravadora se recusou em lançar o trabalho neste formato e o grupo concordou em lançá-lo em duas partes. Esta primeira está recheada de hinos do estilo, começando por “I’m Alive” com riffs rápidos, belas melodias e um refrão marcante. Na sequência nos deparamos com um grande trabalho de Kiske e sua potente voz em “A Little Time”, seguida pela melódica “Twilight of the Gods”, que nos traz mais uma ótima performance do vocalista e em alguns riffs cavalgados chega a nos lembrar um pouco o Iron Maiden.

“A Tale That Wasn’t Right” é a balada do álbum e abre caminho para “Future World”, a mais clássica deste play dos alemães. Antes de fechar a banda ainda nos presenteia com a longa “Halloween”, que pode ser considerada a mais pesada do disco. Algumas versões do álbum ainda trazem a power metal “Judas”, que saiu originalmente no Walls of Jericho.

Após ouvir trabalhos como este pensamos como temos bandas covers do Helloween espalhadas por aí, pois este estilo, salvo por raras exceções, é pródigo em grupos repetitivos e que copiam descaradamente esta fase dos alemães.  

Keeper of the Seven Keys Part II (1988) *****

Assim como a primeira parte dos
Keppers, este trabalho nos traz ótimas composições e é considerado por muitos ainda melhor do que seu antecessor. Contando ainda com a mesma formação, os alemães nos surpreendem com músicas tão boas quanto as anteriores, começando por “Eagle Fly Free”, que é o maior clássico já composto pelo Helloween, uma empolgante canção de liberdade. 

“You Always Walk Alone”, além da bela performance de Michael Kiske, contém um excelente trabalho na parte instrumental, principalmente nas guitarras. “Rise and Fall” nos transmite um clima divertido, assim como a seguinte, “Dr Stein”, que é outro destaque absoluto do disco.  Kiske detona novamente em “We Got the Right” e “Save Us”. Ainda temos “March of Time” e “I Want Out”, um hino do heavy metal melódico. O trabalho encerra com a épica “Kepper of the Seven Keys”, excelente composição de Weikath.

Este álbum também antecedeu o ao vivo
Live in the U.K. (1989), que foi o último trabalho com esta formação do Helloween. Após este ao vivo Kai Hansen deixou a banda, formando o não menos que importante Gamma Ray. Michael Kiske e Ingo Schwichtenberg ainda ficaram no grupo até o álbum Chameleon, de 1993. Após, Kiske seguiu uma carreira solo distante do peso do metal e Ingo, que já vinha sofrendo de esquizofrenia, infelizmente cometeu suicídio em 1995.

Em 2005 o Helloween ainda lançou a terceira parte do
Kepper of the Seven Keys, porém sem alcaçar a mesma repercussão das primeiras duas, o que já era de se esperar, pois ambas são consideradas obras-primas dentro não só do metal melódico, mas também do heavy metal.
Sem sombra de dúvidas estes trabalhos foram o ápice criativo da banda, que entre outras coisas foi a criadora de um novo gênero dentro do metal.
Happy happy Helloween ...

Better Than Raw (1998) ***1/2

Após a saída do vocalista Michale Kiske muitos fãs acharam que seria o fim do Helloween, porém em 1994 o álbum Master of the Rings nos apresentou o novo vocalista, Andi Deris, que veio da banda de hard rock Pink Cream 69, e nos trouxe um bom trabalho em sua estreia e no álbum seguinte, The Time of the Oath (1996), trabalhos estes que contém ótimas composições como “Sole Survivor”, “Where the Rain Grows”, “Wake up the Mountain”, entres outras, e são considerados pela maioria dos fãs do Helloween como os melhores da fase Deris, por isso sei que terei muitas opiniões contrárias à minha quanto à escolha dos discos para essa sessão, mas Better Than Raw, além de um pouco mais pesado que os anteriores, é um grande CD de heavy metal.

Além de Andi Deris, a formação contava agora com os antigos membros Michael Weikath e Markus Grosskopf, além do guitarrista Roland Grapow, que já havia estreado no álbum
Pink Bubbles Go Ape (1991), e com o ex-Gamma Ray Uli Kusch, um monstro das baquetas e que também se revelou um bom compositor.

Após a introdução “Deliberately Limited Preliminary Prelude Period in Z”, a banda entra com a pesada “Push”, que abre o álbum a mil por hora. O play segue com “Falling Higher”, também com palhetadas rápidas e abafadas antes de cair de vez na parte melódica; “Hey Lord”, uma das mais aclamadas do álbum e que possui um refrão mais do que grudento; “Don’t Spit On My Mind” abre o caminho para “Revelation”, que é outra faixa bastante pesada, com um bom trabalho de todos os músicos e, para mim, a melhor música deste disco.

O play ainda tem “Time” e “I Can”, e ambas podem ser consideradas destaques. “A Handfulof Pain” nos traz uma composição um pouco mais cadenciada, mas não menos poderosa. A interessante “Lavdate Dominvm” é cantada em latim, e “Midnight Sun” também nos traz mais guitarras pesadas em meio a belas melodias. O CD ainda tem a obscura “A Game We Shouldn’t Play” como bonus track.

Neste mesmo ano, na turnê deste álbum, a banda também tocou pela segunda vez no Brasil junto com o Iron Maiden, que na época divulgava seu novo trabalho,
Virtual XI, com o vocalista Blaze Bayley. Desde então o grupo vem tocando constantemente em terras brazucas.

Após este disco o Helloween ainda lançou
Metal Junkebox, apenas com covers, em 1999; o obscuro The Dark Ride em 2000; Rabbit Don’t Come Easy em 2003; o já citado anteriormente Kepper III em 2005, sendo que em 2007 foi lançado um ao vivo para a turnê do álbum, mesmo ano que a banda lançou Gambling With the Devil, o último registro até agora.

Discos Fundamentais: Armageddon - Armageddon (1975)

quinta-feira, maio 28, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

O Armageddon (não confundir com o homônimo alemão) foi um grupo formado e liderado por Keith Relf, ex-vocalista dos Yardbirds e do Renaissance. Relf estava interessado em tocar um som mais pesado, na linha dos nomes que estavam surgindo na Europa e nos Estados Unidos naqueles primeiros anos da década de setenta.

Para isso, chamou o guitarrista Martin Pugh (Steamhammer) e o baixista Louis Cennamo (Steamhammer, Renaissance). Após testar vários bateristas sem sucesso, deixou a Inglaterra pra trás e se mandou para Los Angeles com Pugh e Cennamo e dois objetivos: conferir a cena hard rock que rolava na Califórnia e encontrar um baterista para completar o seu novo grupo. Em L.A. Relf conheceu Bobby Caldwell (Captain Beyond) em um clube, convidou-o para uma jam e pronto: nascia o Armageddon.

O quarteto começou a ensaiar algumas músicas que Relf já tinha prontas, viu nascer novas ideias em ensaios e foi para o estúdio, onde gravou um dos melhores discos de hard rock dos anos setenta. 

Com apenas cinco faixas, Armageddon, o disco, em nada lembra os trabalhos anteriores de Keith Relf. O que sai dos alto falantes é um vigoroso hard, com um estupendo trabalho da guitarra de Martin Pugh e com a classe e o talento habituais de Bobby Caldwell. Entre as músicas, destaque imenso para a abertura com "Buzzard", com um excelente riff de Pugh e ótimos vocais de Relf, mas todas as faixas (eu disse TODAS) são excepcionais, e cativam imensamente até hoje. Grande álbum, clássico indiscutível!

Infelizmente o Armageddon não seguiu adiante em virtude da morte prematura de Keith Relf, eletrocutado em um acidente doméstico no dia 14 de maio de 1976, aos 33 anos.

Imperdível!


Faixas:
A1. Buzzard - 8:16
A2. Silver Tightrope - 8:23
A3. Paths and Planes and Future Gains - 4:30

B1. Last Stand Before - 8:23
B2. Basking in the White of the Midnight Sun - 11:24
- Warning Comin' On
- Basking in the White of the Midnight Sun
- Brother Ego
- Basking in the White of the Midnight Sun (Reprise)

27 de mai de 2009

Primeiro DVD de Jorn Lande já disponível no Brasil

quarta-feira, maio 27, 2009

Por Eliton Tomasi
Colecionador

Jorn Lande é um dos maiores vocalistas de rock da atualidade! Definitivamente! Sua capacidade vocal é impressionante. O vocalista norueguês alterna timbres distintos com tremenda facilidade. Esse é o resultado quando dom e técnica se encontram.

Durante a última década, Jorn Lande gravou cerca de trinta álbuns com diferentes bandas e projetos, além de ter trabalhado com grandes artistas como Ronni Le Tekro (TNT), Yngwie Malmsteen, Micky Moody e Bernie Marsden (Whitesnake), Joe Lynn Turner, Don Airey (Ozzy, Rainbow e Deep Purple), Uli Jon Roth (Scorpions) e Russell Allen (Symphony X). Seu mais famoso trabalho foi como frontman da banda alemã Masterplan, que tem alcançado grande sucesso no mundo todo.

Jorn Lande também tem obtido grande sucesso com com sua própria banda simplesmente batizada de Jorn. Até agora são sete álbuns solo, todos com vendagens bastante expressivas, como
World Changer (2001), Out to Every Nation (2004) e The Duke (2006).

O DVD
Live in America, que acaba de chegar ao Brasil pela Hellion Records, é um testemunho visual das capacidades de Jorn como frontman e de toda beleza, técnica e versatilidade de sua voz.

Live in America foi gravado ao vivo durante a primeira apresentação de Jorn nos EUA, na sétima edição do badalado ProgPower Festival, em Atlanta, onde o vocalista e sua banda foram atração principal do dia 16 de setembro de 2006. Na ocasião, Jorn ofereceu ao público presente uma ampla seleção de canções retiradas de seus álbuns solo, projetos paralelos e um explosivo medley do Whitesnake, que fez desse um dos shows mais eletrizantes de toda história do festival. 

Live in America já está disponível em todas as lojas do país ou diretamente através da loja on-line da Hellion no endereço www.hellion.com.br

Não perca a oportunidade de apreciar esse emocionante show do mais novo gigante do hard rock contemporâneo!

Mais informações:
www.hellion.com.br
www.jornlande.com
www.myspace.com/realjorn

Leia também: Jorn - Lonely Are the Brave (2008)

poeiraCast#009 no ar: os 50 anos do selo Island

quarta-feira, maio 27, 2009

Por Bento Araújo
Colecionador

O poeiraCast, o podcast da revista poeira Zine, celebra os cinquenta anos do selo Island em sua 9ª edição.

Desta vez o programa é dividido em duas partes: uma sobre a história da cinquentenária gravadora, fundada por Chris Blackwell, na Jamaica, e depois vem a famosa listinha – onde são elencados pelos apresentadores do poeiraCast os melhores discos lançados por ela, além dos grandes nomes que compõem o poderoso cast do selo.

Além de se inteirar um pouco mais sobre a história do rock´n´roll, nesta 9ª edição você ficará sabendo também se na Jamaica serve pizza, qual o seu provável sabor e, desvendando o mito urbano, se Frank Zappa realmente comeu as próprias fezes.

Acesse o
www.poeirazine.com.br/poeiracast.html e boa viagem!

O poeiraCast é um programa de bate papo, na verdade uma mesa redonda livre e direta sobre o assunto que a gente mais aprecia: música. Nele você encontra polêmicas, curiosidades, as famigeradas listas e bizarrices mil de seus grupos e artistas favoritos.

Ajeite-se na poltrona e boa curtição.

Direção: Bento Araújo
Locução: Ricardo Alpendre
Produção: Bento Araújo, Sérgio Alpendre, José Damiano e Ricardo Alpendre
Edição: Xando Zupo (Overdrive Estúdio – email: xandozupo@gmail.com)

26 de mai de 2009

Começando a coleção: Rainbow

terça-feira, maio 26, 2009

Por Alessandro Cubas
Colecionador

Após deixar o Deep Purple devido ao direcionamento musical que a banda estava tomando na época, o guitarrista Ritchie Blackmore fundou, no ano de 1974, a banda Rainbow. Mas não é só por ter sido criada por um dos mais importantes guitarristas da história do rock que o Rainbow tem sua importância. O grupo é muito mais do que isto. Sua discografia nos traz grandes álbuns, o que tornou o Rainbow um dos grandes nomes dos anos setenta.

Sinceramente, pensei em escolher três álbuns distintos da carreira do grupo para escrever, porém não teria como deixar de falar dos discos em que Blackmore trabalhou com outro monstro do rock, o mestre dos vocais Ronnie James Dio.

Ritchie Blackmore´s Rainbow (1975) ****

O disco de estreia do Rainbow, Ritchie Blackmore’s Rainbow, foi lançado originalmente no ano de 1975, trabalho este que apenas chamou a atenção da crítica pelo fato de ser a nova banda de um dos principais membros do Deep Purple. Porém, mesmo assim o disco vendeu mais do que o esperado.

Além de Blackmore, a formação do debut contava com os então integrantes do ELF Ronnie James Dio nos vocais, Craig Gruber no baixo, Mickey Lee Soule no teclado e Gary Driscoll na bateria, formação esta que não chegou a se apresentar ao vivo.O álbum começa com a hoje clássica “Man on the Silver Mountain”, que nos traz mais um ótimo riff de Ritchie Blackmore, e onde Dio nos mostra o porque de ser o escolhido para trabalhar com o guitarrista, que já estava acostumado a trabalhar com outros grandes cantores,  como Ian Gillan, David Coverdale e Glenn Hughes. 

A faixa seguinte, “Self Portrait”, no ano de 1999 ganhou outra bela versão, pelo próprio Blackmore e sua esposa Candice Night, que saiu no álbum Under a Violet Moon de sua atual banda, Blackmore’s Night. Já “Black Sheep of the Family” é uma das mais rok and roll do LP e talvez seja a responsável pela existência da banda, pois este cover do grupo The Quatermass havia sido sugerido por Ritchie para ser uma das músicas do álbum Stormbringer do Deep Purple, mas o restante da banda recusou. 

A próxima é a bela balada “Catch the Rainbow”, com um lindo solo. “Snake Charmer” é uma composição com bastante groove e um ótimo refrão. Continuamos com mais uma faixa relaxante, que é “The Temple of the King”, que abre caminho para mais uma 100% rock and roll, “If You Don’t Like Rock N’ Roll”. O álbum fecha com “Sixteenth Century Greensleevers” e a instrumental “Still I’m Sad”.

Grande estreia desta que iria se tornar mais uma grande banda dos anos setenta.

Rising (1976)  *****

Após o trabalho de estreia, Ritchie Blackmore alterou toda a formação do Rainbow, mantendo apenas o talentoso vocalista Ronnie James Dio. O novo line-up passou a contar, além dos já citados, com Jimmy Bain (B), Tony Carey (K) e o mais do que talentoso baterista Cozy Powell, que infelizmente veio a falecer no ano de 1998 devido a um acidente automobilístico. Esta se tornaria a formação clássica da banda.

Rising é o álbum mais popular do Rainbow,  e também o favorito da maioria de seus fãs. o disco nos traz uma banda mais coesa e virtuosa que a anterior, e que nos apresenta um trabalho sem igual, que abre em grande estilo com “Tarot Woman”; segue com “Run With The Wolf” com um refrão muito legal; a ótima “Startruck”; “Do You Close Your Eyes”, que tem um belo riff; “Stargazer”, que na minha opinião é a melhor, não só do álbum mas também da carreira do grupo; e fecha com a veloz “A Light in the Black”, que tem um não menos que excelente trabalho de guitarra e teclado.

Deste álbum também se originou o ao vivo
On Stage, de 1977, e que é tido por muitos como um dos melhores registros ao vivo já lançados por uma banda do estilo, ficando no mesmo nível de outro ao vivo que também teve a participação do mago Ritchie Blackmore, que é o Made in Japan do Deep Purple.

Rising pode ser considerado um dos principais registros do har/heavy dos anos setenta.

Long Live Rock N´ Roll (1978) ****1/2

Contando quase com a mesma formação de
Rising -  as únicas alterações desta vez foram nos teclados, que passaram a ser executados por David Stone, e o baixo, que passaria a ser responsabilidade de Bob Daisley, que já aparece no álbum como baixista, porém as linhas de baixo do disco foram gravadas pelo próprio Blackmore. 

Long Live Rock N’ Roll foi o último trabalho da parceria entre Blackmore e Dio, sendo que Dio deixou a banda para se juntar ao Black Sabbath, onde estreou com o excelente Heaven and Hell, de 1980, e após o álbum Live Evil deixou a banda partindo para sua excepcional carreira solo, que começaria com o pé direito com outro excelentíssimo trabalho, que é o Holy Diver.

O disco começa com o hino “Long Live Rock N’ Roll” e segue com grandes composições, como “Lady of the Lake”; “L.A. Connection”; a épica “Gates of Babylon”, que é outro clássico e também pode ser considerada como uma das melhores composições do grupo. Ainda temos a empolgante “Kill the King”; “The Shed (Subtle)”; “Sensitive to Light” e a belíssima balada “Rainbow Eyes”, que fecha o álbum com chave de ouro. 

Apesar de não ser tão conhecido como Rising, Long Live Rock N’ Roll deve ser conferido, sendo item obrigatório para colecionadores, roqueiros e guitarristas de plantão.

Após
Long Live Rock N’ Roll ainda podemos destacar os álbuns Down to Earth de 1979, Difficult to Cure de 1981 e Straight Between the Eyes de 1982.

A banda hoje não está mais na ativa, pelo menos por enquanto, e o guitarrista Ritchie Blackmore, após idas e vindas no Deep Purple, formou, por volta de 1997, juntamente com sua esposa o grupo de música erudita Blackmore’s Night, com o qual vem lançando excelentes trabalhos desde então.

Mofo: Rory Gallagher - Irish Tour (1974)

terça-feira, maio 26, 2009

Por Rubens Leme da Costa
Colecionador

Ele viveu durante 47 anos e morreu em decorrência de complicações de uma cirurgia de transplante de fígado, em 1995. Foi um dos guitarristas mais hábeis de sua época. Bono, do U2, considera-o um dos dez maiores de todos os tempos e disse que sua morte foi irreparável. Patriotismo à parte, Rory Gallagher acumulou bons trabalhos com o finado grupo Taste nos anos sessenta, e em sua carreira-solo, nas décadas de setenta, oitenta e noventa.

Irish Tour é seu segundo disco ao vivo e mostra uma banda coesa. Rory consegue vôos em músicas como "Walk on Hot Coals", "A Million Miles Away" e "Too Much Alcohol". Ele teve toda sua discografia relançada em 2000, com alguns discos receberam capas diferentes. Por milagre, alguns saíram no Brasil.

Rory Gallagher nasceu no dia 02 de março de 1948 na cidade de Ballyshannon, na República da Irlanda. Comprou o primeiro violão aos nove anos. Aos doze venceu uma competição em Cork e comprou sua primeira guitarra elétrica. Aos treze formou sua primeira banda. Com quinze anos comprou uma Fender Stratocaster de segunda mão, instrumento que o acompanharia pela carreira toda. Em 1964 entrou na Fontana Show Band e passou o ano seguinte excursionando pela Grã-Bretanha. O grupo muda de nome (The Impacts) e fez alguns shows em uma base norte-americana em Madri, na Espanha. 

Com dezoito anos forma o Taste, um power trio ao lado de Eric Kitteringham (baixo) e Norman Damery (bateria). A banda ganha novos integrantes em 1968: Richard McCracken (baixo) e John Wilson (bateria). Em 1969 excursionam com o Blind Faith, sendo o grupo de abertura. O conjunto chega ao fim após o Festival da Ilha de Wight.


Já solo, em 1972 Rory ganha um disco de platina pelo álbum Live in Europe e recebe o prêmio de músico do ano da Melody Maker. Em 1976 torna-se o primeiro artista a tocar no canal de TV Eurovision, em uma transmissão vista por mais de um milhão de pessoas.No penúltimo ano de sua vida (1994), fica muito doente e falece em 14 de junho de 1995, após uma cirurgia para transplante de fígado realizada em abril daquele ano. Não deixou esposa e filhos. Recebe a ovação da população de Cork após a sua morte.

Essa pequena biografia é uma mera introdução a um dos guitarristas britânicos mais originais e técnicos de todos os tempos. Rory Gallagher usou uma única guitarra em toda sua vida e quase não trabalhava com pedais, preferindo ligar a guitarra aos amplificadores, direto. 

Rory foi um artista que por onde tocou deixou sua marca. No final da década de sessenta, o Taste rivalizava com o Cream de Eric Clapton, Ginger Baker e Jack Bruce como o melhor power trio inglês. Seu maior parceiro solo foi o baixista com quem trabalhou entre os anos de 1970 a 1991, Gerry McAvoy. Gerry conta que conheceu Rory em 1968, em Belfast, durante um show do Taste. Gerry participava da banda Deep Joy e foi recrutado por Gallagher em 1970.

"
Eu fiquei muito tempo com Rory porque existia uma conexão muito grande entre nós. Ele era um cara simples, mas muito perfeccionista enquanto trabalhava. Como possuía um gênio afável, os músicos ficavam bastante tempo com ele e o entrosamento sempre era bom", lembra Gerry.

As formações da Rory Gallagher Band foram:

1970 - 1972 - Rory (guitarra e vocal), Gerry McAvoy (baixo) e Wilgar Campbell (bateria).

1972 - 1976 - Rory (guitarra e vocal), Gerry McAvoy (baixo), Rod D'eath (bateria) e Lou Martin (teclados).

1976 - 1981 - Rory (guitarra e vocal), Gerry McAvoy (baixo) e Ted McKenna (bateria).

1981 - 1991 - Rory (guitarra e vocal), Gerry McAvoy (baixo) e Brendan O' Neill (bateria).

1992 - 1994 - Rory (guitarra e vocal), David Levy (baixo), Jim Levaton (teclados), John Cooke (teclados), Richard Newman (bateria) e Mark Feltham (gaita).


O disco Irish Tour é de 1974, usando então a segunda formação. O álbum foi gravado durante alguns shows da excursão vitoriosa pelas duas Irlandas, e possui duas capas diferentes: a primeira, na cor cinza, é a original em vinil; e a segunda, com a foto de Gallagher, a reedição em CD.

Rory muitas vezes usava material inédito e gravava nos discos ao vivo que lançou. Sempre bem recebido pela platéia e pelos críticos, tocava com uma velocidade estonteante, passando seus blues e de outros artistas com grande galhardia. Nunca ensaiava os solos das canções, pelo contrário, eram espontâneos, o que mostra ainda mais seu talento. Rory e sua Fender Stratocaster de segunda mão caminham pelas canções com um brilhantismo incrível. Mais incrível é saber que não usou nenhum pedal para efeitos. Todos os solos saíam no tapa mesmo. Era apenas o artista e seu instrumento.

O disco contagia desde o começo. Rory Gallagher toca guitarra, violão e gaita, além de todos os vocais. O álbum vendeu bem na Irlanda e aumentou mais ainda o prestígio em seu país. Há quem o compare a Eric Clapton, Jimi Hendrix ou Jeff Beck, o que não é um exagero. Nas canções "A Million Miles Away" e "Walk On Hot Coals" promove tremendos solos de guitarra, onde parece que viaja para outro mundo. O trio acompanha com competência os improvisos de Rory, coisa tão normal em suas excursões.

"
O improviso é muito importante para mim, porque depois de vários shows tocando o mesmo repertório você fica enjoado e quer dar um colorido novo para a canção. Como sempre trabalhei com músicos competentes e minhas formações eram estáveis, facilitava. O que eu pensava, Rod, Gerry e Lou acompanhavam, sem atravessar a melodia. Foram bons tempos", lembrou Gallagher após um show.

Rory era o chamado cara básico. Usava um colete e calça jeans, camisa de manga comprida, cabelo longo e nunca pensou em trocar de guitarra. "
Trocar para que, se sempre foi minha companheira? Em time que está ganhando não se mexe, não é assim o ditado? Eu fico com minha Fender mesmo."

Veja o que pensam alguns conterrâneos irlandeses:

Bono: "
Rory foi um dos grandes guitarristas de todos os tempos e um grande cavalheiro, muito simples."

Van Morrison: "
Era um músico monstruoso. Não tínhamos muito contato, mas sempre acompanhei sua carreira. Foi uma morte triste."

Bob Geldof: "
Minha geração aprendeu a odiar o que era velho, talvez porque não sabíamos tocar bem, já que éramos punks. Mas Rory sempre teve grande prestígio na Irlanda e no resto da Europa, além de ser uma pessoa muito simpática. Fiquei triste quando soube que ele morreu."


Caso você não conheça Rory Gallagher e fique interessado, pode começar a ouvir pelo Irish Tour, que saiu no Brasil em 2000, ou pelo BBC Sessions, disco duplo e importado. 

Se você encontrar qualquer álbum do guitarrista, compre. Se você gosta de blues e rock básico, curtirá toda a sua discografia.

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