30/05/2009

Histórico do Rock Progressivo


Por Ronaldo Rodrigues
Colecionador
Apresentador do programa Estação Rádio Espacial

Há quem diga que deveria chamar-se rock progressista, por ser tratar de um estilo que trouxe evolução musical à linguagem do rock. Mas independente de um ou mais nomes, o advento dos movimentos contraculturais dos anos sessenta, a influência das drogas alucinógenas e uma congregação de várias formas de arte dentro da temática psicodélica impulsionava novas buscas em todos os sentidos dentro do rock – nos temas, na mistura de estilos, na agregação de influências, na musicalidade, no público.

Esse momento todo de efervescência cultural da juventude no mundo atraiu a atenção de uma nova geração que, ao mesmo tempo, rechaçava a caretice tradicional dos conservatórios mas não queria fazer o jogo barato da futilidade ou ser simplista na sua expressão musical. O rock progressivo nasceu assim – tanto de um amadurecimento musical do rock, nesse cenário de buscas e inovações, como de uma nova geração que apostou que sua moderna erudição conseguiria atingir a juventude. E atingiu.

Muitos músicos que viriam a formar grupos de rock progressivo já estavam na estrada ao longo dos anos sessenta, geralmente em combos de rhytm & blues, pop ou jazz. Grande parte tinha formação musical clássica ou jazzista, mas as necessidades materiais e a vontade de exercer o talento superavam os anseios musicais mais profundos. A revolução sonora causada no biênio 1966-1967 por gente como Beatles, Beach Boys, Moody Blues, The Nice, Jimi Hendrix Experience, Cream, Bob Dylan e tantos outros abriu caminho para novas experiências sonoras. O próprio público anseiava novas coisas, o paradigma geral da época era esse – a imaginação no poder, poder jovem, liberdades individuais, quebra de barreiras, desapego. 

Nesse período da metade da década, surgem experiências embrionárias de fusão do rock com a música clássica, com o chamado pop barroco e com o jazz em alguns grupos de rock psicodélico. A influência da música regional e étnica também crescia nos grupos, principalmente as sonoridades típicas européia e indiana. E tudo isso, de certa forma, era assimilado pelo jovem público, cansado das canções superficiais sobre amor ou músicas feitas simplesmente para chacoalhar o esqueleto. Os tempos eram pesados – guerra do Vietnã, conflitos raciais nos EUA, revoltas estudantis, ditaduras ... e o som urgia representar aquilo tudo, ou pelo menos ser um refúgio às realidades desconsolantes. 

Enfim, a psicodelia representou a nova era da música, a evolução, o amadurecimento do rock e de boa parte de seu público. E de suas entranhas surgiu a nova linguagem, em que o senso de busca pelo novo e pela livre expressão era o mesmo, mas a premissa era diferente – musicalmente, alçava-se algo mais avançado e refinado.

Entre 1967 e 1968, alguns trabalhos de proposta bastante avançada são lançados por bandas de música jovem, aos quais posteriormente foram dados os títulos de “precursores do movimento progressivo”. A verdade é que todo um cenário musical da época deu sua contribuição para o estabelecimento sólido da linguagem nos anos setenta. Mas é impossível negar a contribuição de determinados trabalhos para esse desenvolvimento, como
Days of Future Passed do Moody Blues, Thoughts of Emerlist Jack do Nice, This Was do Jethro Tull, Absolutely Free de Frank Zappa & Mothers, Saucerful of Secrets do Pink Floyd, o debut do Procol Harum e do Traffic. 

O jazz também se aproximava do rock através da mente inquieta do visionário Miles Davis. Em 1969, alguns marcos para o estilo ocorreram na Inglaterra – In the Court of the Crimson King do King Crimson, a estréia do Yes e Aerosol Grey Machine do Van Der Graaf Generator - trabalhos iniciais de bandas que se tornariam alguns dos principais ícones do movimento. 

Na cena de cada país europeu, a consolidação do estilo se deu de forma particular. Na Alemanha, a experimentação com novos instrumentos e combinações inusitadas acabou gerando um movimento que privilegiava os climas, as viagens, a vanguarda sonora. O virtuosismo, a influência clássica ou jazzística acabou sendo agregada um pouco mais tarde, e de maneira bem peculiar também. Na Itália, o movimento cresceu já influenciado pela primeira geração de bandas inglesas, nos idos de 1972-1973, somado à tradição musical italiana. No norte da Europa, os grupos eram mais miscigenados e bastante antenados com tudo o que rolava no cenário – o rock pesado, o som viajante, o virtuosismo clássico, o jazz.

No fim dos anos sessenta e começo dos anos setenta o termo “progressivo” era cunhado para grupos bastante díspares e com propostas bastante diferenciadas entre si. Os grupos, do que hoje se convencionou chamar rock progressivo, ainda estavam definindo suas identidades. Esse ínicio é interessante justamente por isso. Depois de delineado o estilo, alguns grupos se acomodaram em zonas de conforto, o que de certa forma, foi uma maneira de assumir a identidade conquistada.

Unidos por esse posterior senso de categorização, do qual dificilmente os críticos musicais conseguem escapar, os grandes grupos de rock progressivo são bastante particulares em suas sonoridades, temáticas, abordagens e influências. Mas geralmente consegue-se destacar duas grandes vertentes – a vertente influenciada pelo jazz e a vertente influenciada pela música erudita/clássica. Há quem transite nas duas. E também há prodigiosos grupos que não são nem uma coisa nem outra. 

O termo hoje coleciona diversas visões para a proposta artística e experimental do rock – fusion, prog eletrônico (raiz da música eletrônica), space rock, zeuhl, RIO (rock in oposition), krautrock. 

Rock progressivo é um termo que sempre remete à vanguarda, à inovação, à ousadia musical. Som para fazer a cabeça. A interação com outras formas de arte é notável na linguagem progressiva – a arte gráfica das capas dos discos, cenários, iluminação e figurino dos músicos, a teatralidade das performances, a poesia nas letras das canções, a literatura e a filosofia como expressão dos conceitos dos álbuns.

Entre 1972 a 1975 grupos como Yes, Gentle Giant, King Crimson, Pink Floyd, Camel, Genesis, Focus, Mike Oldfield e Emerson Lake & Palmer entre outros, viveram seu ápice criativo e comercial. O movimento, que é majoritariamente europeu, teve repercussão mundial, na América Latina e do Norte, na Eurásia, no Japão, na Austrália. Era a onda do momento – de jingles de TV à programação das rádios, tudo aspirava capturar aquela sonoridade. Estilos como o jazz, o funk, o pop e o soft rock queriam morder um pedaço daquele saboroso filão cheio de possibilidades, sempre se aproximando e captando algo daquele estilo. 

De certa forma, o ápice do rock progressivo foi um momento perigoso. Os trabalhos das grandes bandas passaram a ficar cada vez mais pretensiosos e minimalistas. Músicas longas, discos com uma única canção, longas passagens instrumentais, temáticas extremamente distantes da realidade em álbuns conceituais, som quadrafônico, ruídos, experiências sonoras e outros “exageros” (no dizer dos rechaçadores de plantão) suscitaram movimentos de resposta à estética progressiva. Enquanto o declínio de popularidade parecia despontar no horizonte dos grandes grupos, com o advento do movimento punk e da disco music, nos países periféricos (das regiões citadas) o caldeirão sonoro progressivo estava a todo vapor.

Nos anos oitenta as idéias e ideais dos anos passados pareciam estar desgastadas. O show bussiness também avançou para cima dos grupos e dificultou a abordagem de outrora. O estilo passou a enveredar novos caminhos e se adaptar aos novos tempos e anseios do público, mas a popularidade e relevância de antes nunca mais foi atingida. 

Não se pode contar tudo de maneira generalizada, sempre houve e há até hoje (independente da época em que surgiram) grupos que honestamente buscam novas sonoridades sem se importar muito com o que se foi ou com o que se passou, guiados pelo mesmo espírito ousado do auge do estilo. O tempo, com certeza, trará o devido reconhecimento aos heróis.


Discoteca Básica Bizz#090: Yardbirds - Smokestack Lightning (1991)


(Arthur G. Couto Duarte, Bizz#090, janeiro de 1993)

Dentre as formações inglesas geradas nos anos sessenta, o quinteto Yardbirds sempre foi a mais difícil de se compartimentar. Além de catalisador do blues rock, o grupo inspirou os adeptos do garage sound, colaborou para o advento da psicodelia e estabeleceu as bases das futuras tendências hard rock e heavy metal. Sem contar que foi de suas fileiras que saíram três dos principais guitarristas da história: Eric Clapton, Jeff Beck e Jimmy Page.

Fundado em 1963 a partir do ex-Metropolitan Blues Quartet, o grupo - Keith Relf (voz, gaita), Anthony "Top" Tophman (guitarra solo), Chris Dreja (guitarra base), Paul Samwell-Smith (baixo) e Jim McCarty (bateria) - mudou de nome quando viu o termo yardbird (um vagabundo que vivia em meio às estradas de ferro) num livro de Jack Kerouac. A partir daí, com Clapton no lugar de Tophman, consolidariam a fama nas domingueiras do Crawdaddy Club - o mesmo que, pouco antes, havia projetado os Rolling Stones.

Nesta época, o set do quinteto era composto do mesmo rhythm'n'blues à la Chicago adotado por outros grupos britânicos, mas com uma diferença crucial: suas versões eram mais experimentais e recheadas por improvisos - os rave ups - extra longos. Por outro lado, à medida que Clapton se firmava como solista, seu relacionamento com os colegas deteriorava a olhos vistos. Ferrenho purista do blues, ele preferiu sair quando o grupo resolveu aproximar-se do pop.

Só que o pop dos Yardbirds nada tinha a ver com o feijão-com-arroz das paradas. Com Jeff Beck a banda desenvolveu ousadas pesquisas em estúdio. São os casos de "Still I'm Sad" (derivada de um canto gregoriano do século XIII), cuja profusão de ecos dá a impressão de ter sido gravada numa catedral, e "Heart Full of Soul", um dos primeiros sinais da influência da música hindu no rock - vide a simulação do som de uma cítara feita por Beck através de um pedal fuzz.

Recapitulando este trajeto, as 67 faixas dos CDs duplos "Smokestack Lightning Vol. 1 / Blues, Backtracks & Shapes of Things Vol. 2" (ambos Sony) representam virtualmente o melhor dos Yardbirds. No primeiro volume dessa compilação, o enfoque recai nas origens do grupo. Aí estão seu single de estréia ("I Wish You Would"/"A Certain Girl"), as antológicas "I Ain't Got You" e "I'm a Man", takes ao vivo gravados no Marquee Club, coisas inéditas como "Putty (In Your Hands)" (um original das Shirelles), mais a íntegra dos álbuns For Your Love e Having A Rave Up With The Yardbirds - esse último com "You're a Better Man Than I" e "The Train Kept a Rollin'", gravadas no mítico estúdio Sun, em Memphis, sob supervisão de Sam Phillips.

Já o segundo volume destaca o concerto que o grupo fez com o bluesman Sonny Boy Williamson em 1963. Só pelas dez faixas que marcaram o encontro estaria garantida a supremacia dessa coletânea sobre as demais do mercado, porém há muito mais: sobras das sessões do álbum Roger, The Engineer, registros raros de um show no Crawdaddy (incluindo versões para "Who Do You Love" e "Let It Rock"), além da torrente de feedbacks de "Shapes of Things" e "Stroll On", documento da aparição do grupo no filme Blow Up, de Michelangelo Antonioni - e um dos poucos registros do ataque dual de lead guitars da dobradinha Beck/Page.

Em suma, tanto pelo aspecto histórico quanto pela qualidade intrínseca do material presente, estas retro-edições se impõem como itens essenciais.



29/05/2009

Discos Fundamentais: Fastway - Fastway (1983)


Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Recém-saído do Motorhead por causa de tretas com Lemmy, "Fast" Eddie Clarke iniciou um projeto com Pete Way, baixista do UFO, que na época também estava sem banda, mas Way acabou abandonando o guitarrista no meio do caminho, seduzido por uma oferta tentadora para tocar ao lado de Ozzy Osbourne em sua banda solo. Clarke não se deu por vencido, chamou o ex-batera do Humble Pie, Jerry Shirley, garimpou o novato David King em noitadas sem fim e, juntos, entraram em estúdo para registrar um dos maiores clássicos do hard oitentista.

Fastway é um discaço, e uma das principais razões para isso é um fator que parece ter saído de moda hoje em dia: o guitarrista, efetivamente, cria riffs matadores, sobre os quais as músicas se desenvolvem. Esse é, efetivamente, um álbum voltado para a guitarra, mas essa expressão não tem o mesmo sentido daquele empregado atualmente, onde "orientado para a guitarra" serve para definir discos de caras como Joe Satriani e Steve Vai. Aqui, "Fast" Eddie Clarke saca um arsenal de riffs matadores, repletos de melodias, ásperos e pesados, que sustentam as composições ao lado do vocal perfeito de David King, uma espécie de Robert Plant adolescente e com a taxa de testosterona muito acima do normal. Completando o time, Shirley imprime seu estilo clássico na bateria, cheio de viradas e levadas empolgantes.

A produção do lendário Eddie Kramer é mais um fator que soma no resultado final de
Fastway, pois consegue fazer os instrumentos soarem fortes e crus, como se a banda estivesse em um boteco tocando para os amigos. 

Entre as faixas, destaques para "Easy Livin´", "Feel Me Touch Me (Do Anything You Want)", "All I Need is Your Love", a baladaça "Another Day", "Heft!" (que lembra, e muito, aquela canção que a banda do filme Quase Famosos toca em um show - ouça e comprove), "We Become One" e a mais do que clássica "Say What You Will", que para nós, bangers brazucas dos anos oitenta, tem um significado ainda maior, pois era o tema de abertura da série Armação Ilimitada, da Rede Globo.

Uma rifferama animal e inspiradíssima marca o álbum de estréia do Fastway, transformando-o em uma das jóias perdidas do hard rock oitentista. Se você não conhece, ouça que ainda dá tempo.


Faixas:
A1. Easy Livin' - 2:47
A2. Feel Me, Touch Me (Do Anything You Want) - 3:28
A3. All I Need is Your Love - 2:32
A4. Another Day - 4:41
A5. Heft - 5:38

B1. We Become One - 3:59
B2. Give It All You Got - 3:01
B3. Say What You Will - 3:20
B4. You Got Me Runnin' - 3:04
B5. Give It Some Action - 4:12


Discoteca Básica Bizz#089: Gene Vincent - Gene Vincent and The Blue Caps (1957)


(René Ferri, Bizz#089, dezembro de 1992)

Os fãs de rock'n'roll de todas as idades costumam se referir a Gene Vincent com hiperbólica admiração. Gene é apaixonante e sua identificação com o rock é tão forte que parece que se o rock não existisse ele o teria inventado. Isso não impediu que sua carreira fosse traumática, trágica e errática, nem que virasse um farrapo, morrendo aos 36 anos de idade em 1971, alcoólatra, desesperado e quase esquecido.

Sua boa fase foi entre 1956 e 1960, quando lançou nesse curto período dezesseis singles e seis LPs de pura dinamite, todos pelo selo Capitol. Seu melhor álbum - onde Gene atingiu seu pico - foi o segundo, chamado simplesmente Gene Vincent and The Blue Caps, editado no primeiro semestre de 1957. Na época, o rock'n'roll começava a ser assimilado pelas grandes companhias de discos, instigadas pelo enorme sucesso de Elvis na RCA, mas ainda não sabiam lidar com o produto. Ken Nelson, produtor de Vincent e grande profissional, acreditava poder dirigi-lo como a um Sinatra ou a um Nat King Cole. Mas no segundo álbum, Gene e os Blue Caps pareciam desgarrados do controle do produtor e cometeram um disco com fogo e energia bruta.

Gene, com sua gangue, gravou o álbum inteiro ao vivo - direto e sem playbacks - num estúdio em Nashville, no espaço de três dias em outubro de 1956. Foi a última sessão com os Blue Caps originais: Cliff Gallup, Willie Williams (guitarras), Dick Harrell (bateria) e Jack Neal (baixo). Os técnicos de som enlouqueceram com as dificuldades para gravar aquela música selvagem ao vivo. Foi o primeiro álbum de rock tocado inteiramente com instrumentos eletrificados no formato baixo, guitarra-base, guitarra-solo, mais a bateria convencional tocada aos berros por Dick Harrell. E nenhum sax, piano ou coro de vozes para atrapalhar. Aparentemente, a banda teve liberdade também na escolha do repertório, fugindo da síndrome two hits, ten fillers (dois sucessos e outras dez faixas para encher linguiça) que assolou o mercado de LPs até meados dos anos sessenta.

As canções "lentas" como "Unchained Melody", "Blues Stay Way From Me" e "I Sure Miss You" estavam perfeitamente adequadas à voz calorosa de Vincent, que também era um excelente cantor de baladas. As outras faixas, rocks como "Red Blue Jeans and a Pony Tail", "Cat Man", "You Better Believe" e "Pink Thunderbird" tem na maioria a autoria de Gene ou dos Blue Caps. 

Mais um ano e os pesadelos começariam a assombrar a vida de Vincent. A mídia, voltada para os anseios da classe média próspera, achou que não existia lugar para um rocker lascivo, classe operária, com uma perna aleijada e cabelos ensebados. Gene ficaria sozinho com seu orgulho e arrogância, brigando contra o sistema. E perdeu.


Faixas:
1. Red Blue Jeans and a Ponytail
2. Hold Me, Hug Me, Rock Me
3. Unchained Melody
4. You Told a Fib
5. Catman
6. You Better Believe
7. Cruisin'
8. Double Talkin' Baby
9. Blues Stay Away from Me
10. Pink Thunderbird
11. I Sure Miss You
12. Pretty Pretty Baby


28/05/2009

Discos Fundamentais: Soundgarden - Louder Than Love (1989)


Por Alessandro Cubas
Colecionador
Collector´s Room

Formado no ano de 1984 na cidade de Seattle, o Soundgarden é considerado um dos maiores nomes do grunge. 

O primeiro álbum da banda, Ultramega OK, foi lançado em 1988 e este Louder Than Love é o segundo registro oficial do quarteto. Louder Than Love é um bom álbum e bem distante musicalmente do que a banda nos apresentaria futuramente.

Produzido por Terry Date (Ozzy Osbourne, Pantera, Overkill) e pela própria banda,
Louder Than Love é um trabalho que mostra um grupo um tanto quanto obscuro, com guitarras sujas, riffs pesados, muita melancolia e um belo trabalho do vocalista Chris Cornell, hoje considerado um dos melhores vocalistas do rock. A maioria das faixas também nos mostra que a maior influência da banda na hora de compor era, com certeza, o Black Sabbath.

O álbum já começa neste clima com “Ugly Truth”, com um solo
sabbáthico do guitarrista Kim Thayil. A segunda, “Hands All Over”, virou clipe. Adiante nos deparamos com “Gun”, com um riff arrastado que no começo chega a lembrar as bandas doom, passando ainda depois por riffs com palhetadas abafadas e outros mais rápidos, assim como o solo. Também destaco as faixas “Loud Love” e “Big Dumb Sex”.

Este álbum ainda deu origem, no ano seguinte, ao bom ao vivo
Louder Than Live, que também saiu em vídeo, sendo todo o show com imagens em preto e branco.

A formação contava com Chris Cornell (V/G), Kim Thayil (G), Hiro Yamamoto (B) e Matt Cameron (D), sendo que o baixista deixou a banda após o disco ao vivo.

O disco seguinte,
Badmotorfinger, de 1991, ainda nos traz bons momentos, mas também um pouco do que o grupo passaria a ser.

Apesar de serem considerados um dos grandes nomes do grunge, o Soundgarden, principalmente nesta época, tinha um som bem diferente das bandas deste estilo. Acredito que se o Soundgarden não fosse da cidade de Seattle provavelmente não teria este rótulo, mas por outro lado talvez não seria tão reconhecida hoje em dia.


Faixas:
1. Ugly Truth - 4:26
2. Hands All Over - 6:00
3. Gun - 4:42
4. Power Trip - 4:09
5. Get On The Snake - 3:44
6. Full On Kelvin’s Mom - 3:37
7. Loud Love - 4:57
8. I Awake - 4:21
9. No Wrong No Right - 4:47
10. Uncovered - 4:30
11. Big Dumb Sex - 4:11
12. Full On (Reprise) - 2:42


Começando a coleção: Helloween


Por Alessandro Cubas
Colecionador
Collector´s Room

Fundada no ano de 1987 pelo guitarrista Kai Hansen, o Helloween é considerado hoje o precursor no heavy metal melódico, e desde então se tornou inspiração para as bandas do estilo. 

O grupo passou por muitos altos e baixos, como trocas constantes de formação, períodos de inatividade e até alteração no nome do conjunto, que no início se chamava Gentry, mudando para Second Hell e ainda Iron Fist, só depois sendo batizada definitivamente como Helloween, hoje sinônimo de metal melódico. 

Após participar da famosa coletânea Death Metal (1984) com as faixas “Metal Invaders” e “Oernst of Life”, a banda foi contratada pela gravadora Noise Records, e este foi o primeiro grande passo para os alemães se tornarem um dos nomes mais populares do metal e ficarem lado a lado com seus conterrâneos do Scorpions e Accept, tornando o heavy metal alemão um dos mais conceituados do mundo.

Keeper of the Seven Keys Part I (1987) ****1/2

Após o lançamento do Walls of Jericho em 1985, que contou em sua formação com Kai Hansen (V/G), Michael Weikath (G), Markus Grosskopf (B) e Ingo Schwichtenberg (D), o Helloween recrutou Michael Kiske para os vocais e esse foi um ponto crucial para o resultado de Kepper of the Seven Keys, pois Kiske exerceu sua função de forma magnífica, deixando ainda hoje muitos ditos vocalistas de boca aberta com sua performance. 

No início a idéia da banda era lançar um trabalho duplo, porém a gravadora se recusou em lançar o trabalho neste formato e o grupo concordou em lançá-lo em duas partes. Esta primeira está recheada de hinos do estilo, começando por “I’m Alive” com riffs rápidos, belas melodias e um refrão marcante. Na sequência nos deparamos com um grande trabalho de Kiske e sua potente voz em “A Little Time”, seguida pela melódica “Twilight of the Gods”, que nos traz mais uma ótima performance do vocalista e em alguns riffs cavalgados chega a nos lembrar um pouco o Iron Maiden.

“A Tale That Wasn’t Right” é a balada do álbum e abre caminho para “Future World”, a mais clássica deste play dos alemães. Antes de fechar a banda ainda nos presenteia com a longa “Halloween”, que pode ser considerada a mais pesada do disco. Algumas versões do álbum ainda trazem a power metal “Judas”, que saiu originalmente no Walls of Jericho.

Após ouvir trabalhos como este pensamos como temos bandas covers do Helloween espalhadas por aí, pois este estilo, salvo por raras exceções, é pródigo em grupos repetitivos e que copiam descaradamente esta fase dos alemães.  

Keeper of the Seven Keys Part II (1988) *****

Assim como a primeira parte dos
Keppers, este trabalho nos traz ótimas composições e é considerado por muitos ainda melhor do que seu antecessor. Contando ainda com a mesma formação, os alemães nos surpreendem com músicas tão boas quanto as anteriores, começando por “Eagle Fly Free”, que é o maior clássico já composto pelo Helloween, uma empolgante canção de liberdade. 

“You Always Walk Alone”, além da bela performance de Michael Kiske, contém um excelente trabalho na parte instrumental, principalmente nas guitarras. “Rise and Fall” nos transmite um clima divertido, assim como a seguinte, “Dr Stein”, que é outro destaque absoluto do disco.  Kiske detona novamente em “We Got the Right” e “Save Us”. Ainda temos “March of Time” e “I Want Out”, um hino do heavy metal melódico. O trabalho encerra com a épica “Kepper of the Seven Keys”, excelente composição de Weikath.

Este álbum também antecedeu o ao vivo
Live in the U.K. (1989), que foi o último trabalho com esta formação do Helloween. Após este ao vivo Kai Hansen deixou a banda, formando o não menos que importante Gamma Ray. Michael Kiske e Ingo Schwichtenberg ainda ficaram no grupo até o álbum Chameleon, de 1993. Após, Kiske seguiu uma carreira solo distante do peso do metal e Ingo, que já vinha sofrendo de esquizofrenia, infelizmente cometeu suicídio em 1995.

Em 2005 o Helloween ainda lançou a terceira parte do
Kepper of the Seven Keys, porém sem alcaçar a mesma repercussão das primeiras duas, o que já era de se esperar, pois ambas são consideradas obras-primas dentro não só do metal melódico, mas também do heavy metal.
Sem sombra de dúvidas estes trabalhos foram o ápice criativo da banda, que entre outras coisas foi a criadora de um novo gênero dentro do metal.
Happy happy Helloween ...

Better Than Raw (1998) ***1/2

Após a saída do vocalista Michale Kiske muitos fãs acharam que seria o fim do Helloween, porém em 1994 o álbum Master of the Rings nos apresentou o novo vocalista, Andi Deris, que veio da banda de hard rock Pink Cream 69, e nos trouxe um bom trabalho em sua estreia e no álbum seguinte, The Time of the Oath (1996), trabalhos estes que contém ótimas composições como “Sole Survivor”, “Where the Rain Grows”, “Wake up the Mountain”, entres outras, e são considerados pela maioria dos fãs do Helloween como os melhores da fase Deris, por isso sei que terei muitas opiniões contrárias à minha quanto à escolha dos discos para essa sessão, mas Better Than Raw, além de um pouco mais pesado que os anteriores, é um grande CD de heavy metal.

Além de Andi Deris, a formação contava agora com os antigos membros Michael Weikath e Markus Grosskopf, além do guitarrista Roland Grapow, que já havia estreado no álbum
Pink Bubbles Go Ape (1991), e com o ex-Gamma Ray Uli Kusch, um monstro das baquetas e que também se revelou um bom compositor.

Após a introdução “Deliberately Limited Preliminary Prelude Period in Z”, a banda entra com a pesada “Push”, que abre o álbum a mil por hora. O play segue com “Falling Higher”, também com palhetadas rápidas e abafadas antes de cair de vez na parte melódica; “Hey Lord”, uma das mais aclamadas do álbum e que possui um refrão mais do que grudento; “Don’t Spit On My Mind” abre o caminho para “Revelation”, que é outra faixa bastante pesada, com um bom trabalho de todos os músicos e, para mim, a melhor música deste disco.

O play ainda tem “Time” e “I Can”, e ambas podem ser consideradas destaques. “A Handfulof Pain” nos traz uma composição um pouco mais cadenciada, mas não menos poderosa. A interessante “Lavdate Dominvm” é cantada em latim, e “Midnight Sun” também nos traz mais guitarras pesadas em meio a belas melodias. O CD ainda tem a obscura “A Game We Shouldn’t Play” como bonus track.

Neste mesmo ano, na turnê deste álbum, a banda também tocou pela segunda vez no Brasil junto com o Iron Maiden, que na época divulgava seu novo trabalho,
Virtual XI, com o vocalista Blaze Bayley. Desde então o grupo vem tocando constantemente em terras brazucas.

Após este disco o Helloween ainda lançou
Metal Junkebox, apenas com covers, em 1999; o obscuro The Dark Ride em 2000; Rabbit Don’t Come Easy em 2003; o já citado anteriormente Kepper III em 2005, sendo que em 2007 foi lançado um ao vivo para a turnê do álbum, mesmo ano que a banda lançou Gambling With the Devil, o último registro até agora.


Discos Fundamentais: Armageddon - Armageddon (1975)


Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

O Armageddon (não confundir com o homônimo alemão) foi um grupo formado e liderado por Keith Relf, ex-vocalista dos Yardbirds e do Renaissance. Relf estava interessado em tocar um som mais pesado, na linha dos nomes que estavam surgindo na Europa e nos Estados Unidos naqueles primeiros anos da década de setenta.

Para isso, chamou o guitarrista Martin Pugh (Steamhammer) e o baixista Louis Cennamo (Steamhammer, Renaissance). Após testar vários bateristas sem sucesso, deixou a Inglaterra pra trás e se mandou para Los Angeles com Pugh e Cennamo e dois objetivos: conferir a cena hard rock que rolava na Califórnia e encontrar um baterista para completar o seu novo grupo. Em L.A. Relf conheceu Bobby Caldwell (Captain Beyond) em um clube, convidou-o para uma jam e pronto: nascia o Armageddon.

O quarteto começou a ensaiar algumas músicas que Relf já tinha prontas, viu nascer novas ideias em ensaios e foi para o estúdio, onde gravou um dos melhores discos de hard rock dos anos setenta. 

Com apenas cinco faixas, Armageddon, o disco, em nada lembra os trabalhos anteriores de Keith Relf. O que sai dos alto falantes é um vigoroso hard, com um estupendo trabalho da guitarra de Martin Pugh e com a classe e o talento habituais de Bobby Caldwell. Entre as músicas, destaque imenso para a abertura com "Buzzard", com um excelente riff de Pugh e ótimos vocais de Relf, mas todas as faixas (eu disse TODAS) são excepcionais, e cativam imensamente até hoje. Grande álbum, clássico indiscutível!

Infelizmente o Armageddon não seguiu adiante em virtude da morte prematura de Keith Relf, eletrocutado em um acidente doméstico no dia 14 de maio de 1976, aos 33 anos.

Imperdível!


Faixas:
A1. Buzzard - 8:16
A2. Silver Tightrope - 8:23
A3. Paths and Planes and Future Gains - 4:30

B1. Last Stand Before - 8:23
B2. Basking in the White of the Midnight Sun - 11:24
- Warning Comin' On
- Basking in the White of the Midnight Sun
- Brother Ego
- Basking in the White of the Midnight Sun (Reprise)


Discoteca Básica Bizz#088: Bo Diddley - The Chess Box (1990)


(Mauro Beting, Bizz#088, novembro de 1992)

"Bo Diddley", "Bo Diddley is a Gunslinger", "Hey Bo Diddley", "Story of Bo Diddley", "Bo Diddley's Dog", "BoJam", "Bo Guitar", "Diddley Daddy". Não são títulos de autobiografias, mas canções de um dos papas do rock, blues e rhythm'n'blues. Louvado por Deus e Jesus & Mary Chain, que para ele gravaram "Bo Diddley is Jesus". Amém.

Ella McDaniel inventou um músico maior que a pretensão. Ella é ele, Bo Diddley, que aos 16 anos boxeava e ouvia dos fãs: "Go, Bo Diddley". Ele não sabia o que isso significava. Mas gostou do apelido, que virou nome e primeiro compacto, em 1955. Também o maior sucesso e faixa que abre The Chess Box, uma caixa de dois CDs com 45 canções, quatro raridades e nove faixas inéditas, junto com um livreto de 24 páginas.

Bo era personagem de si próprio. Criatura maior que o criador. Nascido em 28 de dezembro de 1928, Ella Bates tomou da tia Gussie McDaniel o sobrenome. Com ela saiu do cafundó de McComb, Mississipi. A mãe, pobre, o deixou na mão da tia, que o levou a Chicago e ao estudo do violino clássico.

Aos doze ouviu o primeiro disco de blues, num lar envolto na religiosidade do gospel. John Lee Hooker o enfeitiçou. Um ano depois, a irmã Lucille o presenteou com o primeiro instrumento. As luvas de boxe vieram a seguir. Aos 15 anos, Ella era semiprofissional e ganhava batendo os trocados para viver. Ganhou nas batidas o apelido de toda a vida.

Da brincadeira da primeira banda, The Hipsters, ficou o estilingado nas cordas da guitarra. De sons perdidos na memória vieram os tambores da África de sua música. Da amizade de Jerome Green ressoaram as maracas de Cuba na percussão. Das canções de pergunta-e-resposta dos shouting blues que ouvia ecoaram as harmonias vocais, que influenciariam o rap; da guitarra tocada com aulas de violino estalaram os acordes que Bo não soube explicar, do mesmo jeito que não sabe por que é Bo.

Rolling Stones, Buddy Holly, Animals, Yardbirds, Shadows, Bobby Vee, Eric Clapton, Jimi Hendrix, The Doors, The Who. O "who´s who" do rock e blues bebeu das canções e se envenenou no beat da square guitar, a guitarra retangular que Bo bolou e construiu em 1958. Um instrumento engraçado como o criador.

Chess Box abre com o groove inconfundível de "Bo Diddley", seu maior sucesso, que chegou ao Top#10 de rhythm & blues em 1955. Punhados de artistas dariam a alma e os bolsos pelo lado B do compacto de estréia, o escorregadio blues "I'm a Man". "Pretty Thing" deu nome a uma banda inglesa dos anos sessenta. "Who Do You Love?" pergunta e tem como resposta os suspiros das muitas senhoras Diddley. "Before You Accuse Me" é outra paulada bluesy.

O primeiro CD, que compreende canções de 1955 a 1959, tem três inéditas, que são versões alternativas para jóias lascadas como "Bring it to Jerome". O segundo disco começa ainda em 1959 e chega até 1968, com o tema "Bo Diddley 69". Não, apesar dele, não é sacanagem. A canção já era influenciada pelo soul da Motown e com batidas da Stax. Duas das tantas gravadoras que vivem dos ecos de Diddley, mas que esquecem que ele está vivo.


Faixas:
1.1. Bo Diddley - 2:43
1.2. I'm a Man - 2:55
1.3. You Don't Love Me (You Don't Care) - 2:50
1.4. Diddley Daddy  2:26
1.5. Pretty Thing - 2:48
1.6. Bring it to Jerome [alternate take] - 2:38
1.7. Bring it to Jerome - 2:27
1.8. Diddy Wah Diddy - 2:30
1.9. I'm Looking for a Woman - 2:30
1.10. Who Do You Love? - 2:27
1.11. Down Home Special - 3:10
1.12. Hey! Bo Diddley  2:09
1.13. Mona - 2:19
1.14. Say Boss Man - 2:29
1.15. Before You Accuse Me - 3:03
1.16. Say Man - 3:10
1.17. Hush Your Mouth - 3:02
1.18. The Clock Strikes Twelve - 2:57
1.19. Dearest Darling - 3:14
1.20. Crackin' Up - 2:03
1.21. Don't Let it Go (Hold on to What You Got) - 2:42
1.22. I'm Sorry - 2:24
1.23. Mumblin' Guitar - 2:47
1.24. The Story of Bo Diddley - 2:50

2.1. She's Alright - 4:01
2.2. Say Man - 3:01
2.3. Roadrunner - 2:46
2.4. Spend My Life with You - 2:34
2.5. Cadillac - 2:44
2.6. Signifying Blues - 4:25
2.7. Deed and Deed I Do - 2:19
2.8. You Know I Love You - 2:52
2.9. Look at My Baby - 2:27
2.10. Ride on Josephine - 2:59
2.11. Aztec - 2:25
2.12. Back Home - 2:26
2.13. Pills - 2:47
2.14. [Untitled Instrumental] - 2:20
2.15. I Can Tell - 4:24
2.16. You Can't Judge a Book By its Cover - 3:12
2.17. Who May Your Lover Be - 2:51
2.18. The Greatest Lover in the World - 2:39
2.19. 500% More Man - 2:52
2.20. Ooh Baby - 2:46
2.21. Bo Diddley 1969 - 2:35

Leia também: Howlin´ Wolf - The London Howlin´ Wolf  Sessions (1971)


27/05/2009

Primeiro DVD de Jorn Lande já disponível no Brasil


Por Eliton Tomasi
Colecionador

Jorn Lande é um dos maiores vocalistas de rock da atualidade! Definitivamente! Sua capacidade vocal é impressionante. O vocalista norueguês alterna timbres distintos com tremenda facilidade. Esse é o resultado quando dom e técnica se encontram.

Durante a última década, Jorn Lande gravou cerca de trinta álbuns com diferentes bandas e projetos, além de ter trabalhado com grandes artistas como Ronni Le Tekro (TNT), Yngwie Malmsteen, Micky Moody e Bernie Marsden (Whitesnake), Joe Lynn Turner, Don Airey (Ozzy, Rainbow e Deep Purple), Uli Jon Roth (Scorpions) e Russell Allen (Symphony X). Seu mais famoso trabalho foi como frontman da banda alemã Masterplan, que tem alcançado grande sucesso no mundo todo.

Jorn Lande também tem obtido grande sucesso com com sua própria banda simplesmente batizada de Jorn. Até agora são sete álbuns solo, todos com vendagens bastante expressivas, como
World Changer (2001), Out to Every Nation (2004) e The Duke (2006).

O DVD
Live in America, que acaba de chegar ao Brasil pela Hellion Records, é um testemunho visual das capacidades de Jorn como frontman e de toda beleza, técnica e versatilidade de sua voz.

Live in America foi gravado ao vivo durante a primeira apresentação de Jorn nos EUA, na sétima edição do badalado ProgPower Festival, em Atlanta, onde o vocalista e sua banda foram atração principal do dia 16 de setembro de 2006. Na ocasião, Jorn ofereceu ao público presente uma ampla seleção de canções retiradas de seus álbuns solo, projetos paralelos e um explosivo medley do Whitesnake, que fez desse um dos shows mais eletrizantes de toda história do festival. 

Live in America já está disponível em todas as lojas do país ou diretamente através da loja on-line da Hellion no endereço www.hellion.com.br

Não perca a oportunidade de apreciar esse emocionante show do mais novo gigante do hard rock contemporâneo!

Mais informações:
www.hellion.com.br
www.jornlande.com
www.myspace.com/realjorn

Leia também: Jorn - Lonely Are the Brave (2008)


poeiraCast#009 no ar: os 50 anos do selo Island


Por Bento Araújo
Colecionador

O poeiraCast, o podcast da revista poeira Zine, celebra os cinquenta anos do selo Island em sua 9ª edição.

Desta vez o programa é dividido em duas partes: uma sobre a história da cinquentenária gravadora, fundada por Chris Blackwell, na Jamaica, e depois vem a famosa listinha – onde são elencados pelos apresentadores do poeiraCast os melhores discos lançados por ela, além dos grandes nomes que compõem o poderoso cast do selo.

Além de se inteirar um pouco mais sobre a história do rock´n´roll, nesta 9ª edição você ficará sabendo também se na Jamaica serve pizza, qual o seu provável sabor e, desvendando o mito urbano, se Frank Zappa realmente comeu as próprias fezes.

Acesse o
www.poeirazine.com.br/poeiracast.html e boa viagem!

O poeiraCast é um programa de bate papo, na verdade uma mesa redonda livre e direta sobre o assunto que a gente mais aprecia: música. Nele você encontra polêmicas, curiosidades, as famigeradas listas e bizarrices mil de seus grupos e artistas favoritos.

Ajeite-se na poltrona e boa curtição.

Direção: Bento Araújo
Locução: Ricardo Alpendre
Produção: Bento Araújo, Sérgio Alpendre, José Damiano e Ricardo Alpendre
Edição: Xando Zupo (Overdrive Estúdio – email: xandozupo@gmail.com)


Discoteca Básica Bizz#087: Tim Maia - Tim Maia (1970)


(Cláudio Campos, Bizz#087, outubro de 1992)

O lançamento desse disco marcou o ano zero da música black no Brasil. Com seu álbum de estréia, aos 28 anos, Sebastião Rodrigues Maia abria um novo caminho para a nossa música. Se João Gilberto havia adicionado elementos jazzísticos ao samba criando a bossa-nova, Tim incorporava o soul dos negros americanos. E fazia isso de maneira tão natural, brasileira e popular que a identificação de seu som com o grande público foi imediata e definitiva.

É verdade que a jovem guarda já flertava com o balanço dos hitmakers da gravadora Motown, e o próprio rei Roberto Carlos gravou, em 1968, "Não Vou Ficar", o primeiro grande sucesso de Tim Maia como compositor. Porém, dois anos mais se passariam para que o país inteiro descobrisse que, além de ter muitos outros clássicos na cabeça, o cara cantava como ninguém jamais tinha conseguido deste lado do hemisfério e sabia exatamente como nivelar a música brasileira com o que havia de mais legal na época em matéria de soul.

Onze anos antes, Tim fizera um estágio nos EUA. Com apenas dezessete anos, preto e pobre, já era maluco o suficiente para se mandar para lá em plena bana pesada dos tempos pré-Martin Luther King. Isso no exato momento em que a derivação do rhythm'n'blues, que seria conhecida como soul music, começava a definir seus contornos. Ficou por lá até ser convidado a se retirar da festa pelas autoridades americanas (ele desabafaria em "Meu País", de 1971:
"
Sim, bem sei que aprendi muito no seu país / Justo no seu país /Porém, no meu país senti tudo que quis").

Mas foi por aqui que ele encontrou os elementos que tornariam a música que fazia tão rica e particular, como ficava comprovado no seu primeiro álbum. Com o paraibano Genival Cassiano compôs "Padre Cícero", uma irresistível mistura de forró e soul em homenagem ao preacher de Juazeiro. Essa feliz experiência genética teve seu ponto alto em "Coroné Antônio Bento" (Luiz Wanderley/João do Vale), onde a atuação vocal alucinada de Tim fazia a gente acreditar que Memphis ficava em pleno sertão de Pernambuco. Aliás, a participação de Cassiano - o outro grande arquiteto do soul Brasil - foi fundamental no disco. São dele "Você Fingiu", a sensível "Eu Amo Você" e o hit "Primavera" (as duas últimas em parceria com Silvio Rochael).

E se o mundo todo pudesse ouvi-lo, ele ainda tinha muito para contar: em meio ao belíssimo arranjo de cordas em "Azul da Cor do Mar", Tim tocou no nervo do dente da paixão latina ("
Um nasce pra sofrer / enquanto o outro ri"). Desde então, poucos artistas tem convencido como ele, ao cantar a dor do homem espezinhado pela mulher ingrata.

Mais de duas décadas depois, o disco ainda impressiona pela riqueza das melodias e dos arranjos, além da atualidade sonora de faixas como "Cristina" (uma aula de como tirar música da alma) e "Flamengo".

Antes de sacramentar o samba-soul em "Réu Confesso" e "Gostava Tanto de Você" em 1973, Tim lançaria mais dois álbuns pródigos em gerar sucessos, todos pela atual Polygram - a mesma gravadora para onde fora levado pelos Mutantes. 

Em 1992, ano de tantas comemorações, as cinquenta primaveras de Tim Maia bem que mereceriam o lançamento na íntegra desse primeiro e fundamental ciclo de sua carreira em CD. 

Isso é que é discoteca básica, obrigatória.


Faixas:
1. Coroné Antônio Bento - 2:13
2. Cristina - 2:05
3. Jurema - 1:14
4. Padre Cícero - 2:23
5. Flamengo - 2:00
6. Você Fingiu - 3:58
7. Eu Amo Você - 4:05
8. Primavera (Vai Chuva) - 2:10
9. Risos - 2:36
10. Azul da Cor do Mar - 3:20
11. Cristina Nº 02 - 1:30
12. Tributo à Booker Pittman - 2:48