26/06/2009
Discografia Comentada: Michael Jackson
sexta-feira, junho 26, 2009
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O cantor americano Michael Jackson é o artista solo que mais vendeu discos no mundo. Foram mais de 200 milhões de cópias. Do mais importante de seus álbuns, Thriller (1982), foram prensadas mais de 100 milhões. Em sua fase menos popular, o cantor vendeu oito milhões de discos com Invincible (2001), seu último lançamento de inéditas.
A carreira solo do cantor foi iniciada em 1970, quando ele deixou o grupo Jackson 5. Michael arrebatou milhões de fãs ao criar um novo estilo, que unia canções de refrão fácil, musicalidade e muita dança. Em 1972 foi eleito o melhor vocalista masculino do ano por seu primeiro disco solo, Got to Be There.
Veja, abaixo, a discografia do cantor, sem incluir as coletâneas:


Got to Be There (1972) ***1/2
O disco, com dez músicas, marcou o primeiro registro da carreira solo do músico, então conhecido por liderar os irmãos no grupo Jackson 5.

Trata-se do segundo álbum solo de Jackson. O disco, com onze músicas, foi lançado em 04 de agosto de 1972, sete meses depois de sua estreia solo, com Got to Be There. O cantor deu preferência às baladas, gênero raro nas músicas dos Jackson 5.

Music & Me, lançado em 13 de abril de 1973, tem dez músicas e foi o terceiro álbum solo de Michael Jackson, lançado oito meses depois de Ben.


Ben (1972) ***

Music & Me (1973) ***
Music & Me, lançado em 13 de abril de 1973, tem dez músicas e foi o terceiro álbum solo de Michael Jackson, lançado oito meses depois de Ben.

Forever, Michael (1975) ***1/2
Apesar de se tratar do melhor álbum da primeira fase de sua carreira solo, esse quarto disco ainda estava longe da inovação provocada pelo quinto e próximo disco, Off the Wall.


Off the Wall (1979) ****1/2
Dessa vez, Jackson deu uma pausa de quatro anos para só então lançar o primeiro fenômeno de vendas de sua carreira. Off the Wall é o primeiro álbum gravado pelo cantor em idade adulta. Ele misturou disco music e rhythm and blues para surpreender público e crítica. O resultado foi o topo das paradas e 11 milhões de cópias vendidas.


Thriller (1982) *****
Thriller é um verdadeiro marco na história da indústria fonográfica. Lançado pela Epic em 30 de novembro de 1982, vendeu mais de 100 milhões de cópias pelo mundo até hoje. Das nove faixas, três alcançaram o topo das paradas: "The Girl is Mine", "Billie Jean" e "Beat It". Jackson também investiu nos videoclipes, realizando verdadeiras superproduções, como o da faixa-título, em que ele contracena com atores fantasiados de zumbis.

A crítica torceu o nariz ao considerar o disco pouco ousado na comparação com os dois trabalhos anteriores. Apesar disso, ele foi muito bem recebido pelo público, que comprou 26 milhões de cópias. O álbum ficou no topo das paradas em 25 países.

Dangerous foi o primeiro álbum lançado por Michael Jackson na década de noventa. O cantor surpreendeu novamente ao vender mais de 30 milhões cópias até hoje.

Trata-se de um álbum duplo lançado por Jackson que reúne trinta canções. No primeiro disco (HIStory Begins), há uma seleção de sucessos remasterizados. Já o segundo (HIStory Continues) tem a primeira leva de músicas inéditas desde Dangerous.

Invincible reúne dezesseis canções inéditas. O racha do cantor com a Sony resultou em uma fraca divulgação e oito milhões de discos vendidos, seu pior desempenho comercial desde Off the Wall.

Bad (1987) ***1/2
A crítica torceu o nariz ao considerar o disco pouco ousado na comparação com os dois trabalhos anteriores. Apesar disso, ele foi muito bem recebido pelo público, que comprou 26 milhões de cópias. O álbum ficou no topo das paradas em 25 países.

Dangerous (1991) ***1/2
Dangerous foi o primeiro álbum lançado por Michael Jackson na década de noventa. O cantor surpreendeu novamente ao vender mais de 30 milhões cópias até hoje.

HIStory: Past, Present and Future Book I (1995) ****
Trata-se de um álbum duplo lançado por Jackson que reúne trinta canções. No primeiro disco (HIStory Begins), há uma seleção de sucessos remasterizados. Já o segundo (HIStory Continues) tem a primeira leva de músicas inéditas desde Dangerous.

Invincible (2001) ***
Invincible reúne dezesseis canções inéditas. O racha do cantor com a Sony resultou em uma fraca divulgação e oito milhões de discos vendidos, seu pior desempenho comercial desde Off the Wall.
A História do Jackson 5
sexta-feira, junho 26, 2009
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The Jackson Five foi um dos mais importantes grupos musicais dos Estados Unidos durante a década de setenta. O conjunto era formado pelos irmãos Jackson: Jackie, Tito, Jermaine, Marlon, Randy e Michael.A banda conseguiu logo um grande sucesso com as suas quatro primeiras músicas ("I Want You Back", "ABC", "The Love You Save" e "I'll Be There"), que alcançaram o topo das paradas americanas e o top#10 em muitos países do mundo.
O Jackson 5 fazia grandes performances e encantava o público em geral, principalmente por serem tão jovens, com suas múscas de estilos variados sendo apresentadas de forma brilhante pelo grupo. Foi ao lado de seus irmãos que o mais novo dos Jacksons, Michael, começou a se destacar como dançarino e cantor.



Os primeiros quatro singles do grupo, "I Want You Back" e "ABC" de 1969, e "The Love You Save" e "I'll Be There" de 1970, tornaram-se primeiro lugar nas paradas dos Estados Unidos. Outros sucessos incluem "Mama's Pearl" e "Never Can Say Goodbye" de 1971, "Lookin' Through the Windows" de 1972, "Get It Together" de 1973 e "Dancing Machine" de 1974.
Os Jackson Five gravaram catorze álbuns para a Motown, e Michael, Jermaine e Jackie ainda gravaram álbuns solo como parte da "franquia" Jackson 5. Muitos dos sucessos dos Jackson 5 foram produzidos por produtores da Motown – Berry Gordy, Freddie Perren, Alphonzo Mizell, Deke Richards e Hal Davis. Estima-se que os singles e álbuns do grupo, somados, tenham vendido mais de 100 milhões de cópias em todo o mundo.
Em 1975 os irmãos Jackson assinaram um novo contrato com a CBS Records, indo para a divisão Philadelphia International e, pouco tempo depois, foram para a Epic Records. O novo negócio com a CBS rendeu bons lucros e liberdade de criação, coisas que eles não tinham muito na Motown. Ao saber que os Jackson 5 haviam assinado um contrato com outra gravadora, a Motown rescindiu o contrato, ficando com os direitos sobre o nome e o logotipo do grupo. Além disso, Jermaine, que havia casado com Hazel, filha de Berry Gordy, optou por permanecer na Motown para seguir carreira solo.
Agora como The Jacksons e com o irmão mais novo, Randy, no lugar de Jermaine, os irmãos continuaram sua carreira de sucesso, fazendo turnês internacionais e gravando seis álbuns entre 1976 e 1984. Hits desse período incluem "Enjoy Yourself" e "Show You the Way to Go" de 1976, "Blame It on the Boogie" de 1977, "Shake Your Body (Down to the Ground)" de 1978 e "Can You Feel It" e "'This Place Hotel" de 1980.

O grupo gravaria o álbum The Jacksons Live em 1981 e depois faria uma pausa. Jermaine regressou para a gravação e turnê de Victory, de 1984. Michael Jackson e Mick Jagger participam na faixa "State of Shock", que foi o maior êxito desse disco.
No final da década, Michael e Marlon não eram mais membros do grupo, que acabou em 1990. A banda ainda lançou, em 1989, o álbum 2300 Jackson Street. Rumores de que o grupo se reuniria novamente, com a participação de Michael, chegaram a circular pela imprensa em 2005. Em novembro de 2007 Jermaine teria declarado ao canal BBC 6 Music que o grupo estava gravando novo material e que até poderiam sair em turnê em 2008.
Discos Fundamentais: Michael Jackson - Thriller (1982)
sexta-feira, junho 26, 2009
2 comentários

Thriller foi lançado por Michael Jackson em 30 de novembro de 1982, pela gravadora Epic, e figura no Livro Guinness dos Recordes como o disco mais vendido da história. Até 2006 havia sido adquirido por mais de 104 milhões de pessoas.
Sete das nove faixas do LP chegaram às lojas como single, um marco que seria igualado poucas vezes no futuro. Três músicas conquistaram o topo das paradas: "The Girl is Mine", "Billie Jean" e "Beat It".
O álbum subiu à primeira posição entre os mais vendidos dos Estados Unidos no dia 21 de fevereiro de 1983 e permaneceu lá por 37 semanas, outro recorde. Ainda foi o primeiro a se estender por mais de um ano entre os mais vendidos do país.
O disco conta com contribuições do Beatle Paul McCartney, do guitarrista Eddie Van Halen (guitarra solo em "Beat It") e do ator norte-americano Vincent Price (1911-1993), que faz a antológica narração presente na faixa-título.
Em Thriller, Michael assina a composição de quatro músicas e ainda divide créditos com Rod Temperton pela autoria da faixa-título. Em "Wanna Be Startin' Somethin'" o astro fala sobre a indústria das fofocas; em "Beat It" faz um apelo contra a violência urbana; e na polêmica "Billie Jean" relata a história de um homem acusado falsamente de ser o pai de uma criança - uma história real vivida por Jackson em 1981, quando uma fanática passou a persegui-lo clamando que ele assumisse a paternidade do filho dela.
Além do absoluto sucesso de vendas, Thriller foi também um marco na luta contra a discriminação racial na indústria da música. Em março de 1983 o videoclipe de "Billie Jean" estreou na MTV fazendo de Jackson o primeiro artista negro cuja música ganhou espaço na emissora. Em abril, a WAAF 97.7 FM de Boston tornou-se a primeira rádio de rock da história a executar a composição de um negro, colocando "Beat It" na grade de programação. Na época, o formato era direcionado a um público essencialmente branco. O feito foi seguido por emissoras similares e "Beat It" alcançou a 14ª posição na parada da Billboard, que monitora as músicas mais executadas pelas rádios dos Estados Unidos, algo inédito e que não seria repetido por nenhum outro cantor negro no futuro.
O álbum ainda é lembrado pelos videoclipes, considerados inovadores para a época. Ao substituir a técnica de colagem de imagens por roteiros com início, meio e fim nos vídeos de "Billie Jean" e "Beat It", Michael Jackson acabou criando de um novo conceito de produção. Com o curta-metragem gravado para acompanhar a canção "Thriller", Michael e o diretor John Landis estabeleceram ainda novos horizontes para a concepção dos clipes, que passaram a ser vistos como pequenos filmes. O vídeo de "Thriller" tem quatorze minutos de duração e foi gravado em película ao custo de 600 mil dólares, bastante elevado para os padrões da época.
No Brasil, Thriller é o álbum internacional mais vendido de todos os tempos. Até 2001 estava presenta na casa de 1,2 milhões de brasileiros. "Billie Jean" foi a segunda canção mais executada nas rádios do país em 1983, atrás somente de "Menina Veneno", do cantor Ritchie. Junto com "Billie Jean", as faixas "Beat It", "The Girl is Mine" e "Thriller" foram os maiores sucessos do LP em nosso país. Em 1984, quando o álbum entrou para o Livro Guinness dos Recordes, a Epic publicou na imprensa nacional um anúncio com o título "tenha esse LP ou jogue seu toca-discos fora!".

Faixas:
A1. Wanna Be Startin' Somethin' - 6:03
A2. Baby Be Mine - 4:20
A3. The Girl Is Mine (with Paul McCartney) - 3:42
A4. Thriller - 5:57
A1. Wanna Be Startin' Somethin' - 6:03
A2. Baby Be Mine - 4:20
A3. The Girl Is Mine (with Paul McCartney) - 3:42
A4. Thriller - 5:57
B1. Beat It - 4:17
B2. Billie Jean - 4:53
B3. Human Nature - 4:05
B4. P. Y. T. (Pretty Young Thing) - 3:58
B5. The Lady in My Life - 4:58
B2. Billie Jean - 4:53
B3. Human Nature - 4:05
B4. P. Y. T. (Pretty Young Thing) - 3:58
B5. The Lady in My Life - 4:58
Discos Fundamentais: Michael Jackson - Off the Wall (1979)
sexta-feira, junho 26, 2009
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Off the Wall é o primeiro álbum gravado por Michael Jackson em idade adulta. Lançado pela Epic em 12 de agosto de 1979, é o primogénito dos três discos produzidos pelo astro em parceria com o maestro Quincy Jones. Na época, a mistura de rhythm and blues e disco music ouvida no álbum causou furor entre o público e a imprensa especializada. Cinco das dez faixas do LP foram lançadas como compacto, sendo que duas chegaram ao topo das paradas: "Don't Stop 'Till You Get Enough" e "Rock With You".
As 84 semanas consecutivas em que esteve nos charts nos Estados Unidos fizeram de Off the Wall o álbum de black music mais vendido da história, até que a marca fosse quebrada pelo próprio Michael Jackson no início dos anos oitenta com seu próximo trabalho, Thriller, de 1982. Em 2001 Off the Wall o álbum já havia sido adquirido por aproximadamente dezenove milhões de pessoas em todo o mundo.
Divergindo dos álbuns que havia gravado até então pela Motown, em Off the Wall Michael abandonou os temas infantis e passou a cantar histórias comuns a jovens como ele, que estava na época com 21 anos. Nas dez faixas do trabalho o astro canta sobre solidariedade, auto-estima, trabalho e relacionamentos, sempre abusando dos falsetes vocais, com timbres moderados e muita sensualidade - artifícios pouco explorados nas gravações anteriores do cantor.
No LP, Michael ainda estreia como compositor e produtor, assinando três faixas. Uma delas, "Don't Stop 'Till You Get Enough", lançada como compacto em 1979, lhe renderia o primeiro Grammy da carreira, de Desempenho Vocal R&B Masculino, um ano depois. O álbum inclui ainda canções de Paul McCartney ("Girlfriend"), Stevie Wonder ("I Can't Help It") e Rod Temperton ("Rock With You"). Na faixa "It's the Falling in Love", Jackson divide os vocais com Patti Austin.
Foram filmados videoclipes para a divulgação dos compactos "Don't Stop 'Till You Get Enough", "Rock With You" e "She's Out of My Life". O conceito das peças era pouco ousado, nada comparável ao que o astro produziria na década de oitenta. Ainda assim, contribuíram para o sucesso das faixas.
Quando a balada "She's Out of My Life" foi lançada como compacto, em abril de 1980, pouco depois do sucesso da faixa-título do álbum, Jackson se tornou o primeiro cantor a colocar quatro músicas de um mesmo disco entre as dez mais tocadas, tanto no Reino Unido quanto nos Estados Unidos.


Faixas:
A1. Don't Stop 'Til You Get Enough - 6:06
A2. Rock With You - 3:40
A3. Working Day and Night - 5:14
A4. Get on the Floor - 4:39
A1. Don't Stop 'Til You Get Enough - 6:06
A2. Rock With You - 3:40
A3. Working Day and Night - 5:14
A4. Get on the Floor - 4:39
B1. Off the Wall - 4:06
B2. Girlfriend - 3:05
B3. She's Out of My Life - 3:38
B4. I Can't Help It - 4:30
B5. It's the Falling in Love - 3:48
B6. Burn This Disco Out - 3:41
B2. Girlfriend - 3:05
B3. She's Out of My Life - 3:38
B4. I Can't Help It - 4:30
B5. It's the Falling in Love - 3:48
B6. Burn This Disco Out - 3:41
Discoteca Básica Bizz#110: Stevie Wonder - Talking Book (1972)
sexta-feira, junho 26, 2009
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Há uma piada dos irmãos Marx que define bem a situação de Stevie Wonder na gravadora Motown. Em Uma Noite em Casablanca, Groucho Marx encarna um diretor de hotel que decide trocar os números dos quartos dos hóspedes. Quando um deles reclama que aquilo seria uma loucura, Groucho replica: "Mas também seria uma diversão dos diabos!".
A maior "loucura" de Stevie Wonder chamou-se Talking Book e cristalizou a independência do cantor em relação aos padrões rígidos da Motown. Até então, na gravadora americana as músicas deveriam ter três minutos – no máximo - e abordar nas letras temas como o amor e futilidades.
Wonder queria ter controle total de suas produções e ainda a liberdade para fazer as músicas que quisesse, com a duração que bem entendesse. Com o passar dos anos, essa exigência ficou cada vez mais cara para os cofres da gravadora e ainda menos rentável, com a perda de prestígio de Wonder. Mas pelo menos ele conseguiu emplacar diversas obras-primas. Talking Book veio mostrar um artista maduro aos 22 anos, brincando com uma invenção dos anos setenta, o sintetizador – que foi descoberto em Music of My Mind, seu disco anterior, também de 1972.
Os instrumentos em que Wonder não meteu a mão foram tocados por gente da categoria de Jeff Beck (o solo de guitarra em "Lookin' For Another Pure Love") e do saxofonista David Sanborn ("Tuesday Heartbreak"). As letras, em sua maioria, falavam da separação de Wonder e Syreeta Wright, da descoberta de um novo amor pelo compositor, de política e misticismo.
"Superstition" foi o maior hit do disco e quase virou um sucesso com Jeff Beck. Wonder havia cedido a música para o guitarrista e se recusava a lançá-la em single. "Você está louco? Esta canção tem de promover o álbum", rebateu o pessoal da Motown. Não é preciso ser nenhum gênio para apostar no sucesso da música, basta ouvir a introdução, com a marcação forte da bateria e o sintetizador de Wonder. O resultado foi um estremecimento da amizade entre o temperamental Beck e o cantor/compositor.
A relação entre Wonder e Syreeta foi destrinchada em "Maybe Your Baby", "Tuesday Heartbreak", "You've Got It Bad Girl" e "Blame It on the Sun". Na primeira, Wonder colocava para fora os fantasmas do ciúme e da solidão, com timbres estranhos de sintetizador e os wah wahs da guitarra de Ray Parker, Jr. (que depois fez um pífio trabalho-solo). "Tuesday Heartbreak" é uma visão irônica sobre o fim de uma relação, e na letra de "Blame It on the Sun", co-escrita com Syreeta, ele busca uma resposta para o fim do amor entre os dois.
"Superstition" foi o maior hit do disco e quase virou um sucesso com Jeff Beck. Wonder havia cedido a música para o guitarrista e se recusava a lançá-la em single. "Você está louco? Esta canção tem de promover o álbum", rebateu o pessoal da Motown. Não é preciso ser nenhum gênio para apostar no sucesso da música, basta ouvir a introdução, com a marcação forte da bateria e o sintetizador de Wonder. O resultado foi um estremecimento da amizade entre o temperamental Beck e o cantor/compositor.
A relação entre Wonder e Syreeta foi destrinchada em "Maybe Your Baby", "Tuesday Heartbreak", "You've Got It Bad Girl" e "Blame It on the Sun". Na primeira, Wonder colocava para fora os fantasmas do ciúme e da solidão, com timbres estranhos de sintetizador e os wah wahs da guitarra de Ray Parker, Jr. (que depois fez um pífio trabalho-solo). "Tuesday Heartbreak" é uma visão irônica sobre o fim de uma relação, e na letra de "Blame It on the Sun", co-escrita com Syreeta, ele busca uma resposta para o fim do amor entre os dois.
Mas ele colocava uma certa esperança no disco. "You Are the Sunshine of My Life" nasceu de seu namoro com a vocalista Gloria Barley, que dividiu os vocais com ele na música. E para quem duvidava de sua capacidade em temas políticos, Wonder rebateu com "Big Brother" - paralelo entre o Grande Irmão de 1984, livro de George Orwell, e o pouco caso do governo americano em relação aos negros.
Quem acha que ele é só baladeiro, tem aqui a prova de seu gênio.

Quem acha que ele é só baladeiro, tem aqui a prova de seu gênio.

Faixas:
A1. You Are the Sunshine of My Life - 2:58
A2. Maybe Your Baby - 6:50
A3. You and I - 4:38
A4. Tuesday Heartbreak - 3:02
A5. You've Got It Bad Girl - 4:57
A1. You Are the Sunshine of My Life - 2:58
A2. Maybe Your Baby - 6:50
A3. You and I - 4:38
A4. Tuesday Heartbreak - 3:02
A5. You've Got It Bad Girl - 4:57
B1. Superstition - 4:26
B2. Big Brother - 3:33
B3. Blame It on the Sun - 3:26
B4. Lookin' for Another Pure Love 4:43
B5. I Believe (When I Fall in Love It Will Be Forever) - 4:51
B2. Big Brother - 3:33
B3. Blame It on the Sun - 3:26
B4. Lookin' for Another Pure Love 4:43
B5. I Believe (When I Fall in Love It Will Be Forever) - 4:51
25/06/2009
Wilco - A Ghost is Born (2004)
Review de CDs
//
Ricardo Seelig
//
Wilco
quinta-feira, junho 25, 2009
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Por Ricardo Seelig
Colecionador
Quinto álbum do bando liderado por Jeff Tweedy, A Ghost is Born é o sucessor do excelente Yankee Hotel Foxtrot, de 2002, desde já um dos grandes discos desta década. Antes de analisarmos o CD, vale lembrar que este é o primeiro álbum do grupo sem o guitarrista e tecladista Jay Bennet, que teve papel fundamental na construção da sonoridade da banda.
Com Bennet no grupo o Wilco lançou apenas dois álbuns, ambos excelentes. O primeiro, Summerteeth, saiu em 1999 e pode ser considerado como uma introdução para o que viria a seguir. Contando com excelentes músicas, como a bela "She's a Jar", "Shot in the Arm", "I'm Always in Love", "ELT" e a obra-prima "How to Fight Loneliness", o álbum deu início a uma das parcerias mais produtivas dos últimos tempos e fincou de vez o Wilco no posto de banda fundamental do chamado alt.country, papel conquistado pelo grupo com o seminal Being There, de 1996.
Com Bennet no grupo o Wilco lançou apenas dois álbuns, ambos excelentes. O primeiro, Summerteeth, saiu em 1999 e pode ser considerado como uma introdução para o que viria a seguir. Contando com excelentes músicas, como a bela "She's a Jar", "Shot in the Arm", "I'm Always in Love", "ELT" e a obra-prima "How to Fight Loneliness", o álbum deu início a uma das parcerias mais produtivas dos últimos tempos e fincou de vez o Wilco no posto de banda fundamental do chamado alt.country, papel conquistado pelo grupo com o seminal Being There, de 1996.
Mas foi com o álbum seguinte que Jeff Tweedy e Jay Bennet mostraram todo o seu poder de fogo. Yankee Hotel Foxtrot jorra criatividade e ousadia por todos os cantos. Uma verdadeira coleção de pequenas jóias pop, onde se destacam "Jesus etc", "War on War", "Kamera". "I'm the Man Who Loves You" e "Heavy Metal Drummer", o disco foi um divisor de águas na carreira do grupo. Todo mundo já conhece a história, mas vamos relembrá-la mesmo assim: a gravadora recusou o álbum, que foi lançado de forma independente, alcançando mais de um milhão de cópias vendidas. Mas todo este processo quase acabou com o Wilco. O baterista Ken Coomer saiu durante as gravações de Yankee Hoteh Foxtrot e o guitarrista e tecladista Jay Bennet deixou a banda após o lançamento do álbum.
Tudo isso para dizer que, sem Bennet, o líder Jeff Tweedy ficou livre para experimentar, ainda mais, todas as suas loucuras. O que se ouve em A Ghost is Born é uma fúria criativa maravilhosa, mas que, em alguns momentos, soa meio perdida sem o direcionamento dado por Bennet.
O álbum abre com "At Least That's What You Said", que parece saída dos primeiros álbuns do mestre Neil Young. A canção é constituída basicamente de uma pequena introdução sussurrada por Tweedy, seguida de longos minutos de solos de guitarra furiosos, um tapa no ouvido de qualquer fã de rock. Essa é uma das melhores faixas do disco.
Em seguida Tweedy mergulha dentro de suas loucuras. "Hell is Chrome" é uma boa canção, mas longe do que o Wilco já fez. "Spiders (Kidsmoke)" tem um andamento repetitivo e lembra trilha de videogame. "Muzzle of Bees" parece que vai recolocar o álbum nos trilhos e nos remete aos grandes momentos acústicos do rock, como o terceiro disco do Led Zeppelin.
E lá pela metade do CD chega a obra-prima de A Ghost is Born. "Hummingbird" é uma balada doce e inocente, de uma leveza que eu pensei que não encontraria novamente em um álbum da banda. Belíssima.
Continuando o seu caminho, o disco nos entrega uma sequência de altos e baixos (a acima da média "Company in My Back", que parece saída das sessões de Summerteeth; a boa "I'm a Wheel", a pop "Handshake Drugs" e as contemplativas "Wishful Thinking", "Less Than You Think" e "Late Greats").
Bem no seu final A Ghost is Born ainda nos reserva uma grande surpresa, com a deliciosa "Theologians", pérola pop que mostra que, mesmo que errando o alvo algumas vezes, Jeff Tweedy e sua banda ainda tem fôlego para nos entregar pequenas jóias que unem o rock e o pop como ninguém.
Além da música, vale destacar a belíssima edição brasileira do álbum, com direito a luva protetora na embalagem e um longo encarte, que realçam ainda mais a bela arte gráfica, totalmente minimalista.
Enfim, esperava mais do Wilco após um álbum tão bom como Yankee Hotel Foxtrot, mas A Ghost is Born vale a pena, e muito. O que nos resta é encará-lo como um disco de transição com quatro ou cinco excelentes canções, e esperar pelo próximo CD, que terá papel fundamental na carreira da banda.

Tudo isso para dizer que, sem Bennet, o líder Jeff Tweedy ficou livre para experimentar, ainda mais, todas as suas loucuras. O que se ouve em A Ghost is Born é uma fúria criativa maravilhosa, mas que, em alguns momentos, soa meio perdida sem o direcionamento dado por Bennet.
O álbum abre com "At Least That's What You Said", que parece saída dos primeiros álbuns do mestre Neil Young. A canção é constituída basicamente de uma pequena introdução sussurrada por Tweedy, seguida de longos minutos de solos de guitarra furiosos, um tapa no ouvido de qualquer fã de rock. Essa é uma das melhores faixas do disco.
Em seguida Tweedy mergulha dentro de suas loucuras. "Hell is Chrome" é uma boa canção, mas longe do que o Wilco já fez. "Spiders (Kidsmoke)" tem um andamento repetitivo e lembra trilha de videogame. "Muzzle of Bees" parece que vai recolocar o álbum nos trilhos e nos remete aos grandes momentos acústicos do rock, como o terceiro disco do Led Zeppelin.
E lá pela metade do CD chega a obra-prima de A Ghost is Born. "Hummingbird" é uma balada doce e inocente, de uma leveza que eu pensei que não encontraria novamente em um álbum da banda. Belíssima.
Continuando o seu caminho, o disco nos entrega uma sequência de altos e baixos (a acima da média "Company in My Back", que parece saída das sessões de Summerteeth; a boa "I'm a Wheel", a pop "Handshake Drugs" e as contemplativas "Wishful Thinking", "Less Than You Think" e "Late Greats").
Bem no seu final A Ghost is Born ainda nos reserva uma grande surpresa, com a deliciosa "Theologians", pérola pop que mostra que, mesmo que errando o alvo algumas vezes, Jeff Tweedy e sua banda ainda tem fôlego para nos entregar pequenas jóias que unem o rock e o pop como ninguém.
Além da música, vale destacar a belíssima edição brasileira do álbum, com direito a luva protetora na embalagem e um longo encarte, que realçam ainda mais a bela arte gráfica, totalmente minimalista.
Enfim, esperava mais do Wilco após um álbum tão bom como Yankee Hotel Foxtrot, mas A Ghost is Born vale a pena, e muito. O que nos resta é encará-lo como um disco de transição com quatro ou cinco excelentes canções, e esperar pelo próximo CD, que terá papel fundamental na carreira da banda.

Faixas:
1. At Least That's What You Said - 5:36
2. Hell Is Chrome - 4:42
3. Spiders (Kidsmoke) - 10:50
4. Muzzle of Bees - 5:00
5. Hummingbird - 3:15
6. Handshake Drugs - 6:11
7. Wishful Thinking - 4:45
8. Company in My Back - 3:50
9. I'm a Wheel - 2:41
10. Theologians - 3:40
11. Less Than You Think - 15:06
12. The Late Greats - 2:30
1. At Least That's What You Said - 5:36
2. Hell Is Chrome - 4:42
3. Spiders (Kidsmoke) - 10:50
4. Muzzle of Bees - 5:00
5. Hummingbird - 3:15
6. Handshake Drugs - 6:11
7. Wishful Thinking - 4:45
8. Company in My Back - 3:50
9. I'm a Wheel - 2:41
10. Theologians - 3:40
11. Less Than You Think - 15:06
12. The Late Greats - 2:30
Discos Fundamentais: Jericho - Jericho (1972)
quinta-feira, junho 25, 2009
1 comentário

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room
Primeiro e único registro da banda israelense Jericho, esse álbum é, sem dúvida, um dos grandes tesouros perdidos da década de setenta.
O grupo na verdade surgiu como Churchill´s em 1965, em Tel Aviv, e lançou um álbum em 1968 intitulado apenas com o nome da banda. Após algumas mudanças de formação passou a se chamar Jericho Jones, e, sob essa alcunha soltou a bela bolacha Junkies Monkeys & Donkeys em 1971.
Já na Inglaterra, para onde haviam se mudado um tempo antes, o grupo passou a se chamar apenas Jericho e gravou essa pedrada lançada em 1972. O play é um desbunde pra quem curte hard rock setentista.
O grupo na verdade surgiu como Churchill´s em 1965, em Tel Aviv, e lançou um álbum em 1968 intitulado apenas com o nome da banda. Após algumas mudanças de formação passou a se chamar Jericho Jones, e, sob essa alcunha soltou a bela bolacha Junkies Monkeys & Donkeys em 1971.
Já na Inglaterra, para onde haviam se mudado um tempo antes, o grupo passou a se chamar apenas Jericho e gravou essa pedrada lançada em 1972. O play é um desbunde pra quem curte hard rock setentista.
Jericho, o disco, traz cinco faixas de um hard rock complexo, com longas passagens instrumentais e alguns toques de progressivo. A faixa de abertura, "Ethiopia", é um proto-metal competente, mas os melhores momentos do trabalho estão em "Don´t You Let Me Down", na ótima "Featherbed", na sensacional "Justin and Nova" - que conta inclusive com um arranjo de cordas - e no encerramento, com "Kill Me With Your Love".
Sem dúvida alguma um dos melhores álbuns de hard rock lançados durante a década de setenta. Uma pena que o grupo não conseguiu uma projeção maior, mas o talento dos caras ficou eternizado em seus discos.
Recomendadíssimo!

Sem dúvida alguma um dos melhores álbuns de hard rock lançados durante a década de setenta. Uma pena que o grupo não conseguiu uma projeção maior, mas o talento dos caras ficou eternizado em seus discos.
Recomendadíssimo!

Faixas:
A1. Ethiopia
A2. Don't You Let Me Down
A3. Featherbed
A1. Ethiopia
A2. Don't You Let Me Down
A3. Featherbed
B1. Justin and Nova
B2. Kill Me With Your Love
B2. Kill Me With Your Love
Discos Fundamentais: Buddy Miles - Them Changes (1970)
quinta-feira, junho 25, 2009
1 comentário

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room
A lembrança de Buddy Miles está mais ligada a sua participação na Band of Gypsys, de Jimi Hendrix, e na sua parceria com outro ícone da guitarra, Carlos Santana, do que em sua carreira solo, o que é uma injustiça.
Esse músico norte-americano nascido em Omaha em 1947 e falecido recentemente (em 26 de fevereiro de 2008), além de exímio baterista era um vocalista de mão cheia, dono de um feeling e de um groove únicos.
Them Changes, sua estreia como artista solo, está recheado destas características. Miles arrebenta já de saída, na suingada faixa-título, uma jóia funk dona de um ritmo contagiante. O álbum passeia também por momentos mais calmos, como "I Still Love You Anyway", onde o timbre da bela voz de Buddy emociona.
Esse músico norte-americano nascido em Omaha em 1947 e falecido recentemente (em 26 de fevereiro de 2008), além de exímio baterista era um vocalista de mão cheia, dono de um feeling e de um groove únicos.
Them Changes, sua estreia como artista solo, está recheado destas características. Miles arrebenta já de saída, na suingada faixa-título, uma jóia funk dona de um ritmo contagiante. O álbum passeia também por momentos mais calmos, como "I Still Love You Anyway", onde o timbre da bela voz de Buddy emociona.
"Down by the River", de Neil Young, e "Dreams", da Allman Brothers Band, ganharam releituras a princípio arriscadas, mas o fato é que o tempero funk que Buddy Miles imprimiu a essas duas composições caiu muito bem.
Them Changes é um dos grandes álbuns da música negra dos anos setenta, e deveria figurar lado a lado a clássicos consagrados como Maggot Brain do Funkadelic, por exemplo.
Them Changes é um dos grandes álbuns da música negra dos anos setenta, e deveria figurar lado a lado a clássicos consagrados como Maggot Brain do Funkadelic, por exemplo.
Um disco que, com o passar dos anos, fica cada vez melhor e mais forte não pode ser considerado menos do que um verdadeiro e indiscutível clássico da música. Esse é o caso de Them Changes.


Faixas:
A1. Them Changes - 3:20
A2. I Still Love You Anyway - 4:13
A3. Heart's Delight - 4:06
A4. Dreams - 4:52
A1. Them Changes - 3:20
A2. I Still Love You Anyway - 4:13
A3. Heart's Delight - 4:06
A4. Dreams - 4:52
B1. Down by the River - 6:20
B2. Memphis Train - 2:55
B3. Paul B. Allen, Omaha, Nebraska - 5:31
B4. Your Feeling is Mine - 2:11
B2. Memphis Train - 2:55
B3. Paul B. Allen, Omaha, Nebraska - 5:31
B4. Your Feeling is Mine - 2:11
Discos Fundamentais: Dave Brubeck Quartet - Time Out (1959)
quinta-feira, junho 25, 2009
3 comentários

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room
Além de ser um dos álbuns mais populares da história do jazz, Time Out é também um trabalho fundamental para o estilo. Gravado pelo pianista Dave Brubeck ao lado dos excepcionais Paul Desmond e Joe Morello, o quarteto era completado pelo seguro Eugene Wright no baixo.
O trabalho tem sete faixas, sendo que duas delas são peças fundamentais para o desenvolvimento do cool jazz. "Blue Rondo A La Turk" contém um arranjo matemático, com Brubeck desenvolvendo variações dentro do arranjo. O estilo de Dave, que toca o seu piano de uma forma quase percussiva, funciona como o coração da canção, criando uma base sólida para os demais integrantes alçarem vôos sem limites.
O trabalho tem sete faixas, sendo que duas delas são peças fundamentais para o desenvolvimento do cool jazz. "Blue Rondo A La Turk" contém um arranjo matemático, com Brubeck desenvolvendo variações dentro do arranjo. O estilo de Dave, que toca o seu piano de uma forma quase percussiva, funciona como o coração da canção, criando uma base sólida para os demais integrantes alçarem vôos sem limites.
Paul Desmond, instrumentista brilhante e criativo, é, ao lado de Brubeck, o personagem principal de Time Out. A liberdade e a sensibilidade que saem de cada nota de seu sax são tão grandes que, mesmo ouvindo o álbum inúmeras vezes, a cada nova audição somos surpreendidos por novas sensações.
O brilho de Desmond fica escancarado em "Take Five", composição de sua autoria e uma das mais conhecidas do jazz. Brilhante e única, "Take Five" por si só justificaria a inclusão de Time Out entre os grandes álbuns do século XX. Uma faixa perfeita, com solos antológicos de Paul Desmond e Joe Morello.
O piano de Dave Brubeck, preciso e repleto de malícia e feeling em diversos momentos do álbum, conduz Time Out ao posto de álbum funcamental da história da música. Além disso, o disco tem a rara qualidade de ser um trabalho que cativa e agrada até o ouvinte não habituado ao estilo que contém, e, por essa razão, é indicado por muitos como porta de entrada para o jazz.
Clássico e fundamental.

O brilho de Desmond fica escancarado em "Take Five", composição de sua autoria e uma das mais conhecidas do jazz. Brilhante e única, "Take Five" por si só justificaria a inclusão de Time Out entre os grandes álbuns do século XX. Uma faixa perfeita, com solos antológicos de Paul Desmond e Joe Morello.
O piano de Dave Brubeck, preciso e repleto de malícia e feeling em diversos momentos do álbum, conduz Time Out ao posto de álbum funcamental da história da música. Além disso, o disco tem a rara qualidade de ser um trabalho que cativa e agrada até o ouvinte não habituado ao estilo que contém, e, por essa razão, é indicado por muitos como porta de entrada para o jazz.
Clássico e fundamental.

Faixas:
A1. Blue Rondo a la Turk - 6:44
A2. Strange Meadow Lark - 7:22
A3. Take Five - 5:24
A1. Blue Rondo a la Turk - 6:44
A2. Strange Meadow Lark - 7:22
A3. Take Five - 5:24
B1. Three to Get Ready - 5:24
B2. Kathy's Waltz - 4:48
B3. Everybody's Jumpin' - 4:23
B4. Pick Up Sticks - 4:16
B2. Kathy's Waltz - 4:48
B3. Everybody's Jumpin' - 4:23
B4. Pick Up Sticks - 4:16
Discos Fundamentais: Cannonball Adderley - Somethin' Else (1958)
quinta-feira, junho 25, 2009
1 comentário

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room
Um dos grandes álbuns da história do jazz, Somethin´ Else une um time de músicos primoroso a um repertório irretocável. Ao lado de Julian "Cannonball" Adderley estão Miles Davis, o pianista Hank Jones, o baixista Sam Jones e o baterista Art Blakey. O disco foi gravado na noite de 09 de março de 1958, e registrou para a história uma das mais belas performances de todos os músicos envolvidos, incluídos aí todos os grupos pelos quais passariam em suas carreiras.
Está no álbum a minha versão preferida de "Autumn Leaves", com quase onze minutos de melodias e harmonias deslizantes, construindo uma experiência singular. Somada à ela, temos ainda "Live for Sale", outro standard do jazz, executada com precisão cirúrgica pelo quinteto. A faixa que dá nome ao play é um exercício de groove estonteante, com o sax de Cannonball e o trompete de Miles em primeiro plano.
A malícia deliciosa de "One for Daddy-O" é reconfortante , enquanto "Dancing in the Dark" acaricia nossos ouvidos. Fechando o play, "Alison´s Uncle", que não constava na edição original do álbum, mas, segundo informações, foi gravada nas mesmas sessões. Não sei dizer se essa informação é verdadeira ou não, mas é uma ótima composição, mantendo o nível do disco nas alturas.
Somethin´ Else é um álbum obrigatório em qualquer coleção de jazz que se preze.
Está no álbum a minha versão preferida de "Autumn Leaves", com quase onze minutos de melodias e harmonias deslizantes, construindo uma experiência singular. Somada à ela, temos ainda "Live for Sale", outro standard do jazz, executada com precisão cirúrgica pelo quinteto. A faixa que dá nome ao play é um exercício de groove estonteante, com o sax de Cannonball e o trompete de Miles em primeiro plano.
A malícia deliciosa de "One for Daddy-O" é reconfortante , enquanto "Dancing in the Dark" acaricia nossos ouvidos. Fechando o play, "Alison´s Uncle", que não constava na edição original do álbum, mas, segundo informações, foi gravada nas mesmas sessões. Não sei dizer se essa informação é verdadeira ou não, mas é uma ótima composição, mantendo o nível do disco nas alturas.
Somethin´ Else é um álbum obrigatório em qualquer coleção de jazz que se preze.
Ouça e entenda porque.


Faixas:
A1. Autumn Leaves - 10:58
A2. Love for Sale - 7:03
A1. Autumn Leaves - 10:58
A2. Love for Sale - 7:03
B1. Somethin' Else - 6:53
B2. One for Daddy-O - 8:25
B3. Dancing in the Dark - 4:04
B2. One for Daddy-O - 8:25
B3. Dancing in the Dark - 4:04
poeiraCast#013 no ar: Blind Faith e os supergrupos do rock
quinta-feira, junho 25, 2009
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Por Bento Araújo
Jornalista e Colecionador
Poeira Zine
O poeiraCast, o podcast da revista poeira Zine, dá uma geral na super banda de Clapton, Winwood, Baker e Greech. Confira ainda discussões sobre os grupos Cream, ELP, CSN&Y, BBA, UK, Bad Company, West Bruce & Lang, Humble Pie, Asia, The Firm, etc...
O poeiraCast, o podcast da revista poeira Zine, dá uma geral na super banda de Clapton, Winwood, Baker e Greech. Confira ainda discussões sobre os grupos Cream, ELP, CSN&Y, BBA, UK, Bad Company, West Bruce & Lang, Humble Pie, Asia, The Firm, etc...
O poeiraCast é um programa de bate papo, na verdade uma mesa redonda livre e direta sobre o assunto que a gente mais aprecia: música. Nele você encontra polêmicas, curiosidades, as famigeradas listas e bizarrices mil de seus grupos e artistas favoritos. Ajeite-se na poltrona e boa curtição!
Direção: Bento Araújo
Locução: Ricardo Alpendre
Produção: Bento Araújo, Sérgio Alpendre, José Damiano e Ricardo Alpendre
Edição: Xando Zupo (Overdrive Estúdio – email: xandozupo@gmail.com)
Locução: Ricardo Alpendre
Produção: Bento Araújo, Sérgio Alpendre, José Damiano e Ricardo Alpendre
Edição: Xando Zupo (Overdrive Estúdio – email: xandozupo@gmail.com)
Discoteca Básica Bizz#109: Mahavishnu Orchestra - Birds of Fire (1973)
quinta-feira, junho 25, 2009
1 comentário

(Alex Antunes, Bizz#109, agosto de 1994)
Aos 27 anos, o guitarrista inglês John McLaughlin chegou a Nova York convidado para uma revolução. Miles Davis, que tinha acabado de ouvir seu primeiro disco solo (Extrapolation, de 1969), queria McLaughlin na superbanda que iria eletrificar o jazz. O resultado imediato: os álbuns In a Silent Way, ainda em 1969, e Bitches Brew, no ano seguinte.
Combinando influências que iam do gosto pela música erudita até o blues tradicional e a prática como um músico de rhythm'n'blues (com a Graham Bond Organisation e com Brian Auger) e o free jazz, McLaughlin foi um dos esteios de Miles na formulação do jazz fusion. Em Bitches Brew, uma faixa intitulada "John McLaughlin" não deixava dúvidas do apreço de Miles pelo guitarrista, com quem ele tocou e gravou esporadicamente até 1985.
Mas McLaughlin foi ainda mais fundo na fusão com o rock ao lado do baterista Tony Williams, outra cria de Miles, na banda Lifetime. Ao mesmo tempo, ia gravando seus próprios discos - Devotion (1970), o acústico My Goal's Beyond (1971) -, sempre unindo intensidade bluesy, timbres inusitados, fraseados rapidíssimos e um lirismo inspirado pelas filosofias orientais - McLaughlin já era praticante de ioga desde meados dos anos sessenta. Um encontro com Jimi Hendrix (que foi registrado no bootleg Electric Birthday Jimi, de 1969) também deixou clara a admiração mútua e o impulso transformador dos dois guitarristas.
E a síntese de tudo isso seria feito com a Mahavishnu Orchestra, fundada por McLaughlin em um verdadeiro agrupamento multinacional, recrutado basicamente entre os sidemen de Miles: o tecladista tcheco Jan Hammer (um dos pioneiros no uso do sintetizador), o baixista irlandês Rick Laird, o violinista americano Jerry Goodman (ex-The Flock) e o exímio baterista Billy Cobham, nascido no Panamá. O primeiro álbum, The Inner Mounting Flame (de 1971, creditado a John McLaughlin e Mahavishnu Orchestra e produzido pelo guitarrista), ainda agregava partículas de country e soul à receita e esboçou o disco definitivo deles: Birds of Fire.
Esse, creditado e produzido coletivamente, pode ser considerado parte do tripé definitivo do jazz fusion - ao lado de Heavy Weather (1977) do Weather Report e No Mistery (1975) do Return to Forever - todas elas formações originárias da banda de Miles.
Ao longo das décadas seguintes, o jazz fusion despencaria em um processo de diluição, de mesmice e de conservadorismo - como as próprias formações seguintes da Mahavishnu Orchestra vieram comprovar, não mostrando mais o mesmo vigor.
E a síntese de tudo isso seria feito com a Mahavishnu Orchestra, fundada por McLaughlin em um verdadeiro agrupamento multinacional, recrutado basicamente entre os sidemen de Miles: o tecladista tcheco Jan Hammer (um dos pioneiros no uso do sintetizador), o baixista irlandês Rick Laird, o violinista americano Jerry Goodman (ex-The Flock) e o exímio baterista Billy Cobham, nascido no Panamá. O primeiro álbum, The Inner Mounting Flame (de 1971, creditado a John McLaughlin e Mahavishnu Orchestra e produzido pelo guitarrista), ainda agregava partículas de country e soul à receita e esboçou o disco definitivo deles: Birds of Fire.
Esse, creditado e produzido coletivamente, pode ser considerado parte do tripé definitivo do jazz fusion - ao lado de Heavy Weather (1977) do Weather Report e No Mistery (1975) do Return to Forever - todas elas formações originárias da banda de Miles.
Ao longo das décadas seguintes, o jazz fusion despencaria em um processo de diluição, de mesmice e de conservadorismo - como as próprias formações seguintes da Mahavishnu Orchestra vieram comprovar, não mostrando mais o mesmo vigor.
Mas composições com a estirpe da épica "Birds of Fire", da evocativa "Thousand Island Park" ou da inventiva "Miles Beyond" ainda permanecem como um real testemunho de um tempo de liberdade.


Faixas:
A1. Birds of Fire - 5:47
A2. Miles Beyond - 4:42
A3. Celestial Terrestrial Commuters - 2:53
A4. Sapphire Bullets of Pure Love - 0:23
A5. Thousand Island Park - 3:22
A6. Hope - 1:58
A1. Birds of Fire - 5:47
A2. Miles Beyond - 4:42
A3. Celestial Terrestrial Commuters - 2:53
A4. Sapphire Bullets of Pure Love - 0:23
A5. Thousand Island Park - 3:22
A6. Hope - 1:58
B1. One Word - 9:56
B2. Sanctuary - 5:05
B3. Open Country Joy - 3:56
B4. Resolution - 2:10
B2. Sanctuary - 5:05
B3. Open Country Joy - 3:56
B4. Resolution - 2:10



