26 de jun de 2009

Discografia Comentada: Michael Jackson

sexta-feira, junho 26, 2009

(publicado originalmente na Folha Online)

O cantor americano Michael Jackson é o artista solo que mais vendeu discos no mundo. Foram mais de 200 milhões de cópias. Do mais importante de seus álbuns, Thriller (1982), foram prensadas mais de 100 milhões. Em sua fase menos popular, o cantor vendeu oito milhões de discos com Invincible (2001), seu último lançamento de inéditas.

A carreira solo do cantor foi iniciada em 1970, quando ele deixou o grupo Jackson 5. Michael arrebatou milhões de fãs ao criar um novo estilo, que unia canções de refrão fácil, musicalidade e muita dança. Em 1972 foi eleito o melhor vocalista masculino do ano por seu primeiro disco solo, Got to Be There.

Veja, abaixo, a discografia do cantor, sem incluir as coletâneas:

Got to Be There (1972) ***1/2

O disco, com dez músicas, marcou o primeiro registro da carreira solo do músico, então conhecido por liderar os irmãos no grupo Jackson 5.

Ben (1972) ***

Trata-se do segundo álbum solo de Jackson. O disco, com onze músicas, foi lançado em 04 de agosto de 1972, sete meses depois de sua estreia solo, com Got to Be There. O cantor deu preferência às baladas, gênero raro nas músicas dos Jackson 5.

Music & Me (1973) ***

Music & Me, lançado em 13 de abril de 1973, tem dez músicas e foi o terceiro álbum solo de Michael Jackson, lançado oito meses depois de Ben.

Forever, Michael (1975) ***1/2

Apesar de se tratar do melhor álbum da primeira fase de sua carreira solo, esse quarto disco ainda estava longe da inovação provocada pelo quinto e próximo disco, Off the Wall.

Off the Wall (1979) ****1/2

Dessa vez, Jackson deu uma pausa de quatro anos para só então lançar o primeiro fenômeno de vendas de sua carreira. Off the Wall é o primeiro álbum gravado pelo cantor em idade adulta. Ele misturou disco music e rhythm and blues para surpreender público e crítica. O resultado foi o topo das paradas e 11 milhões de cópias vendidas.

Thriller (1982) *****

Thriller é um verdadeiro marco na história da indústria fonográfica. Lançado pela Epic em 30 de novembro de 1982, vendeu mais de 100 milhões de cópias pelo mundo até hoje. Das nove faixas, três alcançaram o topo das paradas: "The Girl is Mine", "Billie Jean" e "Beat It". Jackson também investiu nos videoclipes, realizando verdadeiras superproduções, como o da faixa-título, em que ele contracena com atores fantasiados de zumbis.

Bad (1987) ***1/2

A crítica torceu o nariz ao considerar o disco pouco ousado na comparação com os dois trabalhos anteriores. Apesar disso, ele foi muito bem recebido pelo público, que comprou 26 milhões de cópias. O álbum ficou no topo das paradas em 25 países.

Dangerous (1991) ***1/2

Dangerous foi o primeiro álbum lançado por Michael Jackson na década de noventa. O cantor surpreendeu novamente ao vender mais de 30 milhões cópias até hoje.

HIStory: Past, Present and Future Book I (1995) ****

Trata-se de um álbum duplo lançado por Jackson que reúne trinta canções. No primeiro disco (
HIStory Begins), há uma seleção de sucessos remasterizados. Já o segundo (HIStory Continues) tem a primeira leva de músicas inéditas desde Dangerous.

Invincible (2001) ***

Invincible reúne dezesseis canções inéditas. O racha do cantor com a Sony resultou em uma fraca divulgação e oito milhões de discos vendidos, seu pior desempenho comercial desde
Off the Wall.


A História do Jackson 5

sexta-feira, junho 26, 2009

The Jackson Five foi um dos mais importantes grupos musicais dos Estados Unidos durante a década de setenta. O conjunto era formado pelos irmãos Jackson: Jackie, Tito, Jermaine, Marlon, Randy e Michael.A banda conseguiu logo um grande sucesso com as suas quatro primeiras músicas ("I Want You Back", "ABC", "The Love You Save" e "I'll Be There"), que alcançaram o topo das paradas americanas e o top#10 em muitos países do mundo.

O Jackson 5 fazia grandes performances e encantava o público em geral, principalmente por serem tão jovens, com suas múscas de estilos variados sendo apresentadas de forma brilhante pelo grupo. Foi ao lado de seus irmãos que o mais novo dos Jacksons, Michael, começou a se destacar como dançarino e cantor.


O patriarca do clã Jackson, Joseph, organizou Jackie, Tito, Jermaine e dois outros jovens vizinhos, Milford Hite (na bateria) e Reynaud Jones (nos teclados) em um número chamado The Jackson Brothers em 1962. Em dois anos, Michael e seu irmão mais velho, Marlon, começaram a tocar atabaque e pandeiro, respectivamente. Em 1966 Michael tornou-se o vocalista principal do grupo. Ele tinha então oito anos de idade.

Com Michael à frente o grupo começou a excursionar e venceu um concurso para artistas amadores no Harlem, em Nova York. Os Jackson assinaram seu primeiro contrato de gravação com a Steeltown, uma gravadora local, em 1967, e tiveram seu primeiro sucesso regional com a canção "Big Boy", em 1968.


Os Jackson Five foram descobertos por dois grupos musicais da época, Gladys Knight & The Pips e Bobby Taylor & The Vancouvers, que os levaram para a gravadora Motown em 1968. Berry Gordy, chefão da Motown, comprou o contrato da gravadora Steeltown e assinou com os Jacksons em março de 1969. Gordy levou os Jacksons para Los Angeles e os transformou em astros mundiais. Ainda em 1969 os Jackson 5 foram apresentados ao grande público por Diana Ross e foram oficialmente lançados como a próxima grande atração da Motown.


Os primeiros quatro singles do grupo, "I Want You Back" e "ABC" de 1969, e "The Love You Save" e "I'll Be There" de 1970, tornaram-se primeiro lugar nas paradas dos Estados Unidos. Outros sucessos incluem "Mama's Pearl" e "Never Can Say Goodbye" de 1971, "Lookin' Through the Windows" de 1972, "Get It Together" de 1973 e "Dancing Machine" de 1974.

Os Jackson Five gravaram catorze álbuns para a Motown, e Michael, Jermaine e Jackie ainda gravaram álbuns solo como parte da "franquia" Jackson 5. Muitos dos sucessos dos Jackson 5 foram produzidos por produtores da Motown – Berry Gordy, Freddie Perren, Alphonzo Mizell, Deke Richards e Hal Davis. Estima-se que os singles e álbuns do grupo, somados, tenham vendido mais de 100 milhões de cópias em todo o mundo.

Em 1975 os irmãos Jackson assinaram um novo contrato com a CBS Records, indo para a divisão Philadelphia International e, pouco tempo depois, foram para a Epic Records. O novo negócio com a CBS rendeu bons lucros e liberdade de criação, coisas que eles não tinham muito na Motown. Ao saber que os Jackson 5 haviam assinado um contrato com outra gravadora, a Motown rescindiu o contrato, ficando com os direitos sobre o nome e o logotipo do grupo. Além disso, Jermaine, que havia casado com Hazel, filha de Berry Gordy, optou por permanecer na Motown para seguir carreira solo.

Agora como The Jacksons e com o irmão mais novo, Randy, no lugar de Jermaine, os irmãos continuaram sua carreira de sucesso, fazendo turnês internacionais e gravando seis álbuns entre 1976 e 1984. Hits desse período incluem "Enjoy Yourself" e "Show You the Way to Go" de 1976, "Blame It on the Boogie" de 1977, "Shake Your Body (Down to the Ground)" de 1978 e "Can You Feel It" e "'This Place Hotel" de 1980.


O grupo gravaria o álbum
The Jacksons Live em 1981 e depois faria uma pausa. Jermaine regressou para a gravação e turnê de Victory, de 1984. Michael Jackson e Mick Jagger participam na faixa "State of Shock", que foi o maior êxito desse disco.

No final da década, Michael e Marlon não eram mais membros do grupo, que acabou em 1990. A banda ainda lançou, em 1989, o álbum 2300 Jackson Street. Rumores de que o grupo se reuniria novamente, com a participação de Michael, chegaram a circular pela imprensa em 2005. Em novembro de 2007 Jermaine teria declarado ao canal BBC 6 Music que o grupo estava gravando novo material e que até poderiam sair em turnê em 2008.

Discos Fundamentais: Michael Jackson - Thriller (1982)

sexta-feira, junho 26, 2009

Thriller foi lançado por Michael Jackson em 30 de novembro de 1982, pela gravadora Epic, e figura no Livro Guinness dos Recordes como o disco mais vendido da história. Até 2006 havia sido adquirido por mais de 104 milhões de pessoas.

Sete das nove faixas do LP chegaram às lojas como single, um marco que seria igualado poucas vezes no futuro. Três músicas conquistaram o topo das paradas: "The Girl is Mine", "Billie Jean" e "Beat It".

O álbum subiu à primeira posição entre os mais vendidos dos Estados Unidos no dia 21 de fevereiro de 1983 e permaneceu lá por 37 semanas, outro recorde. Ainda foi o primeiro a se estender por mais de um ano entre os mais vendidos do país.

O disco conta com contribuições do Beatle Paul McCartney, do guitarrista Eddie Van Halen (guitarra solo em "Beat It") e do ator norte-americano Vincent Price (1911-1993), que faz a antológica narração presente na faixa-título.

Em Thriller, Michael assina a composição de quatro músicas e ainda divide créditos com Rod Temperton pela autoria da faixa-título. Em "Wanna Be Startin' Somethin'" o astro fala sobre a indústria das fofocas; em "Beat It" faz um apelo contra a violência urbana; e na polêmica "Billie Jean" relata a história de um homem acusado falsamente de ser o pai de uma criança - uma história real vivida por Jackson em 1981, quando uma fanática passou a persegui-lo clamando que ele assumisse a paternidade do filho dela.

Além do absoluto sucesso de vendas, Thriller foi também um marco na luta contra a discriminação racial na indústria da música. Em março de 1983 o videoclipe de "Billie Jean" estreou na MTV fazendo de Jackson o primeiro artista negro cuja música ganhou espaço na emissora. Em abril, a WAAF 97.7 FM de Boston tornou-se a primeira rádio de rock da história a executar a composição de um negro, colocando "Beat It" na grade de programação. Na época, o formato era direcionado a um público essencialmente branco. O feito foi seguido por emissoras similares e "Beat It" alcançou a 14ª posição na parada da Billboard, que monitora as músicas mais executadas pelas rádios dos Estados Unidos, algo inédito e que não seria repetido por nenhum outro cantor negro no futuro.

O álbum ainda é lembrado pelos videoclipes, considerados inovadores para a época. Ao substituir a técnica de colagem de imagens por roteiros com início, meio e fim nos vídeos de "Billie Jean" e "Beat It", Michael Jackson acabou criando de um novo conceito de produção. Com o curta-metragem gravado para acompanhar a canção "Thriller", Michael e o diretor John Landis estabeleceram ainda novos horizontes para a concepção dos clipes, que passaram a ser vistos como pequenos filmes. O vídeo de "Thriller" tem quatorze minutos de duração e foi gravado em película ao custo de 600 mil dólares, bastante elevado para os padrões da época.

No Brasil, Thriller é o álbum internacional mais vendido de todos os tempos. Até 2001 estava presenta na casa de 1,2 milhões de brasileiros. "Billie Jean" foi a segunda canção mais executada nas rádios do país em 1983, atrás somente de "Menina Veneno", do cantor Ritchie. Junto com "Billie Jean", as faixas "Beat It", "The Girl is Mine" e "Thriller" foram os maiores sucessos do LP em nosso país. Em 1984, quando o álbum entrou para o Livro Guinness dos Recordes, a Epic publicou na imprensa nacional um anúncio com o título "tenha esse LP ou jogue seu toca-discos fora!".


Faixas:
A1. Wanna Be Startin' Somethin' - 6:03
A2. Baby Be Mine - 4:20
A3. The Girl Is Mine (with Paul McCartney) - 3:42
A4. Thriller - 5:57

B1. Beat It - 4:17
B2. Billie Jean - 4:53
B3. Human Nature - 4:05
B4. P. Y. T. (Pretty Young Thing) - 3:58
B5. The Lady in My Life - 4:58

Discos Fundamentais: Michael Jackson - Off the Wall (1979)

sexta-feira, junho 26, 2009

Off the Wall é o primeiro álbum gravado por Michael Jackson em idade adulta. Lançado pela Epic em 12 de agosto de 1979, é o primogénito dos três discos produzidos pelo astro em parceria com o maestro Quincy Jones. Na época, a mistura de rhythm and blues e disco music ouvida no álbum causou furor entre o público e a imprensa especializada. Cinco das dez faixas do LP foram lançadas como compacto, sendo que duas chegaram ao topo das paradas: "Don't Stop 'Till You Get Enough" e "Rock With You".

As 84 semanas consecutivas em que esteve nos
charts nos Estados Unidos fizeram de Off the Wall o álbum de black music mais vendido da história, até que a marca fosse quebrada pelo próprio Michael Jackson no início dos anos oitenta com seu próximo trabalho, Thriller, de 1982. Em 2001 Off the Wall o álbum já havia sido adquirido por aproximadamente dezenove milhões de pessoas em todo o mundo.

Divergindo dos álbuns que havia gravado até então pela Motown, em
Off the Wall Michael abandonou os temas infantis e passou a cantar histórias comuns a jovens como ele, que estava na época com 21 anos. Nas dez faixas do trabalho o astro canta sobre solidariedade, auto-estima, trabalho e relacionamentos, sempre abusando dos falsetes vocais, com timbres moderados e muita sensualidade - artifícios pouco explorados nas gravações anteriores do cantor.

No LP, Michael ainda estreia como compositor e produtor, assinando três faixas. Uma delas, "Don't Stop 'Till You Get Enough", lançada como compacto em 1979, lhe renderia o primeiro Grammy da carreira, de
Desempenho Vocal R&B Masculino, um ano depois. O álbum inclui ainda canções de Paul McCartney ("Girlfriend"), Stevie Wonder ("I Can't Help It") e Rod Temperton ("Rock With You"). Na faixa "It's the Falling in Love", Jackson divide os vocais com Patti Austin.

Foram filmados videoclipes para a divulgação dos compactos "Don't Stop 'Till You Get Enough", "Rock With You" e "She's Out of My Life". O conceito das peças era pouco ousado, nada comparável ao que o astro produziria na década de oitenta. Ainda assim, contribuíram para o sucesso das faixas.

Quando a balada "She's Out of My Life" foi lançada como compacto, em abril de 1980, pouco depois do sucesso da faixa-título do álbum, Jackson se tornou o primeiro cantor a colocar quatro músicas de um mesmo disco entre as dez mais tocadas, tanto no Reino Unido quanto nos Estados Unidos.


Faixas:
A1. Don't Stop 'Til You Get Enough - 6:06
A2. Rock With You - 3:40
A3. Working Day and Night - 5:14
A4. Get on the Floor - 4:39

B1. Off the Wall - 4:06
B2. Girlfriend - 3:05
B3. She's Out of My Life - 3:38
B4. I Can't Help It - 4:30
B5. It's the Falling in Love - 3:48
B6. Burn This Disco Out - 3:41

25 de jun de 2009

Wilco - A Ghost is Born (2004)

quinta-feira, junho 25, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Cotação: ****

Quinto álbum do bando liderado por Jeff Tweedy, A Ghost is Born é o sucessor do excelente Yankee Hotel Foxtrot, de 2002, desde já um dos grandes discos desta década. Antes de analisarmos o CD, vale lembrar que este é o primeiro álbum do grupo sem o guitarrista e tecladista Jay Bennet, que teve papel fundamental na construção da sonoridade da banda.

Com Bennet no grupo o Wilco lançou apenas dois álbuns, ambos excelentes. O primeiro,
Summerteeth, saiu em 1999 e pode ser considerado como uma introdução para o que viria a seguir. Contando com excelentes músicas, como a bela "She's a Jar", "Shot in the Arm", "I'm Always in Love", "ELT" e a obra-prima "How to Fight Loneliness", o álbum deu início a uma das parcerias mais produtivas dos últimos tempos e fincou de vez o Wilco no posto de banda fundamental do chamado alt.country, papel conquistado pelo grupo com o seminal Being There, de 1996.

Mas foi com o álbum seguinte que Jeff Tweedy e Jay Bennet mostraram todo o seu poder de fogo. Yankee Hotel Foxtrot jorra criatividade e ousadia por todos os cantos. Uma verdadeira coleção de pequenas jóias pop, onde se destacam "Jesus etc", "War on War", "Kamera". "I'm the Man Who Loves You" e "Heavy Metal Drummer", o disco foi um divisor de águas na carreira do grupo. Todo mundo já conhece a história, mas vamos relembrá-la mesmo assim: a gravadora recusou o álbum, que foi lançado de forma independente, alcançando mais de um milhão de cópias vendidas. Mas todo este processo quase acabou com o Wilco. O baterista Ken Coomer saiu durante as gravações de Yankee Hoteh Foxtrot e o guitarrista e tecladista Jay Bennet deixou a banda após o lançamento do álbum.

Tudo isso para dizer que, sem Bennet, o líder Jeff Tweedy ficou livre para experimentar, ainda mais, todas as suas loucuras. O que se ouve em
A Ghost is Born é uma fúria criativa maravilhosa, mas que, em alguns momentos, soa meio perdida sem o direcionamento dado por Bennet.

O álbum abre com "At Least That's What You Said", que parece saída dos primeiros álbuns do mestre Neil Young. A canção é constituída basicamente de uma pequena introdução sussurrada por Tweedy, seguida de longos minutos de solos de guitarra furiosos, um tapa no ouvido de qualquer fã de rock. Essa é uma das melhores faixas do disco.

Em seguida Tweedy mergulha dentro de suas loucuras. "Hell is Chrome" é uma boa canção, mas longe do que o Wilco já fez. "Spiders (Kidsmoke)" tem um andamento repetitivo e lembra trilha de videogame. "Muzzle of Bees" parece que vai recolocar o álbum nos trilhos e nos remete aos grandes momentos acústicos do rock, como o terceiro disco do Led Zeppelin.

E lá pela metade do CD chega a obra-prima de
A Ghost is Born. "Hummingbird" é uma balada doce e inocente, de uma leveza que eu pensei que não encontraria novamente em um álbum da banda. Belíssima.

Continuando o seu caminho, o disco nos entrega uma sequência de altos e baixos (a acima da média "Company in My Back", que parece saída das sessões de
Summerteeth; a boa "I'm a Wheel", a pop "Handshake Drugs" e as contemplativas "Wishful Thinking", "Less Than You Think" e "Late Greats").

Bem no seu final
A Ghost is Born ainda nos reserva uma grande surpresa, com a deliciosa "Theologians", pérola pop que mostra que, mesmo que errando o alvo algumas vezes, Jeff Tweedy e sua banda ainda tem fôlego para nos entregar pequenas jóias que unem o rock e o pop como ninguém.

Além da música, vale destacar a belíssima edição brasileira do álbum, com direito a luva protetora na embalagem e um longo encarte, que realçam ainda mais a bela arte gráfica, totalmente minimalista.

Enfim, esperava mais do Wilco após um álbum tão bom como
Yankee Hotel Foxtrot, mas A Ghost is Born vale a pena, e muito. O que nos resta é encará-lo como um disco de transição com quatro ou cinco excelentes canções, e esperar pelo próximo CD, que terá papel fundamental na carreira da banda.


Faixas:
1. At Least That's What You Said - 5:36
2. Hell Is Chrome - 4:42
3. Spiders (Kidsmoke) - 10:50
4. Muzzle of Bees - 5:00
5. Hummingbird - 3:15
6. Handshake Drugs - 6:11
7. Wishful Thinking - 4:45
8. Company in My Back - 3:50
9. I'm a Wheel - 2:41
10. Theologians - 3:40
11. Less Than You Think - 15:06
12. The Late Greats - 2:30

Discos Fundamentais: Jericho - Jericho (1972)

quinta-feira, junho 25, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Primeiro e único registro da banda israelense Jericho, esse álbum é, sem dúvida, um dos grandes tesouros perdidos da década de setenta.

O grupo na verdade surgiu como Churchill´s em 1965, em Tel Aviv, e lançou um álbum em 1968 intitulado apenas com o nome da banda. Após algumas mudanças de formação passou a se chamar Jericho Jones, e, sob essa alcunha soltou a bela bolacha
Junkies Monkeys & Donkeys em 1971.

Já na Inglaterra, para onde haviam se mudado um tempo antes, o grupo passou a se chamar apenas Jericho e gravou essa pedrada lançada em 1972. O play é um desbunde pra quem curte hard rock setentista.

Jericho, o disco, traz cinco faixas de um hard rock complexo, com longas passagens instrumentais e alguns toques de progressivo. A faixa de abertura, "Ethiopia", é um proto-metal competente, mas os melhores momentos do trabalho estão em "Don´t You Let Me Down", na ótima "Featherbed", na sensacional "Justin and Nova" - que conta inclusive com um arranjo de cordas - e no encerramento, com "Kill Me With Your Love".

Sem dúvida alguma um dos melhores álbuns de hard rock lançados durante a década de setenta. Uma pena que o grupo não conseguiu uma projeção maior, mas o talento dos caras ficou eternizado em seus discos.

Recomendadíssimo!


Faixas:
A1. Ethiopia
A2. Don't You Let Me Down
A3. Featherbed

B1. Justin and Nova
B2. Kill Me With Your Love

Discos Fundamentais: Buddy Miles - Them Changes (1970)

quinta-feira, junho 25, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

A lembrança de Buddy Miles está mais ligada a sua participação na Band of Gypsys, de Jimi Hendrix, e na sua parceria com outro ícone da guitarra, Carlos Santana, do que em sua carreira solo, o que é uma injustiça.

Esse músico norte-americano nascido em Omaha em 1947 e falecido recentemente (em 26 de fevereiro de 2008), além de exímio baterista era um vocalista de mão cheia, dono de um feeling e de um groove únicos.

Them Changes, sua estreia como artista solo, está recheado destas características. Miles arrebenta já de saída, na suingada faixa-título, uma jóia funk dona de um ritmo contagiante. O álbum passeia também por momentos mais calmos, como "I Still Love You Anyway", onde o timbre da bela voz de Buddy emociona.

"Down by the River", de Neil Young, e "Dreams", da Allman Brothers Band, ganharam releituras a princípio arriscadas, mas o fato é que o tempero funk que Buddy Miles imprimiu a essas duas composições caiu muito bem.

Them Changes é um dos grandes álbuns da música negra dos anos setenta, e deveria figurar lado a lado a clássicos consagrados como Maggot Brain do Funkadelic, por exemplo.

Um disco que, com o passar dos anos, fica cada vez melhor e mais forte não pode ser considerado menos do que um verdadeiro e indiscutível clássico da música. Esse é o caso de Them Changes.


Faixas:
A1. Them Changes - 3:20
A2. I Still Love You Anyway - 4:13
A3. Heart's Delight - 4:06
A4. Dreams - 4:52

B1. Down by the River - 6:20
B2. Memphis Train - 2:55
B3. Paul B. Allen, Omaha, Nebraska - 5:31
B4. Your Feeling is Mine - 2:11

Discos Fundamentais: Dave Brubeck Quartet - Time Out (1959)

quinta-feira, junho 25, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Além de ser um dos álbuns mais populares da história do jazz, Time Out é também um trabalho fundamental para o estilo. Gravado pelo pianista Dave Brubeck ao lado dos excepcionais Paul Desmond e Joe Morello, o quarteto era completado pelo seguro Eugene Wright no baixo.

O trabalho tem sete faixas, sendo que duas delas são peças fundamentais para o desenvolvimento do cool jazz. "Blue Rondo A La Turk" contém um arranjo matemático, com Brubeck desenvolvendo variações dentro do arranjo. O estilo de Dave, que toca o seu piano de uma forma quase percussiva, funciona como o coração da canção, criando uma base sólida para os demais integrantes alçarem vôos sem limites.

Paul Desmond, instrumentista brilhante e criativo, é, ao lado de Brubeck, o personagem principal de Time Out. A liberdade e a sensibilidade que saem de cada nota de seu sax são tão grandes que, mesmo ouvindo o álbum inúmeras vezes, a cada nova audição somos surpreendidos por novas sensações.

O brilho de Desmond fica escancarado em "Take Five", composição de sua autoria e uma das mais conhecidas do jazz. Brilhante e única, "Take Five" por si só justificaria a inclusão de
Time Out entre os grandes álbuns do século XX. Uma faixa perfeita, com solos antológicos de Paul Desmond e Joe Morello.

O piano de Dave Brubeck, preciso e repleto de malícia e feeling em diversos momentos do álbum, conduz
Time Out ao posto de álbum funcamental da história da música. Além disso, o disco tem a rara qualidade de ser um trabalho que cativa e agrada até o ouvinte não habituado ao estilo que contém, e, por essa razão, é indicado por muitos como porta de entrada para o jazz.

Clássico e fundamental.


Faixas:
A1. Blue Rondo a la Turk - 6:44
A2. Strange Meadow Lark - 7:22
A3. Take Five - 5:24

B1. Three to Get Ready - 5:24
B2. Kathy's Waltz - 4:48
B3. Everybody's Jumpin' - 4:23
B4. Pick Up Sticks - 4:16

Discos Fundamentais: Cannonball Adderley - Somethin' Else (1958)

quinta-feira, junho 25, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

Um dos grandes álbuns da história do jazz, Somethin´ Else une um time de músicos primoroso a um repertório irretocável. Ao lado de Julian "Cannonball" Adderley estão Miles Davis, o pianista Hank Jones, o baixista Sam Jones e o baterista Art Blakey. O disco foi gravado na noite de 09 de março de 1958, e registrou para a história uma das mais belas performances de todos os músicos envolvidos, incluídos aí todos os grupos pelos quais passariam em suas carreiras.

Está no álbum a minha versão preferida de "Autumn Leaves", com quase onze minutos de melodias e harmonias deslizantes, construindo uma experiência singular. Somada à ela, temos ainda "Live for Sale", outro standard do jazz, executada com precisão cirúrgica pelo quinteto. A faixa que dá nome ao play é um exercício de groove estonteante, com o sax de Cannonball e o trompete de Miles em primeiro plano.

A malícia deliciosa de "One for Daddy-O" é reconfortante , enquanto "Dancing in the Dark" acaricia nossos ouvidos. Fechando o play, "Alison´s Uncle", que não constava na edição original do álbum, mas, segundo informações, foi gravada nas mesmas sessões. Não sei dizer se essa informação é verdadeira ou não, mas é uma ótima composição, mantendo o nível do disco nas alturas.

Somethin´ Else é um álbum obrigatório em qualquer coleção de jazz que se preze.

Ouça e entenda porque.


Faixas:
A1. Autumn Leaves - 10:58
A2. Love for Sale - 7:03

B1. Somethin' Else - 6:53
B2. One for Daddy-O - 8:25
B3. Dancing in the Dark - 4:04

poeiraCast#013 no ar: Blind Faith e os supergrupos do rock

quinta-feira, junho 25, 2009

Por Bento Araújo
Jornalista e Colecionador
Poeira Zine

O poeiraCast, o podcast da revista
poeira Zine, dá uma geral na super banda de Clapton, Winwood, Baker e Greech. Confira ainda discussões sobre os grupos Cream, ELP, CSN&Y, BBA, UK, Bad Company, West Bruce & Lang, Humble Pie, Asia, The Firm, etc...

O poeiraCast é um programa de bate papo, na verdade uma mesa redonda livre e direta sobre o assunto que a gente mais aprecia: música. Nele você encontra polêmicas, curiosidades, as famigeradas listas e bizarrices mil de seus grupos e artistas favoritos. Ajeite-se na poltrona e boa curtição!

Direção: Bento Araújo
Locução: Ricardo Alpendre
Produção: Bento Araújo, Sérgio Alpendre, José Damiano e Ricardo Alpendre
Edição: Xando Zupo (Overdrive Estúdio – email: xandozupo@gmail.com)

24 de jun de 2009

Os 100 melhores discos de hard rock dos anos setenta segundo o Rate Your Music

quarta-feira, junho 24, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Segue abaixo a lista dos melhores discos de hard rock da década de setenta, segundo o site Rate Your Music.

Para quem não sabe, o RYM é um grande portal sobre música (e agora sobre filmes também) onde cada usuário cria um perfil e cadastra, avalia e resenha os itens que possui ou conhece. Com base nessas avaliações, o site gera listas por décadas, gêneros, países e outros diversos parâmetros, formando painéis interessantes sobre a nossa maior paixão, que é a música.

Pretendo publicar várias listas do RYM aqui no blog, então, para começar, selecionei um gênero que a maioria dos leitores curte muito, e compilei os 100 melhores álbuns de hard rock lançados durante a década de 1970 segundo o site. Álbuns ao vivo entraram na lista, mas coletâneas ficaram de fora.

Essa lista serve tanto para animar uma conversa de bar quanto para ir atrás dos itens que a gente ainda não conhece. Então, confiram os discos e deixem as suas opiniões nos comentários sobre quais deveriam estar aqui, quais não deveriam, suas divagações sobre ela, qual seria o seu top#10 dos álbuns que estão na lista, enfim, vale tudo, principalmente ouvir os álbuns abaixo em alto e bom som.

Top#100 Hard Rock Albums from the 70´s

1. Led Zeppelin - Led Zeppelin IV (1971)
2. Black Sabbath - Paranoid (1970)
3. The Who - Who´s Next (1971)
4. The Stooges - Fun House (1970)
5. The Who - Live at Leeds (1970)
6. Black Sabbath - Black Sabbath (1970)
7. Black Sabbath - Master of Reality (1971)
8. Deep Purple - Made in Japan (1972)
9. The Stooges - Raw Power (1973)
10. Deep Purple - Machine Head (1972)
11. Led Zeppelin - Physical Graffiti (1975)
12. Thin Lizzy - Live and Dangerous (1978)
13. Led Zeppelin - Led Zeppelin III (1970)
14. Queen - A Night at the Opera (1975)
15. Led Zeppelin - Houses of the Holy (1973)
16. Deep Purple - Deep Purple in Rock (1970)
17. Rainbow - Rising (1976)
18. The Who - Quadrophenia (1973)
19. Judas Priest - Unleashed in the East (1979)
20. UFO - Strangers in the Night (1979)
21. Black Sabbath - Sabbath Bloody Sabbath (1973)
22. Lynyrd Skynyrd - Pronounced leh-nerd skin-nerd (1973)
23. Wishbone Ash - Argus (1972)
24. Robin Trower - Bridge of Sighs (1974)
25. Thin Lizzy - Jailbreak (1976)
26. Black Sabbath - Vol 4 (1972)
27. Motorhead - Overkill (1979)
28. AC/DC - Highway to Hell (1979)
29. Van Halen - Van Halen (1978)
30. Alice Cooper - Killer (1971)
31. Captain Beyond - Captain Beyond (1972)
32. Rush - Hemispheres (1978)
33. Alice Cooper - Billion Dollar Babies (1973)
34. Alice Cooper - Love It to Death (1971)
35. Flower Travellin´ Band - Satori (1971)
36. Twenty Sixty Six and Then - Reflections on the Future (1972)
37. Budgie - Never Turn Your Back on a Friend (1973)
38. T2 - It´ll All Work Out in Boomland (1970)
39. Buffalo - Volcanic Rock (1973)
40. Blue Oyster Cult - Secret Treaties (1974)
41. Montrose - Montrose (1973)
42. Rainbow - Long Live Rock´n´Roll (1978)
43. AC/DC - Let There Be Rock (1977)
44. Rush - A Farewell to Kings (1977)
45. Judas Priest - Stained Class (1978)
46. Thin Lizzy - Black Rose: A Rock Legend (1979)
47. Rush - 2112 (1976)
48. Black Sabbath - Sabotage (1975)
49. Aerosmith - Rocks (1976)
50. Aerosmith - Toys in the Attic (1975)
51. Scorpions - Tokyo Tapes (1978)
52. Boston - Boston (1976)
53. Queen - Sheer Heart Attack (1974)
54. Groundhogs - Split (1971)
55. Night Sun - Mournin' (1972)
56. AC/DC - If You Want Blood, You've Got It (1978)
57. Uriah Heep - Look at Yourself (1971)
58. Lucifer's Friend - Lucifer's Friend (1970)
59. Sir Lord Baltimore - Kingdom Come (1970)
60. Free - Fire and Water (1970)
61. Stray - Stray (1970)
62. Cheap Trick - Cheap Trick (1977)
63. Scorpions - Taken by Force (1977)
64. Rainbow - On Stage (1977)
65. James Gang - Rides Again (1970)
66. Cheap Trick - Heaven Tonight (1978)
67. Alice Cooper - Welcome to My Nightmare (1975)
68. KISS - Alive! (1975)
69. Nazareth - Hair of the Dog (1975)
70. Toad - Toad (1971)
71. UFO - Lights Out (1977)
72. Golden Earring - Moontan (1973)
73. Uriah Heep - Demons and Wizards (1972)
74. Deep Purple - Fireball (1971)
75. Manfred Mann's Earth Band - Nightingales & Bombers (1975)
76. Cheap Trick - At Budokan (1979)
77. Atomic Rooster - Death Walks Behind You (1970)
78. Rainbow - Ritchie Blackmore's Rainbow (1975)
79. UFO - Force It (1975)
80. Robin Trower - Live! (1976)
81. MC5 - High Time (1971)
82. The Masters Apprentices - Choice Cuts (1971)
83. Judas Priest - Killing Machine (1978)
84. Mountain - Climbing! (1970)
85. Budgie - In for the Kill (1974)
86. Scorpions - Lovedrive (1979)
87. Queen - Queen II (1974)
88. Wishbone Ash - Wishbone Ash (1970)
89. AC/DC - Powerage (1978)
90. AC/DC - High Voltage (1976)
91. Jericho - Jericho (1972)
92. Leaf Hound - Growers of Mushroom (1971)
93. Free - Free Live! (1971)
94. Randy Holden - Population II (1970)
95. Thin Lizzy - Bad Reputation (1977)
96. Robin Trower - Twice Removed From Yesterday (1973)
97. Fraction - Moon Blood (1971)
98. Truth and Janey - No Rest for the Wicked (1976)
99. Deep Purple - Burn (1974)
100. Wishbone Ash - Live Dates (1973)

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