23 de jul de 2010

Comunicado oficial da Roadie Crew sobre o CD pirata 'Burningtracker', do grupo U.D.O.

sexta-feira, julho 23, 2010

(texto publicado no site da revista Roadie Crew)

O CD
Burningtracker, resenhado por nosso colaborador João Luiz Zattarelli Jr. na edição #138 da revista Roadie Crew, não consta da discografia oficial da banda U.D.O. e não faz parte do catálogo da AFM Records. Como o próprio vocalista Udo Dirkschneider havia comentado em uma de suas recentes entrevistas que planejava um lançamento só com raridades, nosso colaborador acabou adquirindo o CD imaginando se tratar de produto oficial e acabou sendo ludibriado pela pirataria.

Comunicamos imediatamente o fato, alertando o diretor da gravadora alemã, Sr Nils Wasko, com o qual mantemos relação pessoal e profissional há mais de dez anos, e o mesmo está tomando as providências legais necessárias.

Vale ressaltar que embora o colaborador tenha adquirido o CD físico, atualmente a grande maioria das gravadoras disponibiliza um serviço online de download (Ipool), em que as mídias (rádio, revistas, TV, DJs) acessam para baixar o material e, no caso de revistas, resenhar os discos. Tudo isto é controlado por senhas de acesso e, portanto, restritas a profissionais autorizados.

Desnecessário dizer que a
Roadie Crew é completamente contrária à prática de qualquer tipo de pirataria, não apenas por se tratar de crime mas por afrontar os direitos daquele que mais luta para que o rock e o metal aconteçam, que é o músico.

Atenciosamente,

Airton Diniz
Editor
Revista
Roadie Crew

Rock Raro: Neuschwanstein – Battlement (1979)

sexta-feira, julho 23, 2010

Por Wagner Xavier
Colecionador
Scream & Yell

Nada se cria, tudo se copia. Começo com esta frase para lembrar e concluir que na história do rock poucos foram aqueles que verdadeiramente criaram algo novo, inédito.

Certamente apenas os grandes ícones se perpetuarão neste quesito. Nomes como Beatles, Jimi Hendrix, Led Zeppelin, Beach Boys, Stooges, entre outros - enfim, aqueles que por onde quer que estejamos sempre serão lembrados por gerações e gerações. Se hoje ouvimos Strokes e nos lembramos de Velvet Underground, ouvimos Beachwood Sparks e nos lembramos de Byrds, ouvimos El Vez e nos lembramos de Elvis Presley (uma brincadeira de bom gosto), é sinal de que isto sempre existirá e somente o tempo deixará que os nomes ou as obras se eternizem ou não. Logicamente não vejo pecado algum nisto, afinal hoje é muito difícil criar algo sem nenhuma referência.

Em cima desta ideia, procurei selecionar um nome que não faz parte do seleto grupo dos ícones, mas certamente quando o ouvimos nos lembramos imediatamente de sua referência. Trata-se do grupo alemão Neuschwanstein, cujo citação imediata é ninguém menos que o cerebral Genesis.

Apesar da referência (nobre, por sinal), o grupo lançou apenas um disco, em 1979, chamado
Battlement, que quando ouvido, independente de lembrar ou não o grupo de Peter Gabriel e Phil Collins, me traz um grande prazer, pois, se parece com Genesis, é possível afirmar também que se por eles fosse gravado estaria entre seus melhores discos.

Battlement é um primor do início ao fim. Tocado de forma esplêndida, o disco tem sete canções, todas de grande qualidade. Nenhum instrumento em particular se destaca, pois a força do álbum está justamente em seu conjunto.

A banda era formada por Frederic Joos (cuja voz lembra, claro, Peter Gabriel), Roger Weiler (guitarra), Rainer Zimmer (baixo), Thomas Neuroth (teclados), Klaus Mayer (flautas e teclados) e Hans-Peter Schwarz (bateria). Apesar da inegável qualidade, o grupo não conseguiu atingir grandes vendagens, mesmo tendo aberto shows para bandas mais famosas como Lucifer’s Friend e Novalis.


O disco possui um clima muito parecido com clássicos como
The Lamb Lies Down On Broadway, de 1974, último álbum de Peter Gabriel no Genesis. A primeira canção é "Loafer Jack", cuja sonoridade lembra também o glorioso Marillion (não disse que nada se cria, tudo se copia?). Apesar da semelhança, possui o estilo da banda, com uma bela flauta, arranjos ótimos - enfim, um excelente início. Na sequência temos "Ice With Dwale", novamente outra grande canção, com destaque para a flauta de Klaus (marca registrada banda).

A terceira faixa, "Intruders and the Punishment", é igualmente linda, com grande arranjo e sensibilidade a flor da pele. Ótima música! E o que dizer da sexta-faixa, "Midsummer Day", senão perfeita? Ouvindo cada uma delas não consigo saber qual a melhor canção do disco, pois todas são excelentes.

Como conclusão, indago também onde teria chegado o Genesis caso tivesse conseguido manter a média de seus primeiros discos e lançassem álbuns como este
Battlement. Talvez este seja um caso do aluno que superou o mestre (se consideramos os primórdios do Genesis, obviamente não; mas se falarmos de seus últimos discos, sem dúvida). Lógico, é muito complicado fazer este tipo de comparação, que aliás não é meu objetivo, mas deixemos de lado os preconceitos, pois para quem gosta de boa música, especialmente do rock progressivo de Genesis, Yes e Marillion, não deve perder esta verdadeira obra-prima do estilo.

Para quem não conhece, pode acreditar,
Battlement é um dos maiores momentos do rock progressivo de todos os tempos, pena que tenha sido lançado no lugar e na hora errada, afinal 1979 não era um grande momento para o estilo. Mas afinal, quem se preocupa com isto ? Eu não.

Boa viagem e até a próxima.


Faixas:
A1 Loafer Jack 4:42
A2 Ice With Dwale 6:21
A3 Intruders and the Punishment 7:34
B1 Beyond the Bugle 7:31
B2 Battlement 7:05
B3 Zärtlicher Abschied 5:52

22 de jul de 2010

A reação apaixonada de um ouvinte ao conhecer o lado menos óbvio do Deep Purple

quinta-feira, julho 22, 2010

Por Maximiano Angelotti Silva
Colecionador


Antes de tudo gostaria de agradecer ao pessoal da
Collector’s Room por essa oportunidade. Eu sou leitor do blog há relativamente pouco tempo, mas acho ele sensacional! E tenho que admitir que fiquei surpreso com a velocidade com que recebi uma resposta para o pedido de publicar essa resenha!

Bem, chega de papo furado e vamos ao que interessa, o CD.

Este pequeno disco reúne singles do Deep Purple em um período que vai de 1968 a 1975, ou seja, cobre a MK I, MK II e MK III. Meu objetivo ao sair de casa certo dia para ir ao sebo que frequento jamais foiadquirir um CD do Purple, ainda mais uma compilação. Meu desejo era comprar o
Born Again do Sabbath, que eu já havia visto mas não tinha comprado por falta de fundos.

Felizmente alguém já havia levado o
Born Again para casa. Procurando alguma outra coisa encontrei um disco chamado Singles A´s and B´s. Num primeiro momento fiquei na dúvida, mas acabei comprando. Bastou chegar em casa pra ver que tinha acertado em cheio na escolha.

Capa da edição original em vinil, de 1978

O disco começa com “Hush”, um cover da canção de Joe South com um som bem típico do rock dos anos sessenta, mas com a pitada típica do Deep Purple, deixando a música mais hard rock. Em seguida vem “One More Rainy Day”, que começa com um pequeno temporal. A canção em si não é muito hard, me lembra um pouco as primeiras músicas do The Who e o som dos Beatles, mas ainda sim é uma boa faixa.

A próxima é versão single de “Kentucky Woman”, outro cover, desta vez de Neil Diamond. Depois vem “Emmareta”, na minha opinião um dos melhores entre os singles da MK I”, seguida da versão single norte-americana de “Bird Has Flown”, também muito boa.

“Hallelujah” é a primeira da MK II no disco. Simplesmente sensacional, principalmente a parte em que Ian Gillan canta “
hallelujah, hallelujah...”, no início da faixa. Os backing vocals nessa faixa também dão um toque bem celestial. O estilo dela ainda lembra um pouco o da MK I, mas a voz de Gillan dá um toque especial. Além disso, “Hallelujah” tem umas mudanças rítmicas bem interessantes. Enfim, uma faixa sensacional! Confesso que nunca tinha escutado essa música, o primeiro registro da lendária MK II.

A seguir “Speed King”, uma das minhas favoritas. A versão aqui é bem diferente da que está no
In Rock - não tem a introdução e é um pouco mais lenta, com um piano comum no lugar do órgão de Jon Lord.

A próxima dispensa apresentações: “Black Night”, um música espetacular e que faz jus a seu sucesso. A seguinte é “Strange Kind of Woman”, que apareceu em algumas versões de
Fireball, Também muito boa, mas não se destaca. “I’m Alone” é outro single que não entrou em nenhum disco (como “Black Night”, “Cry Free” e outras). Esta música está entre as faixas bônus da versão em CD de Fireball. Outra sem muito destaque, mas bem animada, com um teclado sensacional! “Fireball” e “Demon’s Eye” são as seguintes, excelentes, tanto que junto com “Anyone’s Daughter” constituem minhas músicas prediletas de Fireball.

A seguinte é “Never Before”, do
Machine Head, muito boa com uma batida muito legal na bateria, um ritmo sensacional! Depois temos a balada “When a Blind Man Cries”, deveras emocionante, de chorar mesmo, com um vocal emocionado de Ian Gillan e uma batida bem lenta. Essa faixa não entrou no Machine Head nem em nenhum outro disco e me pergunto se não teria sido uma adição interessante.

Depois disso, outra que dispensa comentários: “Smoke on the Water” em uma versão editada que ficou meio sem graça, mais curta, só que sem diminuir a grandiosidade desse que é um dos maiores clássicos da história do rock.

Capa da reedição em CD, lançada em 1993

E chegamos ao ponto alto do disco, que fez com que eu parasse de praguejar contra o fulano que comprou o
Born Again. Se eu tivesse comprado esse outro CD não teria escutado algo que mudou a minha vida: a versão ao vivo de “Black Night”. Eu estava escutando o CD e resolvi pular algumas faixas para escutar a versão “live” desse clássico absoluto de Purple - juro que caí da cadeira! Eu sabia que o Deep Purple fazia um som pesado, mas só imaginava como seria ao vivo, nunca tinha me dado ao trabalho de comprar um álbum ao vivo dos caras, ou “conseguir o mesmo por meios ilícitos” (leia-se baixar). É um porrada na cara! Ian Paice detona na bateria, Jon Lord faz um solo inspirado, a banda toda toca com um energia imensa. Se nós soubéssemos como captar tal energia seria possível iluminar uma cidade do tamanho de São Paulo por no mínimo um mês!

Os singles do MK II são encerrados com chave de ouro e dão espaço para a MK III e a voz sensacional de David Coverdale. “Migth Just Take Your Life” tem as características típicas da MK II, com o toque mais funk que caracterizaria todo o período com Coverdale. A seguinte, “Coronarias Redig”, é uma faixa instrumental com um título curioso. Nela os membros restantes do MK II botam pra quebrar, com destaque para Blackmore e Lord.

A versão single de “You Keep On Moving”, uma composição de Coverdale e Glenn Hughes, mas com um solo sensacional do substituto de Blackmore, Tommy Bolin, tem um toque funk ainda mais acentuado, só que com fortes raízes no hardão típico do Purple. “Love Child” encerra o CD, e é outra composição que conta com Bolin no lugar de Ritchie.

Então este é o disco. Mas não é só a música no CD que é sensacional. O encarte merece um parágrafo à parte. Recheado de informações sobre os singles do grupo entre 1968 a 1975 - inclusive com uma lista de praticamente todos os compactos lançados - , sendo que cada um tem uma pequena descrição da capa. Enfim, uma jóia para os colecionadores! Além disso, o encarte conta com imagens das artes dos singles nas diversas versões lançadas mundo afora - as que aparecem na capa do CD, por exemplo, são do Japão, Portugal, França e Iugoslávia.

Bem, essa é minha pequena resenha dessa grande compilação, um verdadeiro achado!

Tenho Mais Discos Que Amigos! faz matéria especial sobre box dos Beatles em vinil e sorteia LP do Fab Four entre os leitores

quinta-feira, julho 22, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room

O site Tenho Mais Discos Que Amigos, parceiro da Collector´s Room, publicou uma extensa matéria sobre o box The Beatles Collection, lançado originalmente em 1978 e que traz todos os álbuns da banda em vinil e mais algumas coisinhas. São mais de 300 fotos dos LPs, uma melhor que a outra, de cair o queixo literalmente. Já disse aqui na Collector´s que todo colecionador é um fetichista, e essa matéria do TMDQA só comprova isto.

Para babar com o post, clique aqui e aqui.

E os leitores ainda concorrem a um vinil de Yellow Submarine. Ou seja, imperdível! A promoção vai até domingo, dia 25/07, então aproveite!

21 de jul de 2010

Heavy metal, é preciso pensá-lo

quarta-feira, julho 21, 2010

Por Miguel Pacífico
Jornalista
Delfos


Com alguma frequência no mundo da música pesada nos deparamos com discursos inflamados sobre a qualidade e a longevidade da mesma. Quase sempre o argumento primeiro é a fidelidade que o público desse gênero musical é capaz de construir em torno daqueles músicos cujo trabalho admiram. Qualquer pessoa minimamente familiarizada com o que falamos aqui sabe que, guardadas as devidas proporções, o que foi dito acima é facilmente passível de demonstração e, se necessário fosse, recorreríamos a inúmeros exemplos para tanto.

Porém, se queremos, nós, os envolvidos de alguma maneira com esse tipo de manifestação cultural, inseri-lo de maneira séria no rol dos gêneros artísticos relevantes, é necessário pensá-lo. Antes que o leitor diga que se trata tão e somente de uma forma de entretenimento, reafirmo e insisto que é necessário pensá-lo. Outros gêneros musicais que igualmente apresentavam-se como forma de entretenimento já foram, e ainda são, objeto de reflexão, então por que não nosso querido heavy metal?

Reafirmo: é necessário levá-lo às raias da reflexão sócio-cultural e fugir das armadilhas do discurso juvenil que busca conferir-lhe relevância comparando-o ao mundo efêmero de determinados nichos da música pop, cuja preocupação maior é descobrir quinzenalmente a grande novidade que vai tornar obsoletos todos aqueles trabalhos que você ou eu tanto consideramos.

Gravadoras, músicos, programas de rádio, grandes conhecedores do assunto e os seus muitos apreciadores construíram uma sólida rede paralela à grande mídia (ainda que com vícios próprios), e torna-se urgente pensar os mecanismos que sustentam e fazem funcionar todo esse submundo. É possível, e necessário, pensá-lo para assim conferir-lhe a legitimidade que tanto defendemos (qual de nós ainda não passou pelo constrangimento de tentar convencer alguém de que gostamos de algo que vai muito além da “
barulheira produzida por sujeitos de aparência duvidosa”?).

Utilizar a superficialidade da música pop como forma de defesa é estratégia obviamente fácil e igualmente frágil. Mas como nos sairíamos se tivéssemos que compará-lo a outros gêneros musicais detentores de maior profundidade? Gêneros que foram construídos e sustentados por nomes como Handel e Strauss, Robert Johnson e Muddy Waters, Charlie Parker e Duke Ellington, ou os nossos Noel Rosa e Pixinguinha? Gêneros que foram e são ainda hoje pensados, vide o conclusivo
História Social do Jazz, do reconhecido historiador Eric Hobsbawn, e a extensa bibliografia produzida a respeito da música erudita, dos grandes nomes da música popular brasileira e até mesmo sobre o movimento punk (foi de fato algo passível de ser classificado como movimento?).

Certamente que temos nossos referenciais: Ritchie Blackmore, Tony Iommi, Ronnie James Dio, Rob Halford, Ozzy Osbourne, Bruce Dickinson, Steve Harris, James Hetfield e tantos outros. Temos nossas raízes socialmente relevantes: porque, repentinamente, filhos de trabalhadores e ex-trabalhadores ingleses da indústria metalúrgica decidiram demonstrar sua visão de mundo através da música a partir da segunda metade dos anos setenta? E que características teria essa música? Porque, em uma determinada região metropolitana dos Estados Unidos avassaladoramente castigada com problemas sociais das mais diversas ordens no início dos anos oitenta, os jovens se apropriaram da estética criada pelos ingleses uma década antes e acrescentaram a ela doses cavalares de fúria e velocidade, gerando trabalhos que primavam por uma ferrenha crítica social?

Temos diversas variáveis estilísticas que vão do virtuosismo musical absoluto a demonstrações de musicalidade quase que instintivas, o que demonstra a flexibilidade interpretativa desse gênero musical. Temos a assimilação de influências advindas de outros gêneros, e é possível mencionar a citação de músicas típicas de diversos países ao redor do mundo. Temos uma preocupação da indústria que envolve esse segmento, no sentido de fazê-lo e apresentá-lo como algo economicamente viável, vide as estratégias de marketing e acabamento dos produtos atualmente colocados no mercado.

O que ainda não temos é uma reflexão séria e intelectualmente fundamentada no sentido de conferir ao heavy metal um lugar entre as manifestações culturais relevantes. Alguém se habilita a fazê-la?

poeira Zine faz edição especial dedicada a Ronnie James Dio

quarta-feira, julho 21, 2010

Por Ricardo Seelig
Colecionador

A poeira Zine, considerada por muitos como a melhor revista de música do Brasil, acaba de colocar na praça duas novas edições sensacionais.

A primeira é uma edição especial dedicada totalmente a Ronnie James Dio, ícone do som pesado e vocalista de grupos como Black Sabbath, Heaven and Hell e Rainbow, além de sua própria banda Dio, falecido recentemente. No especial, Bento Araújo, editor da pZ, conta toda a trajetória de Dio, desde seus primeiros passos até a consagração definitiva e infinita.


A segunda é a edição normal da pZ, e traz um dos maiores nomes do rock progressivo, o Emerson Lake & Palmer, na capa. Além de uma longa matéria sobre a banda, a pZ#31 tem também textos sobre os 40 anos do Festival de Ilha de Wight, uma entrevista feita pelos próprios leitores com o guitarrista Sérgio Hinds (do Terço), passa a limpo a carreira do Sir Lord Baltimore, Rod Argent no pZ Hero, as aventuras do editor da pZ em Nova York durante o Record Store Day e muitas outras matérias.

Para encomendar as duas revistas, clique aqui e entre em contato com o Bento, porque vale muito a pena.


20 de jul de 2010

Ozzy Osbourne - Scream (2010)

terça-feira, julho 20, 2010

Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room


Cotação: ****

Scream, novo álbum de Ozzy Osbourne, é um disco surpreendente. Pesado, moderno, atual, mostra um artista que não se contenta em ficar sentado sobre as glórias do passado. Ao contrário: o que se ouve nas onze faixas de Scream é um heavy metal repleto de vigor e energia, como há tempos o próprio Ozzy não fazia.

Talvez a resposta para essa mudança esteja em Gus G, guitarrista do Firewind escolhido para assumir o posto do antigo comparsa Zakk Wylde. Segundo Ozzy, o motivo da mudança foi por ele estar achando que a única diferença entre seus discos e os do Black Label Society era a sua voz. Outra corrente afirma que a causa real da saída de Wylde foi o fato de ele estar bebendo demais nos últimos anos, e que sua companhia seria extremamente temerária para um alcoólatra como Ozzy. Enfim, o fato é que a substituição deu resultado.
Scream é o melhor disco de Ozzy desde Ozzmosis, de 1995 – ou seja, estamos diante do melhor álbum do Madman nos últimos quinze anos.

Ouvindo o play percebe-se que não há nenhum exagero nessa afirmação. Os vocais características de Ozzy embalam canções redondinhas, que cativam na primeira audição. A guitarra de Gus G soa pesadíssima, cuspindo riffs empolgantes, honrando a tradição de nomes como Randy Rhoads, Jake E. Lee e o próprio Wylde. Completam a banda o ótimo baixista Rob “Blasko” Nicholson, o tecladista Adam Wakeman (filho do lendário Rick Wakeman, ex-Yes e um dos ícones do rock progressivo) e o baterista Tommy Clufetos.

A produção, a cargo do próprio Ozzy e de Kevin Churko, deu ao disco uma sonoridade robusta, com ênfase nos tons mais graves, o que realça a característica sombria das composições. Saltam aos ouvidos também alguns detalhes, como batidas nitidamente influenciadas por nomes como White Zombie e o ótimo uso de efeitos, que dão um ar moderno ao trabalho sem fazê-lo soar forçado.

Entre as faixas, destaques para a ótima abertura com “Let It Die” - que conta com uma passagem instrumental muito legal e um ótimo solo de Gus G -, “Let Me Hear You Scream”, a pesadíssima “Soul Sucker”, a boa balada “Life Won´t Wait”, “Diggin´ Me Down” (talvez a melhor do álbum) e a climática “Crucify” - ou seja, quase todo o set list!

A bela arte gráfica também merece menção. O encarte, apesar de simples, traz todas as letras e conta com uma bem sacada aplicação de verniz localizado em algumas partes, o que deu um resultado final bem interessante. E a foto da capa, com Ozzy segurando uma bandeira com ares de conquistador, ficou muito boa.

Concluindo, Ozzy Osbourne mostra que está muito vivo em
Scream. Seu som soa renovado, repleto de energia e alinhado com as tendências atuais do heavy metal. Um feito e tanto para um artista que andava se repetindo de maneira irritante em seus últimos lançamentos, e que agora parece ter reencontrado o rumo de sua carreira.

Bola pra frente, em alto e bom som!


Faixas:
1.Let It Die – 6:06
2.Let Me Hear You Scream – 3:25
3.Soul Sucker – 4:34
4.Life Won´t Wait – 5:06
5.Diggin´ Me Down – 6:03
6.Crucify – 3:30
7.Fearless – 3:41
8.Time – 5:31
9.I Want It More – 5:36
10.Latimer´s Mercy – 4:28
11.I Love You All – 1:03

Discos Injustiçados: Deep Purple - Stormbringer (1974)

terça-feira, julho 20, 2010

Por Ronaldo Costa
Colecionador
Whiplash! Rock e Heavy Metal

Desde o fim da década de 60, o Deep Purple formou com o Led Zeppelin e o Black Sabbath a base fundamental do que viria a se tornar o hard rock e o heavy metal, servindo de influência não apenas para as bandas que surgiriam depois fazendo esse tipo de som, mas também para grupos de outros subgêneros diversos dentro do rock.

A banda, que já tinha feito trabalhos excelentes, conseguiu já no início dos anos 70 gravar alguns clássicos absolutos da história do rock com a mítica formação que ficaria conhecida como MK II (Ritchie Blackmore, Ian Gillan, Roger Glover, Jon Lord e Ian Paice). Álbuns como
In Rock (1970), Fireball (1971) e Machine Head (1972), além do fenomenal ao vivo Made in Japan (também de 1972), estão definitivamente em qualquer lista sobre os mais importantes discos de rock.

Entretanto, o clima dentro da banda não era (e provavelmente nunca foi) lá essas coisas. Com problemas internos cada vez mais evidentes, o Purple lançou um LP que não repetiu o mesmo êxito de seus antecessores (
Who Do We Think We Are, 1973). Na sequência, Ian Gillan e Roger Glover deixaram o grupo - há controvérsias se saíram espontaneamente ou se foram “convidados a se retirar”.

Recomeçar já seria muito difícil, ainda mais encontrar alguém que substituísse dois músicos como Gillan e Glover. A procura por um novo baixista terminaria com a entrada de Glenn Hughes, que estava no Trapeze e que, além de bom baixista, cantava - e muito.

A busca por um novo vocalista repousava na ideia firme de Ritchie Blackmore e Jon Lord de que Paul Rodgers era o nome adequado para a banda. No entanto, Rodgers permaneceu muito pouco tempo com o Deep Purple, sem deixar nada registrado, pois logo sairia para montar um outro projeto, o Bad Company. Para o posto de no voz do grupo foi recrutado então um jovem desconhecido chamado David Coverdale.


Com esse time, estava criada uma outra formação clássica do Purple, a MK III (Blackmore, Coverdale, Hughes, Lord, Paice). Seu álbum de estreia foi o também clássico
Burn (1974), que agradou em cheio até os fãs mais radicais, inclusive com os “duelos vocais” entre Coverdale e Hughes, que, na verdade, eram duetos que beiravam à perfeição.

Apesar de o Purple ressurgir com uma formação extremamente eficiente e fazendo sucesso, as influências que os dois novos integrantes traziam à banda pareciam não agradar muito a Blackmore.

O álbum seguinte seria
Stormbringer, trabalho este que ainda hoje é capaz de dividir opiniões entre os fãs e desencadear animadas discussões entre os que vêem nele enormes qualidades e os que percebem justamente a falta delas, isso sem falar nos que admitem a qualidade técnica e instrumental presente no disco, mas que consideram que aquele som não condiz com o verdadeiro Deep Purple. Não bastasse isso, Ritchie Blackmore não gostou nada do resultado que viu e ouviu, tanto que resolveu abandonar o barco e tocar a vida adiante com o seu Rainbow.

Mas vamos aos fatos. Com um line-up muito melhor entrosado e seguro de si após a boa acolhida a Burn, as mãos de Coverdale e Hughes sobre o som do grupo tornaram-se muito mais fortes e evidentes. Glenn Hughes exalava todas as suas influências funk, cheias de balanço e com um groove todo peculiar. Já Coverdale dava os primeiros passos naquelas que se tornariam suas principais características, e que seriam fartamente exploradas mais tarde, em seus anos de Whitesnake. É justamente a combinação dessas características com o hard rock de raiz levado adiante pela banda, sobretudo pela influência de Blackmore, que fazem de
Stormbringer um álbum excepcional, essencial na discografia do grupo, e dono de um feeling e eficiência enormes.

Não é questão de dizer que ele seja melhor que a fase clássica da MK II, ou mesmo falar que supera
Burn, mas a julgar pelas composições, além da execução impecável e cheia de raça de suas músicas, Stormbringer pode ser considerado um trabalho injustamente subestimado, já que estamos falando de um excelente álbum de rock que é menosprezado por uma quantidade considerável de fãs.


A faixa de abertura, que leva o mesmo nome do LP, é totalmente Blackmore, com seu riff poderoso e um vocal agressivo e voltado para o hard rock clássico, o mesmo hard que podemos observar também em faixas como “Lady Double Dealer” e “High Ball Shooter” - destacando ainda que a levada de Hughes no baixo e os duetos vocais entre ele e Coverdale não fazem feio e se encaixam perfeitamente bem com o clima dessas canções.

No entanto, a mão de Glenn Hughes se faz presente, e de forma escancarada, em músicas como “Holy Man” - simples mas cheia de sentimento -, além de “You Can´t Do It Right” - provavelmente a que mais carrega influências suas - e “The Gypsy”.

O álbum termina com a belíssima “Soldier of Fortune”, uma balada extremamente tocante, onde a voz de Coverdale transmite um clima de tristeza que realmente comove.


O som de Blackmore, conforme já pudera ser percebido antes em
Burn, parecia um pouco mais veloz. Jon Lord curiosamente não compareceu nesse álbum com o mesmo destaque de outras ocasiões, o que de forma alguma significa que seu trabalho não tenha sido bom. Já Ian Paice ... bem, este é um cara que parece nunca ter passado por maus momentos, musicalmente falando.

Stormbringer é um disco diferente, que carrega influências diversas e, por isso mesmo, atinge um resultado final eficaz e satisfatório. Conforme foi dito antes, provavelmente não é o melhor trabalho da carreira do Deep Purple, mas isso está muito longe de não se reconhecer todas as qualidades que tem ou querer classificá-lo apenas como um trabalho mediano e menor na discografia da banda. É possível que o desapontamento de Ritchie Blackmore com a obra e sua posterior saída da banda possam ter influência sobre a avaliação de algumas pessoas. Apesar disso, já à época de seu lançamento este foi um disco que dividiu opiniões e que não deixou muito espaço para o meio termo. É claro que existiam exceções mas, geralmente, ou ele era adorado ou era execrado. Estes são os motivos que o fazem figurar nessa lista sobre álbuns historicamente injustiçados.

E você? Também acha
Stormbringer um disco injustiçado ou acredita que isso tudo não passa de balela pra tentar justificar um ponto baixo na carreira do Deep Purple? Seja qual for a sua opinião, o importante é que você possa registrá-la, se possível após mais algumas audições de Stormbringer.

Faixas:

A1 Stormbringer 4:06
A2 Love Don't Mean a Thing 4:23
A3 Holy Man 4:30
A4 Hold On 5:06

B1 Lady Double Dealer 3:21
B2 You Can't Do It Right (With the One You Love) 3:23
B3 High Ball Shooter 4:27
B4 The Gypsy 4:02
B5 Soldier of Fortune 3:13

19 de jul de 2010

Rigotto's Room: A turnê dos Novos Bárbaros

segunda-feira, julho 19, 2010

Por Maurício Rigotto
Escritor e colecionador
Collector's Room

No inicio de 1979, os Rolling Stones encerravam a turnê de divulgação do disco Some Girls, lançado no ano anterior. O álbum, um dos mais bem sucedidos da banda nos anos setenta, fez grande sucesso com as músicas “Miss You”, “Shattered” e “Beast of Burden”; além de incluir grandes rocks como “When the Whip Comes Down”, “Respectable” e “Before They Make me Run” (com Keith Richards nos vocais); a bela canção country “Far Away Eyes”, a quase punk “Lies” e a cover de “Just My Imagination”, dos Temptations. Encerrada a digressão, os Stones decidem tirar o resto do ano de férias, no que seria uma das primeiras pausas do grupo, que vinha emendando discos e turnês sem interrupções.

O guitarrista Ron Wood, que havia entrado na banda quatro anos antes, estava lançando mais um álbum solo, Gimme Some Neck, que contou com a participação de todos os seus colegas de banda na gravação. Ron Wood decidiu aproveitar as férias dos Stones para formar uma banda e sair em turnê divulgando seu novo disco. Para a empreitada, convocou o pianista Ian McLagan, seu ex-companheiro na banda Faces e que havia acompanhado os Stones na última turnê; o saxofonista Bobby Keys, que acompanha os Stones desde os anos sessenta; Stanley Clarke, renomado baixista de jazz fusion; e Joseph “Zigaboo” Modeliste, baterista da banda funk The Meters. Ron batizou a banda com o nome The New Barbarians.

Keith Richards pensava no que faria durante o hiato dos Stones. Queria continuar tocando guitarra, por diversão, e a nova banda de Wood era a mais próxima naquele momento. Keith foi ao ensaio dos New Barbarians e, sem cerimônia, disse a Ron que queria entrar na banda. Keith foi aceito na hora. O entrosamento entre os guitarristas já vinha desde antes de Ron entrar nos Rolling Stones. Keith havia participado da banda que gravou os primeiros solos de Ron Wood - I’ve Got My Own Album To Do (1974) e Now Look (1975) – e havia tocado como convidado em concertos dos Faces.

Antes de entrar em férias, os Rolling Stones ainda tinham um último compromisso: fazer um show beneficente em Toronto. Keith Richards havia sido preso em Toronto em 1977 por porte de heroína, podendo ser condenado a uma sentença de sete anos de prisão em regime fechado. Durante o processo, o governo norte-americano ofereceu tratamento a Keith; e uma garota cega que ia aos shows dos Stones testemunhou a favor do guitarrista, declarando que Keith sempre lhe oferecia carona e lhe tratava com gentileza e cavalheirismo. Esse depoimento foi determinante para a sentença que o juiz proferiu em 1978, condenando Keith a fazer um show com os Stones em beneficio a uma instituição de cegos, a CNIB – Canadian National Institute for the Blind. Keith ficou satisfeito, mais uma vez escapara de cumprir pena em uma cadeia e ainda faria um concerto em beneficio a causa dos deficientes visuais. O show dos Stones no Oshawa Civic Auditorium foi marcado para o dia 22 de abril de 1979. Os New Barbarians acharam que seria uma ocasião perfeita para o seu primeiro show, abrindo justamente o show dos Rolling Stones.

Em Toronto, após serem apresentados pelo falecido ator John Belushi (The Blues Brothers), os New Barbarians surpreendem a platéia canadense com um repertório composto por músicas dos discos solos de Ron Wood, além de uma cover de Chuck Berry e “Before They Make me Run”, a música que Keith canta em Some Girls. Após a abertura dos Barbarians, os Stones sobem ao palco para a sua performance. No bis, os New Barbarians são chamados ao palco e acompanham os Stones nas canções “Miss You” e “Jumpin’ Jack Flash”. Após dois shows no Canadá, os New Barbarians iniciam em maio a turnê norte-americana, cruzando os Estados Unidos com dezoito concertos em cidades diferentes.

No dia 05 de maio, os New Barbarians sobem ao palco do Capital Center Arena em Largo, Maryland. Abrem o show com “Sweet Little Rock’n’Roller”, música de Chuck Berry que se tornou um hit na interpretação dos Faces. Seguem com as novas músicas de Gimme Some Neck, como a ótima “Buried Alive”, “F.U.C.Her” e “Infekshun”. Tocam "Mystifies Me", do primeiro solo de Ron, e “Rock me Baby”, um blues de B.B. King. Keith Richards assume os vocais em “Sure The One You Need", uma composição de Jagger/Richards incluída no primeiro solo de Ron Wood. O show prossegue com “Lost and Lonely”, do novo álbum, “Breathe on me”, do disco Now Look e “Love in Vain”, um blues de Robert Johnson gravado pelos Rolling Stones no album Let It Bleed.

Keith Richards volta a assumir os vocais em "Let's Go Steady Again", e para a grande surpresa do público, Ron Wood larga a guitarra e pega um saxofone tenor, fazendo uma duo de sax com Bobby Keys. Na próxima canção, o standard country “Apartment Number Nine”, ainda com Keith nos vocais, Keith Richards assume o piano, enquanto Ron Wood desliza o seu slide em um pedal steel guitar. A platéia ovaciona a banda ao ouvir a introdução de “Honky Tonk Women”, com Ron Wood nos vocais do clássico dos Stones. Keith volta aos vocais em “Worried Life Blues”, um antigo blues dos anos quarenta. O show segue com uma empolgante versão de “I Can Feel the Fire”, do disco I’ve Got My Own Album To Do e "Come to Realize", do Gimme Some Neck. Em "Am I Grooving You", os Barbarians fazem uma versão com mais de dez minutos de duração desse funk rock do primeiro disco de Wood, com direito a um fabuloso solo de contrabaixo de Stanley Clarke. A próxima canção é "Seven Days", uma música que Bob Dylan compôs em 1976 e nunca gravou, apesar de executá-la com freqüência em seus shows. Ron Wood foi o primeiro a gravá-la e "Seven Days" acabou sendo o carro-chefe de Gimme Some Neck. Keith Richards encerra o show cantando “Before They Make me Run”. No bis, os Barbarians fazem um interpretação incendiária e impecável de “Jumpin’ Jack Flash”, encerrando em definitivo um show que teve mais de duas horas de duração.

Após vinte shows entre abril e maio de 1979, no Canadá e Estados Unidos, os New Barbarians ainda tinham um último desafio: abrir o show do Led Zeppelin no Knebworth Festival em agosto. Seria o último show da banda e a única oportunidade para os ingleses presenciarem uma apresentação do projeto paralelo de seus conterrâneos. Apesar do Led Zeppelin ser obviamente a grande atração da noite, os New Barbarians fizeram uma elogiada apresentação, incluindo no repertório a ótima “Take a Look At the Guy”, do primeiro disco de Ron, encerrando sua curta carreira em uma grande festa etílica nos camarins de Jimmy Page e cia.

Durante a turnê americana, um único incidente foi registrado, em Milwaukee. Alguém espalhou um boato de que o show dos Barbarians contaria com diversos convidados especiais, criando grande expectativa entre os fãs, que destruíram o local em um grande tumulto quando descobriram que os “convidados” não apareceriam. Em janeiro de 1980, Ron Wood e Ian McLagan voltaram a Milwaukee para mais um show usando o nome New Barbarians, para tentar levantar fundos para o promotor cobrir as despesas causadas pelo tumulto. Desta vez a banda contou com Andy Newmack, Reggie McBride e Johnnie Lee Schell substituindo Keith Richards, Stanley Clarke e Joseph “Zigaboo” Modeliste. No mesmo mês, os Rolling Stones voltaram às atividades para preparar o que viria a ser o álbum Emotional Rescue.

Em outubro de 2006, finalmente Ron Wood edita um CD duplo com a íntegra do show dos New Barbarians em Largo, Maryland, intitulado Buried Alive: Live in Maryland. Um DVD bootleg com o vídeo do concerto circula entre os colecionadores, registrando assim mais esse belo capítulo da história do rock.



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