4 de fev de 2012

3 de fev de 2012

As Novas Caras do Metal – Parte 6: o heavy metal está muito vivo e manda notícias!

sexta-feira, fevereiro 03, 2012


Em mais um capítulo da nossa série sobre as novas bandas de metal que você precisa conhecer, vasculhamos o que de mais interessante anda sendo feito em termos de música pesada. Nesta edição temos muitas bandas novas que estão prestes a lançar o seu primeiro disco ou que contam com apenas um álbum na praça, o que só comprova o quão efervescente e ativa é a cena metálica em todo o mundo.

Saia do lugar comum, descubra novos sons e pare de ouvir os mesmos nomes de sempre!

Huntress

Banda de metal tradicional californiana. Individualmente, o principal destaque é a bela vocalista Jill Janus, que se define como uma “banshee” operística. A parte instrumental é bastante influenciada pela NWOBHM, com um belo trabalho de guitarras, apesar de, conceituamente, a banda se declarar mais próxima do black metal. Por enquanto o grupo lançou apenas um single, cujo clipe, repleto de referências ao universo de Conan, é um sucesso no You Tube. O primeiro álbum sairá até a metade do ano pela Napalm Records, e ainda não tem título. Se você curte um som na linha de King Diamond, pise fundo!





Redmist Destruction

Este quarteto inglês acabou de lançar o seu primeiro disco, Nobility in Death. Antes, a banda havia liberado um EP auto-intitulado em 2010. O som é thrash metal old school e, segundo a banda, “como o estilo deve ser tocado, e não com a sonoridade destes grupos de thrash revival”. Os caras se dizem influenciados por Slayer, Sepultura e Death, e fazem um som que realmente nos remete à época de ouro do thrash, agressivo, rápido, pesado e repleto de mudanças de andamento, com riffs transbordando em cada faixa.



Steelwing

Banda sueca com apenas dois discos na carreira, sendo que o segundo, Zone of Alienation, acaba de sair. O som é metal tradicional, com refrões grudentos e solos em profusão. Há uma clara influência de Iron Maiden e Accept nas composições do grupo, além de um tempero hard em algumas faixas. Cai como uma luva em quem viveu ou curte a sonoridade do metal oitentista.





Abigail Williams

O nome desta banda norte-americana de black metal é inspirado na verdadeira Abigail Williams, uma menina de 11 anos de idade que foi uma das primeiras acusadas de bruxaria na cidade de Salem, em 1692. Formado em 2004, o grupo tem três discos na carreira, sendo que o último, Becoming, acabou de chegar às lojas. O som parte de influências claras da sonoridade das bandas norueguesas, mas caminha em para outras direções, resultabdo em um black metal riquíssimo. A faixa que encerra o novo álbum, “Beyond the Veil”, é uma obra-prima com mais de dezessete minutos de duração que combina arranjos de cordas com melodias de guitarra e vocais perturbadores. Um clássico instantâneo!





Soen

Este quarteto lançará o seu primeiro disco, Cognitive, dia 15 de fevereiro pela Spinefarm. A banda é formada pelo ex-baterista do Opeth, Martin Lopez, e pelo respeitadíssimo baixista Steve Giorgio (ex-Death, Testament, Iced Earth, Sadus). Ao lado da dupla estão o vocalista Joel Ekelöf e o guitarrista Kim Platbarzdis. O som é um metal com uma grande pegada prog setentista. Em termos comparativos, é uma música semelhante ao que o Opeth fez em seu último disco, o ótimo Heritage, porém com uma dose bem maior de peso. O legal é que o primeiro disco dos caras ganhará edição nacional pela Hellion Records.





Landmine Marathon

Você pensa que a única mulher a cantar de forma gutural é Angela Gossow, do Arch Enemy? Então você precisa ouvir este quinteto norte-americano natural de Phoenix. Na estrada desde 2004, o Landmine Marathon já lançou quatro discos, todos trazendo um death metal pesadíssimo, onde os vocais guturais da bela e angelical Grace Perry são o destaque. Na parte instrumental, pesadíssima, a banda flerta com o doom e com o hardocore, criando uma massa sonora que irá agradar em cheio os fãs de metal extremo.





Deadly Circus Fire

Este quarteto de prog metal inglês, cujo visual dos integrantes remete ao Insane Clown Posse, lançou apenas em EP em 2010 e está trabalhando em seu disco de estreia, que sairá este ano. A música do Deadly Circus Fire é bastante influenciada pelo Tool e também pelo Porcupine Tree, variando, em uma mesma canção, entre passagens mais progressivas e outras mais pesadas, o que faz com que a banda consiga agradar os adeptos de ambos os gêneros.





MonstrO

Natural de Atlanta, este quarteto norte-americano lançou o seu primeiro disco, auto-intitulado, produzido pelo atual vocalista do Alice in Chains, William DuVall. O grupo conta com o baterista Bevan Davis (Danzig), o baixista Kyle Sanders (Bloodsimple), o guitarrista Juan Montoya (Torche) e o vocalista Charlie Suarez (Sunday Driver). O som é um hard rock repleto de melodia e temperado com doses certeiras de psicodelia. Uma grande banda, que, ao que tudo indica, terá um futuro brilhante!





Whitechapel

Deathcore norte-americano com três álbuns na praça. O Whitechapel é um quinteto de Knoxville, Tennessee, que transita com grande personalidade entre as raízes do death metal e uma sonoridade mais atual, que torna a sua música ainda mais pesada, agressiva e extrema.





Periphery

Prog metal norte-americano. Algumas revistas gringas classificam os caras como “math metal”, rótulo um tanto estranho criado para definir a sonoridade de nomes como o Meshuggah e o SikTh. O som é bastante pesado e criativo, com muitos grooves e passagens intrincadas. O segundo play dos caras, batizado como Juggernaut, sairá em 2012, enquanto o debut, auto-intitulado, é de 2010. Se você curte um prog metal com muito peso, tá dada a dica! A banda está em turnê pelos EUA com o Protest the Hero e Jeff Loomis, ex-guitarrista do Nevermore.




2 de fev de 2012

Van Halen: crítica de 'A Different Kind of Truth' (2011)

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

Todo mundo estava esperando o novo álbum do Van Halen. Não só no cenário do hard rock e do heavy metal, mas na música de uma maneira geral, o novo trabalho do grupo era um dos discos mais esperados do ano.

Por isso, fizemos algo inédito aqui na Collector´s Room: ao invés de apenas uma resenha sobre A Different Kind of Truth, você lerá duas na sequência. Eu, Ricardo Seelig, analisei o disco com a minha experiência de ouvinte e crítico músical há quase 10 anos. E o amigo e colaborador da Collector´s, Fabiano Negri, avaliou o play com a bagagem que só um músico tem, afinal ele esteve à frente do Rei Lagarto por mais de uma década. Será que nós concordamos em nossos pontos de vista, ou cada um teve uma opinião diferente?


Por Ricardo Seelig

Nota: 9

Confesso que eu estava desconfiado com o tão falado – e aguardado - novo álbum do Van Halen, o primeiro de inéditas desde Van Halen III (1998) e que marca o retorno de David Lee Roth à banda após 28 anos – o último trabalho com Diamond Dave foi o multiplatinado 1984 (1984). Porém, ao ouvir as treze faixas de A Different Kind of Truth diversas vezes, uma certeza fica clara: a banda surpreendeu e está afiadíssima, com a faca nos dentes!

Muitos fãs têm reclamado que algumas músicas são mera reciclagem de material antigo e inacabado presente em demos e bootlegs que os fanáticos die hards – e somente eles – já conheciam. O primeiro single, “Tattoo”, por exemplo, veio de uma demo de 1976. O próprio Eddie Van Halen já cansou de declarar que tem um “armário” repleto de composições inéditas que dariam para encher meia dúzia de discos. Sinceramente, isso pouco importa. Não quero saber se Eddie e David sentaram e compuseram material novo para o play, até porque eu – e acredito que a maioria de vocês – nem sabia desse reaproveitamento de material antes de trechos das faixas inéditas pintarem por aí, certo?

O que realmente interessa é se o álbum é bom ou não, e, para ser bem claro, A Different Kind of Truth é um grande disco. As novas composições não soam requentadas, muito pelo contrário: o frescor é o sentimento predominante aqui. Tudo remete aos primeiros anos da carreira da banda, de bolachas como Van Halen (1978), Van Halen II (1979), Women and Children First (1980) e Fair Warning (1981). Estão ali a guitarra faiscante e imprevisível de Eddie, o timbre característico da bateria de Alex e os vocais únicos de David. O baixo, agora a cargo de Wolfgang Van Halen, filho do guitarrista, era motivo de discussão entre os mais apaixonados, que não se conformavam com o fato de Michael Anthony ter sido dispensado da banda. Porém, o membro mais novo da dinastia Van Halen prova que tem sangue real nas veias e toca da maneira excelente, calando a boca dos críticos. E, em relação aos backing vocals, marca registrada de Anthony, devo dizer que, sinceramente, eles não fazem falta.

A Different King of Truth dá uma geral na primeira fase da banda, extraindo o melhor que o grupo produziu entre 1978 e 1984. Há canções sacanas e com um apelo descaradamente pop como “Tattoo”, pauladas certeiras na linha da clássica “Ain't Talkin' 'Bout Love” como “China Town” e “Bullethead”, o hard rock com a marca registrada da banda em “She's the Woman” e “The Trouble With Never”, composições que parecem vir direto da fase com Sammy Hagar – ouça “You and Your Blues” e comprove. E, claro, somos brindados com os solos de Eddie, um músico genial que sempre usou a sua técnica para tornar o conjunto mais forte.

Enfim, o quarteto entrega exatamente aquilo que os fãs estavam esperando, e é isso que surpreende, porque o material novo é muito consistente. Não há no disco nenhuma música dispensável, algo bastante comum hoje em dia, quando a maioria das bandas compõe duas ou três canções marcantes e completa o restante de seus trabalhos com os chamados 'fillers'. Todo o material presente é de alta qualidade, e mostra que o Van Halen parece estar sedento e com apetite após passar diversos anos hibernando.

A Different Kind of Truth é um retorno em alto estilo, que traz novamente para a ordem do dia uma das maiores e mais importantes bandas da história do rock. Ninguém esperava que seria tão bom, e por isso mesmo é tão surpreendente.


Por Fabiano Negri

Nota 10

Muito foi falado a respeito da tão aguardada volta do Van Halen com David Lee Roth nos vocais. Muitos duvidavam da capacidade da banda em fazer um material no nível dos clássicos, e o primeiro single, “Tattoo”, acabou não empolgando a maioria. Junte isso à percepção de que algumas músicas novas eram na verdade temas antigos rearranjados e a falta de Michael Anthony no baixo para que a fé no disco fosse totalmente abalada, inclusive com algumas pessoas esperando por um fiasco.

Pois é, vamos esquecer que algumas demos antigas foram aproveitadas e encarar o disco como ele merece: o primeiro álbum de inéditas com David desde o clássico 1984. Para minha surpresa – e talvez a de muitos –, o que se ouve em A Different Kind of Truth é uma banda com a faca nos dentes, como se estivesse colocando no mercado seu álbum de estreia.

Se alguém tinha alguma dúvida de que Eddie Van Halen ainda é um dos melhores guitarristas do mundo, pode ficar tranquilo. O cara está com os dedos em chamas, despejando riffs e solos com sua habitual categoria e criatividade. Um trabalho impecável, que pode lembrar para alguns dos atuais fritadores como se toca uma guitarra com estilo próprio, técnica, timbre perfeito e bom gosto. A cozinha, agora formada por Alex Van Halen e pelo estreante Wolfgang Van Halen – filho do mestre – no baixo, não deixa nada a desejar para o que a banda já havia feito. Entrosamento perfeito, com aquele jeitão certeiro de despedaçar grooves estranhos e quebrados dentro de uma estrutura relativamente simples. O timbre do baixo está gordo e pesado, com bastante destaque na mixagem.

O grande ponto de interrogação era o próprio David Lee Roth. A maioria dos fãs de Sammy Hagar não o engole muito bem. Pra mim, essa é sua melhor performance em disco até hoje. Seu inconfundível estilo de às vezes falar-às vezes cantar, sua canastrice extremamente talentosa, brilham em todas as faixas do disco. Puta velha que é, Diamond Dave sabe contar uma história como ninguém, e esse é um ingrediente crucial para o sucesso da bolacha.

A Different Kind of Truth é um delícioso disco de hard rock, com todos os adjetivos que fizeram do Van Halen uma das maiores referências do estilo. Melodias altamente cativantes são encontradas em abundância no álbum. “Tattoo” – é, eu gostei dessa também –, “Blood and Fire” e “She's the Woman” – que groove! – são alguns dos exemplos mais gritantes de como deve soar um rock leve e descompromissado. Passeamos também por faixas quase heavy metal, como é o caso de “Bullethead” e da aula de guitarra em “China Town”. O hipnotizante riff de “Honeybabysweetiedoll” – que remete, mesmo que de longe, ao clássico “Gates of Babylon”, do Rainbow – culmina numa canção cujas alavancadas de Eddie soam tão agudas e poderosas que são capazes de perfurar tímpanos menos avisados.

Aliás, riffs inspirados é o que não faltam por aqui. “Outta Space” e “Beats Workin'” não me deixam mentir. E não para por aí: a melhor faxa do álbum atende pelo nome de “You and Your Blues”. Tipicamente Van Halen, ela trabalha um estonteante crescente que passa por um pré-refrão brilhante e desemboca num refrão onde David Lee Roth mostra o quanto sua voz ainda pode ser poderosa. É interessante ver no DVD que acompanha o pacote, onde David, antes de iniciar a versão acústica dessa faixa, conta uma história hilária, realmente impagável.

Acho que estamos diante de um dos melhores discos de 2012, e que pode se tornar um clássico do Van Halen – isso só o tempo dirá. Por isso peço aos detratores de plantão a isenção da paixão por determinada fase do grupo, pois assim ouvirão um disco de uma banda que soa totalmente renovada e com muita lenha pra queimar.

É difícil eu dar um 10 para um lançamento, mas esse merece!

Faixas:
  1. Tattoo
  2. She's the Woman
  3. You and Your Blues
  4. China Town
  5. Blood and Fire
  6. Bullethead
  7. As Is
  8. Honeybabysweetiedoll
  9. The Trouble With Never
  10. Outta Space
  11. Stay Frosty
  12. Big River
  13. Beats Workin'

Tarja Turunen & Harus: crítica de 'In Concert: Live at Sibelius Hall' (2011)

quinta-feira, fevereiro 02, 2012


Nota: 8

Este novo projeto de Tarja Turunen, ex-vocalista do Nightwish, não tem nada a ver com heavy metal. É bom avisar logo de saída, antes que algum desavisado pense que encontrará aqui algo na linha do que a cantora gravou com a turma de Tuomas Holopainen. Porém, isso não quer dizer que estamos falando de um item dispensável, muito pelo contrário.

O que faz o DVD e CD In Concert: Live at Sibelius Hall, estreia do projeto Harus, valer a pena, é o bom gosto tanto na escolha do repertório, recheado de canções folclóricas finlandês e standards da música clássica, quanto o bom senso dos músicos envolvidos, que souberam criar arranjos interessantes e orquestrações sempre econômicas, fazendo o trabalho não cair na vala comum de discos similares, que em geral tem o exagero como norte e resvalam, com raríssimas exceções, na breguice.

Tarja é, inegavelmente, uma ótima cantora. O seu timbre de soprano ganha destaque absoluto aqui. Acompanhada pelos excelentes Marzi Nyman (guitarra), Kaveli Kiviniemi (órgão) e Markku Krohn (percussão), a vocalista alcançou um resultado final que coloca este projeto como o seu melhor trabalho desde que saiu do Nightwish.

O que torna isso possível é a ousadia, na maioria das vezes sutil, com que o quarteto trata o repertório. Ao inserir um instrumento como a guitarra na execução de peças sacras e clássicas, o Harus consegue a façanha de modernizar e tornar atraente o gênero para um público que não o consome. Sim, porque este disco será adquirido, em sua maioria, por fãs de Tarja na época do Nightwish, e não pelos consumidores habituais de música clássica.

É claro que não há aqui um mergulho profundo na música de câmara, porém isso não se faz necessário. As faixas – 12 no CD e 14 no DVD -, escolhidas a dedo, formal um painel inegavelmente belo, com direito a até mesmo uma releitura de “Walking in the Air”, composição de Howard Blake que se tornou em um dos maiores hits do Nightwish.

Acredito que a reação inicial da maioria das pessoas em relação a este item será de afastamento, imaginando que ele soará como, digamos assim, um pastiche de Charlotte Church com Lorenna McKennitt. Porém, o fato é que ele surpreende de maneira muito positiva, alcançando um resultado final muito atraente. 

1 de fev de 2012

El Caco: crítica de 'Hatred, Love & Diagrams' (2012)

quarta-feira, fevereiro 01, 2012


Nota: 9

O press release do novo álbum do El Caco informa que a banda é uma instituição do rock norueguês. Chegando ao seu sexto álbum, o trio formado por Øyvind Osa (baixo e vocal), Anders Gjesti (guitarra) e Thomas Fredriksen (bateria) inaugura uma nova fase em sua trajetória com um novo contrato com a gravadora Indie Recordings, onde a principal diferença é a distribuição internacional, deixando para trás os limites de seu país de origem. E, ouvindo o disco, quem tem a agradecer por esta decisão somos nós.

O som do grupo hipnotiza. Tentando colocar em palavras, a música do El Caco é influenciada pelo Black Sabbath, Led Zeppelin, pós-punk, Kyuss, Queens of the Stone Age, Tool e Mastodon. Essa mistura resulta em uma sonoridade bastante original, onde a guitarra tem um papel central, variando sempre entre riffs e linhas melódicas. A dupla baixo e bateria sai do comum sem reinventar a roda, propondo batidas, grooves e andamentos que surpreendem, de maneira sutil, o ouvinte. O arremate final se dá em dois pontos chaves: a excelente performance do vocalista Osa e a inequívoca capacidade da banda em criar composições muito bem resolvidas, com ganchos que prendem a audição.

A abertura, com a “zeppeliana” “After I'm Gone”, deixa claro o hard rock classudo executado pelo trio. “Hatred”, o primeiro single, nos leva de volta para algum clube escuro e esfumaçado de meados dos anos oitenta, repleto de darks e góticos usando camisetas do Sisters of Mercy. Em “Autopsy”, a canção se desenvolve em camadas crescentes que explodem em um refrão que são sai da cabeça. “Skeleton” é outro grande momento, com a banda soando como uma entidade única, poderosa e cativante.



Uma das características mais marcantes do disco é a produção, que deixou os instrumentos com um timbre levemente vintage. Isso faz com que, ao ouvir as músicas, nos sentimos como se estivéssemos em uma ampla garagem assistindo o grupo. A energia é pulsante e corre pelas veias durante todo o álbum.

Há um trabalho de guitarra primoroso em Hatred, Love & Diagrams. Anders Gjesti usa o seu instrumento para construir melodias em cada faixa, e elas servem de fio condutor para as composições. A variação entre essas melodias e os riffs, inseridos de maneira certeira, dá uma cara única ao som do El Caco.

Se você pensava que a cena da Noruega se resumia ao black metal, o El Caco prova que a música deste pequeno e lindo país vai muito além do metal extremo. Com classe, originalidade e um imenso talento, o trio desembarca no cenário internacional pronto para conquistar milhares de novos fãs. Suas composições são excelentes, sua música é viva e vibrante.

A dica está dada, agora é com você!



Faixas:
  1. After I'm Gone
  2. Hatred
  3. Autopsy
  4. Equivalence
  5. Go Forward
  6. Confessions
  7. Sixty to Zero
  8. Skeleton
  9. She Said
  10. Disconnect

Os melhores discos de 2011 segundo os leitores da Collector´s

quarta-feira, fevereiro 01, 2012

Durante todo o mês de janeiro, perguntamos para os leitores da Collector´s Room quais foram os seus álbuns preferidos de 2011. Listamos os discos mais votados por nossos colaboradores, e, em cima desaa lista, você escolheu os que mais curtiu.

Agora temos o resultado final, e ele é bastante diferente da lista de melhores de 2011 dos colaboradores e convidados da Collector´s, que você pode conferir aqui. Entre os 10 álbuns listados, quatro diferem nas listas, o que dá uma discordância de 40%. Enquanto na lista da Collector´s entraram os últimos discos do Symphony X, Graveyard, Tedeschi Trucks Band e Iced Earth, na dos leitores eles foram substituídos pelos últimos trabalhos do Foo Fighters, Black Country Communion, Motörhead e Opeth. Porém, tivemos uma unanimidade: em ambas as listas, o vencedor foi o excepcional último trampo do Machine Head, Unto the Locust.

Confira abaixo quais foram os 10 melhores discos de 2011 na opinião dos nossos leitores, e, é claro, diga o que achou do resultado nos comentários:

Machine Head – Unto the Locust
Foo Fighters – Wasting Light
Anthrax – Worship Music
Adele – 21
Ghost – Opus Eponymous
Whitesnake - Forevermore
Black Country Communion – 2
Mastodon – The Hunter
Motörhead – The Wörld is Yours
Opeth - Heritage

As matérias mais lidas na Collector´s em janeiro

31 de jan de 2012

The Cult: ouça o novo single e saiba tudo sobre o novo álbum

terça-feira, janeiro 31, 2012


O The Cult acaba de dar detalhes sobre o seu novo disco. Ele se chamará Choice of Weapon e é o primeiro álbum da banda em cinco anos, desde Born Into This, de 2007. O play contará com 10 faixas, sairá dia 22 de maio e foi produzido pela dupla Bob Rock (Metallica) e Chris Goss (Queens of the Stone Age).

Atualmente, o Cult é formado por Ian Astbury (vocal), Billy Duffy (guitarra), Chris Wyse (baixo) e John Tempesta (bateria).



Além da edição normal, o disco ganhará também uma versão exclusiva lançada pela revista Classic Rock. O fan pack do álbum contará com as dez faixas originais mais duas músicas ao vivo, ainda não reveladas. Além disso, virá com uma revista exclusiva de 132 páginas com a história da banda e o making of do disco, entrevistas com os músicos, além de dezenas de fotos inéditas do grupo.

O fan pack já está em pré-venda neste link, e será entregue para quem o adquirir a partir do dia 14 de maio, cerca de dez dias antes do lançamento oficial do disco.

Para ter uma prévia de como o Cult está soando, ouça a inédita “Lucifer” no player abaixo.

Opeth, Mastodon e Ghost em turnê conjunta pelos EUA

terça-feira, janeiro 31, 2012

2011 foi um ótimo ano para o heavy metal, com excelentes discos sendo lançados. E três dos principais protagonistas disso estão em turnê conjunta pelos Estados Unidos.

Os suecos do Opeth – que se reinventaram no ótimo Heritage -, os norte-americanos do Mastodon – que lançaram o incrível The Hunter – e os suecos do Ghost – cuja estreia, Opus Eponymous, saiu no final de 2010 na Europa mas somente em janeiro de 2011 nos EUA – juntaram forças e estão rodando a América em uma mesma tour. O Ghost abre os trabalhos cada noite, enquanto o Opeth e o Mastodon se revezam como headliners.

Estas três bandas representam diferentes facetas do heavy metal, mas tem algo em comum: impulsionam a música pesada para frente com a sua originalidade, talento, inquietude e sons cativantes.

Aqui no Brasil, a maioria dos fãs de metal acredita cegamente que o gênero se resume aos poucos nomes de sempre – Black Sabbath, Iron Maiden, Metallica, Blind Guardian, Helloween e estas outras que você está lembrando agora -, quando, na verdade, a efervecência criativa do estilo é tamanha que, ao se acomodar no terreno confortável dos ídolos do passado, um ouvinte mais desatento e não muito exigente corre o sério risco de escutar, eternamente, os mesmos sons.

O Metal Open Air, festival que acontecerá em abril em São Luís do Maranhão, reflete esta mentalidade, com atrações que, salvo raríssimas excessões – Legion of the Damned e Otep -, se resumem aos ícones habituais de sempre. É claro que é ótimo ver nomes como Anthrax, Venom, Annihilator, Anvil e Exodus no cast, afinal estes grupos ainda soam renovados e produzem música de qualidade. Agora, aguentar um engodo disfarçado de suposta homenagem como o Dio Disciples é dose …

Um dia em tive um sonho, e, nele, turnês como essa do Opeth, Mastodon e Ghost passavam aqui, pelo Brasil. Mas daí eu acordei e percebi que, infelizmente, isso ainda está longe de acontecer.

30 de jan de 2012

Michael Jackson: crítica da biografia 'A Magia e a Loucura'

segunda-feira, janeiro 30, 2012

Por Fabiano Negri

Já faz mais de dois anos que Michael Jackson faleceu, e muitos assuntos sobre sua carreira ainda permanecem obscuros. Uma maneira melhor de entender e tirar suas próprias conclusões sobre a vida e a carreira do maior astro pop de todos os tempos é a leitura da biografia A Magia e a Loucura, de J. Randy Taraborrelli. Construída a partir de entrevistas pessoais, depoimentos de Michael, de pessoas de sua família e de indivíduos que estiveram ligados direta ou indiretamente ao cantor, além de acesso a documentos oficiais, a biografia esmiuça cronologicamente todos os fatores que levaram Michael Jackson, da infância pobre em Gary, Indiana, ao mega-estrelato e, depois, ao declínio.

Uma coisa que fica bem clara é que Michael talvez seja o artista mais perfeccionista e obstinado pelo sucesso de quem eu tenha conhecimento. Muito disso se deve à criação rígida que Joseph Jackson deu aos filhos. No livro ele é tratado apenas como um pai que desejava a qualquer custo o sucesso dos filhos, às vezes errando a mão no excesso de disciplina, mas longe do monstro que a família e a midia têm pintado durante anos. A verdade é que mesmo errando muitas vezes – como no absurdo contrato de praticamante escravidão que ele assinou com a Motown –, Joseph atingiu seu intuito e deixou marcado em seus filhos, principalmente em Michael, o conhecimento de que apenas muito trabalho e aperfeiçoamento podem levar um artista ao topo.

Outro detalhe muito interessante é o paralelo criado entre a carreira de Michael e a indústria musical, deixando bem claro que os sorrisos e abraços em fotos não passam de fachada, escondendo uma relação de ciúmes, falsidade e jogo de poder.

Todos os pontos cruciais da vida pessoal de Michael Jackson são tratados abertamente. Segundo o autor, Michael não era gay, mas tinha sérias sérias dificuldades em se relacionar com mulheres. Também fica bem claro que ele era uma pessoa extremamente desconfiada, e que dificilmente deixava que alguém tomasse decisões por ele.


É interessante observar que, mesmo tendo chegado ao inimaginável sucesso de Thriller, Michael ainda não estava contente, e foi exatamente aí que a situação saiu de controle. Querendo cada vez mais atenção, ele tomou direções cada vez mais erradas em sua carreira. Pra se ter uma ideia, o livro relata que algumas das suas maiores excentricidades - como a câmera hiperbárica em que ele supostamente dormia e o interesse em comprar os ossos do homem-elefante - foram notas inventadas e plantadas pelo próprio Jackson para chamar atenção.

Detalhes constrangedores de sua relação com o garoto Jordie Chandler são colocados de uma forma explícita, revelando um sério distúrbio psicológico, que apesar de levar o cantor a um comportamento estranho e, para muitos, inaceitável, não o enquadram no perfil de pedófilo sustentado pela promotoria nos processos aos quais Michael Jackson respondeu.

As plásticas, o vitiligo, seus casamentos e todos os assuntos polêmicos são abordados da mesma forma. Mesmo sendo opinativo em alguns momentos, o autor expõe as informações de uma maneira em que, no final das contas, o leitor é quem tira suas conclusões.


Mas é claro que, em suas 670 páginas, o livro não possui apenas sombras. Todos os alicerces formadores do estilo inimitável de Michael Jackson cantar e dançar estão lá. James Brown, Diana Ross, Marvin Gaye, Gene Kelly, Fred Astaire e muitos outros grandes nomes fazem parte do balaio de gato que culminou na originalidade de Michael. Sempre esteve claro que ele era o mais talentoso dos irmãos, e que, em algum momento, iria voar longe e só. Mesmo assim, nem mesmo o produtor Quince Jones imaginava que ele chegaria tão longe. O fenômeno de Thriller salvou a indústria fonográfica, moribunda no início dos anos 80.

A importância histórica desse artista, às vezes soterrada por seus escândalos, é inestimável. Seus fracassos foram mais bem sucedidos do que muitos grandes sucessos de várias estrelas pop. Ele era irriquieto, sempre tentando se reinventar. Ele ainda procurava superar a marca de Thriller, só que o tiro de misericórdia em sua vida veio com o segundo processo, esse sim, totalmente forjado, levando-o aos tribunais numa batalha que, apesar de vencida com sua declaração de inocência, agravou seriamente seus problemas de dependência com drogas lícitas.

O livro, cuja primeira edição foi publicada em 1991, teve sua última atualizada em 2005, portanto a fase pós-julgamento não é relatada. Infelizmente, os acontecimento que sucederam a essa época todos conhecemos bem. Um Michael Jackson totalmente fragilizado e cercado de sanguessugas definhou publicamente até sua morte. Porém, acho que devemos nos lembrar do garoto prodígio que encantou o mundo com sua voz e afinação nos anos 70, e que se tornou, quando adulto, no maior fenômeno pop da história.

Adrenaline Mob e Soen: álbuns de estreia das bandas sairão no Brasil pela Hellion Records

segunda-feira, janeiro 30, 2012


Novidades quentes pra quem curte heavy metal. A Hellion Records acaba de confirmar que lançará os discos de estreia do Adrenaline Mob e do Soen aqui no Brasil.

O Adrenaline Mob é a nova banda do baterista Mike Portnoy, ex-Dream Theater. Ao seu lado estão o ótimo vocalista do Symphony X, Russell Allen, o guitar hero Mike Orlando, o guitarrista do Stuck Mojo e do Fozzy, Rich “The Duke” Ward, e o baixista Paul DiLeo. Os dois últimos, recentemente, anunciaram a sua saída da banda devido à incompatibilidade de agendas.



O disco, chamado Omertá, foi produzido pela própria banda e mixado por Jay Ruston – responsável por Worship Music, do Anthrax, e Balls Out, do Steel Panther -, sairá lá fora dia 13 de março, e em seguida pintará nas lojas brasileiras. A ótima repercussão do EP de estreia do Adrenaline Mob elevou as expectativas dos fãs às alturas, fazendo de Omertá um dos álbuns mais esperados do ano.





Já o Soen é um novo grupo que conta com figuras experientes e bastante rodadas no cenário metálico. Fazem parte da banda o vocalista Joel Ekelöf, o guitarrista Kim Platbarzdis, o extraordinário e respeitadíssimo baixista Steve DiGiorgio (Sadus, Testament, Iced Earth, Death) e o baterista Martin Lopez (Opeth, Amon Amarth).



O debut do quarteto, Cognitive, traz um som que se equilibra entre o heavy metal e o rock progressivo, com o uso constante de melodias e arranjos intrincados. Há uma certa semelhança entre a música do Soen e a sonoridade que o Opeth apresentou em seu último disco, o ótimo Heritage, ainda que o som do Soen seja bem mais pesado. O álbum sairá na Europa dia 15/02, e na sequência por aqui.




Enfim, duas ótimas notícias não só para quem curte som pesado, mas, sobretudo, para quem gosta de música boa!

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