13 de abr de 2013

Um recado para as gravadoras, e também para os lojistas

sábado, abril 13, 2013
Eu vou desenhar, já que parece que estamos falando com pessoas com baixa capacidade de interpretação: NINGUÉM COMPRA MAIS DISCOS! Ninguém gasta mais o seu dinheiro para comprar CDs, ok? O mercado musical não é mais o mesmo que era há décadas atrás, e essa mudança ocorreu há, no mínimo, uma década. Então, que tal começarmos a agir como tal? Seria uma boa.

A ideia para esse texto nasceu a partir deste post aqui, onde é mostrada uma ideia aparentemente simples, mas que faz uma grande diferença junto aos fãs: ao serem unidos, os dois últimos discos do Stone Sour (na versão digipak) formam a tal casa do título, House of Gold & Bones. Isso na versão importada, é claro, já que aqui no Brasil ambos saíram em jewel cases.

Vamos aos pontos: como já dito, ninguém mais compra CDs. Então, não adianta lançar um produto físico no mercado sem atrativos extras para os que ainda insistem em adquirir itens originais. Isso está entendido? Está claro? Parece que não. Porque eu vou pagar R$ 30 no CD original do último do Stone Sour, por exemplo (preço médio que o álbum está sendo vendido no país), se já tenho ele no meu computador, no meu iPod, no meu celular? Só vou fazer isso se esse item físico, esse item original, me entregar algo a mais do que eu já tenho - a música - e me conquistar, me cativar, com algum atrativo. Pode ser a embalagem, algum encarte criativo, um DVD/Blu-ray com o making of do disco, o que for, mas o fato é que somente a música já não justifica a compra de um item original.

As gravadoras brasileiras, apesar de algumas exceções pontuais, parecem não entender isso. Parecem viver em outro realidade. Continuam despejando nas lojas CDs que não trazem nada além do que já está circulando online, fazendo com que eu, você e todo mundo que já tem o arquivo digital não encontre justificativa para investir naquele item. Se continuarem assim, irão perder a pequena parcela de público que ainda insiste em adquirir itens originais, e que diminui a cada dia.

Além disso, há uma enorme e injustificável diferença entre a qualidade do material importado e o nacional. Um exemplo é esse em relação ao Stone Sour, mas essa situação é frequente. Quantas vezes você não pegou um item nacional e, ao compará-lo ao importado, reparou que o brasileiro tinha um encarte mais pobre, uma impressão pior, um papel inferior? Porque isso? Não há justificativa para as gravadoras ainda agirem assim. Nenhuma.

Outro ponto, e esse é especial para você, lojista: porque um CD importado gira em torno de R$ 60, R$ 80, R$ 100, na sua loja? Porque um LP importado custa R$ 100, R$ 150, R$ 200, R$ 300, no seu estabelecimento? Não me venha falar em impostos e o escambau, porque qualquer pessoa minimamente informada sabe que o buraco é mais embaixo. 


A maioria desses lojistas que estão em galerias do rock e similares compra seus itens importados,a na pior das hipóteses, direto de grandes lojas de varejo estrangeiras - quando não de grandes distribuidoras, onde o preço é ainda menor. Vá até a Amazon e veja quanto custa um CD em média: US$ 10. Pesquise o preço de um vinil lá também: US$ 20. A cotação do dólar no Brasil está girando em torno de R$ 2, então um CD importado custaria R$ 20, e um LP importado, R$ 40. Coloque mais uma possível taxação de 60% da Receita Federal em cima, e os preços sobem para R$ 32 o CD e R$ 64 o vinil. Margem de lucro acima de 100%, queridinhos, para um público que é o responsável por manter vivo o negócio pelo qual você sobrevivem? Margem de lucro superior a 100% para um público que é restrito e tem pouquíssimo potencial de crescimento? Sério que você entendem do negócio que estão administrando, amiguinhos?

É preciso mudar essa realidade, e essa mudança já deveria ter ocorrido há muito tempo. Em relação às gravadoras, é preciso seguir o exemplo norte-americano e europeu e colocar no mercado itens SEMPRE diferenciados. O CD normal não tem mais espaço, ele acabou. Se é pra lançar algo físico, esse edição precisa vir sempre turbinada. Não há como voltar atrás. Várias gravadoras nacionais tem esses lampejos às vezes, mas a edição especial não deve ser exceção, ela é a regra a partir de agora.

Em relação aos lojistas, uma pergunta simples: vocês querem continuar no ramo? Vocês querem que os seus negócios, de onde tiram o sustento de suas famílias, continue ativo por mais alguns anos? Então mudem a forma de fazer as coisas. Trabalhem com uma margem de lucro coerente - ninguém está pedindo para vocês não terem lucro, apenas o coloquem dentro de uma realidade aceitável. Uma parcela considerável da população brasileira tem cartão de crédito internacional hoje em dia, então, se não acontecer uma mudança, é mais fácil ir direto à fonte e comprar das lojas internacionais e não das suas. Entendido?

Nós, colecionadores, temos um desejo enorme de alimentar constantemente as nossas coleções. Mas vocês, gravadoras e lojistas, precisam estar ao lado da gente, seja oferecendo itens legais e atrativos ou trabalhando com preços que não sejam abusivos e não nos façam ter que escolher entre comer ou comprar um novo item - a escolha sempre  será a primeira opção.


Por Ricardo Seelig

Shining: crítica de One One One (2013)

sábado, abril 13, 2013

Na ativa desde 1999, a banda norueguesa Shining foi formada pelo multi-instrumentista Jørgen Munkeby quando ainda cursava a Norges Musikkhøgskole (a Academia Norueguesa de Música) e procurava por músicos para acompanhá-lo em um show que já havia sido agendado. Indo na contramão do future jazz dominante na cena norueguesa na época, o então quarteto atraiu considerável atenção pelas músicas predominantemente acústicas, tendência que se manteve até o seu segundo álbum, Sweet Shangai Devil, de 2003.

Porém, foi com o terceiro trabalho, In the Kingdom of Kitsch You Will Be a Monster, de 2005, que eles começaram a construir uma sonoridade única, incluindo elementos de rock progressivo e metal extremo em meio ao jazz, fórmula que vem se tornando cada vez mais excêntrica e complexa, e resultou em Blackjazz, o seu elogiado último disco, que definitivamente os estabeleceram como um dos mais intrigantes nomes da música escandinava nos últimos anos.

Dando um passo além da sonoridade já apresentada, "I Won’t Forget" abre o disco carregado com efeitos eletrônicos proporcionados pelas linhas de teclado, sobre passagens de jazz em um andamento tipicamente punk, enquanto o ritmo contínuo e complexo de "The One Inside" chega a lembrar uma versão mais caótica do Samael em seus discos mais recentes, em partes pela inserção dos instrumentos de sopro. Porém, nenhuma das duas chega próximo da experiência agonizante que "My Dying Drive" traz, pois a sua mixagem parece ainda mais saturada, principalmente com o baixo e os efeitos sonoros estourando nos ouvidos, enquanto "Off the Hook" apela para tempos rítmicos ainda mais confusos, conduzidos com maestria e ótimas melodias – principalmente vocais – pela banda.

Como o próprio nome define, "Blackjazz Rebels" é um bom exemplo da proposta musical dos noruegueses: esbarrar nas mais diversas vertentes sem deixar de lado a sua essência jazz e black metal, e, o flerte com o hard rock mais moderno se mostra extremamente bem sucedido, seguido por "How Your Story Ends" e a sua demonstração de estupidez técnica (vejam bem, isso não foi dito com sentido negativo – não nesse caso), principalmente se focado no trabalho de percussão inimaginável.

"The Hurting Game" retoma o ritmo predominantemente acelerado, mais próximo do black metal combinado com o punk, mas com forte presença do saxofone novamente, um dos grandes diferenciais do Shining (e que diferencial, certo?). A linha mais agressiva se mantém nos carregados riffs frenéticos de "Walk Away", uma das faixas mais extremas do álbum, que leva a "Paint the Sky Black", aonde a banda encerra o disco com elementos de punk rock e grindcore em meio a incompreensão de tempos jazzísticos esquisitos que mudam pancada após pancada.

Não à toa, a expressão que permanece após o encerramento de One One One é exatamente esse: não é fácil definir o que exatamente se passou nos últimos 36 minutos, se realmente foi entendido o que a banda se propôs a gravar ou qualquer detalhe. A forma brusca como a experiência termina é como acordar depois de sonhar que está caindo, quando você subitamente procura vestígios de que realmente não está mais dormindo. Boa parte desse incômodo que pode trazer aos não familiarizados à sonoridade do Shining se deve a produção ainda mais caótica que eles tem adotado, principalmente no que diz respeito aos tons mais graves, excessivamente distorcidos, mas que tornam a sua proposta ainda mais interessante. 

One One One não deve ser ouvido apenas uma vez, nem no momento errado, sem estar completamente focado. Ele pode se tornar compreensível com o tempo, talvez até agradável. E assim como o seu antecessor, é uma obrigatória obra da música extrema a ser ouvida em 2013.

Nota 8

1. I Won’t Forget
2. The One Inside
3. My Dying Drive
4. Off The Hook
5. Blackjazz Rebels
6. How Your Story Ends
7. The Hurting Game
8. Walk Away
9. Paint The Sky Black 

Por Rodrigo Carvalho, do Progcast

Assista "Flick of the Finger", o novo clipe do Beady Eye

sábado, abril 13, 2013
"Flick of the Finger", nova música do Beady Eye, ganhou um clipe que vai na onda do experimentalismo que deve nortear o próximo disco da banda. O vídeo se resume a imagens de tubarões e baleias caçando e revoadas de pássaros, tudo em um ritmo ultralento.

A faixa abre BE, segundo álbum do grupo formado pela maioria dos integrantes remanescentes do Oasis. O disco será lançado dia 10 de junho e o seu primeiro single sai na próxima segunda, 15/04, através das rádios e site oficial da banda.



Por Nelson Júnior

12 de abr de 2013

Top Collectors Room: os 100 melhores discos de rock progressivo de todos os tempos

sexta-feira, abril 12, 2013
Lista cabeçuda pra fechar a semana. Passei os últimos dias mergulhado em discos, livros e outros estudos para chegar em uma seleção com os 50 melhores álbuns de rock progressivo já lançados. Como a coisa ficou grande, estendi o número para uma centena, porque assim ficava mais completa e abrangente.

A lista abaixo é fruto de uma mistura de experiência pessoal, opinião particular e títulos encontrados em outros apanhados semelhantes sobre o estilo.

Como sempre, podem criticar, não concordar, elogiar e mais um monte de coisas. Só peço dois favores: que postem os seus top 10 sobre o prog nos comentários, e que aproveitem para ir atrás dos álbuns que, por ventura, ainda não conheçam.

Com vocês, os 100 melhores discos de rock progressivo de todos os tempos:

100 Porcupine Tree - Deadwing (2005)
99 Pain of Salvation - The Perfect Element I (2000)
98 Rush - Hemispheres (1978)
97 Peter Hammill - The Silent Corner and the Empty Stage (1974)
96 Yes - Relayer (1974)
95 Camel - Mirage (1974)
94 Kansas - Leftoverture (1976)
93 Dream Theater - Awake (1994)
92 Procol Harum - Procol Harum (1967)
91 Diagonal - Diagonal (2008)
90 Camel - Moonmadness (1976)
89 Procol Harum - Shine on Brightly (1968)
88 Gong - You (1974)
87 The Moody Blues - To Our Children’s Children’s Children (1969)
86 Van der Graff Generator - Still Life (1976)
85 Kansas - Point of No Return (1977)
84 Procol Harum - A Salty Dog (1969)
83 Rush - A Farewell to Kings (1977)
82 Camel - The Snow Goose (1975)
81 Emerson, Lake & Palmer - Tarkus (1971)
80 Spock’s Beard - V (2000)
79 Riverside - Out of Myself (2003)
78 The Mars Volta - De-Loused in the Comatorium (2003)
77 Focus - Moving Waves (1972)
76 Gong - Flying Teapot (1973)
75 Porcupine Tree - In Absentia (2002)
74 Focus - Focus 3 (1972)
73 Tool - Lateralus (2001)
72 Gong - Angel’s Egg (1973)
71 Renaissance - Ashes are Burning (1973)
70 Supertramp - Breakfast in America (1979)
69 Hatfield and the North - Hatfield and the North (1974)
68 Colosseum - Valentyne Suite (1969)
67 Emerson, Lake & Palmer - Brain Salad Surgery (1973)
66 Genesis - Nursery Crime (1971)
65 Marillion - Clutching at Straws (1987)
64 Riverside - Second Life Syndrome (2005)
63 Dream Theater - Metropolis Pt. 2: Scenes From a Memory (1999)
62 Mike Oldfield - Ommadawn (1975)
61 King Crimson - Starless and Bible Black (1974)
60 Gentle Giant - Free Hand (1975)
59 Gong - Camembert Electrique (1971)
58 Marillion - Script for a Jester’s Tear (1983)
57 Bacamarte - Depois do Fim (1983)
56 Magma - Mekanïk Destruktïw Kommandöh (1973)
55 Le Orme - Uomo di pezza (1972)
54 Dream Theater - Images and Words (1992)
53 Magma - K.A. (2004)
52 Caravan - If I Could Do It All Over Again, I’d Do It All Over You (1970)
51 Museo Rosenbach - Zarathustra (1973)
50 Yes - The Yes Album (1971)
49 Emerson, Lake & Palmer - Emerson, Lake & Palmer (1970)
48 Culpeper’s Orchard - Culpeper’s Orchard (1971)
47 King Crimson - Discipline (1981)
46 Änglagard - Viljans öga (2012)
45 Porcupine Tree - Fear of a Blank Planet (2007)
44 Van der Graff Generator - H to He Who Am the Only One (1970)
43 Marillion - Misplaced Childhood (1985)
42 The Moody Blues - Days of Future Passed (1967)
41 Renaissance - Turn of the Cards (1974)
40 Van der Graff Generator - Godbluff (1975)
39 Supertramp - Crime of the Century (1974)
38 Banco del Mutuo Soccorso - Banco del Mutuo Soccorso (1972)
37 Gentle Giant - Octopus (1972)
36 Rush - 2112 (1976)
35 Genesis - A Trick of the Tail (1976)
34 Pink Floyd - Animals (1977)
33 Van der Graff Generator - Pawn Hearts (1971)
32 Area - Arbeit Macht Frei (1973)
31 Pain of Salvation - Remedy Lane (2002)
30 Renaissance - Scheherazade and Other Stories (1975)
29 Soft Machine - Third (1970)
28 Gentle Giant - Acquiring the Taste (1971)
27 Banco del Mutuo Soccorso - Io sono nato libero (1973)
26 Rush - Permanent Waves (1980)
25 Mike Oldfield - Tubular Bells (1973)
24 Caravan - In the Land of Grey and Pink (1971)
23 Pink Floyd - Meddle (1971)
22 Robert Wyatt - Rock Bottom (1974)
21 Gentle Giant - In a Glass House (1973)
20 Pink Floyd - The Wall (1979)
19 Premiata Forneria Marconi - Storia di un minuto (1972)
18 Le Orme - Felona e Sorona (1973)
17 King Crimson - Lark’s Tongue in Aspic (1973)
16 Banco del Mutuo Soccorso - Darwin! (1972)
15 Harmonium - Si on avait besoin d’une cinquième saison (1975)
14 Jethro Tull - Aqualung (1971)
13 Pink Floyd - The Piper At The Gates of Dawn (1967)
12 Premiata Forneria Marconi - Per un amico (1972)
11 King Crimson - Red (1974)
10 Jethro Tull - Thick as a Brick (1972)
9 Genesis - The Lamb Lies Down on Broadway (1974)
8 Yes - Fragile (1971)
7 Rush - Moving Pictures (1981)
6 Genesis - Foxtrot (1972)
5 Pink Floyd - Wish You Were Here (1975)
4 King Crimson - In the Court of the Crimson King (1969)
3 Genesis - Selling England by the Pound (1973)
2 Yes - Close to the Edge (1972)
1 Pink Floyd - The Dark Side of the Moon (1973)


Por Ricardo Seelig
Agradecimento especial a Rodrigo Carvalho

Kvelertak: crítica de Meir (2013)

sexta-feira, abril 12, 2013
Banda norueguesa que recebeu considerável destaque no cenário nos últimos anos graças ao seu disco de estreia, o Kvelertak é um sexteto formado em 2007 na cidade de Stavanger, e sempre teve uma proposta musical muito simples e direta: uma despretensiosa sonoridade que fica entre o mais distorcido rock and roll e a sujeira do black metal, com uma forte e pulsante veia punk, sempre com letras no seu idioma natal.

Com um contrato com a Indie Recordings, o seu debut autointitulado, de 2010, alcançou Disco de Ouro na Noruega pelas vendas acima de 15.000 cópias, atraindo a atenção das grandes gravadoras para o lançamento de Meir, o segundo álbum, agora pela Sony, na Escandinávia, e pela Roadrunner Records mundialmente.

Alcançando posições consideráveis nos charts europeus, o disco foi gravado no estúdio americano GodCity e produzido novamente por Kurt Ballou, e já chama atenção pela belíssima capa desenhada por John Baizley (do Baroness) e pelo tracklist, com faixas bem mais longas do que o trabalho anterior.

Com "Åpenbaring" já é possível notar que, apesar do Kvelertak ter alcançado um reconhecimento relativamente grande, a sonoridade do novo álbum não é apenas uma repetição incessante da mesma ideia, mas sim uma versão aprimorada e (bem) mais cuidadosa: a sua longa introdução (para uma música de três minutos) puramente rock’n’roll descamba para um melódico híbrido de black metal e punk rock, que se repete na sujeira de "Spring Fra Livet", que puxa maior influência desse último. "Trepan" vai por um caminho bem diferente, e traz muito do heavy metal tradicional oitentista, com melodias que se encaixaram perfeitamente na identidade do Kvelertak, o mesmo ocorrendo em "Bruane Brenn", primeiro single do disco lotado de riffs barulhentos e grudentos, quase – pasmem – dançantes.

O início de "Evig Vandrar" é basicamente o mais próximo de uma balada que a sonoridade dos noruegueses permite chegar (considerando as abissais proporções), que lentamente acelera, de passagens mais cadenciadas para aquele heavy metal dos primórdios em questão de segundos, enquanto "Snilepisk" e "Månelyst" não podem ser definidas de outra forma além de duas belas cacetadas no ouvido, a primeira mais para o lado black metal, e a segunda para o punk.

"Nekrokosmos", apesar de beber na fonte norueguesa até o osso, também tem o seu mérito por novamente inserir uma série de elementos mais melódicos, que dão um toque adicional na morbidez da música, com trechos que remetem, ainda que levianamente e dentro do som extremo habitual, ao occult rock tão em voga no cenário atual. Esse direcionamento se mostra presente novamente em "Undertro", e mesmo que ainda mais sutil, torna a audição muito mais inteligível, da mesma forma que em "Tordenbrak", a maior faixa já composta pelo sexteto, beirando os nove minutos, que soa como um tênue equilíbrio entre hard rock e punk. Encerrando o trabalho, a faixa que leva o nome da banda não poderia ter outra forma além do mais simples e descompromissado rock orientado pelos riffs de guitarra, e acaba lembrando uma versão ainda mais suja do AC/DC, sendo mais um ponto alto no disco.

O amadurecimento na identidade musical do Kvelertak é o ponto mais notável em Meir: se o primeiro trabalho se destacava por ser totalmente direto, com faixas curtas e que fisgavam o ouvinte na hora, neste novo álbum é possível ver uma banda experimentando timidamente com uma série de outras vertentes, que engrandecem gradativamente as composições, ainda que as inserções sejam sutis. As diversas mudanças de andamento, o descompromisso em arriscar e um foco maior tanto nas melodias instrumentais quanto vocais tornam a audição ainda mais interessante, por mais intencionalmente rústica que seja a produção, eliminando qualquer barreira que o idioma possa levantar.

Uma banda supervalorizada? A cada minuto de Meir eles provam mais um pouco que não. Definitivamente não.

Nota 9


1. Åpenbaring
2. Spring Fra Livet
3. Trepan
4. Bruane Brenn
5. Evig Vandrar
6. Snilepisk
7. Månelyst
8. Nekrokosmos
9. Undertro
10. Tordenbrak
11. Kvelert

Por Rodrigo Carvalho, do Progcast

11 de abr de 2013

Na íntegra: Abra Kadavar, o segundo (e ótimo) disco da banda alemã Kadavar

quinta-feira, abril 11, 2013
A Nuclear Blast liberou para streaming o segundo disco da excelente banda alemã Kadavar. O álbum, intitulado Abra Kadavar, será lançado no próximo dia 15 de abril.

O trio se destacou com o seu disco de estreia, que chegou às lojas em 2012 trazendo um hard rock clássico temperado por generosas pitadas de krautrock - leia o review aqui.

Aumenta que é bom!


Por Ricardo Seelig

Iron Maiden anuncia shows na Argentina, Paraguai e Chile, e traz Slayer e Ghost na bagagem

quinta-feira, abril 11, 2013
O Iron Maiden acaba de confirmar em seu site mais três shows na América do Sul. A clássica banda britânica tocará na Argentina e no Chile, e também se apresentará pela primeira vez no Paraguai. Os shows contarão com a abertura do Ghost e do Slayer.

Datas e locais abaixo:

27/09 - Buenos Aires - Estádio do River Plate
29/09 - Assunção - Jockey Club
02/10 - Santiago - Estádio Nacional


O grupo fechará a edição deste ano do Rock in Rio, tocando no dia 22/09 na Cidade do Rock. Há rumores de que o Maiden anunciará mais apresentações no Brasil nos próximos dias, e elas aconteceriam nas cidades de São Paulo, Porto Alegre e Curitiba. Levando-se em conta que há uma folga de cinco dias entre o show no Rock in Rio e a apresentação na Argentina, é provável que esses concertos acontecem neste intervalo.

Mais informações quando elas surgirem.

Por Ricardo Seelig

Sonzeira do dia: “Kingmaker”, nova do Spiritual Beggars

quinta-feira, abril 11, 2013
Michael Amott deveria desistir do Arch Enemy, que anda se repetindo e dando voltas ao redor do próprio rabo nos últimos anos, e focar todas as suas energias no Spiritual Beggars. É a essa conclusão que chego após escutar “Kingmaker”, mais uma faixa divulgada pela banda e que estará em seu novo disco, Earth Blues, com data de lançamento marcada para 15 de abril.


Riff de teclado abrindo, peso, vocais muito bons, longas passagens instrumentais: está tudo aí embaixo, ao alcance do play. Ouça e veja se você não concorda comigo:


Por Ricardo Seelig

Dois últimos álbuns do Stone Sour têm uma surpresa para você

quinta-feira, abril 11, 2013
Os dois excelentes últimos álbuns do Stone Sour, House of Gold & Bones Part 1 (2012) e Part 2 (2013), têm uma agradável surpresa guardada para os fãs.

Ao unir as edições em digipak dos discos, as embalagens se encaixam e formam a tal Casa de Ouro e Ossos do título. Infelizmente, ambos foram lançados em jewel case aqui no Brasil, então quem adquiriu as versões nacionais não tem como participar da brincadeira.

Uma ideia simples e que dá uma outra dimensão para o trabalho. 

Assista abaixo ao vídeo que mostra como construir a coisa toda.



Por Ricardo Seelig

“And Your Children to Be Damned”, novo clipe do Hatriot

quinta-feira, abril 11, 2013
O Hatriot é a nova banda de Steve ‘Zetro’ Souza, ex-vocalista do Exodus. Estão ao lado do cantor os guitarristas Kosta Varvatakis e Miguel Esparza, além dos filhos de Zetro, Cody e Nick Souza, respectivamente baixista e baterista.

O quinteto lançou o seu primeiro álbum, Heroes of Origin, no início do ano pela gravadora Massacre. Bem recebido pela crítica (ganhou nota 8 na Metal Hammer), Heroes of Origin recebeu agora o seu primeiro clipe. A faixa “And Your Children to Be Damned” fala sobre a Condessa Elizabeth Bathory e teve o seu vídeo dirigido por Mike Sloat, que já assinou clipes para o Machine Head e para o Testament.

Assista abaixo:



Por Ricardo Seelig

Megadeth revela capa de novo disco

quinta-feira, abril 11, 2013
O Megadeth divulgou a capa de Super Collider, seu décimo-quarto álbum de estúdio. Produzido por Johnny K (Machine Head, Disturbed, Black Tide), o trabalho será lançado no dia 4 de junho. David Draiman, vocalista do Disturbed, participa das faixas “Forget to Remember” e “Dance in the Rain”.

Um dado interessante: este é o primeiro disco do Megadeth desde Cryptic Writings (1997) a contar com a mesma formação do anterior. Atualmente, a banda é formada por Dave Mustaine, Chris Broderick, Dave Ellefson e Shawn Drover.
 

O tracklist do Super Collider é o seguinte:

1 Super Collider
2 Forget to Remember
3 Dance in the Rain
4 The Blackest Crow
5 Burn
6 King Maker
7 A House Divided
8 Built for War
9 Beginning of Sorrow
10 Don’t Turn Your Back

Por Ricardo Seelig

Earache Records lança o LP mais curto do mundo

quinta-feira, abril 11, 2013
A tradicional gravadora Earache Records, especializada em metal extremo, lançará um item pra lá de curioso na edição deste ano do Record Store Day. Batizado como The World’s Shortest Album, o LP traz treze faixas das bandas Napalm Death, Wormrot, Brutal Truth, A.C., Lawnmower Deth, Painkiller, Morbid Angel e Insect Warfare e dura apenas 83 segundos!

O vinil estará à venda somente durante o Record Store Day, que acontece no próximo dia 20 de abril, em um LP de 5 polegadas na cor vermelha e na quantidade limitada de 200 cópias. Um item curiosíssimo, e de colecionador!

O tracklist é esse:

Side A:
01. Napalm Death - You Suffer (1.9s)
02. Napalm Death - Dead (2.7s)
03. Napalm Death - Your Achievement (4.2s)
04. Wormrot - False Grind Sodomy (2.5s)
05. Wormrot - You Suffer But Why Is It My Problem (4.0s)
06. Brutal Truth - Collateral Damage (4.0s)
07. A.C. - Howard Wulkan's Bald (4.0s)

Side B:
01. Lawnmower Deth - Be Scene Not Heard (4.7s)
02. Painkiller - Trailmarker (6.0s)
03. Brutal Truth - Blockhead (7.3s)
04. Morbid Angel - Bil Ur-Sag #2 Lava (6.9s)
05. A.C. - Windchimes Are Gay (9.5s)
06. Insect Warfare - Street Sweeper (13.5s)

Abaixo disponibilizamos a audição completa do disquinho - se você tiver um tempo sobrando para ouvir, é claro ...



Por Ricardo Seelig

10 de abr de 2013

Black Sabbath tocará primeiro single do novo disco no episódio final da atual temporada de CSI

quarta-feira, abril 10, 2013
Mais novidades sobre o aguardadíssimo novo álbum do Black Sabbath, 13, que chegará às lojas em junho. O site The Hollywood Reporter divulgou hoje que a banda fará uma participação especial no último episódio da atual temporada da série CSI.

O programa irá ao ar dia 15 de maio nos Estados Unidos, e mostrará o Black Sabbath se apresentando em um show. Essa será a estreia do primeiro single de 13, a faixa “End of the Beginning”, nos Estados Unidos. Vale lembrar que CSI é transmitida no Brasil pelo Canal Sony - e não, ainda não sabemos em que data o episódio em questão passará por aqui.

Por Ricardo Seelig

Gogol Bordello confirma mais três shows no Brasil após apresentação no Rock in Rio

quarta-feira, abril 10, 2013
A banda norte-americana Gogol Bordello tocará no palco Sunset do Rock in Rio no dia 21 de setembro, mas os fãs que não conseguiram ingresso para o festival podem ficar sossegados.

O grupo confirmou em seu site oficial que fará mais três shows no Brasil, nas datas e locais abaixo:

23/09 - Porto Alegre - Opinião
24/09 - Curitiba - Master Hall
25/09 - São Paulo - HSBC Brasil


Mais bandas confirmada na edição 2013 do Rock in Rio deverão anunciar shows em outras cidades brasileiras nas próximas semanas, incluindo Iron Maiden, Metallica, Slayer e outros. Estamos de olho, e assim que tivermos confirmação de mais datas informaremos nossos leitores.

Por Ricardo Seelig

Woslom divulga título e capa de seu segundo disco

quarta-feira, abril 10, 2013
A banda paulista Woslom, um dos nomes fortes do atual thrash metal brasileiro, divulgou o título e a capa do seu segundo disco, sucessor da boa estreia Time to Rise, de 2010 - leia o review aqui.

Intitulado Evolustruction (união entre as palavras “evolution” e “destruction”), o álbum foi gravado no Studio Acustica, em São Caetano do Sul, e conta com produção da banda e do engenheiro de som Danilo Pozzani. O ilustrador João Duarte, que já assinou trabalhos para nomes como Circle II Circle e Headhunter D.C., ficou responsável pela arte da capa.

Evolustruction terá nove faixas e ainda não tem data de lançamento definida.

Confira o tracklist:

1 Evolustruction


2 Haunted by the Past

3 Pray to Kill

4 River of Souls

5 No Last Chance

6 New Faith

7 Breathlless (Justice's Fall)

8 Purgatory

Por Ricardo Seelig

Beady Eye divulga possível tracklist de seu novo disco

quarta-feira, abril 10, 2013
Um possível tracklist do próximo disco do Beady Eye foi divulgado no Facebook da banda. Na foto, alguém que muito possivelmente é o vocalista Liam Gallagher, segura um bilhete com a lista de canções que deverão estar no sucessor de Different Gear, Still Speeding, o primeiro álbum do grupo, lançado em 2011.

As pistas já divulgadas dão a entender que o LP se chamará BE e deve sair em junho. O primeiro single, “Flick of the Finger”, pode ser ouvido aqui.

Por Nelson Júnior

Julian Lennon faz 50 anos e lança música com participação de Steven Tyler, do Aerosmith

quarta-feira, abril 10, 2013
Nascido em 8 de abril de 1963, Julian Lennon foi o primeiro herdeiro Beatle a vir ao mundo. Filho de John com sua primeira esposa, Cynthia Powell, Julian faz parte do universo dos Beatles há décadas. Aos cinco anos, inspirou o pai na criação de “Lucy in the Sky with Diamonds”. Pouco depois, ganhou de presente do padrinho Paul McCartney a bela “Hey Jude”, composta para confortá-lo pela conturbada relação com John e que se transformou em uma das mais conhecidas músicas do Fab Four.

Dono de uma carreira solo iniciada em 1984 com o álbum Valotte, Julian Lennon, que completou 50 anos a poucos dias, está com novidade na manga. O rapaz soltou na data do seu aniversário o clipe da balada “Someday”, que tem a participação especial de Steven Tyler, vocalista do Aerosmith. A faixa, gravada nos meses de junho e julho de 2012, foi lançada através do iTunes e consta como bônus na nova versão de seu último disco, Everything Changes, de 2011.

Assista ao clipe de “Someday” abaixo:



Por Ricardo Seelig

Top Collectors Room: os 60 melhores discos de estreia da história do rock

quarta-feira, abril 10, 2013
Dando sequência à lista sobre os 50 melhores discos de estreia da história do heavy metal, essa edição do Top Collectors Room coloca na roda os 60 melhores álbuns de estreia gravados por bandas de rock.

Pra começo de conversa, porque 60 e não 50? Pela simples razão que, como ser humano, ao escavar a minha coleção não consegui fechar a lista em cinco dezenas de discos e preferi deixá-la com 60 mesmo. Em segundo lugar, há apenas um álbum de metal na lista abaixo, e justamente o que deu origem ao gênero. Como já temos uma lista exclusiva do estilo, tomei essa decisão. E, mais uma vez, o que está em avaliação não é a carreira dos artistas, mas sim APENAS o seu primeiro álbum.

Elogiem, atirem as pedras, batam palmas, xinguem, mas não esqueçam de comentar e deixar as suas listas com os seus 10 discos de estreia preferidos.

Com vocês, os 60 melhores discos de estreia da história do rock:

60 The Rolling Stones - The Rolling Stones (1964)
59 The Beatles - Please Please Me (1963)
58 Eric Clapton - Eric Clapton (1970)
57 Cream - Fresh Cream (1966)
56 Bruce Springsteen - Greetings From Asbury Park, N.J. (1973)
55 Oasis - Definitely Maybe (1994)
54 Sex Pistols - Never Mind the Bollocks Here’s the Sex Pistols (1977)
53 Creedence Clearwater Revival - Creedence Clearwater Revival (1968)
52 The Who - My Generation (1965)
51 Guns N’ Roses - Appetite for Destruction (1987)
50 Jeff Beck Group - Truth (1968)
49 New York Dolls - New York Dolls (1973)
48 Elvis Presley - Elvis Presley (1956)
47 The Strokes - Is This It (2001)
46 The Byrds - Mr. Tambourine Man (1965)
45 Van Halen - Van Halen (1978)
44 Talking Heads - Talking Heads: 77 (1977)
43 Roxy Music - Roxy Music (1972)
42 The Jesus and Mary Chain - Psychocandy (1985)
41 Buddy Holly - The ‘Chirping’ Crickets (1957)
40 Rage Against the Machine - Rage Against the Machine (1992)
39 Frank Zappa - Freak Out! (1966)
38 Pearl Jam - Ten (1991)
37 Big Star - #1 Record (1972)
36 The Smiths - The Smiths (1984)
35 Steely Dan - Can’t Buy a Thrill (1972)
34 Os Mutantes - Os Mutantes (1968)
33 Santana - Santana (1969)
32 Little Richard - Here’s Little Richard (1957)
31 The Flying Burrito Brothers - The Gilded Palace of Sin (1969)
30 Weezer - Weezer (1994)
29 Mahavishnu Orchestra - The Inner Mounting Flame (1971)
28 Violent Femmes - Violent Femmes (1983)
27 Derek and The Dominos - Layla and Other Assorted Love Songs (1970)
26 The Stooges - The Stooges (1969)
25 Elvis Costello - My Aim is True (1977)
24 Lynyrd Skynyrd - (pronounced ‘leh-’nérd ‘skin-‘nérd) (1973)
23 Patti Smith - Horses (1975)
22 Jeff Buckley - Grace (1994)
21 Pink Floyd - The Piper at the Gates of Dawn (1967)
20 R.E.M. - Murmur (1983)
19 Ramones - Ramones (1976)
18 Captain Beefheart - Safe as Mikk (1967)
17 The Clash - The Clash (1977)
16 The Stone Roses - The Stone Roses (1989)
15 Gang of Four - Entertainment! (1979)
14 Dead Kennedys - Fresh Fruit for Rotting Vegetables (1980)
13 Crosby, Stills, Nash & Young - Déjà vu (1970)
12 John Lennon - John Lennon / Plastic Ono Band (1970)
11 Pixies - Surfer Rosa (1988)
10 Arcade Fire - Funeral (2004)
9 Led Zeppelin - Led Zeppelin (1969)
8 Black Sabbath - Black Sabbath (1970)
7 Joy Division - Unknown Pleasures (1979)
6 The Band - Music From Big Pink (1968)
5 The Doors - The Doors (1967)
4 Television - Marquee Moon (1977)
3 The Jimi Hendrix Experience - Are You Experienced (1967)
2 King Crimson - In the Court of the Crimson King (1969)
1 The Velvet Underground - The Velvet Underground & Nico (1967)


Por Ricardo Seelig

Ouça tributo ao Black Sabbath lançado pela Metal Hammer grega, só com bandas do país

quarta-feira, abril 10, 2013
A nova edição da Metal Hammer grega vem com um presente especial para os fãs do Black Sabbath. O número 340 da revista, que sai agora no mês de abril, vem com um CD de brinde intitulado Sabbath Cadabra: A Greek Tribute to Black Sabbath. No disco, doze grupos do metal grego relêem faixas de diversas fases da carreira dos pais do heavy metal.

O grande destaque é o Rotting Christ, com a música que batiza a banda de Ozzy, Tony, Geezer e Bill, mas vale a pena conferir também as demais versões, pois o disco está cheio de surpresas agradáveis pelo caminho.

Compilamos abaixo, na ordem, o tracklist completo de Sabbath Cadabra: A Greek Tribute to Black Sabbath. É só aumentar o volume e bater cabeça!

Enjoy!

 

Por Ricardo Seelig

9 de abr de 2013

Rolling Stones anunciam retorno de Mick Taylor para nova turnê

terça-feira, abril 09, 2013
Em entrevista ao programa Late Night, de Jimmy Fallon, Keith Richards anunciou que o guitarrista Mick Taylor irá retornar aos Rolling Stones. A volta de Taylor será, a princípio, somente para a próxima turnê da banda, que terá início nas próximas semanas.

Mick Taylor substituiu Brian Jones em junho de 1969, permanecendo nos Stones até dezembro de 1974 - período em que gravou alguns dos melhores discos do grupo, como Let It Bleed (1969), Sticky Fingers (1971) e Exile on Main Street (1972). Taylor já havia participado como convidado especial dos shows comemorativos de 50 anos do grupo, realizados em 2012.

Segundo Keith, “ter Mick Taylor com a gente com uma terceira guitarra agregada significa que vamos ter uma turnê muito interessante”.

Por Ricardo Seelig

Metal Open Air: um ano depois, mudou alguma coisa?

terça-feira, abril 09, 2013
No próximo dia 20 de abril completará 1 ano uma das maiores falcatruas da história não somente do heavy metal brasileiro, mas do mercado musical de nosso país como um todo. Foi em 20 de abril de 2012 que teve início o festival Metal Open Air, que prometia marcar época como um evento grandioso, mas conseguiu isso por outros motivos.

Como é sempre bom lembrar o que aconteceu e quem foram os responsáveis pelos eventos ocorridos em São Luís, no Maranhão, vamos repassar os fatos. No final de 2011 surgiu um rumor que dava conta de que o Brasil receberia a primeira edição internacional do tradicional festival alemão Wacken Open Air, um dos maiores eventos do calendário da música pesada em todo o mundo. Na sequência, a ICS, empresa que produz o Wacken, veio a público divulgar um comunicado declarando que não tinha nada a ver com o festival, que foi então rebatizado para Metal Open Air - leia matéria aqui.

Com a saída prematura dos alemães - se é que eles estiveram envolvidos em algum momento, o que duvido muito -, a Lamparina Produções e a Negri Concerts, ao lado da CKC Concerts, assumiram totalmente o festival e o divulgaram maciçamente na mídia especializada nacional. Banners gigantes do MOA eram vistos nos principais sites de heavy metal do país, bem como anúncios de página dupla estampavam as páginas da principal revista brasileira do gênero.

As bandas que tocariam no festival foram anunciadas, e montavam um cast dos sonhos: Rock and Roll All Stars, Megadeth, Anthrax, Blind Guardian, Glenn Hughes, Grave Digger, Obituary, Exodus, Destruction, Dio Disciples, Otep, Volbeat, Anvil, Fear Factory, Venom, U.D.O., Legion of the Damned, Annihilator, Symphony X, Saxon, Orphaned Land e Exciter, além das nacionais Krisiun, Andre Matos, Torture Squad, Drowned, Attomica, Terra Prima, Shaman (que gravou a música tema), Almah, Shadowside, Matanza, Hangar, Stress, Dark Avenger, Korzus, Motorocker, Semblant, Expose Your Hate, Unearthly, Obskure, Ácido, Ânsia de Vômito, Headhunter D.C., Megahertz e Ratos de Porão. Ou seja, mais de 40 atrações em 3 dias que prometiam ser antológicos, tendo com mestre de cerimônias o ator norte-americano Charlie Sheen. O anúncio das atrações atraiu pessoas de todo o Brasil, que fizeram planos e economizaram durante meses para assistir ao festival no Maranhão.

Entretanto, com a aproximação da data de início do MOA, uma avalanche de fatos começou a acontecer em cascata, fazendo a pulga atrás da orelha que sempre existiu em relação ao festival se transformar em um gigantesco monstro. Um dia antes do início do MOA, quanto milhares de pessoas já haviam se deslocado e estavam em São Luís para os shows, publicamos um texto compilando os diversos problemas que o festival apresentava. Relembre o que colocamos no ar com exclusividade na época:

- as bandas participantes receberam o cronograma com a programação do festival dois dias antes do evento

- a produção não pagou o cachê e nem as passagens das bandas nacionais, o que fez com que Hangar, Headhunter D.C., Terra Prima e Stress cancelassem as suas apresentações. O que se fala nos bastidores é que mais bandas cancelarão os seus shows ainda hoje

- os seguranças contratados não receberam nenhum tostão, e, por isso, as empresas terceirizadas que iriam fazer a segurança do MOA mandaram os seus funcionários se retirarem do local

- o Corpo de Bombeiros de São Luís fez uma vistoria e não aprovou as condições do Parque Independência, local onde o festival será realizado. Para vocês terem uma ideia, nem extintor de incêndio o local tem. Ou seja, é um caos anunciado

- as pessoas que chegaram para o camping um dia antes do festival não puderam entrar porque, segundo a assessoria de imprensa, as pulseiras não estavam prontas. Essa é uma desculpa meio sem sentido. Em um evento deste porte, as pulseiras, ingressos, crachás e afins precisam ficar prontos com muita antecedência. Se isso for verdade, quem está promovendo o evento só atesta a sua total falta de capacidade

- no local do camping, que foi vendido como um dos diferenciais em pacotes de ingressos, não há luz, banheiros e nem alimentação. A infra-estrutura é precária. As empresas que fariam isso se retiraram do local por falta de pagamento da produção

- segundo o que levantei com diversas pessoas com acesso aos bastidores, ao que parece ouve um racha entre as produtoras envolvidas no evento, a Lamparina, de São Luís, e a Negri Concerts, de São Paulo. Por esse motivo, o equipamento de som e os técnicos, que viriam de São Paulo, não vão mais para o Maranhão, e a equipe de Lamparina está desesperada entrando em contato com os grupos de micareta da região para conseguir “montar” um equipamento de som para o festival. Resumindo: o heavy metal tem uma sonoridade muito específica, não apenas totalmente diferente da micareta, mas que também exige mixagens e ajustes minuciosos, ainda mais em um evento ao ar livre. Traduzindo: se o festival acontecer, o som será de péssima qualidade

- seria por essa razão que o palco do festival ainda não estava pronto nesta quinta-feira, véspera do evento: a produção ainda não tem o equipamento para realizar os shows. Qualquer pessoa que acompanha eventos grandes sabe que os palcos são montados com dias de antecedência

- além disso, os camarins dos músicos não estavam prontos na véspera do festival. Isso é, sinceramente, inadmissível

- o Procon de São Luís realizou uma reunião com os produtores do evento no final desta quinta-feira, dia 19 de abril, onde fez os organizadores assinarem um termo de ajuste de todos os problemas encontrados no local do evento. Se esses problemas não foram solucionados o festival será cancelado

 
Pelas razões erradas, esse texto acabou se tornando um dos mais lidos da história da Collectors Room, e a razão é simples: com exceção do site amigo Van do Halen, que desde o início das evidências se desdobrou, ao nosso lado, para trazer notícias sobre o que estava acontecendo em São Luís, e apesar das enormes pistas de que algo estava muito errado, nenhum portal, nenhuma revista, publicou NADA alertando seus leitores sobre o que estava prestes a acontecer no Maranhão, preferindo manter no ar os banners e anúncios pagos do festival.

Também na quinta-feira, 19 de abril de 2012, o Venom cancelou a sua apresentação no MOA alegando um problema com os vistos dos músicos. Uma desculpa esfarrapada, já que, ao contratar uma atração internacional, uma das primeiras providências dos contratantes é justamente providenciar os documentos para que os músicos possam, efetivamente, entrar e tocar no país. Logo em seguida, o Saxon também cancelou, alegando uma grande violação no contrato assinado com a banda - que depois, se descobriria, era o fato de o cachê combinado não ter sido pago ao grupo. Daí em diante as coisas descambaram para o fundo do poço, com o aguardado Rock ‘n’ Roll All Stars, projeto liderado por Gene Simmons e que reunia grandes nomes do hard rock, também cancelando, e outra das bandas mais esperadas, o Anthrax, desembarcando no Aeroporto de Guarulhos e não tendo NINGUÉM da produção do MOA esperando para receber os músicos em solo brasileiro.

Nesta matéria postada no sábado, dia 21 de abril, relatamos o festival de atrocidades e desrespeito pelo qual o público e as bandas foram submetidos. Leia novamente para relembrar o quão baixo o evento chegou. Foi somente neste dia que os grandes portais e veículos especializados em heavy metal brasileiros, todos com o rabo preso com o MOA por ele ser promovido por Felipe Negri, produtor com ótimo relacionamento e adepto da política do tapinha nas costas tão peculiar ao metal em nosso país, começaram a contar aos seus leitores o que a Collectors Room e Van do Halen já relatavam há dois dias, desde 19 de abril. Até que, na tarde do dia 21/04, o Metal Open Air foi finalmente cancelado por absoluta falta de estrutura. Clicando aqui você pode relembrar tudo o que publicamos sobre o MOA.

Tentando consertar a péssima imagem deixada pelas duas (ir)responsáveis pelo MOA, a Lamparina Produções e Negri Concerts, esta última divulgou nota comunicando que os ingressos do festival seriam aceitos no show que o Blind Guardian, uma das atrações, realizou em São Paulo no dia 23 de abril. Uma esmola para quem foi seduzido por um mundo de maravilhas e foi enganado sem dó.

Um de nossos textos sobre o MOA, intitulado Edu Falaschi e Thiago Bianchi: os maiores hipócritas do metal nacional, escrito pelo colaborador e amigo Bruno Sanches, teve que ser retirado do ar após os representantes legais do cantor do Shaman nos enviarem uma intimação dizendo que, se insistíssemos com a sua publicação, seríamos processados - mais aqui.

Seis meses após o que prometia ser um grande festival, a Negri Concerts, teoricamente afastada do mercado devido à péssima reputação que obteve e pela imensa pressão do público contra a empresa, ressurgiu rebatizada como Indestructible Entretenimento promovendo uma turnê do Destruction pelo Brasil. Essa estratégia foi descoberta, e em uma grande vitória para toda a cena, o grupo alemão cancelou os shows depois de ser informado pelo público com que estava lidando - leia mais.

No final de 2012 surgiram rumores de que Felipe Negri estaria à frente de uma empresa chamada 8x8 Live, responsáveis pelos recentes shows do Accept e do Turisas por aqui. Essa informação não foi confirmada, e a própria empresa veio a público se manifestar negando qualquer associação com Negri.

Mais recentemente, recebemos a informação de que a turnê que a banda U.D.O. fará pelo Brasil no mês de julho está sendo promovida por uma suposta nova empresa de Felipe Negri, mas não temos confirmação se essa informação é verdadeira ou não.

Em relação às pessoas que foram até o Maranhão assistir ao Metal Open Air, centenas de processos foram abertos em todo o país contra a Lamparina Produções e a Negri Concerts. Eles estão em andamento e ainda não tiveram um veredito final definido, e um dos motivos é que a Negri Concerts simplesmente sumiu do mapa, não tendo mais sede fixa, telefones e site, antes amplamente divulgados. Ou seja, é impossível encontrar um dos responsáveis pelo MOA, o que só atesta a sua má fé na realização do festival.

No entanto, a justiça começou a ser feita. A cervejaria Ambev, que usou o MOA como plataforma de lançamento da marca Budweiser no Maranhão, foi condenada a participar do pagamento da indenização aos lesados pelo evento, em uma decisão que aponta que os culpados, um dia, deverão ser punidos.

A cena brasileira de heavy metal foi construída na base da política da troca de favores e tapinhas nas costas. É muita coisa por baixo do pano, com gigantes e donos de coisa nenhuma usando um suposto “poder” para ameaçar e intimidar quem levanta a voz contra a forma como as coisas são feitas. A grosso modo, e por experiência própria, posso afirmar que os bastidores do heavy metal aqui no Brasil, incluindo grandes sites, revistas e gravadoras, é tão sujo quanto o que imaginamos acontecer dentro do Congresso Nacional. Respondendo a uma pergunta frequente que sempre surge quando critico esse mercado, foi por esse motivo que eu, Ricardo Seelig, deixei de colaborar com algumas publicações onde matérias minhas foram publicadas há alguns anos atrás.

Uma nova geração de jornalistas e blogueiros está surgindo, com opinião própria, distante dos vícios desta “mídia” estabelecida e ciente do mal que suas práticas causam para toda a cena. Nós, da Collectors Room, assim como outros sites como a Van do Halen e mais alguns, fazemos parte de um grupo que acredita ser possível mudar o modo como as coisas são feitas e acontecem neste mercado. Recebemos o apoio de jornalistas e artistas nessa iniciativa, que visa informar o leitor através de um jornalismo independente, correto e transparente, algo que está muito distante da realidade atual.

O Metal Open Air completará um ano daqui a poucos dias. Olhando hoje, o que aconteceu acabou se revelando necessário, pois foi o início de um processo que identificou e continua identificando as pessoas má intencionadas que estão em nosso meio. Esse processo está longe de acabar, mas acreditamos firmemente que ele traz ótimos frutos a cada novo dia, limpando a sujeira, afastando a corja, destronando “coronéis” e pondo fim a falcatruas.

Se você acredita que é possível ter uma cena heavy metal sadia por aqui, siga com a gente.

Isso não é ingenuidade, mas sim esperança de dias melhores para quem curte hard rock e heavy metal no Brasil.

Por Ricardo Seelig

As 40 bandas mais curtidas no Facebook

terça-feira, abril 09, 2013
Uma lista que, a princípio, parece não dizer muita coisa, mas que, analisada mais a fundo, diz muito. Os quarenta artistas abaixo são os mais curtidos no Facebook dentro daquilo que chamamos de “rock”, e que abrange do pop rock até o heavy metal.

Esses números vindos da maior rede social do planeta devem ser levados a sério porque, em primeiro lugar, mostram a popularidade dos artistas. E, em um segundo momento, revelam a dedicação dos fãs, que se dão ao trabalho de procurar as páginas oficiais de seus ídolos na rede, curtir e acompanhar de perto o que eles estão fazendo.

É claro que trata-se apenas de um recorte da sociedade, mas um recorte significativo, já que o Facebook conta com mais de 1 bilhão de usuários em um planeta com aproximadamente 7 bilhões de pessoas. A lista não indica necessariamente as maiores bandas de rock do mundo, mas certamente identifica quais são as maiores bandas de rock do mundo virtual.

Abaixo, a lista com os 40 artistas de rock mais curtidos no Facebook (os dados foram colhidos às 12h do dia 09/04/2013 e são da rede, não meus, então reclamações e ‘mimimis’ devem ser enviados diretamente para Mark Zuckerberg, ok?):

40 Megadeth - 5.945.338
39 Oasis - 6.682.586
38 Pantera - 6.721.992
37 Pearl Jam - 6.985.120
36 Black Sabbath - 7.004.519
35 Bullet For My Valentine - 7.372.454
34 Ozzy Osbourne - 8.235.945
33 Led Zeppelin - 8.335.349
32 Kiss - 8.362.399
31 Iron Maiden - 8.539.946
30 Foo Fighters - 8.642.799
29 Disturbed - 9.247.667
28 30 Seconds to Mars - 9.478.134
27 Aerosmith - 9.637.531
26 Radiohead - 9.898.204
25 Slash - 9.996.303
24 My Chemical Romance - 10.245.387
23 Korn - 10.520.642
22 John Lennon - 10.757.850
21 The Doors - 12.074.301
20 The Rolling Stones - 12.756.137
19 Avenged Sevenfold - 13.196.423
18 U2 - 13.826.499
17 Slipknot - 13.944.570
16 Muse - 14.962.329
15 System of a Down - 15.877.907
14 Nickelback - 15.937.587
13 Queen - 18.564.820
12 Evanescence - 18.833.940
11 Maroon 5 - 19.292.991
10 Nirvana - 19.700.289
9 Bon Jovi - 20.682.007
8 Guns N’ Roses - 20.989.922
7 Pink Floyd - 21.784.135
6 AC/DC - 23.420.000
5 Coldplay - 25.883.038
4 Green Day - 28.988.827
3 Metallica - 29.844.955
2 The Beatles - 32.492.614
1 Linkin Park - 51.376.680


Por Ricardo Seelig

“Tales of Thy Spineless”, o novo clipe do Hypocrisy

terça-feira, abril 09, 2013
O Hypocrisy está não apenas de disco novo - leia o review de End of Disclosure aqui-, mas também com clipe saindo do forno. Gravado durante o show realizado pela banda em Estocolmo, capital sueca, em 22 de março passado, o vídeo documenta a fase atual da banda liderada pelo vocalista e guitarrista Peter Tägtgren.

Volume no máximo ao dar play, por favor!



Por Ricardo Seelig

Fleetwood Mac toca música inédita em show e anuncia EP

terça-feira, abril 09, 2013
Novidade para os fãs do Fleetwood Mac: a banda, que atualmente roda os Estados Unidos em shows com o quarteto clássico formado por Lindsey Buckingham (vocal e guitarra), Stevie Nicks (vocal), John McVie (baixo) e Mick Fleetwood (bateria), tocou uma canção inédita na recente passagem pelo Wells Fargo Center, na Filadélfia, no último dia 6 de abril. Agradável, cheia de melodia e com os característicos vocais divididos entre Lindsey e Nicks, "Sad Angel" tem aquele apelo pop que está no DNA do grupo.

Além disso, a banda revelou que está trabalhando em um novo EP com faixas inéditas, que deve sair, segundo os músicos, nas próximas semanas. Além de “Sad Angel”, o disco deve contar também com “Without You”, outra nova canção que o Fleetwood Mac tem apresentado em suas recentes apresentações.

Ouça as duas abaixo:


Por Ricardo Seelig

Bandas que tocarão no Rock in Rio farão shows também por todo o Brasil

terça-feira, abril 09, 2013
Quem não conseguiu ingresso para o Rock in Rio - 2,5 milhões de pessoas tentaram, mas somente 595 mil conseguiram, segundo os organizadores - pode deixar o dinheiro separado para setembro. Vários artistas farão shows também em São Paulo, e alguns até em outras cidades. John Mayer, Iron Maiden, Slayer e Rob Zombie já estão entre os confirmados.

Alguns não têm data definida para a apresentação, caso de Mayer e Zombie. Outros, como Iron Maiden, já acertaram até mesmo por quantas cidades vão passar. A lendária banda britânica fará um giro de 8 shows pela América Latina, sempre tendo o Slayer como banda de abertura. Além do Rock in Rio, o grupo se apresentará em São Paulo, Porto Alegre e Curitiba, além de Argentina, Paraguai, Chile e mais um país do continente.

Outro que deixou escapar que vem é o Bon Jovi. Durante entrevista ao Fantástico, da Globo, o vocalista Jon Bon Jovi vazou que a banda toca em São Paulo no dia 21 de setembro, na noite seguinte à apresentação no festival. O programa, exibido antes das vendas terem início, não exibiu este trecho da conversa, mas a íntegra do vídeo caiu na internet.
 
O número de artistas do Rock in Rio tocando em São Paulo deve aumentar. Há mais bandas negociando. O Metallica, que toca no festival na quinta, 19 de setembro, tem planos de se apresentar em São Paulo e Belo Horizonte. Também estão com o nome São Paulo na agenda as bandas Matchbox Twenty e Bullet For My Valentine, mas ainda dependendo de acertos finais. Há, inclusive, um leilão para conseguir o passe deste último, grupo muito pedido para shows no Brasil nas redes sociais.

Fonte: Destak Jornal

8 de abr de 2013

Queens of the Stone Age divulga música inédita e informações sobre seu novo disco

segunda-feira, abril 08, 2013
A banda norte-americana Queens of the Stone Age divulgou hoje a inédita “My God is the Sun”. A música, que havia sido executada na recente passagem do conjunto pelo Lollapalooza Brasil, fará parte do novo disco do grupo, ... Like Clockwork, com data de lançamento marcada para 3 de junho.

O sexto trabalho do quinteto liderado pelo vocalista e guitarrista Josh Homme é o sucessor de Era Vulgaris (2007) e foi produzido pela própria banda. Gravado entre agosto de 2012 e março deste ano no Burbank Studio, na Califórnia, o LP contará com 10 faixas inéditas. Ao lado de Homme estão o guitarrista Troy Van Leeuwen, o tecladista Dean Fertita e o baixista Michael Shuman, além de Dave Grohl na bateria. Na extensa lista de participações, nomes como Alex Turner (do Arctic Monkeys), Trent Reznor (Nine Inch Nails), Elton John, Mark Lanegan e o ex-baixista Nick Oliveri.

Confira abaixo o tracklist de ... Like Clockwork, e depois escute a inédita “My God is the Sun”:

1 Keep Your Eyes Peeled
2 I Sat by the Ocean
3 The Vampyre of Time and Memory
4 If I Had a Tail
5 My God os the Sun
6 Kalopsia
7 Fairweather Friends
8 Smooth Sailing
9 I Appera Missing
10 ... Like Clockwork



Por Ricardo Seelig

Ghost: crítica de Infestissumam (2013)

segunda-feira, abril 08, 2013
O heavy metal sempre foi teatral. Causa mais impacto uma melodia tétrica, um arranjo sombrio, do que uma sonoridade extremamente agressiva e violenta. Essa lição foi ensinada lá na gênese do gênero, quando o Black Sabbath lançou o seu primeiro disco na sexta-feira, 13 de fevereiro de 1970. No entanto, apesar de óbvio, este ensinamento foi se perdendo com o tempo. Com guitarras cada vez mais pesadas, vocais cada vez mais guturais (e muitas vezes inaudíveis) e andamentos que beiram a velocidade da luz, o metal aproxima-se, muitas vezes, a uma caricatura de si mesmo.

Esse olhar para o passado, essa retomada a algo óbvio e sempre eficaz, talvez seja o grande mérito da banda sueca Ghost - agora Ghost B.C., devido a problemas sobre o nome no mercado norte-americano. O disco de estreia do grupo, Opus Eponymous, lançado no final de 2010, chamou a atenção por apresentar um sopro de renovação na música pesada ao, por mais contraditório que isso possa parecer em um primeiro momento, buscar nas raízes do estilo a sua inspiração. E o resultado foi além do esperado, com os mascarados liderados pelo vocalista Papa Emeritus sendo aclamados pela crítica, pelos fãs e pelos próprios artistas, com ícones como James Hetfield e Phil Anselmo desfilando com camisetas da banda e dando declarações exaltando a sua música.

O fato é que o Ghost B.C. é um fenômeno como há tempos não se via no heavy metal. O grupo está a beira do estrelato, a um passo de se tornar gigante, um fenômeno com imenso potencial para se tornar um ícone pop, com a sua imagem sendo estampada em milhares de produtos, de camisetas a capas para celulares (Gene Simmons que se cuide!).

Porém, independentemente disso, o que vem em primeiro lugar é a música, e ela segue sendo única. Infestissumam, que em latim significa “hostil”, é o segundo álbum da banda e foi produzido por Nick Raskulinecz (Foo Fighters, Rush, Stone Sour, Trivium). Além disso, marca a estreia do grupo pela Loma Vista, braço da Universal, que pagou US$ 750 mil pelo passe da banda. Mais sombrio e teatral que Opus Eponymous, Infestissumam traz o Ghost B.C. explorando uma gama maior de influências e encontrando a sua personalidade.

Em primeiro lugar, é preciso fugir das definições simplistas que permeiam o sexteto. Não há nada de Mercyful Fate aqui, por exemplo, assim como não havia no disco de estreia - a não ser que você considere que o grupo tem influência dos dinamarqueses pelo simples fato de o timbre de voz de Papa Emeritus ser agudo como o de King Diamond. Uma das bases da música do Ghotst B.C., como ficou claro em Opus Eponymous, é o Blue Öyster Cult, e em Infestissumam essa característica permanece, porém adornada com outros elementos muito bem encaixados, que vão do psicodelismo ao hard rock, passando pelo AOR e até mesmo pelo pop.

Em relação à estreia, o aspecto melódico foi explorado com mais profundidade, expandindo a característica teatral das composições. E o contraste entre melodias agradáveis e letras repletas de menções ao satanismo continua sendo o toque de mestre, com a banda construindo embalagens atraentes para um discurso repugnante para a maioria.

Outro ponto que merece destaque é a amplitude de influências que estão presentes em Infestissumam. Um certo tempero glam pode ser sentido em “Jigolo Har Megiddo”, enquanto em “Idolatrine” a sonoridade se aproxima do AOR, tornando a letra declamada ainda mais eficaz.

Três canções formam a espinha dorsal de Infestissumam e se destacam das demais. A impressionante “Ghuleh / Zombie Queen” é a prova definitiva do imenso talento dos mascarados, indo de uma balada atmosférica para um andamento que remete à surf music, tudo embalado por coros muito bem construídos. Ela soa como se o Goldfrapp encontrasse o Cramps - e acredite, o resultado é espetacular.

Na sequência, “Year Zero” inscreve-se fácil entre as melhores músicas já gravadas pelo grupo, iniciando com um coro macabro que transporta o ouvinte para algum ritual perdido no tempo. Com um arranjo inteligente e andamento moderado, tem batidas que nos levam à disco music e um teclado muito bem tocado. E, por último, “Monstrance Clock”, faixa que encerra o disco de maneira magnífica com uma narrativa dramática e um coro antológico.

No meio do caminho, surpresas como a valsa “Secular Haze” e “Body and Blood”, que soa como um cântico milenar retrabalhado para o nosso tempo.

Fascinante e às vezes estranho, Infestissumam mostra o Ghost B.C. como uma clara visão do que quer produzir, tanto musical quanto artisticamente. A banda apurou a sua identidade, que já era única, e a tornou ainda mais singular.

Um casamento profano entre o heavy metal, o pop e o hard rock, Infestissumam prova que o Ghost B.C. está longe de ser obra do acaso.

Um dos discos do ano!

Nota 9
 


Faixas
1 Infestissumam
2 Per Aspera Ad Inferi
3 Secular Haze
4 Jogolo Har Megiddo
5 Ghuleh / Zombie Queen
6 Year Zero
7 Body and Blood
8 Idolatrine
9 Depth of Satan’s Eyes
10 Monstrance Clock

Por Ricardo Seelig

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