10 de mai de 2013

Spiritual Beggars: Crítica de Earth Blues (2013)

sexta-feira, maio 10, 2013

Apesar de ainda ser considerado o projeto paralelo do guitarrista Michael Amott, a verdade é que o Spiritual Beggars surgiu como um projeto do inglês logo após a sua saída do Carcass, chegando a lançar o álbum de estreia, auto-intitulado, dois anos antes da primeira demo do Arch Enemy. Porém, com a crescente popularidade do melodic death metal sueco na época, o Spiritual Beggars evidentemente acabou sendo deixado um pouco de lado, com novos trabalhos apenas nos intervalos na rotina de Amott – que não devem ter sido poucos, afinal de contas, são seis discos entre Another Way To Shine, de 1996, e Return To Zero, de 2010.

E em 2013, com mais uma aparente pausa do Arch Enemy após a turnê do preguiçoso Khaos Legions e da saída (mais uma) de Christopher Amott da banda, o “projeto paralelo” retoma os trabalhos dando continuidade ao que foi iniciado no álbum anterior, mas explorando novos caminhos agora em Earth Blues, seu oitavo disco de estúdio, novamente sendo lançado pela InsideOut Music.

E a faixa de abertura, "Wise As A Serpent", com sua excessiva simplicidade nos riffs ao longo de quase três minutos, já faz justiça ao título do álbum, trazendo uma veia blues ainda mais forte na sonoridade do Spiritual Beggars. Esse direcionamento permanece em "Turn The Tide", aonde a estrutura e a produção mais empoeirada, bem diferente do esquema polido dos últimos álbuns, chega a lembrar razoavelmente os momentos mais pesados do Rival Sons. Extremamente melódica, a semi-balada "Sweet Magic Pain" traz um notável trabalho do tecladista Per Wiberg, e aparenta ter saído direto de algum registro perdido de hard rock com tendências psicodélicas da década de setenta.

Aliás, seria irrelevante dizer que os suecos buscaram as mais obscuras influências daquela década para construir a miscelânea de inspirações em Earth Blues, e "Hello Sorrow" consegue mesclar uma forte inspiração no som do Rainbow com aquelas melodias características das guitarras de Ammot, algo que ele não vinha fazendo de forma memorável há algum tempo, no Arch Enemy. "One Man’s Curse" vai um pouco mais longe e traz alguns toques de rock progressivo ao característico stoner, com interessantes mudanças de andamento e linhas de órgão como guia principal da faixa, enquanto "Dreamer" invariavelmente soa de forma incômoda como Ronnie James Dio (não que isso signifique algo negativo).

Com um diferenciado groove e um trabalho de percussão quase latino, "Too Old To Die Young" atravessa por caminhos funkeados e um etéreo interlúdio progressivo até o encerramento típico do mais psicodélico hard rock. Mais simplistas, "Kingmaker" segue ritmos mais cadenciados, enquanto "Road to Madness" soa como um dos primeiros protótipos do que viria a ser o heavy metal, novamente com notável trabalho de Wiberg em ambas as faixas. Mais como um pegajoso interlúdio, a curta "Dead End Town" funciona como uma preparação para "Freedom Song", música bem básica e com clássicas estruturas, mas que mantém o nível do disco exatamente aonde deve estar. Com bem pensadas mudanças de andamento, que culminam em uma sonoridade épica, "Legends Collapse" cumpre a sua responsabilidade de encerrar essa verdadeira ode aos empoeirados anos setenta que é Earth Blues.

E em meio às várias bandas que seguem proposta semelhante, o resultado que o Spiritual Beggars oferece é realmente singular, exatamente por contar com músicos e compositores com identidades muito características. Sim, de fato eles estão na tendência dos últimos anos e apenas reciclam os conceitos de décadas atrás, com a mesma produção rústica, porém, de alguma forma, as composições soam ricas em detalhes, por uma banda experiente e livre de algumas limitações (não necessariamente técnicas) que os novos nomes invariavelmente acabam apresentando nos primeiros registros.

Facilmente um dos trabalhos mais consistentes e equilibrados da carreira do Spiritual Beggars, com músicas que soam como alguns dos momentos mais inspirados na carreira de seus membros. E conhecendo o currículo de cada um deles, isso conta. E muito.

Nota 8,5


Faixas:
1. Wise As A Serpent
2. Turn The Tide
3. Sweet Magic Pain
4. Hello Sorrow
5. One Man’s Curse
6. Dreamer
7. Too Old To Die Young
8. Kingmaker
9. Road to Madness
10. Dead End Town
11. Freedom Song
12. Legends Collapse

Por Rodrigo Carvalho (Progcast)

Paul McCartney, Harold e os grilos de Goiânia

sexta-feira, maio 10, 2013

O show de Paul McCartney em Goiânia no último dia 6 de maio continua rendendo. Enquanto a banda tocava, o palco foi invadido por um enxame de grilos. Porém, do alto de sua experiência, o Beatle soube contornar e levar a situação com bom humor.

Depois de postar fotos nas suas redes sociais, agora Paul publicou um vídeo com um pequeno trecho de “The Long and Winding Road”, onde se diverte com os insetos e até apresenta um deles para a plateia.

Gênio é isso.



Por Ricardo Seelig

Collectors Room Apresenta: Deap Vally

sexta-feira, maio 10, 2013

Dica do veterano jornalista inglês Geoff Barton, da Classic Rock Magazine: com vocês, o power duo feminino Deap Vally. A banda é formada por duas garotas de Los Angeles, Lindsey Troy (vocal e guitarra) e Julie Edwards (bateria).

A dupla se classifica como “um encontro entre o White Stripes e o Led Zeppelin”, porém, pessoalmente, a faixa “Baby I Call Hell”, novo single das meninas, me lembrou a saudosa Suzi Quatro.

O primeiro disco do Deap Vally, intitulado Sistrionix, sai no próximo dia 24 de junho. Depois disso, se você estiver dando um giro pelo Reino Unido, a dupla se apresenta nos festivais de Reading e Leeds, em agosto.

Abaixo, alguns vídeos pra você conhecer o som do Deap Vally:


Por Ricardo Seelig

Assista “C’mon Take On Me”, o novo clipe do Hardcore Superstar

sexta-feira, maio 10, 2013

Já consolidada como a atual meca do hard rock, a Suécia segue brindando os fãs do gênero com ótimas bandas. Um dos principais nomes do estilo no país, o Hardcore Superstar leva a Sunset Boulevard para Gotemburgo com o seu novo clipe, “C’mon Take On Me”, faixa-título do novo (e autointitulado) trabalho da banda.

O nono álbum do grupo foi lançado em 27 de fevereiro passado e teve produção de Randy Staub (Metallica, Bon Jovi, Nickelback).



Por Ricardo Seelig

Cannibal Corpse, Napalm Death e Immolation na Decibel Magazine Tour, que começa nesta sexta

sexta-feira, maio 10, 2013
Começa nesta sexta-feira (10) em Houston, Texas, a Decibel Magazine Tour 2013, segunda edição da turnê itinerante promovida pela revista norte-americana Decibel. Neste ano, as portas do inferno se abrem para o death metal com três headliners gigantes e expoentes do gênero: Cannibal Corpse, Napalm Death e Immolation.

A Decibel Maganize Tour funciona como uma espécie de mini-festival e convidados como Magrudergrind, Cretin e Beyond Creation também cairão na estrada, ficando resposáveis pelos shows de abertura. As seis bandas cruzarão os Estados Unidos entre os dias 10 de maio e 12 junho. Ao todo, serão 29 shows em apenas 33 míseras noites. Haja pescoço!

Abaixo, o teaser e as datas do festival:




Por Guilherme Gonçalves

9 de mai de 2013

Rhino Records anuncia box set com 10 discos do ZZ Top (todos com a mixagem original)

quinta-feira, maio 09, 2013

Quando o CD surgiu e tomou conta do mercado, substituindo os discos de vinil, uma das ideias mais estúpidas das gravadoras foi relançar alguns títulos com novas remasterizações substituindo as originais. Entre as mais notórias vítimas dessa iniciativa estavam os primeiros álbuns do ZZ Top, que tiveram a empoeirada sonoridade original substituída pelos timbres saturados e eletrônicos tão em voga no final da década de 1980 e início da de 1990.

Agora, finalmente, essa questão foi resolvida. A Rhino lançará no próximo dia 10 de junho o box The Complete Studio Albums 1970-1990, com os 10 álbuns gravados pelo trio no período em questão. O pacote inclui os discos ZZ Top’s First Album (1971), Rio Grande Mud (1972), Tres Hombres (1973), Fandango! (1975), Tejas (1976), Degüello (1979), El Loco (1981), Eliminator (1983), Afterburner (1985) e Recycler (1990). Todos tiveram sua mixagens originais mantidas, para alívio dos fãs. Esta também é a primeira vez que ZZ Top’s First Album, Rio Grande Mud e Tejas ganham edições em CD com as mixagens originais. Os tracklists também seguem o antigo alinhamento, sem faixas extras.


Por Ricardo Seelig

Especial: 7 canções para Jeff Hanneman

quinta-feira, maio 09, 2013

Apesar dos problemas de saúde decorrentes da picada de aranha que o obrigou a ficar afastado do Slayer nos últimos anos, a morte de Jeff Hanneman, há sete dias, pegou a todos de surpresa. Ainda novo, lutando para voltar a tocar e tendo muito a fazer, Jeffrey John Hanneman partiu aos 49 anos deixando um imenso legado.

Natural de Oakland, California, Jeff levou consigo os méritos de ser fundador de uma banda ímpar no heavy metal. Com o Slayer, gerou uma discografia praticamente imaculável e fundou, ao lado de Metallica, Exodus e outras poucas bandas, o thrash metal que varreu a década de 80. Pavimentou uma sonoridade mais extrema, que seria pilar também do death e do black metal. Além disso, - e talvez seja esse seu maior mérito -, atingiu níveis de agressividade até então impensáveis quando agregou ao metal elementos do punk/hardcore em uma época em que os dois gêneros eram equivocadamente vistos de forma dissociada.

A morte de uma cara como Jeff Hanneman não pode passar em branco. É preciso saudar a obra de um dos músicos mais influentes de sua geração, ainda que sua produção esteja em um nicho bastante específico. Na Collectors Room, todos têm profundo respeito pela obra de Jeff. É por isso que novamente fazemos um post especial, a seis mãos, no qual Guilherme Gonçalves, Rodrigo Carvalho e Rodrigo Simas tecem comentários sobre Jeff e Slayer por meio de uma música especial para cada um. A elas, foram acrescentadas outras quatro que moldaram a música praticada pela banda e que julgamos sintetizar sua obra.

E pra você? Qual música do Slayer tem sabor especial? Participe com seu comentário.

Guilherme Gonçalves - "Evil Has No Boundaries"

Ouvi Slayer pela primeira vez no fim dos anos 90. Um fitinha k7 com Reign In Blood gravado a partir do disco de algum amigo. A impressão não poderia ser outra: que banda animal! Ninguém jamais conseguiria fazer algo sequer parecido. Porém, como na época não tinha nem dez anos, pensei que logo descobriria vários exemplos daquele som que saía do aparelho como um coquetel molotov de riffs perfeitos, distribuindo insultos e raiva de espírito. Ledo engano. Passaram-se quase 15 anos, hoje tenho 23, e ainda não há nada similar. Apesar de Reign In Blood ser, indiscutivelmente, o suprassumo quando o assunto é Slayer, fico com uma música do Show No Mercy, que é NWOBHM puro e, alguns anos depois, foi o primeiro que realmente comprei e pude vivenciar aquele ritual de abrir o disco, ver o encarte, acompanhar as letras e sentir a veia fervendo. "Evil Has No Boundaries", com Hanneman riffando alucinado e Tom Araya personificando a desgraça, é imbatível.



Rodrigo Carvalho - "Playing With Dolls"

Não vou mentir e dizer que sempre fui um grande fã do Slayer, desde que comecei a ouvir. Muito pelo contrário, aliás, foram anos até acostumar com o extremismo de seus discos e passar a gostar da sua música (apesar de continuar ignorando solenemente o Show No Mercy e, admito que foi apenas com o caos sonoro de World Painted Blood, de 2009, que tive a vontade de explorar a fundo toda a discografia. Sendo assim, nada mais justo que escolher “Playing With Dolls”, uma música desse que pode ser o último álbum da carreira do Slayer, composta por Hanneman e que foge ligeiramente do padrão da banda, com indecifráveis mudanças de andamento, trechos arrastados e uma letra terrivelmente psicológica.



Rodrigo Simas - "Seasons In The Abyss"

É um pouco surreal ler que um músico que você ouviu pela sua vida inteira morreu. Sempre achei que me acharia velho quando meus ídolos de adolescência começassem a falecer, mas que seria o curso natural da vida e ela mesmo se encarregaria de seguir pra frente, com nossas rotinas demandando mais um dia trabalho. Não é bem assim. Como muitos da minha geração, conheci o Slayer com o clipe de "Seasons In The Abyss" que - pasmem - passava sempre nos idos tempos da MTV. Anos após anos acompanhei a carreira da banda, às vezes mais atento, outras mais distante, mas sempre com um profundo respeito pelo que eles representam. Ouvindo sua música mais uma vez e com tantas - boas - recordações que ela me traz, descobri que estava completamente enganado: me sinto muito mais jovem. Obrigado Jeff Hanneman, vá em paz.



A espinha dorsal da sonoridade do Slayer









Por Guilherme Gonçalves, Rodrigo Carvalho e Rodrigo Simas

Assista “Uniformity”, o novo clipe do Dark Tranquillity

quinta-feira, maio 09, 2013

Com data de lançamento marcada para o próximo dia 27 de maio, Construct, novo álbum da banda sueca Dark Tranquillity, recebeu mais um vídeo de divulgação. Gravado em 13 de abril e dirigido por Patric Ullaeus, o clipe da faixa “Uniformity” mostra a banda cercada de efeitos especiais sutis e muito bem feitos.

Assista abaixo:



Por Ricardo Seelig

Rival Sons nos estúdios da Gibson em Londres

quinta-feira, maio 09, 2013

Calma, o Rival Sons ainda não está gravando um novo disco. Em abril, os californianos cruzaram o Atlântico e estiveram em Londres para uma sessão da Last.fm nos estúdios da Gibson. Além de entrevista e fotos exclusivas, a banda gravou performances acústicas para duas das melhores faixas do álbum Head Down (2012): "Keep On Swinging" e "Jordan".

Divulgadas recentemente, ambas ficaram bem interessantes, mostrando porquê o Rival Sons possui grande repercussão mundial. Destaque para "Jordan", que foge um pouco da influência zeppeliana e busca no Free e nos vocais de Paul Rodgers sua grande referência.

Assista!


Por Guilherme Gonçalves

8 de mai de 2013

Immolation toca a inédita "All That Awaits Us" e homenageia Jeff Hanneman no Neurotic Deathfest

quarta-feira, maio 08, 2013

A menos de uma semana do lançamento de Kingdom Of Conspiracy, seu nono álbum de estúdio, o Immolation se apresentou no Neurotic Deathfest, na Holanda, e aproveitou a ocasião para debutar a inédita "All That Awaits Us", bem como homenagear Jeff Hanneman, guitarrista do Slayer, falecido em 2 de maio por insuficiência hepática.

O pronunciamento ficou a cargo do baixista e vocalista Ross Dolan e pode ser lido abaixo:

"Gostaria de mencionar rapidamente o falecimento de uma verdadeira lenda do metal: Jeff Hanneman, 49 anos. Que perda triste e irreparável para a cena. Imagino que, provavelmente, cada um de vocês aqui hoje seja um fã fanático do Slayer, assim como nós do Immolation.

Slayer é a banda que nós crescemos ouvindo. Lembro de assistí-los em 1985 na turnê do Hell Awaits e, ao longo dos anos, sempre que via aqueles filhos da puta, eles eram devastadores e colocavam o local abaixo. Então, gostaria de mencionar o falecimento dessa lenda, Jeff Hanneman. Lembrem-se sempre desse desgraçado!"

A atitude, mais do que bem vinda, guarda também algumas curiosidades interessantes. O título da nova música, "All That Awaits Us", remete diretamente ao álbum Hell Awaits (1985), mencionado por Ross e que, não contente em ser uma obra-prima com fim em si mesmo, é apontado ainda como um dos embriões do que viria a ser o death metal.

Basta ouvirmos "At Dawn The Sleep" para rapidamente concluir onde estão os preceitos básicos do death e de onde veio a influência para Possessed, Death, Morbid Angel, Deicide e todas as demais bandas que o pavimentaram. A última curiosidade? Nada melhor que tal coincidência tenha acontecido justamente no Neurotic Deathfest, voltado exclusivamente para o gênero e considerado o maior festival indoor de música extrema na Europa.

A edição 2013 do festival aconteceu no último fim de semana na cidade de Tilburg e, além do Immolation, recebeu nomes clássicos como Carcass, Possessed, Vader, Repulsion, Unleashed, Exhumed, Decapitated, Incantation, Necrophagia e Centurian.

Assista à homenagem e conheça também a nova música do Immolation!


Por Guilherme Gonçalves

Deep Purple: crítica de NOW What?! (2013)

quarta-feira, maio 08, 2013

É interessante acompanhar o que acontece com uma banda como o Deep Purple, literalmente há décadas na estrada. Formada em 1968 na cidade de Hertford, Inglaterra, o lendário grupo lançou recentemente seu décimo-nono disco de estúdio, ironicamente batizado de NOW What?!.

Como ocorre com outros ícones que teimam em não encerrar as suas atividades (como é o caso de nomes como Rolling Stones e The Who, só para ficar em dois exemplos), ao ouvir um novo álbum do Deep Purple é preciso deixar o passado de lado e concentrar-se no presente. Evidentemente não temos aqui a energia exuberante dos anos dourados, bem como a criatividade sem limites que levou a banda ao topo. Em seu lugar surge a experiência e a maturidade. A idade avançada dos músicos - Ian Gillan e Roger Glover beirando os 68 anos, Ian Paice e Don Airey do alto dos 65 e o caçula Steve Morse com 59 -, ao mesmo tempo em que naturalmente impõe algumas limitações, compensa esse aspecto com a enorme trajetória acumulada.

Produzido por Bob Ezrin, NOW What?! surpreende por trazer uma sonoridade refrescante, que cativa pela espontaneidade e pela sempre bem-vinda aura própria que o grupo construiu ao longo dos anos. Não há a sensação de estarmos ouvindo um trabalho feito apenas para cumprir tabela, muito pelo contrário: fica evidente a paixão, o envolvimento e o comprometimento com que o quinteto gravou o disco. E isso, em se tratanto de uma banda que está na ativa há 45 anos e já nos brindou com as suas obras-primas indiscutíveis, é um elogio sincero e um convite à diversão.

O Deep Purple não faz mais música para adolescentes, para jovens que estão descobrindo o rock nesse exato momento. Para eles, Machine Head (1972) e Burn (1974)  seguirão sendo as Pedras de Roseta. O Purple de 2013 faz música para, primeiramente, cinco pessoas: Ian, Roger, Paice, Don e Steve. E, por consequência, para quem acompanha o conjunto há um longo período e, assim como os próprios músicos, também amadureceu, ficou mais velho, perdeu cabelos, ganhou peso e segue apaixonado pelo rock.

Primeiro disco de inéditas em 8 anos, desde Rapture of the Deep (2005), NOW What?! é claramente superior aos últimos trabalhos, incluindo na conta também Bananas (2003) e Abandon (1998). Pode-se até afirmar, sem cometer exageros, que trata-se do melhor álbum do Deep Purple com Steve Morse desde a estreia do guitarrista na banda, em Purpendicular (1996). E o ponto-chave para essa certeza é improvável e atende pelo nome de Don Airey. Improvável porque Airey, na banda desde 2002, brilha em NOW What?! como nunca brilhou antes, imprimindo o seu toque pessoal à música do Purple, construindo essa identidade sobre o irretocável passado pintado com primazia pelo imortal Jon Lord. Airey respeita o legado de Lord, mas pela primeira vez não fica preso a ele, indo além com grande talento.

Há em NOW What?! uma sólida coleção de faixas que, entretanto, exigem que o ouvinte esteja na mesma sintonia da banda. É preciso ter claro que você não irá ouvir aqui uma nova “Smoke on the Water”, uma nova “Mistreated”, uma nova “Child in Time”. Isso já foi feito. A sonoridade que chega aos ouvidos em NOW What?! é rica e cativante, com pequenos toques e elementos de vários estilos e histórias, diversas experiências e timbres que só poderiam vir ao mundo justamente por uma banda com músicos tão rodados e calejados como os do Purple.

Gillan canta com muito bom gosto, sabendo usar a sua voz com sabedoria. Paice segue sendo um monstro na bateria. Glover mantém o groove sempre pulsando. Morse entra na jogada com riffs inspirados, enquanto Airey, como já dito, é o grande destaque, com solos que hipnotizam e intervenções sempre certeiras.

Eu não esperava, a essa altura não só da minha vida, mas sobretudo da vida dos integrantes do Purple, ouvir um disco como NOW What?!. Ponto para a banda, que mostra que, apesar da eterna reclamação dos saudosistas, ainda tem o que mostrar e está longe de se aposentar. Por mais que queira evitar o clichê, aqui ele se faz mais do que adequado: como um bom vinho, o Purple segue mantendo a sua qualidade mesmo com o passar dos anos.

Nota 7
 


Faixas:
1 A Simple Song
2 Weirdistan
3 Out of Hand
4 Hell to Pay
5 Body Line
6 Above and Beyond
7 Blood from a Stone
8 Uncommon Man
9 Après vous
10 All the Time in the World
11 Vincent Price

Por Ricardo Seelig

Crítica do filme Somos Tão Jovens (2013)

quarta-feira, maio 08, 2013

Somos Tão Jovens, filme de Antônio Carlos da Fontoura (No Meio da Rua, Gatão de Meia Idade, Uma Aventura do Zico) sobre Renato Russo, provavelmente causará reações adversas nos espectadores. Uma parcela, formada por pessoas hoje na faixa dos 30 e 40 anos e que viveram a sua adolescência durante a década de 1980, terão uma enorme empatia com a história devido ao forte apelo emocional, sentimental e nostálgico que ela provoca. Já os mais novos talvez não sintam essa ligação de maneira tão forte, e ela é essencial para que o impacto do filme seja digerido em sua totalidade.

O roteiro se baseia na vida de Renato Russo entre 1975 e 1985, período em que o músico se aprofundou no rock e na literatura, formou o Aborto Elétrico, viveu o seu período de trovador solitário e, por fim, montou a Legião Urbana. Vivido com autenticidade e perfeição por Thiago Mendonça (o Luciano de 2 Filhos de Francisco), o Renato mostrado em Somos Tão Jovens é movido por sonhos e está ainda se descobrindo, tanto no aspecto musical quanto na própria vida. Vale mencionar que todas as músicas apresentadas no filme foram cantadas pelo próprio Mendonça, que fez um trabalho exemplar e possui um timbre bastante semelhante ao de Russo.

Ainda que, de modo geral, Somos Tão Jovens seja feito de inúmeros acertos, alguns pontos negativos chamam a atenção. Marcos Breda está péssimo como o pai do vocalista. Há a clara intenção de romantizar a figura do artista “trágico” e “autodestrutivo”, objetivo esse que às vezes soa forçado e desnecessário. E a interpretação de Edu Moraes como Herbert Viana é forçadíssima e caricata, parecendo mais um personagem de programa humorístico do que uma homenagem. Mas, fora esses pontos, o que temos é um retrato honesto e repleto de autenticidade sobre o músico que, goste-se ou não, foi a principal figura surgida no rock brasileiro da década de 1980.

O início da carreira de Renato Russo e a criação do Aborto Elétrico ao lado de Fê Lemos e André Pretorius - depois substituído por Flávio Lemos - é especialmente educativa e didática ao lançar um olhar histórico sobre uma das formações mais importantes e influentes já surgidas no rock BR, ao lado da Plebe Rude a base sobre a qual toda a cena de Brasília se formou, se sustentou e se alimentou durante décadas - no caso do Capital Inicial, até hoje.

Além de Thiago Mendonça, o outro destaque de Somos Tão Jovens é a atriz Laila Zaid, que vive a personagem Ana Cláudia, amiga e personificação das várias figuras femininas que marcaram a vida do cantor. O simpático Ibsem Perucci compõe um Dinho Ouro Preto pra lá de convincente, enquanto Bruno Torres serve de antagonista a Mendonça com o seu forte Fê Lemos. Uma curiosidade é a participação de Nicolau Villa-Lobos interpretando seu pai, Dado, quando jovem, além de Philippe Seabra, da Plebe, como o prefeito de Patos de Minas, cidade onde a Legião fez o seu primeiro show.

Somos Tão Jovens é um filme divertido, emocionante e correto. No meu caso, serviu para reacender o interesse pela Legião Urbana, banda que não escuto há anos e cujas letras ganharam um sentido totalmente novo agora que estou na vida adulta.

Seja qual for a sua idade, Somos Tão Jovens vale o ingresso e garante uma ótima sessão de cinema.


Nota 7

Por Ricardo Selig

Paul McCartney (Estádio Serra Dourada, Goiânia, 06/05/2013)

quarta-feira, maio 08, 2013

A sensação de sair de casa e caminhar alguns poucos metros para assistir ao espetáculo protagonizado por Paul McCartney é incrível. Por cerca de 15 minutos, vivi esse privilégio e aproveitei para tentar mensurar quão especial seria tal experiência. Evidentemente, nem todos que estiveram no Serra Dourada percorreram trajeto tão curto e tranquilo. Porém, certamente cada um dos mais de 40 mil indivíduos que pisaram no gramado ou no concreto do estádio, palco da primeira apresentação do beatle em Goiânia, se dirigiram até o local com a certeza de que dificilmente conseguiriam esquecer o que estava por vir.

Segunda-feira, um dia comum e banal. Paul McCartney, um fenômeno para além do que se entende por música. A combinação parece não ter equilíbrio e gera contraste. Logo se entende, no entanto, que se reside justamente aí o encanto de alguém tão ímpar. Alguém que extrapola as limitações de seus 70 anos e que contabiliza mais de 50 deles transformando dias e instantes ordinários em dias e instantes indeléveis.

Só o velho Macca já abre o show com o público na mão mesmo quando o panorama detectado até então é de trânsito caótico nos arredores, desorganização, filas homéricas do lado de fora e atraso de trinta minutos no início do show. Pra felicidade dos (des)organizadores e produtores em geral, ninguém em sã consciência resiste aos acordes singelos que dão início a "Eight Days A Week".


Somente o velho Macca mantém a pegada e o nível da apresentação lá no topo ainda que intercalando canções de duas bandas distintas. Nas seis primeiras, o que se vê é um empate entre Beatles e Wings. Três para o Fab Four - "Eight Days A Week", "All My Loving" e "Paperback Writer" - e três para a banda que Paul formou com Linda, sua primeira esposa, e Denny Laine em 1971: "Junior's Farm", "Listen To What The Man Said" e "Let Me Roll It". Até então, vantagem para os garotos de Liverpool só no quesito "recepção junto ao público".

Só o velho Macca seria capaz de driblar o imprevisível e, no imprevisto de um insistente gafanhoto, fazer do incômodo o belo e o improvável. Harold, nome que ganhou um dos inúmeros insetos que teimaram pousar no ombro, no braço e no piano de Paul, apareceu já na sétima música, "My Valentine" que, de aparentemente insossa em estúdio e forte candidata a anticlímax do show, se mostrou na verdade um dos momentos mais mágicos.

Somente gente como o velho Macca pode se dar ao luxo de incluir no setlist cinco músicas dos Beatles raríssimas ou inéditas ao vivo. Ou então uma canção como "Nineteen Hundred And Eighty Five", que não é nenhum hit arrasa-quarteirão, mas faz todo mundo dançar desde 1973 e, quase dez anos antes, definiu praticamente 90% da sonoridade que tomaria de assalto a década de 80. Só com o piano, ele vai muito além de onde mil sintetizadores e toda a parafernália eletrônica da disco music jamais chegaram. Em seguida, cabe a "The Long And Winding Road", "Maybe I'm Amazed" e "Hope Of Deliverance" formarem uma das tríades mais emocionantes de toda a apresentação.


Mas, afinal, quem é como o velho Macca? Somente o próprio Paul poderia responder e ele o faz. Obviamente, por meio de duas obras que resgatam seus semelhantes entre os imortais. "Ao meu amigo John" e "ao meu amigo George" são as senhas para "Here Today" e "Something", intercaladas por outras seis músicas, mas que estão diretamente conectadas entre si por um dos sentimentos mais bonitos: o amor de amigo.

O fim da primeira parte do show se aproxima, mas o repertório de grandes canções só aumenta. "Band On The Run" é simplesmente acachapante. "Back In The U.S.S.R.", mais vigorosa, parece ganhar outra cara ao vivo. E eis que, após "Let It Be", utilizada como uma espécie de interlúdio, "Live And Let Die" incendeia o estádio com seu show pirotécnico. Muita luz e muita explosão pra se sentir vivo e deixar morrer (de inveja ou arrependimento) quem não teve a oportunidade de ver isso de perto. "Hey Jude" mantém as luzes, mas agora vindas das câmeras e celulares que assumem a antiga função dos isqueiros.

No bis duplo, apenas Beatles. Faltou pouco para completar três horas de show e, se alguém ainda mantinha dúvidas de que Paul McCartney é o maior compositor da história do rock e o maior artista vivo em meio a qualquer tipo de expressão artística, ambas foram sanadas neste momento. E ele sequer precisou utilizar sua principal arma: "A Day In The Life".


Setlist

Eight Days A Week
Junior’s Farm
All My Loving
Listen To What The Man Said
Let Me Roll It
Paperback Writer
My Valentine
Nineteen Hundred and Eighty-Five
The Long and Winding Road
Maybe I’m Amazed
Hope of Deliverance
We Can Work It Out
Another Day
And I Love Her
Blackbird
Here Today
Your Mother Should Know
Lady Madonna
All Together Now
Mrs. Vandebilt
Eleanor Rigby
Being for the Benefit of Mr. Kite!
Something
Ob-La-Di, Ob-La-Da
Band on the Run
Hi, Hi, Hi
Back in the U.S.S.R.
Let It Be
Live And Let Die
Hey Jude

Bis

Day Tripper
Lovely Rita
Get Back

Bis 2

Yesterday
Helter Skelter
Golden Slumbers
Carry That Weight
The End

Banda

Paul McCartney (vocal, guitarra, violão, baixo, piano e ukelele)
Brian Ray (baixo e guitarra)Rusty Anderson (guitarra)
Abe Laboriel Jr. (bateria)
Paul ‘Wix’ Wickens (teclados)

Por Guilherme Gonçalves

7 de mai de 2013

Assista "Metal Machine", o novo clipe do U.D.O.

terça-feira, maio 07, 2013

O U.D.O. lançou um videoclipe para divulgar o primeiro single de seu novo álbum de estúdio, Steelhammer, sucessor de Rev-Raptor (lançado em 2011).

No vídeo de "Metal Machine", o grupo liderado por Udo Dirkschneider (ex-frontman do Accept) aparece tocando no convés de um navio de guerra. Assista abaixo.



Nesse meio tempo a banda ainda lançou Celebrator, disco duplo com raridades e versões alternativas de alguns de seus clássicos. Já Steelhammer sai no próximo dia 24 de maio.

Tracklist de Steelhammer:

1- Steelhammer
2 - A Cry Of A Nation
3 - Metal Machine
4 - Basta Ya
5 - Heavy Rain
6 - Devil's Bite
7 - Death Ride
8 - King Of Mean
9 - Time Keeper
10 - Never Cross My Way
11 - Take My Medicine
12 - Shadows Come Alive *
13 - Stay True
14 - When Love Becomes A Lie
15 - Book Of Faith
16 - Dust And Rust **

* Versão DigiPak
** Bônus da edição japonesa

Por Nelson Junior

6 de mai de 2013

Sepultura pede ajuda dos fãs para financiar documentário

segunda-feira, maio 06, 2013


O Sepultura está pedindo a colaboração de seus fãs para financiar um documentário que está sendo produzido sobre a história da banda. O projeto conta com a direção do cineasta Otavio Juliano, que acompanhou o grupo nos últimos 3 anos registrando momentos chave como a gravação de seu disco de estúdio mais recente, Kairos, lançado em 2011.

A banda pretende arrecadar pelo menos US$ 1 milhão com a ajuda dos fãs, de admiradores do heavy metal e de quem mais quiser colaborar com a ideia. As doações podem ser feitas na página do Kickstarter, site de arrecadação de fundos para financiar projetos criativos que vão da arte a tecnologia.

O dinheiro servirá para cobrir despesas de viagens para filmagem de entrevistas, pós-produção e distribuição nacional e internacional. “Há muito preconceito contra o heavy metal e muita gente com cabeça fechada que tem medo de investir. Por isso vamos às pessoas que não tem medo”, diz o vocalista Derrick Green, no vídeo promocional da campanha que você assiste abaixo.

A produtora Interface Filmes já investiu os primeiros US$ 100 mil. O restante deve vir dos fãs, que tem até o próximo dia 29 de maio para fazer a sua contribuição. A banda avisa que se a arrecadação ultrapassar a meta parte do filme poderá ser rodado em 3D.

O Sepultura é um dos grandes nomes da história do heavy metal e catapultou o rock pesado brasileiro para o mundo. O documentário, que deve ser lançado em 2014, promete ser o registro definitivo da história da banda. “Nós queremos mostrar, mais do que tudo, o que é o Sepultura hoje, o que estamos fazendo depois de 30 anos de carreira”, diz Andreas Kisser, um dos membros mais antigos da banda.

Assista ao vídeo promocional do documentário:


Por Nelson Junior

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