10 de jan de 2014

Sisare: crítica de Nature's Despair (2013)

sexta-feira, janeiro 10, 2014


Apesar de ter passado dois anos insistindo em uma fórmula que pode ser categorizada como progressive death metal, foi apenas ao encerrar e retomar as atividades (com um novo baterista) que o quarteto finlandês Sisare parece ter colocado as peças nos devidos lugares.

Afinal de contas, o seu álbum de estreia, Nature’s Despair (que pode ser baixado de graça no próprio site oficial deles) está tão afastado da música extrema quanto possível, abandonando praticamente toda a sua proposta anterior e tomando rumos muito mais tranquilos, e completamente diferentes. E provavelmente tenha sido a mais sábia decisão que podiam ter tomado.

A combinação de violão com sutis linhas de violino em “The Brew” apresenta o Sisare com uma balada sendo tocada com o intuito de manter o frio afastado. O clima melancólico proporcionado pelos poucos minutos soa não apenas como um convite para abrigar-se enquanto uma nevasca cai lá fora, mas como a apresentação inicial dos finlandeses para o que vem a seguir. Logo nos primeiros segundos, é praticamente impossível não notar certa semelhança entre a voz de Severi Peura e a de Mikael Åkerfeldt, efeito que se torna claro pela semelhança também na atmosfera musical entre ambas as bandas.

Isso fica mais evidente ainda na batida lenta de “Salvation?”, aonde os elementos de progressivo erguem-se e deixam a influencia folk cuidando dos pequenos detalhes ao longo da faixa, e, mesmo predominantemente acústica, abrem espaço para inspiradíssimos solos contemplativos de guitarra no melhor estilo Gilmour. Em trilhas parecidas, “Isolation” se aproxima um pouco mais do lado heavy metal da coisa, sem abandonar as tortuosidades das mudanças de andamento e da efetiva combinação de instrumentos acústicos com elétricos.

“The Dust” extrapola em alguns fatores e vai ainda mais longe no desenvolvimento e exploração das possibilidades em cima de ideias teoricamente simples, levando o frio híbrido de prog e folk a mergulhar superficialmente nas águas do post-rock e do shoegaze em suas manifestações mais agressivas, por certos momentos. Resultado belíssimo, diga-se de passagem, assim como na cadencia inabalável de “Where Do Whales Breed?”, de movimentos tão bruscos quanto a sensação de estar vagando no fundo do oceano.

Como uma das primeiras faixas compostas após a retomada das atividades, é um tanto quanto natural que “Earth” ainda tenha reflexos da sonoridade que eles seguiam anteriormente. Evidentemente, nada muito áspero, mas o peso aparece de forma um pouco mais predominantemente e ativo, com um estilo que parece embriagado nas águas de um Watershed da vida, ainda que ao próprio modo finlandês. Em seguida, bem parecida com a abertura, “Change” soa também como uma preparação, um crescendo até “The End”, que encerra o disco com inesperados toques instrumentais, resultando em algo um pouco mais na linha do Soen e do Tool.

E o resultado final não é menos do que belíssimo. Apesar do curto tempo, a banda apresenta uma musicalidade belíssima, de poucas influencias e em formatos nem sempre complexos, mas devidamente equilibrada e sabendo como conduzir cada uma das composições. Nature’s Despair é guiado por um sentimento único, no qual cada uma das faixas utiliza como linha guia para trazer os elementos de rock progressivo, folk e post-rock e transportar para um cenário inesperado, semelhante ao proporcionado recentemente pelo disco Cognitive, do já citado Soen, mas com base em suas próprias ideias.

Facilmente um dos mais ricos discos de estreia de 2013, de uma banda que está apenas iniciando a trilhar o caminho que resolveu tomar. Mesmo com uma identidade já muito forte e razoavelmente estabelecida, e basear-se em influências bem claras (os apreciadores de bandas como Anathema, Opeth e Tool podem facilmente identificá-las, como já dito) é notável como ainda sobrou espaço para que muito ainda seja explorado. E se eles tiverem este pensamento, há prosperidade neste caminho a sua frente, o suficiente para atravessar a nevasca de mediocridade lá fora.

Nota 9

Faixas:
1 The Brew
2 Salvation?
3 Isolation
4 The Dust
5 Where Do Whales Breed?
6 Earth
7 Change
8 The End

Por Rodrigo Carvalho

9 de jan de 2014

Entrevista com o colecionador Cesar Leonardo de Souza

quinta-feira, janeiro 09, 2014

Dono de uma invejável coleção de cerca de 2 mil itens, o carioca Cesar Leonardo de Souza é o primeiro colecionador entrevistado pelo Collector's Room em 2014. Acompanhe o bate-papo e confira quanta coisa legal ele possui.

Por Marcelo Vieira 

Antes de qualquer coisa, se apresente para os leitores do Collector's Room
Vamos lá, meu nome é Cesar Leonardo de Souza, tenho 36 anos, nasci em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, mas atualmente moro em Votorantim, no interior de São Paulo. Trabalho com finanças na área de TI. Sou o responsável pelo financeiro e compras da área de tecnologia da informação da empresa que trabalho. 

Quando você teve o seu primeiro contato com o rock? 
Foi em 1989. Eu tinha uns 12 anos. Ouvi "Sweet Child O' Mine" na rádio pela primeira vez e passei a prestar mais atenção às guitarras e ao rock. Não fazia ideia do que era o rock exatamente, apenas gostei ao ouvir. O Guns foi a minha primeira banda favorita. 

Em que a sua vida mudou a partir do momento que você começou a ouvir rock? 
Naquela época não tinha Internet, então era difícil obter informação. Apenas revistas, conhecidos etc. Pouco tempo depois, sem sequer ter noção do que era rock ou metal, olhei de longe uma loja de discos em Niterói (RJ) e o visual me atraiu. Vi o LP do Live After Death, do Iron Maiden, e a capa me atraiu mais ainda. Na mesma hora, pedi de presente para o meu pai, que me deu. Foi meu primeiro LP e tenho ele até hoje.


Percebeu que havia algo especial no metal em comparação ao som do Guns? 
Sim. Achei a introdução de "Aces High" fantástica, porque adoro História, principalmente a Segunda Guerra Mundial. Foi amor à primeira ouvida! [risadas] Achei pesado, superior ao Guns. Tive a sensação de que era aquele o tipo de som que eu queria ouvir, mas não deixei de ouvir Guns. 

Quais outras bandas você começou a ouvir nesta época? 
Um cara chamado Alberto, que fez curso de inglês comigo, me apresentou as duas bandas que mais gosto depois do Iron Maiden: King Diamond e Mercyful Fate. Eu era o aluno mais novo da turma, não tinha de onde tirar dinheiro, então pegava fitas K7 já usadas com o meu pai e pedia para o Alberto gravar por cima. Foi o Alberto que, inicialmente, me influenciou a ir atrás de mais e mais bandas. 
Cheguei a vender garrafas para ferro velho para fazer dinheiro e comprar discos! [risadas] Comprei o Maiden Japan, Fatal Portrait e Melissa, os melhores de King Diamond e Mercyful Fate, na minha opinião. O Maiden Japan, inclusive, foi autografado pelo Paul Di'Anno há alguns anos. 

O que você acha da rivalidade que existe entre o hard rock e o heavy metal? 
Eu acho besteira. Quando moleque, eu era mais radical, mas depois percebi que deveria abrir a mente para outros gêneros. Tem muita banda boa de estilos variados por aí. Não vale a pena perder tempo com radicalismos. 

Que bandas de outros estilos você indicaria para um headbanger radical na tentativa de fazê-lo abrir a mente um pouco? 
Ratt, TNT e Whitesnake são três bandas que eu gosto bastante e certamente recomendaria.


Vamos falar da sua coleção. Qual o tamanho dela atualmente? 
Tenho cerca de 1200 CDs, 100 LPs, 300 DVDs e alguns box-sets e VHSs dos mais variados estilos dentro do metal e de rock em geral. 

Predomina o metal na sua coleção, certo? De qual banda você possui mais itens? 
Sim, predomina o metal tradicional, mas tenho bastante coisa de thrash, death e black também. 
A banda que possuo mais itens é o Iron Maiden, com certeza. É a minha banda preferida, então, sempre que encontro algo a um preço legal, eu dou preferência e compro. 

O que você considera os itens mais raros da sua coleção? 
É muito difícil algo ser raro hoje em dia. Na maioria das vezes, um cartão de crédito internacional e acesso a Internet resolvem. No eBay, você encontra o mundo à venda. Defino como raro algo que tenha um significado especial para mim. Mas há exceções, é claro. O picture disc do The Angel and The Gambler, do Iron Maiden, que me foi dado por um amigo de longa data que não vejo há muitos anos às vésperas do show da banda no Rio, na turnê do Virtual XI, em 1998. Tenho também uma réplica do Soundhouse Tapes, que não se acha tão facilmente por aí. Outro é o vinil duplo do Black Metal do Venom, autografado pelo Mantas ano passado após o show do M-pire of Evil. Conhecer o cara pessoalmente foi um sonho realizado e comprovou tudo que eu já havia lido a seu respeito.


Tem algum item que você esteja procurando há anos e ainda não tenha conseguido? 
Sim, o Eddie Archives, do Iron Maiden. Não comprei na época por falta de dinheiro e hoje em dia é bem difícil de encontrar. Também gostaria de ter o Best of the Beast em vinil. Um amigo tem, é um vinil quádruplo, é bem legal. 

Qual foi o valor máximo que você já pagou em um CD ou LP? 
CD individual foi o Hell to the Holy, do M-pire of Evil, japonês, comprado diretamente com o Tony "Demolition Man" Dolan por 50 reais. 
LP foi o The Final Frontier, do Iron Maiden, 160 reais, eu acho.


Como colecionador, você tem alguma mania? Tem ciúmes da coleção? 
Minha mania é a seguinte: tenho um banco de dados feito em Access para saber onde o CD está. Meus armários e prateleiras são numerados. Os CDs e DVDs eu deixo em ordem cronológica, mas as bandas ficam em qualquer ordem. Quando quero ouvir algo, consulto o banco de dados e vejo onde está o CD, tipo Armário 1, Prateleira 4. Sempre que compro um CD, cadastro nesse banco de dados. 
Os LPs estão enfileirados por estilo e VHSs, como são poucos, não precisam de muita organização. Os box-sets ficam onde cabem, pois alguns são grandes, tipo o Back Tracks, do AC/DC, que é um amplificador de verdade, e a coleção completa do Cannibal Corpse. 
Quanto ao ciúme, nunca me peça nada emprestado. Eu prefiro gravar para você e te dar o gravado! [risadas] 

Onde você costuma comprar os seus discos? 
Eu gosto de comprar na Amazon, Saraiva, Shinigami, CDpoint, Paranoid, Die Hard... todas lojas online. Um amigo da minha esposa é dono de uma loja em Sorocaba (SP) chamada Transa Som, que vende novos e usados e sempre que eu vou lá acabo encontrando algo legal. Também compro bastante no Mercado Livre e sebos em geral. Nada como garimpar CDs e LPs — é um prazer inenarrável! [risadas]


Qual foi o último disco que você comprou? Qual foi o melhor disco que você ouviu recentemente? 
O primeiro do Hypocrisy. Aquecimento para o show que vai rolar em abril! 
O melhor dos últimos tempos é o 13, do Black Sabbath. 

Quais são os seus 10 discos favoritos? 
Iron Maiden - Powerslave 
King Diamond - Fatal Portrait 
Judas Priest - British Steel 
Mercyful Fate - Melissa 
Megadeth - Peace Sells... But Who's Buying? 
Black Sabbath - Black Sabbath 
Dio - Holy Diver 
AC/DC - Highway To Hell 
Motörhead - Overkill 
Pink Floyd - Dark Side Of The Moon


Vamos encerrar a entrevista com um pingue-pongue. Iron Maiden com Paul, Bruce ou Blaze? 
Bruce.

Carreira solo do Paul, do Bruce ou do Blaze? 
Blaze. 

King Diamond ou Mercyful Fate? 
Mercyful Fate. 

Ozzy ou Dio? 
Dio. 

Metallica ou Megadeth? 
Megadeth. 

Metal alemão, americano ou inglês? 
Inglês. 

Seu Big 4 seria composto por quais bandas? 
Iron Maiden, Mercyful Fate, Dio e Judas Priest. 

Um show inesquecível? 
Iron Maiden na Praça da Apoteose (RJ) em 2009. Realizei o sonho de ver "Powerslave" ao vivo. 

Um show que gostaria de ver? 
King Diamond, não vi em 1994 e 1997 por falta de grana. 

Um show que nunca poderá ver? 
Dio. 

Uma música? 
[cantando] "Tell me why I have to be a powerslave...". Obra-prima. Nada a supera. 

Qual gênero musical poderia desaparecer da face da terra? 
Pagode! Desapareça! [risadas] 

Contato: clsmetal@gmail.com

5 de jan de 2014

Entrevista: Steve McKnight (guitarrista, Cry Wolf)

domingo, janeiro 05, 2014

Quando tocar hair metal virou sinônimo de grana fácil, um punhado de bandas surgiu, abarrotando a cena e facilitando as coisas para a chegada do rock de Seattle. Ao passo que muitas dessas bandas apenas reproduziam a fórmula na esperança de serem contratadas por uma grande gravadora, outras buscavam incorporar elementos que as distinguissem da maioria e acabaram não obtendo o sucesso merecido. O CRY WOLF é um desses grupos que, se dependessem somente do nível do material que produziam, teriam vendido milhões. 

A COLLECTOR'S ROOM bateu um papo exclusivo com STEVE MCKNIGHT, guitarrista do Cry Wolf, que, sem papas na língua, contou a história da banda e revelou detalhes de sua volta, depois de quase uma década de hiato.

Por Marcelo Vieira

COLLECTOR'S ROOM: O Cry Wolf foi formado por você, Phil e Timmy. Como vocês se conheceram? Haviam tocado juntos anteriormente? 
STEVE MCKNIGHT: Nós estávamos em uma banda chamada Heroes, que tinha um som mais na linha de Journey e Foreigner. Eu fiz um teste, depois Phil apareceu. Foi assim que nos conhecemos. Havia um baterista chamado John Freixas e um tecladista chamado JC Crampton. Perdemos John e Paul, que já havia tocado com Timmy, assumiu a bateria. Nos mudamos para Los Angeles para ficarmos mais próximos do nosso empresário, o tecladista saiu e nos tornamos um quarteto. 

COLLECTOR'S ROOM: A banda teve origem na Bay Area, região conhecida como berço do thrash metal nos EUA. Foi difícil obter destaque? 
STEVE MCKNIGHT: Eu dava aulas de guitarra, o baterista dava aulas de bateria, então nós tínhamos o nosso grupo de adeptos garantido. Musicalmente falando, éramos muito bons e isso atraía muita gente para os shows. Quando voltamos de Los Angeles para tocar na Bay Area, decolamos. Éramos a atração principal e os ingressos para os nossos shows simplesmente esgotavam. 

COLLECTOR'S ROOM: Você disse que a primeira formação contava com um tecladista e que o som tinha contornos mais melódicos no começo. Quais bandas mais influenciaram vocês? 
STEVE MCKNIGHT: Minhas influências são várias — hard rock, metal, trilhas sonoras de filmes, música erudita, big bands etc. Mas as principais, certamente, são Rush, Van Halen, Ozzy, UFO e Loudness. 

COLLECTOR'S ROOM: O nome Cry Wolf foi escolhido de maneira incomum. Você poderia nos contar como? 
STEVE MCKNIGHT: Nós lançamos um concurso "escolha um nome para a banda" na revista BAM de Los Angeles. O vencedor ganharia um par de convites para um show do Mötley Crüe e um passeio de limusine. Havia nomes como Bastard Sword, PS: Dump Your Boyfriend e Cry Wolf foi o vencedor! Criamos uma mala direta a partir dos inscritos para mantê-los informados a respeito dos próximos shows da banda.

Formação clássica da banda: Timmy Hall (vocais), Steve McKnight (guitarra), Phil Deckard (baixo) e Paul Cancilla (bateria) 

COLLECTOR'S ROOM: Como você descreve a cena hard rock de Los Angeles daquela época? 
STEVE MCKNIGHT: Mais de três mil bandas disputando a preferência do público em uma área de três quarteirões. Gente entornando nas calçadas todas as noites. Festas loucas, muita energia e diversão. Uma cena de verdade! 

COLLECTOR'S ROOM: A primeira demo do Cry Wolf fez um tremendo sucesso no Japão. Vocês chegaram mais longe lá do que nos EUA. Qual a sensação de ter o trabalho reconhecido no exterior? 
STEVE MCKNIGHT: Era raro uma banda chegar ao Japão sem ser por meio de uma gravadora. Assinamos com a Epic/Sony de lá. Depois, assinamos com a Grand Slamm/IRS, do antigo selo MCA, nos EUA. No Japão foi absurdo! Era fantástico ver as pessoas acampando nos saguões dos hotéis por dias, ter os próprios seguranças no seu andar etc. Nós realmente pensamos que era um grande começo para um excelente futuro, mas talvez nem soubessemos o que estávamos fazendo. Voltar do Japão era um choque de realidade interessante. Nós estivemos lá duas vezes num período de seis a nove meses. 

COLLECTOR'S ROOM: Na sua opinião, ter reconhecimento no Japão foi fundamental ou mais cedo ou mais tarde vocês acabariam assinando com algum selo nos EUA, considerando o mercado da época? 
STEVE MCKNIGHT: Eu acho que assinar com a Sony no Japão realmente nos ajudou. Uma resenha da nossa demo publicada na Kerrang! deu início às agitações no Japão e na Inglaterra. Foi aí que as coisas começaram a acontecer para a gente nos EUA. 

COLLECTOR'S ROOM: Quais são as diferenças entre Crunch (1991) e o álbum autointitulado do Cry Wolf lançado em 1989 apenas no Japão? 
STEVE MCKNIGHT: Crunch contém remixes da maioria das músicas gravadas para Cry Wolf. O álbum japonês trazia um cover de "I Am The Walrus" dos Beatles. Nossos empresários disseram que lançar essa música nos EUA seria um tiro no pé. E Crunch tem uma ilustração de capa muito bacana também!


COLLECTOR'S ROOM: "Pretender" é a canção mais famosa do Cry Wolf. Na minha opinião, é também a melhor. Guitarra fantástica, a letra etc. Como ela tomou forma? 
STEVE MCKNIGHT: Antes de mais nada, obrigado! A canção escreveu a si própria. Tim e eu nos reunimos e ela estava pronta em 15-20 minutos. A melodia vocal segue o riff da guitarra. Nós queríamos algo dinâmico e um solo bastante melódico. Nos sintonizamos com o que estava em alta nas rádios e a coisa fluiu! 

COLLECTOR'S ROOM: O Cry Wolf dividiu o palco com bandas como Judas Priest, Lynch Mob e Savatage. Mesmo com o hard rock perdendo espaço na mídia, você pode dizer que "viveu o sonho"? 
STEVE MCKNIGHT: Nós fizemos alguns shows memoráveis. Conheci alguns dos meus ídolos e senti o gostinho de viver de música. Meu envolvimento com a música data da 5ª série primária, então essa coisa toda de sair em turnê era algo que já estava no meu sangue. Até hoje eu componho, melhoro como guitarrista e amo tudo isso. É como respirar — e não dá para não respirar. 

COLLECTOR'S ROOM: Enquanto estavam em Houston, o caminhão que levava todo o equipamento da banda foi roubado e vocês tiveram que cancelar shows. Isto, de alguma forma, acelerou a separação do grupo? 
STEVE MCKNIGHT: O roubo do caminhão foi o começo do fim. Ainda tínhamos sete shows a cumprir. Chegamos ao hotel em Houston à noite e, de manhã cedo, o caminhão havia sumido. O mesmo aconteceu com outras bandas. Moradores roubam o caminhão, o esvaziam em algum galpão e depois o abandonam no acostamento da Interstate 45, que liga Houston a Dallas. Pouco tempo depois, a gravadora nos despediu. Entendemos que estava na hora de voltar para Los Angeles. 

COLLECTOR'S ROOM: Como foi a vida logo após o fim da banda? 
STEVE MCKNIGHT: Paul se mudou para Minneapolis. Contei com um grande amigo, o baterista John Link, na procura de outra gravadora, mas a coisa crepitou pouco tempo depois e voltamos a dar aulas. 

COLLECTOR'S ROOM: Em que momento você sentiu que era hora de começar de novo? 
STEVE MCKNIGHT: Um dos nossos antigos roadies nos levou a criar uma página no MySpace e pagar para ver, pois bandas como Dokken e Ratt ainda estavam fazendo turnês e se saindo bem. Existiam festivais como Rocklahoma e Rock on the Range, especializados em bandas do nosso gênero, que tinham público. Decidimos voltar e estamos aqui até hoje.


COLLECTOR'S ROOM: Há alguns anos atrás, o Cry Wolf lançou algumas músicas na Internet, entre elas, "She's Got The Thunder", que eu adorei. Como foi a resposta dos fãs? 
STEVE MCKNIGHT: A resposta não poderia ter sido melhor! Eles se mostraram contentes de nos ver juntos e tocando novamente. Nos sentimos uma daquelas bandas que deveriam ter sido maiores e atingido mais pessoas. 

COLLECTOR'S ROOM: O álbum Twenty Ten (2010) foi lançado exclusivamente em formato digital. Você acha que o futuro da indústria musical está, de fato, nos downloads? 
STEVE MCKNIGHT: Nós estamos passando longe dos formatos físicos como CDs. Não dá para competir com iPods e celulares capazes de armazenar milhares de músicas. A desvantagem vem na qualidade do .mp3 — o som é de baixa qualidade, não possui a resolução em termos de som que os formatos anteriores possuíam. 

COLLECTOR'S ROOM: Timmy saiu em 2012. O que houve? 
STEVE MCKNIGHT: Tim começou a se envolver com o rockabilly e lidera uma banda chamada Fast Otto, que toca regularmente em Los Angeles. Em determinado momento, ele deixou claro que preferia seguir tocando rockabilly, e foi o que fez. 

COLLECTOR'S ROOM: Aí vocês deram as caras com uma mulher no vocal! Curiosamente, eu sempre imaginei como seriam algumas músicas da banda com vocal feminino. Qual foi a reação do público quando vocês anunciaram Susie Major como vocalista? 
STEVE MCKNIGHT: Ao contrário de você, muita gente não imaginava o Cry Wolf com uma mulher no vocal, mas acabou dando uma chance e aprovando! Eu gosto de desafiar pessoas de mente fechada; no caso, as surpreendi com uma mulher no vocal. Alguns pagaram pela língua, pois o rock continuou rolando. Susie acabou saindo e, desde então, estamos trabalhando com Dyna Shirasaki, que é dona de uma voz estridente e poderosa; definitivamente, uma cantora de rock n' roll!

Formação atual da banda: Dyna Shirasaki (vocais), Steve McKnight (guitarra, vocais) e Phil Deckard (baixo, vocais) 

COLLECTOR'S ROOM: Pelo que vejo no Facebook, o Cry Wolf tem tocado regularmente. Pode-se dizer que, mais de vinte anos após o apogeu do hard rock, uma nova cena está em ascensão? 
STEVE MCKNIGHT: O que você chama de cena mudou de forma. Eu não acredito que haverá algo tão grande novamente. As pessoas interagem com as bandas mais pela Internet. Antes da Internet, você tinha que mexer o seu traseiro e ir de encontro à música; ir às lojas para ficar por dentro dos últimos lançamentos, ler revistas, assistir shows ao vivo. É difícil tirar as pessoas do conforto do lar hoje em dia! Estamos nos divertindo e aprendendo a usar as ferramentas online para manter contato com os fãs mais antigos e atrair novos fãs! 

COLLECTOR'S ROOM: Vocês planejam lançar material inédito ou a prioridade, por enquanto, é apenas fazer shows? 
STEVE MCKNIGHT: Eu vou tocar guitarra até o dia em que eu morrer, mas nós continuaremos apenas compondo, gravando e fazendo shows por enquanto. 

COLLECTOR'S ROOM: Há propostas para que vocês toquem em outros países? 
STEVE MCKNIGHT: Recentemente conversamos com alguns produtores japoneses para uma volta ao Japão. E nós adoraríamos tocar no Brasil! 

COLLECTOR'S ROOM: Sério? O que você sabe sobre o público daqui? 
STEVE MCKNIGHT: Dizem que o público é fantástico, que os fãs são os mais insanos! Dá para sentir de longe a energia e nós não vemos a hora de tocar no Brasil! 

COLLECTOR'S ROOM: Então, para encerrar, deixa uma mensagem para esses fãs insanos! 
STEVE MCKNIGHT: Em primeiro lugar, muito obrigado, Marcelo e Collector's Room. A música é tudo para mim e eu agradeço todos os dias por poder fazer aquilo que realmente amo. Fãs brasileiros, continuem apoiando as bandas! Nós amamos vocês e queremos muito dar a vocês 110% de rock n roll! Um abraço a todos!

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