18 de set de 2015

Playlist: Hendrix 45

sexta-feira, setembro 18, 2015

Celebrando os 45 anos da partida de Jimi Hendrix, uma playlist com 45 faixas de seu catálogo. Clássicos, pérolas escondidas e releituras de outros artistas para as canções do maior guitarrista que já visitou este mundo.

Nunca houve nada igual a Hendrix. E, provavelmente, jamais haverá ...

 

Novos sons: Billy Gibbons, Graveyard e The Temperance Movement

sexta-feira, setembro 18, 2015

Novidades pra atualizar os ouvidos. Billy Gibbons liberou o clipe de “Treat Her Right”, música simpática e curtinha que estará em seu primeiro álbum solo, Perfectamundo, que tem data de lançamento marcada para 23 de outubro. 

Já os suecos do Graveyard colocaram na roda “Too Much is Not Enough”, excelente balada que faz parte do tracklist de Innocence & Decadence, novo disco da banda. O play estará disponível no próximo dia 25 de setembro.

Fechando, o Temperance Movemente soltou “Three Bullets”, single de White Bear. O segundo álbum dos ingleses chegará às lojas somente em janeiro.

10 opiniões sobre Love, Fear and the Time Machine, novo álbum do Riverside

sexta-feira, setembro 18, 2015

Love, Fear and the Time Machine mostra o Riverside dando um claro passo para frente, e é o trabalho onde o grupo mais apresentou o seu brilho até agora. A banda torna-se secundária devido à sensação causada pelas músicas. Ninguém se destaca individualmente, porém tudo está no lugar certo. O álbum é lindo, bem escrito e incrivelmente prazeroso de se ouvir.
Angry Metal Guy

O Riverside apresenta um elemento digno de ser explorado em seu novo disco. Sai o peso, substituído por uma identidade mais refinada e madura. No que parece ser o trabalho mais honesto da banda até agora, as faixas possuem um toque moderno e uma musicalidade delicada. Love, Fear and the Time Machine é um sólido trampolim na carreira do Riverside.
Loudwire

O mais intrigante sobre o Riverside é que eles nunca parecem lançar algo ruim. Toda música produzida pela banda tem qualidade. E Love, Fear and the Time Machine oferece isso. O disco é atmosférico e etéreo. Poderia defini-lo como uma espécie de Pink Floyd nas mãos de Steven Wilson. Ouça e compre já este disco - se não fizer isso, irei em pessoa prender você!
Sputnik Music

Pode não ser o disco mais emocionante da banda, mas com certeza é o mais íntimo que produziram. E há mérito nisso, pois não é nada fácil criar canções rebuscadas tecnicamente e que possam falar diretamente à alma e ao coração do ouvinte. Como se vê, o Riverside continua amadurecendo e dando aos fãs não o que é mais óbvio, e sim o que é necessário para ampliar o repertório da banda, aproveitando absurdamente bem o talento de cada integrante.
Escuta Essa

Para alguns, o afastamento do heavy metal e o retorno às raízes prog poderá ser um choque. Mas a verdadeira surpresa é que este disco não soa nada próximo do que o Riverside já gravou.
Sea of Tranquility

Não há nenhuma demonstração de virtuosismo instrumental pretensioso, apenas uma banda combinando toda a sua energia para entregar o melhor. O resultado é um sucesso absoluto, em um disco que deve reforçar a posição do Riverside como uma referência dentro do estilo que a banda caminha.
Louder Than War

O Riverside se superou em seu novo disco. A banda estendeu as suas asas e produziu o seu melhor trabalho até agora. Há tanta beleza e emoção em cada faixa que é uma alegria contínua ouvir o álbum. 
Prog Report

Se você não está muito familiarizado com o metal progressivo como gênero, este é um ótimo disco para começar a sua caminhada pelo estilo.
Metal Wani

Um álbum soberbo, reflexivo e transcendental!
My Global Mind

Em poucas palavras, o Riverside fez um trabalho incrível neste disco. Você vai levar algum tempo pra explorar todos os detalhes, e algumas canções ficarão na sua mente por semanas. Desfrute da bela forma musical criada por esta banda, especialmente se você estiver procurando um pouco de música arrepiante para se recuperar de um dia estressante.
It Djents

Nightwish - Endless Forms Most Beautiful (2015)

sexta-feira, setembro 18, 2015

Oitavo álbum do Nightwish, Endless Forms Most Beautiful marca o início de um novo capítulo na carreira da banda finlandesa. E esse capítulo tem nome: Floor Jansen. No grupo desde 2012, a holandesa substituiu Anette Olzon, que, por sua vez, entrou no lugar de Tarja Turunen. Aclamada e elogiada em seus trabalhos anteriores no After Forever (mais) e no ReVamp (nem tanto), Floor encara o maior desafio de sua carreira ao assumir papel de destaque no Nightwish.

Os motivos para isso são muitos. De cara, trata-se de uma banda com uma proporção muito maior que suas experiências anteriores. Quando lançou Once, em 2004, o Nightwish estourou a boca do balão e se transformou na bola da vez, extrapolando o público do metal e ganhando novos fãs em uma popularidade ascendente. Puxado pelo single “Nemo”, o disco vendeu pra caramba em todo o mundo e teve seus vídeos executados à exaustão. Quando parecia que os finlandeses iriam mudar de patamar, veio a bomba: desentendimentos levaram à saída de Tarja, e a coisa ficou em stand-by por um longo tempo.

Três anos, pra ser mais exato. Esse foi o tempo que a banda liderada pelo tecladista Tuomas Holopainen levou para montar novamente seu quebra-cabeça com a chegada de Anette e o lançamento de Dark Passion Play (2007), disco que trouxe uma sonoridade bem mais pop e não foi muito bem recebido. Mais quatro anos se passaram e o Nightwish entrou no eixo novamente com o excepcional Imaginareum (2011), um trabalho pra lá de complexo envolvendo todo um projeto audiovisual e com composições repletas de detalhes. Um disco muito acima da média, e que ocupou de imediato um lugar de destaque no catálogo da banda.

Pra então tudo mudar novamente com a saída (ou demissão, sei lá) de Anette Olzon em meio a uma turnê e a surpreendente e saudada chegada de Floor Jansen. Estreando a nova formação, o Nightwish retomou o melhor de seus dois períodos anteriores graças à imensa versatilidade de Jansen, enchendo os fãs de expectativa quanto a um possível novo disco com a holandesa nos vocais.




E ele veio, finalmente. Endless Forms Most Beautiful é tão pretencioso e megalomaníaco quanto Imaginareum, porém um pouco mas agressivo e pesado que o álbum anterior. Temático, o disco traz onze canções com letras inspiradas nos livros do biólogo britânico Richard Dawkins, conhecido pelo seu discurso evolucionista e ateu. Tuomas faz de Endless Forms Most Beautiful - título tirado de uma frase do clássico A Origem das Espécies, do naturalista Charles Darwin - um tratado sonoro em defesa da Teoria da Evolução, alcançando um resultado consistente, belo e, mais uma vez, excelente.

As canções caminham pelas diversas características do DNA sonoro do Nightwish, variando entre faixas mais pop, outras mais pesadas e também aquelas mais complexas e cheias de movimentos e dinâmicas, com estruturas e arranjos que variam do progressivo ao clássico e evoluem em canções impressionantes - o caso mais notório está na última faixa do disco, “The Greatest Show On Earth”, uma obra-prima com mais de 20 minutos de duração.

Dosando com equilíbrio os principais elementos dos dois capítulos anteriores de sua trajetória - os vocais operísticos de Tarja e o contagiante apelo pop do período com Anette -, o Nightwish deu a Floor Jansen a oportunidade de gravar o trabalho mais completo de sua carreira, onde fica claro o quão acertada foi a sua escolha para o posto. Transitando com grande naturalidade entre estes dois extremos, Floor tanto pode soar chiclete e acessível em uma canção como “Élan" quanto pode deixar todo mundo com o queixo no chão ao incorporar uma espécie de soprano para as grandes massas cabeludas, como acontece na já mencionada “The Greatest Show On Earth”. E, no meio disso tudo, ainda mostra toda a delicadeza e sutileza de sua voz em canções como a balada “Our Decades in the Sun”, por exemplo.

Mantendo os elementos étnicos e de world music que sempre estiveram presentes em seus discos, o Nightwish tem outra estreia em Endless Forms Most Beautiful: o multi-instrumentista Troy Donockley, que traz para o jogo sopros, gaitas e outros instrumentos não muito comuns ao rock, enriquecendo a musicalidade e contribuindo decisivamente para o resultado final.

Esbanjando bom gosto e criatividade, soando inventivo e sem medo de experimentar e explorando um tema que é um tabu para uma parcela de seus próprios ouvintes - a visão de Dawkins e a Teoria da Evolução -, o Nightwish prova mais uma vez que o que sempre está em primeiríssimo lugar para a banda é a sua liberdade e visão artística. E é justamente esse ar destemido, esse desejo constante de sair do comum e entregar um trabalho diferenciado, que faz do sexteto liderado por Tuomas Holopainen um ponto totalmente fora da curva quando falamos de rock e heavy metal.

Excelente em todos os níveis, Endless Forms Most Beautiful é um disco único e belíssimo, que não fica devendo nada ao que o Nightwish já gravou e, sobretudo, aponta para um futuro onde as possibilidades são excitantes e infinitas. Com ele, a banda mostra que aprendeu um dos grandes ensinamentos de Darwin: a sobrevivência dos mais fortes. E os finlandeses estão, definitivamente, nesse grupo, prontos para liderar os seus seguidores.



Como é assistir ao Queen com Adam Lambert, a relação entre a imigração o e futebol e Emicida falando sobre racismo e outros assuntos

17 de set de 2015

The Sword - High Country (2015)

quinta-feira, setembro 17, 2015

O The Sword acertou a mão violentamente em Apocryphon, disco lançado em 2012 e que marcou a estreia do baterista Santiago Vela III. Recheado de riffs e de uma precisa amálgama entre o peso do Black Sabbath e a saudável melodia proveniente das guitarras gêmeas características do Thin Lizzy, o álbum alcançou um resultado excelente.

Pois bem. High Country, liberado no último dia 21 de agosto, é o sucessor do até agora melhor trabalho da banda. Tarefa árdua, como bem sabemos. Produzido por Adrian Quesada, traz o quarteto norte-americano com o claro objetivo de não se repetir. Ainda que mantenha a sua identidade, o The Sword vai por um caminho distinto em seu novo disco, não pegando, em nenhum momento, os atalhos construídos por Apocryphon

Em sua maioria, as novas canções são mais curtas que as faixas do disco de 2012, mantendo o peso característico e o protagonismo das guitarras, outro elemento marcante da banda. O uso de diversos interlúdios, que às vezes se manifestam em forma de faixas experimentais e em outras em composições instrumentais, faz o disco descer em pequenos blocos pelo ouvido. Musicalmente, trata-se de um hard rock com clara influência da década de 1970, adornado por um tempero psicodélico constante. A banda sabe compor, sabe encaixar elementos, sabe construir grandes canções, e mais uma vez faz isso. Algumas faixas trazem um clima mais suave em relação aos discos anteriores, principalmente pelo uso dos já mencionados elementos provenientes da psicodelia.

O excesso de canções - 15 - faz com que o álbum acabe cansando um pouco, com composições que poderiam ter ficado de fora e poderiam aparecer como bônus em singles e afins. Mesmo assim, o resultado final é muito positivo, com destaque para pedradas como “Empty Temples”, a ótima faixa-título, “Tears Like Diamonds”, “Early Now” e “The Dreamthieves” (com um riff que mostra que os caras andaram ouvindo bastante Judas Priest durante o processo de composição), além da contemplativa sequência final, iniciada com a instrumental “Silver Petals” e fechando com a ótima “The Bees of Spring”.

Mesmo não alcançando o nível de brilhantismo de Apocryphon, o The Sword agrega mais um disco respeitável ao seu catálogo. High Country é um álbum com personalidade marcante, que talvez exija algumas audições para ser digerido, mas que possui inegável qualidade.


Ranking de discos: Black Sabbath

quinta-feira, setembro 17, 2015

Um pequeno levantamento estatístico sobre a discografia do Black Sabbath. Peguei as notas dos sites Rate Your Music e All Music, e também as avaliações do The Rolling Stone Album Guide, e fiz uma média entre as três para chegar ao resultado final.

Assim, temos um raking com os 19 discos de estúdio da banda que criou o heavy metal, iniciando no melhor álbum e descendo de nível até os piores registros. Como os dados utilizados provém de três fontes distintas, isso dá uma certa isenção ao resultado. Mas, se você não concordar com ele - e nem precisa -, basta postar o seu top do Sabbath nos comentários.

Com vocês, o ranking de discos do Black Sabbath:

19 Forbidden (1995)
18 Technical Ecstasy (1976)
17 Tyr (1990)
16 Never Say Die! (1978)
15 Born Again (1983)
14 Seventh Star (1986)
13 Dehumanizer (1992)
12 Cross Purposes (1994)
11 The Eternal Idol (1987)
10 Headless Cross (1989)
9 Mob Rules (1981)
8 13 (2013)
7 Vol 4 (1972)
6 Sabotage (1975)
5 Heaven and Hell (1980)
4 Sabbath Bloddy Sabbath (1973)
3 Master of Reality (1971)
2 Black Sabbath (1970)
1 Paranoid (1970)

Meus comentários: tenho dois discos preferidos do Black Sabbath. Com Ozzy, adoro o Sabbath Bloddy Sabbath, e a principal razão para isso é o uso ostensivo da melodia. Com Dio, acho Heaven and Hell brilhante. Abaixo destes dois, tenho os meus títulos preferidos, que são o primeiro, Paranoid, Master of Reality, Vol 4 e Mob Rules

Além disso, adoro o Seventh Star e gostei muito do 13. A fase com Tony Martin acho totalmente dispensável, assim como Born Again, que na minha opinião é um álbum tão horrível quanto a sua capa. Sei que tem muita gente que adora o disco, mas não estou entre elas. 

Ainda com Ozzy, não curto muito o Sabotage e acho que tanto o Technical Ecstasy quanto o Never Say Die! possuem bons momentos, apesar de serem trabalhos inegavelmente irregulares. E voltando para o período com Dio, devo ser uma das poucas pessoas no mundo que não vê - e ouve - nada demais no Dehumanizer.

Meu top 5 da banda seria:

1 Sabbath Bloody Sabbath
2 Heaven and Hell
3 Paranoid
4 Black Sabbath
5 Vol 4


E os seus discos favoritos do Sabbath, quais são? Use os comentários e conte pra gente!

10 exemplos de como 2015 está sendo um ótimo ano para a música - Parte I

quinta-feira, setembro 17, 2015

É uma contradição, e confesso que tenho uma dificuldade enorme em entender este comportamento. Explico: em tempos como esse, onde o acesso ao trabalho de todo e qualquer artista é praticamente instantâneo através de uma simples pesquisa nas mais variadas plataforma (YouTube, Spotify, Google, redes sociais), parece que mais e mais gente se contenta em manter o ouvido focado confortavelmente nos mesmos sons de sempre.

Não é o meu caso. E sigo confessando: é muito bom ter esta atitude. 2015 está sendo um grande ano para a música, com ótimos discos nos mais variados gêneros. Basta ser um pouco curioso e inquieto para descobrir e entrar em contato com trabalhos excelentes, como os que estão listados abaixo. 

São apenas 10 discos, mas poderiam ser 20, 30, 50. E serão, porque escreverei posts semelhantes a esse de tempos em tempos. Peguei uma dezena de títulos, e escrevi pequenos textos explicando o que você irá encontrar em cada um deles. 

Vem comigo e vamos mergulhar juntos neste grande e imenso oceano musical!


The Mighty Mocambos - Showdown

Terceiro álbum deste combo, Showdown é uma jóia funk cheia de embalo, groove e balanço. O The Mighty Mocambos tem uma sonoridade rica e contagiante, dando um passo à frente em relação aos seus dois discos anteriores - This is Gizelle Smith & The Mighty Mocambos (2009) e The Future is Here (2011). Encaixando muito bem as peças do seu quebra-cabeça sonoro, o grupo dá ao ouvinte uma usina sonora repleta de referências essenciais, do jazz ao funk setentista, da disco music ao pop. A cereja do bolo são as participações especiais de nomes como Afrika Bamabaataa, presente em três das onze faixas.


London Afrobeat Collective - Food Chain

Um trupe multinacional com canções com ritmos fortes e letras idem, explorando temas políticos. O London Afrobeat Collective se posiciona claramente em aspectos como a imigração e a economia europeia, a comunidade comum e o impacto disso no dia a dia dos ingleses e de quem mais vive na capital do Reino Unido. Com dois EPs no currículo e dois álbuns, o LAC é uma hidrelétrica musical funcionando a pleno vapor. Food Chain, segundo álbum da banda, é um dos grandes e essenciais discos de 2015 até agora.


Leon Bridges - Coming Home

Uma das mais agradáveis novidades do ano, Leon Bridges vem de Atlanta e traz consigo toda a rica tradição de uma das capitais da música norte-americana. Coming Home, seu disco de estreia, foi lançado no final de junho e vem carregado como toda a herança do soul, em dez faixas que seguem a linha evolutiva de ícones como Otis Redding. Apesar da pouca idade, Bridges mostra grande maturidade, entregando interpretações vocais repletas de classe e feeling. Não tem como não gostar.


Sister Sparrow and the Dirty Birds - The Weather Below 

Tendo os irmãos Arleigh (vocal) e Jackson Kincheloe (gaita) à frente, o Sister Sparrow and the Dirty Birds (é deles a foto principal deste post) é uma banda nova-iorquina dona de evidente e explícito talento. O grupo já tem três discos no currículo, sendo que o mais recente, The Weather Below, é uma delícia deliciosa - com pleonasmo e redundância, mesmo. A praia aqui é um soul pop, o chamado blue-eyed-soul: ou seja, o tradicional gênero negro interpretado por artistas brancos e acrescido de bem-vindas pitadas de rhythm & blues. Chiclete ao extremo: é ouvir e não desgrudar mais!


Kamasi Washington - The Epic

Não seria um equívoco, em uma análise simplificada, definir o novo trabalho do saxofonista californiano Kamasi Washington como uma espécie de Bitches Brew de nossa época. Fazendo juz ao título, o álbum (triplo, é claro) é uma odisseia sonora que passeia pelos mais variados caminhos possibilitados pelo jazz, e encheria Miles Davis de orgulho. Um verdadeiro tratado musical, que caminha a passos largos para o posto de grande álbum de jazz do ano.


The London Souls - Here Come the Girls

Agora reduzido a um duo, o London Souls (que é nova-iorquino e não londrino) retorna após quatro anos com o seu segundo disco. Here Come the Girls é um pouco mais suave que a estreia lançada em 2011 e brinda o ouvinte com melodias e influências que vêm direto da década de 1960. The Who e Cream, as duas principais inspirações da banda, seguem dando as cartas, resultando em um rock and roll enérgico, direto e agradável, que agrada de imediato.


Kamchatka - Long Road Made of Gold

O foco do hard rock mudou a sua direção e estabeleceu a sua força na Suécia. Isso é de conhecimento comum e consolidado entre todo mundo que acompanha o gênero de maneira mais próxima. Ghost, Graveyard e mais uma centena de bandas transformaram o país europeu em um paraíso pra quem curte guitarras distorcidas, riffs inspirados e canções que chegam não para serem passageiras, mas sim para acompanhar nossos dias a partir do momento que as conhecemos. O trio Kamchatka é um dos grandes nomes dessa cena sueca, e, como sempre, vem com outro disco matador. Sexto trabalho do grupo, Long Road Made of Gold equilibra doses equivalentes de hard e blues rock, e é o mais bem acabado e resolvido álbum da banda. 


The Waterboys - Modern Blues

A veterana banda inglesa, responsável pelo belo e clássico Fisherman’s Blues (1988), lançou em em janeiro um disco que cresce a cada nova audição. Deixando as influências celtas e de música folclórica em um plano secundário, mas sem abandoná-las por completo, o The Waterboys veio com um álbum estradeiro, onde cada canção é uma pequena história, um conto apaixonante, apresentando personagens comuns e, por isso mesmo, de identificação fácil em que está do lado de cá. Boa surpresa!


Ryan Bingham - Fear and Saturday Night

Com um timbre sujo, embebido em doses generosas de fumaça e álcool, Ryan Bingham transita entre o country e o alt-country, com um pouquinho de blues aqui e acolá. Canções econômicas, levadas ao violão e com linhas vocais simples e bem construídas, que mantém viva a magia e a força do estilo que é um dos mais tradicionais dos Estados Unidos. Pra ouvir em um domingo pela manhã, despertando a cada novo acorde. 


Hanni El Khatib - Moonlight

Transitando entre o blues rock e o revival do garage rock, o californiano Hanni El Khatib chega ao seu terceiro disco com Moonlight. E esta terceira dose de sua carreira é densa, sem gelo e desce redonda! As onze canções de Moonlight são todas construídas a partir da guitarra, com ritmos fortes e refrãos idem. Uma indicação perfeita pra quem anda com saudades dos primeiros álbuns do Black Keys, mais diretos e menos rebuscados que os últimos lançamentos do duo. 

As origens do rock, os 15 anos de Quase Famosos e 10 filmes sobre futebol que todo homem deveria assistir

16 de set de 2015

O jazz como ferramenta para a evolução do ouvinte

quarta-feira, setembro 16, 2015

Sempre escutei rock. Desde que comecei a consumir música de maneira contínua e diária, o rock sempre foi o protagonista. A trilha da minha adolescência foi formada por doses cavalares de Black Sabbath, Iron Maiden, Metallica, Led Zeppelin, Beatles e outros ícones. E seguiu nessa toada ano após ano. Apesar de sempre ter mantido o ouvido curioso - adoro pop, por exemplo -, ele ficou limitado ao universo do rock e do metal.

Mas o jazz sempre andava por ali. De tempos em tempos, tentava dar uma experimentada, uma degustada no gênero, mas a sensação era sempre indigesta. A impressão constante era a de que cada um dos músicos estava tocando uma canção diferente do outro. Que os instrumentos não combinavam. Que a coisa não batia e não funcionava.

Anos e anos tive essa sensação em relação ao jazz. Até que 2008 chegou. Estava com 34 anos e meu filho acabara de nascer. O Matias trouxe uma alegria indescritível. E, junto com ela, uma maturidade necessária e muito bem-vinda. E que, até que enfim, foi capaz de me fazer entender o jazz, traduzi-lo para os meus ouvidos.

Dois discos foram os responsáveis por essa transformação, ambos, curiosamente, lançados no mesmo ano: 1959. Falo de Time Out, do Dave Brubeck Quartet, e de Kind of Blue, de Miles Davis. Através destes dois títulos, o jazz se tornou entendível para mim. E isso se deu pela acessibilidade da dupla, já que estamos falando de dois álbuns que, mesmo possuindo as refinadas estruturas harmônicas características do jazz, fazem a tradução destes elementos de forma fácil ao ouvinte leigo. 

Time Out é um álbum matemático. Suas composições evoluem em arranjos marcados que caminham de compasso em compasso, em melodias crescentes. O grande clássico do disco é a imortal “Take Five”, uma das canções mais conhecidas do estilo, e uma porta de entrada perfeita para quem nunca experimentou o gênero.

Kind of Blue marca o nascimento do jazz modal, estilo onde as melodias se desenrolam em camadas suaves e intercaladas, que servem de base para os vôos solos dos instrumentistas. No caso deste título específico, o genial Miles Davis estava ao lado de outro músico singular, o saxofonista John Coltrane, e ambos entregam performances divinas no disco. 

Um parágrafo destinado apenas para um adendo focado no fã de rock: ao contrário do que ouvimos nos discos do estilo que tanto amamos, onde, na grande maioria dos casos, cada instrumento é gravado de forma separada, com a mixagem unindo tudo, no jazz a coisa é feita de outra forma. Com todos os músicos reunidos no estúdio, a canção é executada uma, duas, quantas vezes se achar necessário até alcançar a perfeição, com todos tocando juntos. Tudo fica mais espontâneo e verdadeiro, ao meu ver.

Partindo de Time Out e Kind of Blue, mergulhei em diversos outros artistas e discos. Thelonious Monk virou meu parceiro, Stanley Clarke me mostrou que o baixo poderia alcançar outro nível, Herbie Hancock remexeu profundamente o meu esqueleto. Tudo isso em um processo que colocou o jazz entre os meus gêneros favoritos de música.

O que isso tem a ver com o rock? O que isso tem a ver com você que está lendo este texto e é um fã do bom e velho rock and roll, das guitarras pesadas do heavy metal e da força da música pop? Pegando como base a experiência que vivi - e continuo experimentando - com o jazz, o que posso afirmar é que o gênero quebrou barreiras e alargou as minhas percepções pessoais sobre a música. Ao caminhar por estruturas livres e sempre buscar a experimentação e a inovação, seja através de andamentos inusitados ou arranjos que almejam novas formas de decodificar a música, o jazz me levou para muito além do 4x4 tradicional do rock. Esse passo além me ajudou não apenas na atração por artistas que procuram fugir do convencional, como também foi essencial para um entendimento mais profundo e completo da obra de bandas que já eram importantes..

Meu entendimento sobre o Clash, por exemplo, mudou completamente após a inserção do jazz na minha vida. Se antes eu já adorava a banda, após fiquei ainda mais impressionado pela intensa musicalidade dos britânicos. O mesmo vale para os Beatles, que caminharam de composições simples para faixas onde o experimentalismo era onipresente, e sempre mantendo a capacidade saudável de fazer tudo soar acessível.

Sou da opinião de que, quanto mais você faz uma coisa, melhor você fica naquilo. É o caso da música. Quanto mais você ouve, mais você aprende. Quanto mais você é exposto e se deixa experimentar gêneros que fogem do seu cardápio habitual, mais elementos agrega ao seu vocabulário. E, nesse sentido, o jazz possui um valor incrível como catalisador de novas possibilidades.

Ouça jazz. Ouça rock. Ouça o que você quiser. Mas sempre com o ouvido curioso e destemido. Deixe a música revelar toda o seu esplendor. É demais sentir essa sensação, eu garanto.


Narcos - Primeira Temporada (Netflix, 2015)

quarta-feira, setembro 16, 2015

A vida de Pablo Escobar possui uma infinidade de elementos que transformam a trajetória do maior traficante de drogas do século XX - e um dos maiores criminosos dos tempos modernos - em algo que beira a ficção. Não por acaso, diversos filmes e séries tem Escobar como personagem principal. Narcos, produção original da Netflix lançada no final de agosto, é o mais recente destes projetos.

Com produção de José Padilha (o diretor de Tropa de Elite e da nova versão de Robocop, e que também assina a direção dos dois primeiros episódios), Narcos traz Wagner Moura na pele de Pablo Escobar e conta com um elenco multinacional - Pedro Pascal, o Oberyn Martell de Game of Thrones, entre eles. A trama conta a formatação e ascensão da indústria da cocaína, e utiliza como fio condutor a trajetória de Escobar. Lançando mão de um artifício presente em Tropa de Elite - a locução em off -, a série ganha um clima documental através do relato do agente norte-americano Steve Murphy, integrante do DEA e parceiro do personagem vivido por Pascal na busca incessante por Escobar.

Tecnicamente, Narcos beira a perfeição. Com excelente fotografia - a cargo de Lula Carvalho - e rigorosa reconstituição de época, os dez episódio prendem o espectador de maneira precisa. Com diálogos bem escritos, a série revela, um a um, os inúmeros integrantes da teia de Escobar, personagens que apresentam uma dicotomia onipresente, colocando sempre seus interesses pessoais em primeiro plano. Falada em inglês e espanhol, Narcos mantém os idiomas de origem dos personagens, e esse é um dos seus maiores acertos.

A analogia feita ao realismo fantástico logo no primeiro capítulo revela-se como uma espécie de introdução para tudo que virá a seguir, com Pablo Escobar assumindo o protagonismo de uma trama que não fica devendo nada, em reviravoltas e fatos insólitos, à história da família Buendía contata por Gabriel García Marquez no clássico Cem Anos de Solidão. Porém, como uma diferença fundamental: a história de Pablo realmente aconteceu.

Sem tomar partido de nenhum dos lados, os episódio mostram o assombroso poderia econômico e social conquistado por Escobar, com extensão para todos os braços da sociedade colombiana. A interpretação de Wagner Moura, que entrega um Pablo sereno e calmo na grande maioria das cenas, deixa ainda mais perturbadora a imagem do patrão da cocaína.

Com personagens ricos e interpretações de alto nível da maioria do casting, Narcos alcança um resultado final muito bom, atestando a alta e já conhecida qualidade das produções da Netflix. Só fica uma dúvida: com a história chegando praticamente ao fim na primeira temporada, a já anunciada segunda temporada dá todas as dicas de que irá muito além de Pablo Escobar, englobando também outros criminosos, principalmente os integrantes do Cartel de Cali. Se isso realmente acontecer, será mais um acerto.

Assista, vale muito a pena - ah, e a trilha sonora é demais!

Iron Maiden - The Book of Souls (2015)

quarta-feira, setembro 16, 2015

Cinco anos após The Final Frontier, o Iron Maiden está de volta com o seu décimo-sexto disco. The Book of Souls é o primeiro álbum duplo de estúdio da banda, e também o registro mais longo da carreira dos ingleses. O trabalho traz onze faixas e foi produzido por Kevin Shirley, o responsável pelos últimos lançamentos do grupo.

The Book of Souls é um álbum ousado e totalmente fora da curva do que se esperaria do Iron Maiden, principalmente a essa altura da carreira do sexteto, que está na estrada há quarenta anos -  a banda foi formada pelo baixista Steve Harris em 1975. Fora da curva porque traz uma sonoridade renovada e surpreendente, acentuando uma característica que estava cada vez mais evidente nos últimos discos: o mergulho no rock progressivo. Em The Book of Souls o Maiden se joga sem medo no prog, e é justamente esse fator que torna o trabalho tão impressionante.

Por mais estranha que essa afirmação possa parecer, a sensação é que estamos diante do primeiro trabalho “adulto" da banda. As melodias fáceis, as soluções simples, as canções mais diretas, praticamente não existem. Mas não se assuste, pois isso não significa que estamos diante de uma complexidade impenetrável, muito pelo contrário. A banda bebe com classe no progressivo e traz para a ordem do dia canções que se desenvolvem em arranjos repletos de camadas, mudanças de andamento constantes e um onipresente requinte instrumental. E aí entra aquela que provavelmente é a jogada de mestre de The Book of Souls: tudo isso foi gravado ao vivo no estúdio, praticamente sem overdubs. O resultado é uma espontaneidade absolutamente refrescante.

Os mais apressados poderão tomar um susto ao verificar a duração das faixas - as mais curtas ficam nos cinco minutos, enquanto três ultrapassam a barreira dos dez. Mas, quando algo é bom e bem feito, não soa maçante e desnecessário, e isso se verifica de maneira clara em The Book of Souls.

Os recentes projetos pessoais de Steve Harris e Adrian Smith - British Lion e Primal Rock Rebellion, respectivamente - fizeram bem à banda, oxigenando a sonoridade e renovando a musicalidade do grupo. Há uma divisão muito mais democrática na composição das faixas, com todos colaborando - a exceção de sempre é Nicko McBrain. E aqui um detalhe merece menção: The Book of Souls é o primeiro álbum da carreira do Maiden em que Steve não domina esse quesito - no novo disco, Bruce Dickinson é o maestro e está praticamente em pé de igualdade com Harris.

Salta aos ouvidos a inegável qualidade das novas canções. Das onze faixas, praticamente todas se destacam - a única exceção é justamente o primeiro single, a mediana “Speed of Light”. Da abertura classuda com “If Eternity Should Fail” ao brilhantismo de “The Red and the Black”, do ar épico da faixa-título ao clima meio hard de “Tears of the Clown” (música que homenageia o falecido ator Robin Williams e poderia muito bem estar em The Chemical Wedding, melhor álbum solo de Bruce), o que se vê é um desfile de ótimas composições como há muito tempo o Iron Maiden não entregava aos seus fãs.

O clímax está na canção que encerra o trabalho, “Empire of the Clouds”. Com mais de 18 minutos e composta somente por Dickinson, assemelha-se a uma sinfonia que se desenvolve em movimentos intercalados, culminando em uma longa passagem instrumental que tem o trio de guitarras como protagonista. De cair o queixo, literalmente!

Todos os músicos mantém o alto grau de performance característico, mas três se destacam. Bruce canta com enorme feeling, e a notícia de que o vocalista foi diagnosticado com câncer na língua após a gravação só torna ainda mais impressionante o seu trabalho. Steve Harris é o coração do Iron Maiden, e segue fazendo-o pulsar com o talento de sempre. E, por fim, Adrian Smith brilha de maneira absoluta comandando o trio de guitarras, reafirmando o seu papel como um dos maiores instrumentistas da história do heavy metal.

The Book of Souls é um disco impressionante. Um álbum totalmente fora das expectativas daquilo que o Iron Maiden lançaria a esta altura da sua carreira. O disco supera toda e qualquer prognóstico a seu respeito, e deixa a certeza do quão único é o sexteto liderado por Bruce e Steve. Sem dúvida, o melhor álbum do grupo desde o retorno de Dickinson e Smith.

O Iron Maiden vive um novo apogeu, e The Book of Souls é a prova definitiva disso.

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