25 de set de 2015

Novos clipes: Huntress, Graveyard e Baroness

sexta-feira, setembro 25, 2015

Começando com “Sorrow”, novo vídeo do Huntress. Fotografia e figurino dos anos 1970, estética gore e exagerada que remete aos experimentos de Quentin Tarantino e Robert Rodriguez em Planeta Terror e À Prova de Morte. A faixa é o primeiro single do novo disco da banda norte-americana, intitulado Static, que foi lançado hoje pela Napalm Records.

“Too Much is Not Enough” é o novo clipe da ótima banda sueca Graveyard. A música faz parte do novo disco do quarteto, Innocence & Decadence, lançado também na data de hoje, pela Nuclear Blast. Balada linda, com a banda tocando no que parece ser o hall de um hotel.

Fechando a trinca, o Baroness liberou o clipe da bela “Chlorine & Wine”, primeiro single do seu quarto álbum. O vídeo traz a banda em estúdio, em cenas captadas durante a gravação do disco, demonstrando um clima bem familiar e de união entre os integrantes. Purple, novo álbum dos norte-americanos, será lançado dia 18 de dezembro pela Abraxan Hymns.

Impressões sobre os shows de quinta, 24/09, no Rock in Rio

sexta-feira, setembro 25, 2015

Project46 - Não assisti ao show, infelizmente. Então, vou falar sobre a banda. O Project46 faz um metal com elementos de hardcore, cantado em português e super pesado. O quinteto já lançou dois discos, Doa a Quem Doer (2011) e Que Seja Feita a Vossa Vontade (2014), ambos muito sólidos e bem produzidos. Vale a pena conhecer o som dos caras.

Halestorm - Um dos melhores shows do Rock in Rio até agora, pegando muita gente de surpresa. Com uma performance cheia de energia e destaque total para a vocalista e guitarrista Lzzy Hale, o Halestorm certamente conquistou uma legião de novos fãs. Lzzy tem uma presença de palco incrível e canta de maneira fantástica. Um dos pontos altos do festival até agora.

Lamb of God - Após todos os problemas vividos por Randy Blythe devido à sua prisão e julgamento na República Checa, o Lamb of God atravessa um momento de renascimento. E isso foi sentido no palco, com um show violento e agressivo, com ótima performance individual dos integrantes e grande participação do público. Vai Brasil, aproveita o momento e abraça de vez um dos melhores e mais importantes nomes do metal contemporâneo!

Deftones - Entre os grandes nomes do nu metal, o Deftones é um dos que tenho menos contato desde sempre. Não conheço o som da banda a fundo. No entanto, o show realizado pelos norte-americanos foi excelente, com uma energia palpável capaz de conquistar até caras pouco familiarizados com a sua música, como eu. Ótima apresentação!

CPM22 - Ainda que parecesse deslocado em relação aos outros nomes da noite - trata-se de uma banda de pop punk, ou hardcore melódico, em um dia com predominância de metal -, o CPM22 assumiu a responsabilidade e abriu os trabalhos do Palco Mundo com personalidade. Aclamado pelo público, que participou ativamente de todas as canções, o quinteto fez bonito e comemorou os 20 anos de estrada com estilo.

Hollywood Vampires - Não dava nada por este show. E a expectativa ficou pior ainda após ver o setlist, recheado de covers. Mas gostei de ser enganado. Formado por ícones do rock - Alice Cooper, Joe Perry, Duff McKagan, Matt Sorum - e contando com o ator Johnny Depp em uma das guitarras, o Hollywood Vampires fez um show divertidíssimo. Alice foi o mestre de cerimônias, conduziu a banda e hipnotizou o público. As participações especiais de Andreas Kisser (em “Schools Out”, clássico de Cooper), Zak Starkey (o filho de Ringo Starr tocou “I'm a Boy”, do The Who, banda da qual é baterista há anos) e Lzzy Hale (a vocalista e guitarrista do Halestorm retornou ao palco pra deixar todo mundo de queixo caído em “Whole Lotta Love”, do Led Zeppelin) deram ainda mais brilho a uma apresentação que vai ficar na memória.

Queens of the Stone Age - Eu não gosto do Queen of the Stone Age, admito. O som da banda não me agrada, não gosto dos riffs, não é pra mim. Mas isso não importa. Josh Homme e sua turma tinham o público do Rock in Rio na mão. A participação da galera foi maciça, mesmo com a falta de uma interação maior do grupo com o público. Fico com a mesma opinião que tinha antes de assisti-los: o Queens of the Stone Age funciona melhor em locais menores, e não na imensidão do Palco Mundo. Mas, como todo mundo curtiu, provavelmente o errado sou eu.

System of Down - Em uma pesquisa divulgada antes do início do festival, o System of a Down foi apontado como a banda que o público mais queria ver no Rock in Rio. E a autenticidade desta pesquisa foi comprovada no show, com participação maciça da audiência. Desde que pisou no palco até o final da apresentação, o SOAD causou comoção coletiva, intensificada pela intensa energia vinda do público. Teve cara de celebração, e realmente foi.

Pra fechar, gostaria de falar um pouco sobre a cobertura e transmissão do Multishow. Houve uma melhora perceptível na qualidade de som do canal em relação aos shows do final de semana. E, apesar de algumas reclamações em redes sociais, o time escalado pra fazer a cobertura do evento entende do assunto e está indo muito bem, ao meu modo de ver. Didi Wagner é demais, com uma classe e beleza hipnotizantes. Titi Muller é sensualidade pura. Guilherme Guedes entende do que fala e agrega muito com os seus comentários, assim como Johnny, do Matanza, quando esse último está em cena. O único ponto fora da curva são as intervenções de Mari Moon e Bruno de Lucca, geralmente irritantes, e de Rodrigo Pinto, que fala apenas o óbvio em seus comentários. No mais, tá legal e muito mais profissional e sério do que nas edições anteriores.

24 de set de 2015

10 exemplos de como 2015 está sendo um ótimo ano para a música - Parte 2

quinta-feira, setembro 24, 2015

Uma das coisas que mais me tira do sério em relação à música é o que eu chamo de “complexo de classic rock”. Aquele cara que, mesmo sem ouvir NADA do que anda sendo lançado atualmente - com exceção dos artistas clássicos, é claro -, acredita piamente que a música de qualidade está apenas nos discos lançados em décadas passadas.

O fato é que tem música boa nas décadas de 1960, 1970 e afins. E também muita música ruim. Assim como tem muito lixo feito hoje em dia, e muito biscoito fino para os ouvidos sendo produzido e gravado agora mesmo.

Abaixo, outros dez discos lançados este ano e que mostram o quão interessante 2015 está sendo em termos musicais. Vários gêneros, vários climas, é só curtir!


The Aristocrats - Tres Caballeros

O Aristocrats é um super trio formado por Guthrie Govan (guitarra, Asia, The Young Prux, Steve Wilson), Bryan Beller (baixo, Dethlock, Steve Vai, James LaBrie e Dweezil Zappa) e Marco Minnemann (bateria, Joe Satriani e Steve Wilson). Tres Caballeros é o terceiro disco da banda e traz nove faixas instrumentais que transitam entre o prog, fusion, jazz e rock. Técnica pura, andamentos de quebrar o quadril, bastante agradável de se ouvir.


The Seven Ups - The Seven Ups

Natural da Austrália, o Seven Ups é uma big band de afrobeat e funk. Balanço certo em um disco de estreia excelente, perfeito pra cair na dança ou apenas colocar os neurônios pra pular. Metais inspirados, cozinha pulsante e muito bom gosto são os ingredientes principais.


Corsair - One Eyed Horse

Um pouquinho de peso sempre faz bem. Aqui, ele vem dos Estados Unidos e atende pelo nome de Corsair. A banda foi formada em 2008, lançou a sua auto-intitulada estreia em 2012 e este ano soltou One Eyed Horse. O som é um hard rock com ecos de stoner e guitarras gêmeas onipresentes. Uma espécie de Black Sabbath querendo ser Thin Lizzy, ou vice-versa - neste caso, a ordem dos fatores não altera a soma.


Melody Gardot -  Currency of Man

Jazz e soul contemporâneos, na bela voz da cantora norte-americana natural da Philadelphia. Currency of Man é o quarto álbum de Melody Gardot e foi lançado no início de junho. Bom gosto, classe, experimentação: tem de tudo, e tudo com muita qualidade.


The Dip - The Dip

Estreia deste combo de nove integrantes vindo de Seattle. Soul da melhor estirpe, remetendo às décadas de 1960 e 1970 mas sem soar ultrapassado. É fã de The Meters? Então você vai adorar o The Dip.


Vintage Trouble - 1 Hopeful Rd.

Segundo álbum de inéditas do Vintage Trouble, quarteto de blues rock vindo de Hollywood. Muito balanço e doses generosas de feeling em ótimas canções, onde o destaque, invariavelmente, é o belo timbre do vocalista Ty Taylor.


The Word - Soul Food

Jam band norte-americana que conta com integrantes do North Mississippi Allstars somados a Robert Randolph e John Medeski. O gabarito dos músicos garante a alta qualidade de Soul Food, disco de estreia do grupo. O negócio aqui é um som que transita entre o funk, o soul e o country. "Demais" é a palavra correta pra definir o que sai dos alto-falantes.


Tigran Hamasyan - Mockroot

Tigran Hamasyan é um pianista armênio, cujo trabalho tem como principal característica unir o jazz e a música folclórica de seu país. Mockroot é o seu sexto álbum e foi lançado pela Nonesuch Records, tradicional reduto dos bons sons.



Imperial State Electric - Honk Machine

Quarto álbum do Imperial State Electric, quarteto sueco surgido das cinzas do The Hellacopters. A música é similar à finada banda, mas com uma aproximação ainda mais forte ao que Kiss e Alice Cooper faziam nos anos 1970. Não tem como não gostar!


The Sure Fire Soul Ensemble - The Sure Fire Soul Ensemble 

Soul instrumental natural de San Diego. A banda equilibra influências de nomes como Curtis Mayfield, Isaac Hayes e Quincy Jones com ecos de artistas atuais como o The Poets of Rhythm. Pra tirar os móveis da sala e ouvir a todo volume, dançando sem parar.

O que aconteceria com o Metallica se Cliff Burton não tivesse falecido?

quinta-feira, setembro 24, 2015
Essa é uma das questões mais discutidas da história do heavy metal: e se Cliff Burton não tivesse falecido em 27 de setembro de 1986, como a carreira do Metallica se desenvolveria? Em mais um exercício de futurologia imaginativa, vou tentar imaginar como teria sido a trajetória de Burton e do Metallica caso os eventos daquela fatídica noite de inverno no interior da Suécia não tivessem ocorrido.

Clifford Lee Burton perdeu a vida durante a turnê do terceiro álbum do Metallica, o clássico Master of Puppets. Em relação aos dois discos anteriores - Kill ‘Em All (1983) e Ride the Lightning (1984) -, Master of Puppets mostrava uma evolução, com canções intrincadas e cheias de trechos com fartas doses de melodia, expediente já usado no segundo álbum e que havia gerado descontentamento em alguns fãs mais radicais, que acusavam o grupo de estar se vendendo e se tornando “mais comercial”. Vale lembrar que naquele mesmo 1986 o Slayer veio com o oposto disso tudo, dando ao mundo o violento Reign in Blood, com canções mais diretas e que babavam agressividade. A popularidade da banda crescia a cada dia, com o nome do grupo já sendo falado e reconhecido por publicações de fora do universo metálico.

O baixista era considerado, de maneira unânime, como o melhor instrumentista do Metallica. Tanto que o próprio grupo foi atrás de Burton quando ele ainda tocava no Trauma, e Cliff só aceitou o convite para entrar na banda impondo a condição de que o trio se mudasse para a sua cidade, San Francisco. James, Lars e Dave Mustaine tinham plena consciência de que estavam diante de um músico diferenciado e que seria fundamental para o futuro do Metallica, e aceitaram a solicitação de Burton sem maiores delongas.

Hetfield, Ulrich e Hammett ficaram muito abalados e chegaram a pensar em desistir da banda após a morte do baixista. Devastados, os músicos se afastaram de tudo que envolvia o grupo por um tempo, retomando aos poucos as atividades na medida em que a dor ia cicatrizando. Jason Newsted assumiu o posto, ... And Justice for All foi lançado e o Black Album transformou o Metallica em um fenômeno mundial de popularidade, sem precedentes na história do metal.

O auto-indulgente e egocêntrico ... And Justice for All provavelmente não existiria caso Cliff Burton ainda estivesse na banda. Uma espécie de auto-afirmação do grupo e veículo para demonstrar a técnica dos músicos em composições intrincadas que flertam com o progressivo, o quarto álbum do Metallica simboliza também o controle criativo total de James Hetfield e Lars Ulrich sobre os destinos da banda. Sem Burton, a dupla, que já compunha a maioria das faixas, jogou Hammett para o lado, ignorou o baixo de Newsted na mixagem final e tomou posse do destino.

Caso Cliff continuasse com o grupo, entendo que ... And Justice for All não existiria. Não seria esse o caminho que o Metallica seguiria ao lado do baixista. Provavelmente evoluiria ainda mais a sonoridade impactante de Ride the Lightning e Master of Puppets, entregando ao mundo um metal agressivo, pesado e com muita melodia, uma espécie de passo adiante do disco de 1986. De toda maneira, o quarto disco do Metallica seguiria sendo um trabalho de transição, a calma antes da tempestade que viria com o multi-platinado álbum preto.

No meu modo de ver, o Black Album não apenas existiria com Cliff, como soaria ainda mais eficiente e um pouco diferente com a presença do baixista. Ao invés de uma faixa como “My Friend of Misery”, parceria de James e Lars com Jason e veículo de afirmação do baixista, penso que a banda experimentaria outro caminho. Como visto em Load (1996), onde o grupo flertou com o country em “Mama Said”, creio que isso seria antecipado já no Black Album com Cliff. Burton era muito fã do Lynyrd Skynyrd e passava grande parte das viagens tocando na guitarra (sim, guitarra) composições da banda de Ronnie Van Zant. Como James também era um admirador do grupo, imagino que teríamos no disco uma composição que uniria o metal a elementos de southern rock, algo como um southern metal.

O Metallica explodiria, como explodiu, com o Black Album. A banda continuaria se tornando popular em todo o planeta, com o álbum preto sendo um fenômeno de vendas. Mas, após a ressaca do disco, o caminho sonoro seria outro. Ao invés de Load e todas as suas polêmicas - como os cabelos curtos, a maquiagem e os beijos entre Lars e Kirk, aspectos até hoje não digeridos por uma parcela de metalheads -. a história seria diferente. A banda se dividiria internamente em duas partes: de um lado Ulrich e Hammett e suas inovações, e do outro Hetfield e Burton. Cliff seria o parceiro que James não encontrou em Jason quando o Metallica gravou seus polêmicos álbuns lançados na década de 1990.

Essa parceria entre o guitarrista e o baixista faria o som do Metallica mergulhar na rica cultura musical norte-americana, levando o metal ao encontro do southern, do country e até mesmo do blues. Cliff era um hippie por natureza, um cara avesso ao estrelato e apaixonado por música. James é um caipira conservador, apaixonado pelo seu país. A dupla se consolidaria sua parceria criativa, levando a música do Metallica para um caminho inédito. Discos como Load e Reload (1997) não existiriam, e em seu lugar seriam lançados álbuns com uma musicalidade que levaria o thrash metal ao encontro do southern. Ainda mais popular, o Metallica não teria a já citada ressaca do Black Album e gravaria mais discos durante a década, ao invés de apenas três.

Além disso, a demanda por rock clássico surgida no início da década de 1990 refletiria no grupo, que jamais gravaria um trabalho como St. Anger tendo Cliff Burton em suas fileiras. O Metallica seguiria sendo inovador e inquieto como sempre foi, mas nunca lambendo o fundo do poço como fez no disco de 2003. A presença de Burton e sua musicalidade e técnicas intensas floreceria sobre os outros três músicos, gerando frutos benéficos como o constante desafio interno que levaria ao aprimoramento técnico do quarteto. Lars não regrediria tecnicamente como regrediu, e, ao invés disso, evoluiria em direção a novos caminhos. Nesse aspecto, uma possível aproximação com o prog e até mesmo com outros gêneros, como o jazz, seria algo provável no hipotético futuro do Metallica com Cliff, além da sempre presente influência do hardcore e punk, gêneros que o baixista era um apreciador confesso.

Imagino que se Cliff Burton não tivesse morrido, o Metallica soaria hoje em dia bastante próximo à sonoridade presente em Dark Roots of Earth (2013), último disco do Testament. O quarteto executaria um thrash agressivo, técnico pra caramba, cativante e refrescante, exatamente como seus conterrâneos da Bay Area.

É claro que tudo isso não passa de especulação, mas ao olhar para o passado, para onde o Metallica estava quando Cliff faleceu, me parece a evolução mais plausível dos acontecimentos. Você pode concordar ou não, é claro, só não pode deixar de fazer uma coisa: ir aos comentários e contar pra gente o que você acha que aconteceria se Cliff Burton ainda estivesse entre nós.

23 de set de 2015

David Gilmour - Rattle That Lock (2015)

quarta-feira, setembro 23, 2015

Vivemos em um mundo acelerado. Tudo é instantâneo, imediato. Agora ou nunca, update or die. Faça a experiência: pegue um adolescente qualquer e analise a sua capacidade de concentração. É assustador: ele não consegue manter o foco por 20 segundos. E não só ele, é claro. As crianças de hoje também sofrem desse mal, dessa ansiedade onipresente e sem sentido. Eu sofro, você sofre. Não conseguimos ficar muito tempo longe de nossos celulares, de nossas redes sociais, do que está acontecendo no mundo. É o povo que lê o título da matéria e emite opinião sem nem mesmo colocar o olho no conteúdo por um mero instante.

Esse é o nosso mundo, a nossa realidade. E David Gilmour parece não viver na mesma dimensão que eu, você e esse monte de gente. O trabalho do vocalista e guitarrista do Pink Floyd sempre foi mais contemplativo, calmo, relaxante. Como a sua própria personalidade. Rattle That Lock, seu novo disco, reafirma essa postura e funciona como uma antítese do cotidiano pé no fundo em que estamos inseridos.

Rattle That Lock é o sucessor de On an Island, excelente álbum lançado por Gilmour no já distante 2006. Sua bissexta discografia solo se completa com a estreia que trazia apenas seu nome como título (1978) e About a Face (1984). De cara, já revelo o fim dessa história: On an Island segue sendo o melhor álbum solo de David. Mas isso não quer dizer que o novo trabalho de Gilmour seja ruim, longe disso.

Produzido pelo próprio guitarrista e pelo parceiro Phil Manzanera (guitarrista do Roxy Music e integrante da banda que acompanha David), Rattle That Lock traz dez faixas, três delas instrumentais. A composição é dividida entre David Gilmour e sua esposa, a escritora e jornalista Polly Samson. A letra da canção que dá nome ao disco é baseada no clássico poema de John Milton, Paraíso Perdido, que narra o inferno e seus demônios. Ao lado de Gilmour estão nomes acima de qualquer suspeita e com uma longa ficha de serviços prestados à música, como David Crosby, Jools Holland, Robert Wyatt e o próprio Manzanera. Aqui, uma curiosidade: “A Boat Lies Waiting”, quarta música do disco, traz um sample com a voz do falecido tecladista do Pink Floyd e grande amigo de David, Richard Wright. E outra, pra fechar: Gabriel, um de seus oito filhos, faz sua estreia fonográfica tocando piano em “In Any Tongue”. 

O álbum traz boas faixas como “Faces of Stone”, “Beauty”, “The Girl in the Yellow Dress” (deliciosamente jazzy, com David assumindo o papel de uma espécie de crooner e Robert Wyatt mostrando sua classe na corneta) e “Today”, mas todas tem, no final das contas, o mesmo objetivo: funcionar como molduras para o que realmente importa. Os solos da guitarra singular de David Gilmour, é claro. Dono de uma das identidades mais fortes e marcantes do instrumento, David desde sempre voou ao infinito e além com seus solos - como esquecer da trinca “Money”, “Time" e “Comfortably Numb”? -, e segue mantendo esse hábito saudável. Ainda que algumas canções aproximem-se de maneira até certo ponto incômoda da new age, os solos justificam tudo e mudam totalmente as faixas. A guitarra de David é o elemento central, em torno da qual tudo se constrói e faz sentido. E é justamente essa postura, esse modo de trabalho e essa abordagem musical que faz Rattle That Lock valer a pena.

Aqui está um disco fora da curva, no sentido que exige do ouvinte uma contrapartida, uma parceria, um comprometimento. Não é um álbum para ser ouvido na correria do dia a dia, no meio de tudo, no furacão que leva a nada. Não. Rattle That Lock exige que você pare o que está fazendo e dedique-se a ele. E, como recompensa, retira a aceleração do seu dia e a correria do seu coração, elevando a alma de quem se deixar levar por suas canções.

No final, é pra isso que a música, e que a arte, servem, não é mesmo? Para apresentar novas sensações, novas possibilidades, novas dimensões para o cotidiano de todos que com ela tomam contato. Rattle That Lock cumpre essa papel com excelência.

10 opiniões sobre Crosseyed Heart, novo álbum de Keith Richards

quarta-feira, setembro 23, 2015

O primeiro álbum solo de Keith Richards em 23 anos é surpreendentemente atraente. Tendo o X-Pensive Winos como banda de apoio, Richards mistura blues com canções introspectivas, temperadas por um timbre de voz grave que tem algo em comum com Mark Lanegan. Richards mostra que não perdeu a fórmula de escrever bons riffs, e, ao final do álbum, fica o saudável desejo de que trabalhos como esse sejam mais frequentes.
The Guardian

Como os outros álbuns solo de Keith, Crosseyed Heart tem suas limitações e deficiências. Algumas ideias presentes aqui são recicladas de canções do passado, e o álbum poderia ter menos faixas. Ainda assim, um pouco de repetição e inchaço são facilmente perdoáveis, levando em conta que Richards lançou apenas três discos em 30 anos.
Consequence of Sound

O disco é um mash-up magistralmente bagunçado e cheio de sujeira contemporânea. Crosseyed Heart é essencialmente Keith Richards.
NME

Analisado como um todo, Crosseyed Heart é verdadeiramente um álbum solo de Keith Richards. Desde sua guitarra minimalista até suas falhas vocais, passando pela capacidade de controlar perfeitamente a atmosfera, o disco é a epítome de uma longa e bem sucedida carreira. Mais descontraído que um típico disco dos Stones, trata-se de uma bela coleção de canções.
Ultimate Guitar

O guitarrista dos Rolling Stones fez uma grande jogada individual em seu primeiro trabalho solo fora da banda em décadas.
Mojo

Crosseyed Heart traz Keith Richards in natura, o guitarrista que gosta de estar em estúdio, compondo, gravando com os demais integrantes que o acompanham na carreira solo. A sinceridade do trabalho está disposta em cada fragmento deste disco, e está presente em cada risada do velho Richards, ao relembrar parcerias e bons momentos com os Stones. Como um resgate de memórias, a sala repleta de detalhes e amigos e estilos e viagens de drogas e tantos outros fatos que nortearam a sua vida, arranjos e acordes dão sabor a essas memórias e criam um excelente registro de rock’n roll.
Escuta Essa

Se havia alguma dúvida que Keith Richards é a alma e o coração musical dentro dos Stones, essa dúvida foi dissipada quando Keith lançou seu primeiro álbum solo, Talk is Cheap, em 1988. Com Crosseyed Heart, Keith reafirma tudo isso, num álbum que pode não trazer nada de novo, repete alguns clichês, como bom discípulo de Chuck Berry, mas é cheio de sentimento, espontaneidade, jovialidade e alegria, tudo aquilo que qualquer um de nós precisa ouvir e viver para continuar caminhando nessa terra de tempos difíceis e matadores.
Galeria Musical

O álbum traz Keith Richards em um ótimo momento solo e mostra que ele poderia se virar bem como um dos herdeiros do blues, ainda que só por diversão.
Music on the Run

Os fãs dos Stones ficarão felizes com Crosseyed Heart. Um documento tradicional e fiel à cartilha do rock and roll, o disco poderia ter sido lançado em qualquer período das últimas quatro décadas.
Los Angeles Times

Um disco onde a atmosfera é mais importante que as músicas. Mas Keith Richards não negligencia esse fator, escrevendo ótimas faixas em Crosseyed Heart.
AllMusic

Ranking de discos: AC/DC

quarta-feira, setembro 23, 2015

Um levantamento estatístico da discografia da lendária banda australiana, levando em conta as avaliações dos sites Rate Your Music e AllMusic, e também as notas presentes no The Rolling Stone Album Guide.

Observações: como sempre, computamos apenas os discos de estúdio, nada de álbuns ao vivos por aqui. E em relação ao AC/DC, é preciso mencionar que o EP ’74 Jailbreak (1984) e as compilações Who Made Who (1986) e Iron Man 2 (2010) não estão neste levantamento por serem EPs e coletâneas, e não discos completos de estúdio.

Funciona assim: pegamos as notas de cada título nas fontes citadas, calculamos tudo e chegamos a uma nota final para cada disco.

Seguindo esse raciocínio, o ranking de discos do AC/DC ficou assim:

15 Fly on the Wall (1985)
14 Flick of the Switch (1983)
13 Ballbreaker (1995)
12 The Razors Edge (1990)
11 Blow Up Your Video (1988)
10 Black Ice (2008)
9 Powerage (1978)
8 Stiff Upper Lip (2000)
7 For Those About to Rock (We Salute You) (1981)
6 Rock or Bust (2014)
5 Let There be Rock (1977)
4 High Voltage (1976)
3 Dirty Deeds Done Dirt Cheap (1976)
2 Highway to Hell (1979)
1 Back in Black (1980)

Minhas observações sobre a discografia do AC/DC: meu álbum preferido da banda é o Highway to Hell, seguido de perto pelo High Voltage. Depois, coloco o Back in Black, o Powerage e o Black Ice. Mais abaixo vem Dirty Deeds, Stiff Upper Lip e For Those About to Rock. Os álbuns da segunda metade da década de 1980 e de todos os anos 1990 acho bem medianos, assim como o Rock or Bust, que achei bem fraco.

Meu top 5 da banda fica assim:

1 Highway to Hell
2 High Voltage
3 Back in Black
4 Powerage
5 Black Ice


E vocês, quais são os seus discos preferidos do AC/DC? Os comentários estão aí, esperando suas listas.

22 de set de 2015

Ryan Adams, Taylor Swift e a música reduzida à sua essência

terça-feira, setembro 22, 2015

Ouvi uma vez. Ou li em algum lugar. Talvez tenha sonhado, não sei. Mas a frase ficou grudada na memória, e dizia o seguinte: você percebe que uma canção é boa quando ela funciona no violão. O que quer dizer, em outras palavras, que uma boa canção sempre será uma boa canção. Uma composição forte funcionará mesmo despida de toda sua produção, reduzida à sua essência, à melodia que a conduz.

Ryan Adams acaba de provar, de forma prática, esse raciocínio. O prolífico artista norte-americano decidiu regravar, integralmente, o álbum 1989, lançado em 2014 por um dos maiores nomes do pop, a também norte-americana Taylor Swift. E o resultado, meus amigos, é primoroso.

As canções foram despidas, reduzidas aos seus núcleos. No lugar dos arranjos cheios de elementos e da superprodução presentes no disco original, Adams colocou a sua marca. Ou seja: arranjos levados ao violão, com grande ascendência dos gêneros protagonistas de sua obra, que são o folk, o rock e o country.

E Ryan Adams tem tanta personalidade que, ao ouvir as canções de 1989, um desavisado pensará que trata-se do novo álbum do vocalista e guitarrista, e não de um disco de releituras. Eu, por exemplo, que sou um grande fã da obra de Adams, jamais tinha escutado nada de Taylor Swift. E, após ouvir as versões de Ryan, fui dar uma conferida no disco da menina. O contraste é gritante. E o resultado, para o meu gosto pessoal, muito superior.


Mas o fato é que tudo já estava lá. As letras, as melodias, as ideias. Ryan Adams não alterou nada disso. Apenas retirou o excesso e foi mais, digamos, minimalista, realçando assim as qualidades de cada uma das trezes canções de 1989. Há um clima melancólico e contemplativo que remete ao melhor álbum de Adams, Gold, composto logo após o músico levar um pé na bunda. E essa relação próxima entre trabalhos a princípio tão distantes encontra explicação por 1989 ser considerado o disco mais pessoal de Taylor Swift, com letras intimistas e que contam passagens marcantes de sua vida. O próprio título do trabalho faz alusão ao ano de nascimento da cantora.

Não vou me transformar em um fã de Taylor Swift, mas esse nem é o caso. O que fica de toda essa experiência é um respeito maior pela menina, e um reconhecimento ainda mais profundo pelo gênio que é Ryan Adams.

1989. Tá aí um disco muito legal de se ouvir. Vale a pena experimentar!

Metal Allegiance - Metal Allegiance (2015)

terça-feira, setembro 22, 2015

O Metal Allegiance, como o nome indica, é um supergrupo formado por vários dos principais nomes da cena atual do heavy metal. O line-up básico conta com Alex Skolnick (guitarra, Testament), David Ellefson (baixo, Megadeth) e Mike Portnoy (bateria, The Winery Dogs e ex-Dream Theater), além do compositor e baixista Mark Menghi. 

Completam a banda, e são os seus principais diferenciais, as várias participações especiais em cada uma das faixas presentes no disco de estreia do grupo. Batem ponto por aqui Randy Blythe (Lamb of God), Gary Holt (Exodus e Slayer), Troy Sanders (Mastodon), Rex Brown (Pantera), Chuck Billy (Testament), Phil Demmel (Machine Head), Andreas Kisser (Sepultura), Phil Anselmo (Pantera, Down), Mark Osegueda (Death Angel), Cristina Scabbia (Lacuna Coil), Matt Heafy (Trivium), Doug Pinnick (King’s X), Jamey Jasta (Hatebreed), Misha Mansoor (Periphery), Ben Weinman (The Dillinger Escape Plan), Charlie Benante (Anthrax), Ron “Bumblefoot" Thal (Guns N’ Roses), Chris Jericho (Fozzy), Tim Owens (ex-Judas Priest e Iced Earth), Alissa White-Gluz (Arch Enemy) e Steve “Zetro" Souza (Exodus). Ufa …

Como se percebe, as participações especiais do Metal Allegiance fogem do lugar comum habitual dos discos tributo, onde os nomes envolvidos geralmente são de segunda linha. Aqui, com raras exceções, temos a presença de músicos de inegável reputação, muitos deles vivendo o auge dos seus poderes. E isso, evidentemente, se reflete no resultado do disco de estreia do projeto.

O álbum é uma celebração ao heavy metal, um tributo ao gênero. Mas isso não é feito através de releituras de clássicos do estilo, mas sim com composições inéditas. Musicalmente, temos faixas focadas em um aspecto mais contemporâneo, com muito peso e groove. A performance instrumental é primorosa, e não se esperaria algo diferente levando em conta o alto gabarito dos nomes presentes. Em relação aos vocais, cada artista traz para o material as suas características particulares e marcantes, resultando em uma saudável variedade auditiva. Assim, temos Randy Blythe acabando com tudo logo na faixa de abertura, enquanto Troy Sanders mostra mais uma vez o seu belo timbre. Chuck Billy caminha no thrash, Scabbia faz um dueto com Osegueda, e assim por diante. São músicas muito bem escritas, e que constroem um tracklist consistente.

Os destaques principais são “Gift of Pain” (com Blythe e Holt), “Let Darkness Fall” (Sanders) e “Can't Kill the Devil” (com Chuck Billy e uma introdução chupada de “Seasons in the Abyss”, do Slayer). Menções também para a instrumental “Triangulum" e para a versão de “We Rock”, clássico do Dio.

Um bom disco, com um resultado final superior a maioria destas reuniões de músicos. Resumindo: diversão garantida.


Novos sons e clipes: Cee-Lo Green, Blackberry Smoke e Eagles of Death Metal

terça-feira, setembro 22, 2015

“Music to My Soul” faz parte do novo álbum de Cee-Lo Green, Heart Blanche. O disco chegará às lojas no dia 13 de novembro. O clipe foi dirigido por Mark Staubach e traz o cantor em Nova Orleans, mostrando uma das tradições da cidade: um funeral que toma as ruas vestido com muitas cores.

Já o Blackberry Smoke lançou o clipe de “Rock and Roll Again”, música presente em seu último disco, Holding All the Roses. As cenas mostram a banda tocando enquanto belas garotas despem suas roupas. Alerta de nudes :-)

Fechando, o Eagles of Death Metal disponibilizou o lyric video de “Silverlake”, música que estará em seu novo disco, Zipper Down, com lançamento marcado para o dia 2 de outubro. Vale lembrar que a banda tem como integrantes principais o vocalista e guitarrista Jesse Hughes e Josh Homme, do Queens of the Stone Age, tocando guitarra, teclado, baixo e bateria.

David Lynch está gravando a terceira temporada de Twin Peaks

terça-feira, setembro 22, 2015

Uma das séries mais cultuadas de todos os tempos retornará em breve. David Lynch está filmando a terceira temporada de Twin Peaks, com locações espalhadas pelo estado do Washington. Não se sabe muito sobre a trama, o que aumenta ainda mais o mistério em torno da coisa toda.

Dois novos nomes foram confirmados no cast. A atriz Amanda Seyfried interpretará um papel importante na trama. As suposições giram em torno de uma amiga próxima à Laura Palmer, e que poderia lançar luz e protagonizar os acontecimentos vindouros. Já Balthazar Getty foi anunciado e, mesmo sem confirmação oficial, as suposições giram em torno de um retorno do personagem Bob (Frank Silva, que fazia o papel na série, faleceu em 1995) ou de Leland Palmer, o pai de Laura.

Por enquanto é isso. Não há maiores informações e nem uma data prevista para a estreia da terceira temporada de Twin Peaks. Ansiedade crescendo a cada dia …



Curiosidades sobre Pablo Escobar, o novo álbum de Keith Richards e a igreja mais sinistra do planeta

21 de set de 2015

Emicida - Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa (2015)

segunda-feira, setembro 21, 2015

Após a boa recepção ao seu álbum de estreia, O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui (2013), Emicida retorna inspirado em seu segundo disco, Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa. O rapper soa mais maduro e com uma musicalidade ainda mais ampla, explorando uma gama maior de influências e inserindo em seu caldeirão sonoro novos ingredientes. As letras mantém a onipresente crítica social, na maior parte das vezes de uma maneira agressiva e bastante direta. Em uma comparação rápida com a obra do chapa Criolo, o outro principal nome do atual hip-hop brasileiro, o discurso de Emicida soa mais raivoso e menos irônico e ácido do que o do autor de Convoque Seu Buda, em um contraste que soa complementar ao mostrar as possibilidades de caminhos distintos para transmitir uma mensagem semelhante.


Emicida surpreende ao iniciar Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa não com um possível single, mas com uma canção calma e contemplativa, onde olha para o passado e homenageia Dona Jacira, sua mãe. Intitulada “Mãe”, a faixa é de uma beleza tocante, principalmente o trecho final, onde a própria mãe do artista recorda as memórias e sentimentos de quando menino nasceu. Uma das mais belas composições de Emicida, é um início de arrepiar para um disco que só cresce em seu decorrer.

Não conseguindo errar, Emicida mantém a qualidade no alto em um desfile consistente de faixas. “8" derrama groove e embala uma letra inspirada, enquanto “Casa" utiliza vozes infantis em um refrão que arrepia até a alma. Os pequenos interlúdios, como as belas “Amoras" e “Sodade”, funcionam como paradas estratégias que apresentam novos capítulos do álbum. 

Bebendo na fonte eterna de Jorge Ben, “Mufete" é uma das melhores do disco, com um embalo que é puro samba rock. “Baiana" vem a seguir e traz uma desnecessária participação de Caetano Veloso, que pouco aparece na canção. Vanessa da Mata bate ponto na meiga “Passarinhos”, talvez a canção menos inspirada do trabalho, ao lado de “Baiana”. 

A parte final do play conta com uma desfile de composições de fortíssimo questionamento social, retratando a ebulição que vivemos no Brasil, cada vez mais dividido, cada vez mais perdido em discussões políticas que apenas disfarçam a troca do seis por meia dúzia. A pesada “Boa Esperança” é puro brilhantismo, seguida pelo indignado discurso do escritor pernambucano Marcelino Freire em “Trabalhadores do Brasil”, que retrata o cotidiano dos negros a partir de diversas perspectivas. Uma introdução perfeita para a longa “Mandume”, a principal faixa do Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa, onde Emicida divide os vocais com Drika Barbosa, Amiri, Rico Dasalam, Muzzike e Raphão Alaafin em mais de oito minutos que funcionam como um manifesto inteligente e repleto de autenticidade que retrata o preconceito racial de uma maneira ao mesmo tempo inspirada e triste, tornando impossível não questionar, afinal, porque um país como o Brasil, que tem a miscigenação incrustada de maneira profunda em sua história, não consegue olhar para o próprio umbigo e entregar oportunidades iguais para todos os seus filhos.

O samba rock retorna à ordem do dia em “Salve Black”, que encerra o disco com alto astral e transbordando a esperança e o sonho de viver em um país melhor, cada vez mais.

Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa é um disco mais maduro e consistente que O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui, que já era muito bom. Em seu novo álbum, Emicida solidifica a sua posição no atual cenário brasileiro, funcionando como catalisador dos anseios, sonhos e questionamentos de uma enorme parcela da população brasileira. A crescente popularidade do músico só torna ainda mais forte os porquês levantados pelo rapper, levando as suas perguntas a um número ainda maior de pessoas - ainda bem, por sinal.

Um disco necessário, e que retrata com grande destreza o momento que vivemos. 

Até agora, o grande álbum brasileiro de 2015.

Novo livro sobre Bon Scott

segunda-feira, setembro 21, 2015

A louca vida de Bon Scott, falecido vocalista do AC/DC, ganhará mais um registro. Será lançado em 14 de outubro o livro Live Wire, escrito por três dos amigos mais próximos do músico: seu roadie John D’Arcy, a esposa de John - Gabby - e a cantora Mary Renshaw.

Segundo o release da editora Allen & Unwin, trata-se de “um profundo e revelador retrato pessoal” de Scott. O trio conviveu de maneira muito próxima com Bon, tanto em sua vida fora dos palcos quanto na rotina de shows do AC/DC. De acordo com John D’Arcy, a figura de Bon Scott é sempre retratada mostrando o sexo, drogas e rock and roll como protagonistas, mas o livro revelará também o seu senso de humor e inteligência, mostrando um caloroso ser humano. John trabalhou ao lado de Bon durante a passagem do cantor pelo AC/DC.

Sairá no Brasil? Não sei. Mas seria uma boa, hein?

Rush anuncia lançamento de material ao vivo

segunda-feira, setembro 21, 2015

O Rush lançará em novembro R40 Live, gravado durante os shows realizados nos dias 17 e 19 de junho deste ano no Air Canada Centre, em Toronto. Este será o primeiro vídeo mostrando a banda tocando em seu país natal em duas décadas. O material chegará às lojas no dia 20/11 em versões CD, DVD e Blu-Ray.

R40 Live trará mais de três horas de material, incluindo canções que fogem dos setlists habituais do trio canadense. Como prévia, a banda disponibilizará no próximo dia 25 de setembro a versão de “Roll the Bones” presente no título. A capa ainda não foi revelada.

Segundo o site setlist.fm, estas foram as músicas tocadas nos dias 17 e 19/06, respectivamente.




Ranking de discos: Iron Maiden

segunda-feira, setembro 21, 2015

A exemplo do que fizemos com o Black Sabbath, um levantamento estatístico sobre a discografia do Iron Maiden. Temos como base as avaliações aplicadas pelos sites Rate Your Music e AllMusic para todos os álbuns da banda inglesa. Como terceiro medidor, pegamos as notas atribuídas pela Sounds, Kerrang e Metal Hammer (como estas três revistas se sucederam no posto de principal publicação do planeta dedicada ao metal ao longo das décadas, os primeiros álbuns contém as notas da Sounds, no meio da discografia temos a opinião da Kerrang e na parte final as avaliações da Metal Hammer).

Com todos estes dados em mãos, calculamos a média e chegamos à nota final de cada disco, em um sistema que busca a isenção passional.

Com vocês, o ranking de discos do Iron Maiden:

16 No Prayer for the Dying (1990)
15 Virtual XI (1998)
14 Fear of the Dark (1992)
13 The X Factor (1995)
12 The Final Frontier (2010)
11 Killers (1981)
10 A Matter of Life and Death (2006)
9 Brave New World (2000)
8 Dance of Death (2003)
7 Somewhere in Time (1986)
6 Iron Maiden (1980)
5 The Book of Souls (2015)
4 Piece of Mind (1983)
3 The Number of the Beast (1982)
2 Seventh Son of a Seventh Son (1988)
1 Powerslave (1984)

Minhas opiniões sobre a discografia do Maiden: o melhor álbum da banda pra mim é o Powerslave, seguido de perto pelo The Number of the Beast. Abaixo, coloco o Somewhere in Time, o Piece of Mind e a estreia. Um pouco mais abaixo desta trinca, vem o Seventh Son e o Killers. Na sequência, todos os álbuns lançados pela banda desde o retorno de Bruce Dickinson e Adrian Smith, seguindo esta ordem: The Book of Souls, Brave New World e The Final Frontier, e daí o A Matter of Life and Death, que não curto muito. E, por fim, The X Factor. Fechando o pacote, considero Virtual XI, Fear of the Dark e No Prayer no mesmo nível: péssimos discos.

Meu top 5 da banda ficaria assim:

1 Powerslave
2 The Number of the Beast
3 Somewhere in Time
4 Piece of Mind
5 Iron Maiden

E vocês, o que pensam sobre o catálogo do Iron Maiden? Vá até os comentários e conte quais são os seus cinco discos preferidos dos ingleses.

Impressões sobre o primeiro final de semana do Rock in Rio

segunda-feira, setembro 21, 2015

Queen + Adam Lambert - Primeiro ponto: Freddie Mercury é insubstituível. Segundo: Adam Lambert faz um tributo ao falecido cantor. Terceiro: a participação do público colocou a apresentação em um nível mágico e arrepiante. Não era o Queen, era um show tributo em homenagem à banda e com a participação de Brian May e Roger Taylor. E Adam Lambert não é Freddie Mercury, mas é um excelente vocalista.

Noturnall - Um dos shows mais constrangedores que o Rock in Rio já presenciou. De fazer a desastrosa apresentação do Angra, em 2011, parecer brilhante. Zumbis ridículos ao redor do palco, o vocalista se esvaindo em um figurino três números menor e mais apropriado para a Sibéria do que para o calor do Rio de Janeiro. A participação de Michael Kiske foi um contraste positivo, elevando um pouco o nível, mas não salvou muita coisa. O estereótipo levado pelo Nocturnall ao palco, com figurinos de couro, gritinhos agudos em cada música e o discurso de sempre de apoio ao “metáu nassionau” na entrevista pós-show concedida ao Multishow só depõe contra a imagem dos fãs de metal nascidos aqui no Brasil. Ouço heavy metal há mais de 30 anos e não penso, não ajo e não me visto nada parecido ou próximo ao que Thiago Bianchi e sua turma mostraram no palco. O que é uma pena, pois os dois discos lançados pelo Noturnall são bem interessantes e valem uma escutada.

Angra - O Angra fez um show excelente, apagando totalmente a desastrosa apresentação de 2011. Banda afiada - o novo baterista é excepcional -, repertório escolhido a dedo e um grande respeito pelos fãs, representado através do anúncio, ao vivo e diante do público, de Marcelo Barbosa como substituto de Kiko Loureiro. Como cereja do bolo, a presença de Dee Snider mandando ver em dois clássicos do Twisted Sister.

Ministry - Apesar de Al Jorgensen estar visivelmente alterado antes do show, a apresentação do Ministry foi muito boa. Não curto, e nem nunca curti, o som dos caras, mas o line-up atual do grupo é excelente e isso se refletiu na qualidade apresentada em cima do palco.

KoRn - Como esperado e como sempre, um ótimo show, com alta performance técnica de todos os músicos e grande participação do público. O KoRn é ótimo, todo mundo já sabe disso.

Gojira - Uma das melhores apresentações deste primeiro fim de semana. Os franceses colocaram o Palco Mundo abaixo com um grande show, tecnicamente perfeito. Pra quem não conhecia virar fã!

Royal Blood - O grande show deste primeiro final de semana do Rock in Rio, na minha opinião. A dupla inglesa deixou todo mundo boquiaberto com sua performance avassaladora. Sem uma guitarra no time, somente baixo e bateria, com o baixo sendo tocado com uma abordagem de guitarra, não como instrumento rítmico, mas como solista. O Rock in Rio tem tradição de trazer bandas relativamente desconhecidas, e geralmente elas roubam a cena. Em 2015, o Royal Blood fez esse papel.

Mötley Crüe - Uma celebração ao legado da banda norte-americana, com um setlist muito bem escolhido. Ótima performance instrumental, pirotecnia e um final emocionante com a linda “Home Sweet Home”. Mas não dá mais pro vocal de Vince Neil, como ficou claro durante todo o show.

Metallica - Uma banda burocrática e sem vontade no palco, fria e distante do público. Sensação que só se intensificou com a pane de som logo no início da apresentação, que causou uma pausa no concerto. Na volta, o Metallica entregou uma versão terrível de “Unforgiven” - nem banda cover tocaria daquela maneira. Os músicos podem ter ficado chateados com a produção devido aos problemas de som, mas o público não teve nada a ver com isso. O pior show dos norte-americanos em todas as edições do Rock in Rio e, devido à expectativa que sempre acompanha o Metallica, o pior show do festival até o momento.

Baby do Brasil e Pepeu Gomes - Uma deliciosa apresentação na tarde de domingo, marcando a reunião do casal que fez história nos Novos Baianos. Comandando a festa, Pedro Baby, filho de Baby e Pepeu, e que estava na barriga da mãe no Rock in Rio de 1985. Depois do Royal Blood, o show que mais curti neste primeiro fim de semana do festival.

Elton John e Rod Stewart - Dois dos maiores nomes do rock e do pop, com catálogos repletos de sucessos. Não tinha como dar errado, e não deu. Ótimos, como esperado.



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