29 de set de 2015

O jornalismo musical brasileiro e a incapacidade de pensar além do umbigo

terça-feira, setembro 29, 2015

O Rock in Rio 2015 acabou e deixou algumas certezas. Foi uma das melhores edições do festival, repleta de excelentes shows e muitas surpresas boas: Royal Blood, Halestorm, a parceria de Steve Vai com a Camerate de Florianópolis. Motivos para comemorar não faltam.

Mas há que se fazer um apontamento em relação à cobertura do evento pela crítica especializada em música, em suas mais variadas esferas. De blogs tocados por fãs (de quem não se espera muito mais do que paixão e tesão) a grandes veículos de comunicação (de quem se espera muito, mas se recebe pouco), o que vimos foi a contestação triste e definitiva de que o jornalismo musical brasileiro não consegue pensar além do próprio umbigo.

Estava lá um dos principais sites de rock e heavy metal do país, fazendo piada no Twitter com toda e qualquer atração que não se enquadrasse nos gêneros que cobria, derramando um show de preconceitos em 140 caracteres. Estava lá o jornalista cultural veterano que se transformou em um personagem de seus textos, lutando feito louco para descobrir um artista que ninguém conhecia enquanto criticava o festival por ser patrocinado por grandes conglomerados - como se, apesar de seu longo tempo de estrada, não soubesse muito bem que um evento deste porte só pode ser concretizado através de parcerias com grandes marcas. Estava lá o jornalista musical que já foi referência e hoje apenas desfila mau humor, arrogância e atraso em seus textos, assistindo ao festival em sua casa enquanto elaborava textos que tinham um único objetivo: causar polêmica pela polêmica, simples assim.

Basta uma pesquisa um pouco mais profunda, uma leitura geral nos textos de grandes portais, jornais, revistas e sites, para perceber o quanto a imensa maioria dos jornalistas musicais brasileiros não consegue pensar além do próprio umbigo, algo que vá além do seu gosto pessoal disfarçado de opinião e ponto de vista. Falta alguém que consiga analisar, que tenha vocabulário vasto e profundo, para entregar textos que rompam as barreiras dos nichos. Alguém que consiga perceber que a qualidade de um artista não está ligada ao gênero que ele executa. Que não tenha preconceito em escrever. Em meus mais de trinta anos como leitor, ouvinte e fã de música, encontrei apenas uma pessoa assim, e digo o nome dela a plenos pulmões: o Sergio Martins. Ex-editor da Showbizz, hoje na Veja. Leia seus textos, são incríveis.

Além de tudo isso, acompanhar as redes sociais de críticos musicais e jornalistas especializados em música durante o Rock in Rio foi uma experiência peculiar. Enquanto se preocupavam em fazer piadas e ironias em profusão, muitos deles derramavam uma mágoa disfarçada de indignação, que teve como um dos seus alvos principais a cobertura feita pela equipe do Multishow, Aqui, cabem algumas observações: achei a cobertura do canal excelente, muito mais séria e profissional do que a apresentada nas edições anteriores do Rock in Rio. Como destaque, as excelentes participações da Didi Wagner, do Guilherme Guedes, do Jimmy London, da Titi Muller e Dedé Teicher. É preciso entender que, ao analisar um evento desta grandeza para um canal que atinge a grande massa, o seu discurso precisa de alguns ajustes. Você tem que deixar de lado o público de nicho e falar para o público de massa. Tem que decodificar e apresentar, por exemplo, o que é o Mastodon para alguém que nunca ouviu a banda, enquanto você já a conhece há muito tempo. E essa função, essa mudança, além de ser possível para poucos, parece não ser percebida pelos ditos “colegas" de profissão.

O jornalismo musical brasileiro precisa se atualizar, abandonar vícios, deixar de lado preconceitos e pensar a sua função de uma maneira diferente. Precisa falar da música como um todo, não apenas uma parte dela. Precisa ser renovado, atualizado, refrigerado. O que vimos durante o Rock in Rio mostra que muita coisa está errada, apesar da arrogância de quem escreve sobre música aqui no Brasil jamais admitir isso.

É um tema que vale a pena refletir, ainda que alguma mudança pareça longe de acontecer.

Ranking de discos: Kiss

terça-feira, setembro 29, 2015

Um levantamento a partir de três bancos de dados: Rate Your Music, All Music e Rolling Stone. Pegamos as notas atribuídas aos discos do Kiss por cada uma destas fontes, e fizemos a média para montar o ranking de discos da banda.

O resultado ficou assim:

20 Asylum (1985)
19 Carnival of Souls (1997)
18 Unmasked (1980)
17 Animalize (1984)
16 Crazy Nights (1987)
15 Hot in the Shade (1989)
14 Music From “The Elder” (1981)
13 Revenge (1992)
12 Dynasty (1979)
11 Psycho Circus (1998)
10 Creatures of the Night (1982)
9 Lick It Up (1983)
8 Monster (2012)
7 Hotter Than Hell (1974)
6 Sonic Boom (2009)
5 Kiss (1974)
4 Rock and Roll Over (1976)
3 Dressed to Kill (1975)
2 Love Gun (1977)
1 Destroyer (1976)

Minha relação com o Kiss é assim: adoro o primeiro disco e a dupla Love Gun e Destroyer. Na sequência, Dressed to Kill e Rock and Roll Over. Depois, o Creatures of the Night, o Sonic Boom e o Monster. Acho o grande maioria dos discos da década de 1980 e dos anos 1990 muito ruins.

Meu top 5 da banda é o seguinte

1 Kiss
2 Destroyer
3 Love Gun
4 Dressed to Kill
5 Rock and Roll Over

E você, qual a sua opinião sobre a discografia do Kiss? Conte pra gente nos comentários.

FOX divulga os dois primeiros trailers da nova temporada de Arquivo X

terça-feira, setembro 29, 2015

Após longos 13 anos, Arquivo X estará de volta às telas da FOX. A data de estreia da nova temporada da cultuada série será 24 de janeiro. Marcando o retorno, a FOX divulgou dois pequenos trailers.

O primeiro começa com Fox Mulder afirmando que “em 2002 nossas investigações cessaram, mas a minha obsessão pessoal não”. Um homem misterioso então revela ao herói que a verdade está finalmente ao seu alcance, o que motiva o agente do FBI a procurar uma velha amiga.

Além de David Duchovny (Fox Mulder) e Gillian Anderson (Dana Scully), a nova temporada de seis episódios vai mostrar o retorno de Mitch Pileggi (Walter Skinner), William B. Davis (o Canceroso) e Annabeth Gish (como a agente do FBI Monica Reyes), bem como o trio Tom Braidwood, Dean Haglund e Bruce Harwood, conhecido como Os Pistoleiros Solitários.

Assista abaixo aos dois trailers divulgados:

28 de set de 2015

10 exemplos de como 2015 está sendo um ótimo ano para a música - Parte 3

segunda-feira, setembro 28, 2015

Mais uma dezena de motivos pra você amar 2015, com dez discos bem legais que saíram este ano. Aqui, a coisa está mais focada no blues, blues rock e southern, de modo geral.



My Sleeping Karma - Moksha


Quinto álbum da banda alemã My Sleeping karma, Moksha foi lançado no final de maio e traz onze faixas espaciais e siderais. O lance aqui são canções com ricas camadas instrumentais e arranjos espessos que se equilibram entre a psicodelia, o stoner e o space rock.


Dommengang - Everybody’s Boogie

Estreia deste power trio norte-americano, que entrega um blues rock com pitadas psicodélicas. A banda soa como uma mistura bizarra entre ZZ Top e The Doors, com canções predominantemente instrumentais. Se você pegar a estrada ouvindo este disco, certamente ultrapassará todos os limites de velocidade.


Left Lane Cruiser - Dirty Spliff Blues

Este é o oitavo álbum do Left Lane Cruiser, trio formado nos Estados Unidos e que executa um blues rock direto ao ponto, com sonoridade crua e arranjos diretos. Sem frescura, a banda garante a diversão dos ouvidos com boas canções.


Sonny Landreth - Bound by the Blues

Como o título indica, aqui a coisa é pra quem curte blues. Bound by the Blues é o novo álbum do veterano, porém não tão conhecido, bluesman norte americano Sonny Landreth. Guitarrista de mão cheia, com domínio evidente do slide, Landreth passeia por composições próprias e por versões nada óbvias para clássicos como “It Hurts Me Too” e “Key to the Highway”. Boa pedida!


The Muggs - Straight up Boogaloo

Hard rock poeirento, com guitarras pesadas e muito groove, tudo embalado com a inconfundível e deliciosa influência southern e country. Natural de Detroit, o The Muggs retorna com o seu quarto disco, cheio de riffs e refrãos fortes. Pra ouvir no volume máximo, é claro!


Bulletmen - Full Throttle

Southern rock vindo da Espanha, com um disco de estreia bastante influenciado por lendas do porte de Lynyrd Skynyrd e afins. O Bulletmen é uma grande surpresa, mostrando potencial para vôos maiores nos próximos anos. Fique de olho!


Bill Wyman - Back to Basics

Novo disco do baixista original dos Rolling Stones, com uma banda de apoio que conta com nomes de peso como Guy Fletcher (tecladista do Dire Straits) e Robbie McIntosh (Pretenders e Paul McCartney). Como o título do álbum deixa claro: it’s only rock and roll, but I like it!


Tom Cochrane - Take It Home

Rock ianque de estirpe e tradição, na escola Bruce Springsteen. Tom Cochrane está na estrada há décadas com uma longa e sólida discografia, e Take It Home mantém a qualidade característica. As onze faixas do disco apresentam um exemplar trabalho de composição.


King King - Reaching for the Light

Blues rock escocês, de um quarteto natural de Glasgow. Este é o terceiro álbum da banda, e vem com uma sonoridade contemporânea que soa refrescante sem abrir mão das principais características do estilo.


Dan Patlansky - Dear Silence Thieves

Sétimo álbum deste bluesman natural da África do Sul, com canções bem feitas e uma bem-vinda adição de peso - ainda que em doses homeopáticas - ao sempre necessário e agradável blues. Vale a pena colar os ouvidos.



Impressões sobre os shows do segundo final de semana do Rock in Rio 2015

segunda-feira, setembro 28, 2015

(alguns shows não foram assistidos, por isso não possuem comentários a respeito)

Moonspell - A maior banda de metal de Portugal, seminal na associação entre o black metal e a sonoridade gótica, fez um show muito competente no Rock in Rio. Alternando músicas de seu último disco, o ótimo Extinct (2015), com clássicos de sua trajetória, o quinteto liderado pelo vocalista Fernando Ribeiro estava nitidamente empolgado por estar no festival. A participação de Derrick Green adicionou ainda mais agressividade às composições. A cereja do bolo foram as releituras para “Territory" e “Roots Bloody Roots”, do Sepultura.

Nightwish - Vivendo um período de renascimento desde a adição da vocalista Floor Jansen, o Nightwish fez um dos shows mais concorridos do Palco Sunset durante todo o evento. Era tanta gente assistindo a banda que até surgiu uma dúvida: será que eles não deveriam estar no Palco Mundo, devido à grande popularidade que possuem no Brasil? Enfim, o Nightwish ousou ao não priorizar clássicos antigos, mas sim canções mais recentes. A performance de Floor foi o grande destaque - canta muito e tem uma presença de palco hipnótica -, e os melhores momentos foram as versões para a linda “The Islander” (com Tony Kakko, do Sonata Arctica) e a apoteótica “Ghost Love Score”, que fechou a apresentação.

Steve Vai e Camerata de Florianópolis - Música instrumental ousada e de primeira classe no Rock in Rio. Steve Vai, um dos maiores guitarristas do mundo, passeou pelo seu repertório acompanhado pela Camerata de Florianópolis. Os arranjos foram muito bem pensados, não sobrepondo partes de guitarra com as passagens clássicas. Destaque para a expressão de alegria e respeito dos músicos da Camerata em dividir o palco com Vai, e, sobretudo, à técnica sobrehumana de Steve nas seis cordas. Um show lindo de se ver!

De La Tierra - Quarteto formado por Andreas Kisser ao lado de músicos latino-americanos, o De La Tierra fez uma apresentação cheia de energia, levando o metal cantado em espanhol para o palco principal do Rock in Rio. Um bom show, mas que pareceu mais apropriado para o Palco Sunset, na minha visão.

Mastodon - Estreia de uma das melhores bandas do metal contemporâneo em solo brasileiro. Um show antológico, com uma performance feroz do quarteto norte-americano. Os músicos estavam felicíssimos por tocarem no Brasil pela primeira vez, e deixaram isso transparecer de forma explícita. Apresentação para conquistar uma legião de novos fãs, e que no final deixou um imenso sabor de quero mais. Um dos melhores momentos do festival!

Faith No More - A banda norte-americana é sempre muito forte ao vivo, e, como de costume, não decepcionou. Com o palco repleto de flores e os músicos vestidos de branco, o Faith No More entrou com o jogo ganho e saiu aclamado do palco do Rock in Rio, mais uma vez.

Slipknot - Existem bandas excelentes ao vivo, e existe o Slipknot. É simples. O norte-americanos liderados pelo vocalista Corey Taylor fizeram mais uma vez um show repleto de agressividade e energia. É espantosa a capacidade da banda em se entregar em cima do palco, bem como é palpável a identificação entre os músicos e seus fãs. De novo, um grande show!

Rihanna - A cantora pop fez uma apresentação recheada de hits e que agradou em cheio quem estava no festival e também quem assistia através da TV. Feliz e animada por estar no Brasil mais uma vez, Rihanna cantou com um sorriso no rosto. A banda que acompanha a menina é excelente, como era esperado, e Rihanna mostrou que tem uma bela voz, não caindo de qualidade durante toda o show. Destaque para o momento em que promoveu um set mais intimista, acompanha por violão e percussão, soltando a voz com muito feeling e afinação, para delírio dos fãs.

Fechando, um agradecimento ao Multishow pela excelente cobertura do festival. Com uma linguagem ao mesmo tempo leve e informativa, a equipe do canal conduziu com eficiência os telespectadores pelo desfile de atrações. 

No final, ficou a sensação de que a edição de 2015 foi uma das melhores do Rock in Rio, em todos os aspectos. Até 2017 (e nos vemos também em 2019, já que as duas próximas edições do Rock in Rio foram confirmadas oficialmente por Roberto Medina)!

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