26 de jan de 2018

Playlist Collectors Room: Van Halen Top 50

sexta-feira, janeiro 26, 2018

Edward Lodewijk Van Halen comemora 63 anos hoje, 26 de janeiro de 2018. Para celebrar a obra de um dos maiores e mais inovadores guitarristas de todos os tempos, criamos uma playlist com as 50 melhores músicas do Van Halen, uma das mais divertidas e queridas bandas da história do rock.

São canções de todos os discos do quarteto, passando pelas fases com os vocalistas David Lee Roth e Sammy Hagar, porém deixando de lado o horrível álbum gravado com Gary Cherone em 1998.

Ouça, divirta-se e conheça mais sobre o Van Halen na playlist abaixo:

Discoteca Básica Bizz #084: Queen - A Night at the Opera (1975)

sexta-feira, janeiro 26, 2018

Rock como objeto de culto. Disco como conceito, grande arte. Foram desvios inesperados - e, pensando bem, um pouco ridículos - para um tipo de música desencanada que começou animando bailinhos teen.

Mas os anos 1970 foram mesmo inesperados, e todo mundo que cresceu nessa época é meio esquisito. Não vejo a hora de elegermos nosso primeiro presidente da República, alguém que saiba quem é o Space Ghost e tenha sonhado com uma calça Topeka.

De qualquer forma, se essa pretensão roqueira toda se justificou alguma vez, foi na primeira metade dos 70´s. Dark Side of the Moon, Physical Graffiti, Ziggy Stardust: naquela época gigantes caminhavam sobre a Terra, ou assim parecia.

Dentre esses inesquecíveis pedaços de plástico, nenhum alcançou a sobrevida de A Night at the Opera. Porque o Queen nunca parou de produzir, porque mudou de estilo, porque eles eram imensos no palco, porque Freddie Mercury foi o primeiro superastro a morrer de AIDS, porque ... Principalmente, acho, pela variedade. 


A Night at the Opera tem um pouco de tudo para todos. Metal cromado ("I'm in Love With My Car"), vingativo ("Death on Two Legs") e burro ("Sweet Lady", a coisa mais Kiss que o Kiss não fez). Brilhantes baladas: a alegrinha "You're My Best Friend", a quase country-épica "39" e, mamma mia, "Love of My Life". Cabaré variado: "Seaside Rendezvous", "Good Company", "Lazing on a Sunday Afternoon". Um épico progressivo viajante, "The Prophet's Song". E coisas indefiníveis e emocionantes como a peça central do disco, "Bohemian Rhapsody".

Art rock era isso: tudo exagerado, ambicioso, super produzido, bem escrito e incrivelmente bem tocado (no synthethizers!). Os quatro tocavam, cantavam, compunham. "You're My Best Friend" é de (e com) John Deacon, o baixista. "39" e "Good Company", a mesma coisa com o guitarrista Brian May. "I'm in Love With My Car", idem com o baterista Roger Taylor. Sem falar em Freddie. Que banda em atividade hoje tem tanta gente talentosa?

No Brasil, o disco branco do Queen marcou demais (o preto, o seguinte, é A Day at the Races, ambos os títulos tirados de filmes dos irmãos Marx). Junto com News of the World formavam a dupla tiro-e-queda de qualquer discoteca que se prezasse - porque Queen, naquela época e lugar, era sinônimo de rock: quem não gostava do Queen, boa gente não era. 

E tinha boa gente pra caramba neste país - o suficiente para lotar o Morumbi, no primeiro megashow de rock a que o Brasil já assistiu. Não existiam telões, a trilha de Flash Gordon tinha acabado de sair, as garotas não usavam sutiã, os meninos usavam tênis All Star e todo mundo sabia o repertório inteiro do show de cor.

Nós éramos os campeões. God save the Queen.

(Texto escrito por André Forastieri e publicado na Bizz #084, de julho de 1992)

Pipoca & Nanquim anuncia lançamento de nova HQ

sexta-feira, janeiro 26, 2018

A editora Pipoca & Nanquim anunciou o lançamento de Marada: A Mulher-Lobo, nova HQ de seu catálogo. A história apareceu pela primeira vez em 1982 nas páginas da décima edição da revista norte-americana Epic Illustrated. 

Criada por Chris Claremont, escritor inglês famoso por sua longa passagem pelos X-Men, Marada originalmente seria uma história da Red Sonja, parceira de Conan, mas decisões editoriais levaram à criação da nova personagem. Com belas ilustrações de John Bolton (Livros da Magia, Sandman, Morcego Humano), a HQ leva o leitor por uma aventura repleta de ação no universo da espada e fantasia.

A graphic novel foi publicada pela primeira vez no Brasil no ano de 1989 pela Editora Globo. A nova edição do Pipoca & Nanquim vem com as duas histórias já lançadas aqui e uma terceira, inédita no país. O material vem com capa dura em alto relevo, papel couché e borda miolo em dourado, com 112 páginas no formato 22x30 cm.


Abaixo você confere algumas páginas da HQ:










25 de jan de 2018

Review: Machine Head - Catharsis (2018)

quinta-feira, janeiro 25, 2018

Nono álbum do Machine Head, Catharsis apresenta uma mudança em relação aos quatro últimos discos da banda norte-americana. A retomada da sonoridade thrash em Through the Ashes of Empires (2003), a consolidação de uma nova fase no estupendo The Blackening (2007), o fantástico exercício de composição de Unto the Locust (2011) e sua continuação em Bloodstone & Diamonds (2014) têm os seus reflexos obviamente, mas eles não são os únicos elementos a ditar o caminho do novo trabalho da banda liderada pelo vocalista e guitarrista Robb Flynn.

O que ouvimos no álbum é um passeio por todas as fases da carreira do Machine Head, abrangendo todos os discos lançados pelo quarteto desde Burn My Eyes (1994) até Bloodstone & Diamonds, o que inclui no pacote os experimentos com o nu metal nos controversos The Burning Red (1999) e Supercharger (2001). Isso é ruim? Não necessariamente. Flynn utiliza todo o seu cartel de opções e constrói um álbum que indiscutivelmente atira para várias direções, errando alguns desses balaços e acertando outros bem no alvo.

A urgente “Volatile”, composta e gravada no dia dos confrontos de Charlottesville, abre o álbum de maneira agressiva. A marcha promovida pela supremacia branca norte-americana expôs o ódio racial e o neonazismo presentes no país e serviu de inspiração para Flynn derramar baldes de raiva logo de saída, chegando a lembrar Max Cavalera em alguns momentos. Porém, a trilha dos álbuns mais recentes é retomada na faixa-título, que alia groove e melodia da maneira que só o Machine Head sabe fazer.

Essa oscilação entre caminhos sonoros diversos é uma constante. Longo, o disco vem com quinze faixas que apresentam personalidades distintas. A sensação é de que há uma falta de foco, ausência de um objetivo definido e de uma direção artística clara. Essa inconstância é refletida nas canções, que ora soam fortes e convincentes, ora apenas fracas e desnecessárias. “California Bleeding”, por exemplo, é uma viagem sem sentido à segunda metade dos anos 1990. Ao lado de “Triple Beam” é onde o nu metal surge mais forte, tanto para o bem quanto para o mal.

Aventureira e experimental como sempre, a banda explora novos caminhos em “Bastards”, que traz influências do Dropkick Murphys, vocais falados, sutis influências irlandesas e uma letra que pode gerar controvérsia se mal entendida. No entanto, mesmo nesses momentos Flynn consegue manter o toque de ourives para criar melodias bonitas e marcantes. Outra canção singular é “Behind the Mask”, onde o Machine Head invade o mesmo universo do Opeth atual em uma faixa acústica de cair o queixo e que é um dos pontos mais brilhantes do disco. Essa música também evidencia a grande participação do baixista Jared MacEachern nos backing vocals, função que ele faz com perfeição durante todo o álbum.

O groove segue onipresente na interação entre MacEachern e o baterista Dave McClain, enquanto Phil Demmel, ainda que não brilhe tanto como nos discos mais recentes, segue entregando bons solos e belas harmonias de guitarra ao lado de Flynn.

Talvez a melhor faixa de Catharsis seja “Heavy Lies the Crown”, um épico thrash com quase nove minutos de duração que mostra o quanto o Machine Head segue sendo uma banda diferenciada em relação à maioria. A letra fala sobre Louis XI, monarca francês que governou entre 1461 e 1483 e ficou conhecido como o Rei Aranha devido à intensa diplomacia e ao gosto pela intriga que marcaram seu reinado. A canção traz o melhor do Machine Head, com melodias emocionantes, mudanças de andamento em momentos-chave, instrumentação marcante e todos os demais ingredientes da sonoridade da banda norte-americana.

Outro momento que merece menção é “Razorblade Smile”, onde Flynn e companhia pagam um tributo ao finado Lemmy Kilmister e também (provavelmente de forma não tão proposital e consciente) ao Metallica.

Inferior aos álbuns mais recentes da banda, Catharsis mesmo assim não é um disco fraco. A falta de foco tira o trabalho dos trilhos em alguns momentos, mas quando a banda consegue acertar a mão o faz com a costumeira eficiência. No fim das contas, a conclusão é que o álbum soa como uma catarse necessária para Robb Flynn, uma purificação pessoal do músico através da exteriorização não apenas de suas diversas personalidades musicais, mas também de seus medos, anseios e críticas ao mundo atual. Ainda que um tanto difuso, o espírito rebelde e criativo do Machine Head segue vivo e forte.



Detalhes sobre o novo disco do Kamelot

quinta-feira, janeiro 25, 2018

The Shadow Theory, décimo-primeiro álbum do Kamelot, chegará às lojas dia 6 de abril. O disco será lançado pela Napalm Records e é o sucessor de Haven (2015). Segundo o guitarrista Thomas Youngblood, o trabalho é uma jornada psicológica pela complexidade da mente humana.

O álbum foi produzido por Sascha Paeth (Ayreon, Avantasia, Edguy) e traz as participações especiais de Lauren Hart (vocalista do Once Human), Jennifer Haben (vocalista do Beyond the Black) e do próprio Paeth. A capa é uma criação do artista Stefan Heilemann (Mayan, Epica, Blues Pills).

O disco vem com treze canções inéditas e terá também uma edição especial dupla em digipak com sete faixas bônus.

Um teaser foi compartilhado pela banda e pode ser assistido abaixo:

Dimmu Borgir confirma novo álbum para maio

quinta-feira, janeiro 25, 2018

O Dimmu Borgir lançará dia 4 de maio o seu novo disco. Eonian, décimo trabalho da banda norueguesa, encerrará um período de oito anos sem material inédito, desde Abrahadabra (2008).

Atualmente reduzido ao trio criativo Shagrath (vocal), Silenoz (guitarra) e Galder (guitarra), a banda terá também a participação do tecladista Gerlioz e do baterista Daray no trabalho.

Eonian vem com dez músicas e teve a sua capa criada por Zbigniew Bielak, autor de artes para bandas como Ghost, Behemoth e Mayhem. A produção ficou a cargo de Jens Bogren (The Ocean, Kreator, Soilwork).

Documentário mostra a cena stoner brasileira

quinta-feira, janeiro 25, 2018

Medusalodoom é um documentário independente que mostra a cena atual do stoner rock brasileiro. Dirigido por Renan Casarin, o material foi filmado em Santa Catarina em julho de 2016 e traz entrevistas com as bandas Red Mess (PR), Munoz (SC), Space Guerrilla (RS), Hammerhead Blues (SP), Tropical Doom (PR), Ruínas de Sade (SC) e Stolen Byrds (PR).

Trechos das apresentações dos grupos em festivais que rolaram no Célula Showcase e no Taliesyn Rock Bar, ambos em Florianópolis, e no Container Bar, em Brusque, completam o material.

MEDUSALODOOM - Rock Chapado Brasileiro é um ótimo doc que acaba de ser lançado no YouTube que mostra que o rock segue muito vivo e com ótimos nomes surgindo a cada dia:

24 de jan de 2018

Review: Dark Avenger - The Beloved Bones: Hell (2017)

quarta-feira, janeiro 24, 2018

The Beloved Bones: Hell é o quarto álbum da banda brasileira Dark Avenger. Ele foi lançado em agosto de 2017, porém só o recebi no início de dezembro. Poucas semanas após o disco chegar, fui surpreendido com a morte repentina do vocalista Mário Linhares. 

Quando isso acontece, as coisas mudam de figura. Analisar um disco tendo todo esse contexto é uma tarefa que acaba resvalando invariavelmente para a emoção, ainda mais se quem escreve já acompanhava a carreira do artista há um certo tempo, como é o meu caso. Em situações assim, os elementos adquirem novos significados, os detalhes ganham novas formas. É o caso, por exemplo, da linda melodia de violino que abre The Beloved Bones. Antes ela era apenas uma introdução. Com a morte de Linhares, adquire uma carga emocional enorme e soa como a trilha para despedida de um dos maiores vocalista do metal brasileiro.

The Beloved Bones: Hell é o quarto álbum do Dark Avenger e foi lançado de forma independente em um lindo digipak com acabamento gráfico de primeira. O disco encerra uma discografia que conta com o debut autointitulado (1995) e a dobradinha Tales of Avalon: The Terror (2001) e Tales of Avalon: The Lament (2013), além do ao vivo Alive in the Dark (2015) e do EP X Dark Years (2003). 

Musicalmente, a banda formada por Mario Linhares, Hugo Santiago (guitarra), Glauber Oliveira (guitarra, que também assinou a produção), Gustavo Magalhães (baixo) e Brendon Hoffmann (bateria) entrega o seu trabalho mais ambicioso, executando um power metal que insere expressivos elementos de música clássica, resultando em uma sonoridade rica e que demanda atenção do ouvinte para ser assimilada em sua totalidade. As onze músicas do disco apresentam diversos movimentos e mudanças de climas, soando às vezes como capítulos de uma espécie de ópera, onde sentimentos e conflitos são jogados no palco e entregues ao público.

Além do universo sonoro habitual ao power metal, o Dark Avenger insere também alguns flertes com a música oriental em certas passagens, o que ajuda o disco a ficar ainda mais interessante. Há também todo um estudo filosófico presente nas letras, em um trabalho bastante pessoal de Mário Linhares e que, tendo em vista tudo o que aconteceu, acaba soando como uma espécie de manifesto sobre a vida e que fica eternizado neste disco.

Há muitos anos o Brasil está inserido não somente entre os principais mercados para o metal em todo o mundo, mas também entre os grandes centros produtores do estilo. Temos toda uma leva de álbuns que podemos considerar clássicos do metal nacional sem fazer muito esforço. Esta lista ganha um representante de peso com The Beloved Bones: Hell, e isso não se dá apenas pela perda precoce de Linhares. A profundidade dramática do álbum, a riqueza musical de suas composições e a força criativa mostrada em cada detalhe colocam este último trabalho do Dark Avenger entre os melhores CDs já gravados por uma banda brasileira.

Ben Harper anuncia novo disco com Charlie Musselwhite

quarta-feira, janeiro 24, 2018

Ben Harper e Charlie Musselwhite vão repetir a parceria que deu ao mundo o álbum Get Up! (2013). A dupla anunciou o lançamento de um novo disco chamado No Mercy in This Land. O trabalho vem com dez faixas, além de três músicas ao vivo como bônus na versão digital.

No Mercy in This Land será lançado dia 30 de março, mas o trailer e a bela faixa título já podem ser conferidos abaixo:

23 de jan de 2018

Quadrinhos: The Flintstones, de Mark Russell e Steve Pugh

terça-feira, janeiro 23, 2018

Abrigadas ambas sob o guarda-chuva da Time Warner, a DC Comics e a Hanna-Barbera iniciaram uma colaboração em 2016. A iniciativa foi batizada como Hanna-Barbera Beyond e tem como objetivo dar interpretações mais atuais para os personagens clássicos do estúdio, bem como modernizar suas abordagens e designs. Estas HQs estão chegando agora ao Brasil através da Panini Comics, responsável por lançar os títulos da DC em nosso mercado.

Até agora, janeiro de 2018, a Panini colocou nas bancas brasileiras os dois volumes de Future Quest e o primeiro dos Flintstones. Future Quest reúne os personagens de ação da Hanna-Barbera em um mesmo título. Assim, temos ícones como Space Ghost, Johnny Quest, Os Herculóides, Os Impossíveis e Mightor, entre outros, lutando juntos contra uma ameaça comum. Uma HQ divertidíssima e que vale conferir, escrita de maneira inspirada por Jeff Parker


Mas a cereja do bolo até é a nova versão de The Flintstones (formato 17x26 cm, 168 páginas, capa cartão, papel couché), encadernado que reúne as seis primeiras edições da série em um único volume - o material original conta com doze edições e a Panini já anunciou que o volume 2 sairá ainda em 2018. Com roteiro de Mark Russell e arte de Steve Pugh, o título é uma das mais inteligentes e brilhantes críticas sociais que os quadrinhos já viram. Sim, isso mesmo que você leu: Russell e Pugh utilizam Fred, Vilma e companhia como cenário para a construção de um contundente discurso que faz o leitor pensar sobre a sua realidade e tudo o que o cerca.

Incluindo questionamentos sobre o consumismo sem sentido, religião, casamento, igualdade de gêneros e a própria natureza humana, The Flintstones traz um texto inteligente e muitas vezes carregado de ironia, que consegue colocar inúmeras pulgas atrás da orelha de uma maneira leve e divertida. Além disso, suas páginas estão repletas de referências ao mais variados assuntos, o que torna a leitura uma experiência surpreendente e repleta de gratificações.


Em um momento como esse, onde a busca por uma sociedade mais justa é vista por uma parcela crescente da população brasileira como uma iniciativa “esquerdista" e “comunista" (mesmo que esse povo não faça ideia do que está falando, vide aberrações como os famigerados “nazismo de esquerda” e “TV Globo comunista”), as perguntas trazidas nesta HQ mostram que há coisas muito mais importantes e profundas a serem discutidas do que o raso debate político transformado em “nós contra eles” que vemos todos os dias aqui neste cada vez mais estranho país tropical.

Leio quadrinhos há mais de trinta anos e os Flintstones de Mark Russell e Steve Pugh é uma das melhores HQs que já tive contato na vida, sem dúvida alguma.




Review: Grandfúria - O Sopro e o Momento (2017)

terça-feira, janeiro 23, 2018

Publicada em sete volumes entre 1949 e 1961, a saga O Tempo e o Vento é a maior obra de Érico Veríssimo, escritor gaúcho falecido em 1975. Adaptada para a TV pela primeira vez em 1967, teve uma segunda releitura televisiva em 1985 e chegou aos cinemas em 2013. Um épico no sentido mais fiel da palavra, O Tempo e o Vento é uma das mais importantes obras de literatura brasileira.

Agora, a saga das famílias Terra e Cambará chega à música através do Grandfúria, banda natural de Caxias do Sul. O sexteto formado por Vinícius de Lima (vocal, guitarra e violão), Bruno Pinheiro Machado (guitarra), Diego Viecelli (acordeão e violão), Maurício Pezzi (teclado e programações), Tiago Perini (baixo) e Maurício Gomes (bateria) adaptou a primeira parte da clássica história de Veríssimo em seu segundo disco, O Sopro e o Momento, sucessor da auto-intitulada estreia de 2012. Lançado em 2017, o CD traz a trama de O Continente devidamente musicada, e o resultado é arrebatador.

Unindo o rock à música tradicional gaúcha, o Grandfúria (pergunta: o nome tem inspiração no Grand Funk Railroad, por acaso?) soma o peso das guitarras ao timbre do acordeão, criando uma sonoridade muito bonita e que casa perfeitamente com a proposta do trabalho. Além disso, os caras partem do hard rock e inserem elementos de milonga, música folclórica e outros ingredientes na mistura, criando um universo sonoro que conversa de maneira coerente com a obra de Érico Veríssimo.

O Sopro e o Momento vem com onze músicas, todas compostas pela própria banda. As letras são baseadas no texto de Veríssimo e trazem momentos dos livros - como o trecho narrado no meio de "Tormenta". O disco funciona como uma espécie de ópera-rock, onde o conjunto dá uma dimensão muito maior do que a audição isolada das faixas. O que não quer dizer, evidentemente, que elas sejam fracas. Mas conhecendo o contexto e a história por trás da inspiração do álbum, fica evidente que a audição funciona melhor quando feita em conjunto.

Entre as canções, há destaques evidentes. Minha preferida é “O Viajante”, mas a banda mostra criatividade em diversos outros momentos como “Buenas”, no peso de “R”, na linda e bucólica “Cada Pedaço”, “Tormenta”, “A la Cria" e nos diversos movimentos de “O Espanto e a Fúria” e “Ataque ao Sobrado” (ambas arrepiantes!). 

Em uma época onde a música brasileira tem andado a passos largos para trás, regredindo a olhos vistos e tornando-se cada vez mais banal, a chegada de um trabalho com a proposta e a qualidade de O Sopro e o Momento é digna de aplausos. Um disco ambicioso e nada enfadonho, onde a banda consegue equilibrar com brilhantismo suas aspirações artísticas com músicas criativas e acessíveis. Um disco belíssimo e que deveria chegar ao maior número possível de ouvidos.

Ouça no player abaixo:

Ouça a versão do Bad Wolves para “Zombie”, do The Cranberries, que contaria com a voz de Dolores O'Riordan

terça-feira, janeiro 23, 2018

Dolores O’Riordan morreu repentinamente aos 46 anos. E uma de suas últimas colaborações seria com a banda inglesa Bad Wolves. A vocalista estava em Londres para gravar a sua participação na versão de “Zombie" feita pelos britânicos, mas acabou falecendo antes. Ela havia adorado a abordagem do grupo e fez questão de participar da gravação.

Mesmo com a perda de Dolores, o Bad Wolves divulgou a sua versão para “Zombie”, que já estava praticamente finalizada e apenas aguardando a voz de O’Riordan. 

Densa e mais pesada que a original, é uma bela homenagem à Dolores O’Riordan:

Escalados os atores que interpretarão os músicos do Mötley Crüe em filme sobre a banda

terça-feira, janeiro 23, 2018

A autobiografia The Dirt, um dos livros mais transparentes e cheios de histórias de bastidores já publicados por uma banda de rock, conta a história sem filtros do Mötley Crüe. Lançado em 2001, é um best seller desde então.

Tamanho sucesso levou a obra para Hollywood, que está produzindo uma versão cinematográfica do título. Os papéis de Tommy Lee e Nikki Sixx já tem seus atores definidos. O rapper Machine Gun Kelly interpretará Lee, enquanto o ator inglês Douglas Booth fará o papel de Sixx.

Ainda que não tenham sido anunciados oficialmente, fortes indícios dão conta de que os atores que interpretarão Vince Neil e Mick Mars também já foram escolhidos. Daniel Webber fará o papel de Neil, enquanto Iwan Rheon, o Ramsay Bolton de Game of Thrones, encarnará Mick Mars, segundo o The Hollywood Reporter.

The Dirt, o filme, está sendo produzido pela Netflix e será lançado no segundo semestre.


22 de jan de 2018

Saxon divulga música inspirada no Motörhead

segunda-feira, janeiro 22, 2018

“They Play Rock and Roll” faz parte do novo álbum do Saxon, Thunderbolt, que será lançado dia 2 de fevereiro e foi produzido por Andy Sneap. O disco é o sucessor de Battering Ram (2015).

A música é inspirada no Motörhead e usa em seu título uma citação à frase que Lemmy usava quando se comunicava com a plateia nos shows do lendário trio.

Assista ao lyric video de “They Play Rock and Roll” abaixo:

Acabou: Slayer anuncia turnê de despedida

segunda-feira, janeiro 22, 2018

Pegando todo mundo de surpresa, o Slayer soltou um vídeo nesta segunda-feira, 20/01, onde informa que a banda está encerrando a sua carreira e que a próxima turnê será a última de sua história.

Não há maiores informações ainda, nem datas e locais confirmados. A única certeza é de que a mais agressiva das bandas de thrash metal irá pendurar as guitarras.

Formado em 1981 na Califórnia, o Slayer fez a mais perfeita união entre a complexidade do thrash e a agressividade do death metal, criando uma sonoridade original e que influenciou profundamente o heavy metal.

Com clássicos do porte de Reign in Blood (1986), South of Heaven (1988) e Seasons in the Abyss (1990) no currículo, a banda é uma das mais emblemáticas formações da música pesada. O disco mais recente do grupo é Repentless, lançado em 2015.

Com a morte do guitarrista Jeff Hanneman em 2013 e a saída do baterista Dave Lombardo também naquele ano, desde então o quarteto era formado por Kerry King, Tom Araya, Gary Hold (ex-Exodus) e Paul Bostaph.

Abaixo está o vídeo em que o Slayer informa que iniciará a última turnê da carreira:

Review: Orphaned Land - Unsung Prophets & Dead Messiahs (2018)

segunda-feira, janeiro 22, 2018

Algumas bandas vão muito além da música. Seja pela proposta sonora, pelo contexto, pelas letras ou pela soma de tudo, tem momentos em que nos deparamos com trabalhos em que a música é capaz de nos transportar para estágios superiores.

O Orphaned Land é um destes casos. Formada em Israel em 1992, a banda sempre se destacou por trazer uma proposta que, para muitos, não passa de utopia: a convivência pacífica entre pessoas de diferenças crenças religiosas. Se aqui no Brasil isso já é difícil, imagine essa ideia em uma região disputada a décadas por israelenses e palestinos. Musicalmente, o metal com influência étnica do sexteto deu ao mundo discos sensacionais como Mabool (2004) e The Never Ending Way of ORWarriOR (2010). Na verdade, toda a discografia do Orphaned Land é nivelada por cima, e isso se repeta mais uma vez em seu novo trabalho.

Unsung Prophets & Dead Messiahs é um álbum conceitual com treze faixas, todas versando sobre o mundo em que vivemos e o culto que promovemos às celebridades, os “profetas desconhecidos e messias mortos” do título. A crítica da banda abrange desde toda a fauna de Kardashians até bizarrices como o bilionário atual presidente norte-americano. Um discurso afiado e que retrata, de maneira eficaz, a banalização e a futilidade da sociedade em que vivemos.


Musicalmente, as diversas influências que compõe a sonoridade do Orphaned Land seguem presentes. A produção, novamente nas mãos Jens Bogren e da própria banda, segue o alto padrão já conhecido. Há uma pluralidade de elementos, uma profusão de ingredientes que vão desde a música tradicional israelense até o metal mais extremo, compondo assim um painel sonoro que traz sentimentos apaixonantes a qualquer pessoa que gosta de música. Mais uma vez o Orphaned Land vai muito além do metal, entregando um disco que é multifacetado e multicultural. A beleza está em diversos pontos, seja nos vocais femininos que abrem o trabalho, nas vocalizações, nos coros, nas melodias e nos ritmos, fazendo com que a banda consiga dar mais um passo considerável em sua evolução.

As participações especiais de Steve Hackett, Hansi Kürsch e Tomas Lindberg agregam ainda mais qualidade. O guitarrista do Genesis usa sua técnica e classe para colocar “Chains Fall to Gravity” um um nível superior. O desespero da voz do frontman do Blind Guardian imprime profundidade dramática em “Like Orpheus”. E a agressividade do vocalista do At the Gates dá a agressividade que “Only the Dead Have Seen the End of War” necessita.

Ainda que algumas faixas soem desnecessárias, como ocorre no excesso de pieguice de “All Knowing Eye” e nos exagerados e cansativos adereços étnicos de “Yedidi”, o Orphaned Land acerta na maior parte de seu sexto disco. Unsung Prophets & Dead Messiahs é um trabalho complexo e cheio de pequenos detalhes uma vez mais, e comprova o quão diferenciada a banda israelense está conseguindo se manter. Mesmo com a saída do guitarrista e co-fundador Yossi Sassi, substituído por Idan Amsalem, o Orphaned Land segue soando diferenciado, criativo e inovador.

Janeiro está chegando ao fim e já temos um dos grandes discos deste ano!

Dave Holland, ex-baterista do Trapeze e do Judas Priest, morre aos 69 anos

segunda-feira, janeiro 22, 2018

O ex-baterista do Trapeze e do Judas Priest, Dave Holland, faleceu aos 69 anos. A causa da morte ainda não foi revelada.

Holland integrou o Trapeze ao lado de Glenn Hughes e Mel Galley no início da década de 1970, gravando clássicos como Medusa (1970) e também o primeiro álbum solo de Hughes, Play Me Out (1977). Em 1980 entrou no Judas Priest e passou quase uma década como baterista da lendária banda inglesa, participando de discos emblemáticos como British Steel (1980), Screaming for Vengeance (1982) e Defenders of the Faith (1984).

Em 2004 Holland foi acusado de assediar sexualmente um garoto de 17 anos que era seu aluno de bateria. Durante o processo, o músico revelou que era bisexual. Em julgamento, Holland foi condenado a 8 anos de prisão. Apesar da condenação, Dave Holland sempre se declarou inocente das acusações.

Kamelot revela título de novo álbum

segunda-feira, janeiro 22, 2018

O Kamelot lançará ainda no primeiro semestre o seu novo disco. O trabalho tem o título de The Shadow Theory e trará a participação especial da vocalista Jennifer Haben, do Beyond the Black. O álbum será disponibilizado pela Napalm Records.

O quinteto norte-americano também informou que gravará os shows de sua próxima tour para o lançamento de um futuro Blu-ray/DVD.

The Shadow Theory será o sucessor de Haven (2015) e também o terceiro trabalho com o vocalista Tommy Karevik, que substituiu Roy Khan em 2012.

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