12 de jan de 2019

Nova coletânea do Megadeth

sábado, janeiro 12, 2019

O Megadeth lançará dia 22 de março a compilação Warheads on Foreheads, com 35 faixas (todas remasterizadas) que passam a limpo a carreira da banda e foram escolhidas pelo próprio Dave Mustaine.


Esta será a sexta coletânea da banda norte-americana, fazendo companhia à Capitol Punishment: The Megadeth Years (2000), Still Alive ... and Well? (2002), Greatest Hits: Back to the Start (2005), Warchest (2007), Anthology: Set the World Afire (2008) e Icon (2014). O tracklist ainda não foi revelado pelo grupo. A pré-venda acontecerá a partir de 25 de janeiro, no site oficial da banda.


A formação atual do Megadeth conta com Dave Mustaine, Kiko Loureiro, Dave Ellefson e Dirk Verbeuren. O último álbum do quarteto, Dystopia, saiu em 2016.

Quadrinhos: Senhor Milagre Vol. 1, de Tom King e Mitch Gerards

sábado, janeiro 12, 2019

É improvável, para não dizer extremamente raro, encontrar referências a um assunto como o suicídio em uma história em quadrinhos de super-heróis. E Senhor Milagre, escrita por Tom King e ilustrada por Mitch Gerards, joga esse tema na cara do leitor logo nas primeiras páginas. Scott Free, o personagem principal, o Senhor Milagre, é um deus do Quarto Mundo criado por Jack Kirby em 1971. Ele é filho do Pai Celestial, regente de Nova Gêneses, que, em um acordo para tentar a paz com Apokolips, o deu para o governante do local, Darkseid, e recebeu em troca seu filho Orion. Ou seja: Scott foi criado por Darkseid, enquanto Orion foi criado pelo Pai Celestial. Isso tudo é contato em Quarto Mundo, uma das sagas mais importantes e influentes da DC, e que permanece praticamente inédita no Brasil mais de 40 anos depois do seu lançamento. E só pra constar: é em Darkseid que a Marvel se inspirou para criar Thanos.


Senhor Milagre é uma série em 12 edições que foi publicada pela DC entre o final de 2017 e os últimos meses de 2018. O título está sendo publicado agora no Brasil em dois encadernados de capa cartão e papel couché. A série venceu o Eisner Award, o maior prêmio da indústria dos quadrinhos, em 2018.


King já havia abordado o suicídio em seu trabalho com o Batman, no arco Eu Sou Suicida, onde revelou que o jovem Bruce Wayne pensou em tirar a própria vida após o assassinato dos pais. Em Senhor Milagre, a abordagem é diferente. Scott Free é um deus, porém um deus atormentado, que sofre de paranoia, apresenta sintomas de esquizofrenia e uma certa dificuldade em discernir sobre o que é real e o que é fruto de sua imaginação (dúvida essa que gera um dos melhores momentos da história, quando o personagem cita o filósofo francês René Descartes e o pensador alemão Immanuel Kant). Todo esse contexto é intensificado quando Nova Gênesis e Apokolips declaram guerra, e o Senhor Milagre precisa participar ativamente do conflito.




Um dos grandes acertos do roteiro é colocar Grande Barda, a esposa de Free, como co-protagonista da série. Ela funciona como guia, como âncora e como escudo para o personagem principal, conduzindo-o através da trama e protegendo-o quando necessário. Barda, que foi inspirada na relação de Kirby com sua esposa Roz, é fascinante e complexa, bela e apaixonante, de uma profundidade inebriante e poucas vezes vista. Enquanto Scott é emoção pura, Grande Barda compartilha o seu entusiasmo mas também é o fio condutor que o mantém são em um mundo que desmorona a cada página.


O texto de Tom King faz com que Senhor Milagre seja uma HQ carregada de um forte apelo filosófico e, até certo ponto, transcendental. Mesmo tendo um conflito de proporções épicas como pano de fundo, o protagonismo está sempre nas discussões e escolhas de vida dos personagens e não nos socos trocados entre eles. Já a arte de Mitch Gerards é algo próximo do sublime. Um dos melhores ilustradores da atualidade, Gerards constrói toda a narrativa com páginas compostas por nove quadros, escolha que remete a Watchmen e clássicos de gigantes como Will Eisner. Esse aspecto faz com que a história tenha um ritmo constante, intensificado pelo casamento perfeito entre texto e arte. A parceria entre King e Gerards, já azeitada pela ótima Xerife da Babilônia, dá aqui um passo além e coloca a dupla um, dois, três e vários degraus acima da grande maioria dos autores de quadrinhos atuais.



A Panini ainda não anunciou quando lançará o segundo e último encadernado de Senhor Milagre. Ainda não há certeza de quando ele chegará às bancas, mas isso deve ocorrer nos próximos meses. Porém, ao ler essa HQ, é impossível não perceber que estamos diante de algo totalmente fora da curva dentro do universo de super-heróis, e que só encontra um equivalente semelhante em uma obra do próprio Tom King publicada no Brasil em 2018: sua interpretação para Visão, da Marvel. Assim como fez com o androide, e segue fazendo em sua fase no Batman, o roteirista humaniza os personagens, tira a armadura de super-herói de seus protagonistas e os insere em uma realidade construída com elementos do cotidiano. Não é à toda que os melhores momentos tanto de Senhor Milagre quando de Visão e do Batman não estão nas lutas e nos feitos impossíveis, mas sim em momentos do dia a dia como a conversa durante o café da manhã, a reunião de família durante o jantar e as confissões mútuas de uma casal apaixonado.


O que faz de Senhor Milagre um quadrinho tão bom é justamente isso: ele não precisa de feitos extraordinários para impressionar o leitor. Seu maior milagre é mostrar o quanto a própria vida é uma jornada cheia de momentos inesquecíveis e surpreendentes.


11 de jan de 2019

The Who está trabalhando em novo álbum

sexta-feira, janeiro 11, 2019

Pete Townshend revelou à Rolling Stone que está trabalhando em um novo disco do The Who. A banda também anunciou uma turnê acompanhada por uma orquestra sinfônica pelos Estados Unidos. Porém, o novo álbum deve ser lançado antes da excursão, para que ela tenha sentido para os fãs e não seja composta apenas de material clássico, segundo o guitarrista. “É algo puramente pessoal. É sobre o meu orgulho, a minha auto-estima e dignidade como escritor e compositor”.

O guitarrista revelou que já tem quinze demos completas, e que o álbum incluirá “baladas sombrias, rock pesado, eletrônica experimental, samples e clichês, como músicas que começam com um violão e vão crescendo até o seu final”. Roger Daltrey também participará do processo de composição. O vocalista falou à revista: “Há pelo menos cinco ou seis músicas que eu posso contribuir e tenho certeza de que elas ficarão incríveis. Mas às vezes eu as ouço e penso: ‘O que mais eu posso adicionar para tornar o meu trabalho como cantor digno, que Pete já não tenha feito melhor antes?’”. Segundo a dupla, os problemas de comunicação que marcaram a relação dos dois músicos nos últimos anos tiveram origem justamente no conflito sobre o direcionamento que o novo material deveria seguir.

O trabalho mais recente do The Who é Endless Wire, que saiu em 2006. Antes, a banda lançou It’s Hard em 1982. A formação atual da banda conta com Roger Daltrey, Pete Townshend, Zak Starkey (bateria), Simon Townshend (guitarra), Jon Button (baixo), John Corey (teclado) e Loren Gold (teclado). 

Review: Steve Perry - Traces (2018)

sexta-feira, janeiro 11, 2019

Steve Perry foi vocalista do Journey por 21 anos, permanecendo na banda entre 1977 e 1998. É a sua voz que está eternizada nos maiores clássicos da banda norte-americana, como os álbuns Infinity (1978), Evolution (1979), Escape (1981) e Frontiers (1983), de onde vieram clássicos do porte de “Don't Stop Believin’”, “Any Way You Want It” e “Separate Ways (Worlds Apart)”. Perry lançou dois álbuns solo - Street Talk (1984, quando ele ainda era o frontman do Journey) e For the Love of Strange Medicine (1994, já fora do grupo), e então entrou em um hiato de quase 25 anos sem material inédito.

Esse período foi encerrado em 2018 com o lançamento de Traces, seu primeiro disco em mais de duas décadas. Produzido pelo próprio vocalista em parceria com Thom Flowers, o álbum foi lançado no início de outubro pela Fantasy e ganhou uma edição nacional pelas mãos da Hellion Records. A recepção do público foi entusiasmada, levando o trabalho ao top 10 da Billboard.

Musicalmente, o que temos é um disco que não traz a sonoridade que consagrou Steve Perry no Journey. Não temos nas dez músicas de Traces o hard rock/AOR que conduziu o Journey ao topo das paradas. Em seu lugar surge um pop adulto, com sutis pitadas de rock, e que na maior parte do tempo toma forma através de canções com andamento mais lento e um tanto contemplativas. Momentos mais agitados são raros, como na música que abre o play, “No Erasin’”. Essa escolha pode desagradar alguns fãs, porém quem acompanha a carreira de Perry há anos sabe que não tem nada estranho nas faixas que estão no disco e que elas são coerentes com a sua trajetória musical. 

É preciso destacar que o álbum possui um excelente trabalho de composição, entrega melodias agradáveis a todo momento e traz Perry cantando de maneira excelente, além de contar com uma excepcional banda de apoio que tem como destaque o baterista Vinnie Colaiuta e o tecladista Dallas Kruse. E, pra fechar o pacto, o disco ainda traz uma versão para “I Need You”, dos Beatles, que foi devidamente desconstruída e ganhou uma roupagem surpreendente.

A edição da Hellion Records vem com um longo encarte e todas as letras, respeitando o formado original do trabalho e os fãs de Perry.

Um belo disco, vale a pena.

Discoteca Básica Bizz #133: Isaac Hayes - Hot Buttered Soul (1969)

sexta-feira, janeiro 11, 2019

Com a guitarra de Steve Cropper, o baixo de Donald "Duck" Dunn, a bateria de Al Jackson e o órgão de Booker T a envelopar as vozes de Otis Redding, Sam & Dave, Eddie Boyd, Rufus e Carla Thomas, o selo Stax conseguiu o impossível: hoje, quando se fala em Memphis Sound, ninguém se lembra do rock and roll que nasceu naquela iluminada cidade do Tennessee. Som de Memphis, todo mundo sabe, é o soul clássico que todos os "commitments" da vida perseguem até hoje.

No fim dos anos 1960, no entanto, a coisa estava feia para o pessoal da Stax. Depois de perder Otis Redding e quatro dos Bar-Kays num acidente de avião, o selo foi vendido. Para dar a volta por cima, em 1969 a nova direção decidiu lançar 27 álbuns ao mesmo tempo. Entre eles, estava um do qual ninguém esperava nada: Hot Buttered Soul, de Isaac Hayes. Afinal, o disco tinha apenas quatro faixas, todas longuíssimas, fora do padrão pop: "Walk on By", de Burt Bacharach e Hal David (12 minutos); "Hyperbolicsyllabsesquedalymistic" (9:36), "One Woman" (5:00) e "By the Time I Get to Phoenix", balada de Jimmy Webb com mais de 18 épicos minutos. É bem verdade que Isaac Hayes já tinha dado alegrias à Stax: como tecladista e compositor da casa, fez "Hold On, I´m Coming" e "Soul Man", estouradas por Sam & Dave. Mas seu primeiro disco, Presenting Isaac Hayes (1968), não tinha dado em nada.


Reza a lenda que Hot Buttered Soul foi gravado durante tempos mortos de estúdio. O fato é que, assim que alguém jogou a agulha sobre os sulcos de "Walk on By", os padrões do pop negro começaram a mudar. A orquestração suntuosa, a guitarra cheia de efeitos, as flautas, os backing femininos, tudo se encaixava de maneira maravilhosa para Isaac cair em cima interpretando, da forma mais sentida, o drama do homem que não consegue nem mais encarar o ex-amor.

A segunda faixa, "Hyperbolicsyllabicsesquedalymistic", é uma espécie de jam com o piano improvisando sobre sólida base funk - cortesia dos Bar-Kays. No baixo brilha James Alexander, o homem que genialmente perdeu o avião da morte de Otis Redding e pode depois reconstruir os Bar-Kays.

Em "One Woman", balada quase convencional, Isaac emociona encarnando um homem vivendo um conflito calhorda: a mulherzinha que "constrói o meu lar" ou a que "me leva a errar"?

"By the Time I Get to Phoenix" é o caminho das pedras pelo qual seguiram Barry White, Teddy Pendergrass, Marvin Gaye e dezenas de outros. "Eu vou falar de amor agora...", começa Isaac Hayes, com voz de veludo. E sobre amor fala durante quase nove minutos antes de começar a cantar.

A espera, juro, é mais do que válida.

Texto escrito por Pedro Só e publicado na Bizz #133, de agosto de 1996

Novo álbum da Tedeschi Trucks Band será lançado em fevereiro

sexta-feira, janeiro 11, 2019

A Tedeschi Trucks Band anunciou que o seu quarto disco, Signs, será lançado no dia 15 de fevereiro pela Fantasy Records/Concord. O álbum é o sucessor de Let Me Get By (2016) e dá sequência ao incrível universo sonoro criado pelo casal Susan Tedeschi e Derek Trucks.

Signs foi gravado no estúdio da própria banda, o Swamp Raga, em Jacksonville, na Flórida. A produção ficou a cargo de Derek Trucks ao lado de Bobby Tis e Jim Scott (Rolling Stones, Tom Petty). O álbum vem com onze músicas e traz participações especiais de Warren Haynes (Gov’t Mule, Allman Brothers Band), Doyle Bramhall II (Eric Clapton, Roger Waters) e Marc Quiñones (Allman Brothers Band, Gregg Allman).

“Hard Case”, primeiro single, pode ser ouvido abaixo:

ONLINE

PAGEVIEWS

PESQUISE