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Quando o Led Zeppelin dominava o mundo: a força monumental de How the West Was Won (2003)


Em muitos casos, álbuns ao vivo servem apenas como registros de uma turnê específica ou como complemento para a discografia de uma banda. Com o Led Zeppelin, porém, a situação sempre foi diferente. O quarteto construiu sua reputação nos palcos com apresentações imprevisíveis, explosivas e frequentemente superiores às versões de estúdio. How the West Was Won (2003) captura exatamente esse momento: o instante em que Jimmy Page, Robert Plant, John Paul Jones e John Bonham pareciam capazes de transformar qualquer arena em território próprio.

O álbum reúne gravações realizadas em junho de 1972, nos shows do Los Angeles Forum e da Long Beach Arena, durante uma das fases mais avassaladoras da carreira da banda. O Led Zeppelin vinha do sucesso gigantesco de Led Zeppelin IV (1971) e já preparava terreno para Houses of the Holy (1973). Nos Estados Unidos, o quarteto era mais do que uma banda de rock: era um fenômeno cultural capaz de lotar arenas gigantescas e redefinir o conceito de espetáculo.

Durante décadas, essas apresentações circularam apenas em bootlegs lendários entre colecionadores. Quando Jimmy Page decidiu organizar e lançar oficialmente o material, a expectativa era enorme. O resultado superou qualquer previsão. How the West Was Won não apenas apresenta o Led Zeppelin em sua melhor forma: ele ajuda a explicar por que a banda se tornou uma entidade quase mitológica quando o assunto é performance ao vivo.

Desde os primeiros segundos de “Immigrant Song”, fica claro que o grupo estava em combustão total. A execução é mais rápida, agressiva e intensa do que a versão de estúdio, impulsionada pela bateria colossal de John Bonham. Aliás, boa parte do impacto do disco vem justamente da forma como Bonham domina as músicas sem jamais comprometer o groove. Seu desempenho ao longo das quase três horas de duração é simplesmente absurdo.


Jimmy Page também surge em estado inspirado. Seus solos oscilam entre o blues, a psicodelia e o hard rock com naturalidade impressionante. Em “Dazed and Confused”, transformada em uma experiência de mais de vinte e cinco minutos, Page conduz a banda por improvisações hipnóticas que mostram o quanto o Led Zeppelin se aproximava de uma linguagem quase jazzística nos palcos.

Robert Plant, por sua vez, entrega uma das performances vocais mais fortes já registradas oficialmente pelo grupo. Seu alcance ainda impressionava em 1972, e músicas como “Black Dog”, “Since I’ve Been Loving You” e “Stairway to Heaven” evidenciam um cantor no auge técnico e interpretativo.

Outro ponto fascinante é perceber como o Led Zeppelin expandia suas composições ao vivo. “Whole Lotta Love” vira um medley gigantesco de mais de vinte minutos incorporando referências ao rock clássico, rhythm & blues e improvisações que mudavam completamente a dinâmica do show. Já “Over the Hills and Far Away” ganha um peso adicional que a aproxima ainda mais do hard rock setentista.

Ao contrário de muitos registros ao vivo excessivamente polidos, How the West Was Won preserva certa crueza essencial para transmitir a dimensão física da banda. O som é poderoso, quente e orgânico. A mixagem enfatiza a sensação de impacto e deixa evidente a comunicação quase telepática entre os quatro músicos. Também chama atenção a confiança absoluta do grupo. O Led Zeppelin não parecia tocar preocupado em reproduzir fielmente suas músicas. As canções funcionavam como pontos de partida para algo maior, mais livre e mais perigoso. Poucas bandas conseguiram alcançar esse nível de improvisação sem perder peso, coesão e identidade.

How the West Was Won funciona como documento histórico de uma banda operando no limite máximo de sua criatividade e poder de fogo. É um retrato do Led Zeppelin no momento quando o quarteto parecia simplesmente inalcançável.

Para muitos fãs, este é o verdadeiro testemunho definitivo do que o Led Zeppelin representava sobre um palco. E é difícil discordar.


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