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Saxon em Destiny (1988): quando os guerreiros da NWOBHM tentaram conquistar a América


Ao longo da década de 1980, o Saxon construiu uma das trajetórias mais sólidas do heavy metal britânico. Discos como Wheels of Steel (1980), Strong Arm of the Law (1980), Denim and Leather (1981) e Power & The Glory (1983) transformaram o grupo liderado por Biff Byford em um dos pilares da New Wave of British Heavy Metal. Porém, como aconteceu com diversas bandas da época, a segunda metade dos anos 1980 trouxe novos desafios. O mercado americano ditava tendências, o hard rock melódico dominava as rádios e a pressão para alcançar um público maior se tornava cada vez mais forte. Foi nesse contexto que nasceu Destiny (1988).

O álbum representa o ponto máximo da aproximação do Saxon com uma sonoridade mais comercial e acessível. Se trabalhos anteriores já indicavam essa direção, aqui ela aparece sem qualquer disfarce. A produção é limpa e polida, os refrães foram claramente pensados para as rádios e os arranjos incorporam elementos típicos do hard rock americano da época. O resultado dividiu fãs e crítica, tornando Destiny um dos discos mais controversos de toda a carreira da banda.

Logo na abertura, "Ride Like the Wind" deixa claras as intenções do grupo. A escolha de regravar o sucesso de Christopher Cross ainda hoje surpreende, mas a verdade é que a música funciona muito bem dentro da proposta do álbum. As guitarras acrescentam peso à composição sem eliminar seu caráter acessível, transformando a faixa em um dos momentos mais memoráveis do disco.

Canções como "Where the Lightning Strikes", "I Can't Wait Anymore" e "S.O.S." mostram um Saxon distante do peso agressivo de seus clássicos, mas ainda capaz de criar refrães marcantes e melodias eficientes. Já "Calm Before the Storm" surge como uma das melhores composições do trabalho, equilibrando emoção, melodia e uma interpretação vocal inspirada de Biff Byford.

Nem tudo funciona com a mesma intensidade. Em alguns momentos, a tentativa de se adequar ao mercado norte-americano acaba diluindo parte da personalidade da banda. Algumas faixas soam excessivamente dependentes das fórmulas do hard rock de arena que dominava o período, o que contribuiu para a rejeição de muitos fãs na época do lançamento.

Ainda assim, Destiny está longe de ser o desastre que parte da reputação construída ao seu redor sugere. O problema não está necessariamente na qualidade das músicas, mas na comparação inevitável com a fase clássica do Saxon. Avaliado como um álbum de hard rock melódico do final dos anos 1980, o disco apresenta boas composições, refrães fortes e uma produção competente. O que incomodou muitos ouvintes foi justamente vê-lo carregando o nome de uma banda associada a um heavy metal muito mais cru e direto.

O álbum continua longe de figurar entre os trabalhos mais celebrados do Saxon, mas também deixou de ser visto apenas como um tropeço. Hoje, pode ser apreciado como o retrato de uma época em que até mesmo gigantes do metal precisaram decidir entre seguir tendências ou permanecer fiéis às próprias raízes.

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