Pular para o conteúdo principal

Tex Gigante 6: o traço de José Ortiz transforma O Grande Roubo em um Tex memorável (2026, Mythos Editora)


Um assalto a um trem, uma fortuna em ouro e um bando de criminosos parecem ingredientes suficientes para mais uma aventura clássica de Tex. Em O Grande Roubo, porém, Claudio Nizzi transforma essa premissa em uma trama de investigação, traições e interesses cruzados, enquanto José Ortiz entrega uma das artes mais marcantes já vistas em um Texone.

A história começa quando Linch Weyss e seu grupo interceptam o trem que transporta o pagamento dos soldados. O golpe parece perfeito até que os criminosos descobrem que os sacos que deveriam estar recheados de moedas de ouro estão, na verdade, cheios de arruelas de ferro. A partir daí, Tex e Kit Carson entram em cena para descobrir onde foi parar o dinheiro e quem está por trás da fraude.

Nizzi constrói a narrativa como um quebra-cabeça, acrescentando personagens, interesses e reviravoltas sem abandonar aquilo que faz Tex funcionar tão bem: perseguições, tiroteios, confrontos diretos e a justiça implacável que costuma acompanhar o ranger. Não há aqui uma tentativa de reinventar o western, mas sim de trabalhar muito bem suas ferramentas tradicionais.

O grande diferencial está nas páginas de José Ortiz. Seu traço carregado, expressivo e extremamente detalhado combina perfeitamente com o lado mais áspero da história. Rostos marcados, ambientes empoeirados, sombras profundas e cenas de ação ganham uma força extraordinária no formato maior do Tex Gigante. Ortiz não apenas ilustra o roteiro: ele cria uma atmosfera própria, tornando cada página visualmente poderosa.

Publicado na Itália em 1993, O Grande Roubo chegou ao Brasil pela Globo e conquistou o Troféu HQ Mix de 1995 na categoria Graphic Novel Estrangeira. A nova edição da Mythos em papel offset e formato gigante recupera justamente aquilo que continua sendo seu maior atrativo: a possibilidade de apreciar o trabalho de Ortiz em toda a sua dimensão.

O Grande Roubo não precisa ser revolucionário para ser excelente. É um western clássico, conduzido com segurança por Nizzi e elevado pela arte de um desenhista extraordinário. E talvez seja justamente essa combinação que explique por que, décadas depois, esse Texone continua merecendo ser redescoberto.


Comentários