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Bedside Manners Are Extra (1973): Greenslade, um tesouro escondido do rock progressivo britânico


Existe uma quantidade enorme de grandes discos do rock progressivo britânico dos anos 1970 que acabou ficando à sombra dos gigantes do gênero. Bedside Manners Are Extra, segundo álbum do Greenslade, é um deles. Lançado originalmente em 1973, o disco retorna agora ao mercado brasileiro em uma edição em CD da Melômano Discos, mais de cinco décadas depois de seu lançamento.

Formado por Dave Greenslade (teclados), Dave Lawson (vocais e teclados), Tony Reeves (baixo) e Andrew McCulloch (bateria), o Greenslade tinha uma característica que já o diferenciava de praticamente todas as bandas progressivas de sua época: não havia guitarrista. E o mais interessante é que a ausência nunca parece um problema. Pelo contrário, ela é justamente uma das razões que tornam sua música tão particular.

Com dois tecladistas ocupando diferentes espaços dentro dos arranjos, a banda construiu uma sonoridade que transita pelo rock progressivo, jazz, blues e psicodelia, mas sem se prender completamente a nenhum desses caminhos. O resultado é sofisticado, porém surpreendentemente orgânico. Gravado em apenas nove dias no Morgan Studios, em Londres, Bedside Manners Are Extra preserva uma sensação quase ao vivo, com os quatro músicos interagindo de maneira constante.

A faixa-título já apresenta esse universo, enquanto "Pilgrim's Progress" mostra a capacidade do grupo de equilibrar complexidade e melodia. "Time to Dream" diminui o ritmo e cria um momento mais contemplativo, e "Drum Folk", com quase nove minutos, coloca Andrew McCulloch no centro de uma das melhores performances instrumentais do álbum. Na segunda metade, "Sunkissed You're Not" e "Chalkhill" ampliam ainda mais a influência jazzística do grupo.

Também é impossível ignorar a capa de Roger Dean, um dos grandes responsáveis pela identidade visual do rock progressivo. A imagem fantástica combina perfeitamente com uma música que parece existir em algum lugar entre o rock, o jazz e a imaginação psicodélica dos anos 1970.

Bedside Manners Are Extra não é um disco que compete com Close to the Edge, Selling England by the Pound ou The Dark Side of the Moon. Sua força está justamente em outro lugar: é um álbum de uma banda talentosa que encontrou uma identidade própria e nunca precisou seguir exatamente as regras do gênero.

A edição brasileira da Melômano Discos tem ainda um significado especial para os colecionadores. O álbum nunca havia recebido uma edição nacional em CD e chega agora remasterizado, com encarte de 12 páginas e OBI, recuperando para o mercado brasileiro uma peça importante — e relativamente pouco conhecida — do progressivo britânico.

Para quem já percorreu os caminhos mais conhecidos do gênero, o Greenslade é uma excelente descoberta. E Bedside Manners Are Extra é provavelmente o melhor lugar para começar.

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