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Jack White: crítica de Lazaretto (2014)

John Anthony Gillis sofre de um delay temporal. Nascido em Detroit em 9 de julho de 1975, o vocalista e guitarrista de 38 anos que o mundo conhece como Jack White é um artista único, com um talento singular e uma maneira de ver a música que difere totalmente dos seus colegas de geração. E isso é uma qualidade gigantesca. Enorme. Decisiva. Em uma conversa regada à música e algumas doses, um amigo levantou a questão: “ Jack White é o único cara atual que poderia fazer a sua carreira durante os anos 1970 que não passaria vergonha com os artistas daquela época ”. Não tive, e continuo não tendo, como fugir da resposta pura e simples: sim, concordo. Mais uma vez, White surpreende com um trabalho primoroso, dono de uma personalidade hipnótica, com canções que trazem a própria vida para os sulcos, o sangue pulsando nas caixas de som. Assim como o sensacional Blunderbuss (2012), Lazaretto , seu segundo álbum solo (lançado dia 10 de junho pela Third Man Records, selo e gravadora do própri...

Santana: crítica de Corazon (2014)

Expectativa maior pelos convidados que pela mistureba musical a ser oferecida e que, cá entre nós, já deu uma senhora desgastada. O multiplatinado Supernatural (1999) mostrou a Carlos Santana o caminho de volta para a mídia. Puta disco, sem dúvidas, mas desde então, o guitarrista não fez nada além de repetir a mesma fórmula que se mostrou tão vitoriosa no passado. Em Corazon , seu mais recente trabalho, Santana volta a convidar Deus e o mundo para colaborações que nem sempre resultam em algo agradável de se ouvir — muitas vezes, a única coisa que salva é a sua guitarra de fraseados menores e timbre inconfundível. A abertura não poderia ser pior, com o tenebroso Samuel Rosa cantando num espanhol à Vanderlei Luxemburgo o que se pode chamar de uma versão caribenha de "Saideira", hit do Skank de repercussão viral nos happy hours dos anos 1990. Numa virada de mesa digna do tricolor carioca, "La Flaca" dita o tom no que seria uma "Smooth" do novo mil...

Rival Sons: crítica de Great Western Valkyrie (2014)

O Rival Sons chega ao seu quarto disco com o status - merecido, diga-se de passagem - de uma das melhores bandas de hard rock do planeta. E, ao final da audição das dez faixas de Great Western Valkyrie , o sentimento é de que estamos presenciando o nascimento, a evolução e os passos largos e decididos de uma das grandes bandas do nosso tempo. O Rival Sons não brinca em serviço. O quarteto - que sofreu a sua primeira mudança de formação com a entrada do baixista Dave Beste no lugar de Robin Everhart - deixou de lado o flerte com o pop do último disco, Head Down (2012) - escancarado principalmente em “Wild Animal” e “Until the Sun Comes” - e intensificou a presença de elementos daquele hardão viciante e influente pra caramba produzido no início dos anos 1970. Great Western Valkyrie tem uma sonoridade áspera, cortante, que transborda influências de blues unidas ao DNA hard rock do grupo, característica que é uma das principais razões que fazem os californianos se destacarem tanto de s...

Assista "High Road", o novo clipe do Mastodon

E era isso: ótimo riff, peso ganancioso, vocais cavernosos, andamento cadenciado na medida pra bater a cabeça e o pezinho. E o resto do metal que se puxe pra chegar perto ... As imagens? Não cheguei lá ainda, estacionei no som e por ali fiquei. Por Ricardo Seelig

KISS: crítica de 40 Years: Decades of Decibels (2014)

Mais uma coletânea do KISS na área. 40 Years: Decades of Decibels pega carona no alvoroço causado pela indução tardia ao Rock & Roll Hall of Fame para colocar em circulação aquele bando de hits que todos nós já estamos carecas de ouvir. O problema, como em toda coletânea que se preze, está na escolha das músicas — aqui, a coisa parece ter sido feita à moda caralho, com a pretensão cretina de resumir quatro décadas multiplatinadas em um CD duplo mascarada pelo conceito inovador de cada álbum comparecer com somente uma canção — e muitas peças fundamentais acabaram ficando de fora.  Não precisa ser um expert em KISS para, logo de cara, dar pela falta de "Black Diamond", qualquer que fosse a versão. "Strutter" e "Deuce", talvez as mais famosas do debut do grupo (1974), dão as caras em versões alternativas, sendo a de "Strutter", a velha conhecida versão lançada em Double Platinum (1978). Ainda no CD 1, seleções dos quatro álbuns solo ...

Os melhores discos lançados em maio segundo a Collectors Room

Chegamos ao quinto mês do ano, e com ele mais lançamentos interessantes. Entre retornos de bandas que há tempos estavam devendo e a afirmação de novos nomes, reedições apetitosas também desembarcaram nas lojas. Abaixo, cada integrante da nossa equipe conta qual foi o principal lançamento de maio na sua opinião, junto com um pequeno review sobre o título. Deguste! Titãs - Nheengatu A gente sempre espera que, como um bom vinho, nossas bandas favoritas só melhorem com a idade. Não foi o caso dos Titãs que, a partir da segunda metade dos anos 1990, se acomodou na fórmula amiga de light fm descoberta após o estouro de "Pra Dizer Adeus" e, vamos ser francos, piorou. Levou mais de uma década e alguns discos com pouca expressão roqueira até que o, hoje em dia, quarteto, radicalizasse e lembrasse como se faz o bom e velho som pesado que os fez decolar no passado. Em Nheengatu , seu melhor trabalho desde Titanomaquia (1993 — sim, já faz 21 anos!), os Titãs colhe na inquietação d...

Apanhado death/thrash/black de maio

Já estamos quase na metade de junho, mas ainda vale destacar o que rolou de mais interessante em maio. Notícias com cheiro de mofo sobre os subterrâneos do death, thrash e black metal. A começar pelo belo cast do Zoombie Ritual Festival em 2014, que promete dar o que falar. Tem também notas sobre discos e músicas novas, mudanças de formação, vídeos e demais infos sobre bandas nacionais e gringas. Um verdadeiro apanhado, como o nome em si sugere. Zoombie Ritual Foi divulgado o cast (quase) completo da edição de 2014 do Zoombie Ritual, festival realizado anualmente em Rio Negrinho (SC) e que, há pelo menos duas temporadas, figura como o maior e melhor evento especializado em heavy metal no Brasil. Desta vez, o Zoombie ganha mais uma data e passa a ter quatro dias de shows - 11, 12, 13 e 14 de dezembro. Os principais headliners serão: Destruction, Terrorizer, Incantation e Onslaught. Destaque também para M:Pire of Evil, Enthroned, Belphegor, Artillery, Whiplash e a...

Os serviços de streaming e a nova forma de consumir música

Você já deve ter ouvido algo a respeito dos principais serviços de streaming de música disponíveis. Rdio , Spotify e Deezer são citados com frequência não só aqui na Collectors, mas em qualquer veículo sobre música. Os três dominam o mercado de aplicativos que permitem que o usuário ouça a música que quiser em qualquer lugar que estiver. O Spotify, que chegou ao Brasil nas últimas semanas, é o principal e mais popular em todo o mundo. Deezer e Rdio vêm logo atrás. Similares em diversos aspectos e diferentes em outros, os três dividem a preferência dos ouvintes. Vou falar sobre a minha experiência com o streaming de música. Após testar o Deezer e o Rdio, por recomendação de amigos assinei o segundo em dezembro de 2013. O preço é o mesmo da Netflix: R$ 14,90 mensais, com acesso ilimitado a todo o catálogo disponibilizado pelo aplicativo - e acredite, ele é gigantesco, indo de sucessos atuais até um mergulho profundo no passado e em sons obscuros e pouco conhecidos. Desde então, não...

Veredito Collectors Room: The Black Keys - Turn Blue (2014)

O Veredito Collectors Room do mês de maio é dedicado ao novo e oitavo álbum da dupla norte-americana The Black Keys, um dos nomes mais falados e cultuados do rock nos últimos anos. Turn Blue , sucessor do megaplatinado e excelente El Camino (2011), foi analisado por cada integrante da nossa equipe, que emitiu a sua opinião sobre o trabalho e atribuiu uma nota para ele. No final, fizemos uma média geral com a soma de todas as notas e atribuímos o nosso veredito sobre T urn Blue . E, é claro, queremos saber o que você achou do novo disco do Black Keys. Conte pra gente a sua opinião nos comentários. Dentre os críticos, há quem diga que é resultado da influência do produtor Danger Mouse. Há quem suspeite que foi a separação de Dan Auerbach. Mas uma coisa é fato: a sonoridade do duo The Black Keys em  Turn Blue , sucessor do bem-sucedido El Camino (2011), simplesmente se transformou. Esqueça o vibrante blues-rock de arena que adicionava modernidade a uma mistura de rock ...

Coldplay: crítica de Ghost Stories (2014)

Antes de qualquer coisa, preciso fazer uma confissão. Eu tentei. De verdade, eu juro que tentei. Por mais que não acredite nesta tal de "imparcialidade" (ser imparcial, para mim, é exatamente o contrário do que é ser crítico, mas esta discussão fica pra depois), eu tentei despir minha mente e meu coração de quaisquer preconceitos assim que começou a audição de  Ghost Stories , o novo disco do Coldplay. Fui totalmente aberto. Mas quando dei o play e a faixa de abertura, "Always in My Head", entregou uma vibração etérea, quase Enya, tudo foi por água abaixo. Falhei miseravelmente. E já passei a odiar o disco logo de cara. Não fui capaz. Mesmo assim, fui persistente. E ouvi o diacho até o final. Passei a ter muito orgulho de mim mesmo. Porque foi uma tarefa árdua. Juro que não consigo entender o Coldplay, por mais que eu tente. Não que toda a carreira deles seja um fracasso. Sou absolutamente capaz de enxergar alguns bons momentos. Mas o meu ponto é que eles são ape...