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Filho de peixe, peixinho é? Nesse caso, sim. Johnny Alexander Veliotes herdou do pai não apenas o nome, mas sobretudo o talento musical. Filho de Johnny Otis (cujo nome de batismo é John Alexander Veliotes), um dos pioneiros do rock norte-americano, Shuggie Otis nasceu em Los Angeles em 30 de novembro de 1953, e aos doze anos já tocava em clubes noturnos acompanhando o pai. Para disfarçar a tenra idade, escondia-se atrás de enormes óculos escuros e camadas de maquiagem, já que, pela lei americana, não poderia se apresentar profissionalmente sendo ainda um mero adolescente.
Desde cedo revelou-se um prodígio. Além da guitarra, seu instrumento preferido, tocava com perfeição também piano, órgão, bateria e baixo. Seu talento precoce impressionava a todos que o conheciam, e chamou a atenção de Al Kooper, que o convidou para substituir Stephen Stills no seu projeto Super Sessions, que já havia rendido um elogiadíssimo álbum lançado em julho de 1968.

Um fato importante que deve ser mencionado é que Shuggie cresceu tendo contato direto e convivência quase diária com músicos talentosíssimos como Sly Stone e Arthur Lee, da cultuada banda Love, além dos instrumentistas que acompanhavam seu pai. Outra passagem interessante é a participação de Shuggie no álbum Hot Rats, lançado por Frank Zappa em 1969. Nesse disco, Shuggie Otis toca baixo na faixa que abre o LP, a clássica “Peaches en Regalia”. O músico também participou de sessões de gravação ao lado de nomes como Etta James, Cal Tjader e Eddie Vinson.



Talvez a principal influência de Shuggie no LP tenha sido outro ícone da música negra, Curtis Mayfield. A delicadeza das canções e as melodias doces que saltam dos sulcos grudam de imediato, soando como um bálsamo reconfortante para os ouvidos.
Aclamado por Inspiration Information, um universo repleto de possibilidades apontava para o futuro de Shuggie Otis. O guitarrista foi convidado para ingressar nos Rolling Stones no lugar de Mick Taylor, mas recusou a oferta pela chance de trabalhar com Quincy Jones em seu quarto álbum – que, infelizmente, nunca viu a luz dia.
Uma série de incidentes com outros músicos e problemas em shows aos poucos deram fama de difícil para Shuggie. O músico, já naturalmente introspectivo e com propensão à reclusão, afastou-se definitivamente dos palcos, produzindo apenas trabalhos como músico de estúdio contratado.
No final dos anos setenta algumas músicas suas foram regravadas por outros artistas, jogando os holofotes sobre Otis. Aliado a isso, faixas gravadas por Shuggie começaram a ser incluídas com frequência em coletâneas, despertando nos ouvintes o interesse e a curiosidade sobre o legado do músico. Esse processo alcançou seu ápice nos anos 2000, e culminou com o relançamento de seu principal trabalho, a obra-prima Inspiration Information, pela gravadora Luaka Bop, do pesquisador e líder do Talking Heads, David Byrne. Essa reedição de Inspiration Information chegou às lojas em 03 de abril de 2001 com uma nova capa e com a inclusão quatro faixas bônus, todas retiradas do álbum Freedom Flight, de 1971 – “Strawberry Letter 23”, Sweet Thang”, Ice Cold Daydream” e “Freedom Flight”.Nos últimos anos, Shuggie Otis tem feito algumas gravações esporádicas, como o registro das faixas “Violet in Blue” e “Novemberin´”, essa última presente na compilação de mesmo nome, lançada em 2008. Além disso, colaborou com Mos Def e com Beyonce, mostrando que está ligado no que anda acontecendo na música pop atual.
Pessoalmente, apesar de considerar Inspiration Information uma obra-prima inquestionável, recomendo como porta de entrada para o universo multicolorido de Shuggie Otis a sua estreia, Here Comes Shuggie Otis, de 1970, um álbum perfeito e coeso na medida certa.

Pra fechar, uma dica: se você estiver dando uma volta por Sebastopol, pequena cidade californiana com quase oito mil habitantes distante cerca de 80 kilômetros de San Francisco, é bem capaz de você topar com Shuggie Otis pelas ruas e praças do lugar, já que Shuggie reside nesse lugarejo há vários anos. Se isso acontecer, não perca a chance de bater um papo com um dos músicos mais influentes das últimas décadas.









