25 de fev de 2011

Black e death metal: livro sobre o estilo, escrito por um de seus maiores porta-vozes!

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Por Ricardo Seelig

Sai em junho uma das obras mais abrangentes sobre o metal extremo já publicadas. Metalion: The Slayer Mag Diaries chega às lojas dia 06/06 através da editora Bazillion Points Book, cujo editor e proprietário é Ian Christie, autor do essencial Heavy Metal: A História Completa, lançado no Brasil em 2010.

Metalion: The Slayer Mag Diaries mescla matérias publicadas na lendária revista Slayer desde o início dos anos 1980 até 2010. A Slayer, para quem não sabe, é uma das principais publicações do underground metálico mundial. Editada por Jon Kristiansen, a publicação sempre deu voz aos estilos mais extremos do heavy metal. Sendo assim, o livro funciona como memória viva de estilos como o black e o death metal, principalmente da cena norueguesa do início dos anos 1990, que Kristiansen foi testemunha ocular.


Com 774 páginas e capa dura, a obra traz textos da Slayer unidos a relatos da vida de Jon Kristiansen, formando uma espécie de documento histórico com visão pessoal do metal extremo. A obra tem mais de 100 fotos raras e entrevistas com grupos como Mayhem, Emperor, Slayer, Celtic Frost, Bathory, Metallica, Darkthrone, Dissection, Death, Gorgoroth, Immortal, Sepultura e inúmeros outros.

Metalion: The Slayer Mag Diaries já está em pré-venda nesse site, com direito a dois patches limitados.

Seria muito bom se saísse no Brasil, não seria?

Crítica musical: até que ponto a amizade interfere na avaliação de uma obra?

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Por Ricardo Seelig

A questão é antiga, mas sempre pertinente: até que ponto a amizade entre um crítico de rock e uma banda pode influenciar a sua avaliação sobre o trabalho? É possível fazer uma crítica isenta de um disco quando se é amigo dos caras?

Pra que serve uma resenha musical? Em primeiro lugar, a relação entre um jornalista e seu leitor é construída com o tempo. Ao ler dezenas de textos todos os dias você vai se identificando com esse ou aquele crítico, vai percebendo que a opinião de determinada pessoa fecha mais com a sua e, dessa maneira, vai construindo uma relação de confiança com alguns jornalistas.

A função de um crítico musical é, sem maiores teorias, usar da sua experiência como ouvinte de música para dizer se esse ou aquele disco são bons ou não. Pra começo de conversa, não existe crítica imparcial. Se você vai fazer um review de um álbum, você vai dar a sua opinião pessoal sobre ele. Textos que ficam em cima de muro e não se posicionam não servem para nada, apenas para encher espaço – e o pior é que, cada vez mais, eles proliferam por aí.

Uma boa crítica musical, na minha opinião, é aquela que não usa de meias palavras, que não tem medo de se posicionar. Uma boa crítica musical contextualiza o álbum que é analisado, tece teorias sobre ele, lança mão de referências ao leitor quando isso se faz necessário. E tudo isso amparado por um ótimo texto e por um grande domínio da língua. Para mim, um bom review tem que estar acompanhado por um bom texto. Muitas das minhas resenhas favoritas não estão de acordo com o meu gosto pessoal, mas são matérias tão bem escritas e argumentadas que me conquistaram.

Um crítico musical não pode ter medo de dar a sua opinião, simples assim. E ela deve ser embasada em fatos. Se o disco é bom, dizer claramente o porque. Se ele for ruim, a mesma coisa. Cada crítico descobre o seu estilo com o passar dos anos. Alguns tecem análises mais técnicas, enquanto outros buscam na literatura e até no humor elementos para criar suas identidades.

O bom crítico musical, aquele que é respeitado, tem a sua reputação construída em cima de suas opiniões. Por isso, é fundamental que ele não tenha medo de se posicionar, de dar a sua opinião sempre, doa a quem doer. No filme Quase Famosos, o personagem que retrata o famoso jornalista Lester Bangs aconselha o jovem William Miller a sempre ser impiedoso e a nunca confundir a amizade com as bandas com a sua atividade profissional. Ou seja, não tem segredo: se você souber separar as coisas, não tem erro. Uma banda boa, uma música boa, um bom disco, se sustentam por si só – e o mesmo vale para uma obra ruim. O leitor não é bobo, e sabe o que tem qualidade e o que é mero lixo.


Inspirado por este texto publicado pelo Scream & Yell em 2001, fiz a seguinte pergunta a vários jornalistas e críticos Brasil afora: é possível ser imparcial quando se faz uma crítica sobre uma banda formada por amigos seus? Qual o segredo para não cair em uma situação dessas? E, se ela acontecer, como proceder? Abaixo você lê as opiniões de cada um sobre o assunto:

Ricardo Batalha – Redator-chefe da Roadie Crew

É tão possível que acontece com muita frequência. E por que o meu amigo não pode tocar bem e gravar um álbum legal? As pessoas sempre enxergam o lado negativo da coisa, de ficar chato ter que criticar algo por ser seu amigo, mas o trabalho tem que ser analisado da mesma forma. Não existe segredo para não cair em uma situação dessas. É simples: ou se faz ou não.

Regis Tadeu – Colunista de música do Yahoo, ex-editor das revistas Cover Guitarra e Cover Baixo, entre outras

É absolutamente possível ser imparcial nestes casos, principalmente se tais amigos souberem que sua opinião é a mais sincera possível. Depois, é preciso que tal crítica seja muito bem embasada em argumentos sólidos, que permitam uma reflexão por parte dos músicos envolvidos e por quem lê a opinião em questão. Por último, é preciso que os próprios músicos entendam que a famosa conduta do "tapinha nas costas + elogios falsos" é tudo o que uma banda não pode ter se deseja realmente ingressar em uma carreira profissional.

Sergio Martins – Editor de música da revista Veja, ex-editor da revista Bizz

Amizade entre músicos e artistas é válida, desde que exista respeito mútuo e total falta de interesses. Tenho grandes amigos músicos que receberam críticas positivas por causa de seu talento e não por causa dos nossos laços de amizade – muitos deles, aliás, são meus amigos durante anos e nunca cobraram um espaço maior no meu local de trabalho. Por outro lado, existem aqueles que se aproximam dos jornalistas movidos apenas por interesse. Também conheci amigos (hoje ex-amigos) assim.

O crítico pode fazer uma matéria positiva a respeito de uma banda formada por amigos desde que ela esteja bem fundamentada. E se o fizer, não ficar alardeando que irá dar um espaço generoso. No final de 2001 fiz uma matéria sobre um artista amigo meu, que considero especialmente talentoso. Ele só soube da existência da reportagem ao ver a revista na banca. Da mesma maneira, o artista/amigo tem de se preparar para uma eventual crítica negativa. E se a partir daquela crítica ele resolver falar mal do jornalista, é bem provável que a amizade fosse baseada em outros interesses que não fosse a troca de ideias

Bento Araújo – Editor da poeira Zine

É totalmente possível! No meu ver, amizade é uma coisa, profissionalismo é outra; e graças a seriedade do meu trabalho com a pZ (onde não rolam "jabás" e coisas do tipo), todos os meus amigos músicos já sabem que eu só irei falar bem de seus trabalhos caso eu goste de verdade. Essa é a linha da pZ e de todos os meus textos: só falo do que gosto e do que acho que deva ser recomendado para os meus leitores, então não tem erro, posso garantir que tiro de letra qualquer eventual constrangimento desse tipo de situação. Penso então que o segredo para se sair melhor nesse caso é saber separar as coisas.

Fabiano Negri – Collector´s Room, vocalista da banda Rei Lagarto

É dificil resenhar trabalhos de amigos. Eu prefiro fazer um comentário imparcial diretamente para o amigo em questão e não publicá-lo. Sempre eu ouço com a aquela sensação de que tenho que dar uma força e fica complicado – no caso de eu achar o trabalho uma merda – de colocar o brother numa posição chata. Assim também posso fugir de comentários sobre a veracidade da resenha, afinal o mundo é pequeno. Aplico o mesmo para meus inimigos declarados.

Respondendo bem diretamente a pergunta: no meu caso, não consigo ser imparcial se for para publicar a resenha. Numa conversa informal me sinto mais a vontade para falar o que eu achei, sem medo. De maneira alguma vou queimar um amigo músico. O segredo para uma situação dessas é não resenhar trabalhos de amigos. Mais ou menos como aconteceu comigo e meu grande brother Tony Monteiro – um dos melhores textos sobre rock no Brasil. Ele já resenhou muitos trabalhos meus, mas chegou um momento que estávamos tão próximos que ele teve o profissionalismo de não escrever mais sobre os meus projetos. Acho que a atitude dele está mais do que correta. Ele não teria a manha de publicar uma resenha se eu fizesse merda.

Thiago Rahal Mauro – Roadie Crew

Sim, é possível. Basta você não misturar as coisas: amizade é amizade, trabalho é trabalho. Parece fácil, mas não é. As tentações são grandes, porém temos que pensar primeiro no nosso trabalho e depois nos amigos. As pessoas se esquecem que quem compra a nossa opinião são os leitores, e se eles perceberem que estamos favorecendo algo ou alguém em favor dessa amizade, quem perde com isso é o jornalista musical.

As festas, lançamentos de CDs ou pocket shows, são armadilhas para quem escreve neste meio. Comida de graça, discos na faixa, ingressos para shows a rodo ... os músicos, sempre solícitos e aparentemente "amigos" dos jornalistas, se aproveitam da nobreza e da ingenuidade de algumas pessoas para jogar o seu charme e conseguir uma nota ou palavra favorável para as suas bandas.

Se o trabalho é bom, diga diretamente para o músico. Se for ruim, faça o mesmo, mas não diga que é ruim e pronto, explique o porque dessa opinião, mostre que conhece mesmo do assunto e, antes de tudo, nunca mude a sua opinião por causa de amigos. Se você acha isso, se não tem nenhum erro, fique com ela até o final, até provarem o contrário.

João Renato Alves – Collector´s Room

Na teoria, é possível ser imparcial em uma situação do tipo. Mas, na prática, a coisa fica diferente, especialmente porque o lado sentimental pode falar mais alto, ainda mais quando se trata de um meio amador, caso da maioria esmagadora da mídia musical, especialmente na internet. A não ser que o crítico esteja disposto a arcar com as consequências. Se ele não tiver certeza que pode dar conta do recado, deve se abster e passar para outro.

Eliton Tomasi – Som do Darma, editor da extinta RockHard/Valhalla

Vamos imaginar uma situação: você e seu melhor amigo são sócios em um negócio muito lucrativo, da qual depende sua vida e de toda sua família. De uma hora para outra o sucesso sobe à cabeça desse seu amigo, que começa a colocar o negócio em risco por própria imprudência dele, de forma que se ele continuar no comando da empresa o negócio vai à falência. Obviamente que você não hesitaria em tirá-lo do negócio e salvar sua empresa, mesmo que isso custe a sua amizade. Afinal, essa é a atitude correta a se tomar.

Encare a crítica musical com tal seriedade e você não encontrará dificuldades para ser imparcial. Credibilidade é a coisa mais importante para um profissional da comunicação, e isso só se conquista tomando sempre a atitude correta, independente se ela é parcial ou imparcial. Aplique sempre o discernimento para saber o que o momento exige.

Adriano Mello Costa – Blog Coisa Pop

É muito díficil ser imparcial quando se fala de uma banda de amigos. Mesmo que o disco seja horrível e o texto que eu escrevo diga isso com todas as letras, em algum momento vai ter uma amansada ou pelo menos a indicação do que de bom tem. Agora, cabe ressaltar que os tempos de hoje são diferentes do retratado na epoca do Quase Famosos e até mesmo do texto do Scream & Yell. A produção é bem maior, para o bem e para o mal. No entanto, há de se dizer também em que há casos que o disco é realmente bom.

Acredito que o melhor caminho pra se tomar, caso isso ocorra em escala maior, como em um grande veículo de comunicação, seja se abster de fazer a crítica. Passar a bola para outra pessoa é a melhor saída.

Thiago Cardim – Whiplash e Observatório Nerd

Eu já sou, por definição, contra este conceito de que um crítico tem que ser imparcial em qualquer que seja a situação, em qualquer que seja a editoria. Uma crítica vem sempre embasada de uma dose cavalar de opinião pessoal - ou então todas as críticas seriam rigorosamente iguais e refletiriam um mesmo posicionamento/argumento. Se estou lendo um texto deste ou daquele crítico, quero saber se ele gostou ou não daquele disco, daquele show, daquele filme, daquele livro. Porque, inconscientemente, vou comparar com meus próprios gostos pessoais e saber se vou ou não dar uma chance àquele disco, àquele filme, àquele livro. É natural, não tem nada de errado nisso. Imparcialidade na crítica cultural é uma falácia criada por alguém que se achava acima do céu e da terra, do bem e do mal - e queria que a gente acreditasse nisso, que ele não podia ser contestado. "Não, não é uma opinião minha. É uma crítica imparcial". Fácil se colocar no papel de super-homem.

Assim sendo, não, não acho que seja possível ser imparcial quando se escreve sobre uma banda de amigos. Mas acho que seja possível sim escrever sobre a banda de amigos. Já aconteceu comigo em pelo menos três ocasiões diferentes. Não tive como fugir, os caras sabiam que eu escrevia sobre música, quiseram colocar o CD do grupo na minha mão. Ainda tentei argumentar, sair pela tangente, "pô, mas vocês são meus amigos, é claro que vou acabar falando bem do trampo de vocês, não é ético", joguei o maior papo furado. Nunca adiantou, nunca me salvou.

Já me aconteceu até com a banda da minha esposa, na época. Aí é ainda mais escabroso. Acabei encarando o desafio e ouvindo, sem preconceitos. Mas deixei bem claro: "olha só, você tá pedindo minha opinião, certo? Então, vou escrever a minha opinião. De verdade. Se eu gostar, gostei. Mas se não gostar e tiver que levantar os problemas, não me vá ficar chateada". Abrindo o jogo assim, sempre deu certo. Um grande amigo me pediu, então, para não escrever e publicar, mas apenas para dar a minha opinião sincera para que ele e os camaradas de banda tentassem melhorar.

Na minha carreira, teve apenas um único caso de um amigo de um amigo que ficou meio bravo com o que eu disse, e por pouco não veio tirar satisfações. Era de uma banda de hardcore muito tosca. Paciência. Ele faz a música do jeito que quer e, como artista, tem todo o direito de se soltar criativamente. Mas eu, como crítico, tenho todo o direito de escrever o que eu bem entender. Liberdade total para ambos. É assim que a coisa funciona.

Rodrido de Andrade – Editor d'Os Armênios

Imparcialidade é um dos pilares do paradigma jornalístico brasileiro. Esse modelo, inclusive, foi totalmente importado dos Estados Unidos, como é ensinado nas faculdades de Comunicação Social. Outras características dele seriam a objetividade, a factualidade e busca pela verdade. É importante deixar claro que existem várias maneiras de se produzir jornalisticamente. Na França, por exemplo, se preza muito mais a opinião, o posicionamento e se admite, inclusive, devaneios e experimentações estéticas no texto. É uma escola fundamentada em vertentes do jornalismo literário.

Em Os Armênios, nadamos contra toda essa maré do jornalismo praticado no país. Inclusive, cunhamos um termo para descrever nossa prática: (anti) Jornalimo (contra) Cultural. Não acreditamos em imparcialidade e nem na verdade. E mais: se ela — a verdade — existe, certamente não é o método jornalístico que vai conduzir ao seu encontro.

Pensando no caso específico da crítica musical de trabalhos de conhecidos, já cheguei a algumas conclusões um tanto quanto interessantes. Talvez por afinidades musicais, acho realmente que alguns dos meus amigos gravaram discos fabulosos! Por exemplo, considero o primeiro álbum da Cachorro Grande um dos melhores — senão o melhor — do gênero rock lançado no país na última década. Também, acho que o único CD dos Locomotores — que infelizmente não teve a repercussão merecida — é um discão de primeiríssima linha!

Mas existem alguns trabalhos de amigos que realmente não possuem aquele brilho especial. Traçando um contraponto com o parágrafo anterior, irei me valer de uma banda já citada como exemplo: as produções recentes da Cachorro Grande tem alguns momentos que considero um tanto mornos, pré-fabricados e repetitivos.

Mas acredito que sim, é possível fazer um texto sem ser tendencioso. Basta encarnar o espírito acadêmico e descrever o trabalho dos amigos a partir de termos estéticos. Mas não tenho dúvidas de que isso torna a crítica burocrática, sem vida. E sim, em termos classificatórios, essa forma careta não deixa de traçar um panorama sobre o objeto de estudo.

Por fim, finalizo afirmando que considero justo escrever sobre os amigos: a proximidade garante ao escritor o conhecimento de detalhes e histórias com um rigor e frescor inalcançável para os desconhecidos!

Thiago Sarkis – Roadie Crew

O jornalismo deveria extinguir o termo imparcialidade e adotar alguma noção próxima à de um distanciamento possível. Seria menos frustrante para todos, porque a imparcialidade, o jornalista sendo ou não amigo do músico, não passa de um ideal remoto sob o qual se sustenta a prática jornalística. A imparcialidade é apenas uma meta longínqua, jamais alcançada em sua plenitude. Só para constar: críticas ferrenhas a álbuns de amigos não provariam o contrário, nem mostrariam a incrível capacidade de um jornalista de separar seus papéis como amigo e profissional. Para discutirmos isso, precisaríamos partir para reflexões e estudos de vários campos diferentes de conhecimento. Uma coisa é fato: a imparcialidade, além de idealizada, é ilusória, pelo menos em sua totalidade.

É possível, porém, distanciar-se de forma razoável daquilo que se critica, fazer um recorte sobre o objeto analisado, e assim minimizar as inclinações pessoais sobre o que se estuda, avalia e analisa. Minimizar, jamais eliminar. É evidente que ser amigo de um músico não colabora para a crítica; pretenda-se esta crítica imparcial ou não. A arte é uma criação e, como toda criação, tem uma assinatura que agrega valor a ela. Se você sabe quem assinou, esqueça a imparcialidade. Consciente ou inconscientemente, haverá algo de parcial. A criação nunca é avaliada como ela só. Ela carrega história, afeto, pré-concepções.

Vinícius Mariano – Editor da revista eletrônica do Conservatório Souza Lima e colaborador da Roadie Crew

Eu acredito que é possível, apesar de algumas situações te colocarem em uma sinuca de bico. O segredo da imparcialidade é falar o que realmente você acha sobre um determinado assunto, independente de os envolvidos serem seus amigos ou não. Se o material for bom, as críticas serão igualmente proporcionais. Se for ruim, é ruim e ponto. Não se pode jogar areia nos olhos do leitor. Até porque isso um dia vai colocar o seu trabalho em dúvida. Um amigo seu de verdade não pode se importar com uma coisa como essa a partir do momento que colocou um material em sua mão. E, além de tudo, amigo de verdade são aqueles que são transparentes em qualquer situação, e não aqueles que dão tapinhas nas costas.

Nesses anos coisas do tipo já aconteceram comigo, e a maioria entendeu e considerou como algo positivo. Muito deles realmente cresceram com isso. As derrotas o tornam mais fortes e lhe prestam uma lição. O meu caso é um pouco complicado porque eu também sou vocalista, e quando critiquei alguns esses acharam que eu estava fazendo comparações ou me achava mais do que eles. Se você não está preparado para uma crítica, não está preparado para a vida.

Maurício Ângelo - Movin' Up

Essencialmente, a questão básica é: existem críticas boas e ruins. Ponto. Ou seja: é necessário que o texto seja construído sob o mínimo de argumentação decente possível, inclusive apontando o que você considera "falhas". Dessa maneira tanto algum músico/banda que você tenha alguma amizade quanto outra que não tenha, terão a capacidade de interpretar e respeitar seu texto.

Imparcialidade é ilusão. A "brodagem" no meio musical costuma gerar sérios problemas: desde sempre e hoje em dia, com a cena "independente" brasileira em efervescência, essas relações tendem a cair num oba-oba mútuo que não interessa a quem realmente importa: o público. Cheguei a aprofundar isso neste texto.

Fato é que poucas vezes o ser humano consegue receber críticas de maneira saudável. Erro grave para quem tem qualquer tipo de aspiração artística. Sempre tomo cuidado ao ficar amigo de bandas ou músicos. Ao mesmo tempo que é inevitável é preciso deixar claro que ele terá a mesma análise que qualquer um teria: o grau de "parcialidade", dentro dos limites estreitos da nossa ilusão de isenção, será o mesmo. Nunca servindo para elevar algo que você realmente não acredita que seja aquilo.

Afinal, é o respeito ao trabalho de cada um que precisa ser preservado. Dentro disso, basta maturidade suficiente para lidar com o que inevitavelmente temos que lidar na vida, dentro ou fora da música e do jornalismo.

Van der Graaf Generator: novo álbum em março!

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Por Ricardo Seelig

Atenção proggers: A Grounding in Numbers, novo álbum do Van der Graaf Generator, sai dia 14 de março. A data, quando escrita na língua inglesa - que usa o mês antes dos números -,é exatamente igual aos três primeiros dígitos do numeral PI, sequência fundamental na matemática. Ainda sobre o tema, o disco tem uma faixa chamada “Mathematics”, inspirada na Identidade de Euler, também conhecida como “poema matemático”.

O Van der Graaf Generator é formado atualmente pelo trio Peter Hammill (vocal, piano e guitarra), Hugh Banton (baixo e órgão) e Guy Evans (bateria e percussão).

A Grounding in Numbers é o décimo-segundo disco de estúdio do grupo, e será lançado pela Esoteric Records.

Confira abaixo o tracklist:

1.Your Time Starts Now
2.Mathematics
3.Highly Strung
4.Red Baron (Instrumental)
5.Bunsho
6.Snake Oil
7.Splink (Instrumental)
8.Embarrassing Kid
9.Medusa
10.Mr. Sands
11.Smoke
12.5533
13.All Over the Place


Q Magazine elege os 125 melhores álbuns dos últimos 25 anos!

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Por Ricardo Seelig

Mais uma lista pra gente discutir, concordar ou discordar aqui na Collector´s! Os editores da revista inglesa Q Magazine elegeram os 125 melhores álbuns lançados nos últimos 25 anos, desde 1985, ano em que a publicação foi criada.

Tem coisa muito boa na lista, e alguns discos que não aparecem frequentemente em levantamentos do gênero.

Confira abaixo quais são, segundo a Q, os melhores discos do último quarto de século. Eu curti, e vocês?

1.U2 – Achtung Baby (1991)
2.Prince – Sign O'the Times (1987)
3.The Smiths – The Queen is Dead (1986)
4.Nirvana – Nevermind (1991)
5.Radiohead – OK Computer (1997)
6.Public Enemy – It Takes a Nation of Millions to Hold Us Back (1988)
7.Guns N' Roses – Appetite for Destruction (1987)
8.PJ Harvey – Rid of Me (1993)
9.Pavement – Slanted and Enchanted (1992)
10.Nine Inch Nails – The Downward Spiral (1994)
11.The Replacements – Tim (1985)
12.Outkast – Stankonia (2000)
13.Sonic Youth – Daydream Nation (1988)
14.Beastie Boys – Paul's Boutique (1989)
15.Hüsker Dü – New Day Rising (1985)
16.Pixies – Doolittle (1989)
17.De La Soul – 3 Feet High and Rising (1989)
18.The Strokes – Is This It (2001)
19.Jay-Z – The Blueprint (2001)
20.My Bloody Valentine – Loveless (1991)
21.Oasis – (What's the Story) Morning Glory? (1995)
22.Eric B. & Rakim – Paid in Full (1987)
23.Daft Punk – Discovery (2001)
24.Metallica – Master of Puppets (1986)
25.Nas – Illmatic (1994)
26.Guided by Voices – Bee Thousand (1994)
27.Nirvana – In Utero (1993)
28.Radiohead – The Bends (1995)
29.Pavement – Crooked Rain, Crooked Rain (1994)
30.A Tribe Called Quest – The Low End Theory (1991)
31.Massiva Attack – Blue Lines (1991)
32.Wu-Tang Clan – Enter the Wu-Tang (36 Chambers) (1993)
33.Björk – Debut (1993)
34.Beck – Odelay (1996)
35.R.E.M. - Automatic for the People (1992)
36.The Jesus and Mary Chain – Psychocandy (1985)
37.Liz Phair – Exile in Guyville (1993)
38.Run DMC – Raising Hell (1986)
39.Public Enemy – Fear of a Black Planet (1990)
40.Tricky – Maxinquaye (1995)
41.Pulp – Different Class (1995)
42.Green Day – Dookie (1994)
43.The Notorious B.I.G. - Ready to Die (1994)
44.Beastie Boys – Licensed to Ill (1986)
45.Pixies – Surfer Rosa (1988)
46.N.W.A. - Straight Outta Compton (1988)
47.Portishead – Dummy (1994)
48.Elliot Smith – Either/Or (1997)
49.D'Angelo – Voodoo (2000)
50.Jay-Z – Reasonable Doubt (1996)
51.Rage Against the Machine – The Battle of Los Angeles (1999)
52.Kanye West – The College Dropout (2004)
53.The Cure – The Head on the Door (1985)
54.Dinosaur Jr. - You're Living All Over Me (1987)
55.Hole – Live Through This (1994)
56.Aphex Twin – Selected Ambient Works 85-92 (1999)
57.The White Stripes – Elephant (2003)
58.DJ Shadow – Endtroducing (1996)
59.Belle and Sebastian – If You're Feeling Sinister (1998)
60.Fugazi – 13 Songs (1989)
61.Smashing Pumpkins – Siamese Dream (1993)
62.U2 – The Joshua Tree (1987)
63.R.E.M. - Fables of the Reconstruction (1985)
64.The Flaming Lips – The Soft Bulletin (1999)
65.Eminem – The Marshall Mathers LP (2000)
66.Arcade Fire – Funeral (2004)
67.Tom Waits – Rain Dogs (1985)
68.Raekwon – Only Built 4 Cuban Linx … (1995)
69.The Stone Roses – The Stone Roses (1991)
70.Pearl Jam – Ten (1991)
71.Oasis – Definitely Maybe (1994)
72.Lucinda Williams – Lucinda Williams (1988)
73.The Pogues – Rum Sodomy & The Lash (1985)
74.Sleater-Kinney – Dig Me Out (1997)
75.Björk – Post (1995)
76.Outkast – Aquemini (1998)
77.Boogie Down Productions – Criminal Minded (1987)
78.Lauryn Hill – The Miseducation of Lauryn Hill (1998)
79.The Breeders – Last Splash (1993)
80.The Fall – This Nation's Saving Grace (1985)
81.Wilco – Yankee Hotel Foxtrot (2002)
82.Dr. Dre – The Chronic (1992)
83.Steve Earle – Guitar Town (1986)
84.LL Cool J – Radio (1985)
85.Missy Elliott – Supa Dupa Fly (1997)
86.TV on the Radio – Return to Cookie Mountain (2006)
87.The White Stripes – White Blood Cells (2002)
88.Jeff Buckley – Grace (1994)
89.Basement Jaxx – Remedy (1999)
90.Elliott Smith – XO (1998)
91.The Smiths – Strangeways, Here We Come (1987)
92.Jay-Z – The Black Album (2003)
93.Chemical Brothers – Dig Your Own Hole (1997)
94.Jane's Addiction – Ritual De Lo Habitual (1990)
95.Soundgarden – Superunknown (1994)
96.The Roots – Things Fall Apart (1999)
97.Arcade Fire – Neon Bible (2007)
98.Johnny Cash – American Recordings (1994)
99.PJ Harvey – Stories from the City, Stories from the Sea (2000)
100.Kanye West – Late Registration (2005)
101.Blur – Parklife (1994)
102.Queen Latifah – All Hail the Queen (1989)
103.M.I.A. - Arular (2005)
104.The Magnetic Fields – 69 Love Songs Vol. 1, 2 & 3 (1999)
105.Massive Attack – Mezzanine (1998)
106.Fiona Apple – When the Pawn Hits … (1999)
107.Coldplay – A Rush of Blood to the Head (2002)
108.Fugees – The Store (1996)
109.The Chills – Submarine Bells (1990)
110.Spiritualized – Ladies and Gentlemen We Are Floating in Space (1997)
111.Teenage Fanclub – Bandwagonesque (1991)
112.Interpol – Turn on the Bright Lights (2002)
113.Danger Mouse – The Grey Album (2004)
114.Animal Collective – Merriweather Post Pavilion (2009)
115.Outkast – Speakerboxxx/The Love Below (2003)
116.Against Me! - New Wave (2007)
117.The Flaming Lips – Yoshimi Battles the Pink Robots (2002)
118.Yeah Yeah Yeahs – It's Blitz! (2009)
119.Green Day – American Idiot (2004)
120.Lil Wayne – Tha Carter III (2008)
121.Queens of the Stone Age – Rated R (2000)
122.LCD Soundsystem – Sound of Silver (2007)
123.The Hives – Veni Vidi Vicious (2002)
124.Prince Paul – A Prince Among Thieves (1999)
125.Moby – Play (1999)


Bob Dylan: novo disco em abril!

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Por Ricardo Seelig

Bob Dylan anunciou em seu site que soltará um novo disco em abril. Mas calma, não é um novo álbum de estúdio, mas sim um show das antigas. Trata-se de Bob Dylan in Concert – Brandeis University 1963, que sairá em CD e vinil dia 12 de abril.

O disco captura o jovem Dylan aos 21 anos de idade, tocando no Brandeis First Annual Folk Festival, na cidade de Waltham, no Massachusetts, em 10 de maio de 1963, duas semanas antes do lançamento do clássico The Freewheelin' Bob Dylan, que saiu dia 27 de maio daquele ano. A gravação foi descoberta recentemente nos arquivos de Ralph J. Gleason, co-fundador da revista Rolling Stone.

Entre as faixas presentes em Bob Dylan in Concert – Brandeis University 1963 estão preciosidades como "Honey, Just Allow Me On More Chance" (incompleta), "Talkin' John Birch Paranoid Blues", "Ballad of Hollis Brown", "Masters of War", "Talkin' World War III Blues", "Bob Dylan's Dream" e "Talkin' Bear Mountain Picnic Massacre Blues". O álbum inclui ainda textos de Michael Grey – autor de The Bob Dylan Encyclopedia e dos três volumes de Song & Dance Man: The Art of Bob Dylan – a respeito das músicas presentes no disco e sobre o contexto histórico e cultural vividos naquela época.


Lançamentos da semana - 26/02 a 04/03/2011!

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Por Ricardo Seelig

Semana cheia! Preparei uma seleção com mais de 50 novos discos que chegam às lojas nos próximos dias. O lançamento com mais impacto é, sem dúvida, a estreia do Beady Eye, que sai no dia 28/02.

Mas tem muito mais rolando. No pop, novos álbuns de Pink, Avril Lavigne e novo single de Britney Spears. No metal, Jag Panzer, Coldspell, Grave Digger e um item estranho do Iron Maiden. Novidades também no rap, no blues e no jazz, e várias compilações com o que de melhor aconteceu nas décadas passadas.

Então, acomode-se na cadeira e delicie-se!


ONLINE

PAGEVIEWS

PESQUISE