20 de jan de 2012

Adele escreve sobre a morte de Etta James

sexta-feira, janeiro 20, 2012

A cantora inglesa Adele escreveu um breve e emocionante texto para o Guardian sobre Etta James, que faleceu hoje. Leia abaixo:

Ela teve uma extraordinária história – sua mãe era prostituta, ela não conheceu o pai, por anos foi viciada em heroína. Quando a ouvi pela primeira vez, eu não sabia nada disso. Eu devia ter uns 14 anos quando fui na seção de jazz da HMV em Oxford Street e comprei um daqueles discos 2 em 1. Um era de Ella Fitzgerald, e outro de Etta James. Eu amei o olhar que ela tinha – suas curvas e seus olhos cativantes. Um de meus primos era cabeleireiro, então perguntei se ele poderia fazer em mim um look parecido com o de Etta.

Eu ouvia aquele disco direto, e ele teve uma enorme influência sobre mim. Tudo o que ela cantava você acreditava, mesmo se ela não tivesse escrito nenhuma palavra sobre a sua própria vida. Eu a vi em Nova York há pouco tempo atrás, e foi extraordinário. Lá estava ela, com 71 anos, cantando “I want to ta ta you, baby” e quase se tocando, como se o significado não estivesse claro o suficiente. Apenas ela tinha essa atitude.

Eu a encontrei no backstage depois do show, muito brevemente. Minha mente ficou completamente em branco, eu não sabia o que dizer. Mais tarde, chorei sem parar ao lembrar de tudo.”


Decemberists: álbum duplo ao vivo em março

sexta-feira, janeiro 20, 2012

Aproveitando a ótima fase, o quinteto norte-americano Decemberists lançará dia 13 de março o ao vivo We All Raise Our Voices to the Air (Live Songs 04.11-08.11). O disco, cuja capa você pode ver acima, será duplo em sua versão em CD e triplo na edição em vinil.

We All Raise Our Voices to the Air foi gravado durante a turnê do aclamado The King is Dead, o ótimo último trabalho do grupo, um dos melhores álbuns de 2011. O ao vivo conta com vinte faixas gravadas em três locais diferentes: o Ryman Auditorium de Austin, o Marymoor Amphitheatre em Seattle e o McMenamins Edgefield Amphitheatre em Portland, cidada natal da banda.

Confira abaixo o tracklist completo:

CD 1
  1. The Infanta
  2. Calamity Song
  3. Rise to Me
  4. The Soldiering Life
  5. We Both Go Down Together
  6. The Bagman's Gambit
  7. Down by the Water
  8. Leslie Ann Levine
  9. The Rake's Song
  10. The Crane Wife 1, 2 and 3

CD 2
  1. Oceanside
  2. Billy Lair
  3. Grace Cathedral Hill
  4. All Arise!
  5. Rox in the Box
  6. June Hymn
  7. Dracula's Daughter / O Valencia!
  8. This is Why We Fight
  9. The Mariner's Revenge Song
  10. I Was Meant for the Stage

Os 12 álbuns de heavy metal mais aguardados de 2012

sexta-feira, janeiro 20, 2012

2011 foi um ano excelente para a música, e 2012 promete seguir a mesma linha. Por isso, preparei um post com alguns dos discos mais esperados do ano, que estão tirando o sono dos fãs e prometem fazer muito barulho entre os apreciadores de heavy metal.

Preparado? Então venha comigo nessa jornada pelo futuro!

Black Sabbath

Com produção de Rick Rubin, o primeiro disco de inéditas da formação original do Black Sabbath em 34 anos sairá no primeiro semestre e ainda não tem título. A recente notícia de que o guitarrista Tony Iommi foi diagnosticado com um câncer não deve atrapalhar a data de lançamento, já que, segundo fontes, o trabalho está muito adiantado. Entretanto, o tratamento de Iommi certamente causará o cancelamento de vários shows durante o ano, mas isso é apenas um pequeno empecilho para um bem maior e que todos nós torcemos: que o guitarrista vença o câncer. Dentro do heavy metal, nenhum disco é mais aguardado do que este.

Ghost

O segundo álbum do grupo sueco Ghost, o maior fenômeno do metal nos últimos anos, sairá durante 2012, mas ainda não há muitas informações sobre ele. O que se sabe é que o grupo já está gravando algumas novas faixas entre os shows e que entrará definitivamente em estúdio ainda no primeiro semestre, o que indica que o disco sairá mais para o final do ano. Se for tão bom quanto Opus Eponymous, vem aí outro clássico.

Testament – The Dark Roots of Earth

O sucessor de The Formation of Damnation (2008), último álbum do quinteto, aclamado tanto pela crítica quanto pelo público, chegará às lojas dia 27 de abril. A banda vem disponibilizando vídeos com trechos das gravações, e, por essas pequenas amostras, vem aí uma pedrada do mais alto quilate.

Meshuggah – Koloss

Após quatro anos de silêncio, os suecos retornam em 27 de março com o seu metal técnico, violento e matemático. Uma das bandas mais originais do heavy metal, o Meshuggah certamente causará o que sempre causou com os seus discos: surpreenderá os fãs, causará estranhamento em um primeiro momento, mas logo essa sensação será transformada em admiração, vide a qualidade absurda de toda a discografia do grupo.

Slayer

Após os problemas enfrentados pelo guitarrista Jeff Hanneman durante 2011, quanto teve que ser substituído em diversos shows – Gary Holt, do Exodus, e Pat O'Brien, do Cannibal Corpse, assumiram o seu posto, dando uma força para a banda -, o meior grupo de thrash metal do planeta voltará ao estúdio durante o ano para preparar o sucessor de World Painted Blood (2009), que deve sair no segundo semestre.

Van Halen – A Different Kind of Truth

Dia 7 de fevereiro chegará às lojas o primeiro álbum do Van Halen com David Lee Roth desde o clássico 1984, lançado há 28 anos. O primeiro single, “Tattoo”, dividiu os fãs: teve gente que adorou, enquanto alguns ficaram com o pé atrás. O fato é que a expectativa é gigantesca, já que a banda não lança material novo desde Van Halen III, de 1998 – algumas faixas inéditas saíram na coletânea The Best of Both Worlds, de 2004, mas só serviram para colocar ainda mais água na boca dos fãs.

Accept – Stalingrad

O novo álbum do Accept sairá dia 6 de abril. Será o segundo trabalho com o vocalista Mark Tornillo, que fez um excepcional trampo substituindo o até então insubstituível Udo Dirkschneider, comprovado com o excelente Blood of the Nations, um dos melhores discos de 2010. Se vier na mesma linha, teremos outro ótimo álbum.

Metallica

O décimo álbum de estúdio da maior banda de metal do planeta está em processo de composição. Depois da controversa parceria com Lou Reed em Lulu, o quarteto deverá dar sequência à sonoridade apresentada em Death Magnetic, que foi muito bem aceita pelos fãs. Segundo Kirk Hammett, as novas músicas soam como um Black Album mais pesado. Vem aí um novo blockbuster? Ainda sem data de lançamento.

Phil Anselmo

O ex-vocalista do Pantera e frontman do Down está gravando o seu primeiro disco solo. Ao seu lado está o guitarrista Mazi Montazeri, classificado por Anselmo como o seu Randy Rhoads. Phil promete um álbum extremamente agressivo, e é justamente isso que os seus fãs estão esperando.

Judas Priest

O quinteto inglês, um dos nomes mais importantes e influentes da história do metal, anunciou a sua turnê de despedida em 2011, mas deixou claro que, antes de se retirar, irá lançar um novo álbum de inéditas. A banda está trabalhando em aproximadamente 14 músicas, que devem ser lançadas até o final do ano. O disco marcará a estreia do guitarrista Richie Faulkner, substituto do aposentado K.K. Downing. O último álbum, Nostradamus, dividiu os fãs, então espera-se que a banda retorno com o seu heavy metal clássico, sem maiores invencionices.

Kiss – Monster

O Kiss completará 40 anos de carreira em 2013, e, para celebrar, Gene Simmons prometeu um disco tipicamente Kiss para rodar o mundo tocando para os fãs. Ou seja, teremos algo na linha do elogiado Sonic Boom, de 2009. Ao levar Monster, ainda sem data de lançamento oficial, para a estrada, a banda pretende provar que ainda tem um dos shows mais divertidos do mundo.

Rush – Clockwork Angels

Esperava-se que o novo álbum do Rush saísse em 2011, mas, ao invés disso, o trio lançou um álbum ao vivo da turnê Time Machine, onde tocou o clássico Moving Pictures na íntegra. O décimo-nono disco do grupo está sendo produzido por Nick Raskulinecz (Foo Fighters, Alice in Chains) e ainda não tem data oficial de lançamento.

19 de jan de 2012

As Novas Caras do Heavy Metal - Parte 4: novos sons para um novo ano

quinta-feira, janeiro 19, 2012


Voltamos com a quarta parte da série que mostra as novas bandas de metal que você, que está sentado aí do outro lado, tem que ouvir. Separei dez novos nomes que estão se destacando em seus estilos, e que você precisa escutar.

Comece o ano novo com novos sons na sua vida, e veja como o heavy metal não para e está sempre seguindo em frente.

Quero comentários sobre o que vocês acharam das bandas, e também dicas de novos grupos para as próximas edições.

Vamos lá, som na caixa!

Scythia

Banda de Vancouver, Canadá. O sexteto conta com uma violinista, o que dá um toque diferenciado ao seu prog metal, aproximando do folk. O grupo tem dois discos lançados, … Of War (2010) e … Of Exile (2011), e é indicado para quem curte prog com influência neo-clássica. O visual dos músicos, com figurinos históricos, não ajuda, mas a banda é boa e vale a pena.



Uneven Structure

Banda francesa com apenas um disco, Februus, lançado em 2011. Antes, o grupo havia liberado o EP intitulado 8, em 2009. O som tem uma certa influência de Soilwork e Scar Symmetry, porém com passagens mais progressivas e trechos atmosféricos.



Saviours

Quarteto de Oakland, Estados Unidos. A banda foi formada em 2004 e já tem quatro discos lançados, além de vários EPs e singles. O som do grupo é um metal tradicional com uma certa pegada setentista, com riffs em profussão, bastante melodia e um tempero hard rock. Sonzeira!



Ancient VVisdom

Natural de Austin, este quarteto texano lançou o seu primeiro álbum, A Godlike Inferno, em 2011. O som segue a cartilha de Ghost e Devil's Blood, com grandes melodias servindo de moldura para letras satânicas, além do uso constante de instrumentos acústicos. A banda está em turnê pelos Estados Unidos com o Ghost e o Blood Ceremony, e deve alcançar bastante destaque em 2012.



Wisdom

Banda húngara de power metal com dois discos na bagagem, Words of Wisdom (2006) e Judas (2011). O som traz influência de Hammerfall e Avantasia, com grandes refrões e coros em profusão. Não há aqui os exageros típicos do estilo, o que faz com que a audição se torne pra lá de agradável.



Ape Machine

Grupo de Portland, Estados Unidos. O som é um hard rock baseado em riffs, com um vocal que lembra o jovem Ozzy dos anos setenta. A banda tem dois discos, This House Has Been Condemned (2010) e War to Head (2011), sendo que o segundo tem uma produção muito melhor que o primeiro, além de uma competente versão para a clássica “Black Night”, do Deep Purple. Hardão dos bons!



Lonely Kamel

Quarteto norueguês fundado em 2005, com três discos disponíveis. Hard rock com pegada stoner, na medida para pegar a estrada sem rumo. A trinca lançada pela banda é excelente, então você pode ouvir qualquer um dos plays – Lonely Kamel (2008), Blues for the Dead (2010) e Dust Devil (2011) – de olhos fechados.



Riverside

Prog polonês na estrada desde 2001. O grupo é bastante influenciado pelo Porcupine Tree, só que com uma pegada bem mais metal. Som moderno, pesado e sem limites. Ótima banda!



Wolvhammer

Estes americanos de Minneapolis fazem um black metal com passagens sludge, alternando trechos de velocidade bruta com outros mais cadenciados. O último álbum dos caras, The Obsidian Plains (2011), é excelente.



Ghost Brigade

Quinteto finlandês de prog metal com três discos já lançados. Metal extremamente atual e de excelente qualidade, com ricas passagens instrumentais e ótimos vocais.

Lamb of God: crítica de 'Resolution' (2012)

quinta-feira, janeiro 19, 2012

Nota: 8,5

No final dos anos noventa e início da década de 2000, um novo grupo de bandas norte-americanas de heavy metal revigorou o gênero nos Estados Unidos, lançando álbuns consistentes que influenciaram grupos de todo o mundo. O principal fruto da chamada New Wave of American Metal foi o metalcore, hoje inserido no DNA da música pesada. Entre as bandas da NWOAM, as principais sempre foram o Trivium e o Lamb of God. O grupo de Matt Heafy voltou com tudo em 2011 com o consistente In Waves, e agora é a vez do Lamb of God mandar ótimas notícias para os seus fãs.

Sétimo disco do quinteto formado por Randy Blythe (vocal), Willie Adler (guitarra), Mark Morton (guitarra), John Campbell (baixo) e Chris Adler (bateria), Resolution apaga a má impressão deixada pelo último álbum, o apenas mediano Wrath (2009). No novo trabalho, a banda afasta-se de forma definitiva do metalcore e flerta de maneira explícita com o thrash e com o death metal.

Riffs agressivos, solos com muita melodia e um groove constante são onipresentes, além de doses generosas de peso e violência. Há uma inegável influência do Pantera pairando sobre a maioria das composições, além de um tempero sulista bastante sutil em algumas passagens.

O primeiro single, a ótima “Ghost Walking”, é uma espécie de southern thrash. “The Undertow” aposta na velocidade em dos melhores momentos do play. “Guilty” traz Dimebag Darrell de volta, enquanto “Insurrection” mostra que a banda anda ouvindo muito death metal melódico, principalmente Amon Amarth. Uma das maiores surpresas do disco é a sua faixa de encerramento, “King Me”, onde a banda revisita o clima de … And Justice for All, com direito a vocais femininos e a participação de um orquestra.

Extremamente pesado e consistente, Resolution é um dos melhores trabalhos do Lamb of God, e mostra o porque de a banda ser um dos principais nomes do heavy metal norte-americano há mais de uma década.

Recomendadíssimo!


Faixas:
  1. Straight for the Sun
  2. Desolution
  3. Ghost Walking
  4. Guilty
  5. The Undertow
  6. The Number Six
  7. Barbarosa
  8. Invictus
  9. Cheated
  10. Insurrection
  11. Terminally Unique
  12. To the End
  13. Visitation
  14. King Me

18 de jan de 2012

'The Magician's Birthday': fantasia, duendes e música divina no disco mágico do Uriah Heep

quarta-feira, janeiro 18, 2012

Lançado em novembro de 1972, The Magician's Birthday é o quinto álbum do grupo inglês Uriah Heep. Ele é o sucessor do clássico Demons & Wizards, que chegou às lojas em 19 de maio daquele ano e transformou a banda em um dos maiores nomes do hard rock setentista.

Seria de se esperar que, por ter sido composto e gravado apenas alguns meses após o aclamado Demons, e tendo o peso de suceder o disco que mudou as suas vidas, os músicos seguissem em The Magician's Birthday o mesmo direcionamento musical, mas não foi o que aconteceu. Vestidos de coragem e convicção, David Byron (vocal), Mick Box (guitarra), Ken Hensley (teclado e guitarra), Gary Thain (baixo) e Lee Kerslake (bateria) surpreenderam com um álbum totalmente diferente. No lugar do hard rock pesado e cru surgia um som mais limpo, com uma grande presença de instrumentos acústicos e uma característica muito mais progressiva, revelando uma até então insuspeita faceta do grupo. O passo inicial dado pelo Uriah Heep em The Magician's Birthday serviria de pedra fundamental para a sonoridade que a banda desenvolveria durante os anos seguintes, tornando o seu hard rock mais complexo e atraente ao incluir elementos prog e folk ao peso de sua música.


A melodia é o traço que mais se sobressai no disco. Influenciados pela música tradicional inglesa, os músicos, capitaneados pela mente inquieta e criativa de Hensley, compuseram um álbum que não devia nada ao seu antecessor. As letras viajantes e um tanto esotéricas, recheadas de magos e duendes, ganharam a moldura perfeita com arranjos refrescantes e idílicos. A bela arte da capa, criada por Roger Dean, famoso pelo seu trabalho para o Yes, reforça ainda mais essa sensação, levando o ouvinte para um mundo fantástico, recheado de cores e sons.

A magia do trabalho, a sua força, provém da capacidade que o álbum tem, até hoje, de cativar o ouvinte. Sabe aqueles discos que parecem cercados por uma aura sobrenatural, de outro mundo? The Magician's Birthday é um deles. A força das composições prende o ouvinte em uma dimensão paralela, tornando impossível encontrar o portal de saída antes que os últimos acordes da faixa-título, que fecha a bolacha, se encerrem.

Os gritos agudos de Byron em “Sunrise”, primeira faixa, são como o anúncio da chegada de um enxame de bruxas carregadas de más intenções. Fazendo o instrumental respirar e fluir naturalmente, “Sunrise” leva o ouvinte sem escalas para o boogie de “Spider Woman”, prima não tão distante assim de “Easy Livin'”, um dos maiores clássicos do grupo.

O primeiro choque vem com a ótima “Blind Eye”, onde uma base acústica faz a cama para guitarras gêmeas derramarem uma melodia simples e bela. Mais teatral do que nunca, Byron canta uma letra enigmática que mais parece uma revelação, um testemunho, de um ser antigo que há muito está entre nós.

“Echoes in the Dark” é um hard misterioso dono de uma beleza melancólica e perturbadora. A melodia sombria que serve de fio condutor da canção torna o ambiente mais escuro e congelante, fazendo as palavras de Byron soarem como presságios de algo que está por vir. E o que está por vir é “Rain”, uma balada arrepiante conduzida pelo piano de Ken Hensley, que fecha as cortinas do primeiro ato, encerrando o lado A do vinil.



O segundo lado do LP começa com a melodia fantasmagórica de “Sweet Lorraine”, que cai em um hard cadenciado com uma surpreendente, e muito bem encaixada, guitarra com um certo tempero funk e um apimentado wah-wah a cargo de Mick Box.

E então um novo universo se abre. “Tales” é uma obra-prima sensitiva e sensorial, uma passagem de primeira classe para um mundo muito mais atraente do que esse em que vivemos. Uma das melhores composições da carreira do Uriah Heep – na minha opinião, simplesmente a melhor -, carrega o ouvinte em um tapete voador aconchegante, levando-o através das paisagens criadas por Roger Dean para a capa. Com Byron cantando de forma iluminada e com um arranjo onde os instrumentos se entrelaçam infinitamente, a audição conduz e acalma a mente, colocando cada coisa em seu devido lugar.

Os mais de dez minutos da faixa que dá nome ao disco encerram o álbum em uma odisséia épica cativante, onde o ceú – ou o inferno, você escolhe – é o limite. O arranjo vai do hard rock a passagens mais cadenciadas e swingadas que remetem ao soul psicodélico sessentista e até mesmo ao jazz. Como em uma explosão multicolorida, traz novas matizes e tons de maneira surpreendente, colocando em primeiro plano a criatividade cristalina do quinteto. O solo de Mick Box é o destaque, jogando notas faiscantes pelo ar enquanto o conjunto segura tudo lá atrás com um groove hipnotizante.


Duas faixas foram lançadas como single. “Blind Eye” alcançou a posição 97 na parada norte-americana, enquanto “Sweet Lorraine” ficou na 91. “Spider Woman” virou hit na Alemanha, alcançando a décima-terceira posição nos charts do país. Tudo isso fez com que o álbum tivesse uma boa performance nas vendas, ganhando Disco de Ouro nos Estados Unidos em janeiro de 1973.

Em 2004, a gravadora inglesa Castle lançou uma edição turbinada de The Magician's Birthday com nove faixas bônus, incluindo outtakes e versões alternativas.

The Magician's Birthday acabou ofuscado por Demons & Wizards, mas o fato é que é tão bom quanto o seu antecessor. Na minha opinião, as mudanças que a banda fez em seu som tornaram a sua música ainda mais atraente e, por essa razão, o álbum é o meu favorito em toda a discografia do Urian Heep.

Mergulhe em um mundo mágico repleto de elfos, duendes e fadas, e saiba porque certos discos são, e sempre serão, imortais.

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