9 de nov de 2012

Gypsyhawk: crítica de Revelry & Resilence (2012)

sexta-feira, novembro 09, 2012
O Gypsyhawk é uma banda norte-americana formada em Pasadena, na Califórnia, em 2008. O quarteto conta com Eric Harris (vocal e baixo), Andrew Packer (guitarra), Erik Kluiber (guitarra) e Ian Brown (bateria) e já lançou dois discos - Patience and Perseverance (2010) e Revelry & Resilence, que saiu no final de agosto último.

O som dos caras é um hard rock muito bem feito e com uma certa atitute punk, grandes melodias e uso constante de guitarras gêmeas, o que dá um clima meio Thin Lizzy para a coisa toda. Os vocais de Harris são agressivos e roucos na medida certa, enquanto a dupla Packer e Kluiber trabalha com precisão cirúrgica nas seis cordas. A produção deixou a sonoridade bem atual, porém a já citada abundância de melodia remete, em diversos momentos, à década de 1970.

Lançado pela Metal Blade, Revelry & Resilence faz parte daquele grupo de álbuns que você coloca pra tocar e só consegue tirar do toca-discos horas depois. Viciante ao extremo, agradável em todos os momentos e com grandes canções em toda a sua duração, trata-se de um dos melhores e mais descompromissados discos de rock lançados nos últimos tempos. Os caras não querem reinventar a roda, nem mudar o mundo ou coisa parecida. O objetivo é claro e simples: rock de qualidade, com pegada e grudento, como se fazia nos 70s. As músicas são de fácil assimilação e tem cara de hits, mas em nenhum momento desbancam para o excesso sacarose tão comum ao hard dos anos 1980, por exemplo.

As onze composições de Revelry & Resilence foram feitas para tocar em dois momentos: pegando a estrada ou reunindo os amigos ao redor de dezenas de cervejas geladas. Tudo, claro, rolando com o volume máximo. Destaque para “Overloaded”, a impressionante “The Fields” (com trechos que fariam Scott Gorham e Brian Robertson aplaudirem de pé), “Hedgeking” e “State Lines”, além da versão para “Rock and Roll Hoochie Koo”, clássico de Rick Derringer.

Uma das surpresas do ano, colocada na mesa por uma banda nova e cheia de tesão e combustível. É assim que o rock segue em frente, como um Poço de Lázaro sem fundo, de onde surgem, todos os dias, jovens fascinados pelo poder que a união entre vocal-guitarra-baixo-bateria é capaz de proporcionar. Eis aqui mais uma prova disso.

Ouça sem moderação!

Nota 8,5



Faixas:
1. Overloaded
2. The Fields
3. Hedgeking
4. Frostwyrm
5. Galaxy Rise
6. 1345
7. Night Songs from the Desert
8. The Red Wedding
9. Silver Queen
10. State Lines

11. Rock and Roll Hoochie Koo

Como seria o meu Rock in Rio ideal

sexta-feira, novembro 09, 2012
Uma brincadeira sadia: como seria o Rock in Rio ideal? Na minha opinião, com o cast abaixo, que, mesmo mantendo a característica pop inerente ao festival, tem uma pegada mais rock que a edição de 2011 (Nota do editor: este post foi publicado originalmente em 04/10/2011).

E aí, você iria em um festival assim? Em qual dia? Qual o seu dia preferido?



Dia 1 - Pop:
Lykke Li
Florence + The Machine
Kanye West
Lady Gaga
     




Dia 2 - Rock:
Black Keys
Arctic Monkeys
Noel Gallagher 
Foo Fighters

 




Dia 3 - Hard Rock:
Black Stone Cherry
Adrenaline Mob
Chickenfoot
Van Halen

 




Dia 4 - Funk / Soul:
Ben l'Oncle Soul
Aloe Blacc
Cee-lo Green 
Adele

 




Dia 5 - Prog:
Von Hertzen Brothers
Porcupine Tree
Muse
Roger Waters

 




Dia 6 - Rock:
Decemberists
Wilco
Arcade Fire
Radiohead

 




Dia 7 - Metal:
Ghost
Mastodon
Machine Head
Slayer

 




Dia 8 - Rock:
Rival Sons
Graveyard
Slash
AC/DC

Alice Cooper lança box dedicado aos primeiros anos de sua carreira

sexta-feira, novembro 09, 2012
Chegará às lojas dia 19 de novembro a caixa Old School Box Set, reunindo material gravado pela Alice Cooper Band entre 1964 e 1974. O box terá 4 discos, sendo dois com material raro, um com entrevistas e um com uma apresentação ao vivo de 1971.

A embalagem imita uma mesa de sala de aula, e o pacote vem acompanhado por um livro de 60 páginas no estilo dos livros anuais das escolas norte-americanas e itens de memorabília.

Confira o tracklist completo de Old School Box Set abaixo:

CD 1: Treasures One

1. No Price Tag Spiders (1966)

2. Nobody Likes Me Pretties For You Demo (1969)

3. On A Train Trip (Sing Low Sweet Cheerio) Pretties For You Demo (1969)

4. Reflected Pretties For You Demo (1969)

5. Easy Action Version Two Radio Ad (1970)

6. Mr And Misdemeanor Chicago Underground (1970)

7. Fields Of Regret Chicago Underground (1970)

8. I’m Eighteen Chicago Underground (1970)

9. Love It To Death Radio Ad (1971)

10. I’m Eighteen Love It To Death Pre-production (1971)

11. Be My Lover Killer Demos (1971)

12. Killer Killer Demo (1971)

13. Halo Of Flies Killer Demo (1971)

14. Tornado Warning (Desperado) Killer Demo (1971)

15. Killer Radio Ad (1971)

16. Is It My Body Seattle Live (1971)
 

CD 2: Treasures Two 
1. Akron Rubber Bowl Ad Radio Ad (1972)

2. School’s Out Mar Y Sol, Puerto Rico (1972)

3. Kids Session School’s Out Kids Session (1972)

4. Outtakes/Luney Tune
 School’s Out Pre-production (1972)

5. Outtakes/My Stars School’s Out Pre-production (1972)

6. School’s Out School’s Out Demo (1972)

7. Under My Wheels Live at Madison Square Garden (1973)

8. Teenage Lament ’74
 Muscle of Love Demos & Rehearsals (1973)

9. Never Been Sold Before
 Muscle of Love Demos and Rehearsals (1973)

10.Working Up A Sweat
 Muscle of Love Demos and Rehearsals (1973)

11. Muscle Of Love Muscle of Love Pre-production (1973)

12. Teenage Lament ’74
 Muscle of Love Pre-production (1973)

13. Muscle Of Love Radio Ad (1974)

14. Good To See You Alice Cooper Radio Ad (1974)

15. Muscle Of Love Rio (1974)

16. Greatest Hits Radio Ad (1974)
 

CD: In Their Own Words
Interview disc
 

CD 4: Bootleg CD – Killer Live St Louis 1971
1. Intro

2. Be My Lover (Intro)

3. Be My Lover

4. You Drive Me Nervous

5. Yeah, Yeah, Yeah

6. I’m Eighteen

7. Halo Of Flies

8. Is It My Body

9. Dead Babies

10. Killer

11. Long Way To Go

12. Under My Wheels

8 de nov de 2012

Discos Fudamentais: Blue Cheer - Vincebus Eruptum (1968)

quinta-feira, novembro 08, 2012
Segundo Geddy Lee, baixista do Rush, o Blue Cheer passou um tanto quanto despercebido, mas na época ninguém soava tão pesado quanto eles. Olhando em retrospecto, facilmente se percebe as grandes proporções que a música pesada vinha tomando com bandas como Kinks e Jimi Hendrix Experience apostando na distorção, mas realmente nenhuma banda à época de Vincebus Eruptum soava tão pesada quanto o Blue Cheer, que - sem saber - estava lançando um dos discos mais influentes do rock. Não obstante, ainda hoje ele acaba passando despercebido.

Originalmente um sexteto formado em 1966, a banda se estabeleceu como um barulhento power trio de rock de garagem altamente influenciado pelo blues, mas sem grandes demonstrações de virtuosismo em seus instrumentos, ou seja, quase um irmão maléfico do Cream. Com uma cozinha a som de trovões, uma guitarra afiada e um vocal insano e estridente, o Blue Cheer estabeleceu antes do Led Zeppelin, Deep Purple e Black Sabbath as diretrizes do hard/heavy rock que seriam aprimoradas por essas bandas mais adiante.

O disco abre com uma das mais memoráveis versões de “Summertime Blues”, de Eddie Cochran, certamente a mais ácida também, transbordando distorção com um riff inspirado em Hendrix. Não bastasse o peso e a distorção, Vincebus Eruptum tem uma atmosfera sombria pavimentando o caminho para o heavy metal, que acentuaria as características soturnas trazidas pelo Blue Cheer. No entanto, se consolidar como um influente nome do hard rock parecia estar longe dos objetivos da banda, que caracterizava seu som como um “blues-rock com distorção”.

“Doctor Please” é a primeira composição do trio no álbum e talvez a mais psicodélica, que no seu decorrer vai ficando mais densa combinando com a letra, na qual o vocalista e baixista Dickie Peterson faz um apelo a seu médico. É seguida de “Out of Focus”, a mais acessível do debut, trazendo um riff grudento guiando a música, e que faz com que a mesma beire o dançante.

Tendo passado por alguns hiatos, a banda retornara em 1999 lançando em 2007 seu primeiro álbum inédito desde 1991 e encarando seu lamentável fim com a morte de Dickie Peterson em 2009. Ainda que continue à margem do que se fala em bandas da virada dos 60 para os 70, é inegável a influência do Blue Cheer em grandes grupos da atualidade como Graveyard. E se o Black Sabbath tem o status de banda mãe do heavy metal, o power trio de Dickie Peterson, Leigh Stephens e Paul Whaley é certamente a mais clara e profunda raíz do stoner rock.


 
Faixas:
A1 Summertime Blues
A2 Rock Me Baby
A3 Doctor Please

B1 Out of Focus
B2 Parchment Farm
B3 Second Time Around

(por Igor Luis Seemann)

Patti Smith: crítica de Banga (2012)

quinta-feira, novembro 08, 2012
Banga, décimo primeiro álbum da esparsa trajetória musical de Patti Smith, começa exatamente como Horses, o primeiro: com a cantora declamando suas tradicionais spoken words sobre uma nota de piano. Em seguida, com a guitarra de Lenny Kaye, seu comparsa desde o início dos anos 70, entrando e dando o tom.

Em 1975, Patti debutou dizendo que "Jesus morreu pelos pecados de outras pessoas, não pelos meus / Meus pecados são só meus, eles pertencem a mim". Agora, a cantora garante que "Estamos indo ver o mundo / Um lugar onde colocamos pias batismais e inúmeros foram batizados".

Na alegoria, um mundo em forma de disco, que vem para nos apresentar uma infinidade de referências. Homenagens e/ou citações que transitam entre experiências de vida da própria Patricia Lee Smith. Como cantora, escritora, poetisa, ativista ou "sacerdotisa punk". Quando tudo se junta, pouco importa.

Passados 37 anos, o primordial é que, apesar de a temática e os versos serem distintos, a poesia em forma de canção desenvolvida por Patti segue a mesma. Quiçá, até melhor, o que mostra que as semelhanças com o passado se dão por pura continuidade, e não por necessidade programada.

Voltando ao início do disco, se Horses tinha em "Gloria" sua primeira canção - com Patti acendendo uma vela para Van Morrison -, Banga começa com "Amerigo", que logo de cara destila a primeira referência: Américo Vespúcio, navegador italiano que dá nome não apenas à faixa que abre o álbum, mas também ao Novo Mundo para os europeus, mencionado no verso supracitado.

Amerigo já revela também um fator importante: apesar da categoria de Lenny Kaye, o grande destaque em termos de composição é o baixista/tecladista Tony Shanahan. Além da primeira, Tony é responsável pelas três melhores canções de Banga: "April Fool" (primeiro single), "This is the Girl" e "Maria".

Lenny contribui com "Fuji-san", "Seneca" e "Constatine's Dream". Já o batera Jay Dee Daugherty, que também acompanha Patti Smith desde os 70's, assina a exótica "Mosaic". Como uma autêntica singer-songwriter, Patti fica com os créditos de "Banga", "Tarkovsky (The Second Stop is Jupiter)" e "Nine".

 

As letras, evidentemente, são todas da poetisa, que as escreveu entre 2008 e 2011 em diversas partes do globo. E aqui é preciso ressaltar a importância de como cada aspecto cultural, por mais singelo ou costumeiro que aparente ser, ganha outra proporção lírica nos versos de Patti.

Cada palavra empregada ao longo das onze músicas tem seu propósito. A começar justamente por Banga, nome do cão de Pilatos no romance O Mestre e Margarida, do russo Mikhail Bulgákov, e que reflete o conceito de lealdade, que a cantora gosta de exemplificar citando seus companheiros de banda.

As referências não param por aí e se estendem a Nicolai Gogol (em "April Fool"), Amy Winehouse (em "This is the Girl"), Johnny Depp (em "Nine") e ao sismo/tsunami de Tohoku, em março de 2011, no Japão (em "Fuji-san"). O ápice, no entanto, fica por conta da homenagem à atriz francesa Maria Schneider, com "Maria", canção mais bonita do disco e na qual Patti dá uma aula de interpretação.

Não bastasse a qualidade inerente ao material, gravação e mixagem ficaram a cargo de Stewart Lerman no renomado Electric Lady, em Nova York. O processo demorou um pouco devido aos compromissos de Patti com a divulgação do livro Só Garotos. Nada que pudesse arranhar um trabalho primoroso, singular e que perpassa rock, folk e proto-punk com supremo conhecimento de causa.

Completando o giro de 360 graus, Banga se reencontra com Horses na medida em que tem em "Constantine's Dream" e seus dez minutos de duração o espelho perfeito para a suntuosa "Land", do disco de estreia, e também se encerra com um cover: "After the Gold Rush", do velho Neil, com a participação de várias crianças. Nas palavras da própria Patti: "All our children, the hope of the world, embarking on adventures of their own". Que assim seja.

Nota 9,5

Faixas:

1 Amerigo 4:36
2 April Fool 3:46
3 Fuji-san 4:13
4 This Is The Girl 3:49
5 Banga 2:50
6 Maria 5:05
7 Mosaic 4:12
8 Tarkovsky (The Second Stop Is Jupiter) 4:50
9 Nine 5:02
10 Seneca 5:39
11 Constantine's Dream 10:19
12 After The Gold Rush (Neil Young) 4:13

(por Guilherme Gonçalves)

Novo livro sobre Eric Clapton chega ao mercado brasileiro

quinta-feira, novembro 08, 2012
A Editora Lafonte está lançando no Brasil o livro Clapton - A História Ilustrada Definitiva. A obra, escrita por Chris Welch, tem 256 páginas divididas em 11 capítulos repletos de textos e ricamente ilustrados com fotos, imagens de suas guitarras, pôsteres de shows e outros itens de memorabilia.

O livro é mais um a estudar a carreira de Eric Clapton, um dos músicos mais influentes da história do rock e do blues. O autor, Chris Welch, é um veterano da crítica musical e trabalhou durante as décadas de 1960 e 1970 na Melody Maker. Mais tarde, tornou-se editor da Metal Hammer. Welch já escreveu diversos livros, incluindo obras sobre as carreiras de nomes como Black Sabbath, Led Zeppelin, Paul McCartney, Cream, The Who, Yes e Pink Floyd.

Clapton - A História Ilustrada Definitiva está chegando agora nas livrarias ao preço médio de R$ 120.

Ouça “One More Shot”, a outra canção inédita gravada pelos Rolling Stones para a coletânea Grrr!

quinta-feira, novembro 08, 2012
Os Stones divulgaram hoje a outra canção inédita que gravaram em agosto em Paris. “One More Shot” faz parte da compilação Grrr! e, mesmo não apresentando o brilho da outra faixa gravada na mesma sessão - a paulada “Doom and Gloom” -, mostra que os coroas ainda estão em forma.

Ouça abaixo:

Andre Matos: crítica de Turn of the Lights (2012)

quinta-feira, novembro 08, 2012
The Turn of the Lights é o terceiro álbum solo de Andre Matos, um dos músicos mais conhecidos e respeitados da cena heavy metal brasileira. Ele sucede Time to Be Free (2007) e Mentalize (2009), isso sem falar dos vários trabalhos gravados por Andre ao lado do Viper, Angra, Shaman, Virgo e Symfonia. Ao lado de Andre - que também toca teclado - estão Hugo Mariutti (guitarra), Andre Hernandes (guitarra), Bruno Landislau (baixo) e Rodrigo Silveira (bateria).

O que chama a atenção em Turn of the Lights é a variedade de temas explorados pela banda. Andre não se prende ao seu universo sonoro e vai ao encontro de novos caminhos sem medo. A excelente qualidade da banda que o acompanha, onde o principal destaque é Hugo Mariutti, ajuda a tornar essa jornada, na maioria das vezes agradável. Há flertes com o rock alternativo (na boa abertura com “Liberty” e na faixa-título), hard rock com pitadas de AOR (“Stop!”), metal com pitadas brasileiras (“On Your Own” poderia estar em Holy Land, lançado pelo Angra em 1996), prog (“Unreplaceable”) e o metal melódico velho companheiro de guerra (nas muito boas “Course of Life” e “Oversoul”, essa última uma das melhores músicas gravadas por Andre nos últimos anos).

O vocalista está cantando de forma um pouco mais contida, sabendo dosar os tons mais altos de sua voz, o que torna a audição mais agradável e evite desnecessários trechos maçantes e exagerados. Como já dito, a guitarra de Hugo Mariutti é o outro grande destaque de Turn of the Lights, dividindo os holofotes de igual para igual com Andre. E essa divisão é mais do que justa, já que Hugo é o atual braço direito de Matos - não por acaso esteve ao seu lado na recente turnê do Viper - e um músico excelente, com grande senso de melodia e criatividade inequívoca, encontrando soluções inteligentes, inesperadas e extremamente atuais para as composições, o que faz com que nada soe datado, muito pelo contrário: o que temos aqui é um disco pra lá de contemporâneo, que fala a língua atual dos estilos que aborda.

Quando se fala de um músico com a história de Andre Matos, quando se ouve um novo trabalho de um cara com a trajetória que Andre possui, se espera sempre algo diferenciado, à frente dos demais e que aponte caminhos. Andre Matos já apontou, pavimentou e ensinou como se faz em diversas passagens de sua carreira, e em Turn of the Lights usa toda essa experiência para gravar um disco de heavy metal que flerta sem medo com diversas sonoridades, alcançando, na grande maioria das vezes, resultados muito interessantes.

Ouça com atenção, pois vale a pena!

Nota 7,5

 

Faixas:
Liberty
Course of Life
The Turn of the Lights
Gaza
Stop!
On Your Own
Unreplaceable
Oversoul
White Summit
Light Years
Sometimes
Wings of Reality (bonus)

7 de nov de 2012

Iron Maiden e a subliminaridade de Brave New World

quarta-feira, novembro 07, 2012
Sou um grande fã do Iron Maiden. Cresci ouvindo suas músicas, tenho todos os seus discos, gosto de pesquisar e ler sobre o grupo, e, passados 27 anos do meu primeiro contato com a banda, ela continua sendo uma parte importante da minha vida. Por isso, resolvi escrever sobre algo que sempre esteve na minha cabeça, e que acho que também faz parte do pensamento de uma parcela considerável de fãs do Maiden.

Mas, para começar a nossa conversa, é preciso voltar um pouco no tempo. Ainda lembro da repercussão negativa dos shows da turnê brasileira do grupo em 1998, que acabaria se tornando a última com Blaze Bayley. O Iron Maiden tocou em algumas cidades brasileiras, e o show no Rio de Janeiro ficou marcado pelo fato de a banda abandonar o palco e não voltar para o bis após o guitarrista Janick Gers ter sido atingido por um objeto. Esse acontecimento foi, na verdade, a gota d'água de uma tour que deixou claro, definitivamente, que Blaze Bayley não era o vocalista adequado para o Iron Maiden. A questão nem era a qualidade ou não da sua voz, mas sim o fato de que o seu timbre, mais grave, não casava com as músicas do Maiden, originalmente concebidas para os tons mais altos de Bruce Dickinson. O controverso álbum The X Factor, lançado em 1995, é a prova disso, com um direcionamento mais sombrio que os anteriores, mas que acabou não sendo mantido no disco seguinte, Virtual XI, lançado em 1998. Pessoalmente, considero Virtual XI o álbum mais fraco de todo o catálogo do Maiden, com composições ruins, refrões repetidos à exaustão e uma sonoridade genérica. Apenas duas de suas canções, “Futureal” e “The Clansman”, são dignas de nota.

Quem ouviu os b-sides dos singles lançados pelo Iron Maiden nesse período, ou algum bootleg gravado na época, percebe sem maior esforço a absoluta incapacidade de Blaze em interpretar as canções da era Dickinson. A versão ao vivo de “The Evil That Men Do” presente no single de “Futureal”, por exemplo, é constrangedora. O mesmo vale para as tentativas de Bayley em cantar sons como “The Trooper” e “Hallowed Be Thy Name”, notórias marcas pessoais de Bruce. Mais tarde, ao sair do Maiden, Blaze Bayley encontraria uma sonoridade adequada à sua voz nos bons discos de sua carreira solo, principalmente na ótima estreia com Silicon Messiah (2000).

A verdade era que, passados já alguns anos com Blaze no Maiden, a sua situação havia ficado insustentável. O público da banda havia caído drasticamente. A crítica não engoliu os álbuns com o novo vocalista, principalmente Virtual XI. E o Iron Maiden, que sempre esteve na linha de frente do heavy metal ditando os caminhos do estilo, passava por uma fase onde beirava a irrelevância. Tudo isso refletiu no clima interno do conjunto. Janick surtou com o objeto lançado contra si no show no Rio de Janeiro e no camarim colocou Steve Harris na parede, dizendo que era ele ou Blaze. O baterista Nicko McBrain também já havia demonstrado a sua insatisfação com a fase vivida pela banda para Steve e Rod Smallwood, empresário do grupo. Até mesmo o calmo e passivo Dave Murray, um dos caras mais gente boa do show business, não escondia de ninguém o seu desgosto com os rumos do conjunto.

Os shows no Brasil foram os últimos da tour de Virtual XI. Após eles, a banda entrou em recesso, curtindo merecidas férias. Foi nessa época que a figura sempre forte do empresário Rod Smalwood entrou em cena. Rod, dono de opiniões sempre diretas e persuasivas – a revista inglesa Classic Rock, ao se referir a Rod, Steve e Bruce, classifica o trio como “o grosseirão, o cabeça-dura e o tagarela” -, chamou Steve Harris para uma reunião e disse, sem meias palavras, que era preciso trazer Bruce Dickinson de volta. Steve, como era de se esperar, respondeu que não, que a relação com Bruce era complicada e que não gostaria de tê-lo de volta no grupo. Mas aí a coisa virou briga de gente grande: de um lado um dos empresários mais respeitados e fortes do show business, famoso por seu aparentemente infinito poder de convencer qualquer pessoa a concordar com suas ideias, e do outro a mente criativa responsável por transformar o Iron Maiden em uma das maiores e mais importantes bandas da história do heavy metal. Após uma longa conversa, Rod provou para Steve que o retorno de Bruce era necessário, e a banda então marcou uma reunião.

Ao mesmo tempo, os rumores sobre um possível retorno de Bruce Dickinson ao grupo só aumentavam. Fóruns e sites por toda a internet alimentavam rumores e mais rumores sobre o assunto, mas ninguém tinha uma posição clara sobre o que estava realmente acontecendo. Essa falação toda chegou até à própria banda solo de Bruce. Roy Z, seu guitarrista, produtor e principal parceiro em álbuns como Accident of Birth (1997) e The Chemical Wedding (1998), chamou Dickinson para um papo e bateu a real: “Bruce, nós gravamos ótimos discos, mas todo mundo sabe que o seu lugar é no Maiden!”. O vocalista não teve outra resposta para Roy a não ser concordar com a sua afirmação.



Após contatos preliminares e sondagens de ambos os lados, Rod Smallwood convocou Steve Harris, Dave Murray, Janick Gers, Nicko McBrain e Bruce Dickinson para uma reunião em sua casa. Todos sentaram na sala de Rod, e a reunião, que era para ser longa, acabou sendo surpreendentemente curta, com Steve pedindo a palavra e dizendo: “Eu não concordo com a volta de Bruce ao Iron Maiden, mas essa é a coisa certa a ser feita”. Todos apertaram as mãos, trocaram abraços e foram comemorar o retorno do vocalista em um pub próximo à mansão de Rod. Lá, embalados por rodadas e mais rodadas de bebibas, tiveram a ideia de chamar de volta também o guitarrista Adrian Smith, que havia saído em 1990 e estava tocando com Bruce em sua banda solo. O mundo ficou sabendo da notícia através de um comunicado oficial dia 11 de fevereiro de 1999, e o resto é história.

E é justamente nesse ponto que eu quero chegar. O agora sexteto saiu em uma turnê mundial batizada Eddie Hunter Tour, onde tocou diversos clássicos de seus anos dourados com a nova formação com três guitarristas e trancou-se em estúdio para compor o tão aguardado álbum de retorno. Brave New World chegou às lojas de todo o mundo no dia 29 de maio de 2000 e atendeu as expectativas tanto dos fãs quanto da crítica com composições fortes e inspiradas, que recolocaram o Iron Maiden automaticamente no lugar de onde nunca deveria ter saído: o Olimpo do heavy metal.



Mas o que me chamou a atenção desde a primeira vez que ouvi o disco é o fato de ele, na minha percepção, conter diversas mensagens - subliminares ou não - espalhadas por suas letras, dando margem à interpretações variadas por parte dos fãs. Vamos a elas:

- a história já começa no título, Brave New World, fazendo uma alusão direta ao “admirável mundo novo” que estava começando para a banda e para os seus fãs com o retorno de Bruce Dickinson e Adrian Smith

- o refrão da primeira faixa, “The Wicker Man”, traz Bruce cantando a frase “your time will come” - sua hora chegará – repetidamente, como que preparando os fãs de todo o mundo para o tão aguardado retorno do grupo

- a emocionante “Blood Brothers”, composta por Steve Harris para o seu pai, pode ser interpretada como uma reafirmação dos laços de sangue que unem a banda e seus fãs, em uma das relações mais fortes e apaixonantes do universo musical, e também os próprios músicos uns aos outros, já que juntos são muito maiores do que separados, como ficou claro durante os anos em que Bruce e Adrian estiveram longe do grupo e, mais recentemente, quando Steve se aventurou em seu primeiro álbum solo, British Lion, com resultados abaixo do esperado pela maioria 

- a faixa “The Mercenary”, uma das mais pesadas do álbum, tem um título que pode ser interpretado como uma indireta a Bruce Dickinson, que quando saiu do Maiden deu várias declarações a respeito do grupo e do próprio heavy metal, chegando até mesmo a renegar o estilo, mas que agora estava de volta à banda que o fez famoso em todo o planeta

- a frase “the dream is true” presente em “Dream of Mirrors” exemplifica o que os fãs do grupo sentiram ao saberem da volta de Bruce e Adrian: o sonho havia se tornado realidade

- “The Fallen Angel” pode ser uma alusão ao próprio grupo, que alcançou o topo, caiu ao chão e agora preparava-se para alçar um novo e duradouro vôo, como uma fênix renascida

- “Out of the Silent Planet” pode ser entendida como uma brincadeira com o fato de as plateias da banda terem se reduzido muito durante o período com Blaze, e, com o simples anúncio do retorno de Bruce e Adrian, o grupo começou a lotar arenas novamente em todo o mundo, saindo, assim, do “planeta silencioso” em que se encontrava

- e, finalmente, o encerramento do álbum com a estupenda “The Thin Line Between Love and Hate” - a tênue linha entre o amor e o ódio -, alusão direta à relação de Steve Harris e Bruce Dickinson, os dois pilares do Iron Maiden, donos de personalidades fortes e líderes natos, que se admiram na mesma proporção que se odeiam, e que sabem que são mais fortes juntos do que trilhando caminhos separados.



É claro que todas essas interpretações são baseadas apenas na minha opinião e são extremamente pessoais, mas, como disse antes, desde a primeira vez que ouvi o disco esses detalhes me chamaram a atenção. Alguns podem ser verdadeiros, outros podem ser apenas suposições e viagens de um fã, mas queria compartilhar isso com vocês.

Após Brave New World o Maiden gravou mais três álbuns de estúdio – Dance of Death (2003), A Matter of Life and Death (2006) e The Final Frontier (2010) -, um quarteto de discos ao vivo – Rock in Rio (2002), Death on the Road (2005), Flight 666: The Original Soundtrack (2009) e En Vivo! (2012) -, lançou três coletâneas – Edward the Great (2002), Somewhere Back in Time – The Best of 1980-1989 (2008) e From Fear to Eternity – The Best of 1990-2010 (2011) – e seis DVDs – Rock in Rio (2002), Visions of the Beast: The Complete Video History (2003), The History of Iron Maiden, Part 1: The Early Days (2004), Death on the Road (2005), Flight 666: The Film (2009) e En Vivo! (2012) -, solidificando a sua posição como uma das maiores bandas de heavy metal do mundo e gozando uma popularidade atual que rivaliza com a alcançada durante a década de oitenta – basta ver os números do último álbum do grupo, The Final Frontier, que alcançou o número 1 em nada mais nada menos que 28 países, incluindo o Brasil.

Rod Smallwood estava certo, não é mesmo, Steve?

Genesis na (linda) capa da nova Prog

quarta-feira, novembro 07, 2012
A nova edição da revista inglesa Prog traz uma linda capa com o Genesis. Pra você entender: a imagem da direita é a sobrecapa, com uma direção de arte que lembra uma embalagem antiga. A da esquerda é a capa da revista em si, com a imagem que está no álbum Foxtrot (1972), que completa 40 anos em 2012 e cuja história é contada na revista.

O número 31 da Prog tem também John Anthony Helliwell (Supertramp), Steve Hacket’s Genesis Revisited, Muse, Cressida, Neal Morse, Danny Thompson, Coheed and Cambria, Styx, Steven Wilson, Within Temptation e muito mais, além de um CD de brinde.

A Prog pode ser encontrada à venda em grandes redes de livrarias como a Cultura e a Saraiva, e você pode assinar ou comprar a nova edição clicando aqui.


 

Aerosmith na capa da nova Classic Rock

quarta-feira, novembro 07, 2012
A edição 178 da revista inglesa Classic Rock traz o Aerosmith em sua capa. A banda fala sobre o seu novo disco, Music From Another Dimension!, em uma matéria onde a publicação também levanta questões relevantes como se a fama de Steven Tyler não o tornou grande demais para o grupo ou se não está na hora de o quinteto anunciar a sua aposentadoria.

A nova Classic Rock tem também o retorno do baixista Andy Fraser (Free), entrevista com Jeff Lynne, Little Caesar, Soudgarden, Alvin Lee, Corey Taylor, um especial sobre o genial Frank Zappa, The Treatment, Motörhead, Steven Adler, Steven Wilson, um guia de compras do Wishbone Ash e o primeiro de três CDs com os melhores de 2012, trazendo sons de Rush, ZZ Top, Slash, Black Country Communion, Down e outras bandas.

A Classic Rock pode ser encontrada em bancas das principais cidades brasileiras e em grandes redes de livrarias como a Saraiva e a Cultura. Se você preferir, pode assinar a revista ou comprar a nova edição neste link.




Coheed and Cambria: crítica de The Afterman: Ascension (2012)

quarta-feira, novembro 07, 2012
Há certas bandas que, por mais que tenham reconhecimento e vendam bem mundo afora, acabam, pelos mais variados fatores, não recebendo muita atenção por parte do público brasileiro. E esse é justamente o caso de um dos grupos mais interessantes surgidos dentro do rock na última década, os norte-americanos do Coheed and Cambria.

O quarteto obteve uma boa receptividade dentro de seu país natal (dois de seus discos chegaram a inclusive ganhar Disco de Ouro por lá), mas mesmo depois de terem se apresentado no último Rock in Rio, ainda são quase que totalmente desconhecidos aqui no Brasil. E quando se ouve o mais novo lançamento (e sexto álbum de estúdio) do grupo, The Afterman: Ascension, isso acaba ficando ainda mais incompreensível.

O que se ouve aqui é um repertório de alta qualidade, com músicas que devem tanto agradar aos mais antigos fãs quanto conseguir novos admiradores para a banda. Além disso, vale destacar a evolução em relação ao seu disco anterior, Year of the Black Rainbow (2010), que apesar de estar longe de ser um trabalho ruim, não apresentava muita coisa que merecesse maiores destaques na discografia do grupo.

Musicalmente, o rock progressivo continua sendo o denominador comum, sendo bastante notável a influência de bandas como Yes e Rush em vários momentos. Mas também vemos o grupo se enveredar, e bem, por estilos como o rock alternativo em faixas como “The Afterman” e “Hollywood the Cracked”, que parecem ter saído direto de Mellon Colie and the Infinite Sadness, clássico do Smashing Pumpkins. Isso sem falar em “Goodnight, Fair Lady”, uma verdadeira homenagem ao Thin Lizzy onde o vocalista Claudio Sanchez chega a até mesmo lembrar o saudoso Phill Lynott no microfone.

Também vale como destaque a ótima faixa de abertura “Domino the Destitute”, que basicamente demonstra em seus quase oito minutos o que será apresentado no resto do disco, além da boa “Mothers Of Men" com sua bem-vinda influência latina no refrão e a linda balada semi-acústica “The Homecoming”, que infelizmente acabou ficando apenas como uma bônus.

Uma coisa não há como negar: o Coheed and Cambria é uma banda totalmente pretensiosa. Todos seus álbuns são conceituais, sempre girando em torno de histórias que englobam todas as canções, e The Afterman: Ascension não foge à essa regra. Outro exemplo disso é o fato da faixa “Key Entity Extraction” ser dividida em quatro músicas separadas (!). Mas outro fato inegável é que, quando se tem talento e composições realmente marcantes na linha de frente, toda a pretensão e megalomania que podem existir acabam se tornando qualidades, e apenas acrescentam ao trabalho. E poucos discos nos últimos tempos representam tão bem isso como esse.

Resta agora esperar pela continuação que será lançada em 2013 (The Afterman: Descension), e torcer para que o mesmo esteja no mesmo nível de qualidade desse que é desde já um dos melhores discos de 2012.

Nota 9



Faixas:
1. The Hollow
2. Domino the Destitute
3. The Afterman
4. Mothers of Men
5. Goodbye, Fair Lady
6. Hollywood the Cracked
7. Vic the Butcher
8. Evagria the Faithful
9. Subtraction

(por Matheus Henrique Pires)

6 de nov de 2012

Kiss lança caixa de singles com nada mais nada menos que 29 discos!

terça-feira, novembro 06, 2012
Quem gosta de rock, e mais especificamente do Kiss, pegue agora mesmo uma caneta marca-texto de cor berrante e marque no calendário o dia 4 de dezembro. É nessa data que será lançado o box The Casablanca Singles, caixa com nada mais nada menos que 29 vinis de 7 polegadas reunindo todos os compactos lançados pelo Kiss pela gravadora.

Todos os singles trazem os lados A e B, as capas originais lançados nos Estados Unidos, Europa e Japão, um livro com detalhes sobre a história de cada single e sua performance nas paradas, além de quatro máscaras com as clássicas maquiagens dos personagens Starchild, Demon, Spaceman e Catman. Fechando o pacote, quatro singles com faixas dos discos solos lançados pelos músicos em 1978 foram incluídos exclusivamente em vinil colorido. O box estará disponível também em CD.



Confira abaixo o conteúdo completo de The Casablanca Singles:

Disc 1: Nothin’ to Lose b/w Love Theme from KISS (Casablanca NEB-0004, 1974)
Disc 2: Kissin’ Time b/w Nothin’ to Lose (Casablanca NEB-0011, 1974)
Disc 3: Strutter b/w 100,000 Years (Casablanca NEB-0015, 1974)
Disc 4: Let Me Go, Rock ‘N’ Roll b/w Hotter Than Hell (Casablanca NB-823, 1974)
Disc 5: Rock and Roll All Nite b/w Getaway (Casablanca NB-829, 1975)
Disc 6: C’mon and Love Me b/w Getaway (Casablanca NB-841, 1975)
Disc 7: Rock and Roll All Nite (Live) b/w Rock and Roll All Nite (Casablanca NB-850, 1975)
Disc 8: Shout It Out Loud b/w Sweet Pain (Casablanca NB-854, 1976)
Disc 9: Flaming Youth b/w God of Thunder (Casablanca NB-858, 1976)
Disc 10: Detroit Rock City b/w Beth (Casablanca NB-863, 1976)
Disc 11: Beth b/w Detroit Rock City (Casablanca NB-863A, 1976)
Disc 12: Hard Luck Woman b/w Mr. Speed (Casablanca NB-873, 1976)
Disc 13: Calling Dr. Love b/w Take Me (Casablanca NB-880, 1976)
Disc 14: Christine Sixteen b/w Shock Me (Casablanca NB-889, 1977)
Disc 15: Love Gun b/w Hooligan (Casablanca NB-895, 1977)
Disc 16: Shout It Out Loud (Live) b/w Nothin’ to Lose (Live) (Casablanca NB-906, 1977)
Disc 17: Rocket Ride b/w Tomorrow and Tonight (live) (Casablanca NB-915, 1977)
Disc 18: Strutter ’78 b/w Shock Me (Casablanca NB-928, 1978)
Disc 19: Hold Me, Touch Me b/w Goodbye – Paul Stanley (Casablanca NB-940, 1978 – purple vinyl)
Disc 20: New York Groove b/w Snow Blind – Ace Frehley (Casablanca NB-941, 1978 – blue vinyl)
Disc 21: Radioactive b/w See You in Your Dreams – Gene Simmons (Casablanca NB-951, 1978 – red vinyl)
Disc 22: Don’t You Let Me Down b/w Hooked on Rock ‘N’ Roll – Peter Criss (Casablanca NB-952, 1978)
Disc 23: You Matter to Me b/w Hooked on Rock ‘N’ Roll – Peter Criss (Casablanca NB-961, 1978 – green vinyl)
Disc 24: I Was Made for Lovin’ You b/w Hard Times (Casablanca NB-983, 1979)
Disc 25: Sure Know Something b/w Dirty Livin’ (Casablanca NB-2205, 1979)
Disc 26: Shandi b/w She’s So European (Casablanca NB-2282, 1980)
Disc 27: Tomorrow b/w Naked City (Casablanca NB-2299, 1980)
Disc 28: A World Without Heroes b/w Dark Light (Casablanca NB-2343, 1981)
Disc 29: I Love It Loud b/w Danger (Casablanca NB-2365, 1982)

Sandália de Prata: assista o clipe de “Sapato de Ouro”

terça-feira, novembro 06, 2012
O grupo paulista Sandália de Prata, que lançou em 2010 o excelente Samba Pesado (leia aqui a nossa crítica para a bolacha), trouxe mais novidades para quem curte boa música. 

A banda acaba de lançar o clipe de uma das melhores faixas do trabalho, a grudenta “Sapato de Ouro”. O vídeo tem produção simples e de bom gosto e traz dezenas de convidados especiais, incluindo atores, músicos e figuras da cena musical.

Aumente o volume e assista abaixo:

Green Day: crítica de ¡Uno! (2012)

terça-feira, novembro 06, 2012
Ao chegar a uma certa idade, algumas bandas de rock começam a passar por um grande dilema: como conseguir manter o interesse de seus antigos fãs sem cair na mesmice e, ao mesmo tempo, conseguir angariar novos séquitos? Olhando para a discografia de grupos como AC/DC, Slayer e Motörhead, essa parece uma tarefa fácil. Mas a grande maioria dos músicos sabe dos perigos que o tempo traz a uma banda de rock (não é mesmo, Pete Townshend?). Com o lançamento do primeiro álbum da trilogia ¡Uno!¡Dos! e ¡Tré!, o Green Day prova que, às vezes, dá pra envelhecer e continuar sendo legal.

Ah, sim, você não leu errado. A banda resolveu lançar três álbuns! Em menos de três meses!!! Isso em uma época em que as grandes gravadoras buscam cada vez mais minimizar custos para tentar otimizar lucros. Mostra de que, na atual e falida indústria fonográfica, quem manda são as bandas. E quem ganha são os fãs ... ¡Uno!, o primeiro da trilogia, foi lançado em 25 de setembro, ¡Dos! estará nas lojas a partir do dia 13 de novembro e ¡Tré! sai em 11 de dezembro.

O Green Day foi formado em 1987, uma época em que o punk estava ensaiando uma volta à grande mídia, principalmente na Califórnia. Desde o final dos anos 80, o ensolarado estado da costa oeste norte-americana foi o celeiro de muitas bandas do estilo. Offspring, Operation Ivy, Rancid, Bad Religion, NOFX e o próprio Green Day são os nomes mais famosos dessa cena.

Depois do sucesso do multi-premiado Dookie, de 1994, o Green Day sempre se manteve em evidência. A partir do lançamento de Nimrod (1997), a banda começou a incorporar novos elementos em seu punk rock. Seja através de baladas acústicas e ao piano (influenciadas pelos Beatles do final dos anos 60), música folk ou até mesmo uma imersão em influências mais progressivas (como o Queen do começo de carreira e a fase "rock-ópera" do The Who), o trio sempre buscou novos ingredientes para enriquecer sua música, mas sem perder o estilo. É aquela história: por mais diferente que a banda tente soar, você ouve alguns poucos segundos de uma canção e já saca que é o Green Day.

Os últimos lançamentos se caracterizaram por uma certa pompa e, como comentado no parágrafo acima, uma maior influência do rock progressivo. American Idiot (2004) e 21st Century Breakdown (2009) foram o que podemos chamar de "óperas-rock" no melhor estilo Tommy. Depois dessa incursão em composições um pouco mais intricadas para os padrões da banda (e para os padrões do público médio do grupo), era aguardado um lançamento com a sempre tão festejada "volta às raízes". Em ¡Uno! foi exatamente o que o trio entregou. Só que a banda foi além de suas próprias raízes, e buscou inspiração não só nos alicerces do estilo musical que mais se enquadram (no caso, o punk) mas também nas bases do próprio rock.

 


A influência de The Clash, que antes aparecia de forma mais tímida, dessa vez está bem latente. Logo no primeiro acorde de "Nuclear Family", música que abre o álbum, vem à mente a introdução de "Safe European Home" da clássica banda inglesa. "Kill the DJ", com seu ritmo grooveado e bastante dançante, também lembra muito o Clash da fase London Calling (1979) em diante. Uma das composições mais diferentes de toda a discografia do Green Day, e uma grata surpresa!

O solos estão melhores do que nunca. Não espere ouvir escalas em modo frígio, semi-colcheias na velocidade da luz e arpejos supersônicos. O que temos aqui é a boa e velha pentatônica. Mas já é algo além dos solos oitavados de outrora. A banda mostra que ouviu bastante AC/DC do final dos anos 70 durante o processo criativo do trabalho. E, vamos falar a verdade, existe escala mais rock 'n roll do que a  pentatônica?! Chuck Berry, Stevie Ray Vaughan, Eric Clapton, Tony Iommi, David Gilmour, Jimi Hendrix e tantos outros gênios do instrumento que o digam. A sacana "Troublemaker" (bem ao estilo do Stooges) traz o melhor solo em uma música da banda até agora. E a interpretação de Billie Joe nos vocais é muito divertida, lembrando bastante o porra louca do Iggy Pop.

Outro fator que também contribui para toda essa sonoridade mais vintage é a produção. A mixagem e as timbragens (principalmente das guitarras e do vocal, cheio de reverb e delay) lembram bastante as utilizadas no final dos anos 70 por bandas como o próprio Clash, Stiff Little Fingers, Replacements e Cheap Trick, entre outros grupos clássicos do punk e do power pop daquela época. "Angel Blue" e "Feel for You" remetem ao que algumas dessas bandas já fizeram.

Em alguns momentos vêm à cabeça aquela lembrança do que o trio fazia em álbuns como Dookie e Kerplunk! (1992), além de canções como "Carpe Diem" e "Stay the Night", que nos remetem diretamente ao injustiçado Warning! (2000). Como dito anteriormente, por mais que os caras sempre tragam novos elementos para agregar ao seu punk rock, dá pra sacar na hora que se trata do Green Day. Isso, para os que já não vão muito com a cara do grupo, pode não ser muito bom. Mas com certeza a banda não fez o álbum pensando nos seus detratores. Em alguns casos, porém,  essa característica atrapalha um pouco. "Sweet 16" é o melhor exemplo, e será facilmente esquecida por todos (talvez até pelos próprios músicos ...). Nada que comprometa o trabalho como um todo, pois ele se mantém interessante do começo ao fim.

Ao final da audição o resultado é positivo. O Green Day soube dosar suas características mais fortes com uma maior influência de nomes clássicos e produziu, acima de qualquer coisa, um álbum de rock muito divertido, mostrando que o tempo só os fez bem. Nada mal para uma banda que já passa dos vinte e cinco anos de idade.

Nota 7

1. Nuclear Family     
2. Stay the Night     
3. Carpe Diem   
4. Let Yourself Go     
5. Kill the DJ   
6. Fell for You     
7. Loss of Control     
8. Troublemaker     
9. Angel Blue     
10. Sweet 16     
11. Rusty James     
12. Oh Love     

(por Sergio Fernandes)

Neil Young explica o seu processo criativo

terça-feira, novembro 06, 2012
“Quando escrevo uma canção, ela começa a partir de um sentimento. Posso ouvir algo em minha mente ou sentir aquilo em meu coração. Pode acontecer também de pegar a guitarra sem pensar e começar a tocar. É dessa forma que muitas canções começam. Quando se faz isso, você não está pensando. Pensar é a pior coisa que se pode fazer ao escrever uma canção. Então, você simplesmente começar a tocar e algo novo surge. De onde vem? Não importa. Apenas continue seguindo o fluxo. É o que faço. Nunca faço julgamentos. Apenas acredito. Ao pegar meu instrumento musical é algo que vem como um presente e, ao passar através de mim, os acordes e a melodia aparecem. Não é momento para interrogação ou análise. É hora de conhecer a canção, não de realizar alterações antes mesmo de conhecê-la. Ela é como um animal selvagem, um ser vivo. Cuidado para não assustá-la. Esse é o meu método - um dos meus métodos, pelo menos”.

(trecho de Neil Young: A Autobiografia, lançamento Globo Livros)


Kiss na capa da nova Sweden Rock

terça-feira, novembro 06, 2012
O lançamento de Monster, o ótimo novo disco do Kiss, colocou o quarteto norte-americano na capa da nova Sweden Rock Magazine. A banda, que está também confirmada na edição 2013 do Sweden Rock Festival, fala sobre o álbum e os planos para os próximos anos.

A revista tem também matérias com Graveyard, Therion, Motörhead, Tiamat, Black Country Communion e diversas outras bandas.

Para comprar, é só clicar aqui.


Neurosis na capa da nova Decibel

terça-feira, novembro 06, 2012
A Decibel, a revista de metal extremo mais legal dos Estados Unidos, colocou o Neurosis na capa de seu novo número, que traz também Lamb of God, Killswitch Engage, Between the Buried And Me, Metallica, Mastodon e muitas outras bandas.

Nunca leu a Decibel? Então compre a nova edição no site dos caras e veja como se faz uma revista de música de respeito!

Metallica na capa da nova Rolling Stone argentina

terça-feira, novembro 06, 2012
O Metallica está na capa da nova edição da Rolling Stone Argentina. Os hermanos reproduzem a matéria publicada há alguns meses na matriz norte-americana, e que repassa as três décadas da maior banda de heavy metal do planeta.

A revista traz também Cafe Tacuba, Tim Burton e muito mais.

Para comprar, clique aqui.

Soundgarden na capa da nova Revolver

terça-feira, novembro 06, 2012
O retorno do Soundgarden é o destaque de capa da nova edição da revista norte-americana Revolver. A publicação bateu um papo com a banda e conta como é King Animal, o primeiro disco do quarteto em 15 anos e que tem data de lançamento marcada para 13 de novembro. 

A nova Revolver traz também uma lista com os maiores retornos de todos os tempos e matérias com Deftones, Coheed and Cambria, Dead Sara, Kiss, Stone Sour e outras bandas.

Compre a sua no site oficial, clicando aqui.

5 de nov de 2012

Lady Gaga, o fiasco dos ingressos e umas perguntas importantes

segunda-feira, novembro 05, 2012
Maior fenômeno pop recente, a extravagante cantora americana Lady Gaga chega com sua monumental The Born This Way Tour ao Brasil nesta semana, em sua primeira visita ao país. O grande circo de Gaga, que será acompanhado pelos seus famosos e visualmente barulhentos Little Monsters, como ela chama seus fãs mais ardorosos, aporta no Rio sexta dia 9, passa por São Paulo no domingo e acaba em Porto Alegre, na terça 13. Uma turnê gigante dessa, de uma artista popular dessa, a esta hora deve estar com todos os ingressos esgotados, certo? Errado. E muito pelo contrário.

Há um certo “Lady Gaga fiasco” para definir a performance em vendas das entradas para o superaguardado show da Lady Gaga, tanto no Brasil como em toda a América Latina. Difícil arrancar palavras oficiais nesse sentido, mas uns números curiosíssimos das vendas de ingressos para as apresentações em estádios da cantora nova-iorquina circulam pela internet e são espantosos, se forem verdade:
  
- até sexta-feira passada, para o show de São Paulo, a maior cidade do país e a que mais compra ingressos, tinham sido vendidos apenas pouco mais de 33.000 ingressos dos 65.552 disponíveis. Praticamente a metade da carga apenas. E dizem que em Porto Alegre a porcentagem é menor
 

- o show deste sábado passado na Costa Rica, o último antes da entrada da turnê da cantora pela América do Sul (ela toca em Bogotá, Colômbia, amanhã), vendeu de ingressos cerca de 21.000 para uma capacidade de 38.000 pessoas

- em Lima, Peru, a performance de vendas é ainda pior. Tudo bem que o show é “só” no dia 23, mas até neste sábado, para um local onde cabem 52 mil pessoas (Estádio San Marcos), apenas 13 mil entradas foram adquiridas

 
- sem desembocar em números, falam que as vendas para os shows na Colômbia e Argentina (nesta, imediatamente depois do Brasil) estão bem fracas, com menos da metade dos ingressos vendidos



Tal numeralha preocupante para os produtores latinos que arriscaram trazer um dos mais bombásticos shows para a região deve ser verdadeira, dada a correria atrás de aliviar o prejuízo, que deu na grande “liquidação” dos ingressos. Em apenas uma rápida coletânea das ações mercadológicas para vender os ingressos para a turnê da Lady Gaga vemos que:

- para o show de São Paulo, compre um e leve outro grátis. A campanha está nos jornais. Leve um ingresso e as lojas Riachuelo, patrocinadora do show, te dá outro. Até outubro, principalmente para Lady Gaga e Madonna (dezembro), a produtora de shows Time4Fun estava vendendo ingressos em até 10 vezes sem juros no cartão de crédito. O parcelamento era estendido a outros concertos trazidos pela empresa, como Linkin Park (outubro) e Joss Stone (novembro). No site Peixe Urbano, estão vendendo ingressos de inteira (R$ 350) pelo preço de meia (R$ 175)

- nas últimas semanas de outubro, os tickets para a apresentação de Lady Gaga amanhã em Bogotá tiveram seus preços rebaixados a menos que a metade do valor pela produtora local do concerto, a Ocesa Colômbia. De 382 pesos colombianos, as entradas passaram a custar 147, quase 240 pesos colombianos a menos que o preço inicial. A redução causou grande protesto para os que tinha pago preço cheio, que no fim, além de serem reembolsados por uma quantia em dinheiro vão poder, com seu ingresso cheio, levar grátis um acompanhante no mesmo setor que assistirá ao show
 

- em Lima, no Peru, no momento a promo de ingressos para Lady Gaga está na base de um ingresso grátis para quem compra três com o cartão de crédito oficial do show (Ripley)
   
Imprensa: não sei no caso brasileiro, mas pelo menos na Costa Rica (sábado) e na Colômbia (amanhã) os jornalistas credenciados não poderão entrar com câmeras fotográficas profissionais nem de vídeo. Nem para registrar o palco, nem para clicar nenhuma foto das dependências do estádio onde Lady Gaga vai cantar. Imagens, só as providas por celulares da galera.

Internet: e, claro, essas promoções para os ingressos da Lady Gaga no Brasil caíram na graça do povo do Twitter/Facebook. Até um Tumblr-zoeira já apareceu, o Achei o Ingresso da Gaga





PARA ENTENDER


Lady Gaga é o maior fenômeno recente do showbis mundial, mas experimenta um baixíssimo número de ingressos vendidos no Brasil em particular e na América Latina no geral. Em um perfil dela que li numa grande revista de moda atual, a publicação afirma que a cantora, nos últimos anos, deu sobrevida à MTV chacoalhando a estética dos videoclipes e é, numa só pessoa, (1) um catálogo de moda ambulante, (2) uma revolução em padrões estéticos, (3) a bagunceira dos conceitos de beleza, das unhas dos pés ao cabelo, e (4) o ser que surgiu para inovar e chocar numa época que a figura mais “ousada” da música era a Christina Aguilera. Sem contar que sua presença pode ser sentida de alguma forma, em alguma perspectiva, na definição de carreira da nova ou nem tão nova geração de cantoras atuais da música pop, tipo Rihanna, tipo Lana Del Rey.

Então qual a razão desse destacável baixo público para seus shows na América Latina, em países em que ela visita pela primeira vez? 

PERGUNTAS PERTINENTES
 

- É uma reação do público ao valor do ingresso?
 

- A construção do “mito Lady Gaga” foi supervalorizada na América Latina ou é a cantora certa em seu momento errado a aparecer no Brasil, ou na região?
 

- Há uma excessiva demanda de shows por aqui, grandes concertos já não são tão novidades na área e de alguma forma estamos cansados (e sem dinheiro) para acompanhar tudo o que aparece?
 

- É um problema econômico geral (dizem que a Madonna também está vendendo bem abaixo do esperado)?
 

- Tudo isso junto e misturado?

Qualquer que seja a resposta, desconfio que a Lady Gaga vai ter mais uma importância na cena pop atual: a de redefinir tamanhos e política de ingressos para grandes shows internacionais em países emergentes como o Brasil. Vamos acompanhar 2013.

PS: Última coisa sobre os ingressos em 10x. Mário Henrique Simonsen, ministro da Fazenda do governo Geisel, certa vez disse “quando a população compra até cebola a prestações, alguma coisa vai mal”.

(matéria publicada na Popload, blog do jornalista Lúcio Ribeiro)


(Nota do editor: antes de comentar e falar alguma coisa sobre gostar ou não da música de Lady Gaga, lembre-se que a questão aqui é muito maior. Se um show de uma artista pop deste tamanho enfrente este tipo de problema, isso tem reflexos em TODO o mercado de shows, inclusive nas bandas de rock e metal que você tanto adora. Portanto, pense um pouco antes de comentar qualquer besteira)

ONLINE

PAGEVIEWS

PESQUISE