Depois de construir um dos universos conceituais mais bem-sucedidos do pop contemporâneo com Cry Baby (2015), K-12 (2019) e Portals (2023), Melanie Martinez chega a Hades (2026) decidida a abandonar a segurança de sua mitologia para encarar o mundo real. O inferno que dá nome ao álbum não é um lugar imaginário, mas uma metáfora para a sociedade atual. Se seus trabalhos anteriores utilizavam personagens fantásticos para falar sobre traumas pessoais, amadurecimento e identidade, Hades troca a jornada individual por uma crítica às estruturas de poder. Religião, extremismo político, misoginia, capitalismo, redes sociais, vigilância digital e exploração econômica surgem como peças de um sistema que a cantora enxerga como opressor. O conceito é resumido pela própria artista ao definir o álbum como um "espelho rachado": uma obra que não imagina uma distopia futura, mas revela a distopia que já vivemos. Essa mudança de perspectiva também aparece na música. O pop alternativo...