6 de mar de 2009

Colírio: Santana - Lotus Box (Japanese Box with 10 Paper Sleeve Mini Vinyl LP Replica) (2006)

sexta-feira, março 06, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Incrível box lançado em 2006 pela Sony japonesa, contendo dez álbuns em formato mini vinil, cada um com um obi diferente, incluindo o lendário álbum "Lotus", que chegou ao mercado originalmente em 1974 e continha uma arte fantástica, que se desdobrava a cada abertura do vinil. Aqui, "Lotus" aparece em CD triplo.

O apuro tradicional dos lançamentos japoneses é mantido, com a arte original sendo reproduzida, nos mínimos detalhes, em cada um dos CDs.

Se você tiver uma grana sobrando, tá aí uma ótima dica.



S.O.D. - Speak English or Die (1985)

sexta-feira, março 06, 2009

Por Ben Ami Scopinho
Colecionador
Marca de Caim

Cotação: ****

Para ser enquadrada como grande, uma obra precisa estabelecer conexões profundas com as pessoas. E quem diria que um disco feito somente como diversão entre amigos iria atingir tal feito? No começo da década de 80, o Corrosion Of Conformity (C.O.C.) e o Dirty Rotten Imbeciles (D.R.I.) estavam na vanguarda do chamado crossover, mas foi o Stormtroopers Of Death, vulgarmente conhecido como S.O.D., que mais atraiu interesse público, mesmo não sendo tão politicamente sensato como seus conterrâneos.

O S.O.D. começou a tomar forma com os esboços do famoso personagem Sargeant D (o soldado-caveirinha que acabou entrando na capa do disco), desenhado pelo folclórico Scott Ian, guitarrista do Anthrax. Em 1985, enquanto o Anthrax estava em estúdio esperando pelos resultados da gravação de "Spreading the Disease", Ian e seu camarada baterista Charlie Benante passavam o tempo disparando riffs e idéias aleatórias, geralmente inspiradas pelo hardcore. Empolgados com várias das composições, a dupla resolve montar um projeto e seguir adiante.

Curiosamente, a opção para a voz recaiu sobre alguém que nunca havia cantado anteriormente. Billy Milano estava tocando baixo no The Psychos e era um bom amigo, tanto que já fora roadie do Anthrax, e sua voz se encaixaria perfeitamente no esporro que estava por vir. No baixo assumiu Dan Lilker, do Nuclear Assault, que era outra importante figura do underground nova-iorquino. Com este time, no mesmo ano testaram e aprovaram mais algumas canções, que foram gravadas por Scott Ian e Alex Perialas em apenas uma semana.

"Speak English or Die" (e o título, passível de várias interpretações, continua tão atual!) foi lançado pela Megaforce Records e é considerado como um dos primeiros grandes álbuns de crossover entre o heavy metal e o punk, executados com tal paixão, energia e intensidade – ou apenas uma zona descompromissada, que muitas vezes beira o ridículo – que conquistou adeptos entre headbangers, punks e a galera do hardcore. Sua música, rápida e agressiva, consegue até os dias de hoje refletir toda a cultura conflitante dos grandes centros urbanos.

Com 22 canções que não ultrapassam meia hora de audição – as mesmas variam dos dois minutos e meio aos meros cinco segundos – "Speak English or Die" foi inesperadamente ultrapassando as fronteiras dos Estados Unidos e avançando pelo underground mundial, conquistando fãs com sua música ou chamando a atenção pelas pesadas críticas em relação à impulsividade de suas letras, que abordavam temas como política, cotidiano e violência, mas muitas vezes com um (controverso) senso de humor, encarado por muitos como ofensivo, o que resultou em serem taxados de racistas, sexistas ou, na melhor das hipóteses, apenas como grandes sacanas.

Toda essa reação contrária procedia, pois algumas canções deixam dúvidas sobre serem piadas mesmo, como o conteúdo explicitamente anti-imigrante da faixa-título, ou o S.O.D. destilando sua raiva sobre o Oriente Médio em "Fuck the Middle East". E, por mais contraditório que fosse, em oposição a todo o possível preconceito destas letras, a banda instigava a união entre punks, skinheads e headbangers no hino "United Forces". Então, talvez a atitude mais sábia mesmo seja encarar tudo como uma grande gozação, mesmo que impregnada de certa imaturidade.

Mas o quarteto também acerta no nível de várias das piadas, como na velocíssima "Milk”, que atraiu muito interesse pela letra bem sacada, sem contar que Charlie Benante mandou uns
blastbeats (em 1985!) bem legais; ou ainda "What's that Noise", com Milano implorando por intervenção divina para combater toda a estática da canção. De qualquer forma, não é só na irreverência de algumas de suas letras que reside a força deste álbum. Há vários momentos perfeitos para o mosh, como a abertura instrumental "March of the S.O.D.", "Sargent D & The S.O.D.", "Kill Yourself", "Milano Mosh", "Chromatic Death", "Pussy Whipped" e "Freddy Krueger" (aquele personagem todo queimado que fez muito sucesso nos cinemas da década de oitenta), que se mostra a canção mais normal de todo o disco.

Se houve várias críticas sobre o tamanho das composições, com o argumento de que traziam excelentes riffs que não foram devidamente desenvolvidos por Scott Ian e cia, então imaginem o que se falou sobre as explosivas micro-canções (ou ruídos para os ouvidos mais sensíveis) ... Que tal pérolas de longos cinco segundos na "Ballad of Jimi Hendrix", com a introdução de "Purple Haze", seguido da frase "
You´re dead!"; ou "Diamonds and Rust", numa extensa versão originalmente gravada por Joan Baez e também imortalizada pelo Judas Priest?

Embora dividindo opiniões, nada conseguiu impedir que um simples projeto atingisse tanta popularidade, possibilitando que "Speak English or Die" fosse enquadrado como um clássico em seu estilo, e a banda, uma entidade. Tanto que, em 2000, como comemoração por atingirem a expressiva venda de um milhão de cópias, o S.O.D. libera outra edição do álbum, agora com uma capa prateada simulando um disco de platina, com uma infinidade de faixas-bônus, merecendo atenção toda especial as canções gravadas ao vivo no Japão, que mostram toda a força que o grupo adquire sobre os palcos.

O Stormtroopers of Death não durou muito mais. O real motivo nunca ficou claro, tanto que cada um de seus integrantes alega uma razão diferente. Fizeram apenas umas poucas apresentações e liberaram o disco ao vivo “Live at Budokan” em 1992, e somente em 1999 lançaram outro álbum de estúdio, “Bigger Than the Devil”, que não conseguiu a mesma repercussão desta pérola.

Billy Milano até criou o M.O.D. (Methods of Destruction) depois que o S.O.D. debandou, tentando seguir a mesma linha musical, e até conseguiu, mas também não atingiu a mesma popularidade dos velhos tempos.

Faixas:
1. March of the S.O.D. - 1:27
2. Sargent 'D' & the S.O.D. - 2:23
3. Kill Yourself - 2:11
4. Milano Mosh - 1:32
5. Speak English or Die - 2:24
6. United Forces - 1:53
7. Chromatic Death - 0:43
8. Pi Alpha Nu - 1:09
9. Anti-Procrastination Song - 0:06
10. What's That Noise - 1:00
11. Freddy Krueger - 2:32
12. Milk - 1:54
13. Pre-Menstrual Princess Blues - 1:20
14. Pussy Whipped - 2:14
15. Fist Banging Mania - 2:04
16. No Turning Back - 0:52
17. Fuck the Middle East - 0:27
18. Douche Crew - 1:35
19. Hey Gordy! - 0:07
20. The Ballad of Jimi Hendrix - 0:05

3 de mar de 2009

poeira Zine#23 - Traffic

terça-feira, março 03, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

Acabou de sair a nova edição da poeira Zine, a única revista brasileira especializada na música dos anos sessenta e setenta. Na capa, o grupo inglês Traffic, e, no miolo, várias matérias que mostram que o, na música, o NOVO não precisa estar sendo feito, necessariamente, AGORA. 

Nessa edição colaborei com o já tradicional QUEM SE FOI e escrevi sobre "Gimme Shelter", dos Stones, em CANÇÕES QUE MUDARAM O MUNDO.

#TRAFFIC

Nessa edição, toda a riqueza sonora do Traffic, estrelando: Steve Winwood, Jim Capaldi, Chris Wood, Dave Mason, etc. A vida no campo, as jams, o virtuosismo, a relação com Eric Clapton, a rivalidade com o Procol Harum, ...

# SPIRIT

A trajetória emocionante de Randy California, Ed Cassidy e uma das mais importantes bandas psicodélicas da costa oeste norte-americana.

# SOFT MACHINE

30 coisas que você precisa saber sobre o genial "Third", a obra-prima da banda de Robert Wyatt.

# ROBIN TROWER

Entrevista exclusiva com o guitarrista, com perguntas escolhidas pelos leitores da pZ!  Trower foi franco ao falar sobre as comparações eternas ao grande Jimi Hendrix, relembrou do inesquecível companheiro James Dewar, mas se recusou a comentar algo sobre a polêmica ao redor dos direitos autorais de “A Whiter Shade Of Pale”.

# PAPA POLUIÇÃO

Ayrton Mugnaini Jr. desvenda bravamente todas as peripécias dessa grande banda esquecida do nosso rock nacional.

# MUNDO BOLHA

Lynyrd Skynyrd, Eddie Kramer, Purple Records, The 14 Hour Technicolor Dream, Mott The Hoople.

# CAPAS HISTÓRICAS

"There’s A Riot Going On", do Sly and the Family Stone.

# CANÇÕES QUE MUDARAM O MUNDO

“Gimme Shelter”, dos Rolling Stones

# PÉROLA ESCONDIDA

Jobriath

# HAVE A NICE DAY

“Psychotic Reaction” do Count Five e “Summertime” de Billy Stewart

# BLUES N´SOUL

Jo Ann Kelly e Undisputed Truth

# QUEM SE FOI

Ron Asheton, Billy Powell, John Martyn, Lux Interior, Deborah Carvalho, Kokinho Gennari, etc.

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Veja uma prévia da nova edição neste endereço:

2 de mar de 2009

Entrevista exclusiva: Thiago Sarkis conta porque saiu da Roadie Crew e dá detalhes da sua história na revista para a galera da Collector´s Room

segunda-feira, março 02, 2009

Por Ricardo Seelig
Colecionador

No início de fevereiro os leitores da revista Roadie Crew, a principal publicação especializada em heavy metal do Brasil, foram pegos de surpresa com o anúncio da saída de Thiago Sarkis da equipe, para muitos o principal redator da publicação.

Muito se disse, muito se especulou, muitos boatos, de ambos os lados, rolaram. Para saber realmente o que aconteceu, batemos um longo papo com o Thiago, que dá, abaixo, a sua versão do que aconteceu. Apenas uma observação: deixamos aberto também o blog para que, caso alguém da Roadie Crew queira se pronunciar a respeito, terá o mesmo destaque aqui em nosso site.

Essa entrevista foi feita com a colaboração de Sérgio Sierpinski, Anderson Henz, Eduardo Minz, Thiago Azevedo, Gustavo Guideroli, Leandro Garcia, Pablo Querú e todos os demais integrantes da comunidade da Collector´s Room no orkut. Ainda não conhece? Então clique aqui e faça parte.

Collector´s Room - Pra começar, a pergunta que todo mundo quer fazer: porque você saiu da Roadie Crew?

Thiago Sarkis - A relação de trabalho estava desgastada e uma relação pessoal estava acabada, impraticável. Desde meados de 2005, minha participação na revista cresceu paulatinamente. Isso não parecia ser problema para ninguém até que, no final de 2006, a situação começou a mudar. Talvez a partir da edição #91 com Vinnie Paul/Dimebag na capa. Pior ainda depois da edição #96, com o Slayer na capa.

Podemos pensar em vários problemas que levaram a esta saída, mas dois pontos são centrais: 1. É fato: prego que se destaca, leva martelada. 2. A Roadie Crew não era meu único trabalho. Sem ser forçado ou pressionado por ninguém, eu mesmo me envolvi mais com a revista, e como a demanda por matérias minhas cresceu, comecei a ter dificuldades em entregar o material em dia. Atrasava um, dois, três dias. Em três ou quatro edições, atrasei mais. Aí você une os dois pontos que destaquei e tem a equação perfeita: eu dei razão para quem queria dar martelada no prego que se destacava. Depois, ficou como o MST. Havia uma causa real e justa, contudo, atualmente a maioria dos líderes do movimento já tem mais terra que todos os leitores da Collector's Room juntos e continua atazanando a vida dos outros. Enfim, mesmo quando eu não atrasava, sempre aparecia o ativista para minar meu trabalho de alguma maneira, inclusive com fofocas.

Uma semana antes do anúncio da minha saída, esta pessoa procurou o Claudio Vicentin dizendo que eu havia deletado tópicos sobre ela na comunidade da revista no Orkut. Nunca fiz isso, todos sabem como eu conduzia a comunidade da Roadie Crew, dando liberdade a quem quisesse se expressar até agressivamente, e, principalmente, deixando que todos vissem os trabalhos dos membros da equipe fora da revista. Aliás, só eu conduzia a comunidade, porque os demais membros da equipe não queriam saber de nada daquilo (veja como está a comunidade agora). Bem, conversei com o Claudio, expliquei, ele concordou.

Porém, eu já estava de saco cheio daquela infernal pegação no pé e em uma manhã de segunda-feira procurei essa pessoa e falei tudo que uma pessoa enfurecida fala. Tudo e mais um pouco. Foi uma descompostura total. Passei dos limites, mesmo que tivesse razões para estar puto, mas é aquela história: antes de qualquer coisa, tem sangue correndo na veia. O próprio Claudio me disse que talvez minha atitude não fora a melhor para o meu futuro na revista, mas que eu não poderia ter feito nada melhor para a minha alma. O dono da revista que acompanhou tudo disse isso. Eu vou falar o que?

Quais foram os melhores e os piores momentos passados na redação da Roadie Crew?

Os melhores momentos foram justamente com a pessoa com quem tive problemas. A edição #96 que citei, com o Slayer na capa, foi muito comemorada por nós dois. A edição #108, com o Yes, também. Nós sabíamos que rompíamos ali com radicalismos, colocando o Yes na capa de uma revista no Brasil em 2008. Foi inacreditável.

Os piores momentos foram também com esta pessoa, ouvindo coisas do tipo "eu não quero saber quem será a capa. Não me importo com isso. Procure o Claudio, ele é seu fã". Digo, isto ocorreu depois de pensarmos muitas matérias juntos, de comemorarmos a inclusão de várias bandas de classic rock, hard rock, e de grupos que quebravam aquela idéia radical e fechada que cercava a Roadie Crew, e que a colocava como uma revista limitadíssima em sua linha editorial.

Há momentos ruins agora também, pois, em reação à minha explosão com essa pessoa, tem gente falando bobagem por aí, caluniando e difamando, dizendo, por exemplo, que eu atravessava entrevistas designadas pelo Airton a outros entrevistadores. Uma inverdade absurda, pois eu NUNCA fiz uma entrevista designada pelo Airton. Fiz algumas designadas pelo Cláudio e pelo Batalha, mas nenhuma pelo Airton. Eu conseguia as minhas entrevistas porque desde 1999 escrevo para o exterior. Logo, eu fazia as matérias para as revistas de fora e, com o consentimento delas, trazia para o Brasil, para a Roadie Crew.

Respondo a estas acusações ridículas com dois fatos. O primeiro é simples. Se fosse por questão de atravessar entrevistas, por que, antes da minha entrada, a Roadie Crew jamais tinha publicado matérias exclusivas ou (eu disse OU) de capa com Morbid Angel, KISS, AC/DC, Rush Michael Schenker, Extreme, Mike Patton, Peter Frampton, Phil Anselmo, Jethro Tull, Max Cavalera, Toto, Possessed, Type O Negative, Queen + Paul Rodgers, Lamb of God, Enslaved, Y&T, Megadeth, King Crimson, Slayer? Milagre? Por que todas estas entrevistas e todos estes músicos que jamais haviam aparecido na revista com entrevistas de alguém da redação apareceram depois que entrei? Por que eu atravessava entrevistas designadas pelo Airton? O Airton não designou entrevista minha nem com o Badfinger, banda que ele ama. Quando ele soube que eu estava preparando a matéria, entrou em contato comigo e deu umas dicas e direcionamentos. Só!

O segundo fato, peço a você, Cadão, caso tenha espaço, que coloque no final da entrevista, pois é uma lista completa de todas as entrevistas que fiz na Roadie Crew e a proveniência de cada uma delas (dizendo se alguém da equipe me passou ou se fui eu quem as buscou sozinho)***. Tenho provas disso, e-mails e mais e-mails trocados com assessorias e empresários de bandas. Centenas de mensagens. Planilhas com ligações de Skype para marcar as entrevistas. Tenho também as revistas com as publicações no exterior. Todas catalogadas. Tirando as edições da Roadie Crew, claro, são 519 revistas. Estão à disposição de quem quiser checar.

Como você foi parar nas páginas da Roadie Crew? Que trabalhos fizeram com que você se tornasse um colaborador ativo da revista?


Eu escrevia para o exterior e editorava o Whiplash! no Brasil. Um dia fiz uma entrevista com a Jane Schuldiner (RC #49, com o Helloween na capa), e fiquei muito emocionado com o resultado. Pensei: "isso precisa ter um registro impresso também no Brasil". Pensei na Roadie Crew, porque já naquela época era a revista que eu mais admirava no país. Eles gostaram e publicaram. Depois fiz mais entrevistas e teve uma que ficou muito marcada (ao menos pelo que vejo pela resposta dos leitores) que foi com o Paul Di'Anno (ex-Iron Maiden). Saiu na #61 com o Edguy na capa.

Só que a partir da edição #49, tomei gosto por escrever para veículos impressos no Brasil, e aí fiz matérias para Musical Box, Comando Rock, Disconnected, Rock Brigade (duas resenhas de shows), Revista [ ] Zero, e comecei a me ligar com a Valhalla. Um dia, a mesma pessoa com quem tive problemas - vá entender - me procurou e disse: "E aí? Você vai ou não sair de cima do muro? Vai escrever para eles ou para nós?". Vi que essa pessoa tinha razão. Meu nome estava espalhado demais, não havia ligação com nenhuma publicação.

Procurei o Vinícius Mariano da Valhalla - senão me engano falei com o Eliton também, mas não tenho certeza -, agradeci o interesse (eles já haviam enviado CDs para resenha; CDs que eu resenhei antes de me despedir definitivamente), mas disse que tinha outra proposta e que naquele momento era o que eu queria. Não me arrependo um segundo sequer e, mesmo com todos os problemas que tive, agradeço a esta pessoa à qual me refiro por ter me puxado para a Roadie Crew. Valeu a pena.

Quais foram as suas principais influências quando você decidiu entrar no jornalismo musical? Que nomes o influenciaram no início?


Eu fico tão puto com entrevistado que responde isso que vou te responder, mas, desculpa Cadão, é a verdade: no meio musical, ninguém. Eu gostava de escrever, minha escrita era até chatinha demais, toda acertadinha, acadêmica. Minhas influências para escrever eram acadêmicos com todos aqueles termos técnicos. A mudança foi radical e contei com o apoio de muita gente bacana, inclusive quem me detonou depois.


Nesses últimos dias, bastante turbulentos, que culminaram com a sua saída da Roadie Crew, que sons você gosta de ouvir?


Antigamente eu ouviria Pantera, porque responderia à turbulência com ira. Desta vez, tenho escutado só o solo de “Stairway to Heaven” do “The Song Remains the Same”. Sem parar. Acaba o solo, eu volto e ouço de novo. É o “foda-se” mais bem dado que o mundo já ouviu - pior, o mundo ouviu o “foda-se” e gostou. É o cara e o que ele ama, sem compromisso. Uma banda gigantesca; um guitarrista com uma legião de fãs simplesmente sobe ao palco, pira no solo com um som sujo, cheio de notas mascadas, coisas “erradas”, e o mais incrível... os erros e as mascadas não atrapalham nada. O resultado é perfeito!


Porque você parou de escrever resenhas quando entrou para a Roadie Crew?

Eu escrevia muita resenha no Whiplash! e, após entrar para a Roadie Crew, continuei escrevendo resenhas para revistas estrangeiras. Eu queria fazer outra coisa na Roadie Crew. Além disso, é a seção que menos gosto na revista. Faça um somatório das notas de cada edição da revista e confira a média de notas dadas aos discos. Essa média deve ser de 7,0 ou 7,5 (senão mais) e cairia para 5,0 ou menos com a minha participação. É a minha maneira de avaliar discos e nunca me senti confortável para escrever resenhas na Roadie Crew.

Thiago, faça um top five com as suas melhores entrevistas, ou aquelas que mais gostou de fazer, para a Roadie Crew.


Vou ter que fazer dois top five, porque as que penso serem as melhores não são necessariamente as que mais curti fazer. Aliás, algumas das melhores se tornaram pesadelos, porque transcrever as entrevistas foi difícil demais devido à carga emocional de algumas delas.

As que considero as melhores:

- Phil Anselmo / Vinnie Paul (são duas, mas uma completa a outra)

- Gene Simmons

- Motörhead - Lemmy (as duas que fiz)

- Jason Becker

- Rush

As que mais gostei de fazer:

- Slayer (Tom e Dave foram sensacionais)

- Ministry / Mike Patton / Pain Of Salvation / Napalm Death / Marillion (cinco pelo mesmo motivo… Al Jourgensen, Mike Patton, Daniel Gildenlöw, Barney Greenway, Steve Hogarth vão muito além da música e são muito mais que músicos).

- AC/DC (projeto grandioso, coisa meio megalômana)

- Peter Frampton

- "Blind Ear" com o Mats Wilander, rockeiro e ex-número 1 do tênis mundial.

E quais foram, na sua opinião, as piores matérias que você fez para a Roadie Crew?

Muitos elogiaram esta que vou citar. Eu fiz o certo dentro dos meus princípios, mas errado em termos de entrevista com o Zakk Wylde (Ozzy Osbourne, Black Label Society). Às vezes, enfrentar o entrevistado o tempo todo não é a melhor saída para se obter boas respostas e informações. O cara trava e você só consegue irritá-lo. Foi o que fiz. Exagerei e errei daquela vez. Só bater não funcionou. Eu deveria ter batido e assoprado (risos). Fiz outras que ficaram muito ruins também:

- Paul Gilbert (ele é ótimo, mas minha condução foi um fiasco - a pior que fiz na vida)

- Stream Of Passion

- Iced Earth (pelas mesmas razões do Zakk Wylde. Pior é que errei duas vezes, porque na última entrevista que fiz com o Jon Schaffer - ainda não publicada - praticamente não houve entrevista - foi guerra, ridículo).

- Anathema (a banda é sensacional, merecia coisa melhor).

- Cradle Of Filth (tudo muito lógico e padrão na minha pauta).

Qual banda, ou artista, você mais lamenta não ter conseguido trazer para as páginas da Roadie Crew?

Mark Knopfler (ex-Dire Straits) e Peter Gabriel (ex-Genesis).


O trabalho na Roadie Crew era a sua principal fonte de renda?


Não, ele se tornaria minha principal fonte de renda agora, mas chutei o balde antes disso.


Você curtia a interação que tinha com os leitores da Roadie Crew, através da comunidade da revista no Orkut, ou fazia isso meio que por obrigação?

Leia os Roadie M@ils respondidos por outras pessoas em edições que precederam estas últimas nas quais eu respondi os Roadie M@ils. Você acha mesmo que a Roadie Crew obriga alguém a responder leitor com atenção ou dar satisfação a leitor? Tinha resposta nos Roadie M@ils anteriores aos meus em que o leitor escrevia uma Bíblia e recebia uma linha de resposta. Uma linha e olhe lá. A comunidade da revista não existe mais. Enfim, é claro que eu fazia porque curtia... e curto, tanto que continuo fazendo na comunidade do Solada.

Li várias de suas matérias em outras revistas e no Whiplash, e senti que você ficava limitado na Roadie Crew. Você se sentia assim?

Eu gosto de muitos estilos musicais, gosto de criar, tento sair do comum. Sempre vai faltar alguma coisa, exceto se for algo meu, como o Solada. Até no Solada vai faltar. A Roadie Crew, para uma revista, deu espaço até demais para os meus projetos e idéias. Não posso reclamar disso. Além de tudo, eu sabia da linha editorial da revista. Se houve limitação, eu me submeti a ela. E digo que não houve. Fiz o que quis, mesmo que em uma linha editorial mais fechada, e curti muito.

O que você mais curtia fazer na revista, e o que menos curtia?


Especiais como os de AC/DC e Metallica. Adorei também fazer todo o trabalho de pesquisa para a edição #112, que comemorou os dez anos de Roadie Crew. O que eu menos curtia? Resenhas e seções como "Hidden Tracks" e "Backgrounds". Por mais que eu tenha fontes, livros, etc., não quero - a não ser que o sujeito esteja morto - contar daqui do Brasil a história de uma banda sessentista da Irlanda - quando eu não era nem esperma - como se eu de fato soubesse algo sobre a banda porque li em livros. Prefiro “buscar” a banda ou parentes e pessoas ligadas a ela, como fiz com Blue Cheer, Vanilla Fudge, Alvin Lee, Jethro Tull, Yes, Treat, Triumph, Gentle Giant. Respeito quem gosta de ficção, mas eu prefiro realidade, e buscar informação direto da fonte ajuda você a se aproximar da realidade - não é realidade, mas, muitas vezes, consegue chegar muito próximo disso.


E, complementando a pergunta anterior, o que você mais gosta e o que menos gosta na revista?


O que mais gosto pode ser exemplificado em uma matéria do Ricardo Campos com o Paul O'Neill (Savatage/Trans-Siberian Orchestra) na edição #51. Aquilo é buscar informação direto da fonte. O que menos gosto? Precisa dizer? Se dizem - até os autores publicamente - que o "Background" do Thin Lizzy foi plagiado 100% de um livro, e que o do Kiss, na primeira parte, também, eu não posso gostar disso.


O seu grande diferencial sempre foram as entrevistas, com perguntas inteligentes e que fugiam do comum. Como você se preparava para realizá-las?


Poxa, obrigado. Eu me preparo de duas formas: leio sobre a carreira do entrevistado, mesmo sendo um ídolo meu do qual eu saiba o suficiente para entrevistá-lo, e principalmente, busco informações sobre a personalidade do cara. Leio outras entrevistas, relatos de quem conviveu com ele (a), quando possível busco informações com entrevistadores que já o entrevistaram. Para cada entrevista, eu leio de cinco (bandas menores com menos informações disponíveis) a quarenta páginas. Para o Mike Patton (Faith No More), li mais de setenta páginas, por ser um cara de personalidade difícil. Eu precisava saber como lidar com ele e fazer a entrevista render por mais de uma hora. Pena que a matéria foi aniquilada na edição que eu mesmo fiz, pois não tínhamos muito espaço.

Existe alguma chance de, agora que você não está mais na Roadie Crew, vermos o seu excelente trabalho nas páginas de outras revistas, como a Rock Brigade?

A Rock Brigade está parada, não? Pelo menos, é o que parece. Do jeito que a revista estava, eu não entraria, a não ser que me dessem carta branca para trabalhar e criar. A Rock Brigade se perdeu principalmente após a saída dos seus principais redatores, e depois de perder o foco na revista e se concentrar em bandas que agenciava, no selo que criou etc. Muito deste rolo todo da Roadie Crew recente eu atribuo ao Wacken Rocks Brazil, que afastou os donos da revista da própria revista. Espero que eles possam voltar a se concentrar na revista agora - penso que este é o objetivo do Cláudio e do Airton - e torço para que ainda assim eles consigam organizar um grande festival. Tribo sem cacique acaba em guerra.

Você cogita a possibilidade de trabalhar novamente em revistas, ou a saída da Roadie Crew fechou um cliclo?

Recebi uma proposta para uma revista nova no Brasil, mas não sei se é uma coisa com a qual quero me envolver agora. Continuarei com os trabalhos nas revistas estrangeiras. No Brasil, por enquanto, só on-line.

Qual a sua opinião sobre o mercado editorial brasileiro para o rock e o heavy metal? A Roadie Crew é realmente a melhor revista do segmento? Se sim, porque ela alcançou esse status?

A Roadie Crew é a melhor e é a única praticamente. Tem méritos, de uma forma ou de outra. Já era a melhor antes de ser a única. Logicamente não falo aqui das revistas especializadas em instrumentos. Estas, geralmente, são muito boas também, mas não se limitam a rock e heavy metal. O mercado editorial brasileiro para o rock e o heavy metal é triste e reflete a cultura e os preconceitos do país em relação a estes estilos. O rock não pegou no Brasil, logo os investimentos neste gênero musical são escassos.

O Brasil teve poucas revistas de música com cara de revista mesmo. Nenhuma sobreviveu. A Bizz voltou para ser revista de comportamento, variedades e entretenimento, como a Rolling Stone, e rodou, mas sempre foi revista mesmo - inclusive quando era realmente de música. A Disconnected tinha tudo para ser uma baita revista, mas não teve tempo nem de respirar no mercado. A Valhalla tinha a melhor diagramação, as melhores capas, era revista com cara de revista mesmo, especialmente após a associação com a RockHard. Contudo, também não conseguiu sobreviver.

A melhor proposta era a da Revista [ ] Zero. Se o brasileiro tivesse o costume de ler sobre música tanto quanto produz e vive de música, a Revista [ ] Zero seria um estrondo. Tinha cara de revista, era inteligente, mantinha uma linha editorial abrangente, contava com uma equipe experiente, capacitada e ousada, mas, infelizmente, a proposta da [ ] Zero estava, e está, à frente do que a cultura brasileira em relação a revistas de música comporta.

As duas grandes que se tornaram referências nunca foram revistas de verdade. São fanzines que deram certo, como um amigo meu costuma dizer. Não há problema algum nisso. É o que, por enquanto, parece-me possível no Brasil. Pegue a Sweden Rock da Suécia ou a Spark da República Tcheca. Você nem precisa ler sueco ou tcheco e já percebe os anos luz que separam estas publicações dos grandes nomes nacionais.

Sarkis, já passou pela sua cabeça criar a sua própria revista?

Passar, passou... Mas passou, passou mesmo. É “passado”. Assim como passou pela minha cabeça ter um selo e lançar bandas que acho que os brasileiros precisavam ouvir. Só que qualquer um com um pouquinho de amor por si próprio e por sua família não entra nessa agora. Viver de “poesia” é bacana, mas tem limite.

Nunca pintou a oportunidade de trabalhar para uma emissora de rádio ou TV? E, se pintasse, você aceitaria?

Nunca pintou. Apenas uma proposta para rádio on-line, mas não sei se eu toparia. Sou recluso, odeio minha voz. Se eu quisesse aparecer, não escrevia, nem entrevistava, desfilava em escola de samba.


Qual o tamanho da sua coleção de discos?

Grande (risos). Preciso contar tudo novamente e farei isso quando me mudar. Tenho entre 15 e 20 mil CDs, cerca de 400, 500 vinis, e uns 200, 300 DVDs. Muitos VHS também.


Suas matérias são publicadas em diversos países. Em quais países seus textos já foram publicados, e em quais revistas podemos encontrá-los?

Felizmente em muitos países. Escrevi para 63 publicações (para algumas destas, apenas uma vez) entre revistas e fanzines de 34 países. Há algumas mais excêntricas, como a Rock Street Journal (Índia - diagramação maravilhosa), a PainKiller (China - idem e com CD, pôster. Esses caras têm dinheiro demais), a finada ZOR (Turquia - ainda melhor que a da Índia em termos de diagramação), a Rock Express (distribuída nos países da região da ex-Iugoslávia, nem sei se existe mais), a SLAM-Zine (Áustria - vem com DVD e CD às vezes), a The Rock (Tailândia, a empresa era grande e queria falar de “boy band”, então não sei se mantiveram a The Rock ativa) e a Dark City (Rússia). As que mais gosto são Popular 1 (Espanha), Jedbangers (Argentina), Spark (República Tcheca) e Sweden Rock (Suécia).

Qual a sua opinião sobre o heavy metal nacional atualmente?

Mesma praça, mesmo banco. Muita gente boa que não aparece, e a mesma turminha de sempre se achando. Não falo das bandas realmente grandes, como Krisiun, Torture Squad, Angra, Dr. Sin, Shaman, Andre Matos, Sepultura. Falo daquelas bandas que “conquistaram a Alameda Santos” e acham que estão “bombando” na Sunset Strip.

O que você acha que 2009 reserva para quem curte rock e heavy metal?

Excelentes lançamentos, como acontece anualmente. Basta que as pessoas tirem suas cabeças de bueiros setentistas, sessentistas e oitentistas e vejam que há muita coisa boa sendo produzida atualmente, assim como em décadas anteriores. Não só no rock e no heavy metal. Esse negócio de falar que música boa era a de 1910 é mole. Está quase todo mundo morto mesmo! Valorizar depois que já morreu é fácil. Valorize agora, antes que seja tarde e que só a próxima geração veja as qualidades daquilo que você menosprezou por não aceitar que há contemporâneos seus capazes de obras superiores às suas.

Você gosta de outros estilos, certo? Quais?


Pop, MPB, world music, samba, alternativo, jazz, fusion, disco, blues, R&B, rap, movimentos como a Vanguarda Paulistana, até uma ou outra coisa de música eletrônica. Há músico bom em qualquer estilo. Lembro-me de ouvir e conhecer o trabalho de um guitarrista que tocava na Banda Beijo e era fã de Shawn Lane. Excelente guitarrista. Senão me engano era da Banda Beijo mesmo.


Você se considera uma pessoa humilde?


Depende de como você significar este adjetivo. No dicionário há muitas coisas referentes a humilde com as quais me identifico: “(...) virtude de conhecer as próprias limitações”, “simples”, “que manifesta sentimento de fraqueza, de modéstia”. Isso tudo tem a ver comigo. Outras coisas que caracterizariam uma pessoa humilde, não: “que expressa ou reflete deferência ou submissão”, “sem realce”, “apagado”, “despretensioso”. Se humildade for isso aí expresso nos últimos exemplos citados, tô fora.


Vou citar o nome de uma pessoa e você responde com que álbum o presentearia, certo? Vamos lá:


Airton Diniz.

"Straigh Up" do Badfinger.

Ricardo Batalha.

Pelos bons trabalhos juntos: "Out of the Cellar" do Ratt e "South of Heaven" do Slayer.

Ricardo Campos.

"Edge of Thorns" do Savatage e "Marching Out" de Yngwie J. Malmsteen.

Cláudio Vicentin.

"Never Turn Your Back on a Friend" do Budgie.

Vitão Bonesso.

"Black Sabbath Vol. 4" do Black Sabbath.

Frederico Batalha.

Não o conheço, apenas sei que é uma pessoa muito ligada à religião. Então, "In God We Trust" do Stryper. Ah, e claro: "Practice What You Preach" do Testament.

Frans Dourado.

Não o conheço também, mas eu o presentearia com um single: "I Wanna Be Somebody" do W.A.S.P.

Bento Araújo.

"Bridge of Sighs" de Robin Trower.

A galera aqui da Collector´s Room.

"Iron Will" do Grand Magus, "Simsalabim" da The Mushroom River Band, "Imaginary Sonicscape" do Sigh e qualquer coisa do Alabama Thunderpussy.

Você esqueceu de citar o Leandro de Oliveira, Cadão. Se você me permite: para ele, "Diary of a Madman" de Ozzy Osbourne.

Quais são, para você, os principais jornalistas e críticos musicais do Brasil na atualidade?

Em atividade, Ben Ami Scopinho, do Whiplash!. Não tenho acompanhado muito, mas há tempos não leio novidades de quase todos os que eu mais gostava: Cláudio Vigo, Rodrigo Werneck, Marcos A.M. Cruz, Fernando Souza Filho, Fábio Massari (ótimo fora da MTV).


Thiago, sei que você é fã de rock progressivo. Aqui no Brasil esse estilo passa por uma grave crise, que cada vez se agrava mais. Os shows estão cada vez mais raros, não temos publicações especializadas, a mídia não dá a mínima para o gênero, entre outras coisas. Na sua opinião, por que isso acontece, uma vez que o progressivo ainda está vivo, com excelentes bandas surgindo nos últimos anos? E na Europa, a cena lá é forte mesmo como dizem?

Na Europa, a cena é forte para quase tudo. No Brasil, essa questão de gêneros musicais é quase como filme de faroeste naquelas cenas clássicas de duelos em que apenas um sobrevive, pois não há espaço para os dois bambambãs no oeste. O rock progressivo foi “cool”. O fã do estilo chegava para os demais e dizia “você não gosta disso? É porque não entende!”, e ria por dentro. Hoje, quem faz isso são os fãs de indie. A atitude é a mesma. É aquela coisa de "sou superior, percebo o que seu ouvido sujo não consegue perceber". É Indie... IndieOTA. Há coisas boas nos dois estilos e ambos deveriam conseguir sobreviver juntos e, inclusive, em alguns casos, atrair públicos similares.

Você sempre prezou por analisar e tecer perguntas que possibilitam uma contextualização entre música, artista e o momento histórico ao qual essa produção artística vincula-se, conseguindo fazer com que transparecesse o lado humano dos músicos e até mesmo da música (o que muito contribui para a quebra de preconceitos e aumenta o intercâmbio entre os estilos). Dessa forma você rompeu com as tolas barreiras que restringiam essa crítica musical e esse "fazer jornalístico" aos vícios da comunidade apreciadora de classic rock e heavy metal. Pressupondo que você concorda comigo, eu gostaria que discorresse sobre qual importância você atribui a essa forma mais séria e abrangente de tratar a música pesada, ainda mal vista por grande parte da sociedade.

Nossa! Obrigado pelos elogios, mais uma vez! Bem, uma coisa é fato: revista, TV, rádio, jornal, não importa o veículo, você precisa vender. Porém, você não precisa vender explorando a ignorância. Eu acredito que é possível vender sem alienar ou olhar para o seu leitor como uma besta debilitada incapaz de compreender que, assim como há qualidades no Deicide, há qualidades no Jethro Tull, e admirar um não impede que você admire o outro.

Nirvana não é problema. Lavar alguém cerebralmente por meio do Nirvana é. Ao invés disso, você pode utilizar a popularidade do Nirvana como ferramenta para apresentar grandes artistas a grandes públicos. Eu tentei e tento fazer isso. Provavelmente fracassei na maioria das vezes, mas obtive êxito em muitos casos. Cito dois: com Kiss e Metallica, consegui fazer muita gente conhecer o regente David Campbell. Com o Atlético-MG, consegui fazer muito moleque que vive no Mineirão cantando funk, e que vive descascando a banana para a melancia da Mulher Melancia, procurar ouvir algo além de "Have You Ever Seen the Rain" do Creedence.

Recebi mensagens sobre estes dois casos, e sobre outros, mas destaco estes para responder à sua pergunta. O problema é que a via mais fácil não é essa. É mais fácil explorar o leigo e transformar o ignorante em um bronco bitolado. Por isso, fã de rock e metal, que tanto reclama de preconceito, muitas vezes é tão ou mais preconceituoso do que aqueles que olham torto para ele.

É sabido que desde a sua chegada à Roadie Crew você abriu um grande espaço para bandas mais prog e modernas, indo contra as tendências saudosistas que ganham mais força a cada dia, seja na recente tentativa de ressuscitar o vinil ou reviver a prodigiosa década de oitenta. Qual é a sua opinião sobre esse saudosismo e como você avalia o seu impacto na cena atual?

Saudosismo é o que é: “tendência, gosto fundado na valorização demasiada do passado”. Está dito, não por mim; está no dicionário. É demasiado. É supervalorização do passado. Não é só isso. Saudosismo tem muito de sadismo também. É você olhar para o seu filho que está alucinado com as jogadas do Kobe Bryant e dizer: “ele é bom, mas você não acharia que ele era isso tudo se tivesse visto Michael Jordan. Aqueles sim eram bons tempos”. É? Eram bons tempos? Compra um VHS e dá pro menino e o deixe tirar a própria conclusão.

Eu também sou saudosista, é óbvio. Tendo a achar que a era que vivi mais intensamente é melhor que todas as outras, mas preciso ser crítico quanto a isso. Esta não é a realidade. Nenhuma era foi melhor que a outra. Simplesmente há eras que você prefere. Seu filho não é obrigado a preferi-las, nem a levar uma lavagem cerebral do pai que quer enfiar a cabeça do garoto no mesmo bueiro setentista, sessentista, cinquentista etc., que ele tanto ama.

Saudosismo existe e tem seu lado bom, pois não nos deixa esquecer momentos e pessoas importantíssimas para o que vivemos hoje. O problema é que saudosismo geralmente está ligado a este sadismo babaca de dizer: “eu vi, você nunca verá e mesmo no VHS ou no DVD, nunca será a mesma coisa”. Aliás, aí está uma boa forma de desgraçar a vida do seu filho: associe o seu saudosismo ao seu sadismo.

E o futuro Thiago, quais são os seus planos daqui pra frente?

Continuo meu trabalho que eu mantinha antes da Roadie Crew, e vou escrever para o Solada. Por enquanto, é isso.

Muito obrigado, sucesso e esperamos que você continue nos brindando com suas excelentes matérias. Abração.


Muito obrigado a vocês pela oportunidade e interesse. O Solada ainda está em formação, mas é um feto até que bonitinho (risos). Quem quiser conferir, aí vão os endereços:
http://solada.wordpress.com ou http://www.solada.com.br

Parabéns pela Collector's Room. Se vocês são suficientemente insanos, criem uma revista. Vai que dá certo! Para quem é colecionador, tarado por coleções de todo tipo, uma pilha de revistas mais, outra menos, não fará mal algum (risos). Abraços!

*** Relatório das matérias que publiquei na Roadie Crew em ordem alfabética (Quem buscou e designou a matéria para quem e quem fez a matéria)

- Edição #112 - Especial guitarristas (eu / vários)
- AC/DC (eu com Philippe Lageat e Morgan Rivalin / eu com Philippe Lageat e Morgan Rivalin)
- Adagio (eu / eu)
- Adler's Appetite (eu / eu)
- Alabama Thunderpussy (eu / eu)
- Alex Masi (eu / eu)
- Alvin Lee (eu / eu)
- Amazon (eu / eu)
- Amon Amarth (eu / eu)
- Amorphis (eu / eu)
- Amorphis 2 (eu / eu)
- Anathema (eu / eu)
- Anthrax (eu / eu)
- Arch Enemy (Claudio para mim / eu)
- Arch Enemy 2 (eu / eu)
- Armored Saint (eu / eu)
- At The Gates (eu / eu)
- At Vance (eu / eu)
- Atrocity (eu / eu)
- Badfinger (eu / eu, Airton colaborou)
- Behemoth (eu / eu)
- Belphegor (eu / eu)
- Beyond Twilight (eu / eu)
- Billy Sheehan (eu / eu)
- Black Label Society (eu / eu)
- Blue Cheer (eu / eu)
- Bonfire (eu / eu)
- Brainstorm (Ricardo Batalha para mim / eu)
- Candlemass (eu / eu)
- Carnal Forge (eu / eu)
- Charlie Dominici (eu / eu)
- Children Of Bodom (eu / eu)
- Chimaira (eu / eu)
- Corrosion Of Conformity (eu / eu)
- Cradle Of Filth (eu / eu)
- Creedence (eu / eu e Thiago J. Z. Martins)
- Crimson Glory (eu / eu)
- Crucified Barbara (eu / eu)
- Cynic (eu / eu)
- Darkthrone (eu / eu)
- David Lee Roth (Claudio -> passou para o Ricardo Batalha -> passou para mim / eu)
- Def Leppard (eu / eu)
- Deicide (eu / eu)
- Derek Sherinian (eu / eu)
- Dimmu Borgir (eu / eu)
- Dismember (eu / eu)
- Doro (Claudio para mim / eu)
- Dream Theater (eu e o fã-clube YtseBR / eu e Adriana Califano)
- Edenbridge (eu / eu)
- Edguy (Claudio para mim / eu)
- Edguy 2 (eu / eu)
- Edu Falaschi Almah (Ricardo Batalha para mim / eu)
- Enchant (eu / eu)
- Enslaved (eu / eu)
- Entombed (eu / eu)
- Epica (eu / eu)
- Eric Martin (eu / eu)
- Europe (eu / eu)
- Evergrey (eu / eu)
- Exodus (eu / eu)
- Exodus 2 (eu / eu)
- Extreme (manager da banda prometeu ao Guilherme Spiazzi, e marcou comigo, porém o horário marcado não foi possível para o Guilherme entrar na conferência com Nuno e Gary / eu)
- Fates Warning (Ricardo Batalha para mim / eu)
- Fear Factory (eu / eu)
- Firewind (eu / eu)
- Forty Deuce (eu / eu)
- Gamma Ray (eu / eu)
- Gorgoroth (eu / eu)
- Grave (eu / eu)
- Grave Digger (Ricardo Batalha para mim / eu)
- Great White (eu / eu - tentei arrumar horário com Mark Kendall para assinar a matéria com o Batalha. Não houve resposta da banda, ficamos só com o Jack Russell)
- Greg Howe (eu / eu)
- GWAR (eu / eu)
- Hate Eternal (eu / eu)
- Heavenfalls (eu / eu)
- Hellfueled (eu / eu)
- Helloween (eu / eu)
- Helloween 2 (eu / eu)
- Henceforth (Ricardo Batalha para mim / eu)
- Iced Earth (eu / eu)
- In Flames (eu / eu)
- Into Eternity (eu / eu)
- Izzy Stradlin (eu / eu)
- Jane Schuldiner (eu / eu)
- Jason Becker (eu / eu)
- Jeff Pilson (eu / eu)
- Jeff Scott Soto (eu / eu com colaboração do Batalha)
- Jethro Tull (eu / eu)
- Joe Satriani (eu / eu)
- Joey Belladonna (eu / eu)
- Jorn Lande (eu / eu)
- Judas Priest (eu / eu)
- Kamelot (eu / eu)
- Killswitch Engage (eu / eu)
- King Crimson (eu / eu)
- King's X (eu / eu)
- KISS - Gene Simmons (eu / eu)
- KISS - Eric Singer (Batalha pediu ao Mitch Lafon para me colocar em contato com o Eric e falar comigo / eu)
KISS - Tommy Thayer (idem / eu)
- Kreator (eu / eu)
- Krisiun (Maurício Dehò / Maurício Dehò e eu)
- Lamb Of God (eu / eu)
- Leaves' Eyes (eu / eu)
- Lizzy Borden (eu / eu)
- Lordi (eu / eu)
- Machine Head (eu / eu - detalhe: revista já havia desistido da matéria e importaria entrevista feita por um entrevistador estrangeiro)
- Manowar (eu / eu - detalhe: banda ofereceu passagens para que eu cobrisse os primeiros shows da turnê na Alemanha. Passei ao Claudio e ele de fato viajou para olhar detalhes da parceria com o Wacken em Hamburgo)
- Manticora (eu / eu)
- Marduk (eu / eu)
- Marillion (eu / eu)
- Martin Walkyier (Rodrigo Simas para mim / Rodrigo Simas e eu)
- Max Cavalera (eu / eu e Fernando Ibáñez ou eu, eu mesmo e Irene)
- Megadeth (eu / eu)
- Meshuggah (eu / eu)
- Meshuggah 2 (eu / eu)
- Metallica (Stefano Cerati, Riccardo Cabbia e eu / Stefano Cerati, Riccardo Cabbia, Thiago J. Z. Martins e Renata Almeida e eu)
- Michael Kiske (eu / eu e Maurício Gomes Ângelo)
- Michael Schenker (eu / eu)
- Midnatssol (eu / eu)
- Mike Patton (eu / eu)
- Ministry (eu / eu)
- Moonspell (eu / eu)
- Morbid Angel (eu / eu)
- Mortification (eu / eu)
- Mötley Crüe (J. L. Fernández / J. L. Fernández e eu)
- Motörhead (eu / eu)
- Motörhead 2 (eu / eu)
- Napalm Death (eu / eu)
- Narnia (eu / eu)
- Nemesea (eu / eu)
- Nevermore (eu / eu)
- Night Ranger (eu / eu)
- Nightmare (eu / eu)
- Nightwish (eu / eu)
- Nile (eu / eu)
- Obituary (eu / eu)
- Opeth (eu / eu e Thiago J. Z. Martins)
- Overkill (eu / eu)
- Pain Of Salvation (eu / eu)
- Pain Of Salvation 2 (eu / eu)
- Pain Of Salvation 3 (eu / eu)
- PainmuseuM (eu / eu)
- Paradise Lost (eu / eu)
- Paul Di'Anno (eu / eu - detalhe: era começo de trabalho, Claudio ainda não me conhecia e questionou se eu havia feito a entrevista realmente. Recebeu a confirmação e publicou)
- Paul Gilbert (eu / eu)
- Peter Frampton (eu / eu)
- Phil Anselmo (eu / eu)
- Porcupine Tree (eu / eu)
- Possessed (eu / eu)
- Primal Fear (eu / eu)
- Queensrÿche (Mitch Lafon / Mitch Lafon com colaboração minha)
- Queen + Paul Rodgers (eu / eu)
- Quiet Riot (eu / eu)
- Rage (eu / eu)
- Ratt (eu / eu - detalhe: entrevista com Warren DeMartini ou Bobby Blotzer foi oferecida por mim ao Batalha. Ele não quis fazer.)
- Rhapsody Of Fire (eu / eu)
- Richie Kotzen (eu / eu)
- Ring Of Fire (eu / eu)
- Rotting Christ (eu / eu)
- Royal Hunt (eu / eu)
- Rush (eu / eu)
- Sadus (eu / eu)
- Samael (eu / eu)
- Sammy Hagar (eu / eu)
- Savage Circus (eu / eu)
- Saxon (eu / eu)
- Saxon 2 (eu / eu)
- Scorpions (Claudio para mim / eu)
- Scorpions (eu / eu)
- Sebastian Bach (Claudio para mim / eu)
- Sepultura (eu / eu)
- Shadows Fall (eu / eu)
- Shylock (Ricardo Batalha para mim / eu)
- Skid Row (eu / eu)
- Slash (eu / eu)
- Slayer (Claudio e Batalha com Kerry King / Batalha fez a entrevista --------- eu com Tom Araya e Dave Lombardo / eu fiz a entrevista)
- Soilwork (eu / eu)
- Starbreaker (eu / eu)
- Steve Vai (Claudio para mim / eu)
- Steve Vai 2 (eu / eu)
- Stream Of Passion (eu / eu)
- Stryper (eu / eu)
- Superior (eu / eu)
- Symphony X (eu / eu)
- Temple Of Brutality (eu / eu)
- Testament (eu / eu)
- Theatre Of Tragedy (eu / eu)
- Therion (eu / eu)
- Toto (eu / eu)
- Trail Of Tears (eu / eu)
- Travers & Appice (eu / eu)
- Treat (eu / eu)

- Triumph (eu / eu)

- Trivium (eu / eu e Thiago J. Z. Martins - detalhe: o Thiago não foi creditado na revista)

- Trouble (eu / eu)

- Twisted Sister (Mitch Lafon e eu / Mitch Lafon e eu)

- Type O Negative (eu / eu)

- UDO (eu / eu)

- Uli Jon Roth (eu / eu)

- Unearth (eu / eu)

- Vader (eu / eu)

- Vanilla Fudge (eu / eu)

- Vinnie Paul (eu / eu)

- Vision Divine (eu / eu)

- Vixen (eu / eu)

- White Lion (eu / eu)

- Whitesnake (eu / eu)

- Wig Wam (eu / eu)

- Winger (eu / eu - detalhe: entrevista foi oferecida por mim ao Batalha, que novamente disse que não queria fazer)

- Xandria (eu / eu)

- Y&T (eu / eu)

- Yes (eu / eu)

- Todos os perfis publicados com minha assinatura (eu / eu)

- Todos os Blind Ears publicados com minha assinatura (eu / eu)

Observação: por duas vezes, eu e Ricardo Campos fizemos a mesma matéria sem saber que o outro havia feito. Aconteceu com Evergrey (uma segunda entrevista que fiz com a banda recentemente e que não foi publicada ainda) e Ken Hensley (a entrevista dele foi publicada).

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