23 de out de 2010

Rigotto's Room: I Feel Like Playing, o novo álbum de Ron Wood

sábado, outubro 23, 2010

Maurício Rigotto
Colecionador
Collector´s Room


Ronnie Wood conta em sua autobiografia, publicada em 2007, que se interessou por artes plásticas e guitarras elétricas ainda na mais tenra idade, mas seu pai ficava diariamente lhe lembrando que ele precisava era focar nos estudos para no futuro conseguir um bom emprego. Ronnie até frequentou a universidade de artes, porém começou a tocar guitarra em bandas como The Birds (não confundir com os norte-americanos The Byrds) e The Creation, enquanto seu pai continuava a lhe repetir que ele deveria estudar para conseguir um bom emprego. Ron Wood passou a fazer sucesso nas bandas Jeff Beck Group e The Faces, mas seu pai insistia que o filho deveria estudar para obter um bom emprego. Ronnie prossegue o seu relato: "Nunca segui o conselho de meu pai, então em 1975 o Mick Taylor saiu dos Rolling Stones e fui convidado para o posto de guitarrista dos Stones, onde estou até hoje. (pausa) O melhor emprego do mundo!".

Assim é Ronnie Wood, um grande guitarrista de rock'n'roll, e, principalmente, um grande apaixonado por rock'n'roll. Ronnie passou o último ano envolvido em escândalos em tablóides sensacionalistas por suas brigas e confusões com suas jovens namoradas. Também foi internado para tratamento em uma clínica de reabilitação devido ao seu alcoolismo estar atingindo níveis estratosféricos. Mesmo assim, Ronnie não parou de trabalhar. Aproveitando as férias dos Rolling Stones, Ronnie articulou a volta de sua antiga banda, os Faces, que estão fazendo algumas apresentações pelo Reino Unido, e gravou o seu sétimo álbum solo, o primeiro em nove anos.

O disco, chamado I Feel Like Playing, como era de se esperar é um ótimo álbum de rock'n'roll, onde Ron Wood aparece revigorado, apresentando rocks inspirados e certeiros. Ao seu lado estão alguns dos membros da banda de apoio dos Rolling Stones, como Bernard Fowler e Blondie Chaplin (vocais) e Daryl Jones (baixo); e feras como os guitarristas Slash (Guns'N'Roses/Velvet Revolver) e Waddy Wachtel (da banda solo de seu colega Keith Richards, os X-Pensive Winos), os baixistas Rick Rosas e Flea (Red Hot Chili Peppers) e o baterista Steve Ferrone (ex- Average White Band, Eric Clapton e Tom Petty & The Heartbreakers).


I Feel Like Playing abre com a pulsante "Why You Wanna Go a Think Like That For", um rockão com um arranjo primoroso, onde as guitarras de Wood e Slash fazem um interessante contraponto com o piano de Ivan Neville. A segunda faixa, "Sweetness is My Weakness", é um reggae que poderia fazer parte do repertório dos Wailers, além de ser cheio de swing, temperado pela cozinha de Daryl Jones e Steve Ferrone, dois músicos negros bastantes influenciados pelo funk.

A seguir vem a que talvez seja a melhor faixa do disco, "Lucky Man", outro rock de primeira, uma parceria de Wood com Eddie Vedder, líder da banda Pearl Jam, que divide os vocais com Ronnie. Outro grande momento do disco acontece em "I Gotta See", quando Ronnie divide os vocais com Bernard Fowler, além de receber como convidado o guitarrista do ZZ Top, o barbudagem Billy Gibbons. Até mesmo a cover de "Spoonful" de Willie Dixon, que já recebeu regravações do Cream, The Who, Canned Heat, Ten Years After, Grateful Dead, Gov't Mule, Shadows of Knight e mais um monte de bandas, consegue fugir do óbvio com um arranjo suntuoso, surpreendendo como uma das melhores versões já feitas da canção. Há ainda a participação do tecladista dos Faces, Ian McLagan, e do cantor Kris Kristofferson, uma lenda viva da country music.

I Feel Like Playing é um tratado sobre o novo estado civil de Ron Wood, que está solteiro, namorando belas garotas, depois de vinte e cinco anos de casamento. Fala também sobre a sua nova situação de sobriedade e abstinência do álcool, após anos de excessos etílicos. Como já é praxe em seus álbuns solo, a arte da capa é de sua autoria. O álbum já figura em qualquer rol de melhores discos de rock de 2010, provando mais uma vez que "pedra que rola não cria musgos" ("rolling stone gather no moss"), como diria a letra de um antigo blues de Muddy Waters, que acabou por nomear a maior e mais longeva banda de rock'n'roll do mundo.

AC/DC lança photobook em edição limitada sobre última turnê

sábado, outubro 23, 2010

Por João Renato Alves
Jornalista e Colecionador
Collector´s Room

Nos últimos dois anos, Matteo Abruzzo e sua equipe seguiram o AC/DC em 85 shows por 23 países, durante a turnê do álbum
Black Ice. O resultado desse intenso trabalho está em Black Ice World Tour 2008-2010, um photobook de 184 páginas com 250 imagens da banda no palco. O livro, que possui capa dura e medidas de 25cm x 30cm, estará disponível apenas via internet, nesse site.

Um trailer em vídeo mostrando o produto foi disponibilizado pelo autor:


22 de out de 2010

The New Wave of British Heavy Metal - Parte 2: bandas importantes

sexta-feira, outubro 22, 2010

Por Fernando Bueno
Engenheiro e Colecionador
Collector´s Room

Aproveitando que o assunto do blogsnos últimos dias foram as listas, achei interessante fazer uma segunda parte sobre a New Wave of British Heavy Metal, a famosa NWOBHM.
Depois do texto sobre o importantíssimo ano de 1980, em que apresento dez discos que criaram o caminho para o desenvolvimento do estilo, sempre achei que o assunto precisava de uma segunda parte.

Pensei em falar sobre os discos do ano de 1981, ou uma lista reunindo os anos de 1981 e 1982. Porém, achei que seria mais abrangente fazer uma lista de discos de bandas que, apesar de serem conhecidas por aqueles mais aficionados pelo estilo, não tiveram tanto reconhecimento quanto aquelas bandas que citei no primeiro texto. Ou seja, não seguirei nenhum critério temporal. Claro que esses álbuns são todos de um período bem determinado – 1980 a 1984 – mas isso é meramente uma coincidência esperada, já que estamos tratando de um estilo tão característico.

Não tenho pretensão de fazer uma lista dos dez melhores discos do estilo, nem mesmo sei se os álbuns aqui apresentados são os melhores dessas bandas - são apenas trabalhos que eu gosto muito e acho importantes. A ideia é passar uma seleção que sirva como um roteiro para aqueles que não conhecem as bandas. Também vou colocar os discos em ordem cronológica de lançamento.

Na primeira parte sobre a NWOBHM comento sobre uma certa indefinição que esses grupos tinham em seu som. Na verdade, essa indefinição só é percebida após todos esses anos, já que depois de tanto tempo estamos mais habituados a definir mais rápido o que é heavy metal tradicional e o que é hard rock. Como essas bandas tinham influências diretas da sonoridade de grupos setentistas, é natural que, apesar de tentar colocar mais peso em suas composições, o modo de tocar e compor fossem parecidos.

Lembro-me de que muitos comentaram na primeira matéria que a NWOBHM marcou uma menor influência do blues no heavy metal, e isso também foi importante.

Outro fato que eu estava notando no aprofundamento sobre a NWOBHM é que praticamente todas as bandas lançaram mais de um álbum, e muitas delas acabaram modificando o seu som para algo mais acessível. Talvez pelo simples fato de que com a enorme quantidade de grupos que estava surgindo, e com isso a grande concorrência, tornar o som mais acessível foi uma estratégia – nem sempre eficiente – de se destacar. O exemplo clássico é o Def Leppard.

É difícil encontrar bandas que tiveram apenas um disco gravado e desapareceram. Talvez a mais famosa seja o White Spirit do Janick Gers, que mereceu uma citação na matéria anterior. Isso aconteceu muito em outro movimento musical regional, o rock progressivo italiano.

Quartz – Stand Up and Fight (1980)

Esse disco não entrou na primeira lista que fiz porque senti a necessidade de incluir os trabalhos que mais geraram polêmica, mas achei que eram importantes serem citados - Micheal Schenker Group e Judas Priest.

Sabe aquele álbum que você escuta e tem certeza da sua época de lançamento? Esse é um deles. Não tem como não associá-lo automaticamente ao metal do início dos anos oitenta. Outra banda que sempre tenho esse conceito é o Quiet Riot. Apesar da sonoridade ser característica da época, a gravação é boa se compararmos com inúmeros discos do período. O baixo, por exemplo, é audível e não fica embolado.

O primeiro LP do Quartz foi produzido por Tony Iommi, com alguns backing vocals tendo sido gravados por Ozzy Osbourne, além de um solo de Brian May. Com padrinhos como esses e
Stand Up and Fight como o disco seguinte, eles poderiam ter se dado muito melhor. O guitarrista e tecladista Geoff Nicholls é conhecido dos fãs do Black Sabbath, já que o mesmo saiu da banda pouco antes da gravação desse álbum para ajudar nas composições e tocar teclado no clássico Heaven and Hell. Os destaques são “Stokin Up the Fires of Hell”, a faixa título e “Can’t Say No to You”, apesar de muitos a acharem chata e longa demais.

O disco foi relançado em 2004 e é fácil de encontrá-lo no eBay a preços interessantes.

Praying Mantis – Time Tells No Lies (1981)

Todo mundo que se interessa pela NWOBHM logo dá de cara com essa banda. Seu estilo musical ainda tem muita da já citada indefinição musical que esses grupos tinham à época. É heavy metal ou hard rock? Cabe a cada um analisar e decidir.

A faixa de abertura, “Cheated” é totalmente hard rock, com refrão grudento e parte lentas. No ao vivo
Live at Last, de 1990, essa música é cantada pelo Paul Di´Anno e ficou muito legal. Aliás, vários caras conhecidos já passaram pelo Praying Mantis ao longo de todos esses anos, inclusive Clive Burr e Dennis Straton (Iron Maiden), Bernie Shaw (Uriah Heep), Doogie White (Rainbow) e Gary Barden (Michael Schenker Group).

O disco tem vários hits que são tocados até hoje nos shows. Além da já citada “Cheated”, tem um cover dos Kinks - “All Day and All of the Night” -, “Running for Tomorrow”, “Flirting With Suicide” e “Panic in the Streets”. Porém, as demais faixas não citadas não ficam devendo nada para essas.

Quem se aprofundar um pouco mais irá descobrir que a história do grupo é uma verdadeira bagunça. Se você ler algum texto rapidamente não vai entender nada. Afinal, a banda até chegou a trocar de nome duas vezes.

No Japão o Praying Mantis faz muito sucesso. Seus discos são encontrados facilmente no mercado de lá. Algumas pessoas, inclusive este que vos escreve, conheceram a banda tendo contato com discos que foram gravados com a participação dos ex-integrantes do Iron Maiden, mas qualquer um desses álbuns não são tão bons quanto
Time Tells No Lies, uma ótima aquisição para qualquer coleção.

Demon – The Unexpected Guest (1982)

Tenho certeza que os ouvintes tremiam quando ouviam pela primeira vez a faixa de abertura desse disco lá no início dos anos oitenta. Depois de sons sombrios, sussurros e portas rangendo ao fundo, temos o início de “Don’t Break the Circle”, que já começa direto no refrão, fazendo a gente cantar junto. Excelente música. A segunda, “The Spell”, é quase AOR, bem diferente da primeira, mas igualmente boa. Aliás, em várias faixas você vai encontrar refrões de fácil assimilação, característicos do AOR. Mas você quer metal? Então tá, escute “The Grand Ilusion” (coincidentemente o nome de um disco do Styx que abusa das passagens AOR também), “Beyond the Gates” e “Deliver Us From Evil”.

Tenho certeza que a sorte dos caras foi definida quando eles escolheram o nome Demon. A exemplo do que aconteceu com o Satan, dificilmente eles alcançariam sucesso comercial com esse nome, e sem sucesso comercial sabemos que nenhuma banda chega a ser reconhecida - porque competência eles tinham.

Apesar de serem de certo modo desconhecidos, o grupo não seguiu o caminho de vários outros, ou seja, não lançou um ou dois álbuns, se separou e depois voltou recentemente com o revival do estilo. A banda continuou, com uma mudança no som e na temática das letras e diversas modificações em seu line-up, apesar do pouco reconhecimento, até seu décimo álbum, lançado em 1992. Após isso, uma parada de quase dez anos, e aí sim um retorno para gravação de outro álbum em 2001.

Whitchfinder General – Friends of Hell (1983)

Toda vez que você ler algo sobre o Whitchfinder General vai ouvir duas coisas: uma é que eles seguiram os passos do Black Sabbath, e a outra é que eles são os precursores do doom metal. Já na audição da primeira música desse disco você vai dar razão para os dois argumentos.

Para quem já ouviu o primeiro álbum,
Death Penalty (1982), vai logo perceber que este nada mais é do que uma continuação do que estava sendo feito. A impressão que dá é que eles compuseram os dois discos ao mesmo tempo e só dividiram as músicas. Os vereditos sobre qual é o melhor variam muito, mas se tiver que escolher eu fico com esse.

As opiniões sobre a faixa “Music” são muito distintas. Uns falam que é uma porcaria por ser uma tentativa de fazer uma música mais pop, outros dizem que é uma composição forte que fez aumentar a atenção para a banda. Sinceramente, acho que o destaque do disco não é esse, então acabo não tendo uma opinião formada. É legal, mas não tão legal quanto as outras.

Fico imaginando a capa desse álbum em LP. Tenho certeza que os moleques escondiam essa capa para não levarem bronca da mãe. Ambos os discos lançados pelo grupo nessa época tinham capas com mulheres seminuas sendo de alguma maneira atacadas pelos componentes da banda. A temática também devia fazer as mães “adorarem” o grupo: sexo, drogas, rock, cerveja e um pouquinho de satanismo para temperar – enfim, tudo o que os pais esperam que um adolescente ouça.

Raven – All for One (1983)

Não confundir esse disco com o
One for All de 2000, que é bem fraco. Eu fazia muito essa confusão. Inclusive comprei o de 2000 achando que era o de 1983.

O Raven tinha uma apresentação bastante energética, tanto que começaram a falar que eles faziam um “athlectic metal”, que é inclusive o nome de uma das faixas do disco. Coisa de quem gosta de inventar. A banda tem como cerne os irmão Gallagher (não confundir com os irmãos Gallagher brigões do Oasis) - John, baixo e voz, e Mark, guitarras .

O som lembra muito o Accept, principalmente as guitarras. Inclusive, na edição de relançamento desse disco há um cover de “Born to Be Wild” com a participação de Udo nos vocais.

Nos álbuns de estúdio é muito perceptível a gravação de uma guitarra base para preencher mais o som. Isso não é problema nenhum, a maioria das bandas seguem esse expediente. Porém, no caso do Raven a segunda guitarra está muito na cara. Nunca ouvi a banda ao vivo, então não sei se essa guitarra fazia falta ou não.

Muito podem dizer que o melhor álbum do grupo é
Rock Until You Drop (1981) ou até mesmo Wiped Out (1982), ambos anteriores a All for One, mas foi com esse disco que conheci a banda e é o que mais gosto.

O álbum abre com a porrada “Take Control”, e ao longo do LP há várias músicas que farão aqueles que gostam de metal e não conhecem o Raven se tornar emnovos fãs, como a faixa título, a densa e arrastada “Run Silent Run Deep” (que toda vez me faz lembrar e ficar com vontade de ouvir a “Running Sillent Running Deep” do Iron Maiden) e “Seek & Destroy” (não, não é um cover).

Satan – Court in the Act (1983)

Esse álbum é muito conhecido pelos fãs de heavy metal em geral, não só pelos que gostam da NWOBHM. Simplesmente define o movimento inglês. Se você quiser apresentar o estilo para alguém, esse é um ótimo início. Ouça a faixa de abertura, “Trial By Fire” (como as bandas de metal gostam das palavras “fire”, “steel”, “dark”, não é mesmo?) e comprove.

Porém, a falta de sucesso do Satan se deve pelo momento infeliz da escolha do nome, exatamente como aconteceu com o Demon. Na época de lançamento esse foi um dos discos mais extremos do movimento. Isso, somado ao nome da banda, deve ter assustado muita gente, em especial gravadoras e produtores de shows.

Sempre leio alguma coisa relacionada com uma possível má produção do álbum, mas sinceramente não vejo problema nesse caso. A sonoridade é talvez um pouco datada, mas dá para ouvir tudo certinho, guitarras, baixo, bateria e a bela voz de Brian Ross, que também é famoso por uma outra banda importante do estilo, o Blitzkrieg.

A velocidade é algo que eles prezavam. Bons exemplos são “No Turning Back” e “Break Free”, com seu longo solo de três minutos. Ouvindo o disco conseguimos identificar vários elementos que seriam usados futuramente nas bandas de thrash, power, metal melódico, etc, provando a importância do Satan.

Jaguar – Power Games (1983)

Diferentemente da capa de gosto duvidoso, o disco é muito bom. O Jaguar é um exemplo de banda que após um discaço tentou aliviar um pouco o som, parecido com o que o Def Leppard fez. Porém, nesse caso não deu certo, e o grupo acabou pouco anos depois.

Atualmente a banda está na ativa, já que o sucesso desse álbum com o pessoal que só foi conhecer o Jaguar recentemente fez com que a reunião se tornasse possível, tamanho o interesse que causa ao ouvir o disco. Depois desse retorno eles gravaram alguns álbuns que, sinceramente, não ouvi e não posso opinar.

É difícil citar os destaques, já que as músicas são todas muito regulares, mas a faixa de abertura “Dutch Connection”, “No Lies” e “War Machine”(que só tem no relançamento) talvez sejam os maiores destaques. Escutem o disco e me digam quais são as suas preferidas.

A gravação não é das melhores, mas a qualidade das músicas se sobressai a isso. Para quem ouvir e tiver o interesse em adquirir o álbum, sugiro que não o faça. Como assim?!!? Explico: sugiro que procurem
Power Games: The Anthology, CD duplo que possui os dois primeiros álbuns mais os compactos que foram gravados antes do lançamento dos discos, além dos extras das edições avulsas. Vale a pena para quem não vai se interessar em ter tudo do Jaguar.

Tank – Honour & Blood (1984)

Quarto disco da banda, que possui pelo menos outros dois bons trabalhos nessa fase inicial da NWOBHM. Esse álbum me lembra muito o Running Wild. Os riffs bem marcados (que em alguns momentos também lembram Judas Priest) e, principalmente, a voz rouca de Alasdair Mackie "Algy" Ward. O Tank é uma influência para o Running Wild? Nunca li nada sobre isso. Se levarmos em consideração a questão temporal, é possível que a resposta seja sim. Ainda sobre a voz, deve ser essa diferença entre estilos que mais fez os fãs torcerem o nariz para a entrada de Dooggie White, com sua voz mais limpa, nesse último disco lançado em 2010,
War Machine.

O disco abre com “The War Drag Ever On” como uma introdução de teclado que certamente foi composta por quem não é tecladista, acompanhada de uma guitarra que mostra logo de cara que os riffs cavalgados que tanto caracterizam a NWOBHM estarão presentes. De um modo geral as melodias de guitarras (gêmeas, como manda o figurino) em todas as músicas são muito legais, e tenho certeza que se fossem feitas por alguma banda mais renomada seriam ovacionadas pelos fãs. O coral do refrão da faixa título é algo que os grupos de power metal estão cansados de fazer atualmente. “W.M.L.A.” é lenta sem ser uma balada, e o refrão de “Too Tired to Wait For Love” é daqueles que demoram a sair da cabeça.

Tokyo Blade – Night of the Blade (1984)

Na minha opinião, o maior destaque desse disco é a excelente voz de Vicki Wright, que tinha acabado de entrar no grupo. Muitos vocalistas das inúmeras bandas de metal melódico que surgiram nos anos noventa certamente escutavam esse pálbum cantando junto enquanto tomavam banho. Toda vez que escuto o disco fico cantando a faixa título durante um bom tempo. Outra que faz eu lembrar do seu refrão por dias é “Lovestruck” (“Love struck, overload, I’m losing my head over you”).

A banda não teve um sucesso maior por ter inúmeras trocas de componentes e por ter gravado discos irregulares a partir de 1985. Por irregulares entendam “com a intenção de atingir o mercado norte-americano” (mais uma que foi na cola do Def Leppard). Antes disso foram três álbuns que podem ser classificados como muito bons a excelentes. Pelo menos esse em questão eu colocaria entre os melhores do estilo.

O ponto fraco é o fato de o disco de ter apenas 34 minutos de duração. Para os que conseguirem encontrar a versão de relançamento, podem usufruir de uma faixa bônus que aumenta a duração do álbum mais um pouquinho. Se você não conhece a banda ou só conhece outros discos deles, procure-o urgentemente.

Cloven Hoof – Cloven Hoof (1984)

Esse é um disco que dificilmente alguém vai falar que é imprescindível na sua coleção, porém, todas as características do estilo estão nele. Vocais e letras épicas, mudanças de tempos e bons riffs de guitarra. Tenho certeza que se você estiver ouvindo esse álbum pela primeira vez não vai ter dúvida que está escutando mais um trabalho da época de ouro da NWOBHM. Então esse é um disco que soa datado? Eu diria que sim.

Uma das coisas que o heavy metal herdou do punk nessa época foi a questão do “faça você mesmo”. Isso explica um pouco a gravação fraca de muitos LPs de bandas iniciantes. Esse é um ótimo exemplo disso. Os efeitos de distorção das guitarras não dão o peso que deveriam, mas se você fizer a ressalva que fiz acima tenho certeza que não vai se importar.

O destaque é a épica “Gates of Gehenna”, que é precedida pela faixa instrumental “March of the Damned”, tem vocais em falsete, corais ao fundo, passagens inspiradas de guitarra e um ótimo solo. Escutem o disco e me digam se faltou ou não um pouco de bom gosto em “Crack the Whip”. Talvez este seja o único ponto negativo do play. Porém, essa falha nem é lembrada devido às músicas seguintes: “Laying Down the Law”, com um refrão feito para ser tocado ao vivo, e a arrastada “Return to the Passover”.

Se é imprescindível ou não decida você mesmo, mas tenho certeza que este disco será um diferencial na sua coleção.

Hellion Records lança álbum ao vivo de Dio gravado no Festival de Donington

sexta-feira, outubro 22, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room

Boa notícia para os colecionadores brasileiros: a Hellion Records, uma das principais gravadoras brasileiras dedicadas à música pesada, fechou um contrato com a Niji Entertainment, empresa fundada por Ronnie James Dio e sua esposa Wendy, e vai lançar no Brasil o aguardado álbum duplo ao vivo Dio at Donington UK: Live 1983 & 1987.

O disco chegará às lojas na metade de novembro, em uma edição digipack de luxo. O tracklist contém nada mais nada menos que 25 músicas gravadas por Dio no lendário festival, incluindo clássicos como "Stargazer" e "Long Live Rock'n'Roll" do Rainbow, "Neon Knights" e "Heaven and Hell" do Black Sabbath, e, é claro, "Stand Up and Shout", "Holy Diver" e outras maravilhas de sua carreira solo.


Além disso, a Hellion anunciou também que lançará em nosso mercado o álbum Bitten by the Beast, gravado por David Feinstein, líder do The Rods e primo de Dio - os dois chegaram a tocar juntos nas primeiras encarnações do Elf. O disco conta com a participação de Dio na faixa "Metal Will Never Die", que já está sendo considerada por muitos como a "nova música" do eterno vocalista. O lançamento de Bitten by the Beast está programado para o final de novembro.


Confira abaixo o tracklist completo do ao vivo
Dio at Donington UK: Live 1983 & 1987:

CD 1 - 1983
1. Stand Up And Shout
2. Straight Through The Heart
3. Children Of The Sea
4. Rainbow In The Dark
5. Holy Diver
6. Drum Solo
7. Stargazer
8. Guitar Solo
9. Heaven & Hell
10. Man On The Silver Mountain
11. Starstruck
12. Man On The Silver Mountain (Reprise)

CD 2 - 1987
1. Dream Evil
2. Neon Knights
3. Naked In The Rain
4. Rock 'n' Roll Children
5. Long Live Rock 'n' Roll
6. The Last In Line
7. Children of the Sea
8. Holy Diver
9. Heaven & Hell
10. Man On The Silver Mountain
11. All The Fools Sailed Away
12. The Last In Line (Reprise)
13. Rainbow in the Dark

Clássicos da Apple Records relançados em edições especiais

sexta-feira, outubro 22, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room

Em 1968 os Beatles criaram a Apple Records, gravadora pela qual pretendiam lançar discos de bandas interessantes no mercado, incluindo grupos de rock, mas não se limitando apenas a esse gênero.

Ao longo dos anos a Apple colocou no mercado dezenas de álbuns marcantes de artistas como Badfinger, Modern Jazz Quartet, Billy Preston, Ravi Shankar, James Taylor e outros, além, é claro, dos Lps gravados pelos próprios Beatles no período.

Agora parte desse excelente acervo retornará às lojas em edições especiais. O padrão gráfico segue a mesma cara da
recente reedição da discografia do Fab Four, em luxuosas versões digipacks. Os álbuns foram remasterizados pela mesma equipe que remasterizou os álbuns dos Beatles.

Os discos chegam às lojas norte-americanas no próximo dia 25 de outubro, e, além disso, os álbuns relançados também foram reunidos em uma caixa limitada chamada
Apple Records Box Set e também em uma compilação intitulada Come and Get It: The Best of Apple Records.


Confira abaixo a lista com todos os álbuns que estão sendo relançados:

James Taylor -
James Taylor (1968)
Badfinger -
Magic Christian Music (1970)
Badfinger -
No Dice (1970)
Badfinger -
Straight Up (1972)
Badfinger -
Ass (1974)
Mary Hopkin -
Post Card (1969)
Mary Hopkin -
Earth Song, Ocean Song (1971)
Billy Preston -
That's the Way God Planned It (1969)
Billy Preston -
Encouraging Words (1970)
Doris Troy -
Doris Troy (1970)
Jackie Lomax -
Is This What You Want? (1968)
Modern Jazz Quartet -
Under the Jasmin Tree (1968)
Modern Jazz Quartet -
Space (1969)
John Tavener -
The Whale (1970)
John Tavener -
Celtic Requiem (1971)

21 de out de 2010

Coluna do Batalha: MTV, eu vi

quinta-feira, outubro 21, 2010

Por Ricardo Batalha
Redator-chefa da revista
Roadie Crew e Colecionador


A alegria durou pouco, mas nos pareceu uma eternidade. Os coroas estavam a mil tentando descobrir uma forma de ganhar dinheiro, já que o Plano Collor confiscou a poupança bancária de boa parte dos brasileiros. E nós, os mais jovens, estávamos preocupados em tentar achar um jeito para conseguir sintonizar aquele "canal americano que rola som o dia inteiro". A partir de 20 de outubro de 1990 não importava como, seja com sintonizador de UHF ou um pedaço de Bombril, todo mundo queria conferir aquela emissora.

Confesso que foi muito complicado começar a gravar os videoclipes em vídeo, especialmente os do saudoso
Fúria Metal, apresentado pelo ex-advogado Gastão Moreira – qualquer semelhança com este que vos escreve é mera coincidência. Em todo caso, o fã do Monster Magnet e ex-companheiro do meu amigo baterista Ricardo Confessori na banda Witchcraft, ia nos brindando com o que havia de mais legal e novo no mundo metal.


Além dos clipes, quando a emissora efetivamente pegou, foram abrindo espaço para entrevistas e matérias especiais quando atrações de peso visitavam o nosso país. Não tão frequente como a absurda e, até certo ponto, improvável enxurrada de shows que assola o país hoje em dia, cada evento era realmente um grande acontecimento. Movimentava todos com enorme euforia. Mais ainda para eles, os profissionais da MTV, que estavam descobrindo a melhor forma de trabalhar e abordar estes assuntos ao público jovem, algo que tempos depois nós, da
Roadie Crew, também vivenciamos.

Não seria exagero dizer que a MTV Brasil fez com que Metallica, Guns N'Roses, Skid Row, Bon Jovi, Sepultura, Faith No More, Living Colour, Pantera, Aerosmith e algumas outras bandas incrivelmente atingissem o status de 'cool' no país do samba. Só que era justamente aí que morava o perigo. Ninguém tinha consciência, mas a turma dos "in" (descolados) começou a trabalhar tramando o passo seguinte, aquilo que substituiria o que nós tanto gostávamos. A turma dos camisa de flanela chegou e aí a MTV se tornou a NTV, mudando aos poucos o seu foco e, anos depois, descambando de vez para o precipício. Claro que estou focando exclusivamente no nosso lado, o do heavy metal.

A massificação fez a sua parte e o que antes era marginal entrou na moda. Porém, o que entra na moda tem prazo de validade, e aquilo que era legal se tornou motivo de chacota. Hoje, quando lembram que o heavy metal existe ou é parar tripudiar ou relembrar os feitos das bandas acima mencionadas que, milagrosamente – ou propositadamente –, conseguiram suplantar o efeito NTV e a linha "severa" da brasilidade exacerbada. Se existe algum problema para abordar o assunto que hoje ninguém mais tem a menor noção na emissora, algum "in"(die) deve dar um berro na redação: "Ah, é sobre isso? Então, chama o Andreas Kisser!".


A noção da fidelidade e da forma passional na relação dos fãs com o heavy metal pode ter mudado, mas ainda me lembro do ódio de todos os meus amigos no pós-
Rock in Rio de 1985, quando confundiam o Língua de Trapo com grupos de metal. O Festival dos Festivais foi um prato cheio para satirizar os "metaleiros", termo que qualificou de forma caricata o fã de metal. Assim, nada mais coerente do que o caricato Língua de Trapo ter ficado entre os doze finalistas com a música "Os Metaleiros Também Amam". Aí você pode pensar: "nossa que radicalismo bobo". Sim, bobo. Realmente bobo. Espera aí ... Como diria o saudoso Costinha, me lembrei de outra que vem mais a calhar. Ainda na fase Rock in Rio, a comédia infantil Os Trapalhões no Reino da Fantasia (1985) mostrou o quarteto humorístico Didi, Dedé, Mussum e Zacarias parodiando uma banda de heavy metal e encenando o show do Heavy Traps, com referências diretas ao AC/DC. Fazendo uma analogia aos nossos tempos, mais um ponto para a NTV, que reviveu a paródia com seu digno representante do mais puro metal: Massacration.

Embora alguns sejam verdadeiros fãs do estilo e grandes comediantes, o desserviço prestado pelos hoje Legendários será incalculável. Mais do que o Viper quando tentou seguir os passos do Raimundos com sua fase "rock nacional pesado". E todos sabem, após se tornar uma megabanda, a banda de Brasília sumiu embalada pela fé de seu ex-frontman. A outra fez sua parte, levando meu amigo e ex-colega de faculdade de Direito, Oswaldo Yves Passarell, ao Capital Inicial. Olha como são as coisas: enquanto o vocalista Dinho queria soar mais pesado com seu projeto solo Vertigo, Oswaldo estava no auge do sucesso com o Viper mas ficava mais preocupado com as provas da faculdade do que com qualquer outra coisa. Chega de divagações, prometo que vou parar de entregar alguns segredos por aqui.


Bem, como diria aquele narrador esportivo, "o tempo passa", mas os objetivos da emissora de atingir um público jovem foram plenamente atingidos. Os profissionais que por lá passaram hoje têm grande respeito na mídia brasileira. Merecidamente, diga-se. E mais, também não seria exagero dizer que a primeira emissora de TV segmentada do país salvou a vida do meu amigo João Francisco Benedan. Se o saldo da NTV é amargo para quem gosta de heavy metal, pelo menos nesta leva um dez de dimensões gordas.

Ah, antes dos parabéns, não poderia deixar de lado uma curiosidade: apenas cinco dias depois de entrar no ar pela primeira vez há vinte anos, nascia o hoje ator e cantor Fiuk, digno representante do atual momento da NTV. Parabéns. E basta.

20 de out de 2010

Perpetual Dreams - The Eternal Riddle (2010)

quarta-feira, outubro 20, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room

Cotação: ***1/2

Terceiro álbum do Perpetual Dreams, The Eternal Riddle mostra a banda catarinense trilhando caminhos até então inéditos em sua carreira. Ao contrário do trabalho anterior, Arena (2005), que apresentava uma sonoridade bastante influenciada pelo Rainbow, o novo disco tem um revigorante acento hard rock que caiu como uma luva na música do grupo.

Liderado pelo ótimo guitarrista Deny Bonfante, o Perpetual Dreams mostra maturidade de sobra em seu novo álbum.“Hotter Than Fire” abre os trabalhos com um muito bem-vindo tempero setentista. A excelente “Broken Mirros” é um hard rock numa linha mais AOR, e trilha com maestria um caminho que pouquíssimas bandas brasileiras já se aventuraram.

“Strong Like a Storm” tem um riff inspirado e ótimo refrão, enquanto “Devil Woman” é outro momento alto do disco, um hardão bem oitentista com uma exemplar performance do vocalista Eduardo D´Ávila.

O clima AOR volta à ordem do dia em “Blood Diamond”, com solos de guitarra e passagens criativas do tecladista Jan Findeiss. O peso e o andamento quebrado chamam a atenção em “Under”, enquanto “Hold On” é uma balada tropical e refrescante, onde o guitarrista Deny Bonfante mais uma vez se destaca.

O álbum fecha com as duas partes de “Shine Your Pride”. A primeira, instrumental, introduz a segunda, com excelentes e pesadas guitarras que, turbinadas pelas ótimas linhas vocais e o arranjo bem elaborado - que apresenta uma indisfarçável influência prog - fecham o disco no mais alto nível.

Como ponto negativo, devo dizer que a produção, a cargo do próprio Deny Bonfante, ficou devendo um pouco e poderia ser melhor. Outro ponto discutível recai sobre o timbre dos teclados, ultrapassados e plastificados em certos momentos. Mas esses dois aspectos não comprometem a qualidade do trabalho.

Inegavelmente, The Eternal Riddle é um álbum muito bom, com algumas faixas excelentes – “Broken Mirrrors” e “Devil Woman” -, que atestam, mais uma vez, o talento do Perpetual Dreams. Sinceramente, tenho convicção de que se a banda estivesse em um grande centro como São Paulo e não escondida em Santa Catarina, o reconhecimento da mídia especializada em relação ao trabalho dos caras seria infinitamente maior.

Qualidade para isso o Perpetual Dreams já mostrou que tem de sobra!


Faixas:
1 Hotter Than Fire
2 Broken Mirrors
3 Strong Like a Storm
4 Between Lies and Truth
5 Devil Woman
6 Blood Diamond
7 Under
8 Hold On
9 Shine Your Pride - Part 1
10 Shine Your Pride - Part 2

Collector´s Revisited: Rafael Serrante

quarta-feira, outubro 20, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room

Comemorando os dois anos do site da Collector´s Room e os cinco anos da estreia da coluna no Whiplash, estamos iniciando uma nova seção. Na Collector´s Revisited iremos bater um papo com os colecionadores que mostraram os seus discos para a gente nos tempos em que a coluna existia apenas no Whiplash. Iremos ver o quanto suas coleções mudaram, cresceram, se transformaram.

Para a estreia da Collector´s Revisited ninguém melhor que Rafael Serrante, o cara que estreou a Collector´s, em setembro de 2005, lá no Whiplash. Para ler a entrevista que fiz com o Serrante naquela época, clique aqui.

Então, acomode-se na cadeira e boa leitura!

Rafael, quando tive a ideia de criar a Collector´s Room, o primeiro colecionador que me veio à cabeça foi você, pois acompanhava – e invejava - a sua coleção do Iron Maiden. A sua entrevista, publicada em setembro de 2005 no Whiplash, foi a primeira de todas e deu início efetivamente à Collector´s Room, sendo o marco zero de tudo isso. O que mudou ao mostrar a sua coleção para um grupo tão grande de pessoas – só pra você ter ideia, a sua entrevista já foi lida por mais de 60 mil pessoas?

E aí galera da
Collector’s Room! Muito legal saber desses números. Na verdade não mudou muita coisa, apenas mais pessoas querendo me conhecer, saber como consegui determinado item, essas coisas. A cada dia o numero de fãs de Iron Maiden se multiplica, até mais que nos anos oitenta. Em consequência disso, mais pessoas se interessam por qualquer coleção que esteja divulgada por aí.

Naquela época, a sua coleção contava com 1.063 CDs, sendo 524 deles do Iron Maiden. Imagina que ela tenha crescido bastante nestes últimos cinco anos. Quantos discos você tem hoje em dia?

Ricardo, parei de contar quantos CDs eu tenho. Todo item que compro eu salvo em um arquivo que tenho gravado no computador. Ou seja, tenho tudo documentado, mas depois de uns anos parei de contar.


A sua coleção ainda é focada primordialmente em itens relacionados ao Iron Maiden ou você iniciou alguma outra coleção dedicada a outro artista neste período?

Eu comecei a colecionar CDs de outras bandas também. Compro toda a discografia na versão japonesa das bandas que curto. Claro que não dá pra ter tudo sempre, até porque tem CDs que não saíram no Japão. Aí eu dou preferência para alguma edição especial, que vem com DVD junto, digipack, box, etc. Ou seja, que tenha algum diferencial a mais. Tenho quase tudo (ou tudo) em CDs japoneses das bandas Annihilator, Anthrax, Arch Enemy, Ark, Bruce Dickinson, Carcass, Death, Death Angel, Destruction, Dream Theater, Exodus, Forbidden, Halford, Helloween, Heathen, King Diamond, Megadeth, Mercyful Fate, Metallica, Nevermore, Overkill, Pantera, Queensryche, Sanctuary, Slayer, etc.

Quando te entrevistei da primeira vez, você me contou que os itens mais valiosos da sua coleção eram o box The First Ten Years japonês e o Disco de Ouro do Piece of Mind que você tinha. Hoje, eles continuam sendo os maiorais do seu acervo ou ganharam a companhia de outros itens tão ou mais desejados?

Sim, do Maiden continuam sendo esses sim, além dos CDs comemorativos.

Você guarda os seus discos da mesma maneira que no passado ou mudou a maneira de organizar a sua coleção?

Ainda guardo da mesma maneira. CDs japoneses dentro de um saquinho e em um suporte próprio para CDs que se encaixam um no outro, formando uma estante.


Imagino que, entre todos os discos que você possui, seus itens favoritos vão variando de tempos em tempos. Quais são, hoje, seus itens favoritos na coleção?

Do Iron Maiden eu dei uma renovada do meu guarda-roupa. Comprei mais camisetas, algumas pólos (oficiais) bem bonitas. Jaquetas também. Gosto bastante da miniatura do Ed Force One (avião), canecas, bonecos do Eddie e CDs comemorativos.

De outras bandas tem vários itens que são meus preferidos, a maioria box sets. Impossível listar tudo! Citando alguns exemplos:

Box Artillery Through the Years
Box Arch enemy: Tyrants of the Rising Sun: Live in Japan
DVD Death: Live in Eindhoven ’98 (para arrecadar fundos para tratamento de Chuck)
O primeiro e segundo CD do fan club do Dream Theater
Exodus: The Atrocity Exhibition Exhibit A (Bloodpacj Edition CD)
Box Exodus: Shovel Headed Tour Machine
Box Megadeth: Warchest
Box Megadeth: Criptic Writings promo autografado pelo Mustaine
Box Nevermore: The Year of the Voyager
Box Iced Earth: Slave to the Dark
Box Slayer : Soundtrack to the Apocalypse - Lacrado

Na época da primeira entrevista você estava atrás de alguns itens que faltavam na sua coleção, como singles japoneses e mexicanos e box promos. Você conseguiu adquirir esses itens durante esse período?

Ainda não. O problema desses itens é que são muito difíceis de encontrar à venda, e quando aparecem é aquela fortuna, e muitos colecionadores participando do leilão. Mas continuo na busca! Ebay é a melhor opção.

Uma das principais características da sua coleção eram as diferentes versões de um mesmo álbum, o que chamou a atenção dos leitores. Você ainda continua com isso? De qual disco você tem mais versões?

Não continuo. Eu vendi várias versões do mesmo disco de estúdio. Só tenho as versão japonesas, que vem com um encarte a mais e com o obi. Tenho também aquela coleção de CDs duplos do Iron Maiden que vem com single e obi preto, e os mini LPs americanos e japoneses. Mas o resto continua comigo e nem penso em vender: singles, tributos, coletâneas, bootlegs, etc.


Durante todo o tempo em que a Collector´s existe entrevistamos vários colecionadores do Iron Maiden. Na sua opinião, porque a banda atrai tantos colecionadores?

Cara, Iron Maiden é uma entidade da música pesada. Difícil explicar. Só quem é fã entende. O último DVD
Flight 666 mostra muito bem isso. A paixão dos fãs é igual a esses fanáticos por futebol. Mas o curioso é que cada vez mais a faixa etária dos fãs vem diminuindo, ou seja, a molecada mais nova está descobrindo a banda.

Na sua opinião, o que torna uma coleção diferenciada?

O próprio nome diz - diferenciado, o que não é normal. Eu acho uma coleção com chinelos, canecas, instrumentos usados pela banda, perfume, até pinball, bem diferente.

Rafael, você não pensa em mostrar a sua coleção em exposições pelo Brasil?

Não é uma má ideia, mas envolve uma série de fatores que tem que ser observados, como local, como os itens serão exposto ao público, etc. Se for aquelas exposições em que todo mundo coloca a mão, acredito que não só eu, mas todo colecionador não vai querer expor!

Concordo contigo nessa última observação. Sei que você já teve contato direto com os integrantes do Iron Maiden, seguindo a banda em suas turnês pelo Brasil. Eles sabem da existência da sua coleção?

Sempre quando tem show do Maiden aqui reúno uma galera de amigos e vamos no hotel em que a banda está hospedada, ou em algum barzinho. É chato chegar pra conversar com eles sem que você não domine o inglês, então procuro não incomodá-los. Apenas tirando uma foto e pegando uns autógrafos eu já fico plenamente satisfeito. Agora, o que tem de fãs pegajosos é brincadeira ... Tem muita gente que não se toca e até deixa alguém da banda em situação constrangedora. Mas voltando a sua pergunta, sei que o Bruce sabe que fui eu que apareço no DVD
Rock in Rio subindo no palco.


Você conhece e tem contato com diversos colecionadores ao redor do mundo. Sabe dizer quem é o maior colecionador de materiais do Iron Maiden do planeta?

É difícil saber quem é o maior, ainda mais em se tratando de uma banda tão grande como é o Iron Maiden. No Brasil, conheço o André Dellamanha. No mundo, tem esse maluco chamado Rasmus, da Dinamarca. Nem vou falar nada,
apenas olhem esse link.

Para quem tem tudo do Maiden como você, o que a banda deveria lançar para atrair a sua atenção, atiçando aquela vontade absurda de comprar um item?

Qualquer disco que eles lançarem eu compro. Mas uma ideia legal é fazer o que o Dream Theater fez em seu último álbum: uma edição especial contendo um ticket, em que o fã poderia achar um ingresso para conhecer a banda antes de algum show. Isso seria ótimo! Imagino que muitos fãs iriam comprar várias unidades disso, apenas pra terem mais chances de achar esse tesouro. Afinal, qual fã não gostaria de conhecer os caras?

Ao longo dos anos foram lançadas diversas versões da discografia do Iron Maiden. Qual é a sua preferida entre todas elas? E em que formato você gostaria de ver os discos da banda relançados?

Minha versão favorita são as réplicas de LP japoneses. São réplicas perfeitas dos antigos LPs, com o mesmo encarte, obis, e tudo. São lindos! O que não acho legal é esse lance de “álbum digitial”, iTunes, etc.

Você ainda conserva a mesma paixão pelo Iron Maiden de quando começou a sua coleção?

Em relação aos discos de estúdio, na minha opinião, eles mudaram bastante – e para pior. Discos como
Dance of Death, A Matter of Life and Death e The Final Frontier nem chegam aos pés de The Number of the Beast, Piece of Mind, Powerslave e Seventh Son of a Seventh Son. Sim, eu sei que a banda não vive do passado, que eles querem renovar e bla bla bla, mas discos como esses que citei são insuperáveis, e hoje eles estão em outro caminho bem diferente.


Que coleção você conheceu, aqui na Collector´s ou em suas andanças, que te fez ficar babando de inveja?

Gosto das entrevistas que são focadas em apenas uma banda. Nela podemos ver diferentes formatos do mesmo artista. Destaco a do
Kiss, Scorpions, Def Leppard, Ozzy, Motley Crue, Bon Jovi e Nazareth.

Qual a importância dos colecionadores para as bandas e para a indústria da música?

Somos nós que mantemos essa indústria viva, não somos? Nem vou entrar na discussão de MP3 x CD original, pois isso não leva a nada. Mas pra mim nada substitui o CD original.

Rafael, obrigado mais uma vez por essa nova entrevista, deixe um recado para os leitores da Collector´s Room.

Eu que agradeço. Parabéns pela Collector’s Room.

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