12 de nov de 2010

Os Armênios estreiam koluna na Collector’s Room!

sexta-feira, novembro 12, 2010

Por Rodrigo de Andrade (GARRAS)
Jornalista e Historiador
Editor de Os Armênios


É com imenso prazer que Os Armênios passam a ter uma koluna na Collector’s Room. Na verdade, já faz algum tempo que os dois sites trocam material. Mas agora, atendendo ao gentil convite do incansável e sábio Ricardo Seelig, nossa participação será mais frequente e ativa. Por sugestão dele, apresento em linhas gerais Os Armênios aos leitores da Collector’s Room.

Os Armênios surgiram na internet no primeiro semestre de 2006. Desde então, com alguns ajustes de rota, vem oferecendo ao público aquilo que chamamos de (anti)jornalismo (contra)cultural. O conteúdo do site é produzido por colaboradores e uma equipe de redatores e editores que são estudantes de comunicação social ou jornalistas já formados. Assim, fazem da página uma espécie de laboratório prático para, com embasamento teórico, testar alguns limites e lugares comuns do paradigma jornalístico brasileiro. Em outras palavras: Os Armênios propositalmente cometem algumas heresias jornalísticas, tendo em vista o modelo ensinado nas faculdades de comunicação social e praticado pela imprensa “oficial” brasileira.

Os Armênios se dedicam principalmente a quatro editorias: cinema, literatura, quadrinhos e rock. Ainda assim, outros temas — como mangás, animes e RPG — aparecem eventualmente no site. Procuramos dar atenção especial para as pautas que possuem fundamentos na contracultura, ou seja, assuntos e temas que carreguem de alguma forma um teor contestador e revolucionário, normalmente escamoteados da mídia tradicional.

No âmbito musical, Os Armênios se dedicam exclusivamente ao gênero rock. E é principalmente material desse tipo que você poderá conferir em nossa koluna aqui na Collector’s Room.

Mais uma vez, gostaria de agradecer ao editor Ricardo Seelig pelo espaço disponibilizado. E espero que os leitores curtam realmente o material.

Rock and roll will never die!

Os Armênios - Some Time in the City: disco renegado é o caralho!

sexta-feira, novembro 12, 2010

Por Rodrigo de Andrade (GARRAS)
Jornalista e Historiador
Editor d'Os Armênios

Quando se procura material sobre a carreira solo de John Lennon, um álbum em particular é pouco documentado - ao menos com textos em português. Trata-se de Some Time in New York City, disco duplo lançado em 1972. Os motivos dessa carência de informações são vários. Porém, é de se estranhar que um LP tão rico em histórias, controvérsias, curiosidades e – principalmente - música seja tratado com tão pouca importância pelos fãs, críticos e jornalistas musicais.

Em primeiro lugar, é providencial fazer uma rápida retomada da discografia de Lennon até então. Assim, temos os clássicos feitos com os Beatles, quatro trabalhos “alternativos” em parceria com Yoko (antes da separação oficial dos quatro cabeleiras) e dois discos solos geniais (Plastic Ono Band e Imagine, de 1970 e 1971 respectivamente). Porém, pela primeira vez desde a separação da maior banda da terra era lançado um álbum comercial creditado com a parceria da esposa. Os quatro LPs anteriores feitos pela dupla eram de caráter experimental, com baixa tiragem e distribuição. Por isso, a carreira solo de John começa a ser considerada a partir do rompimento com Paul, George e Ringo.

Yoko foi transformada em Cristo desde que entrou na vida de Lennon. Todos, “amigos”, fãs e a imprensa, culpavam-na por tudo de ruim que acontecia na vida do artista: o divórcio com a “figurante” Cynthia, as brigas, drogas e até o fim da maior banda do mundo era tido como obra da “mulher-dragão” (o termo é da imprensa da época). Não é objetivo desse texto analisar até onde essas acusações são procedentes (mesmo porque outros já fizeram isso), mas é necessário considerar que grande parte do público não via Yoko com bons olhos. Sem dúvida, colocá-la como co-autora afetaria Some Time in New York City de alguma maneira.

O fato é que esse álbum foi um fracasso comercial. A crítica não poupou comentários maldosos. Para completar, John Lennon anunciara publicamente que o segundo disco era um brinde, e por isso não seria cobrado o valor de um LP duplo, o que realmente aconteceu. Porém, o disco era mais caro do que os outros lançamentos da época. Na Inglaterra, por motivos editoriais, levou três meses a mais para ser lançado. No Brasil, Some Time in New York City chegou ao mercado apenas em 1973, e com o preço dobrado mesmo.

Além desses fatores, os mais especuladores chegaram a afirmar que existia toda uma conspiração, por parte do governo, contra o álbum. Isso tudo porque John havia se mudado para Nova York fazia pouco tempo e estava encontrando empecilhos para regularizar o seu visto de permanência no país. Nesse período ocorreu uma série de processos para que Lennon fosse deportado (geralmente envolvendo drogas). Porém, ele recorreu e, depois de muitos trâmites legais, conseguiu permanecer nos Estados Unidos.

Como todo artista famoso, John Lennon era muito paranóico. Vinha afirmando que estava sendo seguido, que seu telefone estava grampeado ... Isso causou tanta repercussão que o governo Nixon chegou a se pronunciar publicamente afirmando que não existia nenhuma implicância com John, e que tudo não passava de bobagem. O que, na verdade, era uma grande mentira. Posteriormente, seriam revelados documentos oficiais que provavam uma perseguição, por parte do FBI, contra a pessoa de Lennon.

Essa preocupação com o artista realmente tinha motivo. Desde que se envolveu com Yoko, John vinha se engajando cada vez mais em atividades políticas, usava e abusava de sua fama a fim de chamar atenção para temas que considerava importante, como a promoção da paz mundial. Os outdoors com “War is Over,” entrevistas ensacados, o Bed-In ... já fazia um bom tempo que os dois conseguiam publicidade para suas causas.

Porém, 1972 foi o auge das manifestações políticas deles, marcado por palestras e protestos. Aliás, o próprio estereótipo de beatnik esquerdista, que Raul Seixas encarna na capa de Gïtã (de 1974), foi firmado pelo John militante desse período. Por todos esses motivos, Lennon era visto como encrenqueiro, agitador e perigoso para a ordem pública. Com sua mudança para Nova York (num apartamento em Greenwich Village, o bairro mais doidão da costa leste, que logo foi transformado em quartel-general para agitadores e revolucionários), o governo ficou temeroso do que ele poderia provocar e cismou em mandá-lo embora do país.


Todo composto nesse ambiente, Some Time in New York City é, sem sombra de dúvida, o disco mais politizado de John. Todas as músicas do primeiro disco (gravado em estúdio) abordam temas políticos. Para acompanhá-lo nas gravações convocou os doidões da Elephant’s Memory. A produção ficou por conta de Phil Spector, que fez o mesmo bom serviço dos álbuns anteriores. Das dez músicas, três foram creditadas como sendo de Yoko, duas de Lennon e as outras cinco como parcerias de ambos. O fato é que, em todas as canções, fica difícil imaginar um trabalhando sem a interferência do outro. Isso porque Yoko não era capaz de compor sozinha, da mesma forma que John sempre dava ouvidos às sugestões da esposa. Um influenciava profundamente o outro, e isso é indiscutível.

Porém, justiça seja feita, existe algo em Some Time in New York City que é, sem sombra de dúvida, digno de nota. Ali, a Yoko até canta. Não é nada extraordinário, que se sobressaia sobre o resto, mas quem já ouviu outras coisas dela entende. A senhora Lennon possui uma voz tão desgrenhada quanto seus cabelos. Até mesmo John já havia comentado sobre a pouca perícia vocal da companheira: “Ela não sustenta!”. Mas aqui não é algo dissonante como em outros registros. Parte dessa “qualidade” se deve aos préstimos de Phil Spector, fazendo jus ao título de produtor lendário. Com um cuidado especial, ele usou alguns recursos nas faixas em que ela cantou: duplicação de vozes, eco, duas gravações de vozes diferentes ou, nos casos mais críticos, metendo a japa como backing vocal e deixando o resto por conta de Lennon mesmo.

Faixa-a-Faixa

Na análise de cada uma das faixas, de cara se percebe o caráter contestatório e politizado da obra. O disco abre com “Woman is the Nigger of the World” (“A Mulher é o Negro do Mundo”), uma tentativa de conscientizar as pessoas contra atitudes machistas. John canta: “A mulher é a escrava dos escravos / E é melhor gritar a respeito disso / Pense a respeito… faça algo sobre isso”. E na sequência vem “Sisters”, o “sisters” de Yoko, onde ela chama “suas irmãs” para “lutarem por liberdade” e assim “aprenderem a construir um novo mundo”. Ou seja, o álbum já abre com temas feministas.

Então, chega hora da rockeira “Attica State”. A canção protestava contra o que havia acontecido na Unidade Carcerária de Attica, em setembro de 1971. Os presos haviam tomado vários guardas como reféns e assumido o controle de várias partes do presídio. As negociações não avançavam e então Nelson Rockfeller, governador do estado de Nova York, ordenou a retomada do pavilhão D. Os guardas invadiram o presídio usando helicópteros, lançaram gás lacrimogêneo e dispararam indiscriminadamente contra a multidão de 1.281 detentos. Nas horas seguintes cometeram atos brutais, espancando, torturando e negando atendimento médico aos reclusos. John e Yoko responderam ao acontecimento com essa canção furiosa de refrão gritante.

A próxima é “Born in a Prison”, segunda canção creditada a Sra Lennon. Começa dizendo que somos mandados para uma prisão chamada escola, e segue mais leve do que a música anterior. Segue a tradição das músicas que criticam o sistema de ensino. Fechando o lado A temos mais um rockão de John. Aliás, todas suas canções nesse disco são basicamente rock (mas rock mesmo!), e como em suas outras composições solo, o refrão é arrebatador: “New York City … New York City ... New York City ... Que pasa New York? Que pasa New York?”. A letra é feita por relatos de situações do cotidiano do casal pela cidade.

O lado B começa com “Sunday Bloody Sunday”, feita pelos dois. Tanto essa quanto a próximo, a belíssima canção folk “The Luck of the Irish”, falam sobre a situação da Irlanda sob domínio do Reino Unido. O país possui até hoje um vasto histórico de manifestações sociais violentas, fruto de conflitos religiosos e políticos. É um lugar onde as pessoas fazem valer o que pensam e o que dizem, nem que seja no tapa.

A música seguinte é outro rock poderoso de Lennon. “John Sinclair” é o nome da faixa e de um dos maiores agitadores dos anos 60 e 70. Poeta, empresário do MC5, escritor, radical de carteirinha, dirigente do movimento Panteras Brancas e ferrenho defensor da legalização da maconha. Estava preso por vendê-la em público. A faixa apresenta um trabalho de steel guitar marcante, e o refrão reproduz o efeito de um disco riscado, o que dá uma personalidade própria à música. “Angela” é a canção seguinte, composta em homenagem a outra ativista política, Angela Davis. Encerrando o disco vem “We’re All Water”, bem mais agitada que as últimas, com a banda numa jam enlouquecida e Yoko fazendo o seu habitual gritedo. Acredite, tem quem goste!

O brinde (Live Jam)

O segundo LP, que vinha como brinde, fora convenientemente batizado de Live Jam. Apresenta dois momentos distintos. As duas faixas do lado A eram creditadas ao casal acompanhado “por um elenco de milhares”. Foram gravadas em dezembro de 1969 no Liceu de Londres. Reza a lenda que havia tantos músicos no palco que a jam foi a maior confusão (é possível notar os “atrapalhos” na gravação). Mas o destaque mesmo ficou por conta de Keith Moon (do The Who) na bateria, Eric Clapton e George Harrison nas guitarras.

Era a primeira execução pública de “Cold Turkey”, e mesmo críticos do álbum declaram se impressionar com o peso e a eloquência da interpretação. John já havia revelado na famosa entrevista para Jan Werner da Rolling Stone que possuía esse registro e tinha vontade de lançá-lo. Aproveitava para tentar explicar o papel de Yoko com as gritarias, justificando que os músicos tocavam com tesão, tentando acompanhar as intervenções bizarras da japonesa. Apesar de ser sensível a interação que se estabelece, poucos tem fôlego para aguentar os 16 minutos de gritaria da pacifista “Don’t Worry Kyoko”. Mesmo assim, a gravação dessas duas faixas não deixa de ser um belo documento desse happening musical com convidados tão especiais, que foi batizado de Plastic Ono Supergroup.

O lado B também guarda uma raridade. Numa apresentação de Frank Zappa e os Mothers, no dia 6 de junho de 1971, John e Yoko sobem ao palco durante o bis. Apesar da qualidade técnica não ser tão boa, o fato dessa ser a única reunião desses artistas num palco por si só já é um evento marcante. E a verdade é que o registro low fi tem seu charme. Juntos, começam tocando uma versão de “Well (Baby Please Don’t Go)”, de Walter Ward, e que os Beatles tocavam nos primórdios, no Cavern Club. Depois dessa, outras três improvisações são feitas em cima de temas que eram tocados mutuamente (tudo com acompanhamento vocal de Yoko). Destaque para “Scumbag”. É um momento raro, e incrível por estar num álbum oficial.

Tratamento gráfico primoroso

A parte gráfica do disco é fenomenal. A capa e contracapa trazem as letras do álbum, ilustradas por fotos e figuras. Tudo foi diagramado para parecer um jornal, o New York Times. Tanto que isso ajudou a complicar a permanência de John nos Estados Unidos.

Internamente, várias fotos da banda e dos eventos ao vivo presentes no disco dois decoram o álbum. O primeiro LP está envolto num envelope negro com as informações técnicas, etc.


O envelope do disco ao vivo é que ficou do caralho. No ano anterior, Zappa & The Mother haviam lançado o ao vivo Fillmore East: June 1971. A capa era totalmente branca, com as informações escritas a lápis. Como as gravações do lado B do segundo disco de John foram feitas no mesmo ano, com a mesma banda e no mesmo lugar, ele usou canetinha vermelha para apenas incluir as informações adicionais e riscar as antigas da capa original dos Mothers. Adicionou o nome dele e de Yoko, bem como os detalhes técnicos necessários. Fez uma riscaria, adicionou frases e brincadeiras e foi daquele jeito mesmo que o encarte ficou. Dá para ficar um tempo tentando se entender em meio aos garranchos e se divertindo. Genial!


Até o selo do disco foi trabalhado. Apresenta uma sequência de fotos de John e Yoko se metamorfoseando um no outro.

Dizem que a primeira edição americana do disco vinha com algumas coisas a mais encartadas. Seria um cartão postal e um envelope com uma carta, para ser assinada e remetida as autoridades americanas pedindo que o casal pudesse permanecer no país. Nunca vi, mas esse tipo de memorabilia tem seu valor hoje.

Reedição de 2005 é porca

Seguindo uma constante tendência de relançar os álbuns de Lennon em versões remasterizadas e, algumas vezes, com faixas bônus, Some Time in New York City ganhou uma reedição em CD em 2005. Entretanto, as três faixas provenientes da apresentação surpresa feita no Fillmore East com Frank Zappa e os Mothers of Invention FORAM LIMADAS!!! Isso aí: excluídas, apagadas, fora!!!

Dizem que a decisão foi da Yoko, visando editar um disco em formato simples, uma vez que a versão em CD duplo sairia com valor elevado. Assim, o lançamento parece capenga. Enquanto a tendência é das reedições saírem como documentos quase históricos, reproduzindo tudo quanto é possível da versão original, o disco saiu com três faixas a menos. Praticamente todo o lado B do disco não existe nessa nova versão.

Em compensação, o som foi restaurado com uma nova masterização, e duas faixas bônus foram incluídas: “Listen the Snow is Falling” e “Happy Xmas (War is Over)”. Era o mínimo por terem limado Zappa e os Freaks. E para a alegria do pessoal do terceiro mundo, essa nova edição foi lançada aqui no Brasil também. Entretanto, além dela, você precisa do vinil para ter todas as faixas. Coisas do rock. Ou melhor: coisas da indústria.

Protesto “Dylaniano”?

Some Time in New York City é o disco mais politizado de John. Os temas variam do feminismo radical ao ativismo negro, dos conflitos da Irlanda às rebeliões nos presídios, e sobra pedrada até para as escolas. Fruto do cenário radical e militante que era Greenwich Village naquele início dos anos setenta (bairro onde o casal Ono Lennon estava morando), o disco remete automaticamente ao universo “dylaniano”. Naquele mesmo lugar, dez anos antes, Bob Dylan surgia para o mundo como um cantor de protesto. Ainda que o ex-Beatle declarasse que há tempos o bardo não era um influência direta, uma obra recheada de canções contestatórias é facilmente vinculada ao poeta.

O fato é que John sempre exerceu uma postura rebelde. Sempre seguiu no sentido oposto ao status quo, ao establishment. Seja pela postura irônica (desde o princípio dos Beatles), pela atitude artística (promovendo happenings de protesto com Yoko), ou mesmo como o cantor de protesto que sempre fora (rockeiro autor de “Revolution”, “Give Peace a Chance”, “Come Together” e “Power to the People”, entre tantas outras). Nesse disco, Lennon apenas levou ao extremo uma faceta que sempre existiu na sua vida e arte.

Não fosse um senhor disco de rock, Some Time in New York City já mereceria crédito e atenção simplesmente por ser a cartada máxima de John em direção a contestação, a contracultura e a rebeldia. Que é o rock senão isso?

Malhado pela crítica, renegado pelos fãs

É dito que esse disco foi um fracasso comercial. Exagero. Ainda que tenha vendido “apenas” 1/3 da quantia que Paul McCartney ou George Harrison no mesmo período, 200 mil cópias é um quantia baixa para um ex-Beatle, mas longe de ser um desastre!

A crítica e a mídia em geral caceteava John de todo jeito, e muitos fãs iam na onda. Não admitiam a nova postura declarada do artista. E para completar, tinha a Yoko no meio. O casal aparecia constantemente nos jornais e na TV, seja por participarem de marchas de protesto ou por irem tocar em programas de auditório onde acabavam batendo boca com o público, que não concordava com a posição assumida em algumas letras. Era o conflito do senso comum que achava que os Beatles eram nada mais além de água-com-açúcar.

Entretanto, o que sem dúvida afetou Some Time in New York City foram Plastic Ono Band e Imagine. O dois discos anteriores, de 1970 e 1971 respectivamente, foram marcantes demais, verdadeiros clássicos do rock!!! Todo artista e banda, após atingir um ápice, acaba tendo o seu trabalho seguinte detonado. As pessoas esperam, no mínimo, outra obra tão relevante quanto a anterior, ou algo melhor. Triste ilusão. Os Beatles deveriam ter seguido gravando um Sgt Pepper’s atrás do outro? Absurdo! Outros exemplos: Wish You Were Here (do Pink Floyd, lançado em 1975) não é um disco ruim, mas foi lançado depois de Dark Side of the Moon (1973). O mesmo pode ser dito em relação a Living in the Material World (1973) de George Harrison, para pegar um exemplo mais próximo. Como colocá-lo ao lado do triplo All Things Must Pass (1970)? Não há comparação. Seria burrice! São momentos distintos.

Some Time in New York City é um ótimo disco de rock. Possui momentos antológicos: “Attica State”, “New York City”, “John Sinclair”. Talvez se tivesse sido um álbum simples, e não duplo, tivesse ajudado, mas até mesmo os mais murrinhas se surpreendem com a versão de visceral de “Cold Turkey”, ou rendem-se ao histórico encontro com Zappa e os Mothers.


Havendo exorcizado seus demônios nos trabalhos anteriores (que por isso são tão pungentes e marcantes), John Lennon pode seguir na direção em que sempre apontou. Entre tantas transformações, encontra a forma bruta da voz de protesto que sempre lhe fora peculiar. Uma evolução quase que natural, e que foi pouco entendida na época. O disco é grande não só pela sua duração, mas como o retrato de uma época em que um artista tão fundamental foi atuante como nunca.

(Re) ouça com a devida atenção!

Cowboys from Hell: The Demos: edição comemorativa em vinil limitado!

sexta-feira, novembro 12, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room

Cowboys from Hell, clássico do Pantera lançado originalmente em 25 de janeiro de 1990, ganha mais uma edição especial comemorativa aos seus vinte anos.

Cowboys from Hell: The Demos será lançado dia 26 de novembro e estará disponível para venda somente através do site Metal Club. O disco será lançado apenas em vinil, com capa exclusiva e quantidade limitada a três mil cópias.

Em setembro já havia chegado às lojas uma edição especial do disco, então, se você é fã do Pantera, tem aí dois itens interessantíssmos para adicionar a sua coleção.

11 de nov de 2010

Collector´s Revisited: Rodrigo Simas

quinta-feira, novembro 11, 2010


Em 23 de outubro de 2005 foi ao ar a segunda entrevista da Collector´s Room no Whiplash. Convidei meu amigo e companheiro de Whip na época, Rodrigo Simas, grande fã da Dave Matthews Band e editor do excelente site DMBrasil. Confesso que poucas vezes encontrei uma pessoa tão dedicada a um artista como Rodrigo, e essa opinião ficou ainda mais forte com essa nova entrevista. Então, acomode-se na cadeira e delicie-se com o ótimo papo que tivemos com Simas! (Ricardo Seelig)

O que mudou desde a sua entrevista em relação ao site da DMB e também do ponto de vista pessoal?

De lá pra cá a DMBrasil cresceu muito, a Dave Matthews Band duplicou de tamanho no Brasil e o trabalho tornou-se bem mais profissional, demandando mais atenção, seriedade e tempo. Por outro lado, o retorno por parte dos fãs, da banda e dos empresários é bem maior. Do lado pessoal, comprei meu primeiro apartamento, me estabeleci como designer e produtor de eventos e viajei bastante seguindo a banda.

Naquela época, sua coleção possuia 1.700 CDs, 200 DVD e uns 50 vinis. Da DMB você tinha 102 CDs e 14 DVDs. Qual o número da sua coleção nos dias de hoje?

Esse número era sem contar os shows baixados. Levando em conta as apresentações da banda, sempre disponíveis para download de graça um dia (geralmente) depois dos shows, já devo estar com uns 2,000 shows baixados (cada um é diferente entre si e, em 99% das vezes, para ser gravado em CD duplo ou triplo, pois tem sempre mais que 2:30). Sobre CDs oficiais, já passei dos 2.000, uns 300 DVDs e uns 100 vinis. Tenho comprado vinis regularmente quando viajo pra fora, já que estão lançando (e relançando) tudo e a qualidade está excelente, quase sempre vinis de 180 gramas. Da DMB, oficiais, estou com 130 CDs e 20 DVDs.


Sempre fiquei curioso em relação aos seus LPs, afinal, você disse que guardou apenas as raridades. Poderia listar os mesmos ?

Na adolescência eu ouvia e colecionava tudo do Helloween, então acabei comprando bastante raridades da banda em vinil, tipo o single “Dr Stein em” vinil branco e picture, o single “I Want Out” em vinil azul e em picture quadrado, os pictures dos Keepers I & II, do primeiro EP Helloween, o single de “Kids of the Century”. Já pensei em vendê-los algumas vezes, mas tem um valor sentimental pra mim, então sempre acabam ficando.

Ainda espraiando um pouco mais sobre a entrevista para o Whiplash, poderia listar as cidades e quantos shows você assistiu da DMB no exterior? Além disso, você chegou a ver shows de outras bandas fora da terra brazilis?

Nossa, já vi cinquenta shows da banda (exatamente 50!) e estou indo pra mais quatro agora em novembro. Desses, só seis foram no Brasil. Tem uma lista completa de todas as apresentações que eu estive, com setlists e todos os detalhes possíveis no DMB Almanac. Viajei com eles pelas Américas do Sul e Norte e Europa, de Los Angeles a Londres, passando por Dublin, Atlanta, Buenos Aires, Santiago, São Francisco, Dallas, sei lá, muitas cidades. Além da DMB - mas geralmente nos dias de folga da turnê -, consegui pegar outros shows que ficaram marcados na memória, como o Rush na turnê de 30 anos (minha segunda banda favorita) em West Palm Beach, na Flórida, e agora, na Time Machine Tour (que vi em Buenos Aires e Santiago). Vi também um Ozzfest em Tampa, também na Flórida, com Disturbed e o System of a Down, duas bandas que adoro, sendo que no caso do SOAD foi a última apresentação deles antes da parada, o que fez o show ser ainda mais especial.

Como foram os shows do Rush na Argentina e no Chile? Aqui no Brasil achei eles meio cansadões -com exceção do Lifeson.

Achei o de Buenos Aires muito bom, mas esperava realmente a banda mais disposta e uma presença mais forte de público. Já em Santiago, o Estádio Nacional estava abarrotado e eles quebraram tudo, muito empolgados e com mais vontade, fantástico.

Você coleciona materiais onde a DMB tenha feito participaçãos, como por exemplo, a caixa de DVDs The Biggest Bang, dos Rolling Stones?

No caso específico do Biggest Band dos Stones eu não tenho. Possuo o outro DVD deles que tem participação do Dave, o Bridges to Babylon, onde eles cantam “Wild Horses” ao vivo. Compro se eu gosto do lançamento em si. Não é a voz do Dave lá ou um solo de sax ou violino de um deles que vai fazer eu comprar um CD que considero ruim. E, definitivamente, prefiro gastar meu dinheiro apenas com coisas que eu gosto e não só pra “completar” uma coleção de “participações” (até porque hoje em dia dá pra baixar tudo). Mas quando eu gosto das duas coisas, porque não? Exemplos não faltam. O Dave gravou uma faixa (cover da Ani DiFranco) com o Soulive, eu tenho o CD; gravou uma música com o Blue Man Group, eu tenho o CD; gravou com os Flecktones, também tenho, e por aí vai.

Para quem não conhece a carreira da DMB, quais os álbuns que você indica?

O mais fácil para iniciantes é o Crash, que une as coisas complexas com faixas mais acessíveis sem soar muito denso e progressivo. Pra quem já gosta das coisas mais “difíceis”, o melhor deles é o Before These Crowded Streets, mas a digestão desse é bem mais complicada, com arranjos mais trabalhados, músicas mais longas, uma pegada mais progressiva, letras mais complexas e um clima bem mais tenso - é o meu favorito. O último, chamado Big Whiskey and the Groogrux King, também pode ser uma boa pedida, já que ele é considerado um renascimento para o grupo, mas tem uma sonoridade bem diferente dos clássicos, com bastante guitarra e a banda soando mais rock e direta. Mas é bom frisar que a DMB é uma banda “ao vivo”, então qualquer CD nesse formato é 100% aconselhável.

O grupo ainda continua disponibilizando seus shows para os fãs?

Na verdade não é a banda que disponibiliza os shows para os fãs. Ela libera para que os fãs entrem com equipamento para gravar as apresentações, e esses mesmo fãs arrumam as gravações e disponibilizam na internet, em sites específicos como o Dreaming Tree, pouco tempo depois dos shows. Eles nunca vão parar de fazer isso, já que até hoje o próprio Dave Matthews fala em diversas entrevistas que nunca cresceram com ajuda de gravadora ou rádio, mas sim com o boca a boca e com as gravações (na época fitas k7) espalhadas pelos fãs.


Você havia comentado que a DMB não tinha o costume de lançar edições raras / limitadas. Com a morte de Leroi Moore vieram os lindos LPs Big Whiskey and the GrooGrux King e Europe 2009, que inclusive você fez uma avaliação para a Collector´s Room. Você acha que o grupo deve continuar lançando essa espécie de material ou foi somente um momento no qual a banda decidiu homenagear um de seus principais artistas?

Eu acho que eles continuarão lançando edições especiais, sim. Acho que ano que vem eles vão ter uma enxurrada de lançamentos, já que a banda vai dar a primeira pausa em turnês em vinte anos de carreira, e para manter o nome em evidência eles vão ter que “agradar” os fãs com “presentes” especiais. Devem sair muitos DVDs e CDs ao vivo, e já existem rumores de um livro contando a história do grupo. Esse ano mesmo eles já começaram lançando várias coisas legais, e nas próximas semanas dois novos CDs ao vivo já chegam ao mercado: Live in New York City, gravado da segunda noite do Citi Field esse ano na frente de 40 mil pessoas, e o Live Trax 19, com o show do Rio de Janeiro de 2008, que também saiu no Brasil em edição exclusiva como Live in Rio, pela Sony, com arte gráfica toda feita por mim (além de texto e fotos).

Puxa, que legal que você fez a arte gráfica e os textos. Como fã, deve ser um prazer muito maior do que ter a coleção completa da banda.
Foi uma honra, com certeza. Depois de decidido que o CD seria lançado, como sou designer e tenho excelente relacionamento com o pessoal da Sony e com os managers da banda, me escolher foi uma aposta meio óbvia, já que eu também tinha as fotos do show e conheço a DMB melhor do que ninguém aqui no Brasil. Restava saber se eu conseguiria fazer algo que eles aprovassem. No final das contas deu tudo certo, passou até pelo próprio Dave, que aprovou e depois me agradeceu pessoalmente. 2/3 das fotos são minhas, as outras são creditadas a Nathalie Colas, que também é da equipe da DMBrasil. Pra mim, que comecei como fã (e como colecionador que sou), ter um CD oficial da DMB que eu mesmo fiz e que tem meu nome nos créditos é um grande sonho realizado!

Você como grande fã da DMB, como encarou a morte de Leroi Moore?

Eu estava com a DMB no dia que Leroi morreu. Ele era meu amigo e foi uma situação bem difícil. Ele tinha sofrido o acidente e viajou para Los Angeles no dia do show (ou no dia anterior) para começar o tratamento lá e aproveitar pra ver os outros membros. No dia passei a manhã inteira tentando ligar pra ele sem saber que já tinha falecido. Cheguei no show, falei com todos, o clima estava muito ruim, o Dave me deu um abraço estranhíssimo, mas ninguém me falou que ele tinha morrido e essas coisas não passam pela sua cabeça, nunca achei que algo assim pudesse acontecer, até porque ele estava melhorando. Depois da primeira música, Dave anunciou a morte de Leroi. O show tinha acabado pra mim. Foi muito, muito difícil. Imagino para eles tocarem. Depois ele (Dave) veio pra mim e disse que não teve coragem de me contar quando me viu.

E até mesmo com o contato direto que você tem com os integrantes da banda, como eles reagiram a esse fato triste? Hoje eles já estão recuperados do choque inicial?

Não, acho que nunca vão estar. Leroi era um membro muito importante, tanto em termos de personalidade quanto composição e liderança. Era um membro fundador, junto com o baterista, Carter Beauford e Dave Matthews. Ele fazia grande parte dos arranjos e era amigo de infância de Carter e Boyd Tinsley, o violinista. Eram todos muito próximos, então não foi a perda de “apenas” um músico, mas sim de um amigo e parte extremamente importante do que era a DMB. Hoje a banda funciona um pouco como uma homenagem ao legado deixado por ele, como foi o próprio Big Whiskey and the GrooGrux King (GrooGrux era o apelido de Leroi).


Como é possível fazer o cadastramento no fã clube oficial americano da DMB?

É só acessar www.warehouse.davematthewsband.com e se cadastrar. Tem uma taxa anual, mas que dá acesso a vários privilégios, incluindo um pacote também anual com CD exclusivo e brindes da banda.

Como foi para você a participação da DMB no SWU?

Foi muito boa. Um set energético. A mídia vende a DMB no Brasil como uma banda “mellow”, algo como um Jack Johnson, a a DMB está longe disso. Conversando com o Dave antes do show chegamos a conclusão que a ideia era fazer um show forte, com músicas pesadas/pra cima, pra provar que de “mellow” a banda não tem nada e quebrar tudo. Então foi só pedrada, do começo ao fim! Deixaram espaços pra jams, mas nada muito grande. Como era um festival tentaram focar em pelo menos algumas das mais conhecidas, já que o público não era só deles (é bem raro eles incluírem muitos “sucessos” no mesmo show). A banda estava empolgada e acho que fizeram bem seu papel, conseguindo muitos novos fãs. Ficou ruim pro Kings of Leon que veio depois e tocou um set frio de pouco mais de uma hora. E também serviu pros organizadores do festival entenderem o motivo que a DMB nunca pode vir antes de outra banda.

Você chegou a ir até Itu? Se sim, qual foi a sua opinião geral sobre o festival?

Sim, mas vi pouca coisa além da DMB, estava viajando com a banda como fotógrafo, então só consegui dar uma volta na área toda durante uns trinta minutos e voltei correndo antes que o show começasse. Deu pra sentir o frio e não cheguei a pegar a dita “falta de organização” do festival, porque não tive que pegar filas ou coisas do tipo. O que eu vi, eu gostei. E as pessoas pareciam bem felizes. Gostei da área, do que foi montado lá e da estrutura dos palcos. Ouvi os shows que vieram antes de trás do palco, e praticamente fomos embora assim que a DMB encerrou. No caso da DMB, o show pra fãs mesmo no Brasil foi o do Rio.


De lá para cá, você passou a colecionar itens de uma outra banda que não fosse a DMB com mais assiduidade?

Não, mas acompanho várias outras bandas e tento comprar todos seus lançamentos e, se possível, edições especiais - o Rush é um bom exemplo disso. Por outro lado, não sou de colecionar milhões de versões da mesma coisa só pra “ter”, como cinco versões do mesmo CD. Como gosto de muitos tipos de música e odeio separar música por estilo (quando só existe mesmo a boa e a ruim pra cada pessoa), acabo comprando muita coisa variada, e não dá pra se prender a uma banda ou um lançamento. Exemplo: nunca deixaria de comprar um CD X porque comprei duas edições diferentes do CD Y e acabou meu dinheiro. Logicamente, quando bato o olho em alguma coisa que eu queira, eu acabo comprando. Na última viagem mesmo comprei o box em vinil do Eric Clapton e Steve Winwood ao vivo no Madison Square Garden, que é belíssimo, e eu já tinha o DVD - nesse caso é até diferente porque são dois formatos diferentes e não dois CDs iguais em versões diferentes.

Quantos álbuns em média você compra por mês atualmente?

Entre 5-10, mas depende muito da quantidade de lançamentos. Quando eu viajo acabo comprando mais.

Você ainda guarda seus CDs naquela bela estante divulgada na primeira entrevista, ou já teve que ampliar o espaço para as maravilhas musicais da sua coleção?

Ainda estão lá, mas ela tá quase estourando!


Os itens mais raros da sua coleção ainda são os pictures do Helloween?

Não. O item mais raro da minha coleção agora é com certeza um quadro que recebi da própria DMB com o disco de platina do Big Whiskey and the Groogrux King com uma placa de metal em meu nome, comemorando a marca de 1 milhão de cópias vendidas do CD e um adesivo agradecendo a ajuda durante os anos que tornaram o sucesso do álbum possível. É belíssimo e logicamente um enorme reconhecimento por tudo que eu faço pela banda.

Wow, isso realmente é raro! Dá gosto ver que uma banda reconhece o trabalho de uma pessoa como você, e não fica apenas babando o ovo para a imprensa e para a mídia em geral. Parabéns para você, e vejo nisso um dos diferenciais da DMB em relação a outras grandes bandas do rock atual.

Se você pensar que eles surgiram em 92, 93, 94, exatamente na época que o grunge se tornava popular, com um formato totalmente inédito para uma banda, com sax, volino, melodias e ritmos intrincados, sem guitarra, com um baterista extremamente técnico, tocando da forma mais complexa possível, isso era exatamente o oposto do que era o sucesso na época que o Nirvana estava no topo. Sem tocar na rádio, espalhando sua música no boca a boca, de fã pra fã, sempre convencendo as pessoas com o melhor show que eles pudessem fazer. Acho que o grupo cresceu com a cabeça diferente da maioria das outras, com os pés no chão, sabendo que eles só se tornaram a maior banda em turnê da última década com o suor do seu trabalho e com as pessoas que os ajudaram a crescer simplesmente por gostar da música que eles fazem. Sempre me perguntam como eles são fora do palco, e eu sempre respondo que eles são exatamente iguais. Não há máscaras.

Por favor, poderia atualizar sua lista dos dez melhores álbuns de todos os tempos, ou eles ainda são os mesmos?

Não vou ler minha lista anterior (na verdade, nem li minha entrevista anterior para não influenciar nessa). Depois vemos se minha opinião mudou muito ou não. Sem ordem específica:

Dave Matthews Band – Before These Crowded Streets
Led Zeppelin – Houses Of The Holy e/ou Physical Graphitti
Jethro Tull – Aqualung e/ou Heavy Horses
Rush – Permanet Waves e/ou Hemispheres (merda, já viu que tá difícil de decidir hoje, né?)
Iron Maiden – Seventh Son Of A Seventh Son
Megadeth – Rust In Peace
Yes – Close To The Edge
Chico Buarque – Construção
Metallica – And Justice For All
Queen – Jazz e/ou Sheer Heart Attack


Na sua opinião, o que torna uma coleção diferenciada?

Cada coleção tem suas peculiaridades, que vão fazer ela ser diferenciada ou não. Como eu disse antes, não me chama muita atenção ter o mesmo CD em mil versões, o que – pra mim – acaba se tornando chato e sem conteúdo. Por outro lado, gosto bastante de edições especiais e tento comprar diretamente elas, sem passar perto da edição “simples”. Algumas são interessantes pela quantidade, outras pela raridades e ainda pela forma como elas são guardadas/apresentadas. Acho que uma mescla disso tudo é o que eu tento fazer com a minha.

Que coleção você conheceu aqui na Collector's ou em suas andanças que te fez ficar babando?

Tem umas coleções do Iron Maiden sinistras que realmente impressionam. Tipo de coisa que eu nunca faria (ou não, tendo dinheiro sobrando, porque não?!). Uma das últimas que eu li foi do Tiago Rolim, que é bem variada, com bastante coisa interessante e vai de Soulfly até Miles Davis sem o menor problema, do jeito que deve ser. Mas o que me deixa nervoso é entrar na Amoeba (a Meca pra quem coleciona) e não ter dinheiro pra comprar a loja inteira. Da última vez gastei uns 600 dólares lá e saí achando que não tinha comprado nada. Aquilo é a melhor “coleção” do mundo.

Com quem ficará sua coleção quando você for jogar uma sinuca com o Leroi Moore enquanto o Jimi Hendrix fica tirando sarro de vocês, dizendo que ambos não tocam guitarra tão bem quanto o cara que tá sentado no banquinho do bar (no caso, o Stevie Ray Vaughan)?

A ideia é ter um filho nos próximos anos, então teoricamente ficaria com ele.

Qual a importância dos colecionadores para as bandas e para a indústria da música?

Nós somos o registro do que é lançado por aí. Sem os colecionadores, muito do acervo musical do planeta já estaria “perdido”. Servimos como referência para quem procura informações sobre um determinado artista ou sobre música em geral, e muitas vezes funcionamos como acervos ambulantes de informações. Muito do que é lançado hoje em dia, principalmente pela decadência dos formatos físicos (mesmo com o “ressurgimento” dos vinis), tem como público alvo os colecionadores, que por muitas vezes são a razão direta do lançamento em si.
Rodrigo, obrigado mais uma vez por essa nova entrevista, e deixe aqui seu recado para os leitores da Collector´s Room.

Legal, obrigado pelo convite e pela oportunidade. Convido a todos que não conhecem para acessar a DMBrasil, o site brasileiro da Dave Matthews Band. E pra quem ainda não conhece a própria DMB e tem cabeça aberta para algo que não segue nenhum rótulo musical, não perca mais tempo e corra atrás de alguma coisa, não irá se arrepender.



Os 34 anos de Rock and Roll Over, clássico do Kiss lançado em 1976!

quinta-feira, novembro 11, 2010

Por Igor Miranda
Estudante e Colecionador
Collector´s Room

O quinto trabalho de estúdio do Kiss, Rock and Roll Over, comemora 34 anos de lançamento no dia de hoje, 11 de novembro de 2010. Há exatos 34 anos, os quatro mascarados colocavam no mercado um dos maiores clássicos não apenas de suas carreiras, mas dorRock num contexto geral. Para quem nunca conferiu ou acredita que Destroyer foi o ápice, basta conferir Rock and Roll Over, que, ao contrário do que muitos pensam, foi o primeiro álbum do Kiss a conquistar disco duplo de platina nos Estados Unidos.

Segue um review sobre o álbum, de minha autoria, originalmente disponibilizado na Combe do Iommi.

O Kiss finalmente experimentava o sucesso que tanto almejavam (e mereciam) em 1976. Após o sucesso de Alive! (1975) e Destroyer (1976) - este mais experimental e complexo, mas ainda com a magia de sempre -, o quarteto mascarado precisava manter a média. Para isso, não convocaram o mirabolante produtor Bob Ezrin, e sim o básico e roqueiro Eddie Kramer, produtor de Alive!, que preferiu apostar na simplicidade do som apresentado nos três primeiros lançamentos. E deu certo.


Lançado em 11 de novembro de 1976, Rock and Roll Over pode ser resumido como um disco de rock and roll genuíno, visceral, potente, sem xurumelas. Direto como um soco na fuça, principalmente por suas canções não serem tão longas (nenhuma passa dos 4 minutos de duração). Captura perfeitamente a essência da banda mais quente do mundo devido ao seu processo mais básico, não sendo a toa o fato de ter se tornado um dos mais cultuados de sua carreira. Particularmente, meu preferido dos full-length dos anos setenta - não apenas do Kiss, mas qualquer outro lançado na década!

As particularidades começavam a tomar forma. Não há nenhuma canção feita pela dupla dinâmica Paul Stanley e Gene Simmons, apenas separados. As composições realizadas pela dupla, tão constantes no início da carreira, se tornariam raridade no futuro do grupo. Ace Frehley não contribuiu com nenhuma composição, e Peter Criss só colaborou com "Baby Driver", feita em parceria com o ex-companheiro de Lips e Chelsea, Stan Penridge.


Mas o incrível é que os quatro conseguem se destacar, cada um de seu próprio jeito. Paul Stanley começava a esbanjar seus dotes vocais com mais eficiência, que se tornaram notáveis dos anos oitenta em frente, além de ser um talentoso compositor e um riffmaker de primeira categoria. Até arriscou um belo solo de guitarra em "I Want You" - é o primeiro dos dois executados. Gene Simmons, endiabrado e cheio de fôlego, tem aqui algumas de suas melhores composições. É um baixista categórico e eficiente e providencia carismáticas vocalizações.

Ace Frehley, subestimado por sua pouca técnica, mostra no disco que não precisa fritar mil notas por segundo para influenciar inúmeros guitarristas, como fez. Apenas seu senso musical apurado, latentes em seus poderosos solos de guitarra, era o suficiente. E Peter Criss, também subestimado pelo mesmo motivo citado acima, impressiona com ótimas linhas de bateria e vocais incríveis - basta reparar "Baby Driver" e "Hard Luck Woman" pra notar que duas músicas com o Catman nos microfones principais é muito pouco.


O sucesso, inevitável, bateu novamente na porta dos quatro mascarados. Em pouco tempo conquistaram disco duplo de platina por venderem dois milhões de cópias do play apenas na terra do Tio Sam num período de um ano. Nas paradas gerais, Rock and Roll Over atingiu as posições de número 11, 15 e 16, respectivamente nos Estados Unidos, Japão e Canadá. Além disso, a turnê de divulgação foi um sucesso e o grupo crescia cada vez mais, chegando ao auge no ano seguinte, com Love Gun.

As prediletas de quem vos escreve e, obviamente, seus destaques particulares, vão para a cativante "Mr Speed", para as roqueiras "Ladies' Room" e "Calling Dr Love" (que riff desta!) e a balada semi-country "Hard Luck Woman", composta por Paul e cantada por Peter após Rod Stewart, o alvo da composição, ter rejeitado gravá-la em sua carreira solo.

No mais, Rock and Roll Over é um clássico do rock, na essência do termo.


Faixas:
A1 I Want You 3:02
A2 Take Me 2:53
A3 Calling Dr. Love 3:41
A4 Ladies Room 3:25
A5 Baby Driver 3:59

B1 Love 'em and Leave 'em 3:41
B2 Mr. Speed 3:19
B3 See You in Your Dreams 2:31
B4 Hard Luck Woman 3:32
B5 Makin' Love 3:12

10 de nov de 2010

O melhor show da vida de alguém – Paul McCartney, Porto Alegre, 07/11/2010

quarta-feira, novembro 10, 2010

Por Giovani Letti
Publicitário
Collector´s Room

Paul McCartney sempre foi grande. Mesmo em épocas em que disputava espaço com outros grandes da música, ele sempre se destacou. E se pensarmos na música de agora, Paul McCartney torna-se gigantesco, torna-se “o maior”. A impressão que se tem, ainda mais depois de assistir a um show dele, é que nenhum elogio faz jus ao que ele realmente é ou representa.


Considerado o maior compositor de todos os tempos, fundador da maior banda da história, ícone da cultura pop, Paul McCartney é um dos raros representantes genuínos do que de melhor foi produzido pela humanidade. Ele é um clássico na concepção de Ítalo Calvino, ou seja, quanto mais o tempo passa, mais consegue afastar qualquer crítica de sua obra. Portanto, não faz mais sentido analisar Paul McCartney como um músico, compositor, ou ídolo. Ele tornou-se muito mais do que isso.


E esse cara de Liverpool, que passou a ser de todos os lugares quando se tornou um Beatle, parece ter consciência de quem é, e de sua importância para as pessoas. Por isso, o que ele não promete, mas entrega - é o melhor show da vida de alguém. Talvez porque Paul McCartney foi o primeiro a entender que um show é muito mais que música.

Percebe-se que cada detalhe foi pensado para gerar uma experiência única. A escolha do repertório, a sequência das músicas, as imagens nos telões do palco, a interação com o público (em português e inglês), as bandeiras da Inglaterra e do Brasil. Tudo foi pensado para que aquelas sejam as melhores três horas da sua vida.


Você leva a primeira música, “Venus and Mars /Rock Show”, para entender onde realmente está. Depois vem “Jet”, inundando o corpo com aquela mistura de adrenalina e serotonina, fazendo com que você se esqueça das dores por ter estado horas em uma fila. E ele te leva assim mais algumas músicas, até chegar a “The Long and Winding Road”, gerando outro tipo de emoção e provocando as primeiras lágrimas. Que continuaram a rolar quando, antes de tocar “My Love”, ele disse em português que tinha feito aquela música “para a minha gatinha Linda”. Ou logo depois, quando ele começa a tocar “Here Today”, a música que fez para “meu amigo John”. E como se não fosse suficiente, emociona mais ainda com a versão de “Something”, dizendo antes que “essa música é do meu amigo George”.


Aí, o nível de felicidade só vai aumentando, até que umas dez músicas depois chega “Live and Let Die” e você não acredita quando o palco explode exatamente na pancada final do refrão. Depois disso, na parte final, só músicas do Beatles. “Hey Jude”, “Day Tripper”, “Lady Madonna”, “Get Back”, “Yesterday”, “Helter Skelter”, e para finalizar, “Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band” e “The End”.



Foram três horas sensacionais de show, onde 60 mil pessoas (re) viveram os melhores momentos de suas vidas, justamente aqueles marcados por uma das músicas do Paul. Ou seja, como ouvi um fã dizer na TV, ele só faz bem a milhões de pessoas há mais de cinco décadas. Fez, sem pretensão, o que nenhuma religião conseguiu fazer. Realmente mudou o mundo (de cada um de nós), apenas empunhando um baixo Hofner.

Muito obrigado, Paul!

Fotos: Danieli Letti, Giovani Letti, Patricia Araldi e Rodrigo Finger Stadler


Belíssimo livro de fotografias dos Beatles em edição limitada!

quarta-feira, novembro 10, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room

Se você é fã dos Beatles, leia com atenção: dia 12 de novembro será lançado o livro Mad Day Out, repleto de fotografias do Fab Four, muitas delas inéditas!


A edição é limitadíssima. São apenas cem cópias acondicionadas dentro de uma embalagem especial que imita uma caixa de bombons, produzida em cetim estampado. Os livros são numerados e assinados a mão pelo autor, o renomado fotógrafo e cineasta Stephen Goldblatt.

Mad Day Out tem 110 páginas, custa U$ 495 e terá a renda obtida com sua venda repassada para um projeto de apoio à fotografia documental. Mais informações podem ser obtidas no site oficial da obra.

Álbuns clássicos do Thin Lizzy relançados com generosas faixas bônus!

quarta-feira, novembro 10, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room

Anote na agenda: dia 24 de janeiro de 2011 chegam às lojas novas edições de três álbuns clássicos do Thin Lizzy! Jailbreak (1976), Johnny the Fox (1976) e o ao vivo Live and Dangerous (1978) serão relançados em CDs duplos repletos de faixas extras!


Os discos foram remixados e remasterizados pelo guitarrista do Thin Lizzy, Scott Gorham, e pelo vocalista do Def Leppard, Joe Elliott. O primeiro disco trará o álbum original, e o segundo será sempre repleto de faixas raras. Live and Dangerous também virá com um DVD.

Jailbreak, Johnny the Fox e Live and Dangerous representam a fase de maior sucesso comercial do grupo irlandês, e foram responsáveis por transformar a banda em um dos grandes nomes do hard rock setentista. Ou seja, são itens obrigatórios na coleção de qualquer pessoa que curta som pesado!

Confira abaixo o tracklist dessas novas e suculentas versões:


Jailbreak (1976)

CD 1:
1. Jailbreak
2. Angel From The Coast
3. Running Back
4. Romeo And The Lonely Girl
5. Warriors
6. The Boys Are Back In Town
7. Fight Or Fall
8. Cowboy Song
9. Emerald

CD 2:
1. Jailbreak (Re-mixed Version)
2. The Boys Are Back In Town (Re-mixed Version)
3. Jailbreak (BBC Session 12/02/1976)
4. Emerald (BBC Session 12/02/1976)
5. Cowboy song (BBC Session 12/02/1976)
6. The Warrior (BBC Session 12/02/1976)
7. Fight Or Fall (Extended Version – Rough Mix)
8. Blues Boy (Unreleased Studio Track)

9. Derby Blues (Early Version – The Cowboy Song)


Johnny the Fox (1976)



CD 1:
1. Johnny
2. Rocky
3. Borderline

4. Don’t Believe A Word
5. Fools Gold
6. Johnny The Fox Meets Jimmy The Weed
7. Old Flame
8. Massacre
9. Sweet Marie
10. Boogie Woogie Dance

CD 2:
1. Don’t Believe A Word (Re-Mixed Version)
2. Borderline (Re-Mixed Version)
3. Johnny The Fox Meets Jimmy The Weed (Re-Mixed Version)
4. Don’t Believe A Word (BBC Sessions 11/10/1976)
5. Johnny The Fox Meets Jimmy The Weed (BBC Sessions 11/10/1976)
6. Fools Gold (BBC Sessions 11/10/1976)
7. Johnny (BBC Sessions 11/10/1976)
8. Fools Gold (Instrumental Run Through)
9. Johnny The Fox Meets Jimmy The Weed (Instrumental Run Through/Extended)
10. Rocky (Instrumental Run Through)
11. Massacre (Instrumental Take With Lynott Directions To Band)
12. Scott’s Tune (Unreleased Scott Gorham Composition)
13. Don’t Believe A Word (Studio Outake- Different Lyrics)


Live and Dangerous (1978)

CD 1:
1. Jailbreak
2. Emerald
3. Southbound
4. Rosalie – Cowgirls Song
5. Dancing In The Moonlight (It’s Caught Me In A Spotlight)
6. Massacre
7. Still In Love With You
8. Johnny The Fox Meets Jimmy The Weed

CD 2:
1. Cowboy Song
2. The Boys Are Back In Town
3. Don’t Believe A Word
4. Warriors
5. Are You Ready?
6. Suicide
7. Sha La La
8. Baby Drives Me Crazy
9. The Rocker


Bonus Tracks
10. Opium Trail (Wild One-L & D Outake)
11. Bad Reputation (Wild One-L & D Outake)

DVD:
1. Introduction / Rosalie
2. The Boys Are Back In Town
3. Emerald
4. Dancing In The Moonlight (It’s Caught Me In A Spotlight)
5. Massacre
6. Call On Me
7. Don’t Believe A Word
8. Are You Ready?
9. Sha La La
10. Baby Drives Me Crazy
11. Finale / Me And The Boys


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