27 de nov de 2010

Colocando os pingos nos "I´s": carta aberta a Thiago Bianchi, vocalista do Shaman!

sábado, novembro 27, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room

Talvez alguns de vocês aqui não saibam, mas essa semana o vocalista do Shaman, Thiago Bianchi, divulgou um "manifesto" contra o que chamou de "morte do metal nacional", na sua opinião motivada pela falta de apoio dos headbangers brasileiros que, em suas palavras, babam para qualquer grupo internacional e não dão o devido apoio às bandas nacionais.

Nós, aqui da Collector´s Room, somos a favor da boa música, independente de estilo. Apesar de uma maior quantidade de matérias relacionadas ao heavy metal, motivada principalmente pelo background da maioria de nossos redatores - afinal, quem começou a ouvir som em meados dos anos oitenta motivado pelo primeiro Rock in Rio deu seus primeiros passos na música, na maioria das vezes, ouvindo metal -, não falamos somente e exclusivamente de som pesado. Na Collector´s você já leu, e continuará lendo, matérias sobre heavy metal, jazz, samba, hard rock, prog, blues, funk - enfim, um lugar legal feito com paixão por quem entende de música e, acima de tudo, para divulgar a boa música.

Por isso, e pelo fato de ter me sentido ofendido com os termos chulos, petulantes e mal educados com os quais Thiago Bianchi tratou os headbangers - e não "metaleiros", ok Thiago? - brasileiros, me sinto no direito de responder algumas coisas a respeito do tal "manifesto", que, na verdade, pra mim tem mais cara de piti de gente mal resolvida do que qualquer outra coisa.

Vamos lá então:

- em primeiro lugar, música boa não tem pátria! Posso ouvir bandas excelentes vindas do Brasil, da Inglaterra, dos Estados Unidos, do Japão e do diabo que o parta. Não importa a origem, o que importa é o som! Portanto, se a música for boa e tiver qualidade, ela receberá o meu apoio e, mais do que isso, conquistará seu próprio espaço;

- em segundo, a música, como qualquer manifestação artística, possui uma relação com o ouvinte que demanda cumplicidade, capacidade de entendimento e, acima de tudo, o tão falado e discutido gosto pessoal. Em suma, cada pessoa tem o seu próprio gosto. Por isso, é inadmissível que alguém venha dizer o que cada um deve ouvir. É claro que quem gosta e consome música como a gente vive trocando dicas e informações, como sempre fazemos aqui na Collector´s, mas cada pessoa é livre para ouvir o que acha que deve ouvir, e ponto final;

- Thiago, você se coloca, nas suas próprias palavras, como vocalista de um grupo ícone do metal nacional. Ícone de quem, cara pálida? O Shaman nunca foi ícone, e muito menos referência, de nada! Até hoje é apenas a banda do baterista do Angra, Ricardo Confessori, essa sim uma banda emblemática para o heavy metal brasileiro, ao lado de nomes como Sepultura, Andre Matos, Sarcófago, Korzus (a propósito, Korzus se escreve com Z e não com S, ok?), Krisiun (ãh, Thiago, aqui é com I e não Y, tá?) e pouquíssimas outras. O mais próximo que o Shaman chegou de uma posição parecida foi quando surgiu e era o grupo do trio que saiu do Angra - Matos, Mariutti e Confessori -. Depois disso, nem perto;

- outro ponto: se as bandas nacionais não atraem público para os seus shows, a culpa não é do público, mas sim de uma série de fatores que incluem economia, cultura e inúmeros outros. O Brasil atravessa, felizmente, um período de fartura de shows internacionais, e isso faz com que o fã de música tenha que escolher o que vai assistir. A quantidade de shows é tão grande que até bandas internacionais estão cancelando turnês pelo nosso país devido à grande concorrência. Se você acha que a sua banda deveria ter mais público do que tem e lotar grandes arenas, então trabalhe mais e mais e mais para isso, rale mais ainda do que você diz que já rala, porque meu velho, infelizmente, nada na vida cai nas nossas mãos de bandeja, caso você ainda não tenha percebido;

- você diz que em todo o tempo em que está envolvido com música faz alguma coisa, todos os dias, pelo metal nacional. Pois bem: em primeiro lugar, heavy metal não é religião - pelo menos não deveria ser - e nem profissão para a grande maioria das pessoas que o consomem. Você está há 16 anos na estrada? Legal, eu estou há 25 anos! E o que eu faço, desde sempre, é encarar a música como uma parte importante da minha vida, algo que me dá um imenso prazer, mas o meu dia-a-dia, assim como o da imensa maioria das pessoas que consomem não só heavy metal, mas todos os tipos de música, não é feito apenas disso. Se há 16 anos você faz todos os dias algo pelo metal, desde que nasci eu luto para sobreviver e realizar os meus sonhos e desejos, e há dois luto também para dar uma vida digna para o meu único filho. Então, eu te pergunto: entre pagar as minhas contas e cuidar da felicidade do meu filho, e o tal do "deus metal" - seja ele brasileiro ou não -, você acha que eu fico com quem?

- você diz que poderia ter seguido outra carreira, mas seguiu a sua intuição e apostou no sonho do heavy metal. Que pena! Você deveria ter sido racional e escolhido outro caminho, assim nos pouparia não só da sua voz como também da leitura de um dos textos mais vergonhosos e constrangedores já publicados na mídia especializada brasileira;

- e, pra fechar caro Thiago, gostaria de te dar dois conselhos. O primeiro é o seguinte: qualquer pessoa que queira se comunicar com a grande massa deve ter como requisito básico saber escrever corretamente, o que, lendo o tal "manifesto", fica claro que você não sabe fazer. Então, antes de descer do salto novamente e dar outro piti, recomendo que você frequente algumas aulas de português antes. E, já que ficou claro que você tem uma clara deficiência em sua educação, contrate, além do professor de português, também um professor de canto, assim pode ser que você aprenda a cantar e a sua banda, depois de muito trabalho, possa, daqui a alguns anos, se transformar nesse tal "ícone" que você pensa já ser!

Um grande abraço, e nos vemos por aí!

26 de nov de 2010

Best of 2010: os melhores discos do ano segundo Fernando Bueno!

sexta-feira, novembro 26, 2010

Estamos chegando no final do ano, e com ele chegam também as inevitáveis listas com os melhores discos de 2010.


Pra começar, Fernando Bueno lista abaixo quais foram, na sua opinião, os melhores álbuns do ano.

Confira e deixe a sua opinião nos comentários!



Iron Maiden - The Final Frontier

Um fã de Iron Maiden citando um disco do Iron como melhor do ano! Que novidade (risos)! Mas ninguém pode negar que o Iron Maiden surpreendeu nesse álbum. Como um todo, The Final Frontier segue a linha dos últimos trabalhos, com toda a influência de progressivo, mas também com faixas de heavy metal tradicional (“The Alchemist”) e até hard rock (“The Final Frontier” e “El Dorado”). Tenho certeza que as músicas que foram tocadas ao vivo nos shows serão muito bem recebidas pelos fãs em geral!

Accept - Blood of the Nations

Esse disco encerrou toda e qualquer dúvida que havia em relação à mudança de vocalista. Mark Tornillo fez um excelente trabalho, e nos shows tanto as faixas do novo álbum quanto os clássicos ficaram perfeitas. Esse CD serviu como um excelente resgate para uma banda que estava um tanto sumida da cena.

Black Country Communion - Black Country

Normalmente supergrupos decepcionam pela grande expectativa que geram, mas eu não concordo com ninguém que venha a falar que esse disco decepcionou. Temos que levar em consideração que a união de Glenn Hughes, Joe Bonamassa, Derek Sherinian e Jason Bonham só veio à tona praticamente no lançamento do álbum. Desse modo, a expectativa gerada não foi muito grande. Mas, mesmo assim, o resultado ficou à altura dos grandes músicos que formam o Black Country Communion, que segundo entrevistas parece que não será apenas um projeto temporário, mas sim uma banda com vida própria.

Ozzy Osbourne – Scream

Ninguém tinha muitas expectativa em relação a esse álbum. Porém, digo sem a menor dúvida que Scream é muito melhor do que os últimos discos que Ozzy gravou nos últimos anos. Coloco Scream no mesmo patamar que Ozzmozis, e acho que ele vai ser, enfim, o último disco do Príncipe das Trevas.

Slash – Slash

Esse álbum merece ser citado pela ousadia. Slash chamou gente de diferentes meios musicais e criou músicas perfeitas para cada um deles. Isso mostra a versatilidade e criatividade do músico. Claro que muitas faixas não saíram tão boas, mas a carreira de alguns dos cantores escolhidos também não é lá grandes coisas ...


Blind Guardian - At the Edge of Time

Sinceramente, eu tinha desistido de acompanhar o Blind Guardian, já que depois de Nightfall in Middle-Earth achei que eles só se repetiram. Mas esse álbum mudou um pouco essa minha visão da banda. Claro que tudo o que espéramos do Blind Guardian está lá, porém as coisas não estão mais repetitivas. Por causa desse disco voltei a ouvi-los novamente.


Tank - War Machine

Esqueçam que o vocalista Doogie White é totalmente diferente de Algy Ward. Ou seja, não julguem esse disco pelo resto da carreira da banda. Assim, todos perceberão que ele é um álbum de heavy metal muito bom.

Scorpions - Sting in the Tail

Se este for mesmo o último trabalho do Scorpions, eles vão parar no auge! Tenho certeza que esse disco será lembrado daqui a muitos anos. A banda fez vários álbuns fracos nos últimos vinte anos, acho que guardaram tudo para esse último. Grandes músicas, grandes riffs e grandes refrãos!

Spock's Beard - X

Gosto muito do Spock's Beard. Mesmo sem Neil Morse eles continuaram com uma qualidade acima da média, com exceção do álbum Octane, que não gostei muito. Os caras conseguem fazer um progressivo com melodias que ficam tanto na cabeça que muitas vezes até parecem pop!


Angra - Aqua

Esse ano foi de retorno para algumas bandas. Assim como os discos novos de Ozzy e Blind Guardian, esse Aqua fez com que eu voltasse a escutar o Angra novamente. Claro que não há muita diferença do que o grupo sempre fez, é o Angra de sempre, mas com faixas melhores que as dos discos Temple of Shadows e Aurora Consurgens.

Destaque negativo:


Jimi Hendrix – Valleys of Neptune

Quando anunciaram que sairia um disco novo de Hendrix todos ficaram ansiosos, mas depois de lançado e sabendo que apenas uma música era inédita, ficou com cara de picaretagem.


Hellion Records assina acordo com selo alemão Edel e lança grandes novidades no Brasil!

sexta-feira, novembro 26, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room

Os vinte anos da Hellion Records, uma das mais importantes e tradicionais gravadoras – e também loja – de heavy metal do Brasil e da América Latina, estão repletos de novidades!

Uma das principais é que a Hellion fechou um contrato exclusivo de distribuição com o selo alemão Edel, uma das principais gravadoras independentes da Europa, para o lançamento no Brasil dos álbuns de seus artistas.

O cast da Edel é formado por ícones do heavy metal, tanto do presente quanto do passado, incluindo nomes como Deep Purple, Kamelot, Stratovarius, Uriah Heep, Europe, Savatage, Status Quo e inúmeros outros. O acordo da Hellion com o selo alemão vai fazer com que itens diferenciados desses artistas cheguem até os colecionadores brasileiros.

Os novos álbuns do Kamelot (Poetry for the Poisoned), Gamma Ray (To the Metal) e do ex-Dixie Dregs e atual guitarrista do Deep Purple, Steve Morse (Out Standing in Their Field), foram os primeiros lançamentos que chegaram ao mercado nacional depois que as duas gravadoras fecharam parceria, e em 2011 uma segunda leva de discos e edições especiais apetitosas estará aterrisando nas lojas.


Pra começar o ano com tudo, Elysium, o aguardado novo álbum dos finlandeses do Stratovarius, chega ao Brasil em janeiro de 2011 em lançamento simultâneo com o resto do mundo! Os mestres do power metal europeu voltam à grande forma em um álbum repleto de ótimas canções!


Rapture of the Deep, último trabalho de estúdio do lendário Deep Purple, ganha uma edição especial dupla contendo um CD bônus com músicas inéditas e ao vivo. Além disso, a faixa “MTV”, gravada durante as sessões do álbum, será lançada pela primeira vez no Brasil, para a alegria dos fãs e colecionadores de uma das bandas mais importantes e influentes da história do rock!


O Savatage é outro ícone do metal incluído no pacote. Os clássicos Edge of Thorns (1993) e The Wake of Magellan (1997) foram remasterizados e ganharam novas edições em luxuosos digipacks. Ambos os discos também contam com faixas bônus, e chegam às lojas a partir da segunda quinzena de dezembro.


Quem gosta de hard rock vai ficar com água na boca! A parceria entre a Hellion e a Edel traz para o Brasil três lançamentos especiais para a galera do hard. Os norte-americanos do Foreigner tem seu novo disco ao vivo, Can´t Slow Down … When it´s Live!, lançado por aqui. O álbum duplo conta com os maiores hits do grupo gravados ao vivo, além de novas versões para faixas de seu mais recente disco de estúdio.


Já os suecos do Europe tem o seu elogiado último trabalho de estúdio, Last Look at Eden, finalmente lançado no Brasil! Apontado pela crítica como um de seus melhores discos, o álbum agradou em cheio o público que esteve presente nas recentes apresentações da banda pelo Brasil.


E, fechando o pacote, também da Suécia chega Freedom Rock, segundo disco do H.E.A.T., elogiadíssimo pela mídia especializada de todo o mundo! Fazendo um hard rock vigoroso, com grandes melodias e cheio de personalidade, o grupo irá agradar em cheio os fãs de hard rock.

Prepare-se, pois muitas outras novidades estão por vir. A Hellion gosta de música tanto quanto você, e por isso traz sempre os melhores lançamentos para quem tem o rock e o heavy metal como estilo de vida!

Yngwie Malmsteen - Relentless (2010)

sexta-feira, novembro 26, 2010

Por João Renato Alves
Jornalista e Colecionador
Collector´s Room


Cotação: **


O sueco voador está de volta! Com um talento proporcional ao seu ego (e peso), Yngwie Malmsteen não foge das já conhecidas ideias musicais em Relentless. O segundo álbum a contar com os vocais de Tim “Ripper” Owens (Judas Priest / Iced Earth) segue aquela fórmula que já acostumou os fãs há muito tempo. Sendo assim, espere pela técnica exuberante de sempre, além da velocidade e coordenação impressionantes. Mas é óbvio que, mesmo com tantas semelhanças, podemos estabelecer um comparativo na qualidade. É aí que o bicho pega de vez.

Após a curta intro “Overture”, a pancada come solta em “Critical Mass”, que traz uma passagem acústica em seu começo, mas é só para enganar mesmo. A música segue uma linha menos veloz que o esperado em começo de álbuns de Malmsteen, mas os solos são aquela coisa pra lá de previsível. Mas é por pouco tempo que a veia speed deixa de se manifestar. Logo na sequência, a instrumental “Shot Across the Bow”, com a já conhecida influência clássica, vai agradar a turma do conservatório. Em “Look at You Now”, Yngwie mostra mais uma vez ao mundo porque é um dos melhores guitarristas de todos os tempos. Como? Cantando e quase colocando tudo a perder. Uma pena, pois essa é a mais interessante, até aqui.

A faixa-título é outra instrumental com os já tradicionais “bululus”, fritação de abelhas, espancamento de gatinhos e afins. Um surpreendente coral gregoriano abre e encerra “The Enemy Within”, a melhor até aqui, com uma pegada heavy cativante e riffs certeiros. Som que chega a lembrar Black Sabbath fase Dio em sua estrutura. “Knight of the Vasa Order” é outra instrumental com muita técnica e pouco a dizer. Mas seguimos bravamente suportando. Ainda bem, pois “Caged Animal” consegue subir o nível, com uma cadência bem interessante e certa aproximação ao hard rock na sua melodia. A melhor das exibições gratuitas de virtuose chega em “Into Valhalla”, que ao menos consegue soar menos enfadonha.

O clima de déjà-vu retorna com força total em “Tide of Desire” e prossegue na curta “Adagio B Flat Minor Variation”, cujo nome já é auto-explicativo para quem conhece o sueco. “Axe to Grind” tem uma levada bacana, além da melhor performance de Tim em todo o play. Aliás, aí está alguém que foi muito mal aproveitado em troca de áudio-aulas desnecessárias - e olha que falo isso sem ser o maior fã do cara.

A speed “Blinded” consegue animar a turma do neoclássico, embora vá fazer lembrar umas trezentas faixas de discos antigos. Mas dos males, o menor. O problema é a chatíssima “Cross to Bear”, logo após. Um exemplo cabal de como fazer uma música longa que não diga absolutamente nada. De bônus, a já conhecida – especialmente por quem acompanha os vídeos de Malmsteen – “Arpeggios From Hell”.

Obviamente, fãs bitolados (e por isso, desprovidos de senso crítico para com seus heróis) engolirão isso como a maior maravilha de todos os tempos. Aos mais moderados, fica a dica: não percam seus gloriosos tempos. A quem não conhece a carreira de Yngwie, o alerta: não comecem por esse ou terão a pior das impressões. Mas se mesmo assim não quiser deixar sua coleção incompleta, vá em frente. Apenas sugiro comprar junto algumas aspirinas.

Indicado a estudantes de guitarra vidrados no aspecto técnico do instrumento. Afinal de contas, feeling é coisa de velhos com seus vinis do Led Zeppelin e afins, certo?


Faixas:
1 Overture
2 Critical Mass
3 Shot Across the Bow
4 Look at You Know
5 Relentless
6 Enemy Within
7 Knight of the Vasa Order
8 Caged Animal
9 Into Valhalla
10 Tide of Desire
11 Adagio B Flat Minor Variation
12 Axe to Grind
13 Blinded
14 Cross to Bear
15 Arpeggios From Hell [bonus track]

25 de nov de 2010

Álbuns clássicos de Tim Maia reunidos em box!

quinta-feira, novembro 25, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room


Ótima notícia para quem gosta de música boa! O box Universal chega às lojas na primeira semana de dezembro reunindo oito álbuns de Tim Maia!

Fazem parte do pacote os discos Tim Maia (1970, 1971, 1972, 1973, 1976 e 1980), O Descobridor dos Sete Mares (1983) e Sufocante (1984). A caixa reúne todos os álbuns lançados pelo cantor pelas gravadoras Philips e Polygram, mais o DVD In Concert, registro de um especial gravado para a Rede Globo em 1989 e que já havia sido lançado em DVD.

O renomado jornalista Silvo Essinger escreveu um texto sobre os discos especialmente para o box, e cada álbum conta com as capas e encartes dos vinis originais. O som, é claro, também foi remasterizado, em um trabalho digno de elogios.

Vale lembrar que a Editora Abril já anunciou que após a Coleção Chico Buarque, que recolocou alguns dos principais discos de Chico de volta no mercado com bonitas reedições vendidas em bancas de revistas, o próximo artista a ter sua obra relançada pela Abril Coleções será Tim Maia. Ou seja, a obra de um dos artistas mais interessantes do Brasil está sendo redescoberta, principalmente a fase setentista de Tim, repleta de discos sensacionais.


Confira abaixo o tracklist de todos os discos que fazem parte do box Universal:

CD 1: Tim Maia (1970)

1. Coroné Antônio Bento (Luiz Wanderley / João do Vale)
2. Cristina (Carlos Imperial / Tim Maia)
3. Jurema (Maia)
4. Padre Cícero (Cassiano / Maia)
5. Flamengo (Maia)
6. Você fingiu (Cassiano)
7. Eu Amo Você (Silvio Rochael / Cassiano)
8. Primavera (Vai Chuva) (Rochael / Cassiano)
9. Risos (Fábio Imperial / Paulo Imperial)
10. Azul Da Cor Do Mar (Maia)
11. Cristina nº 2 (Carlos Imperial / Tim Maia)
12. Tributo à Booker Pittman (Cláudio Roditi)

CD 2: Tim Maia (1971)

1. A Festa do Santo Reis (Márcio Leonardo)
2. Não Quero Dinheiro,Só quero amar (Tim Maia)
3. Salve Nossa Senhora (Carlos Imperial - Eduardo Araújo)
4. Um Dia eu Chego lá (Tim Maia)
5. Não vou Ficar (Tim Maia)
6. Broken Heart (Tim Maia)
7. Você (Tim Maia)
8. Preciso Aprender a ser só (Paulo Sérgio Valle - Marcos Valle)
9. I Don't Know What to do with myself (Hyldon - Tim Maia)
10. É por Você que Vivo (Rosa Maria - Tim Maia)
11. Meu País (Tim Maia)
12. I Don't Care (Tim Maia)

CD 3: Tim Maia (1972)

1. Idade (Tim Maia)
2. My Little Girl (Tim Maia)
3. O que Você quer Apostar? (Tim Maia)
4. Canário do Reino (Carvalho - Zapatta)
5. Já era Tempo de Você (Rosana Fiengo - José Carlos de Souza)
6. These are the Songs [Esta é a canção] (Tim Maia)
7. O que me Importa (Cury)
8. Lamento (Tim Maia)
9. Sofre (Tim Maia)
10. Razão de Sambar (Tim Maia)
11. Pelo Amor de Deus (Tim Maia)
12. Where is my Other Half (Tim Maia)

CD 4: Tim Maia (1973)

1. Réu Confesso (Tim Maia)
2. Compadre (Tim Maia)
3. Over Again (Tim Maia)
4. Até que Enfim Encontrei Você (Tim Maia)
5. O Balanço (Tim Maia)
6. New Love (Roger Bruno - Tim Maia)
7. Do your Thing, Behave yourself (Tim Maia)
8. Gostava Tanto de Você (Édson Trindade)
9. Música no Ar (Tim Maia)
10. A Paz do meu Mundo é Você (Mita)
11. Preciso ser Amado (Tim Maia)
12. Amores (Tim Maia)

CD 5: Tim Maia (1976)

1. Dance Enquanto é Tempo
2. É Preciso Amar
3. Rodésia
4. Márcio, Leonardo e Telmo
5. Sentimental
6. Nobody Can Live For Ever
7. Me Enganei
8. Manhã de Sol Florida, Cheia de Cosias Maravilhosas
9. Brother, Father, Sister and Mother
10. Batata Frita, o Ladrão de Bicicleta
11. The Dance Is Over

CD 6: Tim Maia (1980)

1. Você e Eu, Eu e Você (Juntinhos)
2. Não vá
3. Tudo vai mudar
4. Nissei linda, linda nissei
5. Nossa história de amor
6. Nosso adeus
7. Não fique triste
8. Está difícil de esquecer
9. Meu samba
10. Doeu mais que doer

CD 7: Descobridor dos Sete Mares (1983)

1. O Descobridor dos Sete Mares
2. Terapêutica do Grito
3. Pecado Capital
4. Mal de Amor
5. 3 em 1
6. Neves e Parques
7. Rio Mon Amour
8. Me dê Motivo
9. Olá
10. Essa Dor Me Apanha

CD 8: Sufocante (1984)

1. Debaixo do Manacá
2. Quero Te Dar (Desejos)
3. Ga-gaguejando
4. Mama Super Mama
5. Aquariar
6. Sufocante
7. Bons Momentos
8. Amor Verdadeiro
9. Venha Ser Minha Mulher
10. Ai que Bom (instrumental)

Filme sobre Lemmy ganha segundo trailer!

quinta-feira, novembro 25, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room

Lemmy: The Movie, documentário sobre a vida do lendário Lemmy Kilmister, líder do Motörhead e um dos maiores ícones do rock pesado, acabou de ganhar um segundo trailer, que você pode assistir abaixo.

O primeiro já saiu há um bom tempo, e você pode rever clicando aqui.

Só digo uma coisa: vem aí um filme sensacional!



24 de nov de 2010

Motörhead - The Wörld is Yours (2010)

quarta-feira, novembro 24, 2010

Por João Renato Alves
Jornalista e Colecionador
Collector´s Room

Cotação: ***1/2

Não há nada mais revigorante que ouvir um álbum da instituição da música chamada Motörhead. Aqui está uma das poucas bandas que tem permissão para fazer o mesmo disco sempre, pois ainda assim consegue manter o padrão de qualidade lá em cima. Não é por menos que Lemmy Kilmister se transformou em uma verdadeira entidade divina do rock, idolatrado pelas mais variadas gerações. Afinal de contas, passam os anos, as modas e ele continua lá, firme e forte, fiel às suas ideias e convicções, ainda mais depois que estabilizou o grupo com a formação que já é a mais duradoura de toda a história, com Phil Campbell na guitarra e o fantástico Mickey Dee na bateria.

E é numa virada desse último que The Wörld is Yours começa. Para alegria geral da nação "motörheadiana", “Born to Lose” chega mostrando que nada mudou. É rock pesado dos bons, com aquela classe peculiar. “I Know How to Die” é mais agitada, na linha de “Stay Out of Jail” de We Are Motörhead (2000), com riffs e solos espertos de Campbell, como sempre esbanjando categoria. Mais uma intro de bateria simples e direta dá início a “Get Back in Line”, som que parece ter saído lá dos primeiros álbuns. Sem deixar o ritmo cair, “Devils in My Hand” segue a mesma estrutura, enquanto “Rock'n'Roll Music” é um verdadeiro testamento de Lemmy à história que ele mesmo ajudou a criar.

Mantendo o disco em sua velocidade moderada e constante, “Waiting for the Snake” é a próxima, com Mickey mais uma vez dando show de precisão. Aquele clima típico de “Orgasmatron” aparece em “Brotherhood of Man”, com o senhor Kilmister utilizando sua voz característica de forma quase ameaçadora ao ouvinte. E lá vem o espancador de peles ditar o ritmo mais uma vez em “Outlaw”, que dá uma acelerada após o refrão para uma passagem inspirada de Phil. “I Know What You Need”, mais curta de todas, é apropriada para o bate-cabeça dos fãs mais radicais. Para encerrar, aquela com o melhor título: “Bye Bye Bitch Bye Bye”. Rock puro, para ouvir agitando sem parar e fechar o play em alto astral.

Fazendo uma comparação com trabalhos mais recentes, The Wörld is Yours valoriza mais o lado clássico do Motörhead, deixando a veia puxada para o metal em segundo plano. Só não muda a boa e velha competência e o talento para contagiar as pessoas, fazendo um som eficiente e sem frescuras. Sem dúvida, mais um álbum digno de figurar em todas as coleções especializadas no assunto. Pois, como diz o mestre no refrão da quinta faixa: "Rock'n'roll music is the true religion!".


Faixas:
1 Born to Lose
2 I Know How to Die
3 Get Back in Line
4 Devils in My Head
5 Rock 'n' Roll Music
6 Waiting for the Snake
7 Brotherhood of Man
8 Outlaw
9 I Know What You Need
10 Bye Bye Bitch Bye Bye

Neurosis - Live at Roadburn 2007 (2010)

quarta-feira, novembro 24, 2010

Por Tiago Rolim
Com edição de Ricardo Seelig
Colecionador
Collector´s Room


Cotação: ****


O Neurosis é uma banda diferente. Um grupo que começou punk e que, ao longo de sua história, foi se transformando e mudando, sempre adquirindo mais peso, texturas e expurgando a velocidade de suas musicas até se transformar em um mostro perturbado - e porque não, perturbador -, que não vai deixar você impune ao que vai ouvir. É impossível não se impressionar com esta banda. Seu som, em uma vã tentativa de explicar, é uma mistura de Pink Floyd, Joy Division, Black Sabbath e algo de jazz na estrutura de suas peças sonoras. Mas é mais do que só isso, pois ela mexe com suas emoções e dá medo, muito medo. Escute o álbum Times of Grace (1999) e depois me conte ...

E não é só isso! Seus músicos criaram uma banda irmã - se é que se pode dizer isso - chamada Tribes of Neurot, na qual lançam uma versão diferente de cada disco gravado pelo Neurosis desde 1999! É inclassificável e desnecessário tentar descrever a sensação de ouvir alguns de seus trabalhos.

Depois de 25 anos, dez álbuns de estúdio, um com a participação da cantora Jarboe e alguns discos ao vivo que são quase como bootlegs originais, este ano foi lançado Live at Roadburn 2007, ao vivo que traz um show dos caras na Holanda. E é impressionante o poder que uma apresentação do Neurosis apresenta. Fica a sensação de não acreditar que esta música está realmente sendo tocada ao vivo devido a tantos detalhes hipnóticos que são colocados em sua execução. O grupo pode levar você ao mais doce paraíso para simplesmente ter o prazer de te arrastar para o inferno mais terrível, o qual nem Dante pôde imaginar!

A força de sua apresentação é tamanha que mesmo este trabalho sendo ao vivo só ouvimos a plateia com mais ênfase no início e no final do show, tamanho o poder sonoro dos caras! Não existem conversas, é só música, e isso basta!

Difícil apresentar destaques, mas o encerramento com “The Doorway”, dez minutos de suspense e peso que, assim como algum serial killer, tem a intenção de matar, não passa ignorada. “Given to the Rising” inicia magistralmente a jornada de terror e desespero que dura 78 minutos. “At the End of the Road” vai lhe transportar para lugares de sua mente que talvez você não queira visitar ...

Todas as músicas têm mais que seis minutos de duração, e acredite, algumas parecem que passam voando. Tem horas que você não sabe o que está ouvindo, e isso é muito bom!

No fim fica a certeza que esta é uma banda magistral e única, que existe há mais de duas décadas e influenciou toda uma geração de músicos. Se Crack the Skye do Mastodon foi um dos melhores discos do ano passado, pode ter certeza que o Neurosis tem sua parcela de culpa nisso.


Faixas:
1 Given to the Rising 9:41
2 Burn 7:16
3 A Season in the Sky 9:49
4 At the End of the Road 8:32
5 Crawl Back In 7:02
6 Distill 9:01
7 Water Is Not Enough 6:23
8 Left to Wander 9:25
9 The Doorway 10:21

23 de nov de 2010

Prateleira do Cadão: a fase alquímica de Jorge Ben

terça-feira, novembro 23, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room


Jorge Ben não é desse mundo. Os trabalhos gravados pelo cantor e compositor carioca nos anos setenta, notadamente os álbuns A Tábua de Esmeralda (1974) e África Brasil (1976), são discos únicos na música brasileira, donos de uma sonoridade que, mesmo transcorridos quase quarenta anos de seu lançamento original, atestam o quanto Jorge estava com a cabeça muito à frente daquilo que os seus contemporâneos estavam fazendo. Esqueça esse clone mal acabado que colocou um “Jor” no sobrenome, regrava “Taj Mahal” e “País Tropical” todos os anos e anda lançando CDs no máximo medianos há um bom tempo. O Jorge Ben que importa é esse aqui, original, maluco, inovador e sem igual!

Jorge Duílio Lima Meneses nasceu no Rio de Janeiro em 22 de março de 1942. Quando menino, queria ser jogador de futebol e chegou a ingressar nas caregorias de base do seu time do coração, o Flamengo, mas a paixão pela música falou mais alto. Aos treze anos começou a tocar pandeiro, passou pelo coro da igreja de sua comunidade, e aos dezoito ganhou de sua mãe seu primeiro violão. Com ele, companhia inseparável, começou a tocar nos bailes e festas das redondezas.

Os primeiros discos de Jorge Ben geraram discussão junto à crítica por misturar, sem maiores pudores, samba e bossa nova com elementos do então rock da Jovem Guarda, resultando em um som inovador e pra lá de original. São desse período álbuns fundamentais para a música brasileira como Samba Esquema Novo (1963, clássico instantâneo que abre com a imortal “Mas Que Nada”), O Bidú: Silêncio no Brooklin (1967), Jorge Ben (1969), Força Bruta (1970) e Negro é Lindo (1971).

Mas foi quando teve contato com a obra dos Beatles e outros grupos dos anos setenta, absorvendo a atmosfera lisérgica da época e inserindo características psicodélicas ao seu som, que Jorge criou dois melhores álbuns já gravados em nosso país.

Declarando-se um seguidor da obra dos lendários alquimistas, Jorge Ben batizou essa nova fase de sua carreira como “alquimia musical”, e a definição explica bem o que podemos encontrar em A Tábua de Esmeralda e África Brasil. Arejando o samba e incluindo o batuque no rock, Jorge Ben pariu dois discos com uma sonoridade singular e inusitada, que caíram como uma bomba de efeito duradouro na música brasileira.


Se os Beatles fossem brasileiros e tivessem nascido no Rio de Janeiro, A Tábua de Esmeralda seria o seu Sgt Pepper´s. Inovador, requintado e genial, o álbum leva o ouvinte através de uma jornada de boas vibrações banhada por letras inspiradas em textos alquímicos. O trabalho abre com uma de suas faixas mais conhecidas, “Os Alquimistas Estão Chegando os Alquimistas”, que joga no tabuleiro as intenções de Jorge Duílio. “O Homem da Gravata Colorida” é um samba lisérgico, enquanto “Errare Humanum Est” tem belíssimas e inspiradas linhas vocais. “Menina Mulher da Pele Preta” é um samba divertido onde Jorge fala de sua paixão por uma bela morena. Já “Zumbi” presta reverência ao lendário Senhor do Quilombo de Palmares, figura mítica da cultura negra brasileira.

O contraste entre o clima leve de “O Namorado da Viúva” e a letra densa e repleta de história de “Hermes Trismegisto e sua Celeste Tábua de Esmeralda” exemplifica o que é o disco: o balanço contagiante e de fácil assimilação do samba servindo de moldura para letras que transcendem o estado físico, transportando o ouvinte às alturas com uma criatividade perturbadora.


Em 1976 Jorge Ben soltou África Brasil, estilisticamente a sequência de A Tábua de Esmeralda, apesar de entre os discos haver um terceiro, Solta o Pavão, de 1975, álbum que tem a clássica “Jorge da Capadócia”.

África Brasil já abre com tudo, com o balanço imortal de “Ponta de Lança Africano (Umbabarauma)”, uma das canções mais conhecidas de Jorge. O embalo contagiante do samba rock não deixa ninguém parado, e até hoje conserva intacto o poder de levantar uma festa.

Hermes Trismegisto volta à ordem do dia com “Hermes Trismegisto Escreveu”, que fala novamente de alquimia e contém a imortal frase “é verdade sem mentira, certo muito verdadeiro”. A cíclica “O Filósofo” evolui sobre uma base que vai e volta, levando o ouvinte ao transe.

Um dos melhores momentos de África Brasil é “Meus Filhos, Meu Tesouro”. Na letra, Jorge Ben pergunta aos seus filhos o que eles querem ser quando crescer, e as respostas vão de “dona de casa atuante” a “mulher de milionário”, de “tesoureiro ou presidente” a “liberal como você”. Na parte instrumental, um groove de rachar o assoalho que funde samba e funk de maneira sublime!

As infinitas – e muitas vezes desnecessárias – versões da batidaça “Taj Mahal” fazem com que a sua gravação original, muito mais roots e com um charme vintage, soe atrativa, principalmente pelos espertos metais. O chão volta a tremer com o balanço sensual de “Xica da Silva”, tributo de Ben à lendária escrava – se em A Tábua de Esmeralda o homenageado foi Zumbi de Palmares, em África Brasil é a vez de Xica da Silva.

“A História de Jorge”, com uma letra pra lá de maluca, faz o ouvinte tirar os pés do chão com frases como “eu tinha um amigo que voava, voa Jorge, voa!” e “voa bem alto Jorge, traz uma estrela pra mim”.

O samba volta a encontrar o funk em “Camisa 10 da Gávea”, enquanto “Cavaleiro do Cavalo Imaculado” tem uns toques meio fusion. O disco fecha com “África Brasil (Zumbi)”, que reprisa trechos de “Zumbi” de A Tábua de Esmeralda e a adorna com uma batida mais tribal e os vocais raivosos de Jorge, cantando de uma maneira agressiva poucas vezes vista em sua carreira.

A Tábua de Esmeralda e África Brasil foram relançados recentemente em Lps de 180 gramas pela Polysom, dentro da série Clássicos em Vinil.


A gente olha hoje para Jorge Ben e vê um artista apagado artisticamente, sentado confortavelmente sobre as glórias de seu passado. Não há nenhum mal nisso, afinal cada um é dono do seu destino e faz o que bem entender com a sua vida, mas pessoalmente me causa repulsão assistir um cara com o talento que Jorge Ben possui tocando em programas de auditório, fazendo a trilha para donas de casa acima do peso nas tardes de domingo.

A Tábua de Esmeralda e África Brasil levaram a música de Jorge por caminhos até então inéditos, que na verdade estavam sendo construídos simultaneamente à gravação de ambos os discos. Se você nunca ouviu esses dois álbuns ainda dá tempo de corrigir essa falha em sua formação musical. Se você já os conhece, ouça novamente, pois a experiência é sempre nova e refrescante. E se você acha que tudo isso que eu falei é besteira e se contenta em acreditar que Jorge Ben é esse cara que colocou um “Jor” no nome e há tempos toca as mesmas músicas sem parar ... bem, nesse caso eu sinto muito e só posso ter pena de você, meu amigo, porque você está deixando de conhecer dois dos melhores discos já gravados por aí!

Rise to Remain, banda do filho de Bruce Dickinson, abrirá shows do Iron Maiden no Japão!

terça-feira, novembro 23, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room

Filho de peixe, peixinho é? A julgar pelo que ouvi do Rise to Remain, sim. A banda tem como vocalista Austin Dickinson, filho do lendário Bruce Dickinson, do Iron Maiden. O som do Rise to Remain é um death metal melódico, com Austin se alternando entre vocais limpos e guturais.

A banda foi confirmada como atração de abertura dos shows do Maiden nos dias 12 e 13 de março de 2011, ao lado do Bullet for My Valentine. Só lembrando que, em 2008, durante a Somewhere Back in Time, a abertura dos shows da Donzela ficou a cargo da bela Lauren Harris, filha do chefão Steve Harris. Só que, ao contrário do pop água com açúcar de Lauren, o som de Austin Dickinson é muito mais agressivo, um heavy metal de responsa e que tem tudo para dar certo mundo afora.

Duvida? Então assista ao clipe de "Bridges Will Burn" e tire as suas próprias conclusões:


22 de nov de 2010

Where Angels Suffer - Purgatory (2010)

segunda-feira, novembro 22, 2010

Por João Renato Alves
Jornalista e Colecionador
Collector´s Room

Cotação: ***1/2

Algumas figuras são referências históricas dentro de um grupo, simbolizando tudo aquilo que ele representa. Ninguém consegue imaginar o Kiss sem Gene e Paul, nem mesmo o Van Halen sem os irmãos Eddie e Alex – nesse caso, por uma compreensão lógica da vida. Motörhead sem Lemmy idem, além de inúmeros outros exemplos. Sendo assim, o W.A.S.P. sem Blackie Lawless não passa de um delírio qualquer. Ou passava, até que alguns ex-integrantes da banda, liderados pelo lendário Chris Holmes, resolveram levar a ideia em frente. Assim surgiu o Where Angels Suffer, ou W.A.S., para facilitar a compreensão.

A coisa fica um pouco confusa quando constatamos que o grupo simplesmente pegou músicas do segundo e terceiro discos do Randy Piper’s Animal e regravou. Ou seja, material inédito, nem pensar. Isso tira um pouco da expectativa, especialmente de quem já conhece os sons em questão, além de soar como uma bela falcatrua para os que não estão a par. De qualquer modo, vamos deixar esse fator de lado e nos concentrar no álbum em si. E quem sente falta dos velhos tempos do W.A.S.P. pode começar a ficar animado. Apesar de não contarem com um compositor com a mesma genialidade de Lawless, os caras seguem à risca a cartilha do antigo parceiro. Tudo aqui é extremamente planejado para agradar os fãs.

Os riffs de guitarra já chegam metendo o pé na porta em “Cardiac Arrest”, som que tem aquele clima perfeito para a galera acompanhar em um show. Em “Can’t Stop”, Rich Lewis chega a assustar, parecendo que incorporou Blackie Lawless em suas cordas vocais. A curta e eficiente “Don’t Wanna Die” é um destaque com sua pegada hard, enquanto “Crying Eagle” traz Stet Howland atacando sua bateria com vontade. “Unnatural High” vem emendada. Sua cadência e peso têm tudo para conquistar os fãs. Mantendo o estilo intacto, “Judgment Day” traz aqueles backing vocals inconfundíveis de outrora.

Aí vem um momento, no mínimo, curioso, com o cover de “Zombie”, do Cranberries. E souberam adaptá-la muito bem ao som do grupo, acrescentando peso e velocidade na medida certa. Com um nome que nem deixa margem pra desconfiança, “L.U.S.T.” vem no melhor estilo “Hellion”, preparando o terreno para as guitarras metálicas de “Violent New Breed” e “Morning After”, que não acrescentam muito. O nível volta a subir em “Eye of the Storm”, que poderia estar em um dos álbuns do W.A.S.P. da virada dos 1980’s para os 90’s. Destaque para o solo de guitarra, que é o melhor de todo o disco. “B.O.O.M.” (again?!?) fecha o trabalho com um approach mais modernoso, mas sem desvirtuar o estilo.

Apesar da sensação de colcha de retalhos, o álbum tem tudo para agradar os mais fanáticos pela banda que consagrou dois terços dos músicos presentes nesse projeto. Até porque, se não conquistar eles, não acontecerá com mais ninguém mesmo.

Vale a conferida, só não espere por algo surpreendente, especialmente se já conhece as versões anteriores das faixas aqui executadas.


Faixas:
1 Cardiac Arrest 4:11
2 Can't Stop 5:01
3 Don't Wanna Die 3:47
4 Crying Eagle 3:26
5 Unnatural High 3:49
6 Judgment Day 3:57
7 Zombie 3:40
8 Lust 4:18
9 Violent New Breed 4:06
10 Morning After 3:22
11 Eye of the Storm 3:33
12 Boom 3:23

A tragédia que inspirou a capa de um clássico do rock

segunda-feira, novembro 22, 2010

Por João Renato Alves
Jornalista e Colecionador
Collector´s Room

Talvez muitas pessoas olhem para a capa do primeiro álbum do Led Zeppelin e não saibam que ela é o registro de um desastre que realmente aconteceu.

Em 6 de maio de 1937, o LZ 129 Hindenburg, que havia saído de Frankfurt, na Alemanha, se preparava para aterrissar na Estação Aérea-Naval de Lakehurst em Nova Jersey, Estados Unidos. Enquanto descia, o veículo começou a pegar fogo. 97 pessoas se encontravam no dirigível, sendo 36 passageiros e 61 integrantes da equipe. 35 morreram (13 passageiros e 22 profissionais), além de um trabalhador que se preparava para receber a todos no solo.


A tragédia foi registrada em vídeo e fotos, mas especialmente em áudio, pelo radialista Herbert Morrison, da estação de rádio WLS, de Chicago. O locutor estava em Nova Jersey para gravar o momento e exibir no dia seguinte em sua emissora. O desespero está estampado em sua voz, mas mesmo assim, ele conseguiu levar em frente a cobertura, como se tudo estivesse sendo transmitido ao vivo. Acompanhem:



A sentença “Oh, the humanity!” proferida por Herbert em meio a sua comoção, acabou se tornando marcante. A frase foi reutilizada posteriormente de modo satírico em produções como Friends, The Simpsons, Wayne’s World e South Park, entre vários outros.

A investigação sobre a causa da explosão foi inconclusiva. Várias hipóteses foram levantadas, mas o que ficou de concreto da tragédia foi o fim das viagens com grande número de pessoas em veículos do tipo.


Para o rock, a imagem do ocorrido tornou-se referencial, ainda mais por estar diretamente ligada à estreia do Led Zeppelin, uma das maiores bandas de todos os tempos.

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