4 de dez de 2010

Manowar - Battle Hymns MMXI (2010)

sábado, dezembro 04, 2010

Por João Renato Alves
Jornalista e Colecionador
Collector´s Room

Cotação: ****1/2

A princípio, a ideia soava ruim em todos os sentidos possíveis e imagináveis. Falta de inspiração? Oportunismo barato? Por que o Manowar iria regravar um de seus mais clássicos álbuns? Em meio a várias críticas, acabei encontrando um bom motivo para a banda fazer isso: ao menos não gravariam outro disco como Gods of War. Coincidência ou não, o novo Battle Hymns surge no momento em que o baterista da gravação original retorna ao grupo. E Donnie Hamzik é, sem dúvida, um músico mais criativo e desenvolto que Scott Columbus – que se deu melhor como ator, quando adotava a alcunha de Charles Bronson.

A grande surpresa de Battle Hymns MMXI é Eric Adams. Obviamente, a banda baixou os tons para sua voz poder se adaptar com mais facilidade aos arranjos. Mas mesmo com as limitações que o tempo traz – afinal de contas, são vinte anos desde a gravação original – o cantor mostra porque ainda é um dos melhores do gênero. Além da qualidade de produção melhor (por motivos que nem precisam ser levados em consideração de tão na cara), pouca coisa realmente mudou. A mais significativa foi a substituição do falecido Orson Welles pelo astro Christopher Lee na narração de “Dark Avenger”.

Em “William’s Tale”, Joey De Maio consegue dar uma mudança feroz na timbragem de seu baixo. E no hino sagrado “Battle Hymn”, a adição de corais mais contundentes deu um clima ainda mais apoteótico. Mas nada que realmente altere o conteúdo das músicas, para alegria dos conservadores – espécie predominante quando o assunto é heavy metal. De bônus, duas versões ao vivo registradas durante a turnê do álbum original: “Fast Taker” e “Death Tone”.

Battle Hymns MMXI é o melhor álbum do Manowar em muito tempo. O lado triste disso é constatar que se trata de um disco de regravações. Ou seja, estão devendo algo relevante faz certa data já.


Pela obra histórica, nota 10!
Pela importância na carreira e descontando algumas coisas, nota 9!


Faixas:
1 Death Tone
2 Metal Daze
3 Fast Taker
4 Shell Shock
5 Manowar
6 Dark Avenger
7 William's Tale
8 Battle Hymn

Bonus Tracks

9 Death Tone (Live)
10 Fast Taker (Live)

3 de dez de 2010

Minha Coleção: Ricardo Della Rosa - Heavy metal e itens de guerra em uma coleção cheia de história!

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room

Prepare-se para conhecer uma coleção única! Em uma das melhores entrevistas já publicadas aqui na Collector´s Room, o paulistano Ricardo Della Rosa mostra a sua coleção, que une discos de heavy metal e itens históricos da Revolução de 1932! Um acervo impressionante, repleto de história e que vai deixar você de queixo caído.

Vista a sua farda, pegue as suas armas e prepare-se para a guerra!

(foto principal do post: Douglas Nascimento)

Olá Ricardo. Como você conheceu a Collector´s Room?

Conheci através do site Whiplash!.

De onde você é e o que você faz?

Sou de São Paulo capital e trabalho com publicidade na internet.

Quando começou a se interessar por música?

Desde sempre, minha família sempre foi muito ligada em música. No entanto descobri o Iron Maiden em 1985 graças a meu pai (!), que me trouxe o maxi single de “Aces High”.

Quantos discos você tem?

Não tenho essa conta, mas tem bastante coisa, já que compro discos e CDs desde moleque.


Você é um grande fã do Iron Maiden, certo? Quantos discos da banda você possui?

Já tive uma coleção de Maiden muito maior do que tenho hoje, com inúmeras versões do mesmo single. Hoje me contento com “um de cada”, e de preferência os pictures antigos.

O que o atraiu no Iron Maiden?

Um conjunto de fatores: letras ligadas à história, a melodia, a presença de palco, Steve, Bruce e, é claro, o Eddie!


Você tem alguma mania estranha em relação à sua coleção?

Sou extremamente organizado, talvez um pouco além da conta (risos). Mínimos detalhes, entende?

Além dos discos, você também coleciona itens de época da Revolução de 1932. Essa é uma coleção de família, certo? Conte pra gente como ela começou e que itens interessantes você possui.

Meus dois avôs partciparam ativamente da Revolução de 32. A coleção se iniciou através da minha própria família. Hoje são centenas de itens: uniformes, medalhas e insígnias, quadros, capacetes, documentos. Gosto muito de um quadro original do artista que desenhou os brasões da cidade e do estado de São Paulo – José Wasth Rodrigues -, e também tenho alguns capacetes muito especiais, repletos de história.


Você tem um blog destinado a essa coleção de itens históricos. Como surgiu a ideia de colocar a coleção na internet?

Depois de um tempo colecionando, entendi que as peças precisavam servir a um propósito maior e montei o blog para poder colocar os interessados em contato com essa história – que é de todos nós. O resultado tem sido excelente ,e o projeto está sendo bem difundido na mídia em geral, o que aumenta consideravelmente o acesso ao blog. Ano que vem pretendo fazer algumas exposições intinerantes em escolas. Acho um dever colaborar para que a nossa história não desapareça. Em algum momento do futuro pretendo colocar essas peças em uma exposição pública permanente, mas por enquanto o “museu virtual” está funcionando muito bem!

Como você faz para encontrar e adquirir itens para essa sua coleção sobre a Revolução de 1932?

É uma peregrinação semanal a antiquários, feiras, leilões, aqui em São Paulo e no interior. A verba para as peças é bem curta e sai do meu bolso – então, além de encontrar um item, é preciso que ele esteja a um preço justo. Também tenho recebido algumas doações de famílias que preferem que os objetos estejam bem guardados e cuidados.


Jon Schaffer, dono do Iced Earth, é um grande colecionador de itens relacionados à Guerra Civil norte-americana. Lemmy Kilmister, do Motörhead, coleciona itens ligados ao III Reich alemão. Na sua opinião, porque existe essa relação tão próxima entre o heavy metal e guerras e conflitos históricos?

Nós que gostamos de heavy metal somos seres privilegiados (risos), e a grande maioria dos fãs de metal são ligados em outras atividades artísticas e culturais. Talvez as letras das músicas ajudem nesta relação de alguma maneira. Além destes dois que você mencionou, outro dia troquei alguns e*mails com o guitarrista do extinto Forbidden – que também coleciona items da 2ª Guerra e hoje é piloto de monomotor.

Qual o item mais raro da sua coleção de discos e da sua coleção de itens históricos?

Tenho uma barrinha de prata fundida da campanha de arrecadação de dinheiro para financiar a guerra de 32. É uma peça muito difícil, a qual foram feitas apenas 100. Da coleção do Maiden gosto muito de um quadro que montei com ingressos de 1980 aos dias atuais - alguns deles usados por mim!


Que coleção você conheceu, aqui na Collector´s ou em suas andanças, que te fez ficar babando de inveja?

Ah, todas as coleções apresentadas na Collector´s são fantásticas, e seus donos verdadeiros heróis da paciência. É preciso ser uma pessoa muito articulada para ter uma coleção grande de itens que não são vendidos aqui no Brasil. Ter conhecimento de línguas, práticas comerciais, importação, Receita Federal e muitos outros atributos. Não basta ter dinheiro, tem que saber encontrar e trazer para casa.

Entre as bandas atuais, quais você ouve e recomenda para os leitores da Collector´s?

Sou fanzão de System of a Down, Cranberries e da carreira solo do Paul McCartney. Acho que nada muito atual, né?

Qual item é seu objeto de desejo, aquele que você sempre quis ter e ainda não conseguiu?

Por uma estupidez minha me desfiz dos Keepers I e II do Helloween – aqueles primeiros que vinham com adesivos. Putz, nunca mais encontrei ...

Qual a importância dos colecionadores para as bandas e para a indústria da música?

(Risos) Somos aquela prensagem garantida para as dez versões diferentes do mesmo single. Isso deve gerar uma receita razoável, não?

O que significa ser um colecionador de discos para você?

Como disse acima, colecionar é mais que comprar. É preciso, além do dinheiro, ter desenvoltura – e isso acaba facilitando outros aspectos na vida.

Ricardo, obrigado pela entrevista, e deixe um recado para os leitores da Collector´s Room.

Obrigado pela oportunidade. É uma honra aparecer em tão célebre lista. A música faz do mundo um lugar melhor. Estar ligado em música é muito saudável!

2 de dez de 2010

Afinal, qual é o nosso papel nessa história?

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room

Me peguei pensando uma coisa um dia desses. O que é mais importante na música: os artistas ou nós, os fãs? É claro que nada existiria sem nomes como John Lennon, Paul McCartney, Jimmy Page, Mick Jagger, Steve Harris, Bruce Dickinson, Keith Richards e tantos outros. Mas e quanto a nós, que consumimos música como água, que dedicamos grande parte de nossas vidas a esta paixão arrebatadora, qual é o nosso papel nessa história?

Os Beatles não seria os mesmos sem a Beatlemania. A loucura e o fanatismo dos fãs é peça essencial na cultura pop. Somos nós que construímos as lendas e os ícones do rock and roll. Kurt Cobain não acordou um belo dia e decidiu que iria ser a voz da juventude norte-americana dos anos noventa. Foram os fãs que o transformaram em seu porta-voz.

Quem gosta de música de verdade não se contenta em ter apenas um ou dois discos. Não existe fã de rock em uma coleção repleta de álbuns por trás. É só olhar o seu caso. Pense na banda que você mais gosta. Pensou? Agora conte quantos discos destes caras você tem. Muitos, com certeza – isso se não tiver a coleção completa, incluindo Eps, singles, promos e muito mais.

É este culto que faz o rock ser algo tão fascinante. Para os fãs, seus ídolos não são pessoas normais. Eu não consigo imaginar Jimmy Page como um cara de carne e osso como meu pai, apesar de os dois terem praticamente a mesma idade.

A mitologia faz tudo ficar maior. A suposta morte de Paul McCartney, a magia negra rondando o Led Zeppelin, o diabo ao lado de Robert Johnson, as drogas e o Aerosmith. O rock está repleto de histórias fantásticas, mágicas, inacreditáveis, que transformam pessoas normais em lendas, fascinando milhões de fãs ao redor do mundo.

Não existe juventude sem o rock and roll. Quando se tem quinze anos, nada é mais importante do que o som de guitarras distorcidas a todo volume!

Na cabeça de todo fã, ele é tão importante para uma banda quanto os seus integrantes. Para mim, o Iron Maiden não seria o mesmo sem a minha paixão pelo grupo. Pô, os caras fazem parte da minha vida há mais de 25 anos. Eu cresci vendo a banda crescer. Todas as minhas histórias, tudo o que eu vivi, tem um pouco do Maiden no meio. É claro que eu vou pensar assim.

Não dá pra explicar essa identificação de forma racional. Eu não gosto de Nirvana, mas milhões de pessoas gostam. Nenhum dos dois está errado. Tem gente que acha Beatles um saco, e tem gente que acha a banda genial – e é isso aí!

O rock, antes de tudo, é paixão. E isso não se explica, apenas acontece. Este o nosso papel nessa história. É a nossa paixão, o nosso amor, o nosso tesão pela música que faz o bom e velho rock and roll se manter vivo e forte há quase sessenta anos.

Porque de nada adiantaria John Lennon gritar a plenos pulmões se nós não estivéssemos aqui para escutá-lo.

Crazy Lixx - New Religion (2010)

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room

Cotação: ****

Formado na cidade sueca de Malmö em 2002, o Crazy Lixx lançou um dos melhores álbuns de 2010. Reverenciando o glam metal da ensolarada Califórnia oitentista, o quarteto sueco formado por Dirtchild Danny (vocal), Vic Zino (guitarra), Luke Rivano (baixo) e Joey Cirera (bateria) gravou um disco agradável, alto astral, que rende uma audição extremamente prazerosa!

Segundo trabalho do Crazy Lixx, New Religion chegou às lojas européias em 19 de março de 2010 sucedendo o debut dos caras, Loud Minority, de 2007. A música do grupo pega elementos das principais referências do hard oitentista - bandas como Motley Crue, Def Leppard, Quiet Riot e Danger Danger – e os une com enorme competência. O resultado é um som empolgante e que cativa de imediato.

“Rock and a Hard Place” abre o disco com ótimas guitarras e um grande refrão. “My Medicine” é mais cadenciada, mas não menos grudenta. “21 'Til I Die” é uma das melhores do álbum, com linhas vocais pra lá de inspiradas, ótimo refrão e um solo repleto de melodia.

Os destaques se sucedem. “Children of the Cross” é um hard de muito bom gosto, com mais um grande refrão. “The Witching Hour” conta com excelentes coros, enquanto “Lock Up Your Daughter” é o que o Def Leppard estaria fazendo hoje em dia se não tivesse amaciado demais o seu som.

Como todo álbum de hard que se preze, New Religion tem uma baladinha pra acalmar os ânimos. “What of Our Love” tem um que de Skid Row, e facilmente vai cair nas graças dos fãs do estilo. A pesada e agressiva “Voodoo Woman” fecha o disco em grande estilo, com ótimas guitarras e um grande refrão.

New Religion é um discão, com vários hits potenciais que grudam na primeira audição, como os bons álbuns de hard rock lançados nos anos oitenta. Quem me conhece sabe que não sou um grande fã do estilo, mas o que o Crazy Lixx fez nesse disco é impossível de ser ignorado! Inspirado, cativante e repleto de energia, o som do grupo cai como uma luva em qualquer pessoa que, assim como eu, cresceu tendo a música pesada como uma de suas principais referências.

Enfim, um discaço pra curtir com o volume no talo e um sorriso no rosto!


Faixa:
1 Rock and a Hard Place 3:54
2 My Medicine 4:39
3 21 'Til I Die 3:24
4 Blame It on Love 4:06
5 Road to Babylon 3:17
6 Children of the Cross 4:30
7 The Witching Hour 4:13
8 Lock up Your Daughter 4:05
9 She's Mine 3:39
10 What of Our Love 4:16
11 Desert Bloom 0:46
12 Voodoo Woman 3:54

Crashdïet - Generation Wild (2010)

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room

Cotação: ***1/2

Terceiro disco da banda sueca Crashdïet, Generation Wild marca uma transição importante em sua carreira: o álbum é o primeiro a contar com Simon Cruz, novo vocalista, no lugar de Olli Hermann, que saiu da banda em 2008 e fundou o Reckless Love. Aliás, o posto de vocalista do Crashdïet é complicado, já que a banda gravou apenas três discos – Rest in Sleaze (2005) e The Unattractive Revolution (2007) são os anteriores -, cada um com um cantor diferente. A saber: o vocalista original, Dave Lepard, cometeu suicídio em 20 de janeiro de 2006, com apenas 25 anos, devido à uma depressão.

Generation Wild traz onze faixas que mantém vivo em 2010 aquele som típico do hard californiano dos anos oitenta. Após uma breve introdução, “Armageddon” abre o disco com um riff agressivo, que dá início a uma faixa com uma sonoridade rica e com ótimo refrão. Os riffs 'pedalados' de “So Alive” mantém o clima do play em alta, com uma sonoridade clássica recheada por backing vocals bem interessantes.

A faixa-título, lançada como single e cujo clipe foi banido da MTV devido às suas cenas obcenas, é outra com um grande refrão. O ótimo solo de guitarra é a cereja do bolo de uma composição com cara de hit!

O álbum apresenta uma sequência de faixas redondas e muito bem resolvidas. “Rebel” é bem agressiva e conta com linhas vocais grudentas. A empolgante “Down in the Dust” é uma das melhores do disco, e você vai cantar junto o refrão sem ao menos perceber. “Bound to Fall” se destaca por unir guitarras pesadas a trechos mais calmos, onde a música respira, toma fôlego e conquista o ouvinte. O disco fecha com a excelente balada “Beautiful Pain”.

Generation Wild traz um hard rock feliz e festeiro, despreocupado e sem maiores compromissos – e por isso mesmo bom pra caramba! Uma trilha sonora mais do que apropriada para um animado bate-papo com os amigos, de preferência com belas e desinibidas garotas por perto!


Faixas:
1 442 0:53
2 Armageddon 4:06
3 So Alive 4:13
4 Generation Wild 3:56
5 Rebel 3:23
6 Save Her 3:26
7 Down With the Dust 2:47
8 Native Nature 4:29
9 Chemical 4:17
10 Bound to Fall 4:15
11 Beautiful Pain 4:42

1 de dez de 2010

Accept - Blood of the Nations (2010)

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room

Cotação: ****1/2

Existe vida sem Udo Dirkschneider, e ela é forte, poderosa, vibrante e surpreendente. Blood of the Nations é um belíssimo disco, uma obra de arte que recoloca no jogo uma das bandas mais influentes e importantes da história do heavy metal. O Accept está de volta!

Sob o comando de Wolf Hoffmann e Peter Baltes, o grupo soa renovado com a entrada do excelente vocalista Mark Tornillo, ex T.T. Quick. Dono de um timbre que varia entre o de Dirkschneider e o de Brian Johnson, do AC/DC, Tornillo faz qualquer fã do Accept esquecer de Udo logo que solta a sua voz na faixa de abertura de Blood of the Nations, “Beat the Bastards”.

As treze faixas do álbum são uma viagem repleta de recordações pela longa carreira da banda alemã. Há desde heavys empolgantes a baladas inspiradas, passando por canções épicas e outras onde o grupo aproxima-se agradavelmente do hard rock. Os riffs de guitarra da dupla Wolf Hoffmann e Herman Frank são um deleite para quem cresceu tendo o heavy metal como trilha de sua juventude, um bálsamo sonoro que funciona como um elixir revigorante.

Produzido por Andy Sneap, Blood of the Nations tem uma sonoridade cheia, agressiva, inspirada claramente na estética oitentista, mas indo além. Primeiro trabalho do grupo desde Predator, de 1996, o disco ostenta tanta qualidade em suas faixas que já nasce com cara de clássico!

E o mais legal disso tudo é que o impacto do álbum não ficou restrito a meia dúzia de fãs saudosistas. Uma passada pelo seus números mostra o quanto o trabalho se saiu bem comercialmente: quarta posição na Alemanha, sétimo na Suécia e na Hungria, nono na Finlândia, décimo-segundo na parada européia da Billboard, e por aí vai!

Evidente candidato a melhor álbum de 2010, Blood of the Nations é o tipo de disco que toda e qualquer pessoa que curte som pesado tem que ter em sua coleção.

Um tapa na orelha, um soco no estômago, um chute no saco! Obrigatório e ponto final!


Faixas:
1 Beat the Bastards 5:23
2 Teutonic Terror 5:12
3 The Abyss 6:52
4 Blood of the Nations 5:36
5 Shades of Death 7:30
6 Locked and Loaded 4:27
7 Kill the Pain 5:46
8 Rollin' Thunder 4:53
9 Pandemic 5:35
10 New World Comin' 4:49
11 No Shelter 6:02
12 Bucketful of Hate 5:11

David Rock Feinstein - Bitten by the Beast (2010)

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Por João Renato Alves
Jornalista e Colecionador
Collector´s Room

Cotação: *****

Talvez nenhum álbum lançado esse ano venha tão carregado no aspecto emoção quanto esse. David ‘Rock’ Feinstein, além de primo, era companheiro inseparável de Ronnie James Dio. A carreira musical de ambos tem ligação desde os tempos do Ronnie Dio & The Prophets, passando pelo The Electric Elves e ELF. Caminhos separados, David não alcançou o estrelato do primo, mas teve um trabalho respeitável, especialmente com o excelente The Rods, além de colaborar em vários momentos com o Dio. Agora, poucos meses após a partida de Ronnie, chega Bitten by the Beast, trabalho-solo do guitarrista e vocalista, que conta com a última faixa gravada por Ronald James Padavona em vida.

Obviamente, ela é o grande momento pelo qual todos esperam ao adquirir o seu exemplar. Mas não cometa o crime de desprezar as outras músicas. Desde o começo com o hard/heavy com influências setentistas de “Smoke on the Horizon”, podemos notar que esse é um play de primeiríssima categoria. Seguindo com a metálica “Evil in Me” e seus riffs ‘Iômmicos’ misturados a uma levada mais próxima do Rainbow, o preço da bolachinha já está pago com juros. Sem deixar o pique cair, “Break Down the Walls” conta com a assinatura típica de Feinstein, unindo um clima festeiro e a pegada certeira do baterista Nate Horton.

Mas chega o momento mais aguardado pelos fãs. A intro de bateria – executada por Carl Canedy, ex-The Rods – chama os riffs de guitarra e o baixo pulsa. Eis que surge a voz. E a emoção toma conta inevitavelmente. Como se soubesse que não haveria outra gravação, Dio coloca coração, alma e o que mais pudesse, explorando todas as características de seu registro. Por motivos que não são necessários explicar, é muito difícil fazer uma avaliação isenta de “Metal Will Never Die”. Mas o arrepio na espinha e os olhos marejados dizem mais que mil palavras. Uma despedida mais que digna de alguém que ainda está tão próximo.

Mas vamos em frente que ainda tem muita coisa boa! “Kill the Demon” tem uma cadência que chega a lembrar os trabalhos da cozinha mais parceira da história do rock, Neil Murray e Cozy Powell. E chega a hora do bom e velho rock and roll! Arraste a mobília, passe o gel na cabeleira, ensaie seus passos preferidos e puxe a patroa para a dança. Entre no clima de “Rock’s Boogie”, som que lhe transportará direto para os anos 1950. Avancemos duas décadas em “Give Me Mercy”, hard rock estradeiro que poderia muito bem estar em algum clássico do ZZ Top.

Entrando na reta final, a heavy “Run For Your Life” é um delicioso clichê oitentista, com guitarras à la NWOBHM e um refrão daqueles que a galera se mata acompanhando em uma arena, com os punhos erguidos. Para encerrar de vez, uma regravação de “Gambler, Gambler”, do ELF. Feinstein faz jus ao primo, interpretando de maneira esplêndida.

Um álbum curto e direto, carregado de muita emoção, com músicas fenomenais, feitas por quem entende do assunto. Tem hard rock, heavy metal e rock and roll em uma maravilhosa salada daquilo que todos nós amamos.

Ronnie ouve sorrindo e fazendo o sinal dos chifrinhos onde estiver!


Faixas:
1 Smoke on the Horizon
2 Evil in Me
3 Break Down the Walls
4 Metal Will Never Die
5 Kill the Demon
6 Rocks Boogie
7 Give Me Mercy
8 Run for Your Life
9 Gambler Gambler

30 de nov de 2010

Castiga!: Frank Zappa chegou, chegando!!!

terça-feira, novembro 30, 2010

Por Marco Antonio Gonçalves
Colecionador
Collector´s Room

Freak Out!, disco de estreia de Frank Zappa e o Mothers of Invention, chegou às lojas em 27 de junho de 1966 como um tsunami, arrastando com fúria indomada as estruturas conservadoras da sociedade americana. Primeiro álbum duplo e conceitual gravado por uma banda de rock, trazia inovações sonoras surpreendentes, como a utilização de efeitos wah wah nas guitarras (novidade absoluta na época) e a inclusão de instrumentos musicais pouco ou nada utilizados no rock até então, como tuba, xilofone, cello e clarinete.


Outra surpresa era a mistura nada convencional de gêneros musicais, fundindo rock à música concreta e empregando elementos da psicodelia, do doo-wop, do rock and roll e do blues. Um coquetel de música experimentalista, atonal e de vanguarda para descabaçar a mente dos incautos.

Mas o melhor mesmo estava reservado às composições zappeanas: letras pra lá de ousadas e recheadas de sarcasmo, sátiras e piadas de vaudeville, num deboche descarado ao “american way of life” e à cultura pop. Este senso crítico ácido seria uma característica marcante no decorrer de sua brilhante carreira.


Uma trilha sonora devastadora, onde Zappa é o regente de uma enigmática orquestra de freaks, tendo como aliados os mentecaptos Ray Collins (vocal, gaita e percussão), Jimmy Carl Black (bateria), Roy Estrada (vocal, baixo e guitarrón) e Elliot Ingber (guitarra base e solo), todos integrantes do Mothers of Invention. Aliás, o “of Invention” foi uma sugestão dos executivos da gravadora MGM, que achavam que o antigo nome do grupo (apenas “Mothers”) poderia ser associado ao palavrão “motherfucker”. Talvez fosse essa a intenção da mente subversiva do músico. Elementar, meu caro Zappa ...

Dentre os músicos de apoio que participaram das gravações estavam Eugene Di Novi, Les McCann e Mac Rebennack (piano); Neil Le Vang e Carol Kaye (guitarra); Gene Estes e Kenneth Watson (percussão); Paul Butterfield (gaita); John Rotella (clarinete e saxofone); Plas Johnson (saxofone e flauta); Kurt Reher, Raymond Kelley, Paul Bergstrom, Emmet Sargeant, Joseph Saxon, Edwin V. Beach (cello); Arthur Maebe, George Price e John Johnson (tubas); Virgil Evans (trompete); David Wells (trombone), entre outros.


Produzido por Tom Wilson e gravado no estúdio da MGM, Freak Out! é um marco na história da música, trazendo o habitual humor corrosivo e irreverente do músico americano, presente em todas as faixas do disco. Começa com “Hungry Freaks, Daddy?” (uma canção rock com riff cavernoso, criticando a sociedade de consumo americana), segue com “I Ain’t Got No Heart” (doo-wop debochado, que Zappa dizia ser um resumo de seus sentimentos sobre as relações sexuais-sociais. Aqui, Ray Collins imita com petulância o estilo vocal de Jack Bruce, do Cream) e chega na fantástica “Who are the Brain Police” (uma mistura “chocante” de experimentalismos e suaves melodias vocais. A letra questiona quem é a polícia do cérebro e fala como mentes e objetos podem derreter, em uma crítica feroz contra o autoritarismo).

O álbum está repleto de “temas amorosos” assinados pelo cinismo e irreverência de mister Zappa: “Go Cry on Somebody Else’s Shoulder” (baladinha romântica com vocais debochados, sacaneando as letras repetitivas das canções de amor), “How Could I Be Such a Fool” (arranjos elaborados, sonoridade melancólica e letra sarcástica, tratando sobre desilusões amorosas), “Any Way the Wind Blows” (levada psicodélica e melodia grudenta, tirando um sarro sobre as agruras do amor eterno), “Wowie Zowie” (com vocais cômicos e ritmo contagiante, traz mais uma letra bem humorada falando sobre uma paixão bizarra) e “I’m Not Satisfield” (que revela a insatisfação amorosa de um freak desamparado, trazendo vocais empolgantes e belo trabalho instrumental da banda).


Duas faixas essenciais são “Motherly Love” (propositalmente um tema vulgar, uma espécie de chaveco furado, embalado por uma levada viciante e guitarras e vocais precisos) e “Trouble Every Day” (um r&b agressivo, de caráter político, cita os violentos conflitos raciais deflagrados no gueto de Watts, em Los Angeles, em 1965, e os acontecimentos filtrados pela competição comercial nas emissoras de televisão).

O experimentalismo também está presente em estado bruto nas faixas “Help I’m a Rock” (uma levada freak insana, onde vocais macabros se misturam ao instrumental intenso, criando ruídos e uma estrutura musical assustadora) e “Return of the Son of Monster Magnet” (que fecha o disco, ocupando o lado D inteiro do vinil. Com influências do erudito, traz uma série de diálogos e esquisitices sonoras, com participação do personagem Suzy Creamcheese, na voz de Jeannie Vassoir).

Um disco histórico e avançado para a época, o retrato de uma obra anti-comercial que, apesar de fazer sucesso nos meios underground californianos, alcançou apenas a 130ª posição nas paradas. Zappa admitiria anos mais tarde que o público médio não estava preparado para assimilar e entender este e outros discos gravados por ele nos anos 60. Mesmo assim, Freak Out! foi bem recebido na Europa, principalmente na Inglaterra. Na época, fizeram algumas apresentações na América - com o habitual estilo teatral de palco e performances que interagiam com o público – e saíram na sequência tocando mundo afora.

Era o início de uma carreira extremamente produtiva e que faria história na música contemporânea mundial. Anormal!

Pantera na capa da nova edição da Roadie Crew!

terça-feira, novembro 30, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room

Tá aí, em primeira mão, a capa da nova edição da revista Roadie Crew! A edição #143 faz um especial sobre os vinte anos de lançamento de um dos mais influentes e importantes discos da história do heavy metal, Cowboys from Hell, do Pantera, que chegou às lojas em 25 de janeiro de 1990.

Além disso, essa edição também traz a estreia do editor da Collector´s Room, Ricardo Seelig, nas páginas da Roadie Crew! Ricardo destrinchou a carreira do grupo irlandês Thin Lizzy na seção Roadie Collection, apontando quais são os melhores e mais importantes álbuns da banda liderada pelo falecido baixista e vocalista Phil Lynott.

Leia em alto e bom som!

Poison Sun - Virtual Sin (2010)

terça-feira, novembro 30, 2010

Por João Renato Alves
Jornalista e Colecionador
Collector´s Room

Cotação: ****1/2

Em primeiro lugar, é preciso dizer que Herman Frank é um trabalhador e tanto. Nos últimos dois anos, o guitarrista lançou três discos: seu solo, o novo do Accept e agora o Poison Sun, projeto que conta com ninguém menos que sua esposa nos vocais. Aliás, vamos deixar claro que Martina Frank não é uma aventureira qualquer que, do nada, decidiu cantar por ser a cônjuge de uma figura conhecida. Ela já deixou sua voz registrada em estúdio para bandas como UFO e Weinhold. E que voz! Lembrando a linhagem tradicional de figuras como Doro Pesch e Leather Leone, a dama não deixa pedra sobre pedra.

O play já abre com um verdadeiro pé na porta em “Voodoo”, um hard/heavy de primeiríssima qualidade, com alma oitentista. Candidataça a figurar nos best of’s da galera. Para não deixar a bola cair, “Red Necks” chega estourando os alto-falantes, em um convite para o headbanging. “Hitman” poderia facilmente entrar em algum clássico do Accept. Dá até para imaginar a linha de frente da banda fazendo a tradicional coreografia enquanto a executa. Hora de meter o pé no acelerador com “Rider in the Storm”, power metal vigoroso com um refrão que na segunda passagem você já está cantando junto. Quando surge o riff inicial de “Killer”, não tem como não lembrar automaticamente de “Balls To the Wall”. Mas não soa como mera cópia, com seu desenrolar, o som vai ganhando corpo e vida própria.

A faixa-título abre a segunda metade do álbum com uma pegada rock and roll indefectível! Lembra bons momentos da outra banda de Herman, o também excelente Victory. A cadenciada “Princess”, com seu baixo à la Geezer Butler, faz o ouvinte bater o pé no ritmo em outro momento de destaque. “Phobia” é bem hard rock, com aquela típica levada festeira do estilo e um refrão grudento. Já “Excited”, cover do The Pointer Sister (grupo vocal norte-americano de R&B), traz um clima mais moderno, mas sem perder as características da proposta inicial. A ‘menos boa’, digamos assim, pois não dá para desprezar. Encerrando, temos a arrastada “Forever”, que não chega a ser uma balada típica e conta com uma interpretação emocionada de Martina.

Não bastasse o fantástico Blood of the Nations com o Accept, Herman Frank mostra a todos que está em um momento pra lá de inspirado. Afinal, não é para qualquer um conseguir colocar dois trabalhos entre os destaques no mesmo ano. Trabalho digno da tradicional escola alemã de rock. Que o Poison Sun tenha longa vida, pois passou no primeiro teste com louvor!


Faixas:
1. Voodoo
2. Red Necks
3. Hitman
4. Rider in the Storm
5. Killer
6. Virtual Sin
7. Princess
8. Phobia
9. Excited
10. Forever

Dois dias na companhia de um deus! - Jeff Beck: RJ, 24/11/2010 - SP, 25/11/2010

terça-feira, novembro 30, 2010

Por André Leite
Colecionador
Collector´s Room

Sou fã de Jeff Beck desde 1985, quando comprei o álbum Truth em uma loja de discos usados. A partir de então sempre apreciei seu trabalho. Por isso, quando foram anunciadas as datas de sua turnê no Brasil me empolguei e optei por ir nos dois shows.

No primeiro dia tive a companhia de meu amigo e bluesman Fabio Dwyer. Cheguei trinta minutos antes de começar o show, e consegui um lugar na grade da pista. O show começou com quinze minutos de atraso, e começou arrasando, com uma bela versão de “Plan B”. Jeff empolgadíssimo, e já na segundo música – “Stratus” – começou a dar um grande espaço para os membros da sua banda, especialmente a baixista Rhonda Smith e o baterista Narada Michael Walden. Estes dois são responsáveis por um som mais funkeado. Já no fim da música, um breve solo de bateria foi suficiente para empolgar a galera e o próprio Beck, que foi ao microfone saudar seu batera. Aliás, um dos grandes méritos desta banda de Jeff Beck refere-se aos arranjos das músicas, que foram adaptadas às características e possibilidades dos músicos.


Ao contrário do que muitos fãs imaginavam, o show foi pauleira, com pouco espaço para as músicas mais calmas. E Smith e Walden animam muito a galera. A sétima música foi o solo de baixo que, cheio de slaps e groove, empolgou a galera, que começou a bater palmas, e fez que a banda, incluindo
Beck, passasse a bater palmas juntamente com a audiência. Era clara a surpresa e a satisfação estampada na face do tecladista, Jason Rebello. Depois desse momento, a banda entra com muito funk, fazendo as pessoas tirarem o pé do chão. Impressionante: música instrumental e todo o Vivo Rio gritando “hey, hey, hey, ...”!


Logo após, “People Get Ready” fez o público se animar ainda mais, com Jeff na guitarra fazendo a parte que na gravação de 1985 pertencia a Rod Stewart, enquanto o solo ficou a cargo de Rebello. Sinceramente, não senti falta da voz de Rod.

“Rollin’ and Tumblin”, uma antiga música de Muddy Waters cantada por Rhonda Smith, foi um dos ápices do show. A partir daí, o jogo estava ganho e me faltam palavras para escrever a cartase coletiva que se apossou do Vivo Rio. O show terminou com uma versão arrasadora de “Brush with the Blues” e uma “A Day in the Life” bem pesada, com direito a Beck chutar a guitarra no chão, provocando um som muito bacana para encerrar o set. Jeff Beck foi ao microfone e empolgadíssimo agradeceu a todos, apresentando a banda mais uma vez.


Beck volta em 3 minutos e sozinho no palco dá início a “I Wanna Take You Higher”, de Sly & the Family Stone, com todo mundo batendo palma. Logo após, Narada entra pulando e berrando, assume a bateria e o Vivo Rio fica em êxtase; Rebello retorna em seguida. Por último, Rhonda entra, religa o baixo e começa a cantar. Sensacional! Em determinado momento cada um da banda fica responsável por cantar um verso da música, o que Beck faz por meio de sua guitarra. A galera responde ovacionando, com palmas, em uma uníssona celebração. Ao fim, Jeff Beck cai de joelhos no palco, rendido pela empolgação da plateia!

Em seguida, o roadie entrega a Jeff uma Gibson Les Paul e ele chama a atenção da plateia: “Prestem atenção nesta guitarra”. E dá início a “How High is the Moon”, uma homenagem ao mestre Les Paul. Por fim, “Nessun Dorma”, ária do último ato da ópera Turandot, de Puccini. A galera veio abaixo, ovacionando Beck e a banda. Na plateia, Liminha, Frejat e Milton Nascimento, dentre outros, o que mostra a importância musical de Beck e de sua história.


Fui para São Paulo, e ali teria a companhia de meu amigo Marcelo Peixoto. Combinamos de nos encontrarmos no aeroporto, e ao chegar, o vi e resolvemos, já que teríamos tempo, esperar por Jeff Beck. Juntado-se à nossa esperança, um casal fez o mesmo. José e sua esposa estavam esperando há mais tempo que nós, ele com sua guitarra. Duas horas e meia depois da chegada do meu vôo, Beck e banda surgem no saguão de desembarque de Congonhas, e erguemos nossos CDs, esperando por um autógrafo do ídolo, mas o produtor brasileiro disse que ele não falaria conosco, pois estava cansado. Quase desistimos, mas um segurança do aeroporto disse: “Ei, vão atrás do cara. Aqui é Brasil e nós é que mandamos aqui”.

De fato, fomos recompensados, apesar da insistência do produtor brasileiro, com fotos autografadas. Quando recebi a minha, disse a Beck: “Fui ao show de ontem no Rio e vou ao show de hoje também”. Isso o deixou surpreso e feliz! Aliás, feliz estávamos nós com nosso troféu!

O repertório do show de São Paulo foi o mesmo do Rio, assim, como a empolgação da plateia e da banda. Novamente Jeff Beck e banda arrasaram. Os caras se olham muito durante o show, e isso permite a coordenação de improvisos e finais das canções com muita eficiência. Showzaço novamente! Duas noites para lavar a alma!

Nas palavras do Marcelo, Jeff e banda apresentaram a linguagem do jazz em formato rock. Perfeitos!


29 de nov de 2010

Immolation - Majesty and Decay (2010)

segunda-feira, novembro 29, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room

Cotação: ****

Oitavo álbum do quarteto norte-americano Immolation, Majesty and Decay traz doze faixas de um death metal de responsa, feito por quem entende – e muito – do assunto. Maléficas melodias de guitarra surgem da poderosa parede sonora do grupo, dando às composições um ar ainda mais sombrio.

A sonoridade do disco é um assombro! Produzido por Paul Orifino, o play é pesadíssimo, denso, dono de uma escuridão palpável. Lançado lá fora no dia 9 de março de 2010, Majesty and Decay é um trabalho que, ao mesmo tempo em que respeita o passado glorioso do conjunto – onde os álbuns Here in After (1996), Close to a World Below (2000) e Unholy Cult (2002) brilham como jóias reluzentes – mostra que a banda liderada pelo baixista e vocalista Ross Bolan está com o tanque cheio de combustível e pronta para pegar a estrada por muitos e muitos anos ainda!

“A Token of Malice” é um destaque imediato, uma composição inspirada e com grande performance de toda a banda – completada por Robert Vigna (guitarra), Bill Taylor (guitarra) e Steve Shalaty (bateria). “A Glorious Epoch” é outra ótima faixa, com um clima épico e andamento mais cadenciado que evidencia ainda mais o peso absurdo do disco.

A parte final do álbum, a partir do interlúdio contido na faixa 8, coloca a agressividade em primeiríssimo plano, como se as quatro últimas faixas formassem uma espécie de suíte de encerramento criada sobre a benção do demônio!

Concluindo, Majesty and Decay traz um death metal muito competente e pesadíssimo, com andamentos cadenciados na maioria das faixas, que são temperadas por melodias sombrias que dão um clima de horror e devastação ao trabalho. Os vocais de Bolan, guturais e pra lá de graves, encaixam-se com precisão na sonoridade da banda, e são um destaque a parte. Há sempre a preocupação em adicionar variações rítmicas nas composições, fazendo com que elas surpreendam o ouvinte com viradas inesperadas, e o resultado final é bastante positivo.

Grandes bandas gravam grandes discos, e aqui não foi diferente!


Faixas:
1 Intro 1:19
2 The Purge 3:18
3 A Token of Malice 2:41
4 Majesty and Decay 4:29
5 Divine Code 3:38
6 In Human Form 4:04
7 A Glorious Epoch 4:37
8 Interlude 2:04
9 A Thunderous Consequence 3:58
10 The Rapture of Ghosts 5:19
11 Power and Shame 3:44
12 The Comfort of Cowards 5:52


Motörhead confirmado no Rock in Rio 2011!

segunda-feira, novembro 29, 2010

Por João Renato Alves
Jornalista e Colecionador
Collector´s Room

Um dos maiores festivais de rock do mundo, o Rock in Rio, que acontece no Brasil entre setembro e outubro de 2011, acaba de confirmar mais duas atrações: Motörhead e Coheed and Cambria! As bandas tocam no dia 25 de setembro, na data dedicada ao heavy metal, que também terá a presença de Metallica, Sepultura e Angra.

Até o momento, o Rock in Rio possui oito grupos confirmados: Metallica, Snow Patrol, Red Hot Chili Peppers, Sepultura, Angra, Capital Inicial, Coheed and Cambria e Motörhead. No total, serão cem atrações, entre nacionais e internacionais.

Arsis - Starve for the Devil (2010)

segunda-feira, novembro 29, 2010

Por Ricardo Seelig
Publicitário e Colecionador
Collector´s Room

Cotação: ***

Quem acompanha a cena metalcore sabe o quanto ela é prolífica. Bandas surgem em cada esquina, novos grupos são formados a todo momento. Isso faz que, naturalmente, para cada Trivium – uma banda realmente inovadora, com discos consistentes e que merece o espaço que conquistou – venham à tona dezenas de bandas não tão boas assim. Esse é o caso do Arsis.

Natural de Virginia Beach, nos Estados Unidos, o Arsis é um quarteto formado atualmente por James Malone (vocal e guitarra), Nick Cordle (guitarra), Nathaniel Carter (baixo) e David Kinkade (bateria). O grupo já tem quatro discos gravados – A Celebration of Guilt (2004), United in Regret (2006), We are the Nightmare (2008) e Starve for the Devil (2010). Vamos nos prender nesse último nessa resenha.

Lançado em 9 de fevereiro de 2010 lá fora, Starve for the Devil ganha agora uma versão nacional pela Paranoid Records. O som do Arsis é um metalcore repleto de melodias de guitarra e com vocais bastante raivosos. O destaque imediato vai para os solos, muito bem construídos e que merecem atenção.

O CD abre com “Forced to Rock”, com variações rítmicas e boas melodias, além de algumas características que beiram o thrash. “A March for the Sick” tem guitarras bastante similares à clássica e imortal “Raining Blood”, do Slayer. Mais uma vez, os solos e as melodias de guitarra se destacam. O disco segue por esse caminho, trilhando um caminho seguro, sem maiores inovações, e que deve agradar quem curte metalcore. A melhor faixa, para mim, é “Closer to Cold”, onde a banda não tem medo de ousar um pouco e mostra personalidade e solidez. Outro bom momento ocorre em “Sable Rising”, com um riff de melodias cíclicas influenciadíssimo pelo black metal norueguês do início dos anos noventa.

Starve for the Devil conta com duas faixas bônus. A primeira, “A Pound of Flesh”, não difere em nada das presentes no tracklist principal, e poderia estar no disco sem maiores problemas. Já a segunda é “The Lake”, versão para a canção de King Diamond, presente aqui em uma releitura que deu à faixa as características da banda – ou seja, transformaram-na em um metalcore -, fazendo com que o resultado final soe apenas como mera curiosidade.

De uma maneira geral, Starve for the Devil traz em suas faixas um metal acelerado, sempre temperado por fartas doses de melodia. As bases e as estruturas das músicas trazem características de thrash metal, enquanto as guitarras, nos trechos mais pesados, lembram um pouco o In Flames dos primeiros discos. Mas, indiscutivelmente, a principal influência do Arsis é o Trivium, seja pela pegada que une thrash ao metal tradicional, seja pelo uso constante de melodias criadas pela dupla de guitarristas James Malone e Nick Cordle.

Na minha opinião falta originalidade e um som com cara própria ao Arsis. É tudo muito bem feito, bem executado e bem produzido, mas nada original, soando apenas como mais do mesmo.

Se você gosta de metalcore, vale a conferida. Agora, se você não curte o gênero, passe longe.


Faixas:
1 Forced to Rock
2 A March for the Sick
3 From Soulless to Shattered (Art in Dying)
4 Beyond Forlorn
5 The Ten of Swords
6 Closer to Cold
7 Sick Perfection
8 Half Past Corpse O'Clock
9 Escape Artist
10 Sable Rising

Bonus Tracks:
11 A Pound of Flesh
12 The Lake

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