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Mostrando postagens com o rótulo Dream Theater

Systematic Chaos (2007): o início de uma nova era para o Dream Theater

Lançado como o álbum de estreia do Dream Theater pela Roadrunner Records, Systematic Chaos (2007) surge após o fechamento simbólico de Octavarium (2005) e abandona qualquer pretensão conceitual unificada para apostar em uma coleção de ideias intensas, fragmentadas e, muitas vezes, deliberadamente excessivas. É um disco que parece querer provar força, energia e relevância em um cenário de metal progressivo que já havia mudado bastante nos anos 2000. Desde a abertura com “In the Presence of Enemies – Part I”, fica claro que o grupo opta por um tom mais sombrio e agressivo. Riffs pesados, mudanças bruscas de andamento e um clima quase épico atravessam o álbum, especialmente em faixas como “The Dark Eternal Night” e “Constant Motion”, que flertam abertamente com o metal moderno. "Constant Motion", inclusive, tem uma linha vocal idêntica a "Blackened", do Metallica, e traz claras influências da banda norte-americana. Ao mesmo tempo, há espaço para momentos mais melód...

Six Degrees of Inner Turbulence (2002): o Dream Theater entre a grandiosidade e a fragmentação

Six Degrees of Inner Turbulence (2002) é, acima de tudo, um álbum sobre excesso, não apenas de duração ou complexidade técnica, mas de ideias, emoções e intenções. Diferente de Scenes from a Memory (1999), que canaliza sua ambição dentro de uma narrativa rígida e controlada, aqui o Dream Theater opta por um formato mais fragmentado, quase errático, que reflete diretamente o tema central do disco: a instabilidade interna. O primeiro disco funciona como um laboratório emocional. “The Glass Prison” estabelece um ponto de partida brutal, tanto musical quanto lírico. Os riffs angulares e a estrutura opressiva traduzem a sensação de aprisionamento psicológico, enquanto a banda assume um tom mais cru do que o habitual. É uma música que privilegia impacto e tensão, mesmo quando flerta com a repetição, e deixa claro que o virtuosismo aqui não é apenas ornamental, mas parte do discurso. “Blind Faith” amplia esse escopo ao explorar a dúvida como motor narrativo. A música cresce lentamente, ...

Dream Theater, David Lee Roth, Alice Cooper e Saxon ganham novas edições em CD no Brasil pela Wikimetal

A Wikimetal, em parceria com a Kanto do Artista e a Oporto da Música, acaba de colocar no mercado brasileiro uma leva especial de novos lançamentos em CD que resgata alguns dos álbuns mais clássicos, marcantes e representativos da história do metal e do hard rock. São títulos que, até então, estavam fora de catálogo no Brasil por muitos anos ou simplesmente nunca haviam sido lançados oficialmente em CD no país, tornando essas edições especialmente relevantes para fãs e colecionadores. Todos os álbuns estão disponíveis na loja da Kanto do Artista , além de poderem ser encontrados nas principais lojas físicas e online do Brasil , ampliando o acesso a obras fundamentais de artistas como Dream Theater, David Lee Roth, Alice Cooper e Saxon. A iniciativa reforça o papel da Wikimetal como uma gravadora atenta à história do rock pesado, investindo em edições cuidadosas, com excelente qualidade e conteúdo extra , sempre valorizando o formato físico. Com essa curadoria criteriosa, a Wikimeta...

Mais metal que progressivo: a virada pesada do Dream Theater em Train of Thought (2003)

Depois do sucesso artístico e técnico de Six Degrees of Inner Turbulence (2002), o Dream Theater sentiu a necessidade de mudar de direção. O progressivo épico e grandioso do disco anterior cedeu espaço a algo mais direto, sombrio e pesado. Train of Thought , lançado em novembro de 2003, nasceu dessa vontade de explorar os limites entre o metal progressivo e o metal puro — um álbum que soava como se o Metallica tivesse decidido estudar contrapontos com o Rush. A decisão partiu de Mike Portnoy e John Petrucci, que, durante as turnês de Six Degrees , perceberam que as partes mais pesadas provocavam a resposta mais intensa do público. O resultado foi o álbum mais sombrio e agressivo da carreira do Dream Theater, composto praticamente em um único fluxo criativo, algo que se reflete na coesão e na densidade do material. Gravado em pouco mais de três semanas, Train of Thought é o disco onde a banda mais se aproxima do metal tradicional, sem abrir mão da precisão técnica que sempre a defin...

Dream Theater em Metropolis Pt. 2: Scenes From a Memory (1999): quando o prog metal alcançou a perfeição

Metropolis Pt. 2: Scenes From a Memory é o disco que consolidou o Dream Theater como o principal nome do metal progressivo. Depois da ótima recepção de Images and Words (1992) e do sucesso relativo de Awake (1994), a banda entrou em uma fase turbulenta com Falling Into Infinity (1997), um álbum pressionado pela gravadora e marcado por tensões internas. O quinteto sentia que havia se distanciado da essência criativa que o consagrou, e a resposta veio em forma de um épico conceitual que redefiniu sua trajetória. O disco marca também a estreia do tecladista Jordan Rudess, que se juntou a John Petrucci, Mike Portnoy, John Myung e James LaBrie e completou a formação clássica do grupo. Com ele, o Dream Theater encontrou o equilíbrio entre virtuosismo e emoção, criando uma obra cinematográfica, coesa e tecnicamente impecável. A história de Scenes From a Memory dá continuidade à canção “Metropolis Pt. 1: The Miracle and the Sleeper”, presente em Images and Words , e narra a jornada de...

O despertar sombrio do Dream Theater na genialidade inquieta de Awake (1994)

Quando o Dream Theater lançou Awake , em outubro de 1994, o mundo da música era outro. O grunge ainda dominava as rádios, o metal tradicional vivia tempos difíceis e o progressivo, para muitos, era uma lembrança distante dos anos 1970. Dentro desse cenário, a banda norte-americana parecia fora de tempo — mas foi justamente esse descompasso que fez do terceiro disco do grupo uma obra tão singular. Depois do sucesso inesperado de Images and Words (1992), impulsionado pelo hit “Pull Me Under”, o Dream Theater teve que lidar com a pressão da gravadora por um novo sucesso radiofônico. A resposta veio em forma de resistência artística: Awake é mais sombrio, denso e introspectivo, um mergulho profundo em dilemas existenciais e paisagens mentais turvas. É o álbum em que o Dream Theater troca o brilho neoclássico por uma tensão constante, refletindo o caos emocional de uma banda em transformação. As guitarras de John Petrucci soam mais pesadas e secas, influenciadas por nomes como Metalli...

Falling Into Infinity (1997): o Dream Theater entre o virtuosismo e a acessibilidade

Falling Into Infinity (1997) surge em um momento delicado da carreira do Dream Theater. A banda, já consagrada como um dos pilares do metal progressivo, vinha de álbuns complexos e conceituais como Images and Words (1992) e Awake (1994). Para este registro, a gravadora pressionava por canções mais curtas e acessíveis, o que gerou tensões criativas internas e uma série de decisões controversas na produção. O álbum reflete uma dualidade: de um lado, a técnica impecável de John Petrucci, John Myung, Mike Portnoy, James LaBrie e Derek Sherinian (aqui no seu único álbum de estúdio com a banda). Do outro, uma busca por melodias mais imediatas e refrões memoráveis. Essa tensão entre virtuosismo e acessibilidade marca o disco de forma palpável. Entre as faixas mais memoráveis estão “Peruvian Skies”, com seu clima introspectivo e solos de guitarra emocionantes, e “Trial of Tears”, épica de mais de treze minutos que retoma o lado progressivo e narrativo da banda. “Burning My Soul” e “Holl...

Dream Theater em Black Clouds & Silver Linings (2009): um adeus em grande estilo à era Portnoy e um marco no prog metal moderno

Black Clouds & Silver Linings é o décimo álbum de estúdio do Dream Theater e representa uma das obras mais marcantes da fase final da era Mike Portnoy, baterista e cofundador da banda que sairia logo após a turnê deste disco. Lançado em 23 de junho de 2009, a disco sintetiza com maestria tudo o que o Dream Theater vinha desenvolvendo desde os anos 1990, com uma sonoridade técnica, pesada, emocional e altamente melódica. Após o controverso Systematic Chaos (2007), que dividiu opiniões por sua densidade e certa aspereza sonora, o Dream Theater parecia buscar um equilíbrio entre técnica, emoção e acessibilidade. Black Clouds & Silver Linings surgiu como uma resposta direta a isso: um álbum que explora temas pessoais profundos (morte, superação, fé, medos), mas também envolve o ouvinte com grandes momentos instrumentais e climáticos. Com produção de John Petrucci e Mike Portnoy, o álbum também marca a consolidação do tecladista Jordan Rudess como um dos pilares criativos do g...

Os 10 CDs que todo fã de metal comprou nos anos 1990 - e por que eles continuam relevantes até hoje

Os anos 1990 foram uma década de transformação para o heavy metal. O grunge dominava as paradas, o nu metal surgia no horizonte e o thrash se reinventava. Nesse cenário, uma geração inteira descobriu a música pesada pelas lojas de discos — muitas vezes começando a coleção em CD com os álbuns abaixo. Eles marcaram época, formaram caráter musical e seguem essenciais até hoje. 1. Metallica – Metallica (1991) O Black Album  foi a porta de entrada para milhões de pessoas no universo do metal. Com produção polida, hits como “Enter Sandman” e “Nothing Else Matters” e um som mais acessível, conquistou o mundo sem abandonar a identidade da banda. Ainda hoje, é um divisor de águas na história do gênero — amado por uns, criticado por outros, mas impossível de ignorar. 2. Pantera – Vulgar Display of Power (1992) Phil Anselmo e companhia redefiniram o peso com atitude e groove. “Walk” virou hino instantâneo. A capa agressiva, o som seco e a brutalidade controlada influenciaram geraçõe...

Parasomnia (2025): Mike Portnoy volta ao Dream Theater com disco pesado e marcante

Mike Portnoy não gravava um álbum com o Dream Theater havia 16 anos, desde Black Clouds & Silver Linings (2009). Co-fundador da banda ao lado de John Petrucci e John Myung, Portnoy deixou o quinteto de forma surpreendente em setembro de 2010. Desde então, formou e integrou diversas bandas e projetos ( Adrenaline Mob, Flying Colors, The Winery Dogs, Sons of Apollo ), explorou novas sonoridades e expandiu ainda mais sua já lendária reputação, consolidando-se como um dos maiores bateristas da história do rock. O Dream Theater, por sua vez, encontrou em Mike Mangini um substituto à altura. O músico, que já havia tocado e gravado com bandas e músicos como Annihilator, Extreme, Steve Vai e inúmeros outros, viu no Dream Theater o veículo ideal para sua técnica exuberante. Durante mais de uma década no grupo, gravou cinco álbuns que mantiveram a banda relevante e deram uma projeção individual inédita ao seu nome. Agora, Parasomnia marca um novo capítulo para o Dream Theater. Lançado...

Train of Thought (2003): o álbum mais pesado do Dream Theater

Train of Thought (2003) é um dos álbuns mais pesados do Dream Theater, marcando uma guinada na sonoridade da banda em direção a um metal progressivo mais denso e agressivo. Influenciado por nomes como Metallica, Pantera e Megadeth, o álbum trouxe guitarras mais pesadas, um tom mais sombrio e composições longas, mantendo a marca registrada do quinteto: a complexidade técnica e instrumental. Diferente dos trabalhos anteriores, que equilibravam peso e melodias mais acessíveis, Train of Thought mergulha profundamente em riffs distorcidos e uma atmosfera mais obscura. John Petrucci (guitarra) e Mike Portnoy (bateria) lideram essa abordagem, criando um som intenso e agressivo. O uso constante de riffs pesados e solos virtuosísticos coloca o álbum em um patamar mais próximo do metal tradicional do que do rock progressivo clássico. Por outro lado, Jordan Rudess (teclado) e John Myung (baixo) mantêm a assinatura progressiva da banda, adicionando camadas sofisticadas e elementos atmosférico...

The Astonishing (2016): a ambiciosa ópera rock do Dream Theater

Lançado em 29 de janeiro de 2016, The Astonishing é o décimo terceiro álbum do Dream Theater e um dos projetos mais ambiciosos da banda. Trata-se de uma ópera rock conceitual com uma narrativa densa e um escopo grandioso, que divide opiniões entre fãs e críticos. A banda, liderada pelo guitarrista John Petrucci e o tecladista Jordan Rudess, concebeu The Astonishing como uma verdadeira epopeia musical. A história, criada por Petrucci, se passa em um futuro distópico onde a música humana foi substituída por máquinas sonoras chamadas NOMACS. A trama segue a jornada de Gabriel, um jovem com o dom de criar música de forma natural, que se torna a esperança de um povo oprimido contra um império autoritário. A estrutura do álbum é dividida em dois atos e conta com 34 faixas, o que reforça sua natureza operística. A influência de trilhas sonoras de filmes e musicais da Broadway é evidente, tornando-o um álbum diferente de tudo que a banda já havia produzido. Musicalmente, The Astonishing ...

Review: Dream Theater – Images and Words (1992)

Images and Words marcou a estreia de uma das formações mais clássicas e adoradas pelo fãs do Dream Theater, e também transformou a banda norte-americana em uma das mais amadas – e odiadas, por consequência – e influentes da história do metal. Segundo disco do grupo, foi lançado em 7 de julho de 1992, três anos após a estreia do quinteto, When Dream and Day United (1989). Álbum fundamental do metal progressivo – para muitos, o melhor do gênero -, Images and Words foi a estreia de James LaBrie com vocalista do Dream Theater, com o cantor entrando de vez na formação que contava também com o guitarrista John Petrucci, o tecladista Kevin Moore, o baixista John Myung e o baterista Mike Portnoy. Produzido por David Parter, o disco traz oito faixas e contém ao menos quatro clássicos do prog metal: “Pull Me Under”, a balada “Another Day”, “Take the Time” e a espetacular “Metropolis – Part I: The Miracle and The Sleeper”. As outras canções não ficam atrás: a avalanche de melodia “Surrounded...

Images and Words: quando o Dream Theater definiu o prog metal

Segundo álbum do Dream Theater, Images and Words é também o maior clássico do prog metal. E essa percepção se dá não apenas pelo imenso impacto e profunda influência do disco, mas sobretudo por ser o trabalho que mostrou a banda norte-americana encontrando o seu som definitivo e moldando, de forma perene, o gênero musical em que se tornou a maior referência. Lançado em 7 de julho de 1992, Images and Words marca a estreia do vocalista James LaBrie substituindo Charlie Dominici. Completam a formação o guitarrista John Petrucci, o tecladista Kevin Moore, o baixista John Myung e o baterista Mike Portnoy. O tracklist, composto por oito músicas, é histórico: tem o maior hit do quinteto (a clássica “Pull Me Under”), uma balada que arranhou o mainstream (“Another Day”), aulas práticas de como fazer prog metal (“Take the Time”, “Under a Glass Moon” e “Learning to Live”), sensibilidade à flor da pele (na linda “Surrounded”), a beleza cristalina de “Wait For Sleep” (cuja frase de teclado semp...

Bandas que todo mundo odeia - mas eu não

Publiquei um vídeo sobre bandas que são amadas por grande parte do público e que eu não consigo curtir – assista aqui  -, e é claro que ele motivou uma lista oposta: quais são as bandas que todo mundo odeia, só eu que não? Esse “todo mundo” é apenas um recurso de linguagem, pois as bandas citadas abaixo possuem muitos fãs além de mim. Porém, são nomes que geram discussão entre os fãs de rock (basta ler os comentários do vídeo citado no parágrafo anterior) e se enquadram naquela famosa categoria “ame ou odeie”. Vamos lá então! A banda dos irmãos Liam e Noel Gallagher é uma das minhas preferidas desde que coloquei para tocar pela primeira vez o seu terceiro álbum, Be Here Now (1997). E, inclusive, estou fazendo uma imersão na discografia do grupo enquanto escrevo esse texto, e relembrando o quanto eles são bons. Pra mim, o Oasis é a maior banda da década de 1990 – o posto seria do Nirvana caso Kurt Cobain não tivesse morrido tão precocemente. Discos como Definitely Maybe (1...