Lançado no apagar das luzes de 2000, Renegades costuma ser lembrado como “o álbum de covers do Rage Against the Machine”. E embora essa definição seja tecnicamente correta, ela está longe de dar conta do que o disco realmente entrega. Em vez de prestar homenagens obedientes a seus ídolos, o quarteto usa cada faixa como veículo para reafirmar sua própria identidade pesada, politizada e impossível de confundir com outra banda. O repertório é uma viagem guiada pelas raízes do Rage, atravessando hip-hop, punk, rock clássico e proto-punk. Mas o que impressiona é como tudo soa coeso. Em “Microphone Fiend”, do Eric B. & Rakim, Tom Morello transforma o riff original em um muro de guitarras vibrante, enquanto a cozinha de Tim Commerford e Brad Wilk entrega um groove que parece saído de um porão abafado em Los Angeles. Já em “Renegades of Funk”, clássico de Afrika Bambaataa, o grupo simplesmente domina a música: é RATM até o último segundo, urgente e incendiário. As escolhas inesperadas...