O Spotify transformou radicalmente a forma como ouvimos música. Isso é inegável. O acesso instantâneo a praticamente tudo que já foi gravado parece, à primeira vista, um paraíso para qualquer fã. Mas, conforme a plataforma cresceu, ficou cada vez mais claro que esse modelo esconde uma série de distorções que têm impacto profundo, e muitas vezes nocivo, na indústria musical. O discurso da democratização convive com uma estrutura que remunera mal, concentra ganhos e transforma arte em estatística. O lançamento do Spotify Wrapped 2025 deixa tudo isso ainda mais evidente. Todos os anos, o Wrapped transforma o hábito musical do usuário em um espetáculo de dados: minutos ouvidos, artistas mais tocados, gêneros, humor do dia, “idade musical”. Um festival de números que viraliza nas redes, cria microcelebridades temporárias e faz cada assinante se sentir parte de uma narrativa maior. Mas enquanto o Wrapped celebra quem escuta, ele silencia quem faz. O lado luminoso criado para os consumidore...