26 de abr de 2013

Uma (outra) banda chamada Death

sexta-feira, abril 26, 2013
Não, não estamos falando do seminal grupo liderado pelo falecido Chuck Schuldiner. A história aqui é outra. Nascido em Detroit em 1971, o Death era um power trio formado pelos irmãos Bobby Hackney (vocal e baixo), David Hackney (guitarra) e Dannis Hackney (bateria). O grupo veio ao mundo após os três assistirem a uma apresentação de Alice Cooper e chaparem com o som.

A música do Death transitava entre o nascente hard rock e o proto-punk, característica que faz muitos pesquisadores apontarem o grupo como um dos pioneiros do punk. Em 1976 o grupo lançou o seu único single, “Politicians in My Eyes / Keep on Knocking”, hoje uma raridade disputada à tapa. Porém, a falta de sucesso comercial levou à dissolução do conjunto no ano seguinte.

Em 2009, a banda foi redescoberta através do lançamento de ... For the Whole World to See, disco gravado originalmente em 1974 e até então inédito. A boa receptividade reativou o Death, que retornou à ativa com Bobby e Dannis acompanhados pelo guitarrista Bobbie Duncan, que assumiu o posto de David, falecido em 2000 vítima de um câncer. O reformado Death lançou em janeiro de 2011 o álbum Spiritual Mental Physical.

A história dos irmãos Hackney ganhou um documentário que será lançado este ano, chamado A Band Called Death, dirigido por Jeff Howlett e Mark Corvino.

Assista ao trailer abaixo, e caso ainda não conheça a banda, aproveite para dar uma conferida nos discos do trio, pois vale a pena.



Por Ricardo Seelig

Shining tocando clássico do King Crimson

sexta-feira, abril 26, 2013
O Shining disponibilizou em seu perfil no YouTube um vídeo onde a banda executa uma versão agressivíssima da clássica “21st Century Schizoid Man”, uma das maiores criações do King Crimson. O material está no DVD Live Blackjazz, lançado em 2011, gravado no Rockefeller, em Oslo.

Loucura alucinante, abaixo:



Por Ricardo Seelig

Assista “My Disease”, novo clipe do The Mercy House

sexta-feira, abril 26, 2013
Uma das boas novidades vindas da Inglaterra nos últimos anos, o quinteto The Mercy House está de clipe novo. O vídeo da faixa “My Disease” mostra o grupo em cenários urbanos, enquanto um hard pesadão rola solto. A música faz parte do álbum de estreia da banda, A Broken State of Bliss, lançado em abril de 2012.

Vale lembrar que um tal de Bruce Dickinson é fã do grupo e elogiou o efusivamente a banda, que está em turnê pela Europa ao lado do também muito bom Audrey Horne.

Aumenta!



Por Ricardo Seelig

“Spectrum of Eternity”, o novo clipe do Soilwork

sexta-feira, abril 26, 2013
A banda sueca Soilwork revelou o clipe da faixa “Spectrum of Eternity”, presente em seu último disco, o duplo The Living Infinite. Completamente produzido em computação gráfica, o vídeo une o passado e o futuro em uma trama de ficção científica.

Lançado em 27 de fevereiro, The Living Infinite é o nono álbum do Soilwork e foi bem recebido pela imprensa especializada, com avaliações bastante positivas em sites como Allmusic e Blabbermouth.

Assista abaixo ao belo trabalho feito em “Spectrum of Eternity”:



Por Ricardo Seelig

25 de abr de 2013

10 anos de atraso. Por quê?

quinta-feira, abril 25, 2013
Todos os discos abaixo foram lançados há aproximadamente dez anos. Todos eles foram aclamados pela imprensa especializada norte-americana e europeia como álbuns de exceção, que redefiniram estilos ou criaram novos gêneros - ou, em alguns casos, as duas coisas ao mesmo tempo.

Em 2001 tivemos Blackwater Park do Opeth, Lateralus do Tool, Jane Doe do Converge, A Sun That Never Sets do Neurosis, Prowler in the Yard do Pig Destroyer e Imaginary Sonicscape do Sigh. Em 2002, The Mantle do Agalloch, Oceanic do Isis, The Sham Mirrors do Arcturus, Deliverance do Opeth, Heavy Rocks do Boris, Remission do Mastodon e Nothing do Meshuggah. Em 2003 foi a vez de Boris at Last Feedbacker do Boris, Kivenkantaja do Moonsorrow, Dopesmoker do Sleep, Crimson II do Edge of Sanity, The August Engine do Hammers of Misfortune, Sumerian Daemons do Septicflesh, Coma Wearing do The Angelic Process e The Work Which Transformers God do Blut aus Nord. Chegando em 2004, Panopticon do Isis, Leviathan do Mastodon, The Eye of Every Storm do Neurosis, Salvation do Cult of Luna, You Fail Me do Converge e Witchcraft do Witchcraft foram todos aclamados. E em 2005, Ghost Reveries do Opeth, Verisäkeet do Moonsorrow, From Mars to Sirius do Gojira, The Gathering Wilderness do Primordial, IV - The Eerie Cold do Shining, Catch Thirtythree do Meshuggah e Blessed Black Wings do High on Fire.

O que esses títulos, e essas bandas, têm em comum? Além desse reconhecimento por parte da imprensa europeia e norte-americana, são álbuns e grupos que passaram totalmente batidos pelas revistas brasileiras dedicadas ao heavy metal. E vejam que eu nem citei nomes como Machine Head, Slipknot, Lamb of God, Trivium, Baroness, Torche, The Devil’s Blood, Kadavar, The Sword, Mos Generator e inúmeros outros, que estão fazendo bonito atualmente e são invisíveis para esses veículos.

Esse questionamento é necessário, pois trata-se de uma falha gritante e sem justificativa aparente naquela que é, goste-se ou não, a principal publicação dedicada ao metal que temos por aqui. Por que isso acontece? Qual é o motivo que leva a Roadie Crew, o principal veículo impresso especializado em música pesada publicado em nosso país, a ignorar o que está acontecendo com o gênero que, teoricamente, ela cobre?

Existem várias possíveis explicações para essa postura. A primeira conclusão a que se pode chegar, de maneira simplista, é que essas bandas não aparecem nas páginas da Roadie Crew pelo fato de não estarem afinadas com o gosto pessoal dos seus editores e equipe. Bem, se a razão para a ausência for essa, o buraco é mais embaixo e a situação é mais feia do que aparenta. Em primeiro lugar, um veículo jornalístico, principalmente de jornalismo cultural, como é o caso, jamais deve se pautar seguindo exclusivamente o gosto pessoal de seus editores. Eles podem dar o norte, mas não são a única fonte pela qual a publicação deve seguir. Ao cobrir um gênero tão vasto, rico e multifacetado como o metal é preciso manter os ouvidos e a mente abertos para todas as possibilidades, inovações e propostas sonoras que ele oferece. Não dá para fazer escolhas. Ou dá-se voz para todo o estilo, sem preconceitos, ou assume-se uma postura, ao meu ver, equivocada. Pautar o que sai na revista pelo gosto pessoal de quem a edita está muito distante de ser jornalismo - está mais para um fanzine direcionado a um nicho específico. Se você tem uma publicação que se vende como “a revista de heavy metal e classic rock do Brasil”, você deve entregar aos leitores o que está oferecendo, e não apenas aquilo que os seus editores acham “legal” ou “massa”.

A segunda hipótese é que as bandas mencionadas não aparecem na Roadie Crew pelo simples fato de a equipe que faz a revista não as conhecer. Isso não é possível, e está longe de ser verdade. A razão é simples: nomes como Slipknot, Trivium, Mastodon e Machine Head, só para ficar em alguns, são populares em todo o planeta, e só quem não vive neste planeta que todos nós habitamos nunca ouviu falar neles. É dever de um jornalista que se diz especializado em um gênero musical estar sempre atualizado com o estilo sobre o qual escreve, independentemente do seu gosto pessoal. Isso é ser profissional, postura cada vez mais rara nos dias de hoje, infelizmente.

Uma terceira possibilidade seria a demanda do público, que não quer nada novo e deseja apenas se manter informado sobre as bandas clássicas e os nomes de sempre. Bem, no meu entendimento, uma revista sobre música nunca deve se pautar exclusivamente pelo desejo de seus leitores. O compromisso dela deve ser divulgar e cobrir o gênero no qual está inserida, e suas inúmeras variações. Tem que vender? Tem. Não pode empacar na banca? Não, não pode. Mas também não pode virar refém do seu público, dos seus leitores. Uma boa revista de música é um guia para quem a lê, falando de bandas novas e clássicas com o mesmo peso, com espaços equivalentes. É através de um veículo assim que eu, você e os leitores nos mantemos informados e conhecemos novos grupos, novos discos, gente que está fazendo um trabalho legal dentro do estilo que gostamos. Se até uma revista como a inglesa Classic Rock, que tem o seu direcionamento estampado no nome, dá espaço para os novos nomes que estão surgindo, porque aqui isso não acontece? É através de um veículo com a exposição e a popularidade da Roadie Crew que as dezenas de bandas interessantes que surgem todos os dias mundo afora devem ser apresentadas aos headbangers brasileiros. Esse é um dos principais papéis de um veículo que se diz especializado.

Uma boa publicação deve surpreender o leitor, servir de guia para ele, e nunca ficar acomodada, publicando sempre a mesma coisa. No último ano, a Roadie Crew deu capa para, respectivamente: Saxon, Metallica, King Diamond, Destruction, Led Zeppelin, Aerosmith, Testament, Scorpions, Rush, Kreator, Slash e Soulfly. Mergulhando mais doze meses no passado, tivemos Motörhead, Lamb of God, Nightwish, Chickenfoot, Megadeth, Anthrax, Machine Head, Dream Theater, Ozzy, Sepultura, Whitesnake e o Big 4 alemão. É preciso ousar mais, sair do lugar comum. Houve, e isso deve ser reconhecido, Machine Head e Lamb of God na capa da RC nesse período, destoando das demais bandas, eu sei. Mas aqui vai outra pergunta: o Lamb of God está na estrada desde a década de 1990 e já lançou sete discos, enquanto o Machine Head foi formado em 1991 e também já gravou sete álbuns. Porque apenas agora, depois de todo esse tempo, foram ser capa? E o Trivium, quando será? E o Mastodon? E o Ghost, para ficarmos em um nome com grande exposição no momento? Só daqui há uma década ou mais, também?

É preciso mais ousadia, sair mais do comum, nunca ficar sentado em berço esplêndido. É evoluindo sempre que a liderança que hoje existe pela absoluta falta de concorrência será mantida, além de atrair novos leitores. Uma revista de música, por exemplo, não pode ser apenas composta por entrevistas, como é o caso da Roadie Crew. Onde estão as matérias especiais, investigativas, retrospectivas? Porque toda a revista é baseada em conversas com os músicos? Isso é legal, mas é apenas uma das características que uma revista deve ter. Aliás, até onde eu sei a RC é a única publicação do mundo onde 95% do conteúdo são entrevistas com bandas. Não há problema algum em se basear, se inspirar e até mesmo copiar quem é referência no segmento, e quem faz melhor esse papel em todo o planeta é a Metal Hammer inglesa. Porque não parar, analisar as edições dos caras do início ao fim, ver como é feito e apresentar uma nova proposta para os leitores? Não há demérito algum nisso, muito pelo contrário. Seria uma evolução não somente necessária, mas há muito tempo esperada pelos leitores, pelo mercado e pelos próprios músicos.

Há uma visão equivocada por parte de uma parcela de apreciadores de som pesado de que o Brasil é o país do heavy metal. Não, não somos. E mais: estamos longe de ser. Somos, isso sim, o país do saudosismo metálico, terra onde se endeusam artistas veteranos e muitas vezes medianos, que não tem espaço em mais nenhum lugar do planeta, apenas aqui, onde sobrevivem tocando em lugares cada vez menores. É necessário se atualizar, abrir espaço para quem está chegando, para a nova geração do som pesado. É preciso levar esses nomes até os leitores, senão teremos cada vez mais essa geração que renega o novo e acha que tudo de bom que poderia ser feito já foi produzido. Eu sei, por experiência própria, que é difícil. Na verdade, bem difícil. Mas é dando o primeiro passo que se aprende como fazer, o que funciona e o que não funciona.

Ouvir e acompanhar o que as grandes bandas da história do metal estão produzindo é necessário. O mundo é um lugar melhor com o Black Sabbath, o Iron Maiden, o Metallica, o Slayer e todos os outros que definiram o gênero que curtimos, por perto. Mas ele continuará sendo sempre agradável para os ouvidos se esse estilo seguir se renovando, nos provocando, se reinventando a cada nova banda que surge em todo o planeta. E essa renovação precisa chegar até os consumidores, e não apenas através da internet.

Infelizmente, a imprensa brasileira especializada em heavy metal apresenta um delay, um atraso médio de aproximadamente 10 anos em relação ao que acontece no resto do mundo. Isso precisa mudar, e já! Só não pensa assim quem, atrasado uma década, não faz ideia do que anda acontecendo ali na esquina, bem na frente do seu umbigo.

Espero que os editores e a equipe da Roadie Crew, ao invés de ficarem chateados com esse texto, mudem a sua reação habitual ao que publico e tentem ouvir as críticas de forma construtiva. Sou um leitor da revista, já escrevi para ela. O objetivo dessas críticas não é derrubar ninguém, mas sim justamente o contrário: apontar o que há de errado e deficiente para que tenhamos uma publicação melhor, mais completa e abrangente.

Por Ricardo Seelig

Ouça "Super Collider", o novo single do Megadeth

quinta-feira, abril 25, 2013
O Megadeth liberou seu novo single, “Super Collider”, para audição via streaming. A faixa também batiza o novo disco da banda, que será lançado em 4 de junho. 

Super Collider será o décimo-quarto registro de estúdio do Megadeth, que atualmente conta com Dave Mustaine, Chris Broderick, Dave Ellefson e Shawn Drover em sua formação. A produção ficou por conta de Johhny K, que já trabalhou com Machine Head, Disturbed e Black Tide. O vocalista do Disturbed, David Draiman participa do trabalho nas faixas “Forget to Remember” e “Dance in the Rain”. 

Vale lembrar que o Megadeth vai abrir as apresentações do Black Sabbath no Brasil em outubro.

"Super Collider" abaixo:

 

Por Nelson Júnior

Deep Purple toca a nova “Hell to Pay” ao vivo na TV alemã

quinta-feira, abril 25, 2013
Ontem à noite o Deep Purple tocou ao vivo pela primeira vez uma canção de seu novo disco, NOW What?!, que será lançado amanhã (26/04) em alguns países da Europa e deve chegar ao resto do mundo até o fim de maio. 

O grupo apresentou “Hell to Pay” no programa alemão TV Total. A música, no entanto, não é novidade para público, já que um lyric video promocional já havia sido liberado como parte da campanha de divulgação do álbum. 

NOW What?! será o primeiro disco de estúdio gravado pelo Deep Purple em oito anos. A pré-venda já está acontecendo no site oficial. 

Para assistir, clique aqui.

Por Nelson Júnior

Assista “Panic Station”, o novo (e reeditado) clipe do Muse

quinta-feira, abril 25, 2013
O Muse causou uma pequena polêmica no mundo oriental com o lançamento do espalhafatoso videoclipe de "Panic Station", faixa de The 2 Law, seu mais recente disco de estúdio. 

No vídeo, o power trio inglês desfila pelas ruas de Tóquio com roupas nada discretas enquanto interage com vários ícones da cultura pop japonesa, como o Godzilla. Até aí, tudo bem. A irritação dos fãs orientais foi causada pelo uso da bandeira do sol nascente no início do vídeo. O estandarte com o círculo vermelho raiado era o símbolo militar do império japonês durante a Segunda Guerra Mundial, período da história que não traz boas lembranças para o povo japonês nem para sua vizinhança. 


A banda pediu desculpas pela gafe em sua página oficial no Twitter e lançou uma versão reeditada do clipe sem a polêmica bandeira. 

 

Por Nelson Júnior

The Beach Boys lançará disco ao vivo em maio

quinta-feira, abril 25, 2013
Depois de soltar um disco de inéditas no ano passado, os Beach Boys entrarão em cena novamente com o lançamento de um CD duplo ao vivo, que registra a turnê de aniversário de seus 50 anos de carreira. 

Live – The 50th Anniversary Tour é uma seleção de 41 das mais de 60 canções executadas pela banda durante a tour, que foi encerrada em setembro do ano passado com uma apresentação na Wembley Arena em Londres. Entre as escolhidas estão clássicos obrigatórios como “Wouldn’t It Be Nice”, “Sloop John B” e “Surfin’ USA,” e duas músicas do disco de estúdio mais recente do grupo, That´s Why God Made the Radio: a faixa título e “Isn’t It Time”. 

Live – The 50th Anniversary Tour será lançado em 21 de maio pela Capitol e sua pré-venda já está rolando na Amazon

Tracklist: 

CD 1 
Do It Again 
Little Honda 
Catch a Wave 
Hawaii 
Don’t Back Down 
Surfin’ Safari 
Surfer Girl 
The Little Girl I Once Knew 
Wendy 
Getcha Back 
Then I Kissed Her 
Marcella 
Isn’t It Time 
Why Do Fools Fall in Love 
When I Grow Up (To Be a Man) 
Disney Girls 
Be True to Your School 
Little Deuce Coupe 
409 
Shut Down 
I Get Around 

CD 2 
Pet Sounds 
Add Some Music to Your Day 
Heroes and Villains 
Sail On Sailor 
California Saga: California 
In My Room 
All This is That 
That’s Why God Made the Radio 
Forever 
God Only Knows 
Sloop John B 
Wouldn’t It Be Nice 
Good Vibrations 
California Girls 
Help Me, Rhonda 
Rock and Roll Music 
Surfin’ USA 
Kokomo 
Barbara Ann 
Fun Fun Fun 

Por Nelson Junior

24 de abr de 2013

Discos Fundamentais: Lynyrd Skynyrd - (pronounced 'lĕh-'nérd 'skin-'nérd) (1973)

quarta-feira, abril 24, 2013
Um monstro feroz e faminto, louco para devorar os concorrentes e conquistar o seu território, sem medo e sem dó de ninguém. Essa definição cai como uma luva na estreia do Lynyrd Skynyrd, Pronounced Leh-nerd Skin-nerd, que chegou às lojas em 13 de agosto de 1973. Natural da Flórida, da cidade de Jacksonville, o grupo formado por sete caipiras casca-grossa entrou de sola no rock norte-americano do início dos anos setenta, aprimorando as influências da Allman Brothers Band e fundindo-as ao blues e ao country, parindo um novo estilo, batizado geograficamente como southern rock.

A banda viveu a sua adolescência e atingiu a sua maturidade nos botecos de beira de estrada do sul dos Estados Unidos, embalada com whisky sem gelo e generosas doses de bacon. O Skynyrd cansou de tocar em bares frequentados por caminhoneiros, motoqueiros e outras tribos má vistas pela hipócrita sociedade norte-americana, evoluindo a simbiose entre seus músicos, perdendo a virgindade imaculada em espeluncas fedorentas e repletas de testosterona.

Quando chegou para gravar seu primeiro álbum, o grupo sabia exatamente onde queria chegar, e, mais importante, como chegar onde queria. As oito faixas de Pronounced Leh-nerd Skin-nerd exalavam um frescor e uma força contagiantes, com inspiração e classe surpreendentes para uma banda até então novata. Com todas as letras compostas por Ronnie Van Zant, cantor e alma do Lynyrd Skynyrd, as composições tiveram a sua autoria alternada entre os guitarristas Gary Rossington, Allen Collins e Ed King, demonstrando, já de saída, de onde vinha a usina criativa do conjunto.

A característica contagem de Ronnie, seguida por uma levada de bateria carregada de phaser, antecede o riff clássico de "I Ain´t the One", faixa de abertura do LP e um dos grandes hinos da carreira do Lynyrd Skynyrd. O piano de Billy Powell contrasta com as guitarras do trio de ferro, enquanto a cozinha formada pelo baterista Robert Burns e pelo baixista Leon Wilkerson (que tocava com a banda antes do álbum ser gravado, saiu por um breve período e retornou após a gravação do disco - o instrumento é executado pelo guitarrista Ed King no play) dá o tom certo para o groove desconcertante de "I Ain´t the One".

"Tuesday´s Gone" é a primeira das três baladas inesquecíveis do álbum. Com sua melodia levada no slide de Rossington, é uma espécie de irmã gêmea de "Free Bird". Ronnie Van Zant canta carregado de sentimento, com sua voz anasalada derramando sensações sobre nossos ouvidos. A parte central da faixa, com uma belíssima passagem instrumental que começa com um pequeno solo de Powell e termina em uma orquestração, é um dos momentos mais brilhantes e arrepiantes da carreira do Skynyrd.

Mas assim como sabia fazer baladas como poucos, quando resolvia que o negócio era o rock o Skynyrd também soava de maneira ímpar. "Gimme Three Steps" prova isso de maneira exemplar, com um riff repleto de groove, levado por Gary Rossington novamente em seu slide. Um dos pontos altos dos shows da banda, "Gimme Three Steps" está no mesmo patamar de canções como "Saturday Night Special" e "Working for MCA", faixas que estão marcadas no DNA de qualquer fã de southern rock.

O dedilhado antológico de guitarra que abre "Simple Man" tem o poder, até os dias de hoje, de transportar qualquer alma com um mínimo de sentimento para outros mundos, escalando suas notas como escadarias para o céu, voando cada vez mais alto. Por si só "Simple Man" já é uma canção que leva os mais sensíveis às lágrimas, com sua letra confessional cantada por Ronnie com o coração na boca. Mas, ao assistir ao documentário Free Bird - The Movie, que mostra um dos últimos shows do grupo, tocando no lendário Festival de Knebworth em 1977 abrindo para os Rolling Stones, e que tem em seu encerramento "Simple Man" rolando sobre cenas amadoras feitas pelos próprios músicos, mostrando a banda na intimidade, é de deixar qualquer fã aos prantos. Destaque para a levada de bateria de Robert Burns, sensacional com suas viradas e ataques aos pratos e na caixa.

Entre "Simple Man" e "Free Bird", que encerra o LP, temos três faixas não muito badaladas, mas que são provas irrefutáveis do talento do conjunto. "Things Goin´ On" nos transporta para um cabaré no meio do Alabama, repleto de desinibidas dançarinas mostrando suas cintas-ligas sem pudor nem vergonha; a acústica "Mississippi Kid" parece nascida no meio de uma plantação no sul dos Estados Unidos, entre trabalho pesado, sol escaldante e uma vontade irresistível de estar em outro lugar; e "Poison Whiskey" tem no excelente riff de Ed King seu melhor momento, enquanto Ronnie canta os perigos de se beber um whisky batizado pelo próprio demo.

Fechando Pronounced Leh-nerd Skin-nerd está ninguém menos que "Free Bird", o maior hino da carreira do Lynyrd Skynyrd, faixa suprema do southern rock, composição que mostra todo o poder de fogo da parede altamente inflamável formada pelas três guitarras de Rossington, Collins e King. Uma canção divina, um momento de inspiração daqueles que, quando muito, se tem apenas uma vez na vida, "Free Bird" desafia adjetivos, interpretações e tentativas de transpor para o papel o que suas notas nos fazem sentir. Contemplativa, riquíssima musicalmente, frágil e comovente, é o testamento do Skynyrd escrito já em seu nascimento. Uma faixa sem parâmetros no rock, sem igual nos mais de cinquenta anos de vida do estilo criado por Chuck Berry e traduzido para as plateias brancas e rascistas norte-americanas por Elvis Presley. Sua introdução com a melodia levada por Rossington no slide antecede uma explosão sonora estupenda, onde Allen Collins faz o solo de sua vida em quase cinco minutos de notas faiscantes e que rasgam o ar, tornando reais cores, almas e todos os demais seres que vivem nesse mundo e em todos os outros.

Pronounced Len-nerd Skin-nerd foi uma estreia que fez brilhar os olhos dos amantes do rock, nos EUA e em todo o mundo. A expectativa se cumpriu em álbuns excelentes como Second Helping (1974, que tem o maior hit do grupo, a imortal "Sweet Home Alabama") e em pelo menos mais uma obra-prima, o canto do cisne Street Survivors, lançado no dia 17 de outubro de 1977, três dias antes do fatídico dia 20, data do trágico acidente aéreo que vitimou a banda e matou Ronnie Van Zant, o novato e promissor guitarrista Steve Gaines e sua irmã Cassie Gaines (backing vocal do grupo). Mas isso é assunto para outro dia.


Faixas:
A1 I Ain't the One 3:51
A2 Tuesday's Gone 7:32
A3 Gimme Three Steps 4:30
A4 Simple Man 5:57
B1 Things Goin' On 4:57
B2 Mississippi Kid 3:57
B3 Poison Whiskey 3:11
B4 Free Bird 9:08

Por Ricardo Seelig

Ouça “Open the Gates”, primeiro single do Extol em 8 anos

quarta-feira, abril 24, 2013
A banda norueguesa Extol está de volta. O novo disco dos caras, batizado apenas com o nome do grupo, será lançado em 25 de julho pela Indie Recordings, e será o primeiro trabalho desde The Blueprint Dives, de 2005.

E, para animar mais ainda quem curte metal extremo repleto de técnica e sempre um passo a frente, a banda já liberou o primeiro single, “Open the Gates”.

Vocais guturais, andamento quebrado, vozes limpas, arranjos bem feitos: é bom ter o Extol de volta.


Por Ricardo Seelig

Assista “Wizard of War”, novo clipe do Orchid

quarta-feira, abril 24, 2013
A banda norte-americana Orchid, natural da sempre lisérgica San Francisco, divulgou o primeiro clipe do seu segundo disco, The Mouths of Madness. O vídeo da faixa "Wizard of War" tem produção simples e mostra os caras tocando, tudo fotografado em preto e branco.

The Mouths of Madness, sucessor de Capricorn (2011), marca a estreia do quarteto na Nuclear Blast e será lançado nesta sexta-feira, 26 de abril.

Assista ao vídeo abaixo e deguste o poderio do conjunto:


Antes, o Orchid já havia liberado a faixa-título do trabalho para audição. Aumenta que também é bom:


Por Ricardo Seelig

“Elevate”, clipe de estreia do The Winery Dogs, trio formado por Richie Kotzen, Billy Sheehan e Mike Portnoy

quarta-feira, abril 24, 2013
Mike Portnoy não para. Desde a sua saída do Dream Theater em 2010, o baterista já montou três bandas - Adrenaline Mob, Flying Colors e The Winery Dogs. Estão ao lado de Portnoy no trio o vocalista e guitarrista Richie Kotzen (no posto que seria originalmente de John Sykes, que abandonou o projeto) e o baixista Billy Sheehan.

A julgar por “Elevate”, single de estreia dos rapazes, o som do Winery Dogs é um hard rock temperado pela exuberância técnica dos integrantes, todos sumidades em seus instrumentos. Porém, há bom senso respingando por aqui, sem exageros exibicionistas - pelo menos nessa música ...

O disco de estreia do trio será lançado dia 15 de maio no Japão, e depois no resto do planeta. E não, não há previsão de uma edição nacional da bolacha.

Coisa fina, mais uma vez!



Por Ricardo Seelig

Na íntegra: Bloodlines, o novo álbum do Howl

quarta-feira, abril 24, 2013
A banda norte-americana Howl lançará no próximo 3 de abril o seu segundo disco, Bloodlines. O trabalho, sucessor de Full of Hell (2010), chegará às lojas através da gravadora inglesa Earache.

Você já pode ouvir o play na íntegra aqui na Collectors. Prato cheio pra quem curte sludge e stoner metal!

Por Ricardo Seelig

Ouça versão de Boy George para clássico dos Stooges

quarta-feira, abril 24, 2013
O cantor inglês Boy George, famoso na década de 1980 por liderar o Culture Club, gravou uma versão para “I Wanna Be Yoyur Dog”, maior clássico do The Stooges. A faixa faz parte da compilação Dark: Music of Quality and Distinction Vol. 3, que chegará às lojas da 27 de maio.

A releitura de George ficou menos rock, como esperado, porém ganhou uma atmosfera sombria bastante interessante, com o vocalista alternando timbres graves e agudos.

Ouça sem preconceitos:



Por Ricardo Seelig

Deep Purple na capa da nova edição da Classic Rock

quarta-feira, abril 24, 2013
A nova edição da Classic Rock traz uma matéria especial sobre o Deep Purple, repassando a carreira da banda, seus altos e baixos, brigas e rixas, até chegar ao novo álbum do grupo, NOW What?!, que está chegando às lojas nos próximos dias.

O novo número da Classic Rock traz também matérias com Neil Peart, Alice in Chains, Tom Waits, a nova geração do rock australiano, The Moody Blues, Pete Way, Volbeat, Echo & The Bunnymen, Uriah Heep, Josh Homme e Ginger Baker. Como ocorre todos os meses, a revista vem com um CD de brinde, nessa edição com os novos sons do Purple, Alice in Chains, Black Star Riders e outros.

Como aconteceu no último mês em todas as revistas da editora - Classic Rock, Metal Hammer e Prog -, o número 184 da Classic Rock tem também uma edição especial limitada a 1.000 cópias e com capa dura, especial para os colecionadores. Uma iniciativa legal que valoriza ainda mais o produto, e entrega um material diferenciado aos fãs. 



Por Ricardo Seelig

23 de abr de 2013

Quer ganhar uma camiseta da Contra Grife e ainda escolher a estampa entre todo o acervo da loja?

terça-feira, abril 23, 2013

Esta semana a Contra Grife descolou 4 camisetas exclusivas entre TODAS as estampas disponíveis no site para sorteio. Gostou da ideia? Para concorrer, basta curtir as páginas da Collector's Room e Contra Grife Camiseteria no Facebook e retuitar a seguinte mensagem:
Quero ganhar uma camiseta da @ContraGrife entre todas as estampas disponíveis no site. Me ajuda, @_CollectorsRoom! http://bit.ly/ZNrkOn
Para conhecer mais sobre a marca, acesse o site da loja para escolher o modelo que você mais gosta entre as milhares de opções. E claro, vencendo ou não a promoção, não deixe de aproveitar a variedade e o preços camaradas, garantindo camisetas da melhor qualidade em seu guarda-roupa.

O sorteio será feito na próxima segunda-feira, 29. Boa aorte a todos!

Ouça “Goodbye Gemini”, primeiro single do novo disco do Blood Ceremony

terça-feira, abril 23, 2013
Com um som cativante, que soa como se o Jethro Tull tivesse vocais femininos e tocasse heavy metal, a banda canadense Blood Ceremony tem arrecadado cada vez mais fãs em todo o planeta. O terceiro disco dos caras, The Eldritch Dark, chegará às lojas dia 27 de maio através da Rise Above, e é aguardado com muita expectativa.

Um pouco dessa ansiedade pode ser saciada com “Goodbye Gemini”, primeiro single da bolacha e que foi divulgado hoje.

Aumenta que o bagulho é bom!



Por Ricardo Seelig

Ouça “Q.U.E.E.N.”, novo single de Janelle Monáe, com participação de Erykah Badu

terça-feira, abril 23, 2013
Aumenta que o goove é bom! Janelle Monáe lançou o primeiro single do seu segundo disco, The Electric Lady, sucessor do ótimo The ArchAndroid (2010). A música de chama “Q.U.E.E.N.” e traz a espevitada cantora ao lado de Erykah Badu.

Enquanto a data de lançamento do álbum não é confirmada, a gente vai curtindo o novo som de Janelle.

Por Ricardo Seelig

26 Bandas para o Matias: F de Flaming Lips

terça-feira, abril 23, 2013
Em 2001, tive uma grande mudança na minha minha vida. Saí de Passo Fundo (RS), onde estudei, me formei e residia desde 1991, e fui morar não somente em outra cidade, mas também em outro estado: Chapecó (SC). Lembro que fiquei empolgado, já que iria morar perto do mar - depois fui ver e descobri que estava há somente uns 700 km de distância ...

Mas isso não importa. O que importa foi que com essa mudança me desenvolvi como profissional. Assumi como redator em uma agência, morava ao lado do trabalho, vivia cercado pelos meus discos e por uma nova turma de amigos que logo viraram irmãos. O pequeno apartamento de um quarto era forrado com carpete, e as inúmeras bebedeiras e confraternizações que rolaram lá dentro deixaram o chão cheio de manchas de bebidas - principalmente vinho -, dando ao lugar um ar, digamos assim, interessante, com um clima meio Dexter.

Foi mais ou menos nessa época que virei indie. Sempre fui duas coisas na vida: apaixonado por heavy metal e curioso de modo geral pela música. Nesse período, não lembro bem por qual motivo específico, me interessei por artistas que não tinham nada a ver com o som pesado. Acho que um dos culpados foi a série Smallville. Sou também um colecionador de quadrinhos, e a ideia de ver a história do Superman contada na TV me atraiu de imediato. E lá, no meio daquela trama, tinha uma música que mexeu de maneira definitiva com a minha cabeça.

O seu título era “Fight Test”, e ela era tocada por um tal de Flaming Lips. Fui atrás de algo dos caras e descobri que a banda havia acabado de lançar um disco que logo foi considerado, por unanimidade, como a sua obra-prima. Yoshimi Battles the Pink Robots chegou às lojas em 16 de julho de 2002, e me fascinou de imediato. A música de abertura era justamente “Fight Test”, uma balada torta e lisérgica que era nada mais nada menos que sensacional. Só que a audição do CD era ainda mais impressionante, com faixas como “Yoshimi Battles the Pink Robots Pt. 1”, “In the Morning of the Magicians” e “Do You Realize??”. Me apaixonei profunda e perdidamente, e o álbum se tornou a trilha sonora dos meus dias.

Com ele, vieram outras bandas similares. Mais alguns títulos do Flaming Lips, como The Soft Bulletin (1999), e a revigorante descoberta do Grandaddy e da dupla The Sophtware Slump (2000) e, sobretudo, do singular Sumday (2003). Este período foi bastante fértil em novos caminhos sonoros para mim, com nomes como Josh Rouse, Coldplay e Wilco chegando para ficar e ocupar lugar de destaque na minha coleção.

Até hoje, Yoshimi Battles the Pink Robots continua sendo um dos meus discos preferidos de todos os tempos. Frequentemente o escuto, e ele segue soando refrescante e atual aos meus ouvidos. Além disso, sempre fico atento a cada passo do Flaming Lips, uma das bandas mais sensacionais e imprevisíveis que tive o prazer de encontrar pelo caminho - além, é claro, de ter sido a chave que abriu uma nova porta de possibilidades musicais na minha vida.

O Matias conhece o Flaming Lips, e gosta muito de um DVD de clipes chamado VOID (Video Overview in Deceleration) The Flaming Lips 1992-2005, que, como o próprio título entrega, faz uma retrospectiva das carreira da banda através de seus clipes. A loucura de Wayne Coyne e companhia é traduzida com uma riqueza visual embasbacante através de vídeos incríveis para canções como “Fight Test” (olha ela aí mais uma vez!), “Do You Realize??”, “Race for the Prize”, “Waitin’ for a Superman” e inúmeros outros. Meu filho, do alto da sabedoria dos seus 3 anos - idade que tinha quando assistiu ao DVD pela primeira vez -, comentou: “Essa banda parece de desenho animado, papai”. Sim, Matias, parece mesmo. O apelo surreal do Flaming Lips nos seduz com um universo mágico e delirante, que conquista novos fãs e mostra que a música não precisa - e, sobretudo, nunca deve - ter limites.

Hoje, vivendo em Florianópolis e agora sim bem pertinho do oceano, tenho o Flaming Lips como um dos pontos mais altos da minha vida como ouvinte de música. 


Vai, Wayne, surpreenda-me mais uma vez. É isso que eu espero, sempre e cada vez mais.

Por Ricardo Seelig

+ Richard Pierce Havens (21/01/1941 - 22/04/2013) +

terça-feira, abril 23, 2013
Faleceu ontem, 22 de abril, o cantor norte-americano Richie Havens. O músico, famoso por fazer a abertura do festival Woodstock em 1969, construiu a sua carreira com fortes canções folk e versão soul para hits do pop.

Havens sofreu um ataque cardíaco em sua casa em Jersey City, em Nova Jersey. Ele tinha 72 anos.


Por Ricardo Seelig

Iron Maiden lançará novo álbum em 2014

terça-feira, abril 23, 2013
A informação foi dada pelo próprio vocalista Bruce Dickinson em entrevista ao site sueco Talarforum. Nas palavras do cantor: “Além da turnê, planejamos gravar um novo disco que, se tudo correr como o esperado, será lançado em 2014”. A informação dada pelo músico acalma uma parcela da legião de fãs do Iron Maiden, que, de forma apressada, concluiu que o último disco do grupo, The Final Frontier (2010), seria o derradeiro na discografia do gigante do metal britânico por ter a palavra “final” no título e por, em uma entrevista concedida há alguns anos atrás, Steve Harris ter afirmado que a banda gravaria 15 álbuns de estúdio e encerraria as suas atividades. Essa afirmação já foi negada com veemência pelo próprio Steve, que declarou que os planos mudaram.

O Iron Maiden vive hoje um dos momentos de maior popularidade de sua longa carreira. Os últimos álbuns da banda, se não são unanimidade entre os fãs, mostram um grupo em plena efervescência criativa e buscando levar a sua música para novos caminhos. Ao menos dois deles - Brave New World (2000) e o já citado The Final Frontier (2010) - são muito bons e merecem uma reavaliação por parte dos mais ansiosos.

Além disso, as turnês recentes do conjunto têm atraído uma multidão em shows por todo o mundo, inclusive batendo recordes de faturamento, como aconteceu no primeiro semestre de 2012, quando o Maiden foi a banda que mais arrecadou em apresentações ao vivo em todo o planeta.

Com tudo funcionando às mil maravilhas, inclusive com os integrantes tendo liberdade para experimentar novas sonoridades em projetos paralelos - vide o Primal Rock Rebellion, o British Lion e o já anunciado novo disco solo de Bruce Dickinson -, porque encerrar as atividades? Além de ótimos músicos, os caras do Iron Maiden são excelentes homens de negócios - nunca esqueçam disso ;-)

Vale lembrar que o Maiden será a atração principal do Download Festival, que acontece dia 15 de junho em Donington Park, na Inglaterra, e fechará a edição 2013 do Rock in Rio.

Por Ricardo Seelig

22 de abr de 2013

O prazer de ouvir um bom disco

segunda-feira, abril 22, 2013
Nessa correria de hoje em dia, onde tudo é feito de maneira instantânea por pessoas que passam 24 horas conectadas, há um sentimento de urgência e uma necessidade de saber tudo o que está acontecendo que beira a paranóia. Precisamos mesmo estar online sempre? Temos a necessidade quase patológica de emitir uma opinião definitiva e repentina sobre tudo. Ouvimos uma música, já temos que julgá-la. Assistimos a um filme, já temos um raciocínio. Não damos tempo para que o nosso cérebro digira o que acabou de absorver. Ou nem deixamos que ele absorva, em casos mais extremos.

Essa urgência coletiva transformou a geração que cresceu tendo a internet como melhor amiga em uma espécie de zumbis culturais, que tem tudo à sua mão, mas não vão fundo em nada. É tudo muito raso, sem profundidade, sem conteúdo. O cara se diz um grande fã do Deep Purple, mas só conhece “Smoke on the Water”. É especialista em Black Sabbath, mas nunca escutou “A National Acrobat”. É aficcionado por Led Zeppelin, mas não consegue citar três canções da banda além de “Stairway to Heaven”, “Rock and Roll” e “Black Dog”.

É preciso desacelerar um pouco. Viver no ritmo normal. No ritmo em que as coisas, as músicas, os filmes, tudo o que temos contato, tenham tempo para penetrar no nosso subconsciente e ir transformando, lentamente, a nossa maneira de ver e entender o mundo.

Lembro de quando era um colecionador de LPs. Naquela época, eu só ouvia os discos completos uma ou duas vezes, quando os comprava. Depois, sempre escutava músicas esparsas, as minhas favoritas. O surgimento do CD chegou junto com a maturidade, e transformou a minha forma de consumir música. Comprei o meu primeiro em 1991 e, por mais estranho ou espatafúrdico que possa parecer, foi com os e;es que comecei a escutar álbuns do início ao fim. O botão “shuffle” (ou “random”, dependendo do aparelho) virou o meu melhor amigo. E seu primo, o “repeat”, um companheiro de todas as horas.

Tenho tentado retomar alguns hábitos antigos, que, sem querer e por uma série de fatores, acabei deixando de lado. Um deles é chegar em casa e colocar um CD para tocar. Escolher na prateleira entre os milhares de títulos que estão ali, abrir a caixa, pegar o disco e botar no player. E deixar a música me levar pelos caminhos que ele decidir ir. Relaxa, desacelera, alimenta a mente.

Fiz isso o final de semana todo. Ao invés de pegar um disco, colocar no carro e sair sem rumo (esporte que continua sendo um dos meus favoritos), passei grande parte do sábado e do domingo ouvindo música em casa, relaxando no sofá enquanto lia um livro, ou jogava algo no PS3, ou simplesmente deixava a minha imaginação alçar vôo. Redescobrindo o prazer de separar uma parte do dia para a música e somente ela, abrindo as portas e deixando ela entrar e fazer a sua parte, reconquistando meu coração e realimentando a minha alma. De Flow do Conception a Brave New World do Iron Maiden, passando por Kind of Blue do Miles Davis e desembarcando nos primeiros discos do Black Sabbath, iniciei a semana renovado, com a energia carregada e acreditando que a vida é muito mais colorida do que era antes. E tudo isso só por causa da música, do bem que ela me (nos) faz.

Você já sabia disso. Faz tempo, na verdade, assim como eu. Mas talvez tenha, como foi o meu caso, se deixado levar pelo correria generalizada, pela urgência onipresente do nosso tempo e, mesmo sem querer, foi deixando de lado esse prazer, esquecendo essa doce rotina.

Retome, recomece, reinicie a sua vida. Coloque doses enormes de música nos seus dias. Ouça os seus discos. Afinal, eles foram feitos para serem escutados e tocados, não para ficarem expostos em sua prateleira como troféus de coisa nenhuma.

Ter uma coleção de discos é uma benção, uma dádiva. Uma grande e rica coleção de CDs e LPs possui o mesmo valor que uma biblioteca cheia de livros. As duas eternizam a produção cultural do seu tempo, são documentos que contam a história do ser humano através daquilo que ele foi capaz de criar.

Cuide bem dos seus discos, e eles cuidarão bem da sua vida.

Por Ricardo Seelig

Discos Fundamentais: Black Oak Arkansas - High on the Hog (1973)

segunda-feira, abril 22, 2013
Quando se fala em southern rock, os primeiros nomes que vem à mente são o Lynyrd Skynyrd e a Allman Brothers Band. Apenas os fãs mais dedicados do estilo lembram do Black Oak Arkansas. Formado em 1965 na cidade de Black Oak, no estado de Arkansas (sacou o porque do nome?), o grupo se chamava primeiramente The Knowbody Else, e a formação original contava com James Mangrum (Jim Dandy) nos vocais, Pat Daugherty no baixo, Wayne Evans na bateria e o trio Ricky Lee Reynolds, Stanley “Goober” Knight e Harvey Jett nas guitarras.

Em 1969 a banda se mudou para Memphis, no Tennessee, e assinou contrato com a Stax Records. Gravaram um único álbum pela companhia,
The Knowbody Else, que acabou engavetado. Foi nessa época que mudaram o nome para Black Oak Arkansas e começaram a se interessar por psicodelia e pela cultura sulista, influências que marcariam definitivamente o seu som.

Após algumas turnês tocando em tudo que é boteco da América, assinaram com a Atco em 1970. A gravadora lançou finalmente o debut em 1971, enquanto o grupo caía na estrada em uma extensa turnê para promover o disco. Começava nessa época a fama de ótimos no palco que acompanharia o Black Oak Arkansas por toda a sua carreira. Em 1972 lançaram dois álbuns,
Keep the Faith e If an Angel Came to See You, Would You Make Her Feel at Home?, solidificando seu estilo junto aos fãs. Em 1973 o ótimo ao vivo Raunch 'N' Roll Live transpôs para o vinil a já lendária fúria exibida no palco.

Mas o grande estouro comercial do Black Oak Arkansas aconteceu com
High on the Hog. Lançado também em 1973, o disco trazia uma significativa alteração no line-up do conjunto: no lugar de Wayne Evans estava um certo Tommy Aldridge (que ficaria famoso anos mais tarde, tocando ao lado de Ozzy Osbourne e do Whitesnake).

Gravado entre 15/09/1972 e 29/08/1973, o disco teve produção de Tom Dowd e alcançou a posição de número 52 na parada da
Billboard. O auge criativo do Black Oak Arkansas, transitando com absoluta naturalidade por todos os elementos que compunham o seu som, pode ser ouvido em suas dez faixas.

“Swimmin´ in Quicksand” abre o álbum misturando o balanço e a malícia latina ao southern rock, tudo temperado com pitadas funk. As raízes do grupo são homenageadas no country acústico de “Back to the Land”, enquanto “Movin´” é um hard rock poderoso com claras influências da lendária Charlie Daniels Band.

Um dos destaques de
High on the Hog é “Happy Hooker”, um hard blues cheio de segundas intenções, onde Jim Dandy soa como uma mistura de Mick Jagger com George Thorogood. 


“Happy Hooker” brilha ao lado de mais duas canções. A primeira, “Jim Dandy”, foi originalmente composta por Lincoln Chase e traz a vocalista Ruby Starr dividindo os vocais com Jim. Com uma levada bastante influenciada pelo Sweet, virou a marca registrada da banda, o maior sucesso de sua carreira, alcançando a 25ª posição nas paradas.

A segunda é “Moonshine Sonata”, uma parceria do grupo com o produtor Tom Dowd. Longa jam instrumental com pitadas de Allman Brothers, possui guitarras cheias de melodia e que ifluenciaram, claramente, ícones do heavy metal como Iron Maiden e Judas Priest. Esta faixa mantém a tradição de todo grupo sulista de possuir uma canção com longos solos, e é uma espécie de “Freebird” do Black Oak Arkansas.

A influência country dá as caras novamente em “High´N´Dry” e “Why Shouldn´t I Smile”, esta última com uma grande performance do baixista Pat Daugherty. O disco fecha como começou, com o balanço latino temperando o hard rock de “Mad Man”.



A qualidade foi mantida com o álbum seguinte,
Ain't Life Grand (1975), que marcava mais uma mudança na formação: no lugar de Harvey Jett o grupo contava agora com a guitarra de James Henderson.

Após o estouro comercial destes dois álbuns, a banda literalmente explodiu. Desentendimentos entre os integrantes fizeram surgir um novo grupo, batizado apenas como Black Oak, e que contava com Jim Dandy e James Henderson ao lado de Greg Reding (guitarra e teclado), Jack Holder (guitarra), Andy Tanas (baixo) e Joel Williams (bateria). Esta formação gravou os discos
Race With the Devil (1977) e I'd Rather Be Sailing (1978).

Após estes dois trabalhos, o grupo encerrou suas atividades em 1980. O Black Oak Arkansas ficou nas sombras até 1984, ano que marcou o reencontro de Jim Dandy com Ricky Lee Reynolds. Recuperando-se de um ataque cardíaco, o vocalista convidou seu antigo parceiro para participar de seu álbum solo
Ready as Hell. A parceria se repetiu também em The Black Attack Is Back, lançado em 1986. Mas os fãs só foram brindados com a reunião do Black Oak Arkansas treze anos depois, com o lançamento do inédito The Wild Bunch, em 1999.

A influência do Black Oak Arkansas foi muito além dos limites do southern rock. O hard rock apimentado com influências latinas, country e funk executado pelo grupo antecipou uma tendência que se intensificaria principalmente na década de noventa: a fusão de estilos conspirando para a formação de uma sonoridade totalmente nova. Além disso, a performance ensandecida de Jim em cima do palco influenciou inúmeros vocalistas, notoriamente David Lee Roth, que buscou inspiração no líder do Black Oak Arkansas para criar os saltos que viraram a sua marca registrada nos primeiros anos do Van Halen.

Faixas:
A1. Swimmin' in Quicksand - 3:20
A2. Back to the Land - 2:25
A3. Movin' - 3:13
A4. Happy Hooker - 5:27
A5. Red Hot Lovin' - 2:45

B1. Jim Dandy - 2:38
B2. Moonshine Sonata - 5:26
B3. Why Shouldn't I Smile - 2:21
B4. High 'n' Dry - 2:25
B5. Mad Man - 3:50


Por Ricardo Seelig

Resultado da promoção Led Zeppelin Contra Grife

segunda-feira, abril 22, 2013
A promoção desta semana com os nossos brothers da Contra Grife Camiseteria foi dedicada ao Led Zeppelin.

Sorteamos 2 camisetas exclusivas da banda, e os ganhadores foram:

Rafal Zanolla Chaves
Nanda Marques

Link do sorteio

Parabéns aos vencedores. Por favor, para receberem os seus prêmios, enviem um e-mail para este endereço com os seus dados, endereço, cor e tamanho da camiseta e a referência que vocês escolheram entre as disponibilizadas abaixo. 



Obrigado a todos que participaram!

E fiquem de olho, porque ainda hoje teremos uma nova promo exclusiva em parceria com a Contra Grife no ar!

Equipes Collectors Room e Contra Grife Camiseteria

ONLINE

PAGEVIEWS

PESQUISE