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Mostrando postagens com o rótulo Helloween

Chameleon (1993): o disco que colocou o Helloween contra seus próprios fãs

Existem discos que dividem opiniões. E existem discos que parecem ter sido criados especificamente para isso. Chameleon (1993) pertence à segunda categoria. Mais de três décadas depois de sua chegada às lojas, o álbum continua sendo um dos trabalhos mais controversos da história do heavy metal. Um disco que ainda desperta debates apaixonados entre fãs, críticos e até mesmo entre os próprios integrantes da banda. O contexto de sua criação ajuda a explicar boa parte dessa recepção turbulenta. Após redefinir os rumos do power metal com os clássicos Keeper of the Seven Keys Part I (1987) e Part II (1988), o Helloween já havia começado a se afastar daquela fórmula em Pink Bubbles Go Ape (1991). Porém, nada preparou o público para o que viria em seguida. Em Chameleon , o grupo praticamente abandonou qualquer compromisso com as expectativas de sua base de fãs. O próprio título do álbum funciona como uma declaração de intenções. Assim como um camaleão muda de cor, o Helloween muda const...

Better Than Raw (1998): o disco que consolidou a era Andi Deris no Helloween

Better Than Raw (1998) representa o momento em que o Helloween deixou definitivamente para trás qualquer sombra da crise criativa dos primeiros anos da década. Se The Time of the Oath (1996) havia recolocado a banda nos trilhos, aqui o grupo soa confiante, pesado e artisticamente maduro, talvez como não soava desde o auge oitentista. A principal diferença está na produção. O trabalho conduzido por Tommy Hansen enfatiza guitarras mais graves e encorpadas, bateria com pegada seca e direta, e menos brilho “fantástico” típico do power metal tradicional. O resultado é um álbum mais agressivo, quase flertando com o heavy metal tradicional em alguns momentos. “Push”, que abre o disco, é praticamente um manifesto: riffs cortantes, andamento veloz e Andi Deris cantando com ataque e personalidade. Deris, aliás, é um dos grandes trunfos do álbum. Sua interpretação aqui é mais emocional, explorando nuances que vão do sarcasmo à introspecção, ampliando o espectro lírico da banda. Um dos aspe...

Do auge ao “metal espadinha”: por que o power metal virou piada?

O power metal já foi o rei das prateleiras, das lojas de CDs e dos cadernos de adolescentes que desenhavam logotipos no fundo da aula. Nos anos 1990 e 2000, o estilo era um dos motores do metal mundial — um ponto de entrada para novos fãs, um terreno fértil para melodias memoráveis e um abrigo para bandas que queriam unir peso, técnica e fantasia sem pedir desculpas. Duas décadas depois, parte do público trata o gênero com desprezo, reduzindo tudo a um estereótipo preguiçoso: o tal do “metal espadinha” . Uma rotulagem que tenta diminuir um movimento que, goste você ou não, ajudou a redefinir a cara do metal moderno. O curioso é que o power metal sempre soube exatamente o que era: velocidade, melodias fortes, técnica acima da média, refrões gigantescos e uma espiritualidade própria — umas bandas mais heroicas, outras mais sombrias, todas apostando no escapismo como forma de expressão. Não é um estilo que tentou enganar ninguém. Ele nunca se vendeu como agressivo ao extremo, nem como ...

Helloween e o nascimento do power metal: a fúria de Walls of Jericho (1985)

No cenário do metal europeu dos anos 1980, a Alemanha começava a ganhar destaque com bandas que iriam definir o power metal como conhecemos hoje. Nesse contexto, o Helloween surgiu como uma força inovadora, e Walls of Jericho (1985), seu álbum de estreia, é um marco que captura a energia bruta e a ousadia da banda em seus primeiros passos. O disco é fortemente influenciado pelo heavy metal britânico — Iron Maiden e Judas Priest são referências claras —, mas o Helloween acrescenta uma velocidade e agressividade que se aproximam do thrash emergente, criando uma fusão única. A técnica de Kai Hansen e Michael Weikath nas guitarras, combinada com a precisão da dupla Markus Grosskopf e Ingo Schwichtenberg  no baixo e na bateria, estabelece um som ao mesmo tempo melódico e caótico, prenunciando o que seria o power metal alemão clássico. Entre os destaques do álbum, “Ride the Sky” acelera com riffs cortantes e vocais que mesclam potência e raiva controlada. “Walls of Jericho”, a faixa-...

Helloween reafirma seu legado e surpreende com um álbum sólido e inspirado em Giants & Monsters (2025)

Vamos ser sinceros: a reunião do Helloween, anunciada em 2016, tem muito mais impacto e importância enquanto show ao vivo e celebração do legado de uma das maiores bandas de metal da história do que propriamente relevância artística. Isso ficou claro no álbum autointitulado de 2021. Embora não tenha decepcionado, também não foi a oitava maravilha do mundo. E, convenhamos, ninguém espera que o Helloween, em pleno 2025, revolucione o gênero como quando inventou o power metal com Kai Hansen e Michael Kiske, se reinvente como fez com Andi Deris nos anos 1990, ou experimente como em Better Than Raw (1998) e The Dark Ride (2000). Esse tempo já passou, e os próprios fãs não querem novidades – ninguém vai a um show do septeto esperando músicas inéditas, sejamos francos. Mas aí veio Giants & Monsters , lançado no final de agosto, e a sensação é de surpresa. Talvez o impacto venha justamente da expectativa baixa em torno do segundo álbum de inéditas após a reunião, mas o fato é que o dis...

Keeper of the Seven Keys Part II (1988): quando o Helloween definiu o power metal

Poucos discos têm o peso histórico e a aura de unanimidade que cercam Keeper of the Seven Keys Part II . Lançado em 29 de agosto de 1988, ele consolidou o Helloween como a grande força do power metal e ajudou a definir os rumos de um gênero que, até então, ainda tateava em busca de identidade. Se o primeiro Keeper já havia colocado a banda entre os nomes mais comentados da cena europeia, a segunda parte cravou a assinatura definitiva dos alemães no mapa do metal mundial. O contexto era favorável: o Helloween vinha da repercussão positiva de Walls of Jericho (1985) e do próprio Keeper I (1987), discos que mostraram um grupo jovem, veloz e ambicioso. Sob a liderança criativa de Kai Hansen, mas já com a figura magnética e a voz cristalina de Michael Kiske, a banda encontrou o equilíbrio perfeito entre peso, melodia e ambição épica. O resultado foi um álbum que soa grandioso sem perder o frescor, é técnico sem se tornar hermético, e acessível sem se vender à obviedade. Logo na abert...

Master of the Rings (1994) e o início da fase Andi Deris no Helloween

Depois de revolucionar o power metal com os dois volumes de Keeper of the Seven Keys (1987 e 1988) e se arriscar em experimentações ousadas em Pink Bubbles Go Ape (1991) e Chameleon (1993), o Helloween enfrentava uma crise profunda na metade dos anos 1990: as saídas do vocalista Michael Kiske e do baterista Ingo Schwichtenberg, conflitos internos, perda de relevância e instabilidade com a gravadora. Parecia o fim. Mas Master of the Rings , lançado em 8 de julho de 1994, foi a resposta — e o renascimento. Marcando a estreia de Andi Deris (ex-Pink Cream 69) nos vocais e Uli Kush (ex-Gamma Ray, banda de um dos fundadores do Helloween, o vocalista e guitarrista Kai Hansen) na bateria, o álbum representou uma guinada corajosa: abandonou o excesso de suavidade dos trabalhos anteriores e resgatou a agressividade, mas sob uma nova identidade. Mais ríspido, direto e moderno, Master of the Rings não tenta repetir os Keepers , mas constrói um novo alicerce sonoro para o Helloween. A produçã...

Os CDs que o Fúria Metal fez você querer ter na estante

Durante os anos 1990, o Fúria Metal foi mais que um programa de TV: foi uma espécie de farol sonoro para quem amava música pesada no Brasil. E sua influência ia além da tela — era direto nas lojas de discos. Cada clipe que estreava na MTV podia desencadear uma corrida ao centro da cidade no sábado seguinte. Abaixo estão 10 CDs que se tornaram febre entre os colecionadores da época depois de passarem pelo Fúria Metal. Álbuns que moldaram gostos, abriram portas e deixaram marcas profundas na formação de toda uma geração. 1. Sepultura – Chaos A.D. (1993) Com esse disco, o Sepultura deu um passo decisivo rumo a uma identidade própria. A mistura de thrash, groove e elementos tribais fez de Chaos A.D. um marco do metal mundial. A exibição de “Refuse/Resist” no Fúria levou o orgulho nacional ao máximo e consolidou a banda como referência global. 2. Pantera – Far Beyond Driven (1994) Lançado no auge da popularidade da banda, Far Beyond Driven levou o som agressivo do Pantera ao t...

Keeper of the Seven Keys Part I (1987): quando o Helloween criou o power metal

Lançado em 23 de maio de 1987, Keeper of the Seven Keys Part I é o álbum que criou as bases do power metal melódico europeu. Misturando velocidade, melodia, fantasia e técnica, o Helloween entregou uma obra que mudou o rumo do heavy metal e influenciou gerações ao redor do mundo. Até ali, o Helloween era uma banda de speed metal agressivo, como mostrado no debut Walls of Jericho (1985). O som era cru, rápido e técnico – mas ainda limitado em alcance melódico. A mudança crucial veio com a entrada do vocalista Michael Kiske, de apenas 18 anos, cuja voz poderosa e cristalina permitiu que o grupo explorasse novos horizontes musicais. Com Kiske assumindo os vocais, Kai Hansen – até então guitarrista e vocalista – pôde se concentrar nas seis cordas ao lado de Michael Weikath, abrindo espaço para composições mais ambiciosas e estruturadas. A banda estava pronta para algo maior. O som apresentado em Keeper I é resultado de um caldeirão de influências. O Helloween bebeu da fonte do Iron Maid...

Pink Bubbles Go Ape (1991): quando o Helloween foi do power metal ao glam

Quarto álbum do Helloween, Pink Bubbles Go Ape (1991) é um disco de mudanças. Primeiramente, na formação da banda: sai Kai Hansen, um dos fundadores e principais compositores, e entra Roland Grapow. Em seguida, na sonoridade: o power metal grandioso das duas partes dos clássicos Keeper of the Seven Keys dá lugar a uma sonoridade mais acessível. Considerado um dos trabalhos mais controversos da discografia do Helloween, o álbum revela o quinteto tentando explorar novos caminhos, tanto no plano musical quanto na estética visual. Isso resultou em reações mistas tanto de fãs quanto da crítica especializada. A banda se afastou do som épico e complexo que a consagrou, buscando algo mais leve, até mesmo experimental. Alguns entendem esse movimento como uma tentativa de se adaptar ao cenário musical da época, que privilegiava sonoridades mais comerciais, como o hard rock e o glam metal. A produção é mais limpa, com uma abordagem que, em certos momentos, flerta com o glam e o rock comerci...

Andi Deris quer um novo álbum do Helloween com a atual formação

Em entrevista ao podcast Metal Command, Andi Deris falou sobre a possibilidade de um novo álbum de estúdio do Helloween com a atual formação. O vocalista respondeu: “ Espero fortemente que sim. Quero dizer, desde que a vibração seja ótima, a química seja ótima e todos estejam se divertindo uns com os outros, seria um crime não fazer isso e não planejar um futuro juntos. Pumpkins United não é apenas o nome da última turnê, acho que é algo como uma marca. É algo como uma banda - uma nova ou algo assim crescendo da antiga banda ”. A banda alemã lançou em 2021 o álbum Helloween , que foi aclamado pelos fãs e pela crítica e marcou a reunião em estúdio com o vocalista Michael Kiske e o guitarrista Kai Hansen. E você, quer um novo trabalho do grupo? Responda nos comentários.

Livro: Helloween – A História Completa, de Massimo Longoni (2021, Estética Torta)

Apesar de extremamente popular entre o público brasileiro, o Helloween nunca teve a sua história contada de forma mais profunda por aqui. São centenas de matérias em sites e revistas, eu sei, mas a maioria sem o aprofundamento que uma banda desse porte merece. Esse é apenas um dos pontos que torna a leitura de Helloween: A História Completa uma excelente recomendação não só para os fãs da banda alemã, mas para todos que se interessam pelo desenvolvimento do heavy metal nos últimos quarenta anos. Escrita pelo jornalista italiano Massimo Longoni e publicada no Brasil pela Estética Torta de forma simultânea à edição europeia, a obra cobre toda a carreira do Helloween com uma vasta riqueza de detalhes, trazendo um mar de informações que deixará qualquer apreciador da banda alemã com um sorriso no rosto. O texto de Longoni é muito fluído e possui ótima cadência, o que proporciona um ritmo de leitura bastante rápido. As páginas vão se sucedendo em uma velocidade comparável aos maiores cl...

Review: Helloween – Helloween (2021)

A reunião do Helloween com Michael Kiske e Kai Hansen, que resultou na transformação da lendária banda alemã em um septeto, é uma das grandes histórias recentes do metal. Shows lotados e emocionantes pelo mundo geraram o ótimo triplo ao vivo United Live in Madrid (2019), que documentou para a posteridade a comoção dos fãs e a ótima performance do grupo em cima dos palcos. Faltava o próximo passo: entrar em estúdio e registrar um novo álbum. Agora não falta mais. Helloween , o disco, é o primeiro trabalho dos alemães em seis anos – desde My God-Given Right (2015) -, o primeiro com Kiske desde o controverso Chameleon (1993) e o retorno de Hansen, que não tocava em estúdio com a banda que criou desde o clássico Keeper of the Seven Keys Part II (1988). Pra não dizer que essa formação não havia registrado nada ainda em estúdio, vale citar o single "Pumpkins United", lançado em 2017. O disco foi produzido pela dupla Charlie Bauerfeind (Angra, Blind Guardian, Saxon) e Dennis...

Review: Helloween – United Alive in Madrid (2019)

Dentro do metal clássico, não existiu fato mais marcante nos últimos anos do que o retorno de Michael Kiske e Kai Hansen ao Helloween. A turnê Pumpkins United foi anunciada em novembro de 2016 e teve o seu primeiro show em 19 de outubro de 2017 em Monterrey, no México. O agora septeto alemão soube equilibrar egos e se reconciliar com o seu passado, com Kiske e Andi Deris dividindo o vocal principal e tendo cada um seu momento de brilho nos shows, enquanto Kai Hansen também foi reconduzido à linha de frente da banda que formou com o baixista Marcus Grosskopf, com o guitarrista Michael Weikath e com o falecido baterista Ingo Schwichtenberg. A formação atual conta ainda com Sascha Gerstner (guitarra, no grupo desde 2002) e Daniel Löble (bateria, desde 2005 no line-up). United Alive in Madrid é a celebração desse momento histórico. Triplo, o álbum traz 24 faixas de toda a carreira da banda em mais de 2 horas e quarenta minutos de música. Gravado na capital espanhola em 9 de...

Show: Helloween e Scorpions | 28 de setembro de 2019 | Arena Petry | São José

Em uma de suas mais conhecidas entrevistas, Paul McCartney declarou que nunca teve dúvidas de que ele, John Lennon, George Harrison e Ringo Starr teriam alcançado sucesso mesmo se não tivessem formado os Beatles, mas que a união do quarteto foi algo único e colocou a carreira dos quatro em uma dimensão que eles jamais alcançariam sozinhos. Isso vale para diversos exemplos. No metal, um dos casos mais emblemáticos é o do Iron Maiden. Bruce Dickinson e Adrian Smith saem, a banda segue na ativa, mas o retorno da dupla em 1999 automaticamente recolocou o Maiden no seu lugar de direito, como uma das maiores bandas da história. Mais recentemente, isso aconteceu novamente com a união do Helloween com Kai Hansen e Michael Kiske na turnê Pumpkins United. Agora um septeto, o grupo alemão vive um de seus momentos mais antológicos ao realizar o sonho dos fãs em uma reunião que é, sem dúvida, uma das melhores notícias que o heavy metal viveu nos últimos anos. Chegou a vez de Flor...