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Mostrando postagens com o rótulo Sepultura

Arise (1991): o clássico do Sepultura que colocou o Brasil no mapa do metal

Arise (1991) marca não apenas a consolidação internacional do Sepultura, mas também um ponto de virada dentro do próprio thrash metal. Mais do que o sucessor direto de Beneath the Remains (1989), o álbum funciona como uma síntese refinada de tudo o que a banda havia desenvolvido até então, ao mesmo tempo em que insinua, de forma ainda embrionária, os caminhos que redefiniriam sua identidade nos anos seguintes. A diferença mais evidente está na construção sonora. A produção de Scott Burns, aliada a um orçamento maior, confere ao disco uma nitidez que vai além da simples melhoria técnica. Arise é um álbum pensado em camadas: cada instrumento ocupa um espaço preciso na mixagem, permitindo que os arranjos respirem sem perder peso. Andreas Kisser surge aqui em plena afirmação como guitarrista, equilibrando riffs agressivos com passagens mais elaboradas, enquanto Max Cavalera começa a consolidar um estilo rítmico próprio, menos dependente da velocidade constante e mais focado em acentua...

Como o Sepultura mudou o metal e influenciou profundamente o gênero com Roots (1996)

Quando o Sepultura lançou Roots em 1996, o metal vivia um momento de transição. O thrash havia perdido força comercial, o grunge ainda projetava sombras sobre a cena pesada e uma nova geração começava a experimentar com groove, afinações mais baixas e abordagens menos técnicas. Foi nesse cenário que um grupo brasileiro decidiu não apenas se adaptar, mas redefinir o jogo. Roots não foi apenas uma mudança sonora. Foi uma mudança de perspectiva. A banda abandonou de vez a velocidade cortante de álbuns como Arise (1991) em favor de riffs mais densos, repetitivos e tribais. “Roots Bloody Roots” já anunciava a transformação: menos virtuosismo, mais impacto. O peso vinha da cadência, da pulsação quase ritualística. O metal deixava de ser apenas agressão técnica para se tornar experiência física. Produzido por Ross Robinson , figura central no surgimento do nu metal, o álbum capturou uma crueza emocional que dialogava com o que bandas como Korn começavam a explorar. Mas ao contrário...

Quadra (2020): o impressionante capítulo final da monumental história do Sepultura

Concebido como um álbum conceitual, Quadra (2020) se inspira na ideia do Quadrivium , conjunto de quatro disciplinas clássicas — aritmética, geometria, música e astronomia — e utiliza o número quatro como eixo estrutural e simbólico. O Sepultura dividiu o disco em quatro segmentos sonoros que dialogam com diferentes abordagens musicais, criando uma experiência que vai além da simples sequência de faixas e assume contornos narrativos e atmosféricos bastante definidos. A primeira parte apresenta o Sepultura em sua forma mais agressiva e direta. Faixas como “Isolation” e “Means to an End” entregam riffs cortantes, andamento veloz e uma energia que remete à herança thrash metal da banda, mas com produção moderna e extremamente detalhada, assinada por Jens Bogren. O peso surge renovado, com uma precisão que ressalta o entrosamento do quarteto. Nos segmentos seguintes, o disco amplia sua paleta sonora. O groove característico da banda ganha mais espaço, acompanhado por uma forte presen...

Morbid Visions (1986): Sepultura e o nascimento do metal extremo brasileiro

Quando o Sepultura lançou Morbid Visions em 1986, o Brasil era outro. O país saía lentamente da ditadura militar, o metal extremo ainda engatinhava por aqui e as gravações independentes eram feitas com recursos precários e muita vontade. Em meio a esse cenário, quatro garotos de Belo Horizonte – Max e Igor Cavalera, Jairo Guedz e Paulo Xisto – deram origem a um dos discos mais crus, violentos e influentes da história do metal brasileiro. Gravado em apenas dois dias em Belo Horizonte, Morbid Visions é o retrato de uma banda que ainda estava aprendendo a tocar, mas já transbordava atitude. O som é caótico, a produção é amadora e o inglês é quase ininteligível – mas nada disso importa. A energia que sai das faixas é tão intensa e autêntica que o álbum se tornou um marco. O Sepultura ainda não era o gigante que conquistaria o mundo, mas aqui já estava plantada a semente da revolução. As influências são claras: Venom, Hellhammer, Celtic Frost e Possessed. A iconografia satânica e o so...

Sepultura em Chaos A.D. (1993): peso, política e legado eterno

Chaos A.D. (1993) marcou um ponto de virada definitivo na carreira do Sepultura. Depois de conquistar o mundo com Beneath the Remains (1989) e consolidar seu nome no metal extremo com Arise (1991), a banda mineira decidiu mudar de rota. O thrash técnico, veloz e cheio de riffs intrincados cedeu espaço para algo mais cru, pesado e conectado com a realidade política e social da época. O início dos anos 1990 era de ebulição: queda do Muro de Berlim, conflitos étnicos na Europa, o massacre do Carandiru no Brasil e a sensação de que o mundo estava à beira de uma implosão. Esse caldo de caos, violência e descontentamento permeou o disco. As letras deixaram de lado os cenários apocalípticos típicos do metal para mergulhar em críticas diretas a governos, prisões, violência policial e injustiças sociais. Musicalmente, o Sepultura trouxe novas influências. O groove metal do Pantera, a agressividade do hardcore, o peso arrastado do doom e até elementos da música indígena brasileira entrar...

Os CDs que o Fúria Metal fez você querer ter na estante

Durante os anos 1990, o Fúria Metal foi mais que um programa de TV: foi uma espécie de farol sonoro para quem amava música pesada no Brasil. E sua influência ia além da tela — era direto nas lojas de discos. Cada clipe que estreava na MTV podia desencadear uma corrida ao centro da cidade no sábado seguinte. Abaixo estão 10 CDs que se tornaram febre entre os colecionadores da época depois de passarem pelo Fúria Metal. Álbuns que moldaram gostos, abriram portas e deixaram marcas profundas na formação de toda uma geração. 1. Sepultura – Chaos A.D. (1993) Com esse disco, o Sepultura deu um passo decisivo rumo a uma identidade própria. A mistura de thrash, groove e elementos tribais fez de Chaos A.D. um marco do metal mundial. A exibição de “Refuse/Resist” no Fúria levou o orgulho nacional ao máximo e consolidou a banda como referência global. 2. Pantera – Far Beyond Driven (1994) Lançado no auge da popularidade da banda, Far Beyond Driven levou o som agressivo do Pantera ao t...

Os 10 CDs que todo fã de metal comprou nos anos 1990 - e por que eles continuam relevantes até hoje

Os anos 1990 foram uma década de transformação para o heavy metal. O grunge dominava as paradas, o nu metal surgia no horizonte e o thrash se reinventava. Nesse cenário, uma geração inteira descobriu a música pesada pelas lojas de discos — muitas vezes começando a coleção em CD com os álbuns abaixo. Eles marcaram época, formaram caráter musical e seguem essenciais até hoje. 1. Metallica – Metallica (1991) O Black Album  foi a porta de entrada para milhões de pessoas no universo do metal. Com produção polida, hits como “Enter Sandman” e “Nothing Else Matters” e um som mais acessível, conquistou o mundo sem abandonar a identidade da banda. Ainda hoje, é um divisor de águas na história do gênero — amado por uns, criticado por outros, mas impossível de ignorar. 2. Pantera – Vulgar Display of Power (1992) Phil Anselmo e companhia redefiniram o peso com atitude e groove. “Walk” virou hino instantâneo. A capa agressiva, o som seco e a brutalidade controlada influenciaram geraçõe...

Max Cavalera e o poder transformador do metal: uma reflexão sobre música, superação e identidade

Durante entrevista ao canal Prescription Punk Rock , Max Cavalera — ícone do metal brasileiro e mundial — compartilhou sua visão sobre o impacto positivo da música pesada na vida das pessoas. Para o ex-Sepultura e atual líder de projetos como Soulfly, Cavalera Conspiracy e Go Ahead and Die, o metal é mais do que um estilo musical: é uma ferramenta de transformação pessoal e social. Segundo Max, o heavy metal pode salvar vidas, especialmente entre jovens que se sentem deslocados ou incompreendidos. “Quando você está lidando com solidão, rejeição, ansiedade ou confusão, o metal aparece como uma forma de pertencimento. Foi assim comigo, e vejo isso com muitos fãs até hoje” , declarou. A fala não é apenas uma lembrança de sua juventude conturbada, mas um testemunho direto do poder que a música tem de canalizar sentimentos intensos em algo construtivo. Essa perspectiva ressoa com a trajetória de Max, que desde os tempos de Chaos A.D. (1993) e Roots (1996) já explorava temáticas sociai...

Roots (1996): quando o metal se encontrou com a cultura brasileira

Lançado em 20 de fevereiro de 1996, Roots é o sexto álbum do Sepultura e um dos mais icônicos da história do metal. Ele representa uma guinada ousada na sonoridade da banda, incorporando elementos da música indígena brasileira e das culturas afro-brasileiras ao peso característico do thrash e groove metal. Se nos discos anteriores – Arise (1991) e Chaos A.D. (1993) - o Sepultura já flertava com a experimentação e a cadência do groove metal, Roots leva essa abordagem a um nível inédito. A influência de bandas como Korn e a ascensão do nu metal no período também ajudaram a moldar a sonoridade mais arrastada e densa do álbum, marcada por guitarras afinadas em tons mais graves e uma percussão tribal marcante. Músicas como “Roots Bloody Roots” e “Attitude” demonstram essa mudança, com riffs pesados, distorções carregadas e um ritmo que foge da velocidade do thrash tradicional. Ao mesmo tempo, faixas como “Ratamahatta” exploram a percussão brasileira de maneira rica e autêntica, conta...

Os discos que mudaram a vida de Andreas Kisser

O guitarrista do Sepultura conversou com a Metal Hammer e revelou quais foram os dez discos que mudaram a sua vida. Uma matéria bem legal e que mostra não só algumas das grandes influências de Andreas Kisser, mas também aproxima ainda mais o guitarrista de seus fãs, já que a sua história e relação com os álbuns é bem próxima daquilo que nós sentimos ao ouvir esses discos. Queen – A Night At The Opera (1975) Este foi o primeiro LP que comprei. É uma obra-prima, mesmo para os padrões de hoje! “Bohemian Rhapsody” está nesse álbum, e tem também “Love of My Life” – é perfeito! Todos os quatro membros eram compositores, então é um disco muito diversificado, mas ao mesmo tempo eles soam como uma banda. Mudou a minha vida porque foi especificamente esse disco que me levou nessa direção e me fez querer entrar em uma banda. Kiss – Alive II (1977) Minhas próximas duas escolhas são álbuns ao vivo. Eu só podia sonhar em estar em um desses shows, porque cresci em São Paulo nos anos 1980 e ...

Review: Sepultura – Against (1998)

A implosão repentina do Sepultura em 1996 foi um choque para a cena do metal, tanto brasileira como mundial. O quarteto mineira era na época uma das mais populares e inovadoras bandas do mundo, havia lançado um disco incrível e pra lá de original – Roots , que saiu em 20 de fevereiro daquele ano – e tinha potencial para alcançar um público cada vez maior. Porém, uma briga séria entre o vocalista e guitarrista Max Cavalera e os demais integrantes deu fim a tudo isso. Após disputas judiciais e acusações mútuas através da imprensa, o grupo testou diversos vocalistas (entre eles Chuck Billy, do Testament) e escolheu Derrick Green, natural de Cleveland e com passagens por diversas bandas do underground norte-americano, como o seu novo vocalista. A estreia de Derrick aconteceu em Against , sétimo disco do Sepultura, lançado em 6 de outubro de 1998. O álbum foi produzido pela banda e por Howard Benson (Motörhead, Body Count, T.S.O.L.) e trouxe o quarteto apostando em uma nova sonoridade. ...

Review: The Troops of Doom – The Rise of Heresy (2020)

1987: integrante de uma das primeiras formações do Sepultura e presente no EP Bestial Devastation (1985) e no álbum Morbid Visions (1986), o guitarrista Jairo Guedz deixa a banda mineira e é substituído por Andreas Kisser. 2020: mais de trinta anos depois, Jairo retoma exatamente de onde parou e monta o The Troops of Doom ao lado do vocalista e baixista Alex Kafer (Enterro, Explicit Hate, Necromancer), do guitarrista Marcelo Vasco (Patria, Mysteriis) e do baterista Alexandre Oliveira (Southern Blacklist, Raising Conviction). É claro que Jairo não ficou sem fazer nada durante todo esse período. Ele foi um integrante fundamental e gravou diversos álbuns com o   The Mist e o Eminence, duas ótimas bandas, e também manteve contato e uma relação amistosa com os irmãos Cavalera. O The Troops of Doom nasceu da reunião de Guedz com Kafer em um show onde a dupla executou a clássica canção “Morbid Visions”. A experiência positiva motivou a formação da banda, que soltou seu primeiro EP em...

Review: Sepultura – Dante XXI (2006)

Muito acima do gosto pessoal de cada um, uma coisa é indiscutível: o Sepultura  é uma das bandas mais originais, importantes e influentes não só no cenário heavy metal, mas em todo o rock, e possui um papel fundamental no crescimento e consolidação do metal aqui no Brasil. Só as palavras deste primeiro parágrafo já deveriam atrair, com sobras, a atenção de todo e qualquer apreciador de música pesada para qualquer disco do grupo, mas infelizmente não é assim que acontece. Não vou falar da contradição que a maioria dos headbangers carrega estampada na testa, reclamando diariamente do preconceito e não aceitação da grande mídia e das pessoas em geral ao som que curtem, enquanto eles próprios são poços sem fundo de conservadorismo, capazes de classificar um álbum como ruim apenas porque a banda resolver usar teclados ou colocar alguns efeitos eletrônicos em seu som (e, neste caso, eu não estou falando do Sepultura). O que eu quero dizer é que o Sepultura merece , acima de tudo, respe...

Os 10 melhores discos de 2020 segundo os leitores da Collectors Room

Estamos em 2021, e o primeiro post do ano é a tradicional lista de melhores discos escolhidos pelos leitores da Collectors Room, que votaram em seus álbuns preferidos durante o recesso do site. O resultado está abaixo e mostra quais foram os discos que marcaram a vida de cada Collector durante o ano que passou. Esses foram os 20 melhores discos de 2020 na opinião dos leitores da Collectors Room. 1 Sepultura – Quadra 2 AC/DC – Power Up 3 Deep Purple – Whoosh! 4 Testament – Titans of Creation 5 Ozzy Osbourne – Ordinary Man 6 Blues Pills – Holy Moly! 7 Joe Bonamassa – Royal Tea 8 Paradise Lost – Obsidian 9 Lamb of God – Lamb of God   10 Trivium – What the Dead Men Say 11 Pearl Jam – Gigaton 12 Bruce Springsteen – Letter to You 13 Lucifer – Lucifer III 14 Napalm Death – Throes of Joy in the Jaws of Defeatism 15 Killer Be Killed – Reluctant Hero 16 Deftones – Ohms 17 Sons of Apollo – MMXX 18 Bob Dylan – Rough and Rowdy Ways 19 The Night Flight O...

Por que Quadra, do Sepultura, foi ignorado pela crítica internacional?

Com a publicação das listas de melhores discos de 2020, que surgem aos montes no final do ano, uma coisa chamou a atenção quase imediatamente: a completa ausência de Quadra , último álbum do Sepultura, nesses levantamentos. Aclamado no Brasil tanto pelos fãs quanto pela imprensa, o disco passou batido mundo afora. Mas quais os motivos disso? Decibel, Revolver, Kerrang!, Stereogum, PopMatters e praticamente todos os principais veículos do jornalismo musical não incluíram Quadra em suas listas de melhores de álbuns de 2020. As únicas exceções foram a Metal Hammer, que colocou o disco na posição 30 do seu top 50 do ano, e o Loudwire, que compilou, sem ordem de preferência, os 70 melhores discos do ano e inclui o novo trabalho do Sepultura entre eles. A própria análise do Loudwire nos dá pistas para entender porque Quadra foi ignorado pelas demais revistas e sites: “Os fãs podem discutir sobre o ‘verdadeiro’ Sepultura até ficarem roxos, mas Quadra é facilmente o melhor álbum do Sepul...